Resumão da apresentação japonesa no Encerramento da Olimpíada do Rio

22 ago capa-encerramento

Enquanto os burajirujins se despediam da Olimpíada e o pessoal no Twitter ficava requentando meme velho pra aparecer nos posts do Buzzfeed, a Grande Nação Japonesa ganhou o direito de ocupar oito minutos da festa verde amarelo para mostrarem como a próxima olimpíada, que será em Tokyo, será o maior evento mundial desde a Sabrina Sato apresentando o concurso cosplay no Animecon de 2005. IKIMASU ver em detalhes como foi essa apresentação?

Para começar, o prefeito Eduardo Paes entregou a bandeira olímpica para a governadora de Tokyo, Yuriko Koike. Como essa transmissão mundial é praticamente uma exaltação aos clichês de cada país, obviamente colocaram essa senhora vestido um tradicional quimono japonês:

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Logo depois, pediram silêncio porque tocariam o HINO DA GRANDE NAÇÃO JAPONESA:

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Todo mundo estava achando que o Japão iria fazer uma apresentação tipo a do Brasil, exaltando sua história e colocando lá uns samurais, uns ninjas e uns bolinhos de onigiri. Só que eles ligaram o foda-se pra isso e começaram a mostrar como o Nihon é hoje, com uma música super dançante. Destaque para esse frame com um crossover live-action de Yowamushi Pedal, FREE e da nova modalidade da próxima olimpíada: a Corrida Naruto.

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“Affe, Mara, sua blogueira tosca, vai ficar fazendo piadinha enfiando animes na festa de encerrament…”

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SIM, A GRANDE NAÇÃO JAPONESA SE ADIANTOU AO BLOG MAIS DE OITO MIL E EXALTOU SEU SENPAI ESPORTIVO OLIVER TSUBASA E O SENPAI DA NAÇÃO DORAEMON!!!

Logo depois surgiu Abe, o primeiro ministro japonês, preocupado que não conseguiria chegar no Rio de Janeiro a tempo (provavelmente ele tem o mesmo gerenciamento de tempo que alguns Rangers convidados a eventos no Burajiru). Ele então percebe que no carro oficial havia um boné de um cosplay de Mario, e ele pensou “por que não vestir?”

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Com a ajuda de Doraemon, o primeiro ministro Mario Bros instalou um cano de mobilidade a jato no meio de um tumultuado bairro japonês, e com isso conseguiu fazer uma ponte instantânea com o Burajiru:

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Fiquei muito impressionada quando surgiu no meio do Maracanã um cano trazendo o representante máximo da democracia japonesa usando um cosplay de Mario. Enquanto isso, nosso querido presidente nem dá as caras no evento por medo de vaias…

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Usando os poderes de Hatsune Miku, o primeiro ministro japonês invocou hologramas representando todas as modalidades da olimpíada:

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Os representantes do jogo Ouendan também apareceram para animar a torcida enquanto eram cercados por representações dos gráficos realistas do Sega Saturn:

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E assim terminou a festa japonesa, mostrando em oito minutos uma apresentação bem mais empolgante que o arrastado show brasileiro. Nos vemos em 2020, Nihon, de preferência com vocês pagando minha estadia na Grande Nação Japonesa para uma cobertura desse evento!

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Epidemia de livros caça-níqueis de Pokémon Go assola editoras brasileiras

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Não sou o Ministério da Saúde, mas estou aqui para alertar uma perigosa doença que tem se espalhado no mundo editorial brasileiro: a necessidade de lançar livros sobre Pokémon Go. Como todo mundo já sabe, o jogo é um fenômeno no Burajiru e até mesmo as pessoas mais improváveis do mundo estão perdendo bateria de celular passando por PokéStops e capturando Pidgeys. A fama também já se espalhou para a web, e os times Valor, Instinct e Mystic já até substituíram os tradicionais signos do zodíaco nos posts que tentam justificar a personalidade babaca das pessoas e promover rivalidades imbecis. Com tamanho sucesso, obviamente as editoras iriam querer uma boquinha disso.

