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Acompanhei o palco dos YouTubers no AF e sobrevivi para contar como foi

11 jul af-youtuber-capa

De repente, dezenas de staffs de camiseta amarela correram até a ponta de um galpão e se deram as mãos como se formassem o cordão humano de trio elétrico. Só que não estamos no carnaval de Salvador durante uma iminente aparição de Claudia Leitte, e sim no Anime Friends. E aqueles staffs estavam ali com um objetivo: impedir que uma manada de jovens incontroláveis assediasse Cocielo, um dos YouTubers mais conhecidos do Brasil.

Uma variedade muito grande de pessoas teve de ser segurada pelos seguranças improvisados, e os fãs ali eram desde rapazes disputando o melhor espaço para tirar uma selfie com a celebridade passando o fundo até mesmo a grupos de garotinhas que, se tivessem nascido em outra década, estariam acampadas na fila de um show do RBD. Cocielo  logo passou vestindo uma roupa tão excessivamente colorida que nunca poderia ser reproduzida por um kit de 64 lápis de cor da Faber Castel, e foi para uma gaiola de vidro que servia de camarim para as celebridades da internet e de zoológico para seus fãs e seguidores.

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O palco dos YouTubers no Anime Friends

Há algum tempo o Anime Friends, assim como outros eventos de ~cultura pop~, começou a convidar YouTubers como atrações e o resultado parece ter agradado financeiramente em tempos de público otaku mais ausente (principal difusora dos animes, a TV aberta não vê um fenômeno na animação há quase dez anos). A aposta foi tanta que, nesse ano, o evento da Yamato disponibilizou uma estrutura enorme para ter um palco exclusivo para YouTubers. Embora a atração seja separada do resto do evento, os YouTubers são uma crítica recorrente dos otakus, ao lado das reclamações sobre preço de figures e da ausência de Jojo nas bancas do Brasil.

Uma das críticas é que os YouTubers nada têm a ver com a cultura japonesa, o que não deixa de ser verdade. Na verdade, o buraco é um pouco mais embaixo, pois não se é capaz de encontrar nem ao menos material relevante em boa parte dos que se apresentam. É preciso muito esforço para identificar algum conteúdo no palco das webcelebridades. Embora rolem apresentações como as do Tauz, um rapper que compõe e canta músicas sobre séries de anime e filmes famosos (com uma plateia acompanhando a letra em voz alta), grande parte das palestras com nada mais é que uma reunião do que há de mais boçal na internet brasileira.

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Batendo o olho rapidamente no cast da falta de conteúdo você percebe um certo padrão: os tais ~formadores de opinião~ do público jovem brasileiro são brancos, homens, na faixa dos 18 anos, classe média e têm a estranha mania de fazer careta nas fotos de divulgação na esperança de se autoafirmarem como informais. Sem qualquer informação prévia, arrisquei ficar um pouco na apresentação do tal T3ddy e foi difícil sobreviver ao vazamento de chorume.

Assim como boa parte dos YouTubers que colaram no palco, T3ddy contou com a presença de um apresentador do Anime Friends que tentava, em vão, impedir as divagações do convidado. Toda hora o YouTuber se desconcentrava com gritos e faixas da plateia, e não conseguia terminar coerentemente qualquer frase.Tentando fazer aquela atração ser minimamente relevante, o apresentador perguntou ao YouTuber o que ele achava dos pequenos seguidores. “São bem legais, mas aí eu tenho que me preocupar em não falar palavrão ou coisas pesadas” disse T3ddy alguns segundos antes de fazer uma piada de duplo sentido com o verbo “dar” com um fã menor de idade que havia o presenteado com um chapéu de palha de One Piece.

E em outro momento de completa falta de relevância, a platéia pediu para que T3ddy dançasse um funk e o pedido foi atendido quase instantaneamente quando a introdução de Bumbum Granada começou a tocar. O rapaz começou a fazer passos emulando mulheres em danças sensuais para o delírio do público que vibrava com seus movimentos, sua malemolência e suas caretas forçadas (que serviam para indicar que ele estava apenas “na zoeira”).

