Archive | fevereiro, 2016

NewPOP, monopólio de distribuição e comparações com o namoro que você não tem

27 fev fim-de-namoro-capa

Bem, nessa altura do rolê você já deve saber que a NewPOP soltou uma bomba ontem enquanto a JBC achava que estava abafando ao anunciar Knights of Sidonia semanas depois do Jbox. Enfim, se você não sabe o que foi, recomendo esse link do Jbox mesmo, afinal eles são acionistas majoritários do Mais de Oito Mil e assumirão este blog se as ameaças de morte das gothic lolitas se realizarem.

Resumindo para você que não clicou no link que eu dei, a NewPOP anunciou o fim da distribuição dos mangás em banca. No anúncio divulgado no email que não foi enviado para euzinha (ouviu, sr Junior Fonseca???), a editora conta que tá foda viver com distribuição em banca  porque tem estabelecimento que nem bota as coisas na prateleira e rola muita perda de volumes no transporte e na exposição. Assim, eles vão atender apenas livrarias, comic shops e trocentos sites de Internet. Mas ainda vai ter um ou outro mangá que vai pra banca, provavelmente os mais populares.

Pela reação das pessoas, tivemos mixed feelings. Houve quem tenha dito que isso é um passo revolucionário na indústria dos mangás do Burajiru, pois estamos nos aproximando dos mercados estrangeiros que em nada depende de bancas. Também tem quem disse que só compra mangá em banca e que não tem nenhuma livraria e que não vai mais adquirir títulos da editora por causa disso.

Aposto que boa parte dos leitores entrou aqui para saber o que eu ia falar sobre o caso, se iria apoiar ou zoar a iniciativa. Bem, minha bola de cristal deu uma quebrada depois da vez que previ o fracasso do Jogo Justo, então a melhor coisa que faço é ficar esperando pra ver no que vai dar. No lugar de fazer isso, gostaria de comentar como essa situação lembra muito um final de namoro.

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Talvez você otaku não saiba, mas no mundo normal pessoas se relacionam com pessoas de verdade e, ocasionalmente, o negócio chega ao fim de várias maneiras trágicas possíveis. Quando isso acontece, normalmente uma pessoa posta no Facebook aquela indiretona através de músicas ou então de fotos em balada, isso quando não vai além e faz um textão dizendo como a vida será diferente daqui pra frente. E o email que a NewPOP enviou para quase todo mundo menos eu nada mais é que uma grande indiretona para a pessoa que fazia o relacionamento ser abusivo: a distribuidora.

Aqui no Burajiru temos praticamente um monopólio de distribuição, com uma empresa que não se importa muito em fazer um serviço decente e justo porque… bem… é um monopólio. Boa parte do dinheiro de capa fica com a empresa de distribuição que já não é aquelas coisas, o que encarece o produto. O preço de capa de mangá não cobre apenas o valor do papel offset transparente, a licença superfaturada em dólar e o papel higiênico de folha dupla no banheiro da editora, mas também o lucro da distribuidora. Sem esse entrave, a NewPOP pode competir melhor no mercado sem precisar diminuir gramatura do papel ou aumentar preço. Romper com esse namoro abusivo com certeza foi difícil, mas uma coisa é certa: ou vai fazer bem para o nosso mercado ou vai fazer mal. Se a editora for bem sucedida, pode ser um primeiro passo para a Panini e a JBC pensarem na mesma saída. Caso contrário, todas elas ainda estarão presas à distribuição (sim, a distribuidora é poligâmica).

Vamos aguardar novos capítulos desse término de namoro, com direito a snaps da NewPOP na balada tomando Mupy com energético ao som de músicas de fossa:

EXCLUSIVO!!! Confira as camisetas dos Cavs na C&A

25 fev CAMISETAS-CAVS-mdom

Todos nós sabemos que “moda” e “otacos” só se encontram na mesma frase quando tem um “não combina” entre elas. O povinho do universo tokuanimangático é daquele tipo que acha super legal usar uma camiseta preta com um wallpaper de anime colado com uma compacta print, então é até um milagre vermos uma notícia relacionada ao mundo da moda.

