Editora Abril esquece mangá de Kingdom Hearts em churrasco

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A gente vive falando de Panini pra cá, JBC pra lá, temos até espaço para a desaparecida Nova Sampa. No entanto, esquecemos que há mais um pilar que sustenta nosso frágil oceano de mangás, e esse pilar é conhecido como Editora Abril. Embora seja uma das maiores editoras do país e publique dezenas de revistas que são consideradas importantes por um povo aí, ela nunca teve muito sucesso com mangás. Tentou lançar Digimon e Medabots, mas os trecos eram tão ruins que foram descontinuados (pelo bem da nossa sanidade mental). Em algum ponto do passado,  entretanto, ela percebeu que poderia lançar mangás da Disney e deixou as bancas do país atoladinhas de adaptações sofríveis de seus filmes de animação.

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Segundo os brothers do Biblioteca Brasileira de Mangás, os mangás venderam muito mal mesmo com o poder da Abril na distribuição e o poder da Disney no que se refere a franquias, e com isso nem devemos ter mais um volume daquele maravilhoso Star Wars lançado com onomatopéias espelhadas. Contudo, otaco que é otaco tá cagando para essas adaptações, os fãs do Burajiru querem saber o destino do único mangá que importa da editora, KINGDOM HEARTS.

Para você que não é do mundo dos RPGs, Kingdom Hearts é uma franquia de jogos da Square Enix composta por três elementos: Disney, Final Fantasy e História Confusa (que se arrasta por jogos decimais que confundem qualquer um de humanas). Os trocentos jogos de Kingdom Hearts ganharam adaptações em mangás, e a Abril publicou todas. Quer dizer, quase todas, faltou apenas o último volume do mangá de Kingdom Hearts II. Perguntada na rede social Facebook sobre o paradeiro do mangá, a editora respondeu:

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Deixa eu ver se a otaka aqui entendeu!

A editora japonesa tá liberando capítulo a capítulo para que a Abril junte e lance seu próprio tanko? É tipo um self-service de mangá? Como se isso já não fosse bizarro o bastante, devemos lembrar que esses dois capítulos não publicados, na verdade, fazem parte do volume 9 que a Abril lançou sem um teco do final! E se isso fosse algo que tivesse acontecido no mundo todo vá lá, mas não! Observe a resposta que o site Biblioteca Brasileira de Mangás deu para o leitor nos comentários do post em questão:

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Não sei vocês, mas quando até Beyoncé tá querendo saber o paradeiro do mangá favorito a gente sabe que a porra ficou bem séria. Agiliza aê, Abril!

Mara na Minha Casa – Os bastidores da visita à Editora JBC

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Enquanto a Imprensa Especializada (pff) cada vez mais fica limitada a seus quartos cheios de travesseiros moes e pôsteres antigos da revista Ultra Jovem, o site Quiabo Gyabbo foi fazer uma visita à editora JBC. Graças à minha amizade com a redatora Karol do Gyabbo e sem a editora desconfiar, me infiltrei na caravana e invadi a redação da JBC. A matéria do Gyabbo já está no ar e pode ser vista aqui, mas minha função é divulgar e enaltecer os bastidores dessa visita, contando para vocês tudo o que rolou naquele prédio comercial. IKIMASU conferir?

Fomos recebidos na saída do elevador por Marcelo Del Greco, editor responsável em nos recepcionar e ao mesmo tempo evitar que descobríssemos os planos secretos da empresa JBC. Todo sorrisos, Marcelão nos levou para uma sala oculta. “Aqui é onde gravamos o Henshin Online” disse enquanto entrávamos lá esperando encontrar um ambiente lúdico e estimulante. Ledo engano.

Karol logo percebeu que estávamos presos numa sala totalmente escura, com isolamento acústico e apenas um banheiro. Ela é mulher forte, mas até a rainha do Gyabbo viu suas forças se envaírem e sentou no nosso cativeiro para chorar:

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De repente, em meio à sentença de ficar dias presos com apenas um banheiro e uma televisão transmitindo 24h os Henshin Online, Marcelo Del Greco retornou à sala com uma cadeira. Ele apenas tinha ido buscar o móvel para que pudéssemos bater um papo mais descontraído. O medo daquele cativeiro omitiu de nossas mentes perguntas mais cabeludas, mas a visita à JBC permitiu conhecer muito dos bastidores da produção de um mangá.

