Mercado Nacional

Crise? O que é isso? Mangás da Panini seguem como se nada tivesse acontecido

Se você decidiu dar um cochilo esperando sair o próximo volume de Hunter x Hunter, muito provavelmente não ficou sabendo da atual crise editorial brasileira. Basicamente é uma grande nuvem negra causada por uma série de fatores que se alinharam como planetas na sinopse de um anime dos anos 80: as bancas estão acabando, a distribuição está definhando e, pra terminar, a Editora Abril entrou numa séria pendência que deve levar mais meio mundo junto. Isso porque não estou falando da alta do dólar, o desemprego crescente no país e essa falta de visão do que pode acontecer com o Brasil em 2019.

 

Paralelamente a tudo isso temos o nosso mercado de mangás que sempre foi assunto no Mais de Oito Mil, o problema é que ele tá inserido no meio dessa bagunça toda. É como se todos os vários fatores que falei no parágrafo anterior se fusionassem como um grande Megazord pronto para acabar de vez com o nosso nichinho querido. As editoras, como era de se esperar, se posicionaram a respeito da crise.

A NewPOP recentemente publicou uma carta aberta explicando a situação para os leitores e foi bastante otimista. Vamos lembrar que a NewPOP foi a pioneira em abandonar a distribuição em bancas e que o dono Junior Fonseca mantém em sua casa um estoque de papel grande o bastante para muitos mangás de Madoka.

A JBC também se posicionou nos últimos tempos, com o assunto aparecendo nos vídeos semanais do Henshin Online (também para compensar a falta de mangás nesse mês de agosto, que teve somente um título da editora). No vídeo publicado hoje (27), os editores Cassius Medauar e Marcelo Del Greco novamente abriram o jogo com os leitores, explicaram a crise e contaram que os próximos lançamentos da editora prometidos há tempos (como Erased, e Hokuto no Ken) vão demorar um pouquinho mais pra sair, afinal eles precisam analisar qual a melhor saída. Vão sair, mas não tão breve. Além disso, vai rolar reajuste em alguns títulos devido aos problemas no país.

Eu fico contente. Não com a crise, que é péssima, mas em ver as editoras sendo honestas com o público leitor de mangás. Tanto quem compra para ler quanto quem coleciona para ver a lombada retinha merece uma explicação de como ficará esse mercado diante uma situação tão apavorante. A pior coisa que poderia acontecer seria uma editora fingir que a crise não existisse e seguir seu cronograma normal de lançamentos acima de 20 reais como se NADA TIVESSE ACONTECIDO.

Meu deus, como esse checklist recheado da Panini veio parar aqui???

Pois é. Falei da JBC e da NewPOP, mas a única editora que não se posicionou diante esse caso foi a Panini. Entendemos que comunicação e transparência com o leitor parece ser algo muito complicado pra uma editora que publicou a lista de mangás de julho só no final de agosto, mas as atitudes da Panini nos últimos tempos parecem não-condizentes com a gravidade do mercado.

Num tempo em que está cada vez mais difícil achar seu mangá favorito e tirar o dinheiro do bolso para comprá-lo, a Panini jogou nada menos que 24 títulos diferentes só no mês de agosto (tem dois faltando no checklist). Alguns deles são mangás no novo “padrão” da editora, ou seja, aqueles tankos de shonenzinho a 22 reais. Já outros são novas modalidades de facadas no kokoro dos otakus, como Children of the Sea custando 33 reais. Tem também mangás como Toriko, que virou quadrimestral e viu seu preço aumentar porque… bem… não vendia o bastante.

Não sou sócia da Panini então não tenho acesso a número de vendas, mas acho difícil que esteja um fenômeno com o país desse jeito. Esse seria o momento de dar uma paradinha, respirar e ver como resolver esses problemas editoriais da melhor forma possível. Também compreendo que existam contratos a serem cumpridos e títulos que precisam saber, mas o público está um pouco aflito no meio dessa situação que descarrilhou de uma vez. Essa comunicação inexistente com o público afeta um pouco a confiança.