E pois é. O site dos Cavs anunciou com exclusividade que a rede de roupas C&A conseguiu licenciar os Cavaleiros do Zodíaco para uma linha de roupas exclusivas destinadas ao público adulto masculino e ao público infantil (poderíamos falar que é um preconceito com mulheres, mas se trata de roupas dos cavs… a gente saiu é ganhando ao sermos esquecidas pela loja).

Eu poderia fazer uma post piada comentando “que ano é hoje pra fazer camiseta dos Cavs” ou até ir para o óbvio de dizer que a C&A foi atrás da licença apenas para oficializar o trocadilho óbvio C&A=Seiya, mas eu decidi ir atrás e passar na frente da exclusividade do Sr Cavs.

SIIIIM, entrei em contato com a loja C&A e expliquei que era uma grande fã da série, e eles ficaram tão emocionados que mandaram pra mim os modelos das camisetas. Querem ver com exclusividade???? IKIMASU!!!

Para começar, as camisetas adultas vão postar forte na nostalgia e nos memes feitos com fonte Impact, porque eles fizeram uma grande análise de mercado e perceberam que os adultos gostam apenas disso (e de GIFs de gato, mas isso não conseguiram colocar numa camiseta):

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Já as camisetas infantis vão apresentar cenas do anime para o novo público, afinal sabemos que nenhuma criança em sã consciência se submeteria a assistir ao anime sem ser coagida por um adulto nostálgico:

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Eu prevejo uma coisa: SUCESSO!!!!!!

Dicionário Ilustrado de Língua Portuguesa para Otakus – Palavra do dia: “UÉ”

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UÉ: Interjeição (ué), exprime espanto, admiração, susto. (Fonte: Houaiss)

Caso não tenha entendido, é a interjeição que você fala quando lê essa matéria do dia 1º de fevereiro afirmando que a Playarte renovou os direitos de Cavaleiros do Zodíaco para toda a série, menos os 114 episódios clássicos, e depois lê o que o site dos Cavs publicou no dia 17 de fevereiro:

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Alguém me explica?

Meu Passado Otaku – Como eram os eventos de anime no começo dos anos 2000

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Um dia eu estava na rua voltando da banca de jornal após comprar algum volume de mangá superfaturado quando um otaku com bandana do Naruto me abordou: “Mara, como que eram os eventos de anime na época que não haviam fotos digitais? Temos poucos registros disso na Internet”. Achei uma dúvida muito interessante, pois muito otaku frequentador de Anime Friends hoje em dia não faz ideia que rola evento de anime desde os anos 90 e… veja bem… pouca coisa mudou.

O meu dever jornalístico superou o medo de uma iminente rinite e desbravou fotos escondidas no fundo do meu armário ao lado de volumes de mangás que eu preferiria esquecer que comprei, como Busou Renkin. E com a ajuda de um scanner que levei menos de oito horas para fazer funcionar, trago aos leitores várias fotos mostrando como eram os eventos de anime no começo da década passada. IKIMASU se aventurar naquela época repleta de meio-tankos e animes populares na televisão.

***

Pra começar, essa é uma tomada aérea do Animecon 2002. Na época, o Animecon era o maior evento do Burajiru até ser desbancado no ano seguinte pelo surgimento do Anime Friends, que trouxe a inovação de promover shows com Artistas Internacionais. Uma década depois, Hironobu Kageyama veio tanto ao Burajiru fazer show em evento da Yamato que desconfiamos que ele mora secretamente num puxadinho na Liberdade.

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Até parecia organizado, né? É porque eles pegaram um lugar bem maior para o evento, pois houve uma explosão de público na edição anterior, o Animecon 2001. Na próxima foto podemos ver 3 coisas muito importantes que rolava em eventos da época: bagunça generalizada, cosplayers de Dragon Ball e pastel de feira custando menos de R$ 1,50:

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E quando eu disse que tinha muito cosplay de Dragon Ball eu falo a real, afinal não era incomum você achar que ia arrasar na festa com sua fantasia de Videl e encontrar lá metade do rolê com o mesmo cosplay:

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(isso sem contar nos photobombs causados pela falta de espaço para circulação)

