SPFW: As camisetas do apresentador do “G1 em 1 minuto”

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Ao contrário do que você leitor deve estar pensando, eu não confundi e postei uma matéria do Coisas de TV no login do Mais de Oito Mil. Caso você seja uma viúva da TV Globinho e do tokusatsu nacional Bambuluá e Os Cavaleiros do Futuro, é bem provável que você fique ligado na Globo todos os dias pela manhã na expectativa da reprise de um Digimon ou de um Dragon Ball Z mais picotado que contratos da Yamato em pacotes da NewPOP. Se esse é o seu caso, você deve ter percebido que, durante o Encontro com Fátima (que é o único encontro que um otaku tem no Burajiru), ela interrompe a programação para falar com os apresentadores do “G1 em 1 minuto“, um jabazão do portal de notícias da Globo.

Acontece que Cauê Fabiano, um dos apresentadores, tem chamado mais a atenção que a própria notícia por ser bonito e por usar camisetas nerds. Mas não “nerds” do tipo Jovem Nerd que é apenas uma exaltação de quão ~boa~ era a infância nos anos 80, digo aquele tipo de nerd mais contemporâneo. Provavelmente Cauê começou aos poucos, com uma camiseta do Darth Vader, e aí foi passando para drogas mais pesadas. Cheguei a pesquisar na Internet pra ver se achava imagens para esse post e o máximo que encontrei foi essa notinha no Ego:

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(“camisetas divertidas” é o novo “memes são aquelas carinhas“)

O ponto é que Cauê Fabiano engatou nas camisetas nerds (e muitas otakas e dos gaems) até chegar ao cúmulo da blusa de ontem. Quer acompanhar o crescente fashion do gatíssimo apresentador tatuado? IKIMASU então conferir esse desfile do Mais de Oito Mil Fashion Week:

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Começamos o desfile com Cauê Fabiano-kun e esse modelito de joysticks de videogaems, roupa na qual o pessoal do #ForaPT nem deve ter reparado na estampa porque a cor da camiseta já denuncia os interesses comunistas do jornalista:

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Como quem não quer nada, Cauê-kun apareceu com essa camiseta de O Laboratório de Dexter mostrando que nos anos 90 não deixava a mãe ver a novela para acompanhar as estreias dos Cartoon Cartoons no horário nobre:

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“Deixa ele, as camisetas são discretas” deve ter pensado o diretor do quadro, e Cauê-kun aproveitou a permissão para ir cada vez mais ousando no jornalismo global, chamando mais atenção que o apelido de Maju e o nome pornográfico do Bonner.

Aqui ele usa uma camiseta dos Vingadores com o Capitão América e o Homem de Ferro, e confesso que só estou colocando essa foto para que o Google traga para o Mais de Oito Mil os virgens fãs de comics que estão quase tendo uma ejaculação com o Guerra Civil:

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Cauê-kun é dos gaems e mostra sua diversidade mundial com a tela de seleção de personagens de Street Fighter II enquanto naturalmente traz notícias apocalípticas sobre o mosquito que é sim mais forte que um pais inteiro e mais alguns territórios à sua escolha:

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Os iniciais de Kanto são o tema deste novo modelito que reflete a maior dúvida dos jovens mileniuns, acima das perguntas “o que farei na faculdade?” e “qual filme verei na Netflix?“:

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A escolha de Cauê-kun, no entanto, é bem óbvia:

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Nesse belo dia da foto a seguir, enquanto falava de delações, Cauê fez a alegria dos redatores do Site dos Cavs, que obviamente tiveram a comprovação que se tratava de um viral da Globo para anunciar que o Encontro com Fátima sairia do ar para a exibição dos Cavs com a dublagem da Manchete e sem cortes:

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Até que, ontem (28/04), Cauê Fabiano ultrapassou todos os limites do bom senso e de como se portar num ambiente de trabalho. A qualquer momento ele vai aparecer de cosplay e a Globo não conseguirá impedir este homem:

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Guerra Civil Otaku: JBC ou Panini?

24 abr GUERRA-CIVIL-EDITORAS

Vivemos numa maravilhosa sociedade que reduz todos os lados possíveis em apenas dois polos opostos e os defende como uma torcida organizada de futebol com argumentos na forma de memes no Facebook. E claro que esse tipo de redução chegou aos otakus, e isso foi mais que comprovado nessa última sexta feira quando a JBC anunciou Boku no Hero Academia e a Panini viu Slam Dunk ser “vazado”. Mesmo com uma ausência igual de informações, o público começou a criticar Boku no Hero só porque seria da JBC e a idolatrar Slam Dunk só por ser da Panini.