Sabemos que conseguir os direitos de Pokémon para qualquer lançamento não é a coisa mais fácil do mundo, portanto cada lança o conteúdo que dá. A revista Nintendo World, por exemplo, aproveitou que eles têm o selo oficial da Nintendo (não que isso signifique alguma coisa, afinal qualquer tranqueira como o Wii U tem esse selo) para lançar um guia repleto de textos minúsculos em fontes gigantescas e mais da metade da revista com um checklist dos 151 Pokémon. É quase como se estivéssemos de novo em 1999.

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Quem não tem o selo oficial, se vira como pode. A editora Nemo, por exemplo, aproveitou a oportunidade para lançar um romance inédito com uma história de jogadores de Pokémon Go. Entrei em contato com a editora para saber mais da autora e perguntar se eles poderiam usar coisas de Pokémon no livro, afinal a franquia japonesa não é tão aberta a essas liberdades editoriais que nem os Minecrafts da vida, mas até o momento eu fui 100% ignorada pela assessoria de imprensa deles. É a vida, né? Agora também não vão ganhar a chance de ter a capa do livro deles aparecendo nesse post, hunf!

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Quem logo em seguida também apareceu para entrar na onda de Pokémon Go foi o nosso já conhecido autor da fanfic distópica Ash vs Red. Ele está lançando um guia não-oficial de Pokémon Go pela editora Novo Conceito e disse que as vendas desse livro vão abrir as portas para que Ash vs Red seja publicado no Burajiru. Entrei em contato com o autor para perguntar mais detalhes do guia, o que ele achava do lançamento da editora Nemo e questionar como um guia não-oficial iria abrir os olhos da Pokémon Company para que ela licenciasse sua franquia para a produção de um livro cafona mostrando a luta de dois personagens que não fazem sentido. Preciso falar o que aconteceu? Claro que não, todo mundo já imagina que fui IGNORADÍSSIMA. Mas vou mostrar a capa porque ele já é de casa.

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Mas se você pensa que as editoras estão pegando qualquer fã que se submete a fazer um serviço rápido e barato em troca do lucro fácil de vender coisas de Pokémon Go nas livrarias, se enganou. A editora Panda Books, por exemplo, convidou o jornalista Claudio Prandoni lá do Uol Jogos para escrever um guia com superdicas de Pokémon Go. E o lançamento, como era de se esperar, é pra ontem: o livro já está em pré-venda.

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Claro que tenho alguns questionamentos sobre essa mania editorial. Me pergunto o quão bom pode ser um livro feito às pressas para aproveitar uma onda. Quero saber também se alguma editora tem explorado fãs iludidos para escreverem livros assim em prazos insalubres. Qual o tipo de leitor que eles esperam conquistar com isso, os aficionados que jogam direto e sabem encontrar coisas na internet de graça ou o leigo que não vejo comprando livro sobre isso? E, claro, a maior de todos os questionamentos:

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Como que decidem lançar um guia de um jogo que está praticamente em modo beta e que não tem todas as funções ativadas ainda???

C&A lança roupas de Cavaleiros, mas se esquece de um deles

16 ago shun-camiseta

Um belo dia acordei querendo um pouco de exclamações em minha vida, então lembrei que faz um tempo que não implico gratuitamente com o Site dos Cavs. Aí lá fui eu oferecer meus cliques em troca de uma pauta fácil, mas então achei algo realmente relevante.

Para quem não sabe, a C&A fez uma parceria com os Cavaleiros (quem lê isso já imagina um contrato feito lá no Santuário) e agora você pode encontrar lá roupas para adolescentes dos protagonistas da série (claro, afinal a fanbase dessa série não é composta por um monte de marmanjo que gasta um salário mínimo com bonequinhos de luxo). Eu até já tinha falado dessa coleção num post anterior e usei minhas habilidades no Paint para fazer uns designs. Pois bem, obviamente o Site dos Cavs tá lá fazendo a cobertura do abastecimento das lojas com as camisetas, e algo bem importante foi notado:

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Como assim a camiseta do Shun não foi encontrada? Será que é só nessa loja do Tatuapé? Será que ela estava escondida no depósito apanhando de alguma outra camiseta e chamando pelo irmão? Para tirar a dúvida, decidi ir no site da loja C&A ver a coleção inteira e dei de cara com isso:

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Deixa eu ver se a otaka aqui entendeu!

