Archive | novembro, 2016

Sexóloga do Altas Horas fala sobre tesão pelo 2D na Globo

28 nov

Um jovem levanta a mão com uma dúvida que o inquieta: é normal sentir tesão por pessoas que não existem, que são apenas imagens? Essa poderia ser apenas um dos emails enviados para a seção “Afinal, o que querem as otakas” do Mais de Oito Mil que responde sobre essas coisas amorosas, mas essa cena na verdade aconteceu em rede nacional no último sábado, no programa Altas Horas.

Para você que prefere passar as noites de sábado discutindo gramatura de papel em grupo otaco no Facebook e não sabe, o Altas Horas é um programa de auditório apresentado por Sergio-kun Groisman que sempre traz um punhado de globais avulsos para debates e atrações musicais. Um porre, mas pelo menos temos Laura Müller, a melhor sexóloga da televisão brasileira desde o finado Ponto Pê da MTV.

Neste último sábado (26/11), um garoto pediu o microfone para perguntar à sexóloga sobre o 2D:

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Reparem como Sergio-kun, o apresentador, tentou fazer um inception na pergunta do rapaz, que habilmente conseguiu driblar a inserção de intenção do senhor e terminou sua pergunta querendo saber se era normal essa atração pelo 2D. Por sorte Laura-sama não está na televisão para brincadeiras, e respondeu seriamente que isso é super normal, ainda mais com o pessoal mais jovem que se estimula muito com imagens de Internet. E que isso passa. E ainda disse que o ideal é um mix, se interessar tanto pelo real quanto pelo 2D.

Ou seja…

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A Imprensa Especializada (pff) respira aliviada.

(O vídeo pode ser visto aqui a partir dos 35 minutos. E obrigada à leitora Laura pela dica)

Luciano Huck fez Angélica reassistir ao clipe de Digimon em rede nacional

27 nov

Além das listas e do uso irrestrito de amoebas, algo que traz muitas visitas para canais do YouTube é fazer vídeos de reação. Vale tudo, como colocar idosos comentando coisas dos jovens, crianças comentando tecnologias antigas ou vendo quantos adolescentes reconhecem temas de animes dos anos 90. Não sei se ao certo foi a intenção de Luciano Huck, mas no último Caldeirão do Huck ele fez algo muito parecido apenas na intenção de constranger sua esposa Angélica

A retrospectiva da carreira de Angélica no programa do Huck contou com uma pequena janelinha com a apresentadora reagindo aos vídeos que eram mostrados em ordem inversa à cronológica. Ou seja, começou com Angélica em puro glamour celebrando a riqueza com famosos globais:

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Mas antes de fazer bate volta em Ibiza, Angélica teve um passado sombrio. Por exemplo, ela cuidou de gincanas envolvendo fanbases eufóricas e celebridades em competições no Video Show:

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Até que o relógio chegou aos anos 2000, na época da estreia de Digimon. E, como vocês devem lembrar, Angélica teve a difícil tarefa de divulgar e enaltecer os monstros digitais em um clipe com cosplay e Chroma Key a mando dos patrões que queriam competir com Pokémon. Ela foi considerada até a Digimama!!! Então, provavelmente a contragosto, Luciano Huck aproveitou para exibir aquele passado que ela não gostaria de relembrar.

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Tem até o vídeo aqui. Quem somos nós pra julgar, né? Fazemos a mesma cara quando olhamos fotos antigas ou lembramos que assistíamos a Shurato como se fosse algo bom.

(Dica do leitor Vitor, que também ama uma vergonha alheia televisionada)

A demo pós-apocalíptica da Fanfic Pokémon saiu… mas já foi tirada do ar

27 nov

Todos estávamos muito ansiosos para a chegada das nove horas da noite do 25 de novembro. Não por ser um feriado nacional ou por causa do aguardado Henshin Online de número 100, e sim porque era o dia previsto para o lançamento da demo do jogo pós-apocalíptico Ash vs Red. Infelizmente, chegou o horário previsto e nada do lançamento do jogo, indicando que talvez não seguisse o horário de Brasília. Talvez seguiria o fuso horário do Acre ou então de Kyoto, local onde fica a sede da Nintendo?