Como não consumo o conteúdo de YouTubers, fui procurar o canal do rapaz assim que cheguei em casa porque, né… se é pra criticar o ideal é fazer isso com propriedade. Dei de cara com o seu vídeo mais recente, no qual ele joga um date-sim de computador cujo objetivo é levar uma mulher para a cama. Nem preciso falar na quantidade de comentários ofensivos e da objetificação feminina porque isso parece parte do starter pack dos YouTubers brasileiros, assim como a já comentada necessidade de fazer careta para arrancar um sorriso do público que poderia ser diagnosticado como acéfalo.

Você acha isso engraçado?

Você acha isso engraçado?

O que faz com que essas pessoas se aventurem pelo YouTube? A resposta não é muito diferente do que leva uma Geisy Arruda ou uma mulher fruta às notinhas no Ego: fama, reconhecimento e, obviamente, dinheiro. Ter sua centena de views garantidos nos vídeos tem gerado uma boa receita para YouTubers, que chegam a aproveitar a fama para ganhar em merchandising, como garotos propagandas de comerciais cafonas de um urso acompanhando a passagem da tocha olímpica e em seus próprios empreendimentos.

A poucos metros do palco do YouTubers no Anime Friends estava o estande da loja oficial do Cocielo, aquele que comentei no começo do texto e que é um dos que conseguiram um espaço na televisão tradicional: ele faz parte do quadro Bate ou Regaça do Pânico na Band, mais um quadro de humor adolescente vindo dos cinquentões do Pânico. Seus produtos são uma extensão do tipo de conteúdo que faz: é chulo, desrespeitoso e fazem adolescentes se sentirem engraçados e inusitados com coisas bem imbecis. Observe o banner da loja e os dizeres das roupas:

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Você está se contorcendo de vontade de rir dessa camiseta muito engraçada, não é?

Sim, é um boné escrito “PUTO” e uma camiseta com o texto “Tá me olhando porque quer me dar!”, um tipo de humor digno de loja de camisetas de estâncias turísticas cheias de piadas de tio do pavê, mas vendido com uma ~carinha adolescente~.

Isso quer dizer que a matéria está demonizando a Yamato por chamar esse tipo de atração para o Anime Friends? Não. Vamos lembrar que se trata de uma empresa, não uma difusora de cultura, então fazer algo que atraia dinheiro não é algo questionável. Nem ao menos o argumento de “isso não tem nada de anime” é válido porque desde sempre eventos do gênero contaram com salas temáticas de Star Wars, Chaves e até mesmo uma área medieval com armaduras e que servia porco no rolete. Também não rola dizer que as atrações tradicionais estão morrendo, porque enquanto Tauz estava com uma platéia gigante no palco dos YouTubers, um dublador famoso que me bloqueou no Twitter juntou um público quatro vezes maior num palco bem ao lado ao mesmo tempo. Mas qual a reclamação da matéria, então?

O meu problema são os YouTubers que transformam seus vídeos em grandes odes a eles mesmos, alimentando o próprio ego e disseminando suas burrices para pessoas mais novas. Passamos de uma fase com YouTubers mais articulados como PC Siqueira para um bando de criança que só consegue se expressar através de cortes rápidos de edição e repetição de memes do Kleber Bambam na academia. Deixamos de apoiar pessoas que se esforçam para fazer conteúdo interessante para endinheirar uns paquidermes que mal conseguem terminar uma frase de forma coerente.

Na verdade, o grande medo é imaginar que as próximas gerações estão sim sendo moldadas por pessoas todas de uma mesma classe social, de uma mesma aparência, de uma mesma mentalidade limitada e, principalmente, pelo mesmo tipo de humor que acha engraçado usar palavras como “puto” numa peça de roupa.

