PlayTV perde a paciência nas redes sociais e começa a zoar os otakus

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Se minha terapeuta não aguenta mais eu reclamando de otaku uma vez por semana, imagina as pessoas que trabalham lidando com esse público tão exigente? Enquanto Beth Kodama e Cassius Medauar escutam pedidos diários implorando Jojo e Keijo!!!!!!!!!! (título escrito pelo Site dos Cavs?), a PlayTV precisa lidar com um outro tipo de público.

Talvez você não saiba porque, né… Não pega a PlayTV no seu baixador de torrents, mas a emissora é uma das poucas que exibem animes no Burajiru. Depois de um bom histórico passando Ranma 1/2 e o tosquissimo anime de Love Hina dublado com os honoríficos japoneses, atualmente a emissora se tornou o reduto de Naruto Shippuden, Bleach e Yu-Gi-Oh!. Mas o negócio parece que deu certo, porque eles até já prometeram anunciar novas séries… O problema é que os otakus acham que anúncios oficiais funcionam com a frequência das revelações do programa do João Kléber, e aproveitam TODA POSTAGEM no Facebook da PlayTV pra perguntar dos animes.

Sério, toda postagem tem um otaquinho lá perguntando sobre estreias.

O melhor é que a pessoa por trás das redes sociais do canal aparentemente é alguém com pouca paciência, porque decidiu responder esses pedidos repetitivos usando a essência da Internet, ou seja, memes e grosserias. Tudo isso numa deliciosa esculhambação pública de otaquinhos. IKIMASU observar!

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Parabéns, PlayTV, depois dessa vocês estão até perdoados por qualquer problema com áudio baixo na programação. Afinal, se zoou otaku é automaticamente promovido a amigo do Mais de Oito Mil.

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PlayTV, a Susana Vieira das emissoras pagas

Problematizando a objetificação feminina em Nanatsu no Taizai

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Como diriam aqueles dois simpáticos limões na propaganda da Pepsi Twist, o mundo está muito chato. Imagina, não podemos nem mais fazer piadas racistas, humilhar mulheres, chochar gays que eles já surgem em bando na internet querendo uma coisa besta como “direitos iguais”. Os tempos estão mudando e muito rápido, a internet está dando voz tanto para pessoas que reclamam da qualidade de animação da Toei quanto para pessoas que estão aí lutando para que sejam tratadas com respeito, e isso tudo é maravilhoso. O próprio Mais de Oito Mil é um reflexo disso, pois passamos das críticas pré-adolescentes às fantasias de cosplayers lá pelos idos de 2009 para análises um pouco mais apuradas sobre as coisas dese universo tokuanimangático. Tudo muda, minna!

Pensando nisso, decidi criar mais uma seção fixa aqui no Mais de Oito Mil, a “Problematizando“. A ideia está longe de escrever um textão longo de Facebook que as pessoas apenas curtem ou comentam “sai sua comunista, fora PT”, o plano na verdade é fazer uma análise um pouco mais séria sobre muitos problemas que encontramos nos quadrinhos japoneses. Porque embora a Grande Nação Japonesa esteja à nossa frente no quesito educação, tecnologia e ocupação de vagas de engenharia em vestibulares brasileiros, eles ainda têm muitos problemas sociais que se refletem nos quadrinhos e animes. A ideia dessa seção é pegar um único tema sobre uma única série e conversar sobre isso, e decidi começar justamente com a objetificação feminina de Nanatsu no Taizai, algo que já comentei por cima no post dos piores mangás que li em 2015. Então vamos lá, IKIMASU problematizar.

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Para você que entrou no evento de anime agora e já quer sentar na primeira fila do desfile Cosplay, preciso contar que Nanatsu no Taizai (ou The Seven Deadly Sins, como a JBC e outros países chamam) é um mangá shonen escrito por Nakaba Suzuki, um autor que conseguiu muito sucesso misturando a ambientação das histórias medievais do Rei Arthur, um traço limpo quase sem retículas e uma história bem empolgante. “Mas Mara, sua blogueira de peso excessivo, se você deu tantas qualidades assim para o mangá, por que você o considerou como uma das piores leituras do ano?”. Simples: pelo papel que o autor submete as mulheres de sua trama.

Até onde aguentei acompanhar (li longos 7 volumes pra poder criticar isso), Nanatsu tem duas personagens femininas importantes como protagonistas, a princesa Elizabeth e a giganta Diane. E as duas têm uma relação envolvendo amor com o protagonista da série, o loirinho de 600 anos (e violentador nas horas vagas) Meliodas. Usei uma palavra pesada, né? Mas que termo eu posso usar para se referir a esses momentos?

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As apalpadas de Meliodas em Elizabeth são completamente inexplicáveis na narrativa, afinal não são importantes para a trama, não ajudam a desenvolver nenhum personagem e nem ao menos servem como alívio cômico, pois elas são tão engraçadas quanto ler reviews positivos da saga atual de Bleach (mentira, isso é bem hilário). E sabem o que é pior? A Elizabeth não gosta desse assédio nem um pouco, ela fica constrangida com a situação. “Mas é fácil, é só ela chegar para o cara e falar ‘para aê, não curti’, certo?”. Não é bem assim, migo! A posição de Elizabeth diante do abuso sexual de Meliodas é muito parecida com a de mulheres que são roçadas num ônibus e ficam com medo de chamar a atenção do violentador.

