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Sakamoto pode ser infalível, mas a capa brasileira do mangá não é

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Tudo bem? Nesse domingo entrou no ar na página da Panini um post agendado pelo Social Media da editora, a capa completa de Sakamoto Desu Ga (ou “Quem é Sakamoto? Eu sou Sakamoto, você sabe” na versão brasileira). Ao contrário da aprovação imediata dos leitores de tudo que a Panini publica, essa capa teve uma certa rejeição por… bem… não cumprir o Protocolo de Kyoto e ser POLUIDÍSSIMA:

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E a editora pensou “nossa, e se a gente fizesse uma capa igual à japonesa com o texto na vertical e uma outra parte em baixo?” e os japoneses aprovaram essa bagaça.

Ainda que eu não possa falar muito sobre design por entender tando da área quanto manjo de regras de críquete, mas qualquer mangá que faça sua cabeça dar algumas viradas para ler todo o texto não é algo tão aceitável assim, né?

“Mas Mara, sua gorda implicante e hater da Panini, isso deve ser imposição do Japão, a Panini nunca lançaria uma capa tão feia assim!”

Oras, isso é verdade, é uma hipótese que essa poluição na capa seja imposição japonesa. Uma pena que não temos capas de Sakamoto de outros países para ver como elas são.

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<3 Obrigada aos leitores que me enviaram essas capas

A festa da maioridade da NewPOP Editora

22 jan newpop-festa-capa

Não é todo dia que uma editora completa 10 anos de idade. Ok, essa frase pode se aplicar para qualquer outro número, mas a entrada nos dois dígitos é algo que deve ser comemorado. Ainda mais se for uma editora de quadrinhos. E ainda mais se for uma editora cuja principal base são os mangás. Por causa disso, a NewPOP Editora fez uma grande comemoração no dia 21/01 para comemorar seus dez anos de existência, e o negócio foi praticamente uma festa de debutante para a terceira maior editora de mangás do Burajiru. E como eu adoro uma festa e uma boca livre, fui junto com o estagiário do Mais de Oito Mil (sim, agora tenho um estagiário!) conferir essa party.

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O local escolhido, assim como no evento anterior, foi o Naniwa Kai, um palquinho com nome japonês ao lado do metrô Vila Mariana. Já na entrada eu fui recepcionada pelo pai da aniversariante, o Junior Fonseca. Com cara de cansado e com a mesma aparência há pelo menos uns 15 anos como se dormisse em criogênio, o próprio dono da editora explicou como estavam funcionando as instalações naquele dia. Além do palco e das cadeiras do público, havia uma área separada com estandes da Editora Draco e da própria NewPOP, além de um cantinho para você fazer sua caricatura de graça. Faltou só uma cabine fotográfica com acessórios cafonas para realmente ser uma festa de debutante real.

Logo me acomodei nas fileiras que Junior separou para a Imprensa Especializada (pff) e, assim como em festas de família, precisei bancar a simpática com os redatores dos outros sites mesmo sabendo que eles tentavam sabotar a minha cobertura. O redator do Crunchyroll, por exemplo, tinha o dom de se enfiar na frente de todas as minhas fotografias, prejudicando meu compromisso de informar os leitores no Twitter.

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Para melhorar o valor agregado de sua festa, Junior Fonseca convidou diversas pessoas para palestras que serviram de esquenta para sua própria apresentação. A primeira reuniu representantes de grandes sites (excluindo o Mais de Oito Mil que de grande só tem minha bunda) discutindo quais são os pilares que sustentam um bom mangá. Obviamente não se chegou a conclusão alguma, mas podemos marcar em nossos Death Notes o nome dos convidados que citaram Cavaleiros do Zodíaco e Bleach como mangás bons.

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A palestra seguinte foi sobre No Game No Life, reunindo a tradutora das novels e fãs especialistas que a todo momento faziam piadas recorrentes sobre personagens andróginos. Tal qual aquela parte da festa de debutante que vemos uma apresentação de slides com fotos da aniversariante, esse foi o momento que todo mundo aproveitou para tirar a água do joelho, consumir uns belisquetes e ler aquela edição atrasada de mangá. Até mesmo a Imprensa Especializada como desculpa a exploração do Naniwa Kai para encontrar um canto afastado do palco pra ficarem conversando sobre trivialidades.