***

(E como o Mais de Oito Mil é um blog de tranqueiras japonesas, acho justo citar pelo menos um punhado de YouTubers otacos que, ao menos, não fazem seus canais serem uma autopunhetação de suas imagens e têm algum conteúdo. Posso falar, por exemplo, do velho-mas-ainda-eficiente Video Quest, do canal do Capitão Onigiri, do Canal da Haru e do podcast Mangá AoQuadrado que não é vídeo mas vale a pena conferir mesmo assim)

Post sério sobre os acontecimentos dos últimos dias

28 maio nanatsu-problematizar-capa

Oi, pessoal. É hora de uma publicação um pouco séria aqui no Mais de Oito Mil. Acredito que todos nós estamos chocados com o estupro coletivo sofrido por uma adolescente lá no Rio de Janeiro, e também acredito que todo mundo já viu trocentos textos sobre o assunto. Além de se chocar com o ocorrido, devemos sim discutir sobre a cultura do estupro que envolve desde essa coisa machista de sexualização de moças mais jovens (chamadas de “novinhas”) até mesmo humoristas que acham ~graça~ dizendo que um rapaz que transa com uma mulher bêbada é um gênio.

E sim, esse assunto tem muito a ver com os animes e mangás porque há muita cultura de estupro nas séries. MUITA. Objetificação feminina então… nossa… dá nem pra contar numa lista de Top 50. Há alguns meses publiquei essa matéria sobre a objetificação da Elizabeth em Nanatsu no Taizai (The Seven Deadly Sins) e fui muito criticada por leitores acéfalos que diziam que eu estava dizendo que os animes deveriam ser censurados, ou mesmo quem dizia que é apenas um desenho, as pessoas não imitariam.

Será mesmo? Será que o Meliodas passando a mão na Elizabeth e isso sendo tratado como piada pelo autor não torna essa situação algo cômico, em vez de algo trágico? Quantas cosplayers não foram vítimas de assédio em eventos de anime por homens que não sabem respeitar o limite do corpo da mulher? Recentemente um ~humorista~ do Pânico na Band lambeu uma cosplayer na CCXP porque achou que seria algo engraçado. Provavelmente, tão engraçado quanto o Meliodas apalpando a Elizabeth.

Eu tenho apenas um pedido para fazer a você leitor do Mais de Oito Mil: clique aqui e leia novamente a matéria problematizando Nanatsu no Taizai. Depois leia os comentários. Tente refletir se a forma como você pensa não é opressiva às mulheres. Pense um pouco se isso é algo ~engraçado~. Não espero que você chegue nos comentários e diga “nossa, eu não tinha pensado nisso, acho que você está certa”, só quero que você reflita. Não quero que você leitor seja uma pessoa impecável sempre (ninguém é, outro dia mesmo eu fiz uma piada muito infeliz no Twitter e depois pedi desculpas por ela), só quero que pense.

Não acho que seja necessário eu pedir desculpa a você leitor por ter uma matéria séria aqui no site, mas acontece que tem momentos em que não há clima algum para fazer graça.

Está tudo tão estranho no mundo dos mangás, não é à toa

21 jun

Um relato de um puzuru (“puzzle” em nihongo) que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo valer cada palavra. Eu não ia postar esse texto na internet. Preferia postar no Facebook ou qualquer outra rede social que seria melhor divulgada, mas preferi por aqui em busca dos likes e shares dos leitores.

***

Hoje é dia 21 de junho de 2013. Há mais ou menos uma semana, o caos foi instaurado no mundo dos mangás durante uma manifestação feita na Liberdade em busca de redução no aumento dos preços de capa. Éramos poucos, mas fomos hostilizados por staffs truculentos que nos arremessaram bombas ninjas de Naruto.

A imprensa especializada que cobria este evento também foi golpeada de maneira cruel, então ela passou a nos apoiar na causa. Foi marcado um novo ato para alguns dias depois, e o que se viu foi uma grande mobilização na mídia. Sites como a Henshin ou o Chuva de Nanquim, que antes nos chamavam apenas de “virgens sem causa”, agora estavam conosco. Anúncios alertando o evento foram publicados na revista Anime Do, e até mesmo a Mundo dos Super Heróis saiu do fandom coxinha para divulgar nossa causa.