Bem, vamos ver se a Panini se manifesta pra gente poder saber quais os planos de todas as editoras. Ou se pelo menos ela tira o pé do acelerador enquanto todos os outros corredores estão diminuindo a velocidade para não pararem de vez.

23 comentários em “Crise? O que é isso? Mangás da Panini seguem como se nada tivesse acontecido

  1. ai vão boatos fresquinhos:

    – a panini nao passa pela mesma crise porque ela previu o mercado antes das outras editoras. ela aumenta os preços propositalmente porque ela sabe que o publico de banca continua comprando e isso da para ela uma margem de promoçoes garantidas nas grandes redes como amazon, saraiva e o proprio site.
    – dispensaram mao de obra qualificada da mythos em diversas obras para contratar mao de obra barata nos serviços internos. o mercado inteiro ja sabe que o dono da draco esta empregando pessoas da propria editora na panini, garantindo lucro pra ele e reduzindo a qualidade dos mangas. basta ver a diferença gritante entre os mangas produzidos internamente na panini e pela mythos.
    – a panini nem ao menos considera a jbc e a newpop rivais. a primeira esta quebrada e o cassius esta tentando esconder a todo custo. a segunda sabe seus limites e se dá bem por isso.

    voces agora se questionem se isso é verdade ou nao.

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  2. O argumento do Gabriel faz até sentido: existem títulos correntes que tem que ser concluídos. Não imagino a Panini quebrando como a Conrad, no mais remoto a retirada de operação do país.

    Quem estão em situação mais delicada são as nacionais.

    Até pelos comentário do Gabriel a gente conclui que a Panini tem dificuldades, só que ela tá dando seu jeito pra se manter com as pernas bambas, mas tá.

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  3. Sabe o q fico mais puto da cara e desgraçado da cabeça com essa merda ? É q tem otaku q apoia a Panini, fala q é isso mesmo, tem de aumentar pq é crise e q infelizmente quem é “menos afortunado vai ter de se torna seletivo”. Essas palavras um brother meu me mostrou hj em uma conversa q ele teve com um playboyzinho de merda q disse q pra ele esses aumentos n eram problemas pq ele tem um “teto de 500 reais pra essas coisas”. Pior ainda é q tem gente q assina embaixo, pq pra esses merdas eles querem elitizar o habito de consumir manga.

    Bem gostei muito de ver os posicionamentos da New Pop e JBC (essa q melhorou muito nos ultimos tempos) e sinceramente espero muito q a panini se foda forte nessa dança.

    @Gabriel Sarcosi n acredito q seja verdade, principalmente em relação ao status da Panini, se ela n se importasse e n sofresse com os gasto ela n cancelaria obras a todo momento ou muito menos teriam feito o q fizeram a Toriko, de verdade ae a mais provavel é a 2°, em crise baratear mão de obra é o q sempre fazem.

    E sobre questão de vendas, olhei os ranks da Amazon e tirando Jojo e The Promisse Neverland, o resto da nova safra da panini tá da 100° colocação pra baixo. Mas sei q n é parametro.

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  4. Panini levou a sério o “não fale em crise, trabalhe”. Só espero que não esqueçam que a frase que inspirou o discurso do Temer estava num outdoor de um posto de gasolina falido…

    A propósito, falando em política, se as coisas continuarem desse jeito, logo, logo vamos precisar de um “bolsa mangá” para completar as coleções.

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  5. Eu fui um dos que se animou nos anúncios durante o pré crise, mas também um dos que se afastou quando percebeu a estratégia de âncora: títulos razoavelmente longos e com preços vque tendiam a aumentar. Agora a maioria deles já foi concluída ou está próximo de ser, a tempestade parece longe de amenizar e continua chovendo.

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  6. As pessoas estão cada vez mais ocupando seu tempo livre (e até o do trabalho), e que é sempre o mesmo, com redes sociais, e lendo muito mais (porcaria, claro – textos de conversas absolutamente descartáveis), além de gastar mais e mais com outras ocupações, como a Netflix. Não restou muito tempo e dinheiro para mangás físicos. Talvez a saída seja as editoras migrarem para o formato virtual. E ficar só nele. O papel ainda está aí, mas um hora ele será substituído. Não se pode ir contra o desenvolvimento tecnológico. Ou até pode, mas não por muito tempo.

