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A “EGOtização” das pautas de anime nos grandes sites

18 abr

Ontem foi um dia muito triste para o jornalismo, afinal a Globo anunciou o fechamento do site EGO. Conhecido como uma grande ironia das notícias de celebridades que podia ou não ser considerado sério, o fim do EGO levou fãs das subcelebridades às lágrimas e serviu como lenha para o pessoal inteligentão se autoafirmar superior. Inclusive vi muito otaco aí falando “affe já vai tarde, quem fica acompanhando esses sites que vivem de clickbait e resuminhos de novelas?“. Mas o que é a vida se não uma grande ironia, afinal os grandes sites da imprensa nerd TAMBÉM adotaram o EGO Way of Life para render suas pautas.

Não, hoje não vou falar mal da nossa querida blogosfera otaka que faz posts de primeiras impressões e se aprofunda em temas pedantes de animes da temporada, quero falar é dos grandes. Afinal, eles que contam com grandes equipes, investimentos e dinheiro de publicidade precisam de cliques a qualquer custo, e todos eles descobriram que as notícias de anime no formato EGO ajudam (e muito) a manter esses grandes conglomerados editoriais.

IKIMASU olhar a capa do Uol Jogos na manhã de hoje para entender melhor o que tô falando:

Observe que a menor parte do grid é justamente sobre jogos, com uma notícia sobre o Resident Evil 8. Metade é ocupada por Tamagochi (que cumpre a cota Nostalgia da imprensa) e as outras notícias são todas sobre Dragon Ball. Inclusive podemos falar que Dragon Ball Super ativou o lado Minha Novela dos sites ~geek~ porque eles começaram a investir pesadamente em resumos do capítulo da semana anunciado na base de muito clickbait, como podemos ver abaixo nessa coletânea de chamadas do próprio Uol Jogos e do também grande IGN Brasil:

Com muitas exclamações e títulos vagos, os grandes sites parecem ter encontrado na editoria Dragon Ball uma fonte de cliques fáceis em matérias repletas de erros de informações e gírias duvidosas (“mandar o papo”???). Na verdade, outros animes como Ataque dos Titãs saíram da esfera do nicho e ganharam cobertura especializada do IGN Brasil, tendo mais destaque na capa do site que a tal carta escondida se explicando sobre o plágio que rolou numa matéria de Zelda:

Mas se você pensa que clickbaits são exclusividade dos meios de comunicações atuais, está enganadíssimo. Não que isso seja um fenômeno recente, afinal a imprensa nerd sempre se valeu das estratégias da nossa indústria das celebridades. Nos anos 2000, por exemplo, acompanhamos a proliferação de revistas sobre anime e mangá nas bancas com excesso de matérias de capa sobre Dragon Ball Z ou Naruto.

Inclusive, podemos até dizer que a revista Ultrajovem com DBZ era como a Tititi com a novela das nove, porque acompanhávamos resuminhos quinzenais do que aconteceria no anime e nos filmes animados. Havia até uma edição especial da AnimeDO que trazia resumos dos mangás de Dragon Ball e Ranma 1/2 numa época que não tínhamos os mangás por aqui.

Nem mesmo a Herói nos anos 90 escapava das notinhas de famosos, porque a revista tinha um quê de CARAS ao conter entrevistas e matérias sobre o dia a dia das celebridades que os otacos tinham: os dubladores de Cavaleiros do Zodíaco. Como as pessoas relacionadas aos animes eram todas japonesas e não havia contato fácil com o outro lado do mundo, surgiu a ideia de glamourizar os dubladores de animes e assim eles foram ganhando popularidade graças a matérias do Marcelo Del Greco.

E como Marcelinho dá risada na cara do limite, ele foi ainda mais além quando editava a Henshin e fez essa MARAVILHOSA revista com os dubladores vestidos de cosplays cafoníssimos de seus personagens:

O que exatamente quis mostrar com esse panorama das chamadas de matérias aqui no Mais de Oito Mil? Bem… nada de mais. Apenas queria apontar como os sites atuais estão investindo muito em risíveis matérias da editoria Otakices, mesmo sem claramente saber o que falar sobre o assunto, e que as pautas no estilo EGO continuam vivas mesmo com a morte do site.