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Na palestra sobre quadrinho nacional, grandes representantes dos quadrinhos eternamente adiados como Fábio Sakuda (ex-Ação Magazine e autor do anunciado-há-anos DeadZone) e Douglas MCT (de Hansel & Gretel) se uniram a Fabrizio Yamai e a Raphael Fernandes da editora Draco para conversarem sobre o mercado, sobre suas deficiências e para desanimar quem sonha em ser desenhista e tem um traço tão bom quanto o One.

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Por fim chegou a hora mais esperada da noite. A trilha sonora local em loop de aberturas de animes cujos mangás foram licenciados pela NewPOP sumiu e deu lugar ao pai da aniversariante, Junior Fonseca, subindo ao palco. A Imprensa Especializada (pff) voltou às cadeiras reservadas para fazer seu trabalho de cobrir os anúncios que seriam feitos e repercuti-los em suas redes sociais.

Junior Fonseca, aliás, é um anfitrião diferente de Beth Kodama da Panini ou Cassius Medauar da JBC. Embora estes dois sejam idolatrados pela fanbase dos mangás e seus posts nas redes sociais virarem meme e notícia, não muda o fato que eles são apenas funcionários de empresas que não sabemos nem quem são os donos. E mesmo se considerarmos Junior como dono, ele tem um porte que o diferencia dos tradicionais engravatados. Primeiro ele comparece ao próprio evento com uma roupa próxima aos otakus que estavam ali presentes, esbanjando uma exótica combinação de cores e acessórios excessivos. Segundo porque ele evita ao máximo dar aquela levantadinha fake na moral de sua própria editora.

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Eu explico: se você acompanha o Mais de Oito Mil deve saber que já criticamos muito a NewPOP. Ela tem problema com periodicidade, com revisão, de prometer muita coisa e demorar pra lançar etc, e sabe o que Junior faz em sua palestra? Cita exatamente todos esses itens. Assume que tem problema com periodicidade e revisão (e que tem tentado melhorar nas duas) e explica que anuncia muitas coisas porque a editora não pode parar, sempre está negociando novos títulos senão fica pra trás. Até a própria posição de terceiro lugar é comemorada e zoada ao mesmo tempo por Junior, que afirmou “tudo bem que muita gente pode achar que não é grande coisa ser uma das 3 maiores editoras de mangás do Brasil“.

Junior então passou um videozinho com os anúncios deste evento, mas nem vou focar muito nisso porque todo o foco dos outros sites da Imprensa Especializada (pff) foi apenas nisso. Sim, rolou anúncio de Madoka Magica The Rebellion Story, dos yuris Sunset Orange e Philosophia, de Happiness, Clockwork Planet e Koe no Katachi (quando falaram desse, urros de orgasmos otacos foram ouvidos de vários cantos da plateia e da Imprensa Especializada), mas nem é o mais importante a ser discutido nessa matéria.

Inegavelmente a NewPOP é um projeto que dá prazer ao Junior Fonseca. Enquanto não sabemos se os donos da JBC consomem quadrinhos ou mesmo se os investidores da multinacional Panini fazem ideia de que publicam mangás no Burajiru, Junior Fonseca está ali se misturando com os otakus porque gosta de quadrinhos. Boa parte das propostas da NewPOP, como oferecer títulos de qualidade e por um preço em conta, são desejos que o próprio Junior como leitor de mangá. E é tão difícil vermos um empresário que fala tão abertamente (e naturalmente) de seus defeitos que não tem como não aplaudir a NewPOp por esses 10 anos.

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E talvez o momento mais importante da tarde (afinal Junior Fonseca decidiu adiantar sua apresentação para que os otakus não ficassem presos na chuva torrencial prevista para o fim do dia na Vila Mariana) foi que todo mundo no Naniwa Kai viu a NewPOP atingindo a maioridade diante de seus olhos. Depois de lembrar títulos importantes para sua editora, como os clássicos de Tezuka e os mangás da CLAMP, Junior anunciou que a editora trará seu primeiro mangá longo para o Brasil, e vai começar justamente com o clássico GTO – Great Teacher Onizuka, mangá de 25 volumes que tinha aquela aura de mangá-nem-tão-velho-e-nem-tão-novo-que-nunca-vai-sair-no-brasil-porque-nem-fudendo-a-jbc-ou-a-panini-trariam.

