Os 10 mangás mais esquecíveis já publicados no Brasil

25 abr

Vamos acreditar que é verdade isso que nossos editores de mangás sempre falam nas palestras e dizer que o Burajiru tem um mercado consolidado de mangás. Mesmo se acreditarmos cegamente na afirmação, não dá pra aceitar que todas as editoras nesses 17 anos de publicações desde Dragon Ball só trouxeram os melhores títulos disponíveis na Grande Nação Japonesa porque isso não rolou. A gente sabe que às vezes rola uma venda casada, um “publica esse aqui que você publica esse que você quer” ou mesmo a ideia dos editores de mangás que um negócio pode emplacar de alguma forma.

Como método para conseguir visualizações mais facilmente, reuni 10 dos títulos mais esquecíveis de mangás já lançados por aqui. Dez daqueles mangás que se você der de cara lá na prateleira da Comix você por um segundo vai se perguntar “ué, isso foi publicado por aqui?”. IKIMASU para a lista em ordem alfabética mesmo porque me falta conhecimento de tanta tranqueira para catalogá-los em ordem de esquecimento!

As Estrelas Cantam (Panini – 11 volumes)
Depois do grande sucesso de Fruits Basket pela JBC, a Panini deve ter pensado “nossa, e se a gente trouxer o mais novo sucesso de Natsuki Takaya no Japão?” e fomos presenteados com um dos mangás com capas mais insossas já publicados. Não sei se é a pintura computadorizada, o fundo de papel de carta ou o nada inspirado título em português, mas ninguém lembra que tivemos 11 volumes de As Estrelas Cantam publicados no Burajiru.

Blue Dragon – Secret Trick (JBC – 1 volume)
A JBC é aquelas que quando aposta numa coisa, vai até o fim (menos quando se trata de continuações de seus mangás). Muito antes de publicar até a lista de supermercado desenhada pelo mesmo desenhista de Another, a editora publicou esse mangá alternativo de Blue Dragon depois de publicar a série Ral Grado (que por sua vez só saiu porque tinha o traço do desenhista de Death Note). O destaque é ser o único mangá publicado aqui da autora de Bucky (dependendo da sua idade é capaz de nem saber o que é isso também).

Contos de Amor Para Você (Panini – 2 volumes)
Parece título de romance de banca, mas nada mais é que um mangá shoujo genérico que a Panini trouxe e ajudou a criar o preconceito no brasileiro de que shoujo é ruim. Talvez você nunca tenha visto na banca porque seus olhos podem ter apagado cognitivamente a existência dele na prateleira da banca por motivos de PUTA QUE PARIU, QUE CAPA HORROROSA.

Destino Cativo (Panini – 5 volumes)
Apostando forte na autora de Vampire Knight e do desconhecido MeruPuri, a Panini trouxe esse mangá de arte bonita e logotipo escondido como se fosse uma arte abstrata de uma grade de jardim. Iniciou a tendência dos nomes difíceis de ler que hoje tem como representante o Quem é Sakamoto?.

Mär (JBC – 15 volumes)
Ao contrário da maioria dos mangás dessa lista, o Mär da JBc chama a atenção por ser um título longo. Mas a que devemos a presença de um shonen de lutinha grande ser completamente ignorado pelo público brasileiro? Olha, talvez seja a história completamente sem-sal, o protagonista sem carisma e a publicação numa época que provavelmente tinha muita coisa melhor para se comprar.

Pandora – A namorada do Death Jr. (NewPOP – 1 volume)
A NewPOP merecia um top 10 só dela para mangás esquecíveis, afinal ela precisou publicar muita bomba até convencer os editores japoneses que ela garantiria um Tezuka ou um GTO. A cereja no topo da indiferença com certeza é esse mangá americano feito para uma coadjuvante de videogame que é tão irrelevante para a gente que o título do mangá precisou avisar quem é o macho dela (e hoje em dia ninguém mais nem lembra que houve um jogo chamado Death Jr).

PxP (Panini – 1 volume)
Mais um shoujo genérico da Panini.

Spicy Pink (Panini – 1 volume)
Mais um shoujo genérico da Panini.

Witchblade (Panini – 2 volumes)
Esse foi o título que me deu a ideia para esse post, porque estava com o estagiário na Comix e de repente me perguntei “ué, quando foi que esse negócio saiu? E olha que tenho boa memória”. Não sei se foi a completa irrelevância da história, a falta de atratividade com a personagem ou essa capa que mais parece parte do catálogo da Nova Sampa, mas não lembro mesmo desse mangá.