O mundo é machista sim, e isso se reflete na forma como o Nakaba conduz sua história, pois o autor deve achar apenas engraçado colocar uma mulher numa situação de objetificação. E como a Elizabeth não tem poderes de luta ou qualquer outra habilidade (pelo menos nos sete volumes iniciais), não vejo outra função para ela além de ser um brinquedo sexual na mão do personagem e do autor, que sempre arranja um jeito de colocar tanto ela quanto Diane em trajes provocantes e em situações sexualmente constrangedoras. No anime é ainda pior, porque os peitos da Diane funcionam com a mesma física que rodeia a região do busto das lutadoras de Dead or Alive por puro e desnecessário punhetismo, fora os zooms dignos do quadro da banheira do Gugu. Duvida? Então me diz qual é a necessidade desse foco no decote dela?

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Voltando para a Elizabeth… seria isso um fetiche extremo em ver uma mulher numa situação indefesa? Se esse é o caso, podemos colocar o carimbo de violentador em Meliodas sim. E olha que nem vou olhar do ponto da pedofilia, afinal teoricamente a personagem tem 16 anos enquanto seu apalpador tem mais de 600.

Mas vamos deixar um pouquinho de lado a problematização, afinal já estou vendo alguns leitores incomodadíssimos com essa “interpretação” de que Meliodas abusa sexualmente da Elizabeth só por apalpá-la de forma não consensual. Queria mostrar o seguinte print tirado de um grupo de mangás, no qual um simpático rapaz de cabeça raspada decidiu questionar um pouco o mangá. Acompanhe também o comentário logo depois:

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Curiosamente, parte do público gosta desse lado do Meliodas porque o consideram menos ~virgem~ que outros protagonistas de mangás que não assediam mulheres ou mesmo demonstram interesse nelas (COFCOFLuffyCOFCOFGokuCOFCOF). E a resposta do cidadão também vai de acordo com o pensamento enraizado na cabeça dos homens de uma sociedade machista: o Meliodas tem mais que apalpar a Elizabeth, afinal ela usa umas roupas provocantes, certo? Mas é claro que não, que lógica é essa minha gente?

Devemos lembrar que qualquer toque em seu corpo sem consentimento e que te cause constrangimento é um abuso, não importa se a Elizabeth está usando uma burca ou se ela está apenas com uma pintura corporal de esfera do dragão no peito e um tapa-sexo anti-Dilma. NENHUM TRAJE convida qualquer pessoa a apalpar a outra sem consentimento. Isso é violência sexual sim!

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Você, rapaz que está em formação tanto física quanto intelectual (ou mesmo você mais velho que deveria aprender a desconstruir alguns conceitos para viver em sociedade), vamos ao ponto principal: foram séculos de objetificação da mulher, seja em propagandas de cerveja, nos mangás harém do Akamatsu ou até em cosplayers de pernas de fora apenas para atrair público, mas devemos mudar isso já. Independente da tua roupa, se qualquer pessoa te tocar sem você querer é motivo sim para fazer barraco e reclamar com as autoridades competentes, não importa se você é uma cosplayer num evento repleto de nerd machista e babaca ou se você é uma princesa que procura sete bandidos para salvarem o seu reino de um grupo criminoso que se passa por bonzinho, o corpo é seu e só toca quem você quiser. E não compactue com esse tipo de história que mesmo sendo publicado no século XXI tem pensamentos tão retrógrados quanto esse machismo todo.

Meliodas e Nakaba Suzuki, melhorem porque tá feio.

Os melhores cosplays do Carnaval 2016

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O carnaval está acabando, galera. As pessoas beberam até cair? Sim, claro. Dançamos Ragatanga no bloquinho de rua? Talvez, é algo que pode ter acontecido.  Mas tudo isso é o que esperamos das pessoas normais, mas como fica o otaku nesse que é o maior espetáculo da Terra? Sofrendo em casa aguardando o tradicional e sempre-forçado post do Mais de Oito Mil com os melhores cosplays dos desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo. Sim, porque todo mundo tem um lado otaku e nessa época do ano as celebridades deixam isso aflorar em suas fantasias minúsculas que custam mais que seis meses de aluguel em Higienópolis. Bora ver as fantasias das celebridades e dos anônimos e tentar identificar a influência otaku nelas? IKIMASU porque o tempo ruge e a Sapucaí é grande!

Carmen Mouro, da Pérola Negra, surgiu com essa belíssima fantasia de background degradê do pôster de Digimon Tri. Resultado? Escola foi rebaixada porque apostou mais na nostalgia que na evolução:

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Dani Bolina, EX-panicat e EX-Fazenda, aproveitou para fazer cosplay de vilão do EX-sucesso da Jump, Beelzebub, no desfile da Unidos de Vila Maria. EXcelente:

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Claudia Raia, a mestra das seringas ocultas, foi destaque da Nenê de Vila Matilde com essa fantasia que ela jurava ser do castelo da Elsa de Frozen, mas sabemos que é uma releitura da morte das Sailors no último capítulo da série clássica:

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Sabrina Sato, na Gaviões da Fiel, até tentou virar notinha no Site dos Cavs com sua fantasia de cavaleiro de ouro de Soul of Gold, mas a gente sabe que na verdade ela tava fantasiada de pôr-do-sol de ending de anime:

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A atriz Letícia Lima foi como uma versão periguete da deusa Atena de Cavaleiros do Zodíaco. Que sucesso está essa franquia heim?