Em busca de resolver de uma vez por todas qual a melhor editora de mangás do Burajiru (e para ganhar muitas visitas), fiz esse gigantesco infográfico com os mais avançados recursos visuais para que possamos comparar as duas editoras e encerrar de vez com essa briga que vocês fazem em grupos sobre mangás no Facebook.

IKIMASU para o infográfico que vai decidir qual a melhor editora, se é a Panini ou a JBC???

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O que podemos concluir desse infográfico é bem simples: entre JBC e Panini, a melhor editora é a incrível TANTO FAZ.

As duas são empresas com qualidades e defeitos, e duvido muito que na sua carteirinha de otaku tenha uma cláusula que te faça comprar mangá de apenas uma editoraDa próxima vez que anunciarem um título, espere pelo menos algumas informações ou que saia na banca antes de ficar criticando. A JBC fez muita merda recentemente? Sim, fez. Mas a Panini também. A Panini já cagou muito no passado? Sim, e a JBC já teve fases muito boas. Ficar hateando qualquer coisa que tenha o nome da JBC ou idolatrando qualquer coisa da Panini só é válido em dois casos:

1- se você é acionista de uma das duas empresas e está ganhando dinheiro com a vitória ou derrota de uma delas
2- se você é um idiota que não superou a quinta-serie de idade mental

coluna da ba-chan – primeras impressoes de nights of sidonia 1

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oi aeqi quem ta falando eh a ba-chan prima da mara. pra quem nao me conehce eu sou a comentadora opinativa desse site e soh nao tava postando direto pq eu esqueci a senha. agora tp de volta e vou opinar ainad mais pq vou fazer um reviw de um manga q eu encontrei na ksa da mara eh o nights of sidonia.

o manga eh parecido com um anime q tem no netflix soh q eh preto e branco e nao tem vozes. o q eh bom pq dublagem brasileira eh mto ruim. e vc pode parar de ler qndo qser q nem o netflix e volta dpois.

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nights of sidonia eh mto elegante da pra vc ler em qlquer lugar com orgulho d ser OTAKU. a historia eh legal eh espacial e tem mta luta vc nao fica c sono q neim otos mangas. o papel eh branco e eu nao mi cortei lendo o q eh mto bom pq nao tm vermelho no orighnial

pera ai gente acabei de ver aqui q esse manga eh da jbc. achei um lixo a traducao e o papel transparente e eh branco. tah mto ruim msm e voujh terminar esse postcom um protesto pra jbc faze recal desse manga q nem a panini faz qndo erra lombada

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Editora lança livros de Minecraft que se parecem muuuito com umas propriedades intelectuais aí

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Se eu parar um otaku no meio de um Anime Friends e falar a palavra “Tambor“, provavelmente o virgem vai achar que quero me informar sobre a falidíssima atração de taiko e que é muito popular na Grande Nação Japonesa. Dificilmente ele vai se lembrar que Tambor também é o nome de uma editora.

Aliás, um pouco de história: antigamente existia a Conrad, que era feliz publicando duas coisas pré-historicas que eram “meio-tankos” e “revistas de videogame“. Aí a editora se separou, a Conrad ficou com os mangás e as revistas informativas foram para outra editora que viria a se tornar a Tambor hoje. Atualmente ela publica basicamente uns mangás biográficos bizarros e revistas de games decadentes escritas por especialistas em porra nenhuma como é o caso da Nintendo World. Sim, estamos em 2016 e ainda existe revista de Nintendo e pessoas que a compram.