Wanted (Panini – 1 volume)
Muito antes da Panini conseguir emplacar o volume único com as histórias de Eiichiro Oda, o Wanted shoujo já foi publicado aqui da mesma autora de Vampire Knight e entra novamente na categoria dos shoujos genéricos que a Panini deve ter comprado de um pacotão baratinho do Japão (afinal, pra quê comprar um shoujo bom quando você pode ter um estoque de volumes únicos medianos?).

Mais de Oito Mil Entrevista… Leonardo Kitsune, do canal Video Quest

24 abr

Uma das seções mais legais de se fazer no Mais de Oito Mil é a de entrevistas, porque eu basicamente escrevo pouco e tenho uma pauta minimamente interessante. Ah, além disso é uma chance de conversar com pessoas relevantes para o mundo tokuanimangático e variar um pouco sobre os assuntos conversados normalmente. Na entrevista de hoje vamos conversar com Leonardo Kitsune, um velho conhecido do Mais de Oito Mil que topou encontrar essa blogueira na fila do Ben & Jerry no dia da casquinha de graça e conversar sobre o que mudou nesses cinco anos desde sua primeira entrevista para o blog. IKIMASU ver o que rolou?

Mais de Oito Mil- Leonardo Kitsune, como sua assessoria de imprensa não passou um release sobre você, por favor se explique para os leitores.
Leonardo Kitsune- Olá, eu sou Leonardo “Kitsune” Camargo, editor do canal Video Quest, que consiste em uns gordos falando de desenhos japoneses; editor e tradutor Marvel pra Panini, responsável por revistas como Universo Marvel, Guardiões da Galáxia, Demolidor, Viúva-Negra, etc.; e pai do atual ser humano mais bonito do planeta, o Augusto.

MdOM- Há mais ou menos 5 anos você foi entrevistado aqui no Mais de Oito Mil e falou sobre o primeiro ano de existência do Video Quest. Qual foi seu truque para manter o canal por tanto tempo?
Kitsune- Na verdade o canal passou por uma diversidade de fases muito ruins e a culpa eu acho que foi quase toda minha. O Urso (preciso mesmo apresentar o Urso pra vocês? O Urso é O Urso) é que teve que ouvir a minha ladainha por anos. Já quase desisti do canal várias vezes. Hoje sinto que realmente QUERO continuar com o canal e fazer dele algo de que eu me orgulhe. Então, truque pra manter o canal funcionando? Fazer o máximo que eu consigo nos intervalos em que a minha cabeça não tá enlouquecendo, basicamente.

MdOM- Seis anos é o bastante para qualquer pessoa dar uma amadurecida e mudar algumas opiniões. Você consegue ouvir novamente suas primeiras críticas e concordar com elas?
Kitsune- Não, absolutamente não. Eu nem assisto os vídeos antigos. Tem uns que eu sei que deveria refazer (o de Haruhi Suzumiya, por exemplo, que era só um molecão irritado). Aliás, é bom lembrar que boa parte do começo do VQ foi gravado um ano antes de ir ao ar, então se hoje eu sou um homem de meia idade, no começo do VQ eu era um pivete de 22 anos. A minha maneira de encarar a mídia era completamente diferente, assim como eu era um cara bem (mais) idiota.

MdOM- Já te contei a história de que um primo mais novo veio todo emocionado comentar pra mim “nossa, você tem uma foto no bar com o Kitsune, eu vejo sempre os Shonen Quest e sou fã dele” (detalhe: ele nunca ouviu falar do Mais de Oito Mil). Como é ter esse público de novos otakus?
Kitsune- Ultimamente, principalmente via Curious Cat, vem muita gente dizer que “o Video Quest me ajudou muito a desenvolver meu senso crítico” e tudo mais. Às vezes me sinto a Xuxa vendo gente de 40 anos dizer que assiste ela “desde criancinha”. Mas, apesar de o meu público ser majoritariamente de gente que já nos acompanha faz um tempo, então já é “mais velha”, é legal ter a molecada nos assistindo. Porque a ideia do VQ é levar a crítica um pouco mais a sério (não que acertemos sempre, mas é a intenção), e se podemos ajudar essa molecada e não ser só entretenimento e risadas, fico bem, BEM feliz.