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O que dizer de Valeska Reis, da Império de Casa Verde, que fez uma releitura do Cho de Rurouni Kenshin como parte de um viral da JBC (que economizou na gramatura para fazer essa propaganda)?

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Ana Hickmann deixou de lado o mistério de o que tem no cofre do Hoje em Dia pra homenagear a penugem do Sesshoumaru de Inuyasha em seu desfile pela Vai-Vai:

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Luana Bandeira, da Estácio de Sá, surpreendeu ao ostentar um Gyarados dourado mordendo sua cabeça:

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E a Bianca Leão da União da Ilha que homenageou a forma Super Saiyajin 3 do Goku de Dragon Ball?

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Já ganhou nosso apoio, mais do que quando o Goku fez o Jutsu da multiplicação no outro carnaval

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A Paloma Bernardi tá sumida da TV, então preferiu fazer cosplay de outra pessoa sumida da telinha, OS CAVS. Com uma longa cabeleira, ela desfilou pela Grande Rio como o Shaka de Virgem:

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Quem disse que não vou cobrir o carnaval de rua dessas pessoas que ficam cheirando a vodca no metrô lotado? Claro que vou. Essa foliã curitibana, por exemplo, foi como uma versão zumbi do Doutor Gori do antigo tokusatsu Spectreman (agora garanti um RT do Alexandre Nagado e do Marcelo Del Greco):

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Com uma roupa branca, chapéus e uma bengala, Adriane Galisteu na Portela foi a nossa representante do Studio Ghibli ao reviver o Baron de O Reino dos Gatos:

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Gracyanne Barbosa tentou até disfarçar durante seu desfile pela Portela, mas a gente sabe que a Tudona é um eterno cosplay de Kenshiro de Hokuto no Ken:

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Paula Fernandes deixou de lado suas músicas cafonas no desfile da Imperatriz Leopoldinense para derrotar umas formigas Quimera com o golpe supremo do presidente Netero:

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A Evelyn Bastos da Mangueira inventou de ir como uma versão feminina e sexy do clássico herói Tiger Mask (Se eu não ganhar um RT do Alexandre Nagado com essa aqui vai ser mais roubado que a vitória da Império de Casa Verde):

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Sabrina Sato no desfile da Vila Isabel preferiu ir como Poseidon de Cavaleiros do Zodíaco, tentando novamente virar notinha no Site dos Cavs. “Mas Mara, sua blogueira gorda e implicante, ela poderia ser qualquer cavaleiro com armadura dourada, por que justo o Poseidon?” é o que você pergunta, e eu explico que é porque ela tem um pequeno tsunami atrás dela, representando o plano absurdo de afundar a terra do jovem Julian Solo (ou então é um Pé Grande de pelo azulado encoxando a apresentadora, nunca saberemos a verdade):

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A Nicole Bahls nem tava assim tãããão parecida com o Fearow, mas ela merece aparecer no Mais de Oito Mil só porque ela é a Nicole Bahls e toda a minha base argumentativa em discussões foi adquirida assistindo às brigas dela com a Gretchen na Fazenda:

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Mas nada tira o brilho de Susana Vieira em seu desfile da Grande Rio. Aliás, ela brilhou tanto que foi praticamente o Chandelure da Sapucaí, segundo o meu amigo Leandro que me passou a cola de qual cosplay era esse:

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Esse foi o desfile de cosplays de 2016. Com o fim do Carnaval, podemos voltar às nossas vidinhas medíocres reclamando de lombada desalinhada de mangá, dublagem de Miami em animes que nem queríamos assistir e se preparar para problematizações relacionadas ao anime de Keijo. COMEÇOU 2016!!!!

Cobertura da cobertura do Expo Geek pelo programa da Fátima

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E aí, minna, como vocês tão? Pularam muito nesse fim de semana de pré-carnaval? Não se esqueçam que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu duas vezes e não pode mais ser ressuscitado pelas esferas do dragão! Mas para quem é avesso a multidões, pessoas mal vestidas e gritaria desproporcional dos blocos de carnaval, a cidade do Rio de Janeiro teve o Expo Geek, um evento com… multidões, pessoas mal vestidas e gritaria desproporcional.

Como Dudunaweb, o Snowden da blogosfera tokuanimangática, não ofereceu um sofá cama para esta blogueira viajar ao Rio de Janeiro, serei obrigada a fazer uma cobertura baseada na cobertura feita pelo programa da Fátima Bernardes, em mais um capítulo dessa vergonha alheia televisionada que é a humilhação de otakus e cosplayers ao vivo pela apresentadora que come uma lasanha congelada com garbo e elegância. IKIMASU ver o que rolou no programa.

Obviamente vocês otakus não assistem ao Encontro pelo claro motivo de não terem qualquer familiaridade com essa palavra, então eu explico: o Encontro com Fátima Bernardes é um programa multitask, ou seja, ela leva uma quatro pautas completamente destoantes e coloca todo mundo no mesmo sofá, e fica pulando de uma pra outra na esperança da audiência subir. Hoje, por exemplo, rolou matéria com otaku, com k-pop, com vazamento de vídeos de sexo por Whatsapp, com dicas de maquiagem para bloco de carnaval e notícias sobre as chuvas no Rio Grande do Sul.