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Como uma boa jornalista investigativa que sou, acompanhei durante todo o final de semana as poucas informações que recebia sobre o jogo e compartilhei no Plantão Ash vs Red no Twitter. Todos os seguidores que não me deram mute estavam ávidos por novas informações que iam chegando em doses homeopáticas. Descobrimos que a demo iria atrasar porque estava com alguns problemas, e o criador usou como exemplo uma falha na animação de uma cena em que o Fire Blast atacava um Metagross.

Já era sábado e o criador de Ash vs Red anunciou que já estava upando a demo, e descobrimos os tamanhos. Com um nível de compressão digno de fillers de Naruto, a demo para se jogar com o Red tinha 500mb enquanto a outra tinha 200mb, totalizando quase um giga de demo distópica para nós. Os fãs da fanfic foram ficando mais nervosos com o passar das horas (afinal, já era mais de 24h depois do horário previsto) e isso foi pressionando o criador. Que erro. Não se deve apressar a arte.

Na calada da madrugada, quando algumas blogueiras estavam completamente bêbadas e dormindo, Hal lançou as duas demos no blog do Ash vs Red e em suas páginas no Facebook. E, em menos de quatro horas, os jogos já haviam sido deletados de todos os lugares possíveis da Internet. Seria uma retaliação da Nintendo? Seria uma representação pós-moderna da nossa sociedade efêmera? Nada disso, o motivo foi apenas a recepção negativa.

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As demos saíram com uma qualidade aquém do imaginado (como podemos ver nessas imagens que peguei de grupos da internet): erros de português e digitação, personagens atravessando paredes, travamentos, praticamente um Superman 64 dos fangames. O tamanho alto da demo, na verdade, era porque ele enviou todo o projeto de RPG Maker, com direito a MP3 que não são usadas e sprites de Pokémon que não participam do projeto (uma homenagem aos leaks de Pokémon Sun e Moon?). Inclusive, se você baixar o RPG Maker pode editar à vontade o projeto de Ash vs Red e criar sua própria romhack pós-apocalíptica.

E lembra da animação do Fire Blast que iria surpreender?

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Após retirar as demos lá pelas seis da madrugada, o autor do jogo fez um baita textão em sua rede social explicando que retirou o projeto do ar porque a qualidade estava aquém e colocou a culpa nos responsáveis. Quer dizer que ele culpou a si mesmo por prometer céus e mares ou pro criar um trem do Hype gigantesco com sua fanbase composta por Alices e menores de idade sem discernimento? Claro que não. Ele culpou veículos informativos que ficam hateando (tipo eu) e vocês leitores urubus que ficaram fazendo graça de seu projeto distópico.

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Após um trecho quase Mineirinhooo em que ele conta como ajudou várias crianças com câncer, ele usou o argumento que encerra qualquer discussão na internet: NÃO GOSTOU? FAZ MELHOR!. E com essa frase, Hal inaugurou uma nova era. Assim como Gol. D. Roger iniciou a era dos piratas, Hal iniciou a era das fanfics distópicas, em que você pode pegar os arquivos de suas demos e transformar no RPG Maker em um projeto DIREITO.

Quer se aventurar por esse mar de programação e promessas infundadas? É só baixar as demos! O Hal pode ter tirado do ar, mas é questão de minutos para algum comentarista do bem colocar nos comentários o link para baixar (final, os fãs urubus já uparam de novo). E será que essa é a deixa para iniciar um canal de gameplays do Mais de Oito Mil no youtube???

Fanfic distópica de Pokémon vira ROM hack pós-apocalíptica e a demo sai amanhã!!!

24 nov

Ultrapassando em reviravoltas o caso do Mineirinhooo e o do Kira dos Mangás, a fanfic distópica de Pokémon continua dando muito pano para manga no Mais de Oito Mil. E, assim como os próprios monstrinhos, descobrimos que a fanfic é algo que pode evoluir e ganhar uma nova forma com o passar dos pontos de experiências e pela ingestão de rare candies. Isso porque aquela fanfic distópica, que eu já havia avisado mês passado que poderia ficar pra trás, foi trocada pela promessa de um jogo distópico. IKIMASU explicar o caso:

Tudo começou quando um jovem rapaz queria incentivar a leitura nos jovens do Burajiru, e por isso ele criou a fanfic Ash vs Red, mostrando o protagonista de Pokémon num futuro pós-apocalíptico e vivendo como um ditador no subsolo numa trama repleta de violência e palavrões. Depois de uma grande campanha para licenciar seu livro como canônico, a Nintendo supostamente está com a proposta de oficialização da história em algum canto de seu escritório.