MdOM- Você passou pela experiência dos sonhos de muitos otakus de trabalhar em uma editora de mangás, mas atualmente você parece muito feliz editando quadrinhos americanos. Como explica isso?
Kistune- Tem duas coisas: Primeiro, eu não falo japonês. Na JBC eu colaborava da maneira que podia, e fazia o que podia pra deixar o texto melhor em português. Mas trabalhando com heróis americanos, como eu falo inglês, eu tenho um entendimento muito melhor do texto original e posso colaborar muito mais, e me sinto bem mais útil. Segundo, eu sempre tive muito contato com o público, e metade do meu trabalho nos mangás consistia em falar com os leitores. E eu me envolvia demais na coisa toda. Ter que lidar com tanta gente simplesmente descreditando tudo que a gente fazia, na maior parte das vezes sem embasamento e sem nenhuma vontade de ouvir o nosso lado era muito difícil. Além da questão de eu ter o canal, e as coisas se misturavam, mesmo eu fazendo o máximo que eu podia pra que não fosse assim (sempre tomei o cuidado de fazer crítica das HISTÓRIAS, e não das edições físicas). Por isso, o distanciamento me fez muito bem.

MdOM- Na última entrevista contigo, você comentou o sonho de ser um autor de quadrinhos. Isso continua?
Kitsune- Ah, sim, sempre tá lá. Eu preciso tomar vergonha na cara e escrever algo. Até porque, desenhar eu já não sei mais; não num nível que eu aceitaria.

MdOM- Que tipo de história podemos esperar de você?
Kitsune- É foda porque sempre que um cara que nunca escreveu nada fala de ideias, parece aqueles moleques falando “vou fazer que nem na Jump!!”. Mas eu tenho ideias que eu preciso polir. Eu preciso trabalhar as ideias, fazer pesquisa, etc.

MdOM- Recentemente tem surgido muitas matérias em blogs de animes e mangás questionando coisas como machismo, homofobia, representatividade etc. Você acha isso importante ou não deveríamos discutir isso por ser algo de outra cultura?
Kitsune- Não podemos nos omitir. Mangá e animê tem muita coisa zuada, e é nosso dever apontar pros problemas e discuti-los. Me irrita muito esse papo de “é só animê, dane-se” e “mas você esperava o quê? É Japão!”, porque a gente esbarra nisso e a discussão nunca vai pra frente. O modo como essas questões como racismo, machismo e homofobia são representados na mídia não é, claro, O maior fator, mas é UM grande influenciador do modo como nossa sociedade as encara. E, no mínimo, é um reflexo do estado das coisas, e a arte serve, sim, como ponto de partida pra essas reflexões. Acho, inclusive, que o Video Quest faz muito pouco nesse sentido, e devia fazer mais.

MdOM- Você é uma pessoa muito transparente nas redes sociais, conta sobre seus relacionamentos, sobre seu filho fofo, sobre suas amizades. Isso te atrapalha de alguma forma com seu público?
Kitsune- Acho que não. Não me lembro de vezes em que comentários da minha vida tenham influenciado a opinião quanto aos vídeos ou vice-versa. Tirando a época em que trabalhei com mangás, que aí, como já disse, acontecia de pessoas acharem que minha opinião não tinha validade porque eu trabalhava na JBC.

MdOM- Considera que ter ganhado duas vezes o Troféu de Blogueiro Mais Colírio melhorou o ego ou acha que o pessoal votou na zoeira? Sabia que se ganhar mais uma vez o prêmio passa a se chamar Troféu Leonardo Kitsune de Blogueiro Mais Colírio?
Kitsune- Nenhuma chance de qualquer pessoa ter votado em mim seriamente.

MdOM- É hora do bate-bola em que você tem que responder com apenas duas palavras os seguintes tópicos:
Keijo? Pequena decepção.
Boku no Pico? Uma lição.
Akira Toriyama? Ainda ídolo.
Professor John Milton? Prefiro esquecer.
Nudes? Já mandei.

MdOM- Obrigada de verdade pela entrevista, Kitsune. Parece que estou zoando, mas você sabe que te acho uma pessoa incrível e tenho sim o hábito de acompanhar seus conteúdos. Deixe um recadinho para os leitores do Mais de Oito Mil!
Kitsune- Você também lembra que o seu blog foi um dos primeiros que a gente mandou o VQ porque sabíamos que era um dos melhores, né? Obrigado pela oportunidade novamente! Dar essa entrevista faz mais pelo meu ego que vencer o prêmio de Colírio, viu? E pros leitores do MdOM, saibam que o trabalho que este blog faz é essencial no nosso mercado. Aqui não é (só) bagunça, não! Abraço a todos, se inscrevam no canal e deixem o seu joinha aqui embaixo pra ajudar o can…

MdOM- Ouviram, ele né? Para acessar o Video Quest, é só clicar aqui para ir direto para a página do portal Genkidama ou aqui para ir logo para o canal no YouTube.