Foi uma coisa linda, centenas de otakus andando pela Liba com suas toucas e plaquinhas, porém os protestos mudaram um pouco o tom. Os protestos contra os aumentos dos mangás estavam abafados por críticas às transparências, aos glossários e à falta de honoríficos nos quadrinhos da JBC. Algumas pessoas levaram bandeiras de editoras, mas foram oprimidas por otakus extremistas dizendo que queriam o bem do mangá sem defender nenhuma delas. Achei estranho, porque não há problema algum em levar bandeira de editoras.

E achei estranho também que o trajeto da manifestação estava diferente: ao invés de andarmos na Liba como algo simbólico, afinal fomos expulsos de lá dias antes, havia um grupo que rumou para a frente do prédio da Panini, e muitos começaram a xingar a editora.

Isso me lembrou alguns eventos de protestos falsos que surgiram pela internet.Um deles, olha que absurdo, seria realizado na frente da Panini com todo mundo vestido de roxo (cor que simboliza a morte na Grande Nação Japonesa) e cantando Cha-La Head Cha-La em japonês.

Senti um embrulho no estômago, e não era o temaki superfaturado que comi no Yoi. Nossa causa havia sido completamente tomada por pessoas que nem sabiam o que estavam fazendo ali. Estavam como boçais andando em um evento de anime, como se aquilo fosse uma festa, não um protesto.

Na última manifestação, no entanto, coisas muito estranhas começaram a acontecer. Durante a caminhada eu percebi fogo, e lá eu vi… era uma pilha de mangás queimando! Todos tinham uma coisa em comum: eram todos em formato oriental de leitura. Tal atitude dramática só significa uma coisa pra mim, estudiosa de quadrinhos que acompanho isso há tempos. Significa o retorno perigoso dos mangás em leitura ocidental.

Durante muito tempo vivemos com essas atrocidades antidemocráticas, mas após muita luta conseguimos nos livrar deles graças à abertura da nossa sociedade aos mangás em leitura oriental. Às vezes a leitura ocidental surgia como um fantasma, mas sabíamos que estava tudo Entei porque havia um grande numero de tankos em sentido original.

Porém, meus leitores, essas pequenas características que apontei neste longo texto só significam uma coisa: OS MANGÁS COM LEITURA OCIDENTAL VÃO VOLTAR. O período negro dos nossos quadrinhos está se preparando um golpe para voltar, como podemos perceber através de manchetes sensacionalistas que tirei de sites da imprensa especializada:

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Toda essa falta de foco, falta de ação dos staffs e o surgimento de manifestantes fantasiados de Tuxedo Mask só me indicam que os mangás com leitura ocidentais estão tramando um retorno maléfico ao Brasil. Outra prova é a publicação de Kingdom Hearts pela Abril. Quem precisa de mais provas, não é mesmo? Só pode ser um apocalíptico golpe.

Claro que eu poderia falar que isso não vai dar em nada porque temos a opção de simplesmente não comprar mangás em leitura ocidental. Mas, como conhecedora da História e sensacionalista de carteirinha que sou, tenho que te assustar dizendo que a história é um ciclo fixo e você não pode fazer NADA para evitar algo que está escrito no destino.

Nem adianta falar que o contexto que vivemos hoje é completamente diferente daquele tempo sombrio, que temos uma educação (só um pouquinho) melhor para não repetir os erros do passado ou que muita gente está transformando um período que sempre tentou (sem sucesso) retornar em uma história de terror só pra ganhar umas compartilhadas porque uma coisa é certa:

É UM GOLPE E A DITADURA DA LEITURA NO SENTIDO OCIDENTAL VIRÁ!

 

TENHAM MEDO.

 

Ah… e compartilhem, por favor.