Mas uma editora precisa ficar com o caixa no azul, e essas publicações não devem garantir nem o cafezinho do editor da EGW. Por isso, a Tambor decidiu investir no assunto de maior popularidade atualmente entre os jovens: sim, estou falando de Minecraft. E como não tinha como bancar uma licença oficial do jogo, a editora foi atrás de algo mais barato e menos oficial como é o caso de…

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GALAXY WARS. Para você que não entendeu: aparentemente Minecraft é a forma mais segura de você violar propriedades intelectuais, logo depois das paródias da Turma da Mônica. Pra quê gastar uma fortuna com uma licença de Star Wars se você pode gastar um centésimo com esse incrível Galaxy Wars? A tipografia e a ambientação são iguais, e a única diferença perceptível é a inclusão de Dilma Rousseff pós-prosseguimento do Impeachment no cast de personagens:

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Mas, até aí ,quase nada disso tem a ver com o assunto do Mais de Oito Mil, tirando a virgindade do público-alvo. Sim, porque aqui eu não falo de Star Wars e muito menos de Minecraft, meu foco são os animes, mangás e aquelas bizarrices japonesas. Não é como se a editora Tambor tivesse licenciado um livro não-oficial de Minecraft que contasse a história de um cara com gi laranja, cabelos louros espetados e que tivesse o nome de Dragon Ball pra virar uma pauta aqui, né?

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PORQUE ISSO SERIA ÓBVIO DEMAIS, A EDITORA LICENCIOU UMA HISTÓRIA CHAMADA DRAGON BOY MESMO!!!

Parabéns para a editora americana disso que não recebeu o processinho da Shueisha e da Disney e também para a Tambor porque é bem mais econômico comprar uma licença dessas que uma de Dragon Ball.

Editora Alto Astral dá rasteira na JBC e é a 1ª a oferecer leitura de mangá online

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Quando eu era criança, havia a mania dos tazos no Burajiru. Se você não sabe o que é, basicamente era uns botons que vinham em salgadinho e que as crianças dos anos 90 brincavam numa época que não se tinha TV a cabo e nem Internet. Aí a Elma Chips lançou um Kit Tazo, que era um compartimento para guardar seus tazos, só que era muito difícil de encontrar. Ouvi falar de uma padaria perto de casa que tinha o negócio, e aí comentei com meu primo sobre isso. Quando fui lá, o kit tinha esgotado, e sabem por que? Porque o meu primo me deu uma rasteira e foi lá na padaria comprar o último disponível pra ele. Coisas de criança. Rimos Muito. Nunca mais falei com ele (sério).

Rancor de criança de lado, vamos para o presente. Semana passada, no Henshin+ (que você pode conferir o que rolou neste post sugoi), a editora JBC surpreendeu a imprensa especializada (pff) que achava que seria anunciado Boku no Hero Academia com a divulgação do serviço Henshin Drive de leitura digital de mangás. Não foi explicado direito como funcionaria, apenas que seria como o serviço Social Comics (ou seja, um Netflix de quadrinhos). Depois da NewPOP revolucionar tirando seus mangás da banca, a JBC iria realmente mexer no mercado de quadrinhos chineses como um todo.

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Porém, ela não percebeu que em menos de uma semana sofreria uma punhalada nas costas da mesma forma que Júlio César tomou quando contou spoilers do final de Naruto para Brutus.

Segundo a Biblioteca Brasileira de Mangás (aquele site com bons conteúdos e algumas colunas tendenciosas), a editora Alto Astral (QUEM?) do nada colocou todos os seus mangás no serviço Social Comics e se tornou a primeira editora a disponibilizar seus quadrinhos japoneses num negócio digital de leitura. Tudo bem que a editora Tambor (QUEM??) já havia colocado dois mangás biográficos pra vender na Amazon, mas esse caso da Alto Astral é exatamente o que a JBC iria fazer com ineditismo com o Henshin Drive.

Aí o leitor me pergunta “mas Mara, sua gorda que não tem paciência para quem pede republicação de Inuyasha, essa tal de editora Alto Astral tem quais mangás no catálogo?”. É uma pergunta válida, mas não acho que minha resposta vai te ajudar muito. Confira essa imagem do catálogo do Social Comics que eu surrupiei do BBM na cara dura:

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A editora Alto Astral se especializou em lançar quadrinhos franceses no estilo mangá, como é o caso de Tengu-Do (heim?), Omega Complex (vixe), BB Project (oi?) e o shonen Vairocana (vaiquem?). Antes que você diga que então não vale porque não são mangás japoneses, preciso contar que a editora tem um catálogo de títulos made in japan: Anomal, À flor da pele, O Nosso Segredo, Lindas Meninas e Meninas Perfeitas (quase tudo de putaria, olha que delícia).

Sendo assim, a editora Alto Astral passou a perna na JBC por ter sido a primeira editora a disponibilizar seus quadrinhos japoneses num serviço digital. Parabéns ao Burajiru que inaugurou a leitura de mangás digitalmente com maravilhosos hentaizões como esse:

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O mercado de mangás não para de dar certo!