Por que há falta de mulheres protagonistas na Shonen Jump?

20 abr

Estava eu na minha costumeira romaria em grupos otacos no Facebook, procurando pauta e saciando desejos masoquistas de ler burrices, e me deparei com um post muito interessante. Um membro de um dos grupos postou a capa recente da Shonen Jump que coloca seus protagonistas todos e levantou uma pergunta muito precisa: falta mais representatividade feminina nos mangás shonen? Afinal as mulheres dessa capa basicamente são secundárias.

Bem, daquela discussão vou ficar apenas com o questionamento do rapaz, até porque trazer comentários de que mulher não pode ser protagonista de quadrinhos shonen é ter uma limitação mental maior que a quantidade de fillers em Naruto Shippuden. Mas vale a pena a gente se perguntar porque não encontramos protagonistas mulheres na Shonen Jump num geral.

Um argumento muito usado para explicar isso é a demografia da Shonen Jump, afinal ela é destinada para garotos de 11 a 17 anos. Sendo assim, para uma mentalidade de quinta-série, ~faz sentido não ter personagem feminina~ já que a revista precisa conversar com o público leitor daquele gênero e daquela idade, certo? Acontece que essa demografia não representa necessariamente o público consumidor, porque quase metade dos compradores da Shonen Jump são mulheres (e isso que estou excluindo os leitores que já passaram dos 17 anos faz tempo).

Há alguns anos, bem antes do hiato aqui do Mais de Oito Mil, lembro de ter publicado uma crítica sobre One Piece dizendo que eu achava a série apenas legal. Veja bem, eu nem ao menos falei que ela era ruim, falei apenas que não era a coisa mais incrível do mundo e isso me rendeu uma montanha de comentários dizendo que eu não poderia entender One Piece, afinal era um mangá feito para homens. Vou até resgatar um print daquela época:

Na época eu precisei responder com um texto do próprio Oda:

Cinco anos se passaram e ainda rola uma dificuldade de aceitar mulher no universo dos mangás shonen. Isso quando não rola a falta de aceitação de que pode muito bem existir uma série de ação ou luta protagonizada por uma mulher.

Isso fica evidente quando pensamos em algo bem fora da tal representação. Ignore qualquer “função social” do mangá e pense apenas no dinheiro (lembre-se que a Shueisha não é instituição de caridade e lança seus mangás para ganhar dinheiro com isso). Não faria sentido ter personagens femininas mais importantes, sendo que quase metade do público consumidor é composto de mulheres? Por que motivos os editores da Shonen Jump não tentam agradar esse público que é tão importante nas vendas? Eu arrisco uma resposta: porque vai afastar o outro público consumidor, os homens.

Apenas o mais imbecil preconceito que brota nas menos pensantes cabeças masculinas justifica esse pavor de consumir uma série protagonizada por uma mulher, mas ele existe. E não pense que isso funciona apenas no Japão, porque o resto do mundo também é esse atraso de vida (ou por que você acha que não temos um filme da Viúva Negra e muito menos brinquedos dela quando sai um novo filme dos heróis Marvel, mesmo ela estando em pé de igualdade com outros protagonistas do filme?). Arrisco até dizer que esse preconceito nos quadrinhos japoneses acaba sendo estimulado pelos próprios editores e essa mentalidade antiquada de separação de mangás para homens e mulheres.

Vamos falar a real: não existe mangá exclusivamente para homem, até porque não existe um mangá em que seja fundamental a utilização de um pênis durante a leitura. E ler um mangá protagonizado por uma mulher não vai arrancar a ~masculinidade~ de ninguém. Ponto final. Temos séries ótimas com mulheres protagonistas, como A Lenda de Korra, e se algum cara não assiste por ter uma mulher no papel principal podemos apenas lamentar que está perdendo uma maravilhosa série de ação, melhor que muito shonen aí.

E assim encerramos mais um post da seção Problematizando. SIM, esse é mais um post da odiada seção do Mais de Oito Mil, e só tô revelando isso agora para não afastar o pessoal que odeia essa palavra. Kissus!