Vou continuar criticando a NewPOP, com certeza. Quando atrasar títulos, quando prometer e não lançar, quando rolar uma revisão ruim e até quando mandar contratos picotados acidentalmente para compradores. No entanto, nesta matéria, vejo apenas motivos para aplaudir o amadurecimento da NewPOP e dar um tapinha nas costas do Junior falando que a filha dele já tá uma adulta bem bonita.

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(ok, vou zoar só um pouquinho também)

Otakus de masculinidade frágil se incomodam com gay na capa de One-Punch Man

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A gente já parte do pressuposto que acompanhar comentários de sites de notícias é dar de cara com uma enxurrada incalculável de chorume (menos vocês leitores do Mais de Oito Mil que são comentaristas lindos e sagazes), mas a cada acontecimento é sempre uma surpresa, não é mesmo? Ontem à noite, a Panini divulgou em suas redes sociais a capa aberta do mais novo volume de One-Punch Man, e a reação foi NEGATIVA. O que será que aconteceu para os otakus reclamarem tanto desse mangá tão aclamado quanto a Susana Vieira? Será reclamação com tradução? O papel ficou transparente como o Naruto Gold? Nada disso, a reclamação é porque o personagem em destaque constrangeu os leitores. IKIMASU dar uma analisada no suposto ~constrangimento~:

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Na parte da frente da capa, vemos Saitama lado a lado com o personagem Puri Puri, um musculoso com barba para fazer e cabelos rebeldes, usando uma roupa de presidiário colada ao corpo. Na parte de trás do volume, Puri Puri está de collant fazendo um ousado exercício inferior em que ergue uma bola de ferro com a perna. O collant ainda exibe que Puri Puri transcendeu o tanquinho 6-pack e que é um monstro com 10 gominhos na barriga, além de marcar bem a região do pênis.

A página Os Consumidores do Mercado de Mangás que Deu Certo fez uma postagem muito interessante recolhendo alguns depoimentos de leitores otakus que ficaram um pouquinho incomodados com o Puri Puri na capa do mangá:

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Embora tenha muita gente tentando explicar as razões de não terem curtido o Puri Puri na capa de One-Punch Man sem deixar muito na cara que é preconceito, alguma coisa não faz sentido. Falaram, por exemplo, que na capa ele está numa pose ridícula (lembrando que estamos falando de One-Punch Man e 90% dos personagens têm como característica principal serem ridiculos). A família tradicional burajiru-jin também reclamou que a mala do Puri Puri está muito evidente, mas nunca vi ninguém deixando de comprar um mangá que tinha uma mulher gostosa de roupa justa na capa.

O fato é que um homem musculoso com collant e praticando exercícios de perna (lembre-se que macho que é macho sempre pula o dia de perna para ficar naquela proporção digna de um Kurumada) incomoda muito a parcela de leitores de masculinidade frágil. Porque, na mente dessas pessoas, ser visto no ônibus lendo um mangá com um personagem gay ridículo de roupa justa na capa é sinônimo de ser taxado como gay.

Imagino o quão difícil deve ser pra essa galera otaka que precisa ficar controlando o tipo de capa de suas leituras favoritas com medo de ter um gay na edição e surgir uma vontade louca de pegar numa piroca.

Editora Alto Astral oferece serviço inédito de curadoria para capítulos de mangás

17 jan curadoria-alto-astral-capa

Se o mercado já está complicado para a Panini, JBC e NewPOP, o que dizer das Editoras do Grupo de Acesso? Esse grupo, formado pelas editoras Nova Sampa, L&PM, Alto Astral etc tentam comer pelas beiradas e, para isso, precisam oferecer alternativas que as outras não apresentam. Enquanto a Nova Sampa enche nossas bancas com mangás invisíveis e a L&PM lança adaptações mangazísticas de livros que sempre me senti culpada por não ler, a Alto Astral entrou na vanguarda e criou um inédito serviço de curadoria de conteúdo para capítulos de seus mangás.