A C&A decide fazer uma coleção com roupas dos Cavs depois que viu que há um grande mercado de gente que não sente vergonha de usar regatinha do Capitão América ou camiseta do Flash em 8bits, e aí pega uma série com 5 personagens masculinos principais e faz camiseta para apenas quatro deles (pelo menos é o que vemos na própria loja virtual da empresa)????

Longe de mim de insinuar que eles não lançaram o modelo por culpa do personagem ter fama de ser homossexual entre o preconceituoso público brasileiro e isso faria com que o produto encalhasse por falta de comprador. Com certeza devem haver outros motivos para justificar a falta da camiseta do Shun, como por exemplo:

(a) acabou o dinheiro do licenciamento no quarto cavaleiro em ordem alfabética e o Shun ficou de fora

(b) Shun estará na coleção de inverno com blusões para te aquecer

(c) Rosa nas camisetas masculinas é tipo a cor especial de Fullmetal Alchemist e não compensaria fazer

(d) Na verdade existe a camiseta do Shun e ela está esgotada

Raul Gil começa competição de K-POP e cita o Mais de Oito Mil

15 ago raul-gil-queipop-capa

Sábado normalmente é quando faço absolutamente nada passeios culturais por São Paulo e acabo passando pelo Centro Cultural Vergueiro, um ponto de parada obrigatório para fãs de K-POP que ficam aproveitando os espelhos de lá para praticarem suas coreografias expansivas e constrangedoras. Mas, neste último sábado, o local estava mais vazio que a lista de anúncios futuros da Nova Sampa: todos estavam em suas casas para acompanhar a estreia do Quem Sabe Dança, quadro no Programa Raul Gil que será uma competição de dança sul-coreana no Burajiru. IKIMASU conferir como foi essa estreia?

O programa já começou com Raul Gil, um dos hokages da televisão brasileira, explicando que o k-pop é uma mania mundial e que o vídeo que ele postou no Facebook fez muito sucesso. Para que a galera de casa composta por senhoras que se emocionam com cantores calouros que conquistam na base do grito entendesse do que se trata o quêipóp, o apresentador convidou um grupo para uma demonstração. E aí começou a primeira atração do programa, que é ver Raul Gil tentando pronunciar os impronunciáveis nomes de grupos:

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O grupo ~alaiê~ se apresentou e logo o querido Raul Gil foi fazer perguntas ao líder do grupo, o lindíssimo Iago. Entre as perguntas, o hokage queria saber por que eles não estavam na competição de seu programa, e a resposta foi de partir o kokoro de Raulzão:

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Como assim, Iago? Nem precisei ler “O Corpo Fala” para notar que Gil-san ficou chateadíssimo com seu programa sendo menosprezado por um grupelho de dançarinos de queipóp. Qual competição é mais importante que a realizada num canal liderado por um fã de Evangelion???

Aliás, Gil-chan acabou de se tornar o meu mais novo ídolo porque ELE LEU A MINHA MATÉRIA!!!