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  7. Panini quando viu a dinap fodendo o rolê, caiu fora e criou o próprio sistema de distribuição, JBC não tem isso, NewPop não caiu na conversa de venda consignada, JBC tava lá e se lascou.

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  8. @ufomanmanga n sei se essa ida pro digital é boa ideia n. Pq tipo quase todo otaku veio de scan e sabemos q isso n custa nada. Vc ter o fisíco em mãos era um diferencial q fazia o consumidor comprar, ter uma propriedade.
    Agora no digital, n ha tanta diferença do q adquirir num scan, qual seria o diferencial disso ? A pq vc tá pagando pelo trampo do autor, olha vou ser babaca, mas ficamos anos consumindo scan (e alguns ainda consomem mesmo com obra a venda) sem se importa com isso, se o diferencial for qualidade tem uns scan ae q fazem bonito. Então qual exatamente seria esse diferencial pra fazer o leitor engajar no formato digital de modo q a pirataria online é dificil de ser combatida. Conta só com honestidade é balela.

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  9. Com relação às publicações digitais, acho que vai ser semelhante ao que acontece com muitas Webcomics em que os autores publicam gratuitamente, e pedem aos leitores, que puderem, doar para apoia-lo a continuar com o trabalho. A maioria esmagadora irá consumir por scans, e aqueles que querem incentivar a produção das obras (afinal, só relógio trabalha de graça), e a geração de empregos nessa área mesmo em terras tupiniquins, vão comprar nas lojas de e-book da vida. Aliás, já tem gente comprando. Antes mesmo da JBC lançar mangá digital, já via brasileiros comprando mangá digital em inglês.
    De atrativo para a mídia digital, de fato, só vejo o fator honestidade, e um trabalho mais profissional do que a maioria esmagadora das scans (as scans que fazem algo bem feito são exceção), além de não ter propagandas como em sites e apps de scans (embora no caso dos sites, muitos devam usar ADBlock em sites que não bloqueiam o acesso de quem faz isso). Mas como a maioria dos brasileiros fazem até questão de serem desonestos, e só pensam no próprio umbigo, naturalmente, o consumo dos mangás digitais deve se manter como nicho do nicho, creio eu.
    Porém, independente disso, não acho que a mídia digital substitua totalmente a mídia física. Cada uma tem seus atrativos, e atendem gostos e necessidades diferentes. Acho que elas podem muito bem se manter lado a lado, mesmo que se invertam os papéis, e o físico acabe se tornando algo mais de nicho do que o digital.

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  10. @Ken-Oh, o diferencial pode ser o que mais conta hoje e sempre no mundo digital: a velocidade. Como as editoras possuem mais acesso às obras que os scanlators da vida, elas podem lançar mais rápido que eles, mesmo que a diferença seja de apenas algumas horas. Mas pode ser ainda mais rápido se falarmos de obras já terminadas. Mas no final o que importa mesmo é o cuidado. Scanlators costumam colocar marcas d’água nas páginas, e nem sempre traduzem todo o texto. Editoras poderiam incrementar as páginas, alternando imagens preto e branco com coloridas ao toque de um clique, ou colocando traduções do texto que alternassem com o texto original e o rōmaji, o que seria muito bom pra quem curte a cultura e a língua japonesa. A Wikipédia mostrou como é importante a intertextualidade, colocando links para tudo. Uma obra poderia servir de link para outras, clicando no texto dos balões. E isso é só a ponta do iceberg do que se pode fazer com a mídia digital. Existem muito mais coisas, como a possibilidade de pagar leitores que traduzissem melhor, e/ou corrigissem o texto. No caso de mídia digital, tudo pode ser mudado. Mas no caso da mídia física, além dos intermináveis problemas de distribuição, tem o problema das páginas, dos preços abusivos etc.