O meu problema com o Love Hina da JBC

5 maio

Oi, minna, tudo bem? Vou dar uma pausa nesses dias sem post para voltar com um artigo opinativo, que kuso né? Tudo começou com a segunda maior decepção do meu namoro que foi quando meu kareshi querido comprou a republicação de Love Requentina da JBC (a primeira decepção foi quando começamos a namorar e ele usava um wallpaper do Sasuke para representar a subjetividade adolescente dele). Resultado: quase terminei o namoro com ele.

“Mas Mara, sua blogueira que ainda deve a matéria do K-Pop no Gilberto Barros, por que essa republicação te incomoda tanto? Você teve algum ex que era igual ao Keitarô-kun?”

SOME DAQUI! SAI DO MEU PROGRAMA!!! EU NÃO ADMITO ALGUÉM QUE USA OS COMPLEXOS E INTRADUZÍVEIS HONORÍFICOS JAPONESES!!! NÃO QUERO MAIS VER A TUA CARA!!! BAIXARIA É VOCÊ!!! MACHO TEM PRA TODA HORA!!!

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Desculpa, minna, eu me exaltei. Mas, então, meu problema com o Love Hina é o que ele representa para o mercado de mangás. Acompanhem meu raciocínio. Quais são os motivos alegados para a JBC lançar o mangá de Love Hina? Vamos enumerar abaixo os motivos:

1- Foi um dos primeiros mangás da editora e alguns volumes são mais raros de se encontrar que notícias sobre a saúde da Ai Yazawa.

2- É muito querido pelos otakinhos, porque foi um dos primeiros animes a ser legendado e distribuído pela interwebs.

3- Tem mulheres gostosas se prestando a poses comprometedoras, fruto de uma mente doentia.

Todos esses motivos justificam uma boa venda, então a editora está certa de publicar Love Hina. Devemos lembrar que a JBC não é casa de caridade, e busca o lucro acima de tudo. O que eu vejo de errado é um detalhe bem simples: a editora está publicando isso porque não tem mais nada de relevante para publicar.

O mercado de mangás do Burajiru é movido a shonens. Isso vem desde os primeiros lançamentos dessa nova fase dos mangás, com Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco. E quem é que tem os shonens mais relevantes do mundo? A Shonen Jump. E quem publica mais shonens da Shueisha? A Panini. Alguns shojos até surpreendem, mas são minoria.

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Não adianta a JBC se revirar, os mais importantes shonens estão na concorrência. Seja por ter pacto com o Dabura ou por ter diversas maletas cheias de barras de ouro que valem mais que dinheiro, a Panini atualmente publica todos os medalhões: One Piece of Shit, <3 Dragon Ball <3, Naruto, Blixo, Torikocô etc… enquanto a JBC tenta convencer que está viva lançando mangás curtos (como Another e Level E) e outros que têm tanto apelo para o público geral quanto um workshop de Ikebana (estou falando de Genshiken mesmo).

A solução encontrada pela editora foi apostar em uma coisa mais forte que lançar um mangá de qualidade: o NOSTALGISMO. Não sei se vocês convivem com pessoas normais não-otakas, mas conheço muita gente que começou a comprar o relançamento de Sakura porque comprou no começo dos anos 2000.

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Ao invés de RENOVAR o público (algo que é complicado demais, convenhamos), a JBC preferiu oferecer algo ao pessoal que largou o mangá por algum motivo e não tem a menor garantia de voltar a esse mundo. Afinal, essas pessoas estão comprando porque gostavam de Sakura, e não por gostar de ler mangá.  E os relançamentos continuam. Veio Samurai X, veio Love Hina, veio Death Note (esse é um outro caso já), virá Yu Yu Hakusho etc…

O meu medo é que o já deficiente mercado de mangá entre na vibe dos relançamentos. Algum leitor espertão pode falar que nos EUA eles costumam relançar muita coisa, mas comparar o nosso mercado ao deles é o mesmo que comparar Ades Maçã com Mupy de uva.

Lembro, por exemplo, de uma famosa empresa da cultura mais rica que fez muito sucesso no passado, aí nunca mais conseguiu emplacar nada e hoje em dia vive apenas de seu passado.

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JBC, cuidado para não ficar cega.