Marcelo (tão falante quanto nas palestras) é do tipo que conversa sobre tudo, contando histórias da época que os mangás eram impressos em papiros e revelando seus sonhos mais internos como o de virar YouTuberLogo percebemos que Del Greco era apenas uma isca, nos distraindo no cativeiro enquanto Cassius e seus asseclas faziam um pente fino na redação. Qualquer vestígio de novos lançamentos ou de funcionários insatisfeitos deve ter sido trancafiado num armário do grande complexo que são os andares da JBC naquele prédio. “Estamos prontos” disse Edi Carlos, responsável pelo marketing, em código para que Marcelo Del Greco entendesse que estávamos liberados para conhecer a editora.

Euzinha e a equipe do Gyabbo fomos caminhando até chegar à redação, onde fomos recebidos por todas as pessoas da empresa em suas respectivas funções. Graças à minha astúcia e habilidade chuunin, consegui disfarçadamente tirar fotografias dos editores em suas mesas sem que eles percebessem:

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Cassius Medauar, a cara da editora no Henshin Online, nos convidou para um tour conhecendo cada estação na produção dos títulos. Conhecemos desde o funcionário responsável por tratar a arte dos mangás (afinal, em alguns casos eles precisam escanear o original pois a editora japonesa não tem o arquivo digital original) até mesmo a parte do marketing. A equipe do Gyabbo conseguiu até um papo exclusivo com, segundo os otacos do Facebook, o funcionário mais importante da indústria de mangás atualmente: o moço que faz os marca páginas. Por trás de um sorriso honesto por ter seu trabalho admirado, via-se no fundo de seus olhos o temor diante das ameaças de morte por parte dos otacos que não ganham marcadores exclusivos em todas as edições.

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Em um dado momento, vi uma pilha de páginas de mangás que foram usados pela tradução e que agora servem como guia para montar os diálogos na diagramação. Infelizmente, Cassius Medauar e seus olhos de águia percebeu minha transgressão jornalística e me fuzilou com o olhar. Talvez por estar fotografando um segredo de estado que ele não conseguiu esconder? Talvez por impedir que ele dominasse mais um ginásio de Pokémon Go? Nunca saberemos. Perto da hora de ir embora, Edi Carlos sugeriu que tirássemos uma foto em grupo. Tive receio, afinal minha imagem poderia ser usada para alertar ninjas contratados pela editora, mas topei a contragosto.

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Essa foi minha visita à JBC. Ao contrário do Gugu que te visita com um sininho para encontrar itens ou um tanque para brincar de “Afunda ou Boia” com meio-tankos antigos, minha invasão à editora serviu para conhecer onde a ~magia é feita~ e para passar minutos de pânico numa sala com a equipe do Gyabbo sem saber se voltaríamos a ver a luz do dia.

Aliás, não arranjamos nenhuma exclusiva, não flagramos nenhum mangá oculto e muito menos encontramos um poster motivacional do Cassius nas paredes, mas a matéria do Gyabbo ficou bem completinha e você pode assisti-la clicando aqui. E para provar que todo esse meu relato é verdadeiro, basta conferir o olhar de desconforto de Karol em boa parte do vídeo:

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Quem será que visitarei agora? A Panini? A NewPOP? A gráfica caseira do Kira dos Mangás? Fiquem ligadinhos nas novidades!

Ei, JBC, tá faltando um negocinho aqui no volume 5 de Blade, não?