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Aliás, minha veia jornalística está louca para descobrir quem é esse delicioso Capitão América que foi ao programa e está convidadíssimo para vir brincar de Vingadores aqui em casa. Enfim, o programa levou Rodrigo Andreoli ex-CQC para visitar a Expo Geek, evento que aconteceu nesse final de semana no Rio de Janeiro e que teve as primeiras palestras fillers de editoras de mangás, com anúncios requentados e que não se encaixam na cronologia das coberturas do Mais de Oito Mil.

E, afinal, o que é um evento geek? Muitos podem dizer que é um local onde há uma reunião de pessoas que apreciam a cultura geek, seja nos videogames, nos quadrinhos ou no cinema. Mas essa resposta está bem errada, porque esses anos de muito Anime Friends e Mupy de maçã nos confirmaram que um verdadeiro evento geek é…

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…um lugar em que um repórter de programa feminino conversa com alguém vestido com o sobretudo da Akatsuki enquanto é gravemente atacado por duas versões furries de Star Wars, tudo isso sob o olhar atento de uma otaca de cabelo pintado. É isso que vem quando você paga aquele alto valor do ingresso que já inclui a meia entrada pra todo mundo porque a mutretagem é algo sem limites.

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Como é de praxe, o repórter tentou perguntar aos convidados o que é ser geek, o que é anime, e a melhor resposta foi a de uma menina de cosplay. Pena que a toda golpista Rede Globo decidiu desmoralizar a explicação dela sobre o que é anime

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…ILUSTRANDO A MATÉRIA COM TRECHOS DO TOSQUÍSSIMO ANIME DE MALHAÇÃO (que fiz cobertura aqui, obrigada pelos cliques).

De volta ao palco, ficamos acompanhando Fátima Bernardes tratar do assunto “ser geek” com a naturalizade de quem nos convence que o presunto da Seara tem menos sódio do que a da concorrência. Os cosplayers começaram a explicar por que se fantasiam, e o Capitão América nos encantou com seu carisma e seu sorriso composto por 32 dentes muito bem tratados.

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Realmente, ser cosplay é algo que anima muito as pessoas. Para confirmar, vamos contar quantas pessoas estavam animadas de estarem numa segunda feira pela manhã no Projac vendo uma matéria sobre cosplayers e geeks?

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Contando com a minha cara de bunda em casa, temos exatamente 12 pessoas visivelmente felizes com o tema. E como ser otacu, geek e oriental é tudo a mesma coisa nesse grande balaio generalizador que é a televisão do Burajiru, eles aproveitaram para levar um exemplar de keipopero que roubou a atenção da apresentadora e conseguiu a antipatia dos cosplayers, pois perceberam que se tornaram apenas figurantes naquele momento.

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E essa foi a participação otaca e geek no programa da Fátima Bernardes. Deu pra ver que a cultura mais rica continua sendo maravilhosamente bem representada por pautas sazonais no Encontro e no Esquenta. Pelo menos valeu a pena ver o meu husbando, o jornalista Cauê Fabiano do G1 que está cada dia mais lindo.

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(Pode ser um gráfico tanto do IPCA quanto da nossa vergonha alheia televisionada que foi essa cobertura do Expo Geek)

Mais de Oito Mil entrevista Cassius Medauar, gerente de conteúdo da JBC

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O mês de janeiro já está chegando ao fim e já tem muito mercado vendendo ovos de páscoa (APENAS PAREM), mas continuo com a série de entrevistas com os representantes das editoras do Burajiru a respeito do que rolou em 2015. Depois de entrevistar o Junior Fonseca da NewPOP e da Beth Kodama da Panini, chegou a vez de conversar com Cassius Medauar, o homem sem orelha por trás dos mangás da JBC. Para conversar com esse veterano do mercado (pois ele estava lá quando a Conrad publicou Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco), encontrei-me com Cassius no Museu da Imigração e conversamos sobre o mercado editorial brasileiro enquanto andávamos no agradável passeio de Maria Fumaça, obviamente comendo uns belisquetes e tomando tubaína. Quer saber o que aconteceu nessa conversa? IKIMASU para a entrevista logo após essa montagem horrível do Vegeta entrevistador!!!

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Mais de Oito Mil: Uma das novidades da JBC nesse ano que passou foi o relançamento do Marcelo Del Greco através do selo Ink Comics, o que nos leva à primeira pergunta: primeiro falaram que o Ink publicaria títulos diferenciados e de outras nacionalidades, mas aí veio até um mangá da Shueisha como To Love-Ru. Na palestra do Ressaca Friends, o MDG contou que o selo ia se moldando com o tempo e com os lançamentos. Afinal, o que é o selo Ink Comics?

Cassius Medauar: Bom, o Selo Ink foi criado sim para publicarmos títulos diferentes, nacionais ou de outras nacionalidades, e isso vai ocorrer aos poucos. No meio do caminho houve a volta do Marcelo Del Greco e, como o projeto acertado com ele foi o de lançar uma linha de mangás diferente do usual da JBC, foi apenas natural acomodar essa linha dentro do Ink, selo novo já existente exatamente para coisas assim. To Love Ru é uma aposta, não é um título que lançaríamos em nossa linha principal, por exemplo. Talvez, no futuro, com os planos que temos pro ink dando certo, as duas linhas de mangás japoneses podem ser unificadas. Vamos ver.

MdOM: Uma das vantagens ditas sobre o formato big é que ele é bimestral e alivia um pouco o bolso. Só que o formato é a junção de dois volumes, então pro bolso do consumidor não é a mesma coisa de lançar dois tankos mensais de 20 reais?