JBC adere às Diretas Já para a próxima republicação, conheça os candidatos

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Durante décadas o Burajiru viveu uma ditadura. As pessoas não tinham opção de voto e quando davam suas opiniões eram fortemente oprimidas pelos poderosos no poder. Estamos falando da situação política do país pós-64? Claro que não, o papo é o mercado de mangás. Mas a situação de falta de controle no que é publicado aqui mudou com a decisão da JBC de abrir uma votação para decidir qual será o próximo requentamento. Com o final de Hellsing e Yu Yu Hakusho, a editora ficou com dois slots de relançamentos.

O primeiro já foi ocupado por Fullmetal Alchemist, mas e o segundo? Como o Mais de Oito Mil é ligado em política, é contra o golpe das editoras e não quer que Eduardo Cunha venha decidir qual será o próximo título, decidi abrir esse espaço para apresentar todos os candidatos e permitir que você leitor faça uma escolha sábia. IKIMASU para a análise dos candidatos!!!

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Candidato #A – INUYASHA
Volumes: 56
História: Era uma vez uma garota com problemas intestinais que vai parar no Japão Feudal e passa a acompanhar um meio-youkai de cabelos brancos que fica a série inteira fazendo cu doce de “eu não gosto de você huuunf” igual na quinta-série. Enquanto isso, eles se aliam a mais uns personagens (que só servem pros protagonistas não falarem sozinho) e vão atrás do vilão rancoroso que é derrotado se destruirem todas as Horcruxes. Sim, a Rumiko fez seu vilão ter horcruxes antes do Voldemort.
Vale a Pena Ver de Novo? Olha, lembra como Ranma 1/2 era enrolado? Esse aqui é mais. E extremamente repetitivo. E a história fica sempre no esquema “inuyasha chega num lugar-enfrenta narak-insetos venenosos do narak-power up-narak foge”. O mangá é tão enrolado que tem até FILLER, que é a saga dos zumbis lá da montanha.

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Candidato #B – COWBOY BEBOP
Volumes: 3
História: Quatro personagens com passados duros e grandes problemas psicológicos enfrentam aventuras no espaço ao som de muito jazz e de uma animação muito bem feita.
Vale a Pena Ver de Novo? O mangá não tem nem a trilha e nem a animação, isso já responde a sua pergunta.

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Candidato #C – SHAMAN KING
Volumes: 27
História: Garoto com cara de estudante de ciências sociais tem o poder de incorporar uns espíritos aí e parte pra um campeonato de pessoas que fazem a mesma coisa, até que no fim não dá em nada porque o autor encerrou o mangá e a gente ficou mais confuso que quando trocaram a Tia Vívian de Um Maluco no Pedaço.
Vale a Pena Ver de Novo? Se a JBC trouxer a versão que saiu depois no Japão com um final feito pelo autor e que não precisou botar um personagem vestido de princesa no topo de um castelo, até vale a pena.

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Candidato #D – A PRINCESA E O CAVALEIRO
Volumes: 4
História: Anjinho desatento coloca um coração de menino e de menina no corpo da mesma pessoa, e aí Safiri é criada como um homem para ser a herdeira do reino. Mas rolam umas tretas, descobrem que ela é mulher, enfiam um príncipe na história, tem uns gansos doidos e no fim todo mundo fica bem porque até teve uma continuação.
Vale a Pena Ver de Novo? Eu encaixo A Princesa e o Cavaleiro na lista de títulos ruins do Tezuka, mas queria ver publicado apenas para o desconforto da NewPOP ao ver que outra editora tá publicando mangás do autor.

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Candidato #E – FRUITS BASKET
Volumes: 23
História: Uma garota que é tipo o Candinho de Êta Mundo Bom vai morar com uma família que é composta por pessoas loucas do signos chineses, e cada vez que um deles é abraçado vira um bicho.
Vale a Pena Ver de Novo? Eu não aguentei nem ver a primeira vez, imagina se veria mais uma!

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Candidato #F – ANGELIC LAYER
Volumes: 5
História: Pokémon. Com cenas contemplativas com cerejeiras e fundos brancos.
Vale a Pena Ver de Novo? Vamos combinar que você já comprou coisas muito piores, né? Sim, estou falando de Chobits!