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[Escrever um nariz de cera bem grande para introduzir a matéria]

[Escrever um parágrafo contando que Cassius Medauar se esqueceu de escrever um texto no editorial do volume 5 de Blade – A Lâmina do Imortal]

[Linkar o post do O Mercado de Mangás Que Deu Certo]

[Usar o bordão IKIMASU]

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[Parágrafo com uma piada com punchline pra terminar o texto – FAVOR NÃO ESQUECER ISSO DE FORMA ALGUMA OU VAI SER UM MICO TREMENDO]

Ash entra no EJA e fãs de Pokémon não levam isso muito bem

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Durante quase vinte anos, o jovem garoto de 10 anos Ash Ketchum atravessou seis continentes à pé tentando ser um Mestre Pokémon sem qualquer sucesso. Tudo levava a crer que ele chegaria em Alola e repetiria os mesmos erros, mas não. O personagem teve um crescimento fenomenal e percebeu que ele não consegue o esperado mestrado porque nunca frequentou a escola. Sendo assim, ele deixou de lado o sonho de ser sustentado por uma minguadíssima bolsa da CAPES para enfrentar o dia a dia numa sala de aula… e os fãs já estão surtando com a decisão dele.

Alinhado com a nova proposta dos jogos Pokémon Sun & Moon, o anime de Pokémon decidiu mudar radicalmente o roteiro e colocar Ash Ketchum numa escola na nova temporada do anime que estreia logo mais na Grande Nação Japonesa. Para casar com a ideia, o character design decidiu rejuvenescer de vez o Ash pra fazer ele ficar com cara de 10 anos de idade mesmo e ter problemas capilares causados pela umidade de Alola:

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A ideia é ótima? A ideia é uma bosta? Não temos como saber porque ninguém aqui tem uma bola de cristal, mas os fãs mediúnicos já foram às redes sociais criticarem o bagulho. Observe a opinião do site Pokémon Blast News:

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Calmaê, cara. Ofender autista pra defender desenho japonês já é demais, né? Esse tipo de fã bitolado só faz mal para uma franquia. Para saber um outro lado que não seja o desse tal de #Hal do Pokémon Blast News, fui atrás de outro fã de Pokémon para saber o que achava dessa mudança. Como meu priminho de 8 anos está na escola e não respondeu minhas mensagens no WhatsApp, perguntei para Emanuel Hallef, o autor da fanfic distópica Ash vs Red o que ele achava disso. Sim, galera, ele me respondeu! IKIMASU ver o que ele achou das mudanças?

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Finalmente algum comentário sensato, e não aqueles de talifãs que foram mostrados antes nessa matéria. Como não é todo dia que respondem a este humilde blog, perguntei se ele achava que teria dificuldades de emplacar sua história com a Nintendo, afinal agora ficou bem claro que o foco da série são as crianças. E ele respondeu:

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Voltamos a qualquer momento com novidades dos fãs surtando, novas declarações ou até mesmo um PowerPoint ilustrando que a Pokémon Company é a responsável pelo triplex do Lula no Guarujá.

Guia 2016 das piores fanbases otakas do Brasil

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O Mais de Oito Mil não tem uma matéria que atrai ódio gratuito dos leitores desde a problematização da objetificação feminina em Nanatsu no Taizai, e sinto muito falta de gente me mandando tomar no cu nos comentários. Tentando conseguir algumas mensagens de fúria, decidi inaugurar um post anual para incomodar o maior número possível de otacos, e assim nasceu o Guia das piores fanbases otakas do Burajiru! Basicamente é um guia listando as fanbases mais insuportáveis do ano vigente. IKIMASU ver quem tá bem e quem tá em queda esse ano?

#10 – Saudosistas de TV Globinho

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Se você usa a rede social Facebook, em algum momento já deve ter dado de cara com um saudosista de TV Globinho. Os saudosistas são pessoas que normalmente estão presas nas memórias da década anterior. Como estamos nos anos de 2010, os nostalgistas dos anos 90 já perderam espaço para uma galera que lembra da TV Globinho como o principal estandarte do anime no Burajiru, mesmo sendo uma fase horrível em que a emissora passava apenas tranqueiras do Fox Kids, Dragon Ball Z cortado e um Digimon com ELA na abertura:

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Alguém avisa pros otacos saudosistas que essa época não era boa? Obrigada.