Mas era tarde demais, as livrarias ficaram pequenas para a grandiosidade da história de Ash vs Red e, assim, ele apostou agora no lançamento de uma ROM hack do seu jogo sem qualquer licenciamento (afinal, a Nintendo é super aberta a fãs que fazem versões de suas propriedades intelectuais)!! E não é uma simples versão de jogo, o autor promete um jogo mais épico que os livros de Homero:

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A rom hack distópica terá pelo menos 5 personagens selecionáveis, seis continentes (!!) e ignorará completamente Pokémon Sun & Moon, mas ao mesmo tempo ele espera que seja canônico com a aprovação da Nintendo.

E lembram daquela polêmica de que o autor da fanfic estava usando GIFs animados feitos por um cara do DeviantArt como se fossem feitos por ele? Então, agora ele conseguiu até mesmo esse cara para ser estagiário na criação de sua fantasia distópica!! Temos até imagens da cidade de Pallet na versão pós-apocalíptica que é mais arborizada que projeto de aluno de arquitetura:

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E o melhor, a demo desse jogo sairá AMANHÃ em duas versões, uma para se jogar com o ditador barbado desse futuro pós-apocalíptico e arborizado enquanto outra para jogar com o Red que tem o nome escrito em azul! Quanto tempo será que a Nintendo vai deixar isso no ar? Ou será que o lançamento do jogo numa Black Friday é apenas para usar o evento capitalista como uma Cortina de Fumaça nas redes sociais e impedir que a empresa veja o jogo? Será que teremos análise do jogo aqui no site? Ainda não sabemos

Bem, foram meses acompanhando a trajetória do autor da fanfic, e com o lançamento do game quer dizer que nossos sonhos de ver esse livro nas livrarias desapareceu, né?

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A COBERTURA DA FANFIC FOI RENOVADA POR MAIS UMA TEMPORADA!!!!

Sailor Moon quer a prevenção das DSTs em nome… do Ministério da Saúde

22 nov

Eu vivo falando aqui que o que a Grande Nação Japonesa e seus criadores mais sabem fazer é explorar suas franquias até sobrar apenas o bagaço para só aí deixar de molho e, anos depois, relançar como revival de nostalgia. No entanto, no meio de tanto oportunismo sempre achamos uma coisa muito bacana, como a mais nova campanha de prevenção às DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) promovida pelo país da Cultura Mais Rica… e pela SAILOR MOON EM PESSOA.

Ok, ela é apenas uma heroína em 2D, mas isso não impediu que o Ministério da Saúde da Grande Nação Japonesa lançasse um material promocional de prevenção às DST com a Sailor Moon como garota propaganda. Cá entre nós, ela tem muito mais carisma e repercussão que uma propaganda do Zé Gota-chan. Na campanha da Sailor Moon, eles mudaram a frase de impacto “vou punir você em nome da Lua” para “se você não se examinar, eu punirei você”.

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Embora vocês pensem que eu vá falar alguma piada referente à Sailor Moon ser um ótimo exemplo para fazer propaganda de prevenção, pois se ela tivesse usado camisinha não teríamos essa criança chata que é a Chibi Usa no mangá, na verdade eu quero falar é que essa campanha é muito legal. MUITO legal MESMO.

Querendo ou não, a Sailor Moon é uma personagem de grande expressão no Japão, e ter ela atrelada numa campanha tão legal dá uma visibilidade às campanhas de prevenção às DSTs e torna até mais fácil de absorver pelo público alvo. Pego como exemplo o Brasil, em que o ensino de sexualidade e as campanhas de prevenção às DSTs são tratadas quase como aberrações, estimulando que se propague o desconhecimento e o preconceito. É por causa de faltas de campanhas de prevenção e de ensino decente nas escolas que, por exemplo, mantém-se a mentalidade de que existe um grupo de risco de HIV centrado nos homossexuais ou que adolescentes de 15 anos não possam tomar vacina para prevenir DST.