Para entender como funciona esse serviço, IKIMASU ver esse print que apareceu em todos os sites da Imprensa Especializada (pff), como o Biblioteca Brasileira de Mangás:

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O leitor aparentemente tá putíssimo porque a Alto Astral cortou 40 páginas do hentaizão, mas na verdade ele apenas não compreendeu o serviço. Como a Alto Astral julgou que o último capítulo desse mangá era apenas um epílogo sem graça, ela simplesmente decidiu cortar para que os leitores não se frustrassem. Imagina se acontece de o leitor do mangá ler um epílogo tipo o do Harry Potter e começa a odiar a história?? Um horror!

E o serviço de curadoria não parou apenas aí, porque a Alto Astral tem dados estatísticos mostrando quantas páginas um leitor de mangá médio aguenta ler, e por isso se esforçou para encaixar seus títulos nesse slot de 160 páginas. Você pode até usar a desculpa que eles querem economizar papel, mas isso tem outro nome: CARINHO. Esse carinho com o leitor é algo que não vemos com tanta frequência assim.

Vale lembrar que antigamente a Panini já ensaiou esse serviço de curadoria. O sexto e último volume de Guin Saga não foi lançado pela editora porque, segundo eles, o volume final nem era tão legal assim:

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Conrad é a ex-namorada dos otakus e não param de stalkear a coitada

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O meu conhecimento de astrologia se resume ao que o holístico Masami Kurumada escreveu em sua obra atemporal Seinto Se-Ya, mas arrisco dizer que esse deve ser o ano do amor. Afinal, só isso justifica como esse sentimento transformador acaba influenciando algumas pautas do ano. Eu explico! Enquanto parte da Imprensa Especializada (pff) organiza confraternizações em karaokês, a parte empenhada do grupo segue publicando notinhas sobre nosso mundo editorial. IKIMASU ver notícias importantes dos últimos dias?

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Como você leitor deve saber, essa editora é como se fosse a primeira ex-namorada dos otakus: surgiu do nada, apresentou uma nova forma de amor (mangás no sentido oriental), teve bons momentos, teve maus momentos até que teve problemas e preferiu se afastar, largando os otakus num harém composto por versões antropomórficas moe da Panini, JBC, Nova Sampa, NewPOP, Alto Astral etc.

Os otakus virgens podem não saber, mas a primeira pessoa com quem namoramos NUNCA é esquecida, assim como nunca saem da memória o primeiro beijo ou a primeira vez que abrimos um tanko e as páginas caem (comigo foi o databook de Death Note). E justamente por ser a primeira namoradinha, todos os otakus (e os redatores dos sites de notícia) usam o mesmo artifício para descobrir novidades sobre ela: STALKEANDO O FACEBOOK DELA!

Recurso usado pela Biblioteca Brasileira de Mangás:

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E pela Crunchyroll:

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Pra quê investir em marketing e publicidade quando você pode fazer seus anúncios em replies do Facebook e aguardar que a Imprensa Especializada (pff) esteja stalkeando os posts em busca de notinhas? Conrad mais uma vez mostrando um monte de profissionalismo, respeito ao leitor e, principalmente, deixando sempre bem claro que a melhor coisa que poderia ter rolado foi o término desse namoro.

Panini inova e faz o primeiro des-anúncio de mangá

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Quem diria que logo na primeira semana do ano já teríamos uma pauta, não é mesmo? Enquanto a JBC está de folga e Cassius Medauar repensa as estratégias da editora durante longas filas de parques temáticos em Orlando, a Panini sai na vanguarda e faz o primeiro des-anúncio de mangá. IKIMASU entender!

No começo da semana a Panini soltou mais um Planet Time, que a essa altura do campeonato você já deve saber que é o Henshin Online da editora multinacional protagonizado por um oriental hiperativo que nos constrange um pouco com sua empolgação e sua tendência a soltar frases em japonês sem qualquer necessidade. Enfim, no tal vídeo rolou o anúncio do mais novo DataBook de One Piece, o One Piece Green.