#09 – Evangelion

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Estamos em 2016 e ainda temos gente pagando pau pra Evangelion. Eu perdoo por exemplo o Silvio Santos ser fã da série, mas ainda temos gente que se shippa com a Rei. [Decidi cortar uma parte do texto depois do comentário da leitora @miyamoris_ que achei bem pertinente]

#08 – Love Live

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Além de ser uma comédia que não tem graça e ter músicas que te farão preferir ter o ouvido perfurado por uma kunai, Love Live também é responsável por ter uma das mais insuportáveis fanbases do ano, mesmo sem muitas novidades envolvendo a série. Mas isso não importa, e sim que o público composto por homens que acham super de boa dormir com travesseiros enormes representando as personagens idealizadas desse projeto absurdo. [Vale a pena ler o comentário da leitora @miyamoris_ sobre um outro lado dessa fanbase que acabei não colocando aqui]

#07 – One Piece

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Mantendo uma chatice que perdura por algumas décadas, os fãs de One Piece são aquelas pessoas que não aceitam críticas no mangá favorito deles. Você pode falar que o Oda faz uma poluição visual tão grande que leva 8 minutos para entender cada quadro, mas aí eles falarão que é um jogo de estimulação cerebral feito pelo Oda. E ai de você se falar que uma saga é chata, porque aí você vai ouvir textões dizendo que nada em One Piece é inútil e que tudo será conectado no final.

#06 – Yokai Watch

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Uma nova fanbase está surgindo no Burajiru e já começa a irritar profundamente. Formada basicamente por pessoas que querem curtir um anime de monstrinhos colecionáveis, mas que são diferentões para curtir algo popular como Pokémon, a fanbase de Yokai Watch é quase uma religião com pessoas dedicadas a te converter à sua crença. Mesmo que isso envolva jogar games que não venderam muito e assistir a um anime que está escondido na programação de um canal da Disney.

#05 – Cavaleiros do Zodíaco

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Preciso mesmo explicar?

#04 – Dragon Ball

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Esta fanbase estava apagadinha nos últimos tempos até que acabou o dinheiro da reforma da casa de praia do Akira Toriyama e ele decidiu autorizar a produção da continuação oficial da saga com Dragon Ball Super. Agora temos uma fanbase insuportável que vibra a cada semana com o desenrolar rocambólico de um anime que almeja usar todas as cores da paleta de pantone para criar novas transformações e vender novos bonequinhos, mesmo que com a desculpa de um roteiro furado e sem qualquer carisma.

#03 – Jojo

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Jojo tem décadas de existência, vários jogos legais clássicos e tal, mas a fanbase brasileira de Jojo nasceu quando ouviu pela primeira vez o mantra SONOCHINOSADAMEEEE. Desde então, animação tosca é chamada de “estilosa”, roteiro cheio de furos é chamado de “empolgante” e qualquer palestra com editora não é reconhecida pela organização nacional dos otacos se não houver alguém delusional que pergunta as chances de vir esse mangá datadíssimo e longo para o Burajiru.

#02 – Panini

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Muito acima dos apreciadores de papéis, dos defensores dos honoríficos e do fã-clube do Cassius Medauar (que é praticamente a Inês Brasil dos otacos no quesito memes), a fanbase da Panini é composta por pessoas insuportáveis e com uma visão relativa das coisas. A Panini lança com melhores preços? Sim. Ela tem uma qualidade superior? Também. Ela tem títulos que agradam mais pessoas? Sim. Para a fanbase, no entanto, isso já é o suficiente para idolatratem qualquer coisa publicada pela multinacional. Se inventarem de lançar Jojo naquele formato horrível de Super Onze, espelhado, com onomatopéias francesas escritas à mão pelo Bruno Zago e com o logotipo escrito em Comic Sans mesmo assim teremos gente defendendo a Panini como se fosse o time do coração.

#01 – Pokémon

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Se tem uma fanbase que nos irritou profundamente nesse ano de 2016 foi a fanbase de Pokémon. Os fãs desse negócio já irritam normalmente em qualquer época por adorarem o competitivo dos jogos (que nada mais é que um monte de frescura que a Nintendo tira do cu para agradar pessoas que curtem ficar horas chocando ovos em busca do IV perfeito), porém agora em 2016 rolou o lançamento de Pokémon Go e a fanbase foi ressuscitada. Agora todo lugar que você olha tem pessoas querendo ser modernas postando que o grande sonho da vida delas é ser treinador Pokémon, mesmo que isso signifique capturar dezenas de vezes o mesmo bicho para evoluí-lo num jogo beta. E correndo por fora ainda tem as viúvas antigas que não aceitam gostar de algo infantil, e ficam torcendo para que a franquia tenha algo mais “seinen” (como, sei lá, uma fanfic com o Ash num futuro distópico e que com certeza será aprovada pela Nintendo).