Esses são os candidatos, agora é só participar da festa da democracia e votar no seu escolhido. Segundo o instituto DataMdOM, os otakus estão 100% de chance de ganhar um mangá requentado ruim (com margem de erro de 5% para mais ou para menos) e já vamos torcer para rolar um Impeachment para que entre um mangá realmente bom no catálogo. Alguma aposta?

Dicionário Ilustrado de Língua Portuguesa para Otakus – Palavra do dia: “INACREDITÁVEL”

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INACREDITÁVEL:

1. Que não é acreditável, que não merece crédito; incrível. 2 Que ultrapassa os limites da credibilidade; espantoso.

Caso não tenha entendido, tenho uma imagem que a Conrad postou em seu Facebook para resumir bem o termo:

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Problematizando a transfobia em One Piece

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Assim como Naruto nas bancas brasileiras, a seção Problematizando aqui do Mais de Oito Mil já garantiu um espaço para voltar sempre. A repercussão do primeiro post sobre a objetificação das mulheres em Nanatsu no Taizai foi muito maior do que eu imaginava! Foram milhares e milhares de leitores que refletiram sobre as coisas que escrevi (ou que simplesmente prefeririam ignorar qualquer argumento coerente e me chamar de petista mal-comida pra baixo). Mas mantenho a seção viva, até porque o que não falta é mangá com coisa a se problematizar. Inclusive o queridinho da Shueisha, o gigantesco One Piece.

One Piece é uma obra de personagens estereotipados com muitos “mas”. Quer exemplo? As personagens femininas têm seus atributos avantajados para agradar ao público jovem punheteiro da Grande Nação Japonesa, MAS elas são construídas com uma boa profundidade e o Oda já deixou bem claro que as mulheres são tão importantes quanto os homens. Outro exemplo: assim como vários personagens, os homossexuais em One Piece são extremamente caricaturizados de forma quase ofensiva e sempre afetadíssima, MAS também ganham profundidade e se colocam num mesmo grau de importância dos protagonistas (vide o maravilhoso Bon Clay que sempre tá lá sambando na cara dos personagens com sua indefectível saia bufante e penteado atrevidamente exótico). Mas, afinal, há um problema com isso? Bem…

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Uma coisa que existe no mundo e poucos percebem é que não sabemos como entender a dor alheia. Por mais que eu me esforce, nunca saberei entender o peso de algo racista pelo motivo que não sou uma pessoa negra. E com isso eu acabei quase caindo numa cilada e achando que One Piece era o topo da representatividade da sigla LGBT nos mangás shonen porque… né, o Bon Clay é maravilhoso e a Emporio Ivankov é uma transexual fodona. No entanto, me surpreendi ao ver que meu ponto de vista estava errado.

Curiosa para saber como era a aceitação dos personagens não-heteros entre os leitores da série, acabei caindo numa discussão no Reddit perguntando a opinião do pessoal LGBT sobre os personagens de One Piece. Quase toda a totalidade de gays, lésbicas, bis etc se mostrou favorável à eles, principalmente ao Bon Clay. Mesmo apontando os estereótipos e as caricaturas (aquelas pernas cabeludas formam uma imagem de zombaria… Além de falta de Veet), o Bon Clay chamou a atenção por ser apenas um personagem bom, carismático e forte que por algum motivo é gay (ou seja, sua orientação não é tão importante num primeiro momento). E quando eu achava que os personagens não eram problemáticos, pessoas trans surgiram lá na discussão e desmistificaram a ideia que a Iva é alguém tão inclusiva assim.

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Antes de começar o papo, aviso que o post tem spoilers de coisas irrelevantes que não vão estragar a sua leitura de One Piece. E também alerto que estamos julgando One Piece apenas pelos primeiros 60 volumes, que é o que foi publicado no Burajiru pela Panini. IKIMASU problematizar.

A Iva é uma personagem fortíssima em One Piece, pareando-se com outras pessoas muito poderosas no mundo dos piratas. Seu poder, além de ter o visual chupinhadíssimo de Rocky Horror Show e se safar sem levar uma intimação judicial, é conseguir manipular hormônios. Ouseje, é capaz de mexer em seus próprios hormônios e nos alheios e preparar mudanças de gêneros com uma rapidez maior que a do Togashi ao encerrar o arco final de Yu Yu Hakusho. Além disso, ela consegue fazer o corpo das pessoas combaterem toxinas mortais e outras regalias desnecessárias como o poder de inflar seu cabeção apenas para o Oda abusar de páginas duplas.