CM: Bom, na verdade essa afirmação vale para todos os títulos bimestrais de todas as editoras. E a afirmação continua verdadeira, afinal, se eles fossem mensais, seriam 2 volumes juntos por mês, certo? A questão é exatamente que são títulos que não lançaríamos em tanko normal por acharmos arriscado demais. Só essa explicação separada do todo da coleção “Big” acabará passando mesmo a ideia errada. Esse formato foi pensado para lançarmos coisas difíceis de serem lançadas em um tanko normal, seja pelo número de volumes, seja por já ter sido cancelado por outra editora, etc. Além disso, pelo fato de ser para livrarias, independentemente da periodicidade, os títulos continuam lá, disponíveis, e com isso o leitor pode comprar quando quiser, e isso é outro fator que ajuda a “aliviar o bolso” do leitor. Ele consegue comprar ao longo de um bom tempo.

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MdOM: Quando a JBC anunciou Super Onze naquele formatinho vocês falaram que estavam experimentando um projeto editorial diferente. Como não tivemos mais nenhum mangá infantil, nenhum 1/3 de tanko e mais nenhum título de futebol depois desse, devemos interpretar que foi aquém do esperado?

CM: Sim, foi aquém do esperado. E não que tenha sido ruim. O resultado foi médio, por isso estamos estudando a possibilidades de continuidade e/ou mudanças naquele formato. Mas uma coisa bacana foi que levou um tempão para convencermos os japoneses, mas, depois que saiu, eles gostaram muito do resultado, e ficamos bem contentes com isso.

MdOM: Em 2015 a JBC investiu bastante no Henshin Online e acabou sendo a editora que melhor manteve um diálogo com o público, porque além de anunciar as novidades também respondia às críticas (como foi o caso do papel de Gangsta). Você acha esse tipo de transparência positivo para a editora?

CM: Não só o Henshin Online, mas as redes sociais em geral, participação em eventos, resposta de e-mails. O contato direto com o leitor virou algo natural hoje em dia por causa da Internet, e,com isso, não só é importante que as empresas tenham canais para explicar possíveis problemas, mas também para contar o que está acontecendo com seus títulos preferidos, os bastidores, as pessoas são ávidas por informação.

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MdOM: A pergunta que não quer calar (até porque não tem boca): o que aconteceu com o rosto do policial no 14º volume de Yu Yu Hakusho? [OBS: Aqui o caso]

CM: É o de sempre. Erros acontecem. As pessoas não lembram que do lado de cá também temos pessoas trabalhando nos mangás e que erros acontecem, e isso em todas as áreas, nas editoras, jornais, revistas, livros. Tem o exemplo clássico de um dos volumes da Guerra dos Tronos, da Editora Leya, que saiu sem um capítulo inteiro. Pode ter certeza de que quem fica mais chateado quando algo sai errado em um mangá somos nós mesmos.

MdOM: Os editores de mangás nunca revelam os planos futuros das editoras por motivos óbvios, afinal a concorrência pode passar na frente e levar o tal mangá. A única exceção foi você, que sempre demonstrou querer One Punch-Man na época que o mangá não estava disponível para licenciamento ainda. Quando ficou sabendo que o título sairia pela Panini, rolou aquela dorzinha interna de traição e mágoa por você querer trabalhar com esse mangá num eventual lançamento pela JBC?

CM: Sempre rola uma tristeza quando não conseguimos pegar um mangá que gostaríamos, mas claro que estou acostumado com isso, pois sempre vai rolar concorrência com os títulos maiores e não vamos mesmo conseguir todos. Acho que eu não teria o direito de ficar magoado ou algo assim, afinal, não conseguimos um título aqui, mas logo ganhamos a concorrência de outro e beleza. Vou dar um exemplo extremo, mas, por exemplo, não consigo nem descrever o que senti quando soube que ia poder editar Akira e Ghost in The Shell. De verdade, fico feliz de trabalhar na JBC e poder editar tantas coisas legais.

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MdOM: A JBC parece ter uma “mania” de não se interessar muito por sequências de mangás, mesmo que sejam continuações diretas de títulos publicados pela editora. Alguma esperança para os que sonham ver Gunnnm Last Order, Genshiken Nidaime, Shaman King Flowers e UQ Holder (continuação espiritual de Negima) por aqui?

CM: Bom, desculpe que, quando você fez a pergunta, não tínhamos anunciado UQ Holder ainda. Bom, na verdade não temos nada contra continuações. Apenas tudo depende muito de timming, qualidade do material, número de volumes e mais um monte de detalhes.

MdOM: Pra terminar, uma dúvida muito sincera que eu tenho. As editoras brasileiras conseguem ter informações de bastidores das emissoras japas? Por exemplo, por terem os direitos de Hunter x Hunter e Nana vocês podem mandar um email pra editora perguntando “ow, cê tem alguma ideia quando os autores tão pensando em continuar essas bagaças?”?

CM: Não tenho como falar pelas outras editoras, mas por aqui, na JBC, sim, conseguimos, mas isso varia bastante de editora pra editora, autor pra autor. Temos liberdade para perguntar esse tipo de coisas, mas nem sempre eles querem/podem responder, e as vezes eles nem sabem também.

MdOM: Obrigada pela entrevista, Cassius. Deixe um recado para os leitores do Mais de Oito Mil (prometo que eles não vão arrancar a sua orelha como aconteceu com o seu homônimo)!