Somando todos livros de Pokémon Go não dá pra bater o da Larissa Manoela

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Pokémon Go, o maior fenômeno de todos os tempos e que mudou a forma como as pessoas veem os videogaems tem pouco mais de um mês de vida aqui no Burajiru e o número de pessoas jogando despencou mais que a média de lançamentos mensais da Nova Sampa. Os motivos são vários: o jogo não apresentou ainda tudo o que prometeram, tem apenas 150 Pokémon para capturar e, principalmente, as pessoas perceberam que capturar vários Pokémon iguais pra evoluir é tão legal quanto tomar um Mupy com laxante.

Mesmo assim, muitas editoras foram atrás do filão e lançaram seus livros sobre o jogo.  Um monte de guias com dicas e estratégias de um jogo que nem ao menos está completo, mas sobre isso eu já tinha falado aqui nessa matéria. Tudo não-oficial, claro, afinal precisa ser muito inocente pra acreditar que negociar com a Nintendo e a Pokémon Company é fácil. Pois bem, os livros já estão à solta e resta saber se eles são como Dragonites que todo mundo quer ou se são considerados Zubats das prateleitas das livrarias. Para descobrir isso, fui atrás de um ranking de vendas confiável.

Eu tinha como opção os rankings de livros da Veja, do Datafolha e da PM, mas a fama de manipulação de dados  que têm poderia me fazer questionar a notícia de um guia em primeiro lugar de vendas. Por isso, fui até o confiável site PublishNews conferir o ranking de lá. IKIMASU conferir os dados? Para começar, a lista dos livros mais vendidos de agosto segundo a categoria geral:

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Como podemos ver, em primeiro lugar disparado está o livro com a autobiografia de Larissa Manoela, a segunda maior Idol juvenil do Burajiru (bem atrás de Maisa-chan). Segue então dois volumes de Jojo, uma endeusação de Moro-kun e um livro de autoajuda.

“Mas Mara, sua blogueira que foi confundida com um snorlax, tem que ver na categoria infantojuvenil né? Não dá pra misturar o grande jogo Pokémon Go com tudo”

Embora eu questione essa frase, afinal Pokémon Go foi vendido como a maior revolução digital desde a invenção das suas setinhas azuis de quando leem sua mensagem no Whatsapp, vamos então ver a lista de livros infanto-juvenis nesse mesmo período de agosto?

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O que podemos analisar, além de que é ultraproblemático o livro mais vendido num país de 180 MILHÕES de pessoas ter sido comprado apenas 35 MIL vezes? Bem, que nem ao menos os livros de YouTubers (que são facilmente identificáveis nas livrarias, basta ver uma foto com careta) conseguiram vender tanto quanto ficção shoujo e a versão em inglês do Harry Potter novo.

Já vou dar o spoiler que nenhum guia de Pokémon Go aparece na lista mensal, nem ao menos na zona de rebaixamento:

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“Mas Mara, sua William Waack da implicância otaca, você está manipulando os fatos. Você conferiu os números do mês de agosto, mas os livros só foram chegando no final do mês e no começo de setembro!”

Sim, você está correto (menos na comparação minha como o vampirão das madrugadas da Globo). Por causa disso, fui atrás dos rankings SEMANAIS de todo o mês de agosto e do começo de setembro. E sabe o que não encontrei?

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Nem Pride – O Supercampeão (mangá que salvará a Nova Sampa) e muito menos qualquer publicação relacionada a Pokémon Go. Nada. Nadinha. Nothing. E se você olhar as listas semanais, verá que o 20º lugar (o último listado) vende uma média de 400-500 exemplares. Ou seja, podemos afirmar que os livros desta grande mania dos videogaems que mobilizou o país tá vendendo MENOS que essa marca. Ou seja, somando tudo não chega nem perto da marca da autobiografia de Larissa Manoela, a waifu dos adolescentes.