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Além de comandar o maior concurso de Idols de todos os tempos, de fazer brincadeiras de palavras inspiradas no tradicional shiritori e de ter descumprido deliberadamente as leis da alquimia ao transformar seu microfone de ferro em ouro, Raul Gil é leitor do Mais de Oito Mil. Com isso ele já ganhou o meu amor eterno, nem podemos zoá-lo por comparar os participantes dos grupos a celebridades norte-americanas, como foi o caso dessa competidora do grupo ~veeeenee~ com tatuagem de Exu comparada ao cantos ~djustin bíb~:

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Além da duração arrastada e das piadas repetidas, qual a outra característica desse tipo de programa? Sim, os merchans, e Raul Gil sabe muito bem como inserir uma propaganda adequadamente, afinal aproveitou um concurso de dança para…

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Após a apresentação do grupo ~fíkstuyuuuu~, rolou a votação de qual seria o vencedor do dia. E o julgamento seria feito por quem? Seria um artista coreano? Os jurados do “Se ela dança eu danço”? O sistema de identificação de movimentos do Just Dance no Kinect? Não! Claro que foi a plateia, composta apenas por mulheres que gritam nos momentos oportunos e passam energia positiva estivando o braço conforme as ordens do contra-regra:

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E esse foi o começo da competição do K-pop no Burajiru através do embaixador Raul Gil-sama. Para a próxima semana, não espero nada além de mais comparações de celebridades, mais piadas de “abre o olho japonês” e um convite formal para que eu cubra os bastidores lá no SBT. Agora vou agradecer ao leitor  pela pauta, pegar meu banquinho e sair de mansinho.

(Você pode assistir ao quadro em baixíssima resolução como nessas imagens lá no perfil oficial do SBT no Youtube)

Bomba! Otacos mexicanos tratam Panini de lá COMO UMA EDITORA NORMAL!!!

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Que o pessoal do Burajiru é infantil isso não resta dúvidas, afinal estamos no país que vaia outras nações em partidas da Olimpíada do Rio e que cria rivalidade até com signo e time de Pokémon Go. Com as editoras de mangá não é diferente, e existe uma competição entre JBC e Panini que existe apenas na cabeça desse pessoal. Na verdade, “competição” é até a palavra errada pra esse rolê, porque o que os otacos do Burajiru fazem é endeusar a Panini e satanizar a JBC. Se você duvida, basta ver qualquer post delas no Facebook: se a Panini posta algo, os otacos oferecem dinheiro em oferenda à editora e no caso da JBC chovem críticas até sobre a qualidade de mangás que não foram impressos ainda.

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Em uma atitude masoquista e que prejudica minha saúde mental, acompanho discussões sobre mangás em várias redes sociais pra ver o que o pessoal comenta e tal e, numa delas, alguém publicou um post da Panini México com capas dos próximos lançamentos deles, como My Hero Academia e Knights of Sidonia. O mais engraçado disso é ver o pessoal metendo o pau em coisas como o logotipo e a própria capa em si, sem saber que os mangás mexicanos são feitos pela Panini brasileira que todo mundo idolatra.

Mas esse é um post para falar sobre as incoerências dos otaquinhos brasileiros? Pior que não, eu aproveitei o post no Facebook da Panini México para ver como os otacos de lá reagem às publicações da editora nas redes sociais e… olha só que surpreendente… lá eles tratam a Panini Mexicana COMO UMA EDITORA NORMAL.

IKIMASU ver prints surpreendentes? Pra começar, os comentários supercampeões de curtidas, praticamente um Onegaidesu da cobrança:

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Alguma vez você conseguiu imaginar a Panini numa situação que precisa falar “calma aê, migo, a gente vai tentar agradar todo mundo“? Pois é, nem eu. Enquanto aqui temos pessoas oferecendo a virgindade pra editora, lá agem como em qualquer canto do mundo: pedindo qualquer outro título que não estão na lista de publicados. Risos inclusive para a pessoa que pediu To Love-Ru, mostrando que o mau gosto é algo que une toda a nação otaca mundial.

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Se meu espanhol construído por letras da Shakira e pela abertura de Maria do Bairro estiver correto, tem leitor no México preocupado com os trocentos mangás sendo vendidos!!! E pensar que os otacos daqui surtam quando uma editora não faz uma média de 5 anúncios por evento.