CM: Hahahaha, Blz. Pessoal, podem esperar que, mais uma vez, este ano teremos muitas novidades e surpresas para vocês. Aqui, na JBC, acreditamos que é importante investir no mercado testando novos formatos, criando concursos, abrindo canais novos de comunicação e o que mais vier. Obrigado pelo espaço.

Denúncia! Autor de Cavaleiros do Zodíaco usa sem autorização uma scan não oficial de seu próprio livro

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Tá difícil conter esse João Kléber que tem dentro de mim, porque tenho uma denúncia INTERNACIONAL envolvendo Masami Kurumada, autor motorizado dos Cavaleiros do Zodíaco, e o maior fã-clube brasileiro dos defensores de Atena, o Site dos Cavs. E é do segundo melhor tipo de denúncia, que envolve o uso de propriedade intelectual sem autorização (porque o melhor tipo de denúncia é fofoca de quem trepou com quem, algo que não existe nesse virginal mercado tokuanimangático).

A denúncia foi revelada para o Mais de Oito Mil através da leitora Sarah Fernandes, que num surto masoquista decidiu clicar nesta notícia do Site dos Cavs sobre o site oficial do Kurumada ter disponibilizado um novo wallpaper de Cavaleiros do Zodíaco. Em vez de questionar a sanidade mental da nossa leitora, estou é agradecida porque ela mostrou que uma simples notícia de atualização do site oficial se transformou num grande complô internacional de roubo de material. IKUMASU ver isso:

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DEIXA EU VER SE A OTAKA AQUI ENTENDEU!

O Site dos Cavs, tão amigável à marca dos Cavs, escaneou e tratou imagens de um material oficial japonês e disponibilizou em seu site oficial gratuitamente (algo que muitas empresas consideram como “pirataria“). Aí, a equipe do Kurumada pegou essa mesma imagem escaneada e tratada sem autorização e a usou para fazer um wallpaper disponibilizado gratuitamente pelo site oficial, porém sem os devidos créditos ao Site dos Cavs. É ISSO MESMO????

Todo e qualquer comentário que possa ser feito já foi resumido pelos leitores maravilhosos do Site dos Cavs:

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Não sei não, acho que a terceira Guerra Mundial pode estar a caminho. E veremos nos livros de história que o desentendimento histórico desta será o roubo de um scan.

Editora de mangá acidentalmente envia para comprador alguns contratos picotados (!!!)

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Não sei se vocês já notaram isso, mas as notícias que os Jbox da vida publicam são basicamente divulgação das empresas envolvidas ou coisas que vazaram. E vamos ser bem sinceros, vazamento são as notícias mais divertidas, como foi o caso da recente divulgação de UQ Holder pela JBC e o antiaderente anúncio de Jobs pela mesma editora alguns anos atrás pelo Dudunaweb, resultado de uma delação premiada com a autora do mangá. Bem, toda essa longa introdução foi para informar que agora VOCÊ LEITOR também pode ter acesso a uma notícia vazada no conforto do seu lar, dessa vez sobre os evento de anime.

“Nossa, Mara sua gordelícia maravilhosa, como é que eu posso receber um vazamento de notícia em minha humilde residência?” dirá Michel Teló ao ler esse post, e a resposta é muito simples. Basta dar uma fugidinha de comprar mangás da NewPOP (agora aprendi a escrever certo, viu Júnior?) em bancas e pedir as coisas pelo correio da loja da editora.

Não entendeu porque é otaku e tem um pouco menos de QI que uma batedeira? Deixa que a tia Mara explica tudo: quando você pede alguma encomenda pelo correio, muitas lojas costumam colocar uns trecos pra fazer volume e impedir que o pacote se danifique. Algumas mandam deliciosos plásticos bolha, enquanto algumas economizam e botam papel mesmo. Esse é o caso da NewPOP, acontece que não é qualquer tipo de papel… eles usam PAPÉIS CONFIDENCIAIS DA YAMATO, tipo emails de negociação e contratos, picotados.

Duvida da minha palavra? IKIMASU ver as fotos enviadas para mim pelo misterioso leitor B (“b” de “baixinho”, como diria a alfabetizante música da Xuxa). Um kisu no kokoro do misterioso leitor B que fez uma compra na loja online da NewPOP e recebeu isso:

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Se isso é uma estratégia para fazer com que os otakus comprem mais da loja virtual e assim participem desse ARG para descobrir quem serão os próximos artistas musicais dos eventos da Yamato, posso dizer que é uma ideia maravilhosa! Eu mesma já estou pensando em comprar lá quando estiver sem pauta e precisar divulgar algo vazado. Só não vale botar o contrato do Mundo Canibal, do Massacration e do Cellbit porque a gente já sabe que o desses é vitalício.

Aliás, falando em vazamentos

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GACKT CONFIRMED…?

Meu Passado Otaku – Matéria sobre o amor de Angélica por Digimon na Disney Explora em 2000

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Vocês sabem quem é a imperatriz das animações da Grande Nação Japonesa no Burajiru? Se você respondeu a Eliana, a Kira ou a Mitsui, sua resposta está errada! A apresentadora que mais contribuiu para a disseminação da filosofia oriental através de desenhos com poucos quadros de animação foi Angélica. Duvida? Além de ter apresentado Jaspion, Changeman e qualquer outro herói de roupa colada dos anos oitenta, isso sem falar no Doraemon, a loira que já fazia campanha contra o Uber na canção Vou de Táxi foi a representante brasileira do anime Digimon, aquele desenho cheio de pontos luminosos no cenário e repleto de personagens clichês que o pessoal hoje em dia venera como se fossem o suprassumo da profundidade psicológica.