Aliás, reconhecem quem são essas duas pessoas na próxima foto? Dica: suas vozes inspiraram personagens que até hoje recebem fanfics toscas de aspirantes a escritores. São Fábio Lucindo e Daniela Piquet! O primeiro é/era o dublador do Ash de Pokémon (e na época ele já estava dublando a terceira temporada do anime) e a segunda é a parente do Nelsinho dubladora da Sakura de Sakura Card Captors. Sim, eventos de anime apostavam em dubladores no lugar de palestras dadaístas com YouTubers:

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E como sempre games e otakus andaram juntos (afinal ambos sofriam bullying na escola), a editora Conrad já apostava em novas tecnologias ao levar o recém lançado Gamecube ao Animecon 2001. E como é difícil manter o interesse por um videogame roxo que mais parece o fogão da Barbie, eles ainda aproveitaram que não havia problematização no Facebook para botar uma Sailor Jupiter bonitona para atrair a atenção.

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Mas vamos ao ano de 2003, quando a Yamato marcou seu primeiro Anime Friends exatamente no dia do Animecon daquele ano. E o que ela trouxe de mais? Primeiro, contou com a presença de vários cosplayers que ficavam mais parados no meio da multidão que carro viajando pro litoral no feriadão:

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Também trouxeram um grande palco para apresentações e shows, com direito a som péssimo e tudo numa altura tão elevada que metade do público passava o dia seguinte enrolado em Salompas:

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Fora a invenção do Desfile Cosplay, uma área super bem iluminada para você tirar fotos dos seus personagens favoritos:

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Ah, e a presença de artistas internacionais que davam autógrafos a qualquer um, pois isso rolou antes da invenção da cobrança por meet & greet:

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Mas o Anime Friends sofreu um baque em sua segunda edição, pois o evento mudou de local e foi para o Espaço das Américas, praticamente uma quitinete escura que precisou comportar milhares de otakus em quatro dias de evento. O local era abafado e sombrio, deixando qualquer foto que você tirasse parecendo promo do novo Atividade Paranormal:

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(Sim, já tinham costosos na época)

Isso sem contar que o Anime Friends 2004 foi o primeiro evento a contar com a participação oficial da Nintendo no Burajiru, trazendo muitos jogos de Gamecube, campeonatos e assustadores personagens da empresa inflados como um boneco de posto:

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Como o espaço do evento era péssimo, começou a tradicional mania dos otakus de tirar fotos em qualquer canto. Foto na passarela do metrô Barra Funda? Sim, isso rolava!

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Foto de grupo de Final Fantasy VIII na frente de carrinhos de cachorro quente oportunistas? Sim, também rolava!

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Foto em pracinha para os cosplayers de animes flopados da Locomotion tirarem suas fotos? Claro que rolava!!!

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Fotos em grupo eram sempre um sucesso, mas a gente tá aqui para analisar o cenário. Repare nos banners anunciando Combo Rangers pela Panini e o site Anime Pró, precursor da editora NewPOP:

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E aqui temos duas coisas que muitas pessoas juram que ficaram nos anos 90, sem saber que continuam até hoje. À esquerda temos um vendedor de filmes para máquinas fotográficas, e à direita temos Sérgio Peixoto, editor de revistas especializadas e organizador de eventos que tinha um fã-clube e andava com um megafone insuportááááável:

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Na época já rolavam campeonato de Pokémon, surpreendendo você leitor que acha que o competitivo do jogo surgiu outro dia e que você é o Pika das Galáxias breedando com apps ilegais. Isso que separam os jogadores são os pré-históricos cabo game-link, e não vemos nenhuma extensão exposta porque os Game Boys funcionavam comendo pilha AA pra caralho:

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Também é curioso ver que a idade dos participantes dos campeonatos de Pokémon no começo dos anos 2000 é igual à idade mental do fandom atualmente:

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Não tenho nada para falar sobre o local ou o evento, mas adorei a cara de susto do rapaz oriental ao ver seu almoço interrompido pela aparição da vovó Kaede de Inuyasha:

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Nova novela da Globo vai misturar Grande Nação Japonesa com a Itália

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A atual safra de animes brasileiros está indo muito bem de audiência. É o caso de Eta Sekai Bom, aquele anime lúdico com a história de Candinho-kun procurando sua okaa-san que conseguiu recuperar o público do horário. Mas que anime poderia entrar no lugar dessa trama quando terminar? A Rede Globo pensou, pensou e chegou a uma decisão: VAMOS HOMENAGEAR A CULTURA DA GRANDE NAÇÃO JAPONESA!!!