Algumas palavras sobre o caso Minami Minegishi

2 fev

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Olá, pessoal. Desculpa se você veio aqui esperando um post de humor hoje, infelizmente isso vai ficar para a próxima. Eu entendo que aqui é lugar de zoeira, mas esse assunto me deixou realmente muito incomodada.

Talvez vocês tenham lido a matéria da Folha de São Paulo sobre a cantora japonesa Minami Minegishi. Caso você nem saiba o que houve, foi o seguinte: por ter sido flagrada saindo do apartamento de um homem (o que insinua que tiveram uma relação sexual), a cantora raspou a cabeça como autopunição. As idols japonesas costumam ser proibidas de manter relações, tendo que se manterem castas para agradar aquela minoria acéfala de japoneses doentes e sem vida social.

Estou sendo muito dura com as palavras? Eu não acho, a sociedade japonesa já está doente há muito tempo. A prova disso é que a menina está sendo acusada pelos fãs por “expor o Japão ao ridículo”. O Japão já está ridículo há muito tempo, caso não tenham notado.

Basta ver a lista de animes anunciados em cada temporada: o número de séries moe está ocupando um espaço que já foi de séries mais criativas. Nem estou falando nostalgicamente, porque é muito fácil eu defender a década de 1990 ou 1980, mas o mercado de animes está rumando a um buraco. Enquanto os japoneses continuarem alimentando essa doença com animes de moe etc, o mercado de animação do país vai continuar se fechando para a exportação.

Basta ver que temos, no geral, apenas três animes exibidos sem regularidade no Brasil: Pokémon, Dragon Ball e Cavaleiros. E NENHUM deles está no ar por ser anime, e sim por serem séries de animação competente. O “anime” em si perdeu o prestígio porque não soube se adaptar à universalidade, preferiu se fechar. Enquanto um coreano Gangnam Style consegue fazer sucesso mundial, os japoneses preferem criar seus produtos que alimentariam, no máximo, uma seção de bizarrices em programas de variedades.

A Minami tem uma parcela pequena da culpa (por, de certa forma, se submeter aos rigorosos contratos dos grupos musicais de Idols), mas ela é a vítima dessa história, refém de uma sociedade inteira que alimenta uma parcela hipócrita da população.

Podem achar que eu falei um monte de merda, mas eu acho muito sério quando uma mulher precisa se autopunir para conseguir “perdão” de uma sociedade escrota que exige que mulheres não possam ter relacionamentos para manter uma castidade.

 

Caso queiram ler mais sobre essa história, recomendo o post da Sandra Monte e este excelente escrito pela Valéria Fernandes.

Desabafo sobre a dublagem de CdZ Ômega

10 dez

Vou falar uma coisa na lata, e não me importo com o que acontecer. Eu acho um ABSURDO isso que tá rolando a respeito da dublagem de Cavaleiros do Zodíaco Ômega. A série já não é aquelas coisas, e fica sofrendo por causa de implicância entre dublador e estúdio… faz favor, né?

Para quem não tá sabendo, o dublador do Seiya, que deve achar que tem o rei na barriga, decidiu não fazer mais o papel no anime novo. Nem quis saber nada, apenas mandou beijos para os fãs e falou que não vai fazer nem fodendo.

Mas tudo tem um interesse por trás, e isso tem a ver porque a Toei não quis gravar no estudiozinho dele. Conveniente, né? Agora milhares de fãs não vão poder acompanhar por uma pura birra. Claro que o dinheiro é importante, mas é muita coincidência que o valor não agrada quando a Toei decide gravar em um estúdio que não é o seu, né?

Por essas e outras vou falar com todas as letras o nome dessa pessoa que fará os fãs terem que agüentar um anime ruim sem a voz clássica do seu personagem:

seiyajesus

Jesus Barrero, achei essa sua atitude de não querer dublar o Seiya no Ômega na dublagem latina muito idiota e mesquinha. #PRONTOFALEI

Perguntinha rápida que ninguém sabe responder

13 out

Deu no site da Newpop:

Então os autores de Tarot Café e Chuchu Chonchu vão vir para o Brasil? Então é a hora de perguntar uma coisa que me inquieta.