No começo dos anos 2000 tínhamos uma coisa chamada “revistas informativas” nas bancas, e umas delas era a Disney Explora. Às vésperas da estreia do anime na Globo, Angélica deu uma entrevista para a Explora falando das expectativas, o que tinha achado da animação e ainda posou para uma montagem mais constrangedora que a capa da Caras da semana passada com a Ticiane Villas Boas. O texto da matéria não é encontrado na internet, então tive que dar uma forçada na miopia para transcrever tudo, ok?

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Que capa maravilhosa, minna. Todo o talento de design dos anos 2000 está representado por uma única composição em que o artista apenas pegou uma foto da apresentadora imitando uma flor de lótus se abrindo e aplicou um monte de png dos monstrinhos do anime, sem qualquer critério. Mas, melhor que a imagem, é o texto:

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Ok, IKIMASU transcrever com o auxílio do grande Bloco de Notas do Windows:

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É muita coisa maravilhosa que nem sei por onde começar. Que tal o apelido inventado pela apresentadora, DIGIMAMA!? E o que dizer do Digimon favorito dela ser o mesmo que boa parte das viúvas da série, mas que no caso da Angélica é por um motivo meramente egocêntrico??? Prestaram “atençãop”??? E para provar que no começo dos anos 2000 a Angélica já mostrava ser uma tiazona que nasceu umas duas décadas antes, ela usa a expressão “SUPERFERA EM COMPUTADORES” para adjetivar o moleque!!! É o que espero de uma apresentadora que fazia rimas mind blowing tipo essa:

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PASSEI A MINHA INFÂNCIA TODA QUERENDO IR NA TAL FESTA DA BETE!!!

(E achando que ela falava “ele é comprido” em vez de “ele é Cupido”… eu acho que a apresentadora tinha uns problemas de fono…)

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Angélica é gente como a gente, que finge ser compromissada com trabalho apenas para tirar alguma vantagem. Olha ela aí tentando dar uma indireta pra Globo levá-la pra Grande Nação Japonesa com a desculpa de ~conhecer a Terra dos Digimons~. Claro, vamos para o país da cultura mais rica pra conversar com animadores da Toei em vez de comer comida típica e pegar videocassetes de sete cabeças que os japoneses jogam no lixo.

Falando em Toei, ela ainda diz que queria ir à Grande Nação Japonesa perguntar quais seriam os próximos desenhos e as novidades deles. Desculpa te informar, minha tomodachi… mas o que assistimos hoje não tá muito diferente do que você vê aí em 2000:

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E pra fechar com chave de ouro, Angélica termina a matéria da Disney Explora falando isso:

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Muito antes de Gilberto Barros surgir na televisão transferindo toda a culpa da falta de controle que os pais têm nos filhos para as cartas de Yu-Gi-Oh, Angélica já se colocava em defesa dos animes dizendo que eles traziam mensagem de paz para as crianças. Seria lindo se a gente não lembrasse que se passaram 16 anos da publicação dessa matéria e que as crianças que viam o anime naquela época estão apoiando Bolsonaro, matando bebês indígenas e batendo punheta com cenas gratuitas de calcinhas em animes.

SEJAM PESSOAS MELHORES, NÃO DECEPCIONEM A ANGÉLICA!!! Quem se comportar vai ganhar um convite pra festa da Bete!

Mais de Oito Mil entrevista Beth Kodama, editora da Panini

17 Jan beth-kodama-entrevista

E aí, minna! Continuando nossa série de entrevistas com o balanço geral desse ano de 2015, chegou a vez de conversar com Beth Kodama, editora da Panini que sempre é a cara da editora nas palestras de eventos. O encontro com Beth foi lá na Itália, na sede mundial da Panini, onde tomamos dry martinis e conversamos sobre o panorama editorial aqui no Burajiru. Além de, claro, tentar pedir que ela me descolasse umas figurinhas do álbum das novelas da Globo porque fiquei sem completar o negócio. IKIMASU conferir o papo? Ele começa assim que passar essa imagem horrível que uso desde o primeiro ano do Mais de Oito Mil:

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Mais de Oito Mil: Em várias palestras e entrevistas já falaram que os japoneses valorizam muito a confiança e o comprometimento das editoras brasileiras na hora de liberarem os títulos. A Panini já cancelou e paralisou muitos mangás (como Kekkaishi e O Mito de Arata), como ainda assim ela consegue mangás famosões? Rola escambo com figurinhas da Copa?

Beth Kodama: Depende muito do título, da editora original, do licenciante, do “histórico”, dos números de vendas, do “cash”, etc. São negócios como quaisquer outros, ou seja, depende de muitos fatores. E a gente nem paralisou tantos títulos assim. Além disso, a Panini detém uns 80% do mercado de quadrinhos no Brasil. E não é só quadrinhos e figurinhas. Cara, a gente publica até revista do Papa. Vamos concordar que é um bom “currículo” e uma boa “fatia do bolo, né? Além disso, a gente não publica só mainstream e nem todos os famosões vêm pra gente… o que é uma pena, diga-se de passagem.