Leitor de livro é quase nicho no Burajiru? Sim. A febre Pokémon Go passou bastante? Sim. As editoras todas lançaram coisas que ficarão defasadas em breve com as atualizações? Com certeza. Mas ainda assim as editoras que pegaram brasileiros para escreverem guias não oficiais de jogo estão saindo no lucro em uma situação:

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Pelo menos elas não tão pagando em dólar por um guia de jogo não oficial americano que vai ficar defasado tão rapidamente quanto os nacionais.

Otacos criticam COM RAZÃO a capa de My Hero Academia da JBC

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A Internet serve para muitas coisas. Se por um lado podemos ter a informação ao alcance de nossos dedos, do outro ela também dá espaço para que qualquer pessoa critique coisas sem qualquer propriedade, praticamente uma legião de especialistas em nada. E isso não se aplica somente à política ou no esporte, no mundo otaku também temos muitos especialistas em papel, design, tradução e até em cores especiais. Por causa disso, é sempre divertido abrir post de anúncio de capas brasileiras das editoras no Facebook porque vemos um monte de merda sendo escrita pra criticar a decisão da empresa. Quer dizer, só quando é coisa da NewPOP ou JBC, porque a Panini pode publicar um logotipo em Comic Sans que ainda vai ter gente defendendo.

Dito isso, ontem à noite tivemos a divulgação da capa de My Hero Academia (Boku No Hero Academia para você que não consegue ler títulos ocidentais) da JBC e todo mundo estava muito ansioso para ver como seria o logotipo e a capa brasileira. E fiquei surpresa porque, ao contrário do que eu imaginava, os otacos não estavam falando besteira nos comentários. Eles criticaram, e muito, a capa da JBC e sou obrigada a dizer que eles tinham muita razão. IKIMASU ver essas críticas? Afinal, não é todo dia que vemos otacos falando coisas coerentes.

Para começar, um leitor criticou com razão esse logotipo escondido da JBC.

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Está certíssimo! Afinal, o logo está tampado pelo cabelo aerodinâmico do All Might. Deveriam seguir a capa japonesa e ponto.

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Já outro leitor lembrou que se a Panini que fizesse a capa, não teríamos um logotipo zoado.

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Mais um leitor correto. Infelizmente, não podemos imaginar como seria uma capa de My Hero Academia feita pela Panini do Brasil.

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Este otaku oculto pela minha técnica de Paintbrush achou uma puta falta de palhaçada ter logotipo japonês, brasileiro, mexicano… que o certo deveria ser um em japonês e outro em inglês.

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Está certo? Está certo sim, afinal os logotipos americanos são sempre muito bons.

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Mas teve críticas sobre pequenos detalhes que fazem a diferença? Claro que teve! Este aqui percebeu que a JBC relaxou muito na numeração:

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Ele está certo? Sim, está! A numeração que a JBC colocou é muito gibizinho da Inbonha! Os japoneses devem ter dormido na hora de aprovar essa capa:

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Por fim, este perfil decidiu criticar algo que acho meio injusto:

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Mancada cobrar da JBC por um título que eles fizeram um puta alarde para anunciar e que não têm a menor previsão de sair por aqui, né não?

Mais de Oito Mil vai fundo para analisar como é a paródia pornô de Pokémon Go

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Com certeza você já deve ter visto que Pokémon Go ganhou uma paródia pornô, provavelmente em algum site de entretenimento que por algum motivo misterioso começou a fazer matérias gerais sobre Pokémon do nada. No entanto, todas as matérias se resumem a “olhem essa capa, olha que tosco kkkkkk risos risos huehuebr“. Mas euzinha estou fora desse jornalismo preguiçoso! Posso até ter feito essa matéria até para conseguir cliques, mas farei de uma forma diferente! Fui atrás do mais dados sobre o filme!

Sim, porque menosprezar a paródia pornô de Pokémon Go é menosprezar toda uma indústria que fez filmes maravilhosos como a paródia pornô de Cavaleiros do Zodíaco e a trilogia erótica de Leila Lopes e Carlão Bazuca. Porque pode até ser caça-níquel, mas é caça-níquel com classe!