O momento que todos esperávamos chegou. Rede Globo se rendeu à cultura mais rica e vai colocar a Grande Nação Japonesa em sua próxima novela, que ganhou o nome de ARIGATÔ AMORE MIO.

“Mas Mara, sua gorda noveleira, quer parar de traduzir esses nomes usando o mesmo tradutor que o ator do Chris usou pra reclamar no Instagram e falar o nome certo?”. Bem, IKIMASU ver então o que deu na coluna do Flavio Ricco, que é o equivalente ao Anime News Network da imprensa especializada em televisão:

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MAS QUE TÍTULO MARAVILHOSO, MINNA! E O QUE DIZER DESSE CONCEITO???? Na verdade, estou aqui torcendo para que aconteça que nem na última novela que prometia falar sobre a cultura da Grande Nação Japonesa. A trama era Morde & Assopra, e iria misturar tanto dinossauros quanto robôs japoneses. A novela tinha um núcleo de japas que fizeram tanto sucesso na trama que o autor decidiu desaparecer com todos eles e apostou todas as suas fichas na Flavia Alessandra interpretando uma robô careca, numa reviravolta mais impactante na cultura nacional que o final da primeira fase de Rayearth.

Só lembrando que a última integração Japão e Itália deu nesse maravilhoso anime que misturava o clichê de guerreiro oriental, o clichê de comida italiana e as estrelas dos GIFs animados da Internet:

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ESTREIA LOGO, REDE GLOBO!!!! 

PlayTV perde a paciência nas redes sociais e começa a zoar os otakus

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Se minha terapeuta não aguenta mais eu reclamando de otaku uma vez por semana, imagina as pessoas que trabalham lidando com esse público tão exigente? Enquanto Beth Kodama e Cassius Medauar escutam pedidos diários implorando Jojo e Keijo!!!!!!!!!! (título escrito pelo Site dos Cavs?), a PlayTV precisa lidar com um outro tipo de público.

Talvez você não saiba porque, né… Não pega a PlayTV no seu baixador de torrents, mas a emissora é uma das poucas que exibem animes no Burajiru. Depois de um bom histórico passando Ranma 1/2 e o tosquissimo anime de Love Hina dublado com os honoríficos japoneses, atualmente a emissora se tornou o reduto de Naruto Shippuden, Bleach e Yu-Gi-Oh!. Mas o negócio parece que deu certo, porque eles até já prometeram anunciar novas séries… O problema é que os otakus acham que anúncios oficiais funcionam com a frequência das revelações do programa do João Kléber, e aproveitam TODA POSTAGEM no Facebook da PlayTV pra perguntar dos animes.

Sério, toda postagem tem um otaquinho lá perguntando sobre estreias.

O melhor é que a pessoa por trás das redes sociais do canal aparentemente é alguém com pouca paciência, porque decidiu responder esses pedidos repetitivos usando a essência da Internet, ou seja, memes e grosserias. Tudo isso numa deliciosa esculhambação pública de otaquinhos. IKIMASU observar!

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Parabéns, PlayTV, depois dessa vocês estão até perdoados por qualquer problema com áudio baixo na programação. Afinal, se zoou otaku é automaticamente promovido a amigo do Mais de Oito Mil.

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PlayTV, a Susana Vieira das emissoras pagas

Problematizando a objetificação feminina em Nanatsu no Taizai

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Como diriam aqueles dois simpáticos limões na propaganda da Pepsi Twist, o mundo está muito chato. Imagina, não podemos nem mais fazer piadas racistas, humilhar mulheres, chochar gays que eles já surgem em bando na internet querendo uma coisa besta como “direitos iguais”. Os tempos estão mudando e muito rápido, a internet está dando voz tanto para pessoas que reclamam da qualidade de animação da Toei quanto para pessoas que estão aí lutando para que sejam tratadas com respeito, e isso tudo é maravilhoso. O próprio Mais de Oito Mil é um reflexo disso, pois passamos das críticas pré-adolescentes às fantasias de cosplayers lá pelos idos de 2009 para análises um pouco mais apuradas sobre as coisas dese universo tokuanimangático. Tudo muda, minna!