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Mas como uma personagem tão maravilhosa pode ir de um exemplo de representatividade a alguém que aparece nas problematizações do Mais de Oito Mil? Bem, perceba essa cena que aparece logo na apresentação da personagem:

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Para você que não entendeu (talvez porque o traço do Oda é meio poluído mesmo), tem esse homem que quer vingança. Eis que Iva usa seus poderes e transforma o homem numa mulher contra a vontade dele. “mas Mara, eu não vi nada de grave nessa cena” é o que alguns leitores estão pensando, então vou usar um outro exemplo. Numa situação que não vou explicar os detalhes por motivos de spoilers, o mulherengo Sanji acaba indo parar no reino da Iva que é uma ilha apenas com pessoas LGBT. Daí que todas elas saem correndo desesperadamente atrás de Sanji querendo pega-lo, botar um vestido nele etc. Você pode argumentar que é só humor, mas um lado muito perverso está por trás disso.

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Lembra da discussão no Reddit que falei ali em cima? Bem, a moça argumentou que embora Iva seja uma personagem forte e positiva na série, ela não ajuda em nada a ajudar a combater os preconceitos e as dúvidas que a maioria das pessoas tem a respeito das trans. Ela ate contou que quando contou para seu amigo a respeito da própria mudança de sexo, o colega otaku falou “ah, então você vai ser que nem a Emporio Ivankov”. Além de ser retratada como uma caricatura até mais bizarra que as outras caricaturas da série, a Iva ainda alimenta essa ideia que as pessoas têm de que as pessoas LGBT são desesperadas para converter os outros para seu mundo, como se não houvesse respeito pela orientação e identidade das pessoas. Não se esqueçam que não há nada mais frágil que a masculinidade, pois parece que ela pode ser destruída por quase tudo aparentemente.

Isso quer dizer que a Iva deveria surgir em One Piece fazendo panfletagem sobre transexuais e dar uma aula no meio do mangá? Claro que não (embora ela tenha um discurso bem legal sobre gêneros em sua primeira aparição), mas se deve ter muito cuidado para não perpetuar algumas idéias erradas não-intencionalmente, escrever sobre minorias oprimidas exige cuidados sim.

E podemos estender a falta de cuidados ao retratar as pessoas trans até mesmo na tradução feita pela Panini. Ao contrário do inglês e do japonês, o português usa gêneros nas palavras, e a Panini ainda tratou a Iva como “o travesti” ou “o travecão” em vários momentos:

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“Mas Mara, sua blogueira que não está seguindo a língua culta, eu encontrei esse post aqui de 2008 do UOL falando que o correto segundo o dicionário é O TRAVESTI”Então, não sei se você sabe, mas a nossa língua é beeem preconceituosa. A própria definição de “travesti” apresentada nessa matéria é bem escrotinha: “Homossexual que se veste e que se conduz como se fosse do sexo oposto”. Assim como você gosta de ser chamado pelo seu nome correto, pela sua arroba do Twitter ou pelo apelido que usa num fórum de animes falido, todo mundo deveria ter o direito de ser chamado da forma que acha melhor, e as travestis preferem o artigo feminino.

Claro, essas falas mostradas ali em cima são de vilões, então entende-se que não há a necessidade de respeitarem o artigo feminino porque tá aí na função de ofender mesmo, mas por outro lado em momento algum há algum personagem “do bem” falando da forma que as travestis preferem ser tratadas. E nem vou avisar que travesti não tem nada a ver com transexual porque não tenho conhecimento da língua japonesa pra falar se o termo estava no original ou se foi colocado na tradução brasileira. De qualquer forma, o responsável foi bem irresponsável no uso da palavra.

Isso tudo quer dizer que eu acho que One Piece deva ser censurado pela Shueisha e o Oda ser queimado em Marine Ford? Claro que não, mas não mata ninguém você ter um senso crítico para se abrir a problemas que você não enxerga porque é algo longe da sua realidade. O Oda tem um espaço incrível e sabe fazer personagens ótimos, além de ser bem intencionado, então apenas espero que ele não cometa esses erros em volumes futuros.