É apenas questão de tempo até vermos um “Akira Toriyama compra baguete na padaria” ou “Naruto estaciona carro no Leblon“.

O Grande Guia dos Tipos de Leitores de Mangás do Brasil

20 fev

Muitas pessoas pensam que o Mais de Oito Mil é apenas um local para ficar chochando o mercado otaku do Burajiru, mas a função deste site é servir quase como um espírito do tempo que mostra o verdadeiro otaco da atualidade. Como parte dessa grande missão que Kami-Sama me designou, fiz uma grande investigação para descobrir quem são os leitores de mangás do Burajiru agora em 2017. IKIMASU ver em quais tipos vocês se encaixam?

O Incentivador do Mercado Nacional

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Tipo de leitor que existe desde o começo da implantação dos mangás no Brasil. Como o mercado era pequeno, havia um pensamento de que os leitores deviam comprar qualquer tranqueira lançada apenas para incentivar o mercado. Hoje em dia, mesmo com o mercado ~consolidado~, ainda temos gente endinheirada ou sem senso crítico que quer apenas ajudar para que venha mais coisa.

O Lombadeiro

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Mais preocupado com estética que com o conteúdo, o Lombadeiro passa horas na banca de jornal procurando o mangá mais alinhado segundo as condições naturais de temperatura e pressão já imaginando como ele ficará na estante. Não tem taanta vontade assim de ler, mas sente um prazer quase sexual de postar foto de estante de mangá com tudo uniforme.

O Sommelier de Papel

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Leitor especialista que emergiu em 2014 durante a crise do papel das editoras. Com poucos cliques no Google tornou-se um entendido no mundo editorial, capaz de perceber qual a gramatura do papel apenas olhando o quanto da página anterior aparece na transparência. Compartilha alguns fetiches com o Lombadeiro, como o fato de comprar saquinhos plásticos para proteger o papel e deixar sua estante com cara do estoque da Comix.

O Acionista de Editora

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Para os Acionistas de Editora não importa o formato, o preço, o mangá ou mesmo se a história é interessante, tendo o selo de alguma editora já é o bastante para comprar um título e se horrorizar com os da editora “rival”. Atualmente os Acionistas que mais se destacam são os Panini Lovers e os JBCzeiros, que podem ser facilmente identificados em grupos de mangás com comentários do tipo “Anúncio da Panini em formato XXX? É cofre!” ou “Cassius Mitauar”. Cuidado: eles surtam se você os classifica como fanboys de editoras.

O Casual

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O leitor casual não participa de grupos, não liga muito para o formato e apenas se preocupa com a qualidade da história e com o preço. Considera mangá apenas como um entretenimento, e faz uma leitura bem descontraída do material (normalmente nem lendo as legendas das onomatopeias).

O Entusiasta de Brindes

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Acostumado a comprar a revista Recreio na infância e os chocolates Kinder Ovo, o Entusiasta de Brindes é bem mais preocupado com os extras que com o mangá em si. Chega a comprar volumes de mangás que nem ao menos acompanha para ter aqueles brindes exclusivos como adesivos e marca páginas. E se o mangá foi lançado nas bancas com dois brindes diferentes, compra duas vezes porque sim.

O Cotejador

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Por ter feito alguns semestres de japonês na Aliança, o Cotejador se julga o entendido da bilinguaridade e faz questão de comparar a tradução das editoras com o original, apontando ~erros absurdos~. Há também o Cotejador poser que compara apenas com scanlations do idioma que conhece.

O Não-Fã (atualmente em extinção)

O Não-Fã é o leitor que via o anime na TV e comprava os quadrinhos. Se confunde com otakices desnecessárias dos mangás, como a utilização de honoríficos -chan -kun -san, não segue editora alguma no Facebook e precisa ser conquistado fora do nicho que as editoras atuam. Poderia ser a solução para vendas baixas, mas nenhuma editora está muito interessada em transformar um leitor ocasional num leitor habitual de mangás.