Ninguém deu muita bola pra isso, até porque a gente só compra DataBook pra ter na estante e nunca ler a caralhada de texto e informação que tem lá dentro, e apenas sites como a Biblioteca Brasileira de Mangás se atreveram a anunciar o bagulho:

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No entanto, o rebosteio começou depois. Aparentemente NÃO ERA para a Panini anunciar esse título agora, então o que a editora fez? Simplesmente tirou o Planet Time do ar, reeditou o vídeo e cortou a parte que falava sobre o anúncio de One Piece Green. Confiram o que a Biblioteca Brasileira de Mangás noticiou o ocorrido:

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Resumindo: tal qual um senhor com incontinência urinária, a Panini já perdeu completamente o controle e nem sabe mais o que anunciou ou o que não anunciou. Agora o truque é fingir que nunca aconteceu nada e bola pra frente pois tem outros 7367364 anúncios já feitos. Não é todo o dia que vemos um des-anúncio nas nossas editoras de mangás, com certeza é um momento para favoritar no kokoro.

A mesa redonda das Editoras de Mangá que virou uma Ceia de Natal

18 dez natal-dos-editores-capa

Ao andar pelas ruas à noite, você deve ter reparado numa intermitente alternância de luzinhas. Por mais que pareçam cenas de um episódio proibido de Pokémon, nada mais são que o prelúdio do grande feriado de Natal que está por vir. Sabe? Aquela época linda em que toda a família se reúne para a maior troca de patadas e indiretas de todo o ano! Pera, mas outra coisa também se encaixa nessa mesmíssima descrição: a tradicional mesa redonda dos editores de mangás, que dessa vez rolou no Ressaca Friends 2016 com a presença ilustre de todas as celebridades editoriais. IKIMASU conferir o papel de cada um nessa grande celebração natalina?

BETH KODAMA interpretando A Tia Rica

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A representante da Panini na mesa redonda das editoras encarnou praticamente aquela tia que tem muito dinheiro para se preocupar com assuntos mundanos e sempre faz comentários que acabam demonstrando que ela não tem tantos problemas financeiros quanto os outros. Em um dado momento, ao comentar que ano que vem os impostos devem aumentar, ela disse que não sabe se as outras editoras estão preparadas pra esse evento.

Ao falar sobre a publicidade de One-Punch Man no metrô de São Paulo e na televisão, ela falou sobre as cifras que a Panini Itália aprovou que fosse gasto com o marketing do negócio e fui me afundando na cadeira com aquelas dezenas de milhares de reais sendo falados com a mesma naturalidade que eu digo ter 18 reais na minha carteira. Via-se claramente que por trás da figura imponente de Beth-sama há o stand de uma multinacional poderosíssima.

Em um dos pontos mais polêmicos da ceia, que foi quando o mediador Graveheart perguntou sobre os produtos de luxo, Bethinha se mostrou gente como a gente dizendo embora esteja rolando uma gourmetização do mercado, a Panini vai continuar investido no que faz de melhor: tankos em papel jornal, tankos em offset e títulos que saem dois meses depois do anunciado no checklist (ok, isso eu que incluí).

JUNIOR FONSECA interpretando O Adolescente Que Não Queria Estar Ali

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O papel de adolescente que não queria estar ali é muito fácil de ser interpretado por Junior Fonseca, o editor de mangás da NewPOP que estacionou na aparência dos 20 anos de idade há pelo menos três décadas. E como era de se esperar do papel, ele teve que ouvir durante muito tempo os mais experientes falando como resolviam problemas com suas empresas grandes e médias, enquanto ele se esforçava pra fazer as coisas por conta própria. Basicamente ficou ali no meio do fogo cruzado torcendo para ter uma chance de falar sobre gaems (como seus comics de jogos) ou sobre como o NewPOP Day vem aí com muitas novidades se nenhum carregamento de papel preso no porto atrapalhar seu cronograma.