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Que curiosa essa realidade alternativa em que os otacos vibram com Knights of Sidonia, amam publicação de All You Need is Kill e ainda pedem CLAMP. Uma lágrima cairia dos olhos de Cassius Medauar, editor da JBC, se ele não estivesse ocupado deixando de gravar o Henshin Online para virar líder de ginásio de um hidrante.

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E, para fechar com chave de oro, LÁ EXISTEM CRÍTICAS À QUALIDADE FÍSICA DE IMPRESSÃO DOS MANGÁS. Está confirmado, minna, lá no México a Panini é uma editora de mangás como qualquer outra, com elogios e críticas!!!

Desculpa ae, mas o Naoki Urasawa não é um autor tão bom assim, tá?

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Quando você começa a ler mangás e decide pesquisar um pouco mais sobre o gênero, acaba caindo numas frases que você aceita como verdades absolutas e passa a repeti-las. “Osamu Tezuka é o deus do mangá“, “Toriyama é mestre da comédia” e, como é o caso da minha matéria de hoje, “Naoki Urasawa é o mestre do suspense“. Confesso que quando eu era uma otaca jovem eu comprei a ideia, e sentia isso toda vez que pegava um volume do Monster da Conrad pra ler. Anos depois, a Panini publicou a história inteira do doutor Tenma e ainda engatou um 20th Century Boys, e ler essas histórias (que são as mais conhecidas do autor) só me faz pensar que ele não merece nem um pouco a fama que tem.

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As duas histórias partem de premissas curiosamente parecidas (homem é culpado por um psicopata a solta e decide ir atrás dele pra questionar “o que cê tá fazendo, mano?”), mas executadas de formas diferentes. Se você não faz ideia do que tô falando, Monster é a história de um médico que vai atrás de um jovem assassino e 20th Century Boys é a história de um grupo de amigos que se unem para impedir que um líder religioso transforme as brincadeiras deles dos tempos de criança no fim do mundo. Cá entre nós, são duas premissas muito boas, né? Não há como negar.

Ler os primeiros volumes de Monster e de 20th Century Boys é quase como ser tragado pra dentro daquela história, é algo muito impressionante. O autor sabe conduzir a trama muito bem, e o suspense é na medida, isso sem falar no traço único. Se tô falando isso, por que o título da matéria é que o Urasawa não é tão bom assim? Bem, porque do meio pra frente, meu querido tomodachi, os mangás dele despencam ladeira abaixo.

(O post tem spoilers, mas eu aviso antes pra você não ser uma pessoa frustrada e amarga como eu)

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[Este parágrafo contém spoilers leves de Monster] Durante longos 18 volumes, o doutor Tenma e a irmã de Johan saem atrás do jovem psicopata, reunindo pistas e descobrindo o passado do vilão. Conhecem personagens, fogem da polícia, reúnem pistas, conhecem mais personagens, fogem mais da polícia, reúnem mais pistas, conhecem outros personagens, e assim sucessivamente. Monster tem pelo menos umas 3 situações de clímax que nunca vem, como se o autor segurasse a ejaculação para durar mais tempo do que deveria, fazendo a foda ficar muito inconveniente (desculpa a comparação com sexo, vocês nem devem saber do que estou falando). Mas ok, podemos dizer que Monster ainda consegue se sair bem, mesmo com o final péssimo e a história arrastada, mas NADA justifica 20th Century Boys ser considerado um mangá bom.

[Este parágrafo contém spoilers leves de 20th Century Boys] A premissa de 20th Century Boys é muito boa, e eu fui fisgada pelo mangá já no primeiro volume. Do tipo que achei genial mesmo. A cada página eu ficava vidrada nas investigações do Kenji a respeito da seita do Amigo e ficava surpresa com os flashbacks mostrando como toda a trama foi surgindo em meio a brincadeiras de criança. Se vocês fizerem que nem rolou com o Biel e forem atrás de tweets antigos meus, verão que bimestralmente eu dizia que 20th Century Boys era um dos momentos mais felizes do meu bimestre, ao lado de gaems e bares com amigos. Cês precisavam ver minha cara quando o autor me surpreendeu com a reviravolta lá pelo volume 5… bem, o problema é que a história tem 24 volumes