“Affe, Mara sua blogueira comunista, até parece que no Brasil o pessoal é tão ignorante e preconceituoso”

Olha, queria acreditar muito nisso, mas fica difícil pensar nessa possibilidade quando o sites brasileiros ao publicarem esta mesma notícia, tratam DST como motivo de punição, e não e prevenção:

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(valeu leito  pela pauta)

Trailer americano de Pokémon Sun & Moon erra gênero do anime

18 nov

Imagine que você está no cinema e, antes de ver esse Dragon Ball GT de Harry Potter que é Animais Fantásticos, aparece um trailer de um próximo filme do Adam Sandler. E aí esse trailer mostra apenas as situações dramáticas vividas pelo personagem, momentos de choro, cenas em preto e branco e você pensa que o ator gravou um baita drama que deve ganhar a Palma de Ouro. Aí você decide ver esse filme e BOOOM, na verdade era só uma comédia mesmo e eles fizeram o trailer com a intenção completamente errada.

Isso é basicamente o que tá rolando com o anime de Pokémon Sun e Moon lá nos EUA. A série acabou de estrear na Grande Nação Japonesa (fiz até uma matéria ontem analisando os primeiros episódios) e todo mundo sabe que agora a série é mais puxada para o humor, tanto que até mudou o estilo do character design para acompanhar. Acontece que alguém do estúdio do anime se esqueceu de passar o briefing da mudança para os EUA, porque o trailer americano do novo anime é quase uma série de açãoIKIMASU ver o trailer?

MAS QUE TRAILER MARAVILHOSO MEU ARCEUS-SAMA DO CÉU!!! O quão incrível é ver o narrador taciturno tentando convencer que a aventura em Alola… este paraíso tropical… NÃO SERÃO FÉRIAS? Se botasse a trilha sonora daquele clássico vídeo do exército brasileiro viraria praticamente uma prequel da distópica e adultona fanfic Ash vs Red.

Por que será que o povo do ocidente tem essa mentalidade de querer deixar tudo baddass e sério? Ninguém vai ter a carteirinha de adulto cancelada se assistir a uma série feita para criança com a proposta de apenas ser uma boa comédia para passar o tempo. Sei lá, só comentando mesmo.

Análise especial do começo do anime Pokémon Sun & Moon

17 nov

Hoje é um dia muito especial para a nação gaemaníaca porque logo mais é o lançamento de Pokémon Sun & Moon para o Nintendo 3DS. Mas como aqui não é blog de gaem pra eu ficar falando que tem gráficos estonteantes, história revolucionária e depois de um ano perceber que o jogo tem falhas, estou aqui para falar do anime que estreou hoje e que apenas é uma propaganda desse jogo. E quer saber o que rolou no episódio duplo dessa nova temporada? Preparei aquele resumão para você não gastar sua franquia de dados, então IKUZE ver o que rolou.

Cansada de pagar viagens para seu filho explorar outros continentes enquanto ela bancava a dona de casa que o marido está morto e só tem um Mr Mime para esmagares a sua rata, Delia Ketchum participou de um sorteio e ganhou uma viagem para Alola com acompanhante:

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Como Mr Mime não foi considerado um acompanhante pela LATAM, ele viajou numa gaiola num compartimento de carga e Ash foi o escolhido para acompanhar sua mãe nessa viagem relaxante:

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Enquanto Delia fazia a feira, Ash achou que seria super de boa assim entrar numa floresta perigosa apenas com o Pikachu depois de deixar todos os seus Pokémon com a Baby Sitter conhecida como Carvalho:

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Após seguir um Charizard com acessórios de sadomasoquismo, Ash encontra uma garota que o leva num prédio para mostrar algo surpreendente que ele nunca viu em todas as duas décadas de franquia Pokémon:

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E lá dentro da escola ele encontra sua mãe, que aparentemente ligou o “foda-se” depois de perder seu filho numa feira livre num continente distante e foi passear pela cidade para conhecer o primo do Professor Carvalho, coincidentemente um professor da escolinha:

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Uma gangue de criminosos usando Zubats foi ameaçar um dos alunos da escolinha, e obviamente Ash sentiu a necessidade de enfiar o bedelho da briga:

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De noite, no meio de um jantar com sua mãe, Ash sai correndo e dá de cara com um Pokémon lendário porque… né… e esse Pokémon lhe entrega uma pulseira que tem como grande poder ativar o Z-Move do Pikachu e vender milhões de brinquedinhos na Grande Nação Japonesa:

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Disposto a abandonar tudo o que aprendeu nos últimos vinte anos de série, Ash manda sua mãe de volta para Pallet e decide se matricular na escolinha Pokémon:

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Escola, aliás, que tem disciplinas inovadoras no plano nacional de educação, como é o caso das aulas de cosplay com o primo do professor Carvalho:

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Ou então aprender a explorar os Pokémon em eventos parecidos com corridas de cavalo ou rodeios:

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E assim começam as aventuras de Ash e Pikachu em Alola. Será que a coisa emplaca de vez? Será que se diferencia de Yokai Watch? Veremos isso em breve

Problematizando o ensino atual através de Assassination Classroom

14 nov

Essa é a terceira vez que faço um post problematizando algum aspecto de alguma série e só de ler essa palavra aposto que muitos leitores já começaram a digitar no campo dos comentários que sou uma ~feminazi que quer que o mundo mais chato e que quer a censura~, quando na verdade até mesmo uma capivara consegue entender que a problematização quer apenas que pensemos sobre algum assunto, e não que o persigamos com tochas e ancinhos como se fosse no tempo da caça às bruxas. Dito isso, vamos falar sobre esse mangá que é publicado pela Panini aqui no Brasil, o Assassination Classroom (sem spoilers, tá? Pode ler à vontade).

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A história do mangá é mais fácil do que a Nintendo mandar derrubar romhacks de Pokémon: existe um monstro amarelo parecido com um polvo que destruiu parte da lua e que anunciou o mesmo destino para a Terra. Aí ele aproveita e diz que será professor da turma 3-E da Escola Kunugigaoka e agora seus alunos têm a difícil tarefa de matar esse docente com poder de velocidade que alcança Mach 20. Pronto, só isso.

Por trás de um nome enganador e de uma proposta apenas bacaninha, Assassination Classroom esconde embaixo de seus tentáculos uma discussão maravilhosa sobre ensino. A Escola Kunugigaoka funciona através de uma metodologia de ensino criada pelo diretor Asano em que todos os alunos são ranqueados em suas avaliações, e os melhores alunos ficam na turma A, os de notas menores na turma B e assim indo até chegar a Turma E. A questão é que, para incentivar que os alunos estudem um monte, é institucionalizado que ocorra uma humilhação pública à turma E, com todo o tipo de bullying possível (falta só obrigar os alunos a lerem o mangá de Toriko). A turma dos exilados é distante inclusive geograficamente, pois as regras dizem que eles precisam assistir às aulas em um prédio caindo aos pedaços no topo de uma montanha, a uns 20 minutos de caminhada do prédio principal da escola.

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Embora mostrado como uma grande caricatura, o método educacional do diretor Asano tem muitas características que vemos no ensino atual. Quando eu era mais nova e estava no Ensino Médio (numa época que nem era chamado de “Ensino Médio”), minha escola pública decidiu dividir os alunos pelas salas usando a mesma proposta de Assassination Classroom: a turma A ficava com os mais inteligentes no ranqueamento do ano anterior e a turma I tinha só a nata dos alunos com piores notas. Preciso nem falar a alegria dos professores em darem aulas para as turmas de letras mais baixas, né?

Outra faceta interessante do método de ensino de Asano é que ele considera os alunos uma grande bacia na qual você pode enfiar cada vez mais conhecimento. Tanto que, em certos momentos da série, Asano incentiva que seus alunos aprendam conteúdo do Ensino Médio para que sejam superiores aos outros. Esse método, que já foi definido por Paulo Freire da mesma forma, é basicamente o que vemos nas salas de aula do Brasil e até mesmo nos ~inovadores~ cursinhos: chega o professor, solta todo o conteúdo e cada um que se vire para acumular aquele tanto de conhecimento que logo vai desaparecer por falta de utilidade na vida após o vestibular ou concurso público. Escola virou praticamente uma gincana de absorção de conteúdo.