A “EGOtização” das pautas de anime nos grandes sites

18 abr

Ontem foi um dia muito triste para o jornalismo, afinal a Globo anunciou o fechamento do site EGO. Conhecido como uma grande ironia das notícias de celebridades que podia ou não ser considerado sério, o fim do EGO levou fãs das subcelebridades às lágrimas e serviu como lenha para o pessoal inteligentão se autoafirmar superior. Inclusive vi muito otaco aí falando “affe já vai tarde, quem fica acompanhando esses sites que vivem de clickbait e resuminhos de novelas?“. Mas o que é a vida se não uma grande ironia, afinal os grandes sites da imprensa nerd TAMBÉM adotaram o EGO Way of Life para render suas pautas.

Não, hoje não vou falar mal da nossa querida blogosfera otaka que faz posts de primeiras impressões e se aprofunda em temas pedantes de animes da temporada, quero falar é dos grandes. Afinal, eles que contam com grandes equipes, investimentos e dinheiro de publicidade precisam de cliques a qualquer custo, e todos eles descobriram que as notícias de anime no formato EGO ajudam (e muito) a manter esses grandes conglomerados editoriais.

IKIMASU olhar a capa do Uol Jogos na manhã de hoje para entender melhor o que tô falando:

Observe que a menor parte do grid é justamente sobre jogos, com uma notícia sobre o Resident Evil 8. Metade é ocupada por Tamagochi (que cumpre a cota Nostalgia da imprensa) e as outras notícias são todas sobre Dragon Ball. Inclusive podemos falar que Dragon Ball Super ativou o lado Minha Novela dos sites ~geek~ porque eles começaram a investir pesadamente em resumos do capítulo da semana anunciado na base de muito clickbait, como podemos ver abaixo nessa coletânea de chamadas do próprio Uol Jogos e do também grande IGN Brasil:

Com muitas exclamações e títulos vagos, os grandes sites parecem ter encontrado na editoria Dragon Ball uma fonte de cliques fáceis em matérias repletas de erros de informações e gírias duvidosas (“mandar o papo”???). Na verdade, outros animes como Ataque dos Titãs saíram da esfera do nicho e ganharam cobertura especializada do IGN Brasil, tendo mais destaque na capa do site que a tal carta escondida se explicando sobre o plágio que rolou numa matéria de Zelda:

Mas se você pensa que clickbaits são exclusividade dos meios de comunicações atuais, está enganadíssimo. Não que isso seja um fenômeno recente, afinal a imprensa nerd sempre se valeu das estratégias da nossa indústria das celebridades. Nos anos 2000, por exemplo, acompanhamos a proliferação de revistas sobre anime e mangá nas bancas com excesso de matérias de capa sobre Dragon Ball Z ou Naruto.

Inclusive, podemos até dizer que a revista Ultrajovem com DBZ era como a Tititi com a novela das nove, porque acompanhávamos resuminhos quinzenais do que aconteceria no anime e nos filmes animados. Havia até uma edição especial da AnimeDO que trazia resumos dos mangás de Dragon Ball e Ranma 1/2 numa época que não tínhamos os mangás por aqui.

Nem mesmo a Herói nos anos 90 escapava das notinhas de famosos, porque a revista tinha um quê de CARAS ao conter entrevistas e matérias sobre o dia a dia das celebridades que os otacos tinham: os dubladores de Cavaleiros do Zodíaco. Como as pessoas relacionadas aos animes eram todas japonesas e não havia contato fácil com o outro lado do mundo, surgiu a ideia de glamourizar os dubladores de animes e assim eles foram ganhando popularidade graças a matérias do Marcelo Del Greco.

E como Marcelinho dá risada na cara do limite, ele foi ainda mais além quando editava a Henshin e fez essa MARAVILHOSA revista com os dubladores vestidos de cosplays cafoníssimos de seus personagens:

O que exatamente quis mostrar com esse panorama das chamadas de matérias aqui no Mais de Oito Mil? Bem… nada de mais. Apenas queria apontar como os sites atuais estão investindo muito em risíveis matérias da editoria Otakices, mesmo sem claramente saber o que falar sobre o assunto, e que as pautas no estilo EGO continuam vivas mesmo com a morte do site.

É apenas questão de tempo até vermos um “Akira Toriyama compra baguete na padaria” ou “Naruto estaciona carro no Leblon“.

NewPOP anuncia 3 novos títulos e nenhum deles é Madoka!