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[Este parágrafo contém spoilers PESADOS de 20th Century Boys e 21th Century Boys] Ok, foi muito inesperado que o grupo do Kenji perdesse a batalha no Reveillon de Sangue e que o Amigo virasse uma pessoa tão influente. Rolou o time skip, a Kanna virou uma personagem importante, o Kenji estava tão morto quanto a linha de mangás da Conrad atualmente e a história começou de novo praticamente. Foi um pouco arrastada que nem Monster, mas tava indo bem. O momento com o Godzilla foi bem legal, inclusive. Aí o autor foi construindo uma situação que ficaria linda para um final, com o assassinato do Papa… até que PÁ, ROLA MAIS UM TIME SKIP COMPLETAMENTE DESNECESSÁRIO E A HISTÓRIA COMEÇA DE NOVO, MAIS PRO FUTURO AINDA. Com mais personagens enfiados no rolê contra o Amigo em meio a um cenário distópico mais cafona que a premissa do Ash vs Red, a coisa começou a degringolar num nível que não tinha mais conserto. Até o retorno do Kenji foi a coisa mais forçada do mundo! Depois de terminar tudo bem corrido, começou o 21th Century Boys (que não faz sentido ter zerado a numeração e muito menos a Panini dizer que se pode considerar o volume 22 como o final da história) e MEU KAMI-SAMA DO CEU, O URASAWA TÁ ESCREVENDO ISSO COM A BUNDA, SÓ PODE. Como que o mangá que me prendia tanto no começo virou essa palhaçada? Quando começou a coisa de que existe um novo Amigo, a bomba antipróton e o papo sobre cópia da cópia eu já comecei a pensar que isso, na verdade, é um grito de desespero do autor, que criou uma galhofa tão patética para chamar a atenção do público para seu encarceramento nos porões da Shogakukan.

[Cabô os spoilers no texto] Normalmente eu esperaria o final do 21th Century Boys para falar com propriedade da história como um todo, mas não dá. Comprarei a última edição porque tenho meus momentos masoquistas, pois o Urasawa despirocou completamente e até tenho curiosidade em saber como essa merda vai acabar. Por ser algo recorrente, posso até dizer que o Naoki Urasawa é um autor que tem ideias maravilhosas para começar uma história, mas que se perde completamente em algum lugar ali no meio. Seja por pressão do público, da editora ou apenas para garantir o cheque da Shogakukan todo mês pra pagar as dívidas, a forma arrastada como ele trabalha Monster e 20th Century Boys é muito parecida com a de uma famosa autora que também é conhecida por ser mestre.

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Igualzinho à Rumiko Takahashi, mestra dos autores que têm boa premissa, mas não têm a famosa hora de parar.

Pokémon Go não veio, mas rolou Silvio Santos com cosplay de Pokémon

1 ago silvio-santos-cosplay-capa

O lançamento de Pride – O SuperCampeão. A abertura do freezer da Panini. Pokémon Go no Burajiru. O que todas essas coisas têm em comum? Todos são eventos que não temos a menor ideia de quando vão acontecer.

A última notícia da boatopress promovida por sites caça-cliques do Burajiru era que Pokémon Go seria lançado aqui no dia 31 de julho (ontem), mas isso acabou não acontecendo (você deve ter percebido que as pessoas estavam normalmente na internet debatendo RE: Zero e comidas da Liberdade). Mesmo assim, o dia de ontem trouxe novidades supreendentes do mundo Pokémon.

A equipe de computação gráfica do SBT, responsável por fazer aquelas assustadoras miniaturas dos participantes do Jogo dos Pontinhos junto com as bailarinas, decidiu mostrar que o povo brasileiro quer muito Pokémon Go de um jeito diferente: eles trajaram essas waifus e husbandos 3D com cosplays do anime de Pokémon! Depois da notícia que Silvio Santos é fã de Evangelion, não me espanto com mais nada!