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  11. @ufomanmanga, me desculpe mas vou ter que discordar.

    O Brasileiro tem essa cultura de ler Scans desde os primórdios de 2008, que não se estende não só para Mangás, mas também para os Comics em inglês ( quadrinhos norte americanos).

    Em países civilizados com poder de renda como EUA ou Canadá, sua estratégia PODERIA dar certo, com exceção de remunerar leitores devido a questões contratuais oficiais.

    Mas no Brasil, país de terceiro mundo, o cidadão de classe média vai gastar o dinheiro dele com uma assinatura da Netflix, com vários animes no catálogo, ou com o Crunchyroll, Biblioteca de Animes e Mangás.

    Se a JBC só mantivesse mídia digital HOJE, o negócio não iria se sustentar.

    Foi o que o GraveHeart falou no último Fala Otaku. É muito mais fácil e conveniente ler Scans de uma ou outra história em quadrinhos.

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  12. @MasterMind, acredito que existem brasileiros que realmente amam mangás. Digo isso porque sou um deles, e conheci muitos outros como eu. Foi nesses brasileiros que eu pensei quando sugeri essas saídas para o mercado editorial. Claro, nós não somos maioria. Mas somos suficientes para que isso possa dar certo. Porém, eu acredito que a mídia digital vai ser a única forma dos mangás do futuro. O avanço tecnológico e uma melhor consciência ecológica farão sua parte para que isso aconteça. E com isso virão novas oportunidades de negócios. É simplesmente lógico que seja assim. Mais: como diria Smith: É inevitável.

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  13. Olha, não vejo com maus olhos o volume de publicações da Panini, ela é a maior e se alguém tem que segurar as publicações é justamente ela. Talvez a unica com gordura para queimar. Ela vende bem, ou vende bem as tiragens que publica(vide o esgotamento constante de volumes aleatórios de coleções em andamento) porque uma hora vende tudo ou não esgotava. E acho que está ai a opção que ela tem e as outras não. Ela pode concretizar as vendas depois, pode manter estoque, enquanto as outras pularam para as livrarias e levaram um baque com o calote, ela estava correndo para fazer distribuição própria nas bancas. É ela que não pode esperar uma “normalização” para agir as coisas já estavam no forno. Provavelmente ela perdeu o “time” quando programou essas publicações do novo padrão, mas ela não adivinhou ou não viu os sinais dos dois reais baques desse período, falência da abril(afetando as bancas e distribuição) e calote das livrarias. Não to defendendo oque ela fez antes ou como trata o seu consumidor, isso tem que melhorar e muito. Mas pelo menos nesse primeiro momento ela é a editora que continua apostando no seu negócio e de certa forma é a que pode financia-lo a continuar existindo.

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  14. A questão das empresas estarem em dificuldade tem como um dos pilares o não recebimento pelas vendas, seja na livrarias, sejam nas bancas. As editoras, no momento estão com dificuldade de fazer com que seus produtos cheguem aos consumidores. Ocorre que com a Panini esse problema é menor, pois ela faz sua distribuição em bancas e com isso consegue manter esse canal de vendas ativo, ele recebe pelo que vende. Por a Panini colocar mais de 80 títulos todos os meses em bancas é que ela consegue realizar esta operação sem terceiros (Dinap), algo que não é viável para mais ninguém.

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  15. WRONG

    A panini abandonou a distribuição pela DINAP faz um tempo porque não recebia deles.

    A panini montou uma rede de distribuição com distribuidores locais pelo brasil e continua enviando seu material brasil afora.

    As outras além de ter que lidar com a situação da DINAP (Abril) por não terem recebido, não tem como distribuir nada sozinhas.

    alias, não só a DINAP como a Livraria Cultura e a SóRaiva não estão pagando também. Só a amazon paga bonitinho.

    Ouçam o podcast Confins do Universo #57 do pessoal do Universo HQ sobre o mercado editorial. eles levaram o pessoal das editoras (Panini, Myxhus, e umas outras lá) pra expor o assunto.

    A Preta Véia sabe de tudo. crianços.

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