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Reparem como esse Fuckémon Go consegue trazer os elementos tradicionais da franquia da Nintendo de uma forma menos agressiva aos direitos autorais que fanfics distópicas ou livros guias não oficiais. Isso porque, ao contrário de vender um produto que você não tem direitos na esperança de conseguir que a empresa te note como um senpai, a paródia é permitida por lei!

Fuckémon Go conta a história do jovem adolescente bombadinho Ash, interpretado pelo idol Johnny Rapid, que após fazer sua lição de casa recebe a visita de seu BFF Brock, interpretado pelo lindinho do Will Braun que mal conheci e já quero ver a filmografia. Contrariando qualquer dica de segurança das autoridades locais, eles pensam “que tal irmos lá no meio do mato pra capturar Pokémon?“.

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Se isso fosse um filme pornô normal, na hora ouviríamos uma música lenta subindo e os dois botando as Arboks pra brigarem no meio do mato, mas NÃÃÃÃÃO! A paródia pornô resume muito bem o espírito dos jogadores de Pokémon Go, pois os dois realmente vão no meio do mato capturar Pokémon raros em vez de resolver seus problemas numa interação entre corpos. Inclusive eles encontram alguns fakemons de duplo sentido:

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De repente, eles encontram o lendário Pokémon Peek-a-choo. Se fosse um filme tradicional de sexo, obviamente o monstrinho raro seria um loiro gostosão só de sunguinha

…isso mesmo, mas esse NÃO É UM FILME TRADICIONAL DE SEXO, porque o Pee-a-choo é mesmo uma pessoa usando um cosplay de vendedor de algodão doce na praia:

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Assim que eles capturam o Peek-a-choo, eles muda para a sua Alola Form que aí sim é de um loiro gostoso com sunguinha interpretado por Adam Bryant. Por sorte ele foi introduzido no filme depois de uma explicação coerente ao universo da franquia, ao contrário de uma fanfic aí que botou o Ash como um ditador do mundo subterrâneo:

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E aí começam as aventuras de Ash, Brock e Peek-a-choo no maravilhoso mundo de Pokémon. Confira essa imagem que selecionei para ilustrar o filme Fuckémon Go, obviamente tomando todo o cuidado para não chocar nenhum menor de idade que está neste blog:

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Será que teremos também uma paródia pornô de Ash vs Red? Adoraria perguntar para o autor, pena que ele nunca responde minhas mensagens.

O que rolou na estreia da novela sobre orientais da Globo

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Ontem estreou na Rede Globo a novela Sol Nascente, que finalmente trouxe para a maior emissora do país tudo o que há de melhor na Grande Cultura Japonesa, com direito a um ator ocidental fazendo um japonês, um coreano gamer que tenta perder a virgindade e uma ex-assistente do Faustão praticando windsurfe.

Eu até ia fazer uma longa matéria analisando o primeiro capítulo desse negócio, mas acabei encontrando um site muito legal que já fez minha ideia antes. Inclusive descobri que o autor da matéria é um amor de pessoa e está solteiro.

Por isso, cliquem no link abaixo para lerem o que rolou no primeiro capítulo de Sol Nascente!

CLIQUEM AQUI

Analisando “Não Mexa Com Minha Filha”, o hentaizão da Astral Comics

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Quando abre um site da nossa Imprensa Especializada (pff) você encontra desde notinha traduzida do Anime News Network até review de mangás dos três reis magos da editoração que são Panini, JBC e NewPOP. Poucos se aventuram em coisas diferentes, à exploração arqueológica de outros conteúdos, a se expor a situações inusitadas. Por sorte existe o Mais de Oito Mil para falar desde da nova novela da Globo que é sobre japoneses até passar pela experiência de comprar o novo hentai da editora Astral Comics na banca, sendo julgadíssima pela moça do caixa.

Pois é, caros leitores, a editora Alto Comics tem uma linha de mangás safados nas bancas e recentemente lançou o primeiro volume de “Não Mexa Com a Minha Filha”, e agora você verá se o negócio presta. IKIMASU ver essa matéria que não é (18+) e por isso não vai ferir as normas de conduta do WordPress?