Teve Silvio Santos de Ash, Patricia Abravanel como Misty, Cabrito Tevez como James, Livia Andrade como Jesse e Carlinhos Aguiar como Brock. Como o vídeo não está disponível na internet, se contentem com essas fotos que eu roubei descaradamente do Twitter:

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Parabéns, SBT, porque em poucos segundos vocês conseguiram mostrar o interesse dos burajirujins por Pokémon sem precisar escrever uma fanfic distópica!

Raul Gil será o embaixador da cultura K-POP no Brasil

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Com as audiências das emissoras indo ladeira abaixo, todo mundo está investindo em coisas que atraiam os jovens para dar um boost nos números. Por isso o dorama das seis faz piadas recorrentes com cegonho e o BAND no Panico investiu nos criticados youtubers. Ledo engano, NÃO É ISSO que os jovens querem e o primeiro a perceber isso foi Raul Gil.

Um dos hokages dos programas de auditório percebeu que havia uma certa cultura que dia a dia estava ganhando espaço entre os jovens e gritou para sua produção “pegue seu seu banquinho e vá me trazer esse tal de queipópe”. Sim, caro leitor do Mais de Oito Mil, Raul Gil decidiu ser embaixador da cultura K-Pop no Burajiru! IKIMASU ver o que a página oficial do programa dele postou no Facebook (dica do leitor @mrweeaboo):

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Não consegui ver o vídeo inteiro porque clipes de K-POP me dão a impressão que é apenas um cantor extremamente genérico aplicando o Jutsu Clone das Sombras e as coreografias afetam minha labirintite, mas o programa do Raul Gil quer mostrar a cultura coreana todos os sábados.

Será que futuramente teremos 2NE1 disputando com o Super Junior o famoso shiritori do Raul Gil? Veremos T-ARA respondendo para quem tira o chapéu? E a pergunta mais importante de todas: será que vão popularizar o nome desses negócios tudo a ponto de eu não precisar procurar na Wikipedia uma lista de bandas coreanas para fazer piada com propriedade? Veremos.

Opinião Impopular da Semana: Mob Psycho 100 é melhor que One-Punch Man

29 jul mob-psycho-100-capa

Trago novidades para você leitor do Mais de Oito Mil, começarei hoje uma nova seção no site. A “Opinião Impopular da Semana” é um espaço no qual, como o próprio nome já diz, falo alguma opinião que é um pouco diferenciada do que a maioria da Imprensa Especializada (pff) ou dos otacos em grupos de discussão dizem. E nada melhor que começar falando uma verdade em negrito que vai doer um pouco: One-Punch Man não é tão legal assim.

Às vezes, alguma série alcança um hype misterioso e todo mundo começa a falar como se ela fosse a maior maravilha do mundo. Ela pode até ser boa, como é o caso de One-Punch Man, mas os elogios a tornam algo muito superior ao que é de verdade. A série do herói careca eu li (até o momento) dois volumes e vi um pouco do anime, e ficava sempre me perguntando o que é que aquilo tinha de mais. Eu achava engraçadinha, achava bem animado, mas cadê a grande revolução animada? Cadê as dores de barriga de tanto gargalhar que as pessoas tanto diziam?

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Depois que li o primeiro volume, cheguei até a rascunhar um post aqui no Mais de Oito Mil pra falar que achei o mangá bem qualquer coisa, mas acabei depois que o reli num dia melhor e fui pra segunda edição curtindo mais. One-Punch Man é divertidinho, mas só. Não havia entendido o apelo do tal do One, o autor do negócio… até que conheci Mob Psycho 100.