Pensando nisso, decidi criar mais uma seção fixa aqui no Mais de Oito Mil, a “Problematizando“. A ideia está longe de escrever um textão longo de Facebook que as pessoas apenas curtem ou comentam “sai sua comunista, fora PT”, o plano na verdade é fazer uma análise um pouco mais séria sobre muitos problemas que encontramos nos quadrinhos japoneses. Porque embora a Grande Nação Japonesa esteja à nossa frente no quesito educação, tecnologia e ocupação de vagas de engenharia em vestibulares brasileiros, eles ainda têm muitos problemas sociais que se refletem nos quadrinhos e animes. A ideia dessa seção é pegar um único tema sobre uma única série e conversar sobre isso, e decidi começar justamente com a objetificação feminina de Nanatsu no Taizai, algo que já comentei por cima no post dos piores mangás que li em 2015. Então vamos lá, IKIMASU problematizar.

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Para você que entrou no evento de anime agora e já quer sentar na primeira fila do desfile Cosplay, preciso contar que Nanatsu no Taizai (ou The Seven Deadly Sins, como a JBC e outros países chamam) é um mangá shonen escrito por Nakaba Suzuki, um autor que conseguiu muito sucesso misturando a ambientação das histórias medievais do Rei Arthur, um traço limpo quase sem retículas e uma história bem empolgante. “Mas Mara, sua blogueira de peso excessivo, se você deu tantas qualidades assim para o mangá, por que você o considerou como uma das piores leituras do ano?”. Simples: pelo papel que o autor submete as mulheres de sua trama.

Até onde aguentei acompanhar (li longos 7 volumes pra poder criticar isso), Nanatsu tem duas personagens femininas importantes como protagonistas, a princesa Elizabeth e a giganta Diane. E as duas têm uma relação envolvendo amor com o protagonista da série, o loirinho de 600 anos (e violentador nas horas vagas) Meliodas. Usei uma palavra pesada, né? Mas que termo eu posso usar para se referir a esses momentos?

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As apalpadas de Meliodas em Elizabeth são completamente inexplicáveis na narrativa, afinal não são importantes para a trama, não ajudam a desenvolver nenhum personagem e nem ao menos servem como alívio cômico, pois elas são tão engraçadas quanto ler reviews positivos da saga atual de Bleach (mentira, isso é bem hilário). E sabem o que é pior? A Elizabeth não gosta desse assédio nem um pouco, ela fica constrangida com a situação. “Mas é fácil, é só ela chegar para o cara e falar ‘para aê, não curti’, certo?”. Não é bem assim, migo! A posição de Elizabeth diante do abuso sexual de Meliodas é muito parecida com a de mulheres que são roçadas num ônibus e ficam com medo de chamar a atenção do violentador.

O mundo é machista sim, e isso se reflete na forma como o Nakaba conduz sua história, pois o autor deve achar apenas engraçado colocar uma mulher numa situação de objetificação. E como a Elizabeth não tem poderes de luta ou qualquer outra habilidade (pelo menos nos sete volumes iniciais), não vejo outra função para ela além de ser um brinquedo sexual na mão do personagem e do autor, que sempre arranja um jeito de colocar tanto ela quanto Diane em trajes provocantes e em situações sexualmente constrangedoras. No anime é ainda pior, porque os peitos da Diane funcionam com a mesma física que rodeia a região do busto das lutadoras de Dead or Alive por puro e desnecessário punhetismo, fora os zooms dignos do quadro da banheira do Gugu. Duvida? Então me diz qual é a necessidade desse foco no decote dela?

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Voltando para a Elizabeth… seria isso um fetiche extremo em ver uma mulher numa situação indefesa? Se esse é o caso, podemos colocar o carimbo de violentador em Meliodas sim. E olha que nem vou olhar do ponto da pedofilia, afinal teoricamente a personagem tem 16 anos enquanto seu apalpador tem mais de 600.