11 abr

Todo otaku sabe muito bem que o Henshin Online é a ferramenta da JBC que serve como fonte de memes do Cassius Medauar e para avisar que Akira e Inuysha não têm previsão de lançamento. Já o Planet Time é o programa da Panini em que Tadashi apresenta os títulos da editora com falando como se o vídeo estivesse acelerado em 1.5 no YouTube. Ok, mas cadê a NewPOP? Bem, hoje Junior Fonseca inaugurou o NewPOP Now, com vídeos sobre a outra editora de mangás do Burajiru.

O primeiro vídeo deu uma atrasada até para combinar com os títulos da editora, e logo na estreia vimos Junior muito tímido e um merchan discreto de energético azul. Ah, também rolaram anúncios porque é assim que se atrai atenção da otakada. IKIMASU ver o que rolou?

Título: Toradora
Sinopse: Ryuuji e Taiga são dois adolescentes imbecis que se apaixonam por outras pessoas, mas depois de uma ajuda mútua percebem que “oh meu kami-sama o amor estava debaixo do meu nariz”.

Título: Shakugan no Shana
Sinopse: Garota com sangue nos olhos apronta altas confusões para salvar o planeta de uma invasão genérica de uns inimigos aê.
Tem Shana, mas não é: Yuri

Título: Re:Zero
Não é: da Capcom
Sinopse: Natsuki Subaru não faz parte da população empregada e é transportado pra um mundo medieval onde ele ganha o incrível poder de retornar a um ponto anterior toda vez que morre e a habilidade de sempre tomar as piores decisções.

A NewPOP confirmou então o lançamento das novels de Toradora, do mangá e das novels da Shana aí e tá pronta pra falar que ama a Emilia com o lançamento das novels de Re:ZeroParabéns editora NewPOP por trazer títulos relevantes, conseguir manter lançamentos e, principalmente, POR NÃO TER ANUNCIADO NADA DE MADOKA. AGORA VAI!

Hoje é o aniversário de 2 anos do anúncio de Akira pela JBC

10 abr

Não sei vocês, mas eu simplesmente amo festa de kodomo (“criança”, caso você não entenda o idioma da Grande Nação Japonesa). A possibilidade de me acabar em bolinha de queijo, minipizza e sanduíche de carne-louca é muito mais interessante que ir em balada ouvir música genérica ou ir em barzinho com gente que só fica lembrando dos bons tempos de TV Globinho. Por isso, quando fui avisada que hoje teria um aniversário de dois anos eu fiquei ultra contente. Infelizmente, ninguém providenciou a festa.

Há dois anos, em 10 de abril de 2015, a JBC revelou o 20º anúncio daquele ano exclusivamente para o site Omelete (pra quê divulgar na imprensa especializada se a gente é trouxa de fazer isso de qualquer jeito, né não?): o grande clássico Akira. No dia seguinte, a página da JBC mostrou toda a animação com o negócio:

Desde então, a JBC vem sendo enrolada na base do “vamos marcar” pela Kodansha e pelo autor do negócio que inventou de ~remasterizar~ o mangá. Atualmente, Akira está uns 99% do lançamento, segundo a JBC, mas sabemos que aquele 1% é vagabundo e o negócio pode demorar mais alguns meses.

De qualquer forma, se a JBC quiser fazer uma festinha é só usar esse convite especial que fiz aqui:

Novo trailer de Pokémon é um tapa na cara das Little Kanto

8 abr

Tal qual o Anime Friends e o especial do Roberto Carlos, a estreia dos filmes de Pokémon é um evento anual que gera expectativa quando é divulgado e um pouco de decepção quando chega. As Little Kanto (fãs do continente de Kanto) estavam ansiosas porque esse filme seria uma releitura da primeira fase de Pokémon (a melhor, segundo elas), e viam sua expectativa aumentando a cada teaser com cenas nostálgicas.

As Little Kanto estavam loucas para ver cenas como o adeus de Butterfree e a evolução de Charizard com alguns quadros de animação a mais e em HD, mas aí chegou um novo trailer que literalmente danço para-para na cara das fãs. IKIMASU ver o que rolou?