Para você que depende de posts de primeiras impressões para guardar o nome dos animes e não sabe qual é essa série porque só o Gyabbo falou a respeito, Mob Psycho 100 é um mangá escrito e desenhado pelo mesmo One do One-Punch Man e conta a história de um moleque chamado Mob que tem poderes psíquicos e é explorado por um charlatão que é a favor da flexibilização das leis trabalhistas para pagar menos ao funcionário. Juntos eles resolvem vários problemas espirituais como qualquer outro mangá do gênero, com a diferença que o traço feio do One deixa tudo muito maravilhoso. E aí entram yokais, uma seita religiosa, um clube de telepatia, o grupo de marombeiros amigos do Bambam e até mesmo questões psicológicas sobre a somatização dos problemas da vida.

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Eu fui pesquisar algumas opiniões sobre Mob Psycho 100 e fiquei meio surpresa que muita gente não gostou. Na matéria do Gyabbo que eu citei ali em cima, por exemplo, a crítica comenta que nem considera a história de comédia porque não tem muita graça. Discordo bastante, até porque na verdade o humor de Mob Psycho 100 é até mais acessível que a outra série do autor. Se for pensar, One-Punch Man é quase uma paródia dos heróis, e para o humor de paródia ser entendido pelo receptor é preciso um certo conhecimento tanto de heróis quanto de clichês de mangás (que são ironizados dentro da história). Já no caso de Mob Psycho 100, há apenas um humor puro mesmo, mais escrachado que torna as coisas mais acessíveis. Mob Psycho 100 sabe dosar muito bem a ação, o non-sense e o humor bem pastelão que exige pouco do cérebro mas faz um bem danado quando estamos dando risada.

Posso até estar enganada porque vi bem pouco das duas séries, mas posso afirmar que estou animada com Mob Psycho 100 muito mais que One-Punch Man e por isso vou defendê-la.

***

(Se quiser conferir pra ter certeza que estou certa, o anime de One-Punch Man está disponível no Daisuki e o mangá é publicado pela Panini com todas as frescuras que vocês otacos curtem. Mob Psycho 100 tem apenas o anime por aqui na Crunchyroll e está no terceiro episódio)

Globo coloca um autêntico otaku brasileiro em novela sobre o Japão

28 jul otaku-capa-sol-nascente

E aí, minna! Estou aqui no Mais de Oito Mil para falar de coisas que os otakus gostam e que rendem visitas. Seria um post para criticar a cor especial usando especulações mentirosas de pessoas? Ou então um post para mostrar que nenhum otaku reclamou da imagem do Sonic escuríssima no final da edição de One-Punch Man nº3? Não e não, eu conheço bem vocês e sei que querem conteúdo único, exclusivo e de pura humilhação dos otacos, então vamos falar de NOVELA! Se você acessa o site do moço careca sobre televisão, deve saber já que a próxima novela das seis da Globo vai falar sobre italianos e JAPONESES.

Então, a novidade é que a Globo providenciou um personagem que representa vocês otacos. Segundo esse post do site Coisas de TV (que é muito bom e vocês deveriam acessar), saiu uma imagem da família japonesa da trama e observem que maravilhoso:

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Vamos ignorar que o conceito de família japonesa para a Globo é composto por uma senhora oriental, duas waifus, a Giovanna Antonelli e o Luis Mello usando óculos escuros para disfarçar que não tem olhos puxados e focar nesse pequeno personagem da trama:

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O que se esconde por trás deste sorriso resplandescente representado numa foto tão pixelizada que mais parece cenário de Minecraft? Bem, esse personagem se chama Hideo e ele foi o escolhido para representar nossa cultura numa das maiores emissoras do mundo. Nessa hora, você otaquinho deve falar “nossa, então ele vai ser um personagem muito antenado em redes sociais, que tem mente aberta para acompanhar animações de outras culturas, curte debater sobre gramatura de papel offset e é extremamente inteligente” certo? Bem, o site Extra tem um perfil real da visão que a Globo tem de você:

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De embaixador da cultura mais rica a núcleo cômico, a única coisa que incomodou MESMO foi a falta de realidade. Afinal, como assim “muitas vezes não têm sucesso” quando sabemos que o correto é “nunca tem sucesso“?

Sol Nascente estreia em breve e já estou ansiosa para escrever sobre esse assunto.

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