CASSIUS MEDAUAR interpretando O Tio

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Cassius, o representante da JBC, chegou à mesa redonda com um saco vermelho cheio de presentes caríssimos, como o kanzenban dos Cavs e Ghost in the Shell, mas aí surpreendeu as crianças do palco ao contar que era tudo cenográfico apenas e que ele não iria distribuir os mimos. Contou sobre como a JBC tem decidido anunciar menos coisas para não abarrotar as bancas (e por algum motivo todos os presentes nessa ceia cogitaram a chance ser uma alfinetada de leve a algum outro presente na mesa, que por acaso também prometeu um anúncio).

Cassius também aproveitou para retomar todos os pontos que vimos nos últimos Henshin Online, como foi o caso da qualidade dos mangás, da versão francesa de Akira, adaptação etc. Aliás, ao reclamar sobre como Naoko Takeuchi é uma autora chata pra caralho para aprovar seus mangás, Beth revelou estar no mesmo barco por cuidar do título para a Panini México e então um lindo arco-íris de empatia surgiu entre os dois.

Mas o clima logo passou quando um otaku do público perguntou por que a Panini conseguia fazer coisas com qualidade por um preço e a JBC cobrava mais por uma qualidade parecida. Rolou uma resposta elaborada, mas resumidamente foi algo como “meu filho, a JBC não é uma multinacional pfv“.

DOUGLAS DE SOUZA interpretando Papai Noel

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Após todos nos otacos não nos comportarmos direito durante o ano, o editor da Nova Sampa não deu as caras e nem trouxe Pride – O Supercampeão para salvar o mercado de mangás. Mais sorte ano que vem na próxima mesa redonda.

Seja editor de mangás da NewPOP por um dia (ou quase isso)

12 dez seja-junior-fonseca-madoka-capa

Muitos se enganam achando que o trabalho de editor de mangás no Burajiru se resume a responder perguntas de quando vão lançar Akira, co-apresentar um Disk MTV dos animes num canal UHF ou então contracenar com um oriental hiperativo em vídeos que sua empresa multinacional te convoca para participar. Na verdade, o principal trabalho de um editor de mangás no Burajiru é… (preparem-se para a surpresa)… EDITAR MANGÁS. E olhando por esse lado apenas, a NewPOP acabou de enlouquecer e dar a oportunidade para que você assuma as funções de editor de mangás por alguns momentos. Duvida? IKIMASU ver o que eles postaram hoje nas redes sociais:

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Explicando para você que já bloqueia a visão quando vê post de Facebook por não aguentar mais discutir política ou participar de corrente tipo Orkut: a Editora NewPOP está dando aos leitores o poder de escolha sobre qual será o próximo mangá de Madoka Magica que será lançado. Legal isso, não é? E não é só isso. Ao clicar no link você automaticamente vira o próprio Junior Fonseca, mas sem o corpo que nunca envelhece (sério, eu acho que ele tá igual fisicamente desde que eu era uma otaka de 13 anos). E como editor da NewPOP, você se vê diante de uma mesa em que precisa decidir sobre esses três títulos super-variados e que devem vender feito água para a fanbase desse anime mediano:

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Mas não pense que seu trabalho de editor de mangá vai se resumir apenas a escolher um simples spin-off de Madoka para ser anunciado no próximo NewPOP Day (não esquece de me convidar, Fonseca!). Nããão, cabe a você ainda votar em quais obras você gostaria que a NewPOP trouxesse ao Brasil no futuro. E, ao contrário da votação que elegeu Inuyasha na JBC, aqui a editora confirma que não tem contrato nem nada e que vai atrás do licenciamento só depois:

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O quão maravilhoso é ver uma lista de dez produtos editoriais para escolher e se dar conta que se tratam de MAIS DE DEZ MATERIAIS SOBRE MADOKA??? Afinal, não existe forma virtual mais realista de se realizar o trabalho de editor de mangás da NewPOP se não tiver uma caralhada de Madoka para trabalhar.

Aguardando que mais editoras repitam essa ideia da NewPOP e nos deixem ser editores de mangás por um dia. Já imaginou você perder seus finais de semana editando mangá ou então ecrevendo textos no editorial?