Mas vamos deixar um pouquinho de lado a problematização, afinal já estou vendo alguns leitores incomodadíssimos com essa “interpretação” de que Meliodas abusa sexualmente da Elizabeth só por apalpá-la de forma não consensual. Queria mostrar o seguinte print tirado de um grupo de mangás, no qual um simpático rapaz de cabeça raspada decidiu questionar um pouco o mangá. Acompanhe também o comentário logo depois:

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Curiosamente, parte do público gosta desse lado do Meliodas porque o consideram menos ~virgem~ que outros protagonistas de mangás que não assediam mulheres ou mesmo demonstram interesse nelas (COFCOFLuffyCOFCOFGokuCOFCOF). E a resposta do cidadão também vai de acordo com o pensamento enraizado na cabeça dos homens de uma sociedade machista: o Meliodas tem mais que apalpar a Elizabeth, afinal ela usa umas roupas provocantes, certo? Mas é claro que não, que lógica é essa minha gente?

Devemos lembrar que qualquer toque em seu corpo sem consentimento e que te cause constrangimento é um abuso, não importa se a Elizabeth está usando uma burca ou se ela está apenas com uma pintura corporal de esfera do dragão no peito e um tapa-sexo anti-Dilma. NENHUM TRAJE convida qualquer pessoa a apalpar a outra sem consentimento. Isso é violência sexual sim!

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Você, rapaz que está em formação tanto física quanto intelectual (ou mesmo você mais velho que deveria aprender a desconstruir alguns conceitos para viver em sociedade), vamos ao ponto principal: foram séculos de objetificação da mulher, seja em propagandas de cerveja, nos mangás harém do Akamatsu ou até em cosplayers de pernas de fora apenas para atrair público, mas devemos mudar isso já. Independente da tua roupa, se qualquer pessoa te tocar sem você querer é motivo sim para fazer barraco e reclamar com as autoridades competentes, não importa se você é uma cosplayer num evento repleto de nerd machista e babaca ou se você é uma princesa que procura sete bandidos para salvarem o seu reino de um grupo criminoso que se passa por bonzinho, o corpo é seu e só toca quem você quiser. E não compactue com esse tipo de história que mesmo sendo publicado no século XXI tem pensamentos tão retrógrados quanto esse machismo todo.

Meliodas e Nakaba Suzuki, melhorem porque tá feio.

Os melhores cosplays do Carnaval 2016

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O carnaval está acabando, galera. As pessoas beberam até cair? Sim, claro. Dançamos Ragatanga no bloquinho de rua? Talvez, é algo que pode ter acontecido.  Mas tudo isso é o que esperamos das pessoas normais, mas como fica o otaku nesse que é o maior espetáculo da Terra? Sofrendo em casa aguardando o tradicional e sempre-forçado post do Mais de Oito Mil com os melhores cosplays dos desfiles das escolas de samba do Rio e de São Paulo. Sim, porque todo mundo tem um lado otaku e nessa época do ano as celebridades deixam isso aflorar em suas fantasias minúsculas que custam mais que seis meses de aluguel em Higienópolis. Bora ver as fantasias das celebridades e dos anônimos e tentar identificar a influência otaku nelas? IKIMASU porque o tempo ruge e a Sapucaí é grande!

Carmen Mouro, da Pérola Negra, surgiu com essa belíssima fantasia de background degradê do pôster de Digimon Tri. Resultado? Escola foi rebaixada porque apostou mais na nostalgia que na evolução:

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Dani Bolina, EX-panicat e EX-Fazenda, aproveitou para fazer cosplay de vilão do EX-sucesso da Jump, Beelzebub, no desfile da Unidos de Vila Maria. EXcelente:

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Claudia Raia, a mestra das seringas ocultas, foi destaque da Nenê de Vila Matilde com essa fantasia que ela jurava ser do castelo da Elsa de Frozen, mas sabemos que é uma releitura da morte das Sailors no último capítulo da série clássica:

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Sabrina Sato, na Gaviões da Fiel, até tentou virar notinha no Site dos Cavs com sua fantasia de cavaleiro de ouro de Soul of Gold, mas a gente sabe que na verdade ela tava fantasiada de pôr-do-sol de ending de anime:

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A atriz Letícia Lima foi como uma versão periguete da deusa Atena de Cavaleiros do Zodíaco. Que sucesso está essa franquia heim?