Henshin+ 2016, o talk-show que virou Casos de Família Otaku

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Há algumas semanas rolou o lançamento de One Punch Man da Panini numa FNAC de São Paulo. O evento aconteceu num auditório insalubre e quente, mas foi considerado um sucesso porque, né… o fator One Punch Man deu um soco nos muitos pontos negativos daquela prova de resistência no formato de palestra. Sendo assim, o que Cassius Medauar e sua trupe de guerreiros dessa nave louca da JBC poderiam preparar para a edição 2016 do Henshin+? Simples, um elegantérrimo talk-show.

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Após a entrada da imprensa, liberada por um funcionário muito gato da JBC e que só citei na matéria porque quero que ele me note, o público pôde ocupar os espaços do auditório da Saraiva Mega Store do Shopping Center Norte (aquele que tinha um problema de gases e podia explodir a qualquer momento, lembram?). Completamente inspirado nos talk shows americanos e, principalmente, no Programa do Jô, vimos um sexteto tocando músicas de anime, um espaço para os convidados da tarde, uma plateia composta por universitários que gritam loucamente quando falam o nome de suas faculdades e ele, sim, o homem Cassius Medauar pronto para comandar uma série de três palestras sem nem imaginar que algumas coisas sairiam deliciosamente fora do previsto e que seu tão elegante talk-show se transformaria na versão otaka do Casos de Família.

Duvida? Vamos aos temas então deste que é o nosso novo point vespertino:

BARRACO #01

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A primeira palestra da tarde foi sobre Ficção Científica, e os convidados especiais eram Paulo Gustavo e Marcelo Campos.

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Infelizmente não estava falando nem do ator discreto fora-do-meio e muito menos do dublador gostoso que faz o Edward Elric, e sim um cara aí especializado na área de ficção científica e o primeiro brasileiro que desenhou para a DC comics. Só que a mesa que era nada mais nada menos que fazer um grande jabazão de Knights of Sidonia acabou se desvirtuando e virou um show de stand-up próprio de Paulo Gustavo.

Até aí tudo bem (?), o problema é que o especialista nostalgista (daqueles que dizem que tudo do passado que era bom) pegou uma das maiores características do stand-up brasileiro que é o humor opressivo disfarçado de opinião própria e deu uma declaração ultra infeliz de transfobia. Resumindo, ele insinuou que as irmãs Wachowski deveriam ter apanhado dos pais pra não serem assim.

A frase foi tão inadequada que até mesmo Marcelo Del Greco e Cassius Medauar (representantes oficiais dos comentários homofóbicos envolvendo São Paulinos e frases machistinhas) se incomodaram e tentaram sair do assunto. Mas aí o estrago já estava feito e a Internet foi tomada por críticas feitas nas redes sociais escritas ASSIM COM O JEITINHO DA XUXA.

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Algum tempo depois da palestra, Cassius pegou o microfone e disse que a JBC não se responsabiliza pelos comentários feitos pelos convidados, e que a JBC repudia qualquer tipo de preconceito. Preciso dar o parabéns para a editora por ter se posicionado dessa forma, e até mesmo tivemos bem poucas piadinhas machistas e homofóbicas vindas dos editores da JBC (o que é um avanço). Ainda há muito o que fazer e haviam outras formas de lidar com o problema da transfobia mais imediatamente, mas eu queria levantar é uma outra pergunta… Por que tantos otakus riram da declaração transfóbica?

O clima do post pesou, né? Vamos voltar aos barracos porque o talk-show do Cassius encarou outros problemas como:

Barraco #2

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Em outro momento da palestra, Cassius com muito orgulho anunciou que Tsutomu Nihei, autor de Knights of Sidonia, havia gravado um vídeo exclusivo para o Burajiru. Na hora não demos muita importância porque… né… tamos de boa de ouvir coisas como “estou contente por meu mangá ser publicado numa cultura tão distante” e “espero que gostem da minha história como eu gosto de fazê-la“.

Acontece, caros leitores, que Tsutomu é praticamente a versão japonesa da Gloria Pires comentando o Oscar, e deu A MELHOR ENTREVISTA COM CELEBRIDADE DA GRANDE NAÇÃO JAPONESA! Confira esses momentos maravilhosos:

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Não sei se tô mais apaixonada pela humilhação gratuita ou pela rispidez, mas esse autor de cabeça raspada já tem um espaço garantido no meu kokoro. Vou até ler Sidonia agora.