Bem, o trailer começa já mostrando Ash dando de cara com o pássaro-dourado-do-primeiro-episódio-que-agora-já-tem-o-design-do-Ho-Oh, até aí nada de novo…

Segue para o Pikachu fazendo cu doce pro Ash, até aí nada de novo…

Quando os Little Kanto já estavam relaxados com a exibição de imagens que eles idolatram, a produção do anime deu aquela empurradinha para forçar a entrada e colocou alguns bichos que não lembramos de ter visto em Kanto:

A partir daqui, embarcamos numa viagem a uma realidade alternativa de Kanto, em que temos dois amigos que não são Brock e Misty

Sem contar na participação de um ditador distópico usando barba e um boné de treinador… SIM, ASH VS RED VIROU CANON EM POKÉMON!!!!

Até que chega o ponto que FODA-SE KANTO, VAMOS ENFIAR UM MONTE DE ALOLA SIIIIIIM:

Será que vai ficar tudo daijoubu para os fãs de Pokémon?

O cosplayer já apareceu em A Força do Querer e tá tudo daijoubu

7 abr

Ignorando completamente os clamores da Associação Brasileira de Cosplayers (ou algo assim, sei lá), a Rede Globo enfiou no capítulo desta sexta-feira (07) de A Força do Querer o polêmico personagem cosplayer. Como os fãs da arte de se fantasiar estavam preocupados com a suposta falta de realidade do personagem (numa novela que tem uma SEREIA como protagonista), IKIMASU ver como foi a cena pra falar com propriedade?

Tudo começa quando Yuri e seus amigos cosplayers estão saindo de um evento de anime devidamente cosplayados no meio da rua.

Seu celular toca e é sua mãe Heleninha (que na novela anterior era uma vilã perigosíssima que traficava mulheres para a Turquia e era presa por chutar lixeiras), cobrando que ele volte para casa depois do evento para fazer a lição de casa. Segundo ela, é inadmissível que ele repita mais um ano por causa do seu hobby:

Absorto no personagem inconsequente, o pobre Yuri mistura a personalidade otaka com a própria identidade e responde à mãe com palavras japonesas que aprendeu na falta de tradução de japonezices dos mangás da Panini:

Helena-chan é das nossas e dá uma surra de realidade no filho otaquinho:

Assim que chegou em casa, Yuri pegou seu tio de surpresa (o gostosíssimo Rodrigo Lombardi, husbando das espectadoras de doramas da Globo):

Assim que foi cumprimentar seu sobrinho falando “Yuri!” como bom tiozão que pergunta das namoradinhas, o pequeno cosplayer se indignou e impôs seus limites:

Rodrigo Lombardi poderia ter ficado calado com a situação, mas é um homem viajado que entende das coisas da molecada:

Logo depois Yuri foi para seu quarto conferir o torrent de Shingeki no Kyoujin e Helena-chan demonstrou todo o seu receio de interagir com essa tribo jovem no seu núcleo da novela:

Por sorte, Rodrigo Lombardi estava nas televisões de todo o país avisando para o público brasileiro que cosplay é uma arte normal:

Ah, bom! Então agora tá tudo daijoubu!

Para quem quiser assistir à cena, é só clicar aqui e ser feliz.

 

Análise Especial: Anime do Boruto é o mais puro creme do filler

5 abr

Os otacos que são avessos a coisas populares até podem chiar um monte, mas a última série japonesa que fez um pequeno boom aqui no Burajiru foi o Naruto por causa do SBT. O ninja loiro foi acolhido pelo coração dos novinhos que não viam a menor graça em Cloth Myths e que não entendiam as regras de Yu-Gi-Oh, e desde então Naruto foi um fenômeno.

Com o término da série Naruto Shippuden esses dias aí, achávamos que a Grande Nação Japonesa estava pronta para deixar um de seus maiores sucessos descansar em paz após 700 capítulo mas nãããão o Studio Pierot precisa daquele dinheirinho sagrado e providenciou uma série para o Boruto, o filho do sétimo Hokage Naruto (desculpa aê se você tá acompanhando pelo Naruto Gold da Panini e não sabia desse final, não quis ser tão transparente assim).

Como acontece sempre com estreias de animes importantes, euzinha aqui me propus a assistir ao episódio e analisar quase frame a frame essa história que garantirá um limite no banco maior para o Kishimoto por mais algumas décadas. IKIMASU?

#01 – Eu sou Boruto Uzumaki, tô certo!