MdOM: O Mais de Oito Mil não tem orçamento para te subornar por um nome, mas poderia dizer se há algum título em publicação que corre o risco de ir pro freezer por vender pouco? (Pfv não seja Beelzebub e nem Assassination Classroom)

BK: Não precisa subornar, não. Porque, por enquanto, nada mais vai pro freezer… até onde eu sei.

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MdOM: Temos uma pergunta enviada pela campanha “Mais Jojo’s no Brasil”: em trocentas palestras perguntam sobre o título e a resposta nunca é animadora. Na sua visão como pessoa do meio, você consegue enxergar um dia alguma editora lançando Jojo’s Bizarre Adventure ou isso é um sonho ainda irreal para o tamanho do nosso mercado?

BK: Eu comprei uns volumes bonitões da VIZ e averiguei o que se passa com Jojo em outros países. Está em análise. Pra todo produto e pra todo mercado existe um risco. O problema é que Jojo tem um risco muito alto… no momento. Um dia, poderemos publicar o que quisermos, no formato que quisermos e pelo preço justo… mas esse dia não é hoje.

MdOM: Em todas as palestras que fui nesse último ano parece unanimidade entre os editores de mangás que nosso mercado está ótimo e amadurecido, e que se pode lançar vários títulos de vários gêneros (algo que era impossível no passado). Se o mercado está tão bom assim, por que títulos longos passaram a entrar na lista negra das editoras?

BK: Não na nossa lista. Temos MUITOS títulos longos. Na real, temos poucos títulos com menos de 10 volumes. De boa, a gente traz o que o público pede e o que a projeção de mercado indicar que vai vender bem.

MdOM: A Panini sempre teve uma tradução mais preciosista, usando honoríficos japoneses e tudo mais. Mesmo com explicações nos glossários, esse tipo de tradução não acaba afastando um pouco o público leigo que poderia se interessar pela história mas se assusta com o excesso de termos orientais?

BK: Depende da história. Nem toda publicação nossa tem honoríficos. E, não, não acho que isso afasta público leigo.

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MdOM: Recentemente a Panini anunciou que vai lançar Vagabond no Brasil, depois que o contrato com a Nova Sampa não foi pra frente. A negociação começou quando a outra editora estava sem contrato ou rolou um lance meio teste de fidelidade com o Inoue sendo seduzido pela Panini enquanto estava com a outra?

BK: Não, nós jogamos limpo. Só quando um contrato acaba que ele pode ser negociado com outra editora.

MdOM: No final de 2015, um certo blog aí de muita qualidade denunciou um cidadão que estava vendendo impressões piratas de One Punch-Man (que é da Panini) e outros mangás. Um dia depois da matéria, ele deu uma arregada, inventou uma desculpa aê e abandonou o barco pirata. A Panini chegou a ficar preocupada com o rapaz e acionou um exército de advogados ninjas? E a editora tem algum plano para coibir esse tipo de prática?

BK: Acredito que sim, o departamento jurídico deve ter averiguado o caso, mas não sei exatamente no que deu no fim das contas. Não sei se a editora deve se posicionar. O mais triste foi ver fãs apoiando a pirataria… mal sabem eles que estão lesando o autor que tanto gostam e dificultando cada vez mais as possibilidades de trazer material licenciado ao Brasil.

MdOM: Obrigada pela entrevista, Beth. Quer deixar um recado ou uma receita de bolo para os leitores do Mais de Oito Mil?

BK: De nada, foi um prazer. Olha, não cozinho mal, mas sempre que dou uma dica gourmet ou posto uma foto de uma receita que deu muito certo, o primeiro comentário é “aí vem Shokugeki”. Então, deixa pra lá.

JBC dá dica de física quântica (!!!) para anunciar próximo título

13 Jan dicas-da-jbc-capa

Chegamos em 2016 e a JBC não tem mais a desculpa de aniversário com número redondo para anunciar 400 títulos, então para manter o interesse do público nada melhor do que usar a velha estratégia de anunciar mangás através de dicas. Com um novo anúncio batendo à porta, chegou o momento em que todos nós nos sentimos como Helena Soares, aquela guerreira que ouviu as dicas do Faustão naquela tarde de domingo e disse que o país era que a terra dos moinhos de vento era a Espanha.

Enfim, como eu ia dizendo, a Henshin começou a divulgar algumas dicas sobre o próximo mangá. Entre elas estão que não é Fullmetal Alchemist e que não tem animê. Eu já estava achando que finalmente seria nossa chance de ler [insira aqui qualquer mangá generiquíssimo que provavelmente poderia ser publicado pelo Ink Comics], mas aí a dica número 5 era que o autor já foi publicado aqui no Burajiru.

Isso peneira um pouco as opções e podemos olhar a lista de todos os autores já publicados no país para descobrir quem virá agora, certo? ERRADO. O problema foi a dica número seis:

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PARABÉNS, JBC! Ou vocês estão falando sobre um mangá com dois autores, e no caso um deles já foi publicado aqui e outro não, (aí no caso posso falar que a dica foi muito confusa e precisaria de uma revisão), ou então…

…teremos o lançamento de um mangá escrito seguindo os princípios da teoria do Gato de Schrödinger, pois o autor foi e não foi publicado no Brasil. AS DUAS ALTERNATIVAS AO MESMO TEMPO!!!

GATO-SCHROALGUMACOISA

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