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O que dizer de Valeska Reis, da Império de Casa Verde, que fez uma releitura do Cho de Rurouni Kenshin como parte de um viral da JBC (que economizou na gramatura para fazer essa propaganda)?

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Ana Hickmann deixou de lado o mistério de o que tem no cofre do Hoje em Dia pra homenagear a penugem do Sesshoumaru de Inuyasha em seu desfile pela Vai-Vai:

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Luana Bandeira, da Estácio de Sá, surpreendeu ao ostentar um Gyarados dourado mordendo sua cabeça:

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E a Bianca Leão da União da Ilha que homenageou a forma Super Saiyajin 3 do Goku de Dragon Ball?

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Já ganhou nosso apoio, mais do que quando o Goku fez o Jutsu da multiplicação no outro carnaval

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A Paloma Bernardi tá sumida da TV, então preferiu fazer cosplay de outra pessoa sumida da telinha, OS CAVS. Com uma longa cabeleira, ela desfilou pela Grande Rio como o Shaka de Virgem:

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Quem disse que não vou cobrir o carnaval de rua dessas pessoas que ficam cheirando a vodca no metrô lotado? Claro que vou. Essa foliã curitibana, por exemplo, foi como uma versão zumbi do Doutor Gori do antigo tokusatsu Spectreman (agora garanti um RT do Alexandre Nagado e do Marcelo Del Greco):

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Com uma roupa branca, chapéus e uma bengala, Adriane Galisteu na Portela foi a nossa representante do Studio Ghibli ao reviver o Baron de O Reino dos Gatos:

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Gracyanne Barbosa tentou até disfarçar durante seu desfile pela Portela, mas a gente sabe que a Tudona é um eterno cosplay de Kenshiro de Hokuto no Ken:

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Paula Fernandes deixou de lado suas músicas cafonas no desfile da Imperatriz Leopoldinense para derrotar umas formigas Quimera com o golpe supremo do presidente Netero:

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A Evelyn Bastos da Mangueira inventou de ir como uma versão feminina e sexy do clássico herói Tiger Mask (Se eu não ganhar um RT do Alexandre Nagado com essa aqui vai ser mais roubado que a vitória da Império de Casa Verde):

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Sabrina Sato no desfile da Vila Isabel preferiu ir como Poseidon de Cavaleiros do Zodíaco, tentando novamente virar notinha no Site dos Cavs. “Mas Mara, sua blogueira gorda e implicante, ela poderia ser qualquer cavaleiro com armadura dourada, por que justo o Poseidon?” é o que você pergunta, e eu explico que é porque ela tem um pequeno tsunami atrás dela, representando o plano absurdo de afundar a terra do jovem Julian Solo (ou então é um Pé Grande de pelo azulado encoxando a apresentadora, nunca saberemos a verdade):

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A Nicole Bahls nem tava assim tãããão parecida com o Fearow, mas ela merece aparecer no Mais de Oito Mil só porque ela é a Nicole Bahls e toda a minha base argumentativa em discussões foi adquirida assistindo às brigas dela com a Gretchen na Fazenda:

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Mas nada tira o brilho de Susana Vieira em seu desfile da Grande Rio. Aliás, ela brilhou tanto que foi praticamente o Chandelure da Sapucaí, segundo o meu amigo Leandro que me passou a cola de qual cosplay era esse:

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Esse foi o desfile de cosplays de 2016. Com o fim do Carnaval, podemos voltar às nossas vidinhas medíocres reclamando de lombada desalinhada de mangá, dublagem de Miami em animes que nem queríamos assistir e se preparar para problematizações relacionadas ao anime de Keijo. COMEÇOU 2016!!!!

Cobertura da cobertura do Expo Geek pelo programa da Fátima

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E aí, minna, como vocês tão? Pularam muito nesse fim de semana de pré-carnaval? Não se esqueçam que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu duas vezes e não pode mais ser ressuscitado pelas esferas do dragão! Mas para quem é avesso a multidões, pessoas mal vestidas e gritaria desproporcional dos blocos de carnaval, a cidade do Rio de Janeiro teve o Expo Geek, um evento com… multidões, pessoas mal vestidas e gritaria desproporcional.