Como se já não bastasse ser trollado por um convidado por vídeo, Medauar ainda teve que ouvir o convidado Kaji Pato (do mangá nacional Quack que é muito bom e vocês deveriam ler) citando Hokuto no Ken no palco. Impagável.

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Começou a palestra da JBC que teve altos índices de piadas internas de firma e até mesmo uma retrospectiva com todo o staff da editora dançando com tankos sob a ameaça de perderem o VR caso não gravassem esse mico. E em meio a tentativas de piadas e mais enrolação, Cassius e seus amigos anunciaram dois lançamentos que nenhum site que vaza notícias havia divulgado: Sakura Wars (baseado naquela visual novel de Saturn e no anime que o Cartoon escondeu nas tardes) e o ~inesperado~ Santia Shô. Este, para quem não sabe, é maaaais um mangá dos Cavs, só que tem uma protagonista feminina. Ok, Cavs é bem insuportável, mas puxado MESMO foi a forma como eles arranjaram de anunciar esse mangá:

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Deixa eu ver se a otaka aqui entendeu!

Enquanto a imprensa especializada (pff) estava putíssima porque eles precisaram deixar na gaveta do publicador as notinhas já escritas do anúncio de Hokuto no Ken e outros, Cassius Medauar e os outros tomaram o espaço musical da banda e arriscaram cantar Pegasus Fantasy enquanto o vocalista oficial do evento era deixado de lado mais avulso que fitinha de braço do AF pós-evento.

MARAVILHOSO!

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Basicamente esse foi o evento da JBC. Claro que também rolou o anúncio do serviço de mangás online Henshin Drive (que ainda vou falar melhor em algum post), uma misteriosa pergunta querendo saber qual era o nível de francês do editor de conteúdo, uma declaração que Cassius é contra vazamentos que não são conseguidos de forma investigativa e até mesmo rolou a explicação que todos queríamos saber sobre o selo Ink. Se segurem nas cadeiras: ele era pra ser um selo para coisas alternativas, mas aí com a ~crise~ eles deixaram isso em stand by e começaram a lançar mangás ~diferenciados~ porque é muito burocrático criar maaaais um selo, então o Ink acabou virando algo como o selo Vertigo e vale pra tudo mesmo.

Obrigada por me aguentarem até aqui, cliquem no joinha, compartilhem esse vídeo e voltamos semana que vem com um tutorial para fazer as unhas inspirada em Minecraft!

Nova Sampa ativa a carta mágica “A Editora que Renasce” e volta ao mercado

8 abr nova-sampa-rise-capa

Se você acompanha o mercado nacional de mangás já deve ter percebido que ele se assemelha muito a Yu-Gi-Oh!, principalmente porque é um negócio de nicho que já foi popular um dia, valoriza extremamente coisas do passado e, acima de tudo, não faz muito sentido para quem acompanha a história. E assim como numa partida de Monstros de Duelo, as editoras também deixam cartas armadilhas viradas para baixo com a intenção de desvirá-las em momentos oportunos. E após meses sem dar um sinal de vida, a Nova Sampa se lembrou que estava na partida e surpreendeu com um movimento.

Tal qual um idoso que leva alguns minutos para se perceber que é a sua vez na partida de Tranca, a Nova Sampa pegou todo mundo de surpresa ao anunciar em sua página no Facebook uma atualização sobre um lançamento previsto para esse ano. IKIMASU conferir o retorno?

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SIIIIM, pela primeira vez teremos um mangá de Yoichi Takahashi no Burajiru! Para você que não está associando o nome à obra ruim que ficou famosa por causa da nostalgia, ele é o autor por trás de Super Campeões (ou Captain Tsubasa, segundo a Grande Nação Japonesa). Como nenhuma editora nacional é tonta de lançar um mangá ruim e longo de futebol, a saída foi lançar um mangá ruim e curto mesmo.

Mas aí a editora Nova Sampa esbarrou num problema: como o público do Burajiru vai saber que esse mangá é do mesmo autor do anime clássico da Manchete? Só o traço ruim não ajuda a divulgar essa informação! Por isso, claro que eles tiraram do cu O MELHOR SUBTÍTULO OPORTUNISTA desde… bem… o “~versão do autor~” do Rurouni Kenshin:

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SEJA BEM VINDA DE VOLTA AO MAIS DE OITO MIL, NOVA SAMPA!!!!!

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