Tirando o Tezuka e aquela autora do Cinderalla, será que ninguém dos eventos do Brasil… sei lá, né… chegou a pensar na possibilidade de… não sei, trazer um autor de mangá japonês para o país ao invés de fazer o Kageyama se transformar no prefeito do Anime Friends no Foursquare de tanto que ele vem pra cá?

Alguém pode me responder isso?

Ah… ok….

“Crunchyroll Brasil”, o último capítulo da série chamada “Mercado Nacional de Animes”

29 ago

Você, otaku criado a leite de pêra e mangás com glossários, não deve saber, mas há muitos anos existia uma série que todo mundo via, se chamava “Mercado Nacional de Animes”. Ela era bem popular, mas por diversos fatores ela foi perdendo audiência com o passar dos tempos.

Quando todo mundo achou que a série tinha acabado, surgiu o anúncio do último episódio:

Eu podia vir aqui, roubar, matar falar qualquer outra piadinha sobre o caso, mas não farei isso. Vamos falar sério.  Independente de o serviço ser bom ou da empresa conseguir trabalhar profissionalmente, eu quero saber se vocês estão sabendo que esta vai ser a última chance para os animes no Brasil, não é?

Porque, ao contrário do que toda a imprensa especializada diz nas primeiras impressões escritas a panos quentes, as temporadas de animes estão cada vez piores. Temos apenas o Cult e as séries com meninas moe feitas para incentivar a masturbação de pessoas com sérios problemas de sociabilidade. Além deste declínio dos desenhos japoneses, os americanos acertaram o ponto da receita e passaram a fazer animações mais interessantes. Legend of Korra manda um beijo e uma sapucada na cara de qualquer requentamento produzido pela Toei.

E mesmo se o mercado japonês produzisse uma série interessantíssima para se trabalhar no mercado nacional, ela encararia um problema sério: o pessoal que licencia estas séries. Porque vivemos no país da incompetência mercadológica e do amadorismo, que acredita realmente no êxito de animes decanos em horários tapa-buraco de emissoras pequenas. Se falarmos de DVD então a coisa fica pior, porque se até uma blogueira de um blog de quinta categoria como este consegue prever o fracasso comercial de um determinado item e você não, sugiro que demita sua consultoria.

O Crunchyroll Brasil é aquilo que chamamos de “o que tem pra hoje”. Não é o bastante para popularizar novamente os animes no Brasil, nem adianta acreditar. Mas acredito ser o bastante para evitar a debandada que tá rolando neste pequeno nicho que todos vocês estão.

Tem chances de dar errado? Muitas! A começar por amadorismos que acontecem por trás das coisas. Mas tem uma chance de sair algo agradável.

Este é o último capítulo da série “Mercado Nacional de Animes”. Cabe a você decidir se esta série vai ser daquelas que o final é uma merda ou se será algo memorável e todo mundo vai guardar no coração e nas lembranças.

E não, essa série NÃO tem chance alguma de ganhar uma nova temporada.


Então vamos acompanhando outra série que tá na reta final: “Mercado Nacional de Mangás

You Are My Friend Awards – O prêmio HQMix

9 set

Estou aqui postando com o meu vestido de noite, tomando um vinhozinho num copo de requeijão e guardando quitutes na minha bolsa. E tudo porque saiu os premiados do prêmio HQMix, o prêmio que é mais tradicional que reclamação de papel vagabundo nos mangás do Burajiru.

Para quem não sabe, o prêmio HQMix é um prêmio feito em ouro (tô mentindo, nem sei se isso é verdade) e é dado para os melhores do Burajiru, sejam eles editoras, editores, escritores, desenhistas. Infelizmente, o prêmio de melhor porteiro de editora vai ficar para outra ocasião, lamento Seu Zé.