JBC, Panini e Newpop: como o leitor de mangá pode sobreviver à crise econômica?

10 jun

E aí, minna. Com esse título até parece que o Mais de Oito Mil abandonou o fino da cafonagem para se transformar em mais site que faz texto pedante na imprensa especializada (pff), né? Não se preocupem, não vim aqui fazer análise semanal de anime ruim cultuado porque cês sabem que não aguento nem 6 capítulos. Vou falar é da atual crise econômica do Burajiru e como ela afeta esses gibis japoneses que você compra.

Se você não é um otakinho sustentado pela okaasan, deve ter percebido que tudo está complicado no país. Falta água em muitos cantos, a energia elétrica está mais cara que o Vagabond da Nova Sampa e o dólar está mais instável e descontrolado que dublador com ego ferido. E claro que tudo isso afeta as editoras de mangá, que negociam com os japas reclamões de capas em dólar. Resultado: o preço dos mangás subiram.

Sinto te informar, leitor que usa avatar do Meliodas no Facebook para ninguém notar que tem 13 anos (de idade física e mental), mas o preço dos mangás sempre subiu. Os primeiros da Conrad custavam 3,90 e os da JBC saíam por 2,90, mas os tempos eram outros: o custo era mais barato para se produzir, era tudo meio tanko e vendia pra cacete por causa que tinha os animes passando na TV.

Com a recente crise econômica, surgida graças a escândalos políticos e muitos outros fatores que não manjo por ser de humanas, o que cada editora fez para garantir as publicações? Vamos ver uma por uma!

Newpop

O que esperar da editora que tem aquela periodicidade tão particular que tanto já implicamos no passado, não é mesmo? Bem, aparentemente a Newpop ligou o foda-se para periodicidade e lança as coisas quando ficam prontas, normalmente perto de eventos. Nesse caso não tem muito que falar: os mangás continuam com a mesma qualidade boa de antes, e sofreram um reajuste de cerca de dois reais. No fundo é uma economia, porque você deve ter comprado só um mangá de Madoka e está achando que até hoje tá saindo o mesmo volume quando na verdade é tudo spin-of.

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JBC

Em 2012 toda a imprensa especializada (pff) se juntou para crucificar a JBC. E por que eu tô falando na terceira pessoa como se euzinha não tivesse feito posts maravilhosos mostrando como Kobato saiu com uma gramatura tão ruim que era possível ver 3 páginas adiantes nas transparências?

Segundo um Henshin Online publicado em 8 de maio (caso você não saiba o que é isso, é um vídeo esporádico que assistimos para ver o cabelo do Cássius Medauar assumir formas diferentes a cada gravação… e para ouvir ele falando de formatos bacanudos), a JBC fez um pequeno reajuste de 1 real nos títulos em hiato. Já alguns mangás serão lançados em formatos que exploram o nosso bolso mesmo, como Zetman a salgados 17,90 do tamanho de Sailor Moon. E pela enésima vez: precisa lançar tanta coisa mensal assim?

cassius-print

No entanto, a qualidade dos mangás da JBC deu uma caída de leve. Estou falando por experiência própria, pois ultimamente meus dedos têm ficado bem escuros após ler o mangá. Mas, nesse caso, pode ser culpa da gráfica que reduziu a qualidade da tinta, pode ser culpa do Cássius e até mesmo pode ser culpa do Kitsune, que fez com que todo mundo parasse de falar da crise para falar de seu novo corte de cabelo.

Panini

Agora que o assunto fica pesado. Panini é a maior editora de mangás aqui do Burajiru graças à competência e à maleta cheia de dinheiro infinito para comprar licença de todos os mangás que fazem sucesso (deixando coisas como um treco chamado “Feridas” para a JBC), mas é a editora que mais decepciona em campos como “papo com o consumidor”. tanto que os aumentos foram noticiados pelo site Liga HQ, e não pela própria.