Se você acha que o estúdio aprendeu a lição e não vai enrolar esse negócio eternamente, fique sabendo que a primeira cena do anime foi justamente ELES ESFREGANDO NA NOSSA CARA QUE VAI ROLAR ISSO MESMO, com Boruto adulto enfrentando um mal que vai destruir a Vila da FolhZZZZZzzzzzzzz:

Voltando à infância do ninja loiro, acompanhamos Boruto e seu amigo do elenco de apoio comendo sua comida favorita. Não, não é o tradicional lámen do Aska, e sim um hambúrguer para já facilitar o entendimento dessa série para o público americano:

Enquanto isso, Naruto se mostra um pai ausente nesse grande funcionalismo público que é o trabalho de Hokage, afinal ele passa o dia inteiro resolvendo papelada e fomentando a burocracia:

Na volta pra casa Boruto conhece Denki, seu futuro colega de escolinha que estava sofrendo bullying por ser rico. Enquanto ele sofre com a cabeça baixa para economizar animação, descobrimos que seu pai milionário quer que ele se torne um ninja:

Boruto foi pra casa jantar antes do primeiro dia de aula e como era de se esperar o Naruto não estava lá para reforçar ao otaku espectador que Naruto é um pai ausente:

Como manda a cartilha dos animes, Boruto acorda atrasado e decide ir para a academia ninja em cima do trem do transporte metropolitano da Vila da Folha. Mas ele percebe algo estranho, porque o moleque rico estava possuído por uma aura roxa e ameaçando os garotos do bullying com um plano maquiavélico:

Tentando evitar um acidente com outro trem, Boruto usa a técnica dos clones das sombras e isso foi o suficiente para a aura roxa sair do corpo de Denki e ele misteriosamente se munir com uma coragem nunca antes vista. Com essa força estranha, Denki evitou que Boruto caísse do trem em movimento e ainda providenciou um maravilhoso cunete no novo coleguinha:

Pelo visto a tradição de insinuações sexuais de Naruto está mantida:

Como o Governo da Vila da Folha não fez a manutenção dos trilhos devido a negócios ilícitos com um cartel de empresas de outras Vilas, o trem quebrou e saiu voando e acertou bem na testa da estátua do Naruto. Pelo menos Boruto e Denki chegaram a tempo para a aula.

E assim terminou esse episódio sem fazer absolutamente NADA de relevante, mas pelo menos manteve a também tradição de contar uma história ninja do jeito mais arrastado possível.

(Se quiser assistir ao anime aqui no Burajiru, a Crunchyroll está transmitindo simultaneamente com a Grande Nação Japonesa. Como não estou ganhando um centavo pra fazer esse merchãn, não vou por o link)

Meu Passado Otako – O dia em que a JBC conseguiu publicar Dragon Ball

3 abr

Se você pegar um frame do Marcelo Del Greco falando de Dragon Ball Z na Rede Brasil e der um zoom no olho dele, verá escrito “eu queria ter trabalhado com o mangá de Dragon Ball =(“. Um dos maiores fãs vivos da franquia, Marcelinho nunca teve a chance de trabalhar com o mangá de Akira Toriyama nem na Conrad e muito menos na Panini, certo? ERRADO! Porque quando Kami-sama fecha uma porta na sua vida, você encontra uma janela.

Pouca gente sabe, mas a JBC em 2009 aproveitou que estava saindo nos cinemas o promissor filme Dragon Ball Evolution (com o selo de aprovação de Akira Toriyama) e foi atrás dos direitos para lançar alguma coisa relacionada ao longa. Aí ela pegou com a Viz os direitos para lançar a romantização oficial do filme, afinal o mangá ainda estava sob as asas da Conrad.

O livro de Dragon Ball Evolution foi lançado antes do filme chegar aos cinemas, então algumas pessoas trouxas podem ter comprado para descobrir se o negócio ia ser mesmo legal. O livro parece ser bem grosso e tem quase 200 páginas, mas na verdade o que vale é apenas metade. Isso porque, assim como Dora a Aventureira, esse se trata de um lançamento bilíngueOu seja, você tinha do lado esquerdo a página em inglês e do lado direito a página em português. Wonderful!

No começo do livro também tinha uma galeria de fotos do filme com frases de efeito devidamente traduzidas.

Anos depois a Conrad perdeu os direitos de Dragon Ball e algum tempo depois a Panini conseguiu licenciar o mangá junto com One Piece. E o único contato que Marcelinho Del Greco teve com a série dos guerreiros Z foi ajudar na dublagem. Ajudar entre aspas, porque ele foi o responsável por retirar a frase “mais de oito mil” de Dragon Ball Kai, em uma evidente represália a este blog.