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Se “Não Mexa Com Minha Filha” fosse publicado pela Panini ou JBC, com certeza teria o nome original (Uchi no Musume ni Te o Dasu Na) pra punhetar a exaltação da cultura mais rica, mas não é o caso. A editora Astral Comics fez uma edição bem nas coxas, com preço de título de luxo da concorrência mas qualidade bem parecida com aqueles mangás da Disney que a Abril lança. Curiosamente, não tem transparência e muito menos tinta soltando no dedo.

Agora que conquistei os sommelieres de papel, aqueles que postam em grupos de mangá que compram um título apenas porque a qualidade de impressão é ~fodástica~, já posso falar sobre a história desse mangá que não é muito recomendado de se ler num ônibus ou metrô (tive que parar a leitura algumas vezes porque crianças estavam olhando).

“Não Mexa com Minha Filha” conta a história de Atena, uma dona de casa que mantém em segredo uma história de seu passado, ela era a heroína “Oitava Maravilha” e que defendeu o mundo de um vilão poderosíssimo chamado Blowjob. Sim, MELHOR NOME DE VILÃO. Acontece que uma nova Oitava Maravilha surgiu no mundo para enfrentar o vilão que retornou, e daí Atena descobre que a nova Oitava Maravilha é sua filha Clara. Com medo que sua filha sofra na mão de bandidos que utilizam tentáculos (esse é um hentai japonês, claro que tem tentáculos), Atena tenta secretamente ajudar a filha e a organização secreta N.U.D.E.

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Obviamente eu peguei esse mangá para fazer uma matéria esculhambando ele, afinal não tem como julgar decentemente esse tipo de mangá com história absurda e um traço tão instável quanto Luluzinha Teen. Para a infelicidade da linha editorial do Mais de Oito Mil, eu achei o mangá bem legal. Tirando os exageros pornográficos, os ângulos assustadores e os nudes desnecessários (mas comuns ao gênero), a história é muito divertida e faz uma grande homenagem aos quadrinhos americanos e seus clichês, talvez de uma forma tão competente quanto Boku no Hero Academia.

“Mas Mara, sua blogueira hipócrita, outro dia você tava reclamando da objetificação feminina em Nanatsu e agora tá falando bem de um hentai???”

Acredite ou não, esse mangá hentai consegue ser muito menos ofensivo que o Nanatsu no Taizai, e o principal motivo é que aqui não temos o autor tentando transformar o assédio sexual em algo normal ou alívio cômico. Em “Não Mexa Com Minha Filha”, os personagens que tentam abusar sexualmente de alguma personagem são os vilões, ou seja, a própria história já mostra isso como o lado errado. Não é como em Nanatsu que o protagonista faz as coisas. Ok, quadrinho hentai costuma objetificar as mulheres e toda a indústria pornográfica está baseada nisso, mas este mangá tem uns avanços legais que precisam ser comentados.

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Para começar, qual foi o último mangá (de qualquer gênero) que você leu cuja protagonista era uma dona de casa mãe solteira de uma adolescente? Quantos mangás você leu com uma senhora que tem seu próprio negócio e que luta contra o crime? E vale lembrar que esse mangá não tem cenas de sexo, apenas situações eróticas. Em uma das cenas mais visuais desse volume, a Atena depois de um dia puxado de trabalho decide apenas pegar um consolo e se masturbar. Os ângulos obviamente mostram a coisa com excesso de sexualidade, mas se masturbar não é uma coisa super normal e saudável? Não é meio legal encontrar uma protagonista que mostra que mulheres podem sim obter prazer sozinhas?

Não sei se recomendo “Não Mexa Com Minha Filha”. Alguns podem achar a história clichê, o preço caro (16,90), o traço inconstante e apenas mais um quadrinho que expõe as personagens a situações constrangedoras para o fascínio do público masculino heterossexual. No entanto, vi um certo valor no papel na narrativa descompromissada, divertida e principalmente na protagonista que, mesmo sexualizada para o leitor alvo, consegue se empoderar na própria história.