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De um lado temos Koro-sensei num treino ninja, do outro o diretor Asano

Mas se o autor de Assassination Classroom coloca este método de ensino como o “errado“, qual é o “certo“? Bem, é o praticado pelo monstro Koro-sensei. Lecionando para uma turma que ninguém bota muita fé, Koro-sensei se especializou em ensinar de forma quase particular, conhecendo bem as habilidades e talentos de cada aluno e preparando uma metodologia única para cada um (claro que sua velocidade Mach 20 ajuda nisso). Sem contar que ele considera que qualquer atividade lúdica ou tarefa (como seu próprio assassinato) sempre pode ser usado para os meios educativos. Com Koro-sensei, tudo tem um propósito na vida da pessoa que ela poderá usar no futuro no que decidir fazer.

O nosso atual método é baseado em conceitos do século XIX (veja uma escola do começo do século passado na foto abaixo e perceba que ainda é igual ao modelo de hoje) e já nem acompanha as mudanças bruscas na sociedade. O celular, por exemplo, é proibido em muitas escolas quando, na verdade, poderia ser usado como uma forma de melhorar o aprendizado. O mesmo pode se dizer a respeito da utilização da mídia como forma de ensino, inclusive para se ensinar os alunos a terem uma análise crítica do mesmo. O que se tem como unanimidade é que o ensino como está atualmente não funciona, e que devemos buscar uma forma de ensinar de uma forma diferente. E, por coincidência Koro-sensei se assemelha muito à tentativa de se buscar uma nova forma de ensino que ocorre há anos no meio acadêmico, em que há um tratamento horizontal na sala de aula, com o professor aprendendo com as experiências dos alunos e vice versa.

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Um Koro-sensei do começo do século XX

Isso quer dizer que a educação pode ser resolvida se mudarmos completamente a educação para o que se estuda nesses novos cursos ou então se aproximar do que o Koro-Sensei faz em Assassination Classroom, certo? Bem, não é assim. Embora o mangá mostre qualidades impressionantes no método de ensino de Koro-Sensei, não podemos esquecer que ele faz isso apenas porque é um monstro com velocidade Mach 20. Mais fora da realidade ainda é imaginar que os professores devem ter MAIS TRABALHO para que a educação vá pra frente, enquanto não se investe o necessário na educação (não só esse Governo como o anterior, e o anterior, e o anterior…) e se mantém uma mentalidade de dois séculos atrás.

Uma das coisas mais interessantes de Assassination Classroom é que a série faz algo que quase nunca vemos nos mangás ou na própria mídia: uma valorização da profissão professor. Porque, né… a Shonen Jump está aí há décadas publicando mangás das mais diversas profissões, esportes ou guerreiros que têm talentos próprios e que vão salvar o mundo… mas quantos professores protagonistas vemos nos quadrinhos? Por que só vemos mangás de médicos, advogados, engenheiros, escritores etc e não dessa profissão importante? Querendo ou não, representação na mídia ajuda sim a incentivar novas gerações a decidirem por determinados esportes e profissões (lembre como Captain Tsubasa proliferou o futebol no Japão).

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O mote da Shonen Jump é a amizade, mas nos mangás os protagonistas sempre resolvem as situações basicamente sozinhos. Precisou vir um mangá de comédia com um pouco de ação para mostrar que embora seja importante se valorizar o talento pessoal que todos temos, apenas com o trabalho em equipe e esforço mútuo é capaz de se mudar alguma coisa na sociedade. E, para que tudo isso aconteça, é fundamental a orientação de um professor. Seja esse professor um monstro amarelo superveloz ou apenas um professor ensinando num colégio caindo aos pedaços por falta de investimento.

Esqueça Os Simpsons! Já temos o primeiro anime que colocou Trump como presidente dos EUA

13 nov

Enquanto toda a sua timeline tá aí compartilhando aquela informação falsa de que Os Simpsons previram a candidatura de Donald Trump muitos anos antes, a Grande Nação Japonesa deu um passo à frente e colocou num anime desta semana o topetudo como o presidente mais poderoso do universo.