E o resultado dos premiados saiu uma semana antes… para que os vencedores compareçam ao evento e que quem não ganhou não precisar caprichar no carão quando o Serginho Groisman falar que aquele cara que ganhou 16 vezes é o campeão desse ano.

Segundo o UniversoHQ, “Participam da votação desenhistas, roteiristas, professores, editores, pesquisadores e jornalistas de todo o Brasil.”. E para isso eu indico o meu “Troféu Nada Contra Acho Ótimo” (que é uma Leila Lopes de luvas e chapéu toda banhada em ouro), porque nada contra esses grandes especialistas de quadrinhos do Burajiru escolherem os vencedores, mas será que isso é o melhor a ser feito para escolher o melhor?

Pensem bem, o mercado de quadrinhos do Burajiru é composto de uns 80% do Maurício de Sousa, 9% de mangá, 9% de comics e uns 2% do de coisas Cult e experimentais (rezando para a soma ter dado 100%). Obviamente esses números eu tirei do rabo, porque não tem nenhuma pesquisa que comprova isso, mas é a impressão que eu tenho. Se alguém tiver números reais, joga na roda.

A questão é que, assim que saiu a lista, muita gente da imprensa especializada (pffff) reclamou dos indicados. Não estou acusando ninguém, mas é meio suspeito que muitos dos “amigos” dos jurados sempre ganhem a mesma premiação.

Como o dono daquele Chuva de Nanquim maldito que sempre está melhor de audiência que eu, como assim o UniversoHQ ganha como melhor mídia de quadrinhos se o Omelete, por exemplo, tem programa semanal de TV, podcast etc? O UHQ não tem nem RSS, como faz com isso, gente??? Só rindo.

Não vou reclamar de categorias como “Melhor Desenhista Nacional” e essas coisas porque não sou Cult para comprar esses quadrinhos brasileiros de quarenta reais e muito menos tenho dinheiro para isso, então não posso avaliar. Mas na categoria que envolve editoras e produção estrangeira, é até feio que nenhum mangá apareça nos vencedores.

Falei com o Alexandre Nagado (que é quem me inspirou para fazer esse post) e ele disse que os eleitores não devem acompanhar muito mangá, por isso não participam da premiação. Olha, me desculpa, mas se eu fosse escolhida eleitora de qualquer premiação do gênero, eu tentaria acompanhar o máximo de coisas que fosse possível, e não apenas o que eu gosto. Porque o que parece é que esses jurados, que provavelmente cresceram na época dos quadrinhos de heróis, possuem aquele preconceito básico com o mangá. Tivemos mangás fantásticos lançados esse ano no Burajiru (e também tivemos Fairy Tail), e nenhum é nem indicado para as categorias que envolvem publicações estrangeiras.

Eu acho que não adianta realizar um evento no SESC, chamar o Serginho Groisman para apresentar e fazer um troféu que parece feito de barras de ouro que valem mais que dinheiro. Dar credibilidade na estética não vai fazer sumir da cabeça do público que o maior problema está no corpo de jurados com suas mentes focadas em apenas o que conhecem.

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Pedaço de Constrangimento fazendo um brinde

4 set

Oi, minna! Se você não tomou a sua dose de necessidade de autoafirmação do dia, vamos ver o que um grupo de cosplayers fez nos EUA:

A primeira coisa que vemos é que eles conseguem fazer vídeos melhores que o TKJ eles são todos habitués de eventos americanos e que possuem fantasias bem feitas.

Eu só acho que sinto um pouco de falta daquela época daquele cosplay arte, daquele cosplay moleque, em que as pessoas faziam suas fantasias para se divertir em eventos, e não usando uma apresentação cosplay como uma maneira de exibir suas habilidades como ator e/ou cantor que a pessoa não conseguiu na sua vida frustrada nos palcos.

Acho que precisamos de mais apresentações de lutas de Naruto que de cosplayers de O Fantasma da Ópera nos entediando em suas apresentações artísticas e poéticzzzzzzzzzzzz…

 (Dica do leitor @GustavoSyaoran)

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