Assim como no caso da JBC, a média de aumento foi de um real, exceto em alguns casos como de Viland Saga que aumentou dois reais. Como a maioria dos mangás é bimestral, o aumento não é tão exagerado. Mas o custo benefício… vixe…

Os mangás da Panini simplesmente despencaram em qualidade, chegando perto do que a JBC fez com Kobato e que citei no tópico anterior. O papel está com uma gramatura inferior e até mesmo a tinta tem soltado no dedo com mais facilidade (mesmo caso da JBC), transformado a leitura numa versão física de Splatoon.

splatoon-tinta

Conclusão

O que você, leitor de mangá antenado que acessa o Mais de Oito Mil, deve fazer para driblar essa crise que aumentou o preço dos mangás no Burajiru? A resposta é muito simples e nem ao menos preciso ser economista: compre menos ou trabalhe mais.

MdOM Repórter: Conheça a churrascaria (!!!) do Kamen Rider Black

5 maio

Oyasuminasai (me deixem com meu japonês, ok?). Quem fala é a blogueira Mara, vestida de Glória Maria e sentada em meu computador do milhão cuja última prestação acabou de ser quitada. O motivo? Inaugurar a mais nova seção do Mais de Oito Mil (que provavelmente será esquecida depois desta postagem, assim como tantas outras do menu lateral).

Caso vocês não tenham ficado sabendo, o Anime Friends deu mais um passo em direção ao culto das subcelebridades ao anunciar a presença de Tetsuo Kurata na próxima edição do evento. Quem ele é? Nada menos que Issamu Minami, o protagonista das séries Kamen Rider Black e Kamen Rider Black RX. Ao ler o release sobre o ator/cantor/lutador, me surpreendi com o que ele faz hoje em dia. Será que vive cercado de luxo por ter sido uma grande estrela dos tokusats…NÃO (a frase é tão absurda que até interrompi antes). Atualmente ele é gerente de uma CHURRASCARIA lá na Grande Nação Japonesa.

Como queremos saber mais sobre isso, enviamos nossa equipe para o paraíso dos otakus e… até parece, não tenho dinheiro nem para pegar o metrô até a Liba… bem, pegamos as fotos que encontramos num blog de fãs (!!!) do Tetsuo e vamos analisar minuciosamente. IKIMASU!!!

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Essa é a fachada do local, toda na temática velho oeste. Assim como as tiragens das primeiras edições de mangá no Burajiru, ela é compacta porque não dá pra bancar ter algo muito maior.

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Ativei o filtro MdOMgram para descobrir o que os frequentadores deste restaurante pensavam enquanto saboreavam uma picanha cortada na espada por um garçom vestido de Kamen Rider (nem lembro mais se o Kamen Rider tinha espada).

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Não sei se fico mais impressionada com o assustador macaco de pelúcia ocupando um espaço no restaurante ou se é com esse japinha ultra-desfrutável, mesmo com um chapéu que o aproxima mais do Michel Teló que de um texano.

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Uma fantástica coleção de chefes apaches, inclusive um bem mal feito que parece um oriental apoiado em uma mesa.

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E agora moveram a estátua para outro canto do restaurante. Se eu fosse dona disso aí eu tirava, assusta a clientela.

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Num dos cantos da churrascaria há uma dobra dimensional que nos transporta para um local no qual o Kamen Rider é o ditador e todos adoramos a ele.

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Foto recente do ator do Kamen Rider, e só tenho a dizer que invejo muito essa genética dos orientais.

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Na parede fica o menu da churrascaria. O leitor médio da blogosfera não sabe nem ao menos ler uma entrelinha em português, imagina em japonês. Por isso, tive o trabalho de traduzir tudo isso no paint:

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Agora sim.

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E esse é um dos pratos: um bifão de aparência pavorosa dormindo em cima de um nori com o símbolo do Kamen Rider escrito em mostarda. E você aí reclamando do sabor da carne do Giraffas.

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E esse GIF animado eu coloquei mesmo só porque falamos de churrasco, não tem nada a ver com o Kamen Rider.