A série que conseguiu tal proeza poucos dias após a vitória de Donald Trump foi o anime Time Bokan 24, uma das maiores audiências da televisão japonesa atualmente entre os animes (inclusive vencendo os seus queridos Pokémon e Yokai Watch). Na história, um garoto japonês começa a trabalhar numa equipe de viagem temporal em que eles buscam conhecer a verdadeira história para assim modificar os livros de história e atrapalhar a base teórica dos professores universitários pedantes, tornando-os inseguros. Falando sério, acho um anime bem divertidinho, vejo sempre que posso.

Mas no episódio 7, exibido hoje na Grande Nação Japonesa, o personagem principal Tokio começa assistindo a um noticiário sobre política internacional, porque né… é o que um jovem japonês prefere assistir a ver mais um capítulo de Yuri On Ice, e vemos ESTE presidente americano:

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Caso você tenha dificuldade de reconhecer traços, este presidente está bem longe de ser parecido com Obama ou Hillary, e é bem semelhante ao Donald Trump. Parabéns à equipe de Time Bokan 24 que apostou no candidato mais babaca da eleição para colocá-lo já no episódio dessa semana. OU ENTÃO eles apenas fizeram duas cenas, uma com Hillary e outra com Trump, e decidiram pela certa nesta semana apenas para aparecerem no Mais de Oito Mil tentando conquistar o Troféu Mãe Dinah da nossa tradicional premiação anual.

De qualquer forma, Tokio representou muito mais o público deste blog ao ignorar totalmente o noticiário político e ficar hipnotizado pela roupa de baixo de sua action figure.

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As imagens foram tiradas do Crunchyroll, que exibe esse anime por aqui. Aliás, se alguém desta empresa quiser me dar um passe vitalício eu nem reclamaria, ó…

Nem Seiya e nem Goku, a maior audiência da Rede Brasil é LUCIMARA PARISI

7 nov

Vocês sabiam que Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z estão sendo exibidos na Rede Brasil, emissora já considerada pelos fãs como a nova Manchete por exibir novamente as preciosidades da Grande Nação Japonesa no Burajiru? É importante eu começar o texto dessa forma, porque passou-se uma semana da estreia e nenhum site está falando sobre isso.

Ok, eu entendo que os sites do Genkidama e outros blogs do gênero estão mais preocupados a atender seu público alvo que clama por reviews punhetando Yuri on Ice, mas o que dizer do silêncio do site dos Cavs? Foi a semana de estreia do anime e a única notícia publicada neste ínterim foi falando da estreia é trazendo os bons números de audiência. Desde então, nada mais se falou.

Fiquei inquieta, afinal quando a Band estreou o anime em horário local e cheio de cortes era praticamente uma cobertura minuto a minuto do Site dos Cavs, o que será que tá rolando agora para ninguém falar da exibição? Cadê as notícias de audiência??? Como uma boa repórter investigativa que sou, fui atrás dos números e IKIMASU ver o ranking do Ibope da Rede Brasil na semana:

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Isso mesmo, segundo o Portal 4 (o único site que publica audiência dos canais do grupo de acesso), a maior audiência da Rede Brasil na semana não foi nem Seiya e nem Goku, e sim da loiríssima Lucimara Parisi, ex-assistente de palco do Faustão e ex-assistente de palco do Ratinho que atualmente é a idol da emissora. Claro que algum leitor mais implicante, daqueles que acredita que a Rede Brasil é a chance dos animes voltarem a emplacar no Burajiru, vai falar que Cavaleiros estar em segundo lugar já é excelente.

Então, vamos lembrar que esse número dos Cavs equivale apenas à audiência do dia de estreia!!! Duvida? IKIMASU ver então o que o Portal 4 tem a falar sobre a audiência dos animes em cada dia da semana passada?

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Temos duas alternativas possíveis: ou os fãs aceitam que a exibição de dois animes velhos e cheirando a mofo não vai melhorar a situação dos desenhos no Burajiru, ou então a Rede Brasil pode providenciar um live action de Saintia Shô com a Lucimara Parisi como a Shoko. Vai dar mais audiência pelo menos.