Como Dudunaweb, o Snowden da blogosfera tokuanimangática, não ofereceu um sofá cama para esta blogueira viajar ao Rio de Janeiro, serei obrigada a fazer uma cobertura baseada na cobertura feita pelo programa da Fátima Bernardes, em mais um capítulo dessa vergonha alheia televisionada que é a humilhação de otakus e cosplayers ao vivo pela apresentadora que come uma lasanha congelada com garbo e elegância. IKIMASU ver o que rolou no programa.

Obviamente vocês otakus não assistem ao Encontro pelo claro motivo de não terem qualquer familiaridade com essa palavra, então eu explico: o Encontro com Fátima Bernardes é um programa multitask, ou seja, ela leva uma quatro pautas completamente destoantes e coloca todo mundo no mesmo sofá, e fica pulando de uma pra outra na esperança da audiência subir. Hoje, por exemplo, rolou matéria com otaku, com k-pop, com vazamento de vídeos de sexo por Whatsapp, com dicas de maquiagem para bloco de carnaval e notícias sobre as chuvas no Rio Grande do Sul.

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Aliás, minha veia jornalística está louca para descobrir quem é esse delicioso Capitão América que foi ao programa e está convidadíssimo para vir brincar de Vingadores aqui em casa. Enfim, o programa levou Rodrigo Andreoli ex-CQC para visitar a Expo Geek, evento que aconteceu nesse final de semana no Rio de Janeiro e que teve as primeiras palestras fillers de editoras de mangás, com anúncios requentados e que não se encaixam na cronologia das coberturas do Mais de Oito Mil.

E, afinal, o que é um evento geek? Muitos podem dizer que é um local onde há uma reunião de pessoas que apreciam a cultura geek, seja nos videogames, nos quadrinhos ou no cinema. Mas essa resposta está bem errada, porque esses anos de muito Anime Friends e Mupy de maçã nos confirmaram que um verdadeiro evento geek é…

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…um lugar em que um repórter de programa feminino conversa com alguém vestido com o sobretudo da Akatsuki enquanto é gravemente atacado por duas versões furries de Star Wars, tudo isso sob o olhar atento de uma otaca de cabelo pintado. É isso que vem quando você paga aquele alto valor do ingresso que já inclui a meia entrada pra todo mundo porque a mutretagem é algo sem limites.

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Como é de praxe, o repórter tentou perguntar aos convidados o que é ser geek, o que é anime, e a melhor resposta foi a de uma menina de cosplay. Pena que a toda golpista Rede Globo decidiu desmoralizar a explicação dela sobre o que é anime

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…ILUSTRANDO A MATÉRIA COM TRECHOS DO TOSQUÍSSIMO ANIME DE MALHAÇÃO (que fiz cobertura aqui, obrigada pelos cliques).

De volta ao palco, ficamos acompanhando Fátima Bernardes tratar do assunto “ser geek” com a naturalizade de quem nos convence que o presunto da Seara tem menos sódio do que a da concorrência. Os cosplayers começaram a explicar por que se fantasiam, e o Capitão América nos encantou com seu carisma e seu sorriso composto por 32 dentes muito bem tratados.

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Realmente, ser cosplay é algo que anima muito as pessoas. Para confirmar, vamos contar quantas pessoas estavam animadas de estarem numa segunda feira pela manhã no Projac vendo uma matéria sobre cosplayers e geeks?

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Contando com a minha cara de bunda em casa, temos exatamente 12 pessoas visivelmente felizes com o tema. E como ser otacu, geek e oriental é tudo a mesma coisa nesse grande balaio generalizador que é a televisão do Burajiru, eles aproveitaram para levar um exemplar de keipopero que roubou a atenção da apresentadora e conseguiu a antipatia dos cosplayers, pois perceberam que se tornaram apenas figurantes naquele momento.

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E essa foi a participação otaca e geek no programa da Fátima Bernardes. Deu pra ver que a cultura mais rica continua sendo maravilhosamente bem representada por pautas sazonais no Encontro e no Esquenta. Pelo menos valeu a pena ver o meu husbando, o jornalista Cauê Fabiano do G1 que está cada dia mais lindo.

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(Pode ser um gráfico tanto do IPCA quanto da nossa vergonha alheia televisionada que foi essa cobertura do Expo Geek)