Selo Ink Comics da JBC morreu, mas passa bem

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Essa notícia é tão complicada que já é a terceira vez que eu tento escrevê-la sem sucesso. Como descrever com palavras a ascensão e queda de um selo editorial que até hoje não fazemos muita ideia do que se trata? Tudo começou no painel da JBC que rolou no último domingo. Quem esteve acompanhando a cobertura ao vivo pela Crunchyroll no Twitter (afinal foi o único site do gênero autorizado a frequentar o ~evento épico~) se surpreendeu quando revelaram algo inesperado:

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Não, não foi a revelação de que Cassius Medauar e Marcelo Del Greco vão protagonizar um dorama live action de Yu-Gi-Oh, e sim eles contaram que o selo Ink Comics havia sido cancelado. Não sei se essas foram as palavras exatas ou se eles apenas se expressaram muito mal, mas a informação da morte do Ink Comics repercutiu entre todos os otakus… ok, nem tanto. Mas, afinal, o que é o selo Ink Comics? Segundo a JBC, era um selo diferenciado em que eles podiam lançar quadrinhos diferenciados. Coisas que a JBC não publicaria normalmente, não apenas mangazinhos japoneses:

Mangá Bullet Armors, da Ink Comics

Mangá Bullet Armors, da Ink Comics

Sabe como é, títulos mais diferentões, não coisas da Shonen Jump:

Mangá To Love Ru, da Ink Comics

Mangá To Love Ru, da Ink Comics

Claro que nem eles sabiam direito o que era o selo Ink Comics, e no fim isso foi apenas uma desculpa para Cassius Medauar usar a carta O Editor Que Renasce e pegar o Marcelão do deck da Nova Sampa. Atualmente, o Ink Comics publicava apenas To Love-ru, e segundo as informações do painel, o título passaria a ser publicado pela JBC normalmente.

No entanto, mal havíamos começado o minuto de silêncio para a morte desta pessoa que nem sabemos quem era e o site Chuva de Nanquim atualiza a matéria dizendo que a JBC voltou atrás e que o Ink Comics não está morto:

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Deixa eu ver se a otaka aqui entendeu! O selo Ink Comics, que atualmente publica UM (1) mangá não será cancelado, e sim terá uma diminuição de suas publicações, sem que rolem lançamentos. Se diminuir um (1), mandando o To Love-Ru para a JBC, isso dá um total de…

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Bem, cada um sabe como chama seu próprio defunto, né. Se querem ter um selo que ninguém entende empalhado na sala, quem sou eu pra dizer que o negócio morreu não é mesmo?

Brasil se torna exportador de livros não-oficiais de Pokémon Go

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Se alguns fãs mais Alices ainda acreditam no processo de licenciamento oficial de uma fanfic distópica de Pokémon estimulada pelo sucesso de uma romhack não-oficial, por outro lado o mercado de literatura Pokémon vai indo de vento em popa. Como já falei numa outra matéria, as editoras correram para lançarem seus guias não-oficiais de um jogo que ainda está em beta e entupir as prateleiras, mas a editora Autêntica através do selo Nemo foi mais autêntica (trocadilho que não deu pra escapar) que as concorrentes e se aventurou em lançar um romance (ou seja, um livro de historinha e não um livro de história de amor) de Pokémon Go.

A editora basicamente chegou numa funcionária e falou “ow, cê pode escrever aí um livro de Pokémon Go com personagens inéditos pra ontem?” e assim nasceu O Último Mestre Pokémon, um romance que conta a história de três pirralhos em uma aventura aí. Como deixou bem estampado na capa que é uma aventura não-oficial e usou personagens criados por ela no nosso mundo real, isso deve ter sido o bastante para driblar qualquer discussão a respeito de direitos autorais.

E o negócio deu tão certo que a editora Autêntica TÁ EXPORTANDO O LIVRO BRASILEIRO PARA VÁRIOS PAÍSES! IKIMASU ver o que deu no site PublishNews:

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Embora não concorde com alguns pontos, não posso deixar de dar parabéns à editora brasileira que viu potencial de mercado em algo e, acima de tudo, não ficou cozinhando esperanças de fãs em um banho-maria de promessas.