Archive | dezembro, 2016

Os piores mangás que li em 2016

29 dez

Pronto, ontem já fiz minha boa ação do ano. Já falei bem de autores estrangeiros, brasileiros, já estimulei o mercado nacional, agora é a hora de vestir aquele chifrinho de diaba (que eu tô guardando pra ficar em casa no próximo carnaval vendo Netflix) e anunciar quais foram as piores leituras de mangá que tive esse ano. Não quero mais falar bem, quero poder criticar todos os mangás que fizeram as viagens de ônibus serem mais sofridas e as filas de espera mais longas. IKIMASU para os piores mangás que li em 2016!

Especial Rurouni Kenshin – Tokuitsuban – Versão do Autor – & Knuckles (JBC)

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Um belo dia, Nobuhiro Watsuki deve ter recebido uma ligação da Shueisha (não foi Skype porque sabemos que ele é avesso a aparecer): – Watsuki, dá uma pausa aê no seu mangá do Frankenstein que ninguém dá bola e escreva uma releitura de Samurai X valendooooo. E assim, munido provavelmente de impaciência, falta de memória e vontade de corrigir trabalhos corridos do passado, Nobuhiro Watsuki fez uma tragédia em forma de mangá de dois volumes. Essa tal versão do autor, lançada na Grande Nação Japonesa para aproveitar o hype do filme live-action, é uma atrocidade com traço ruim  e leitura travada (sério, ler aquilo de uma vez vai te causar sérios problemas psicológicos). Samurai X é um mangá legal (mas com defeitos visíveis), a Sakabatou de Yahiko é aceitável, Busou Renkin é bem mediano e, por fim, a versão do autor de Samurai X que a JBC lançou esse ano não deveria ser usada nem para forrar a gaiola do seu papagaio.

21th Century Boys (Panini)

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Ano passado lembro de ter mencionado que eu não tava curtindo muito o desenvolvimento de 20th Century Boys. Pois então, rolou um time-skip e as coisas mudaram esse ano, porque o mangá foi ladeira abaixo em questão de qualidade. Que chato isso de um avanço no tempo estragar com algo que tava legal, né? Aliás, o 21th Century Boys é particularmente ruim, superando as tranqueiras da reta final do 20th Century Boys concluindo a história do jeito mais absurdo possível e enfiando um antagonista que o autor tirou obviamente do cu. Como se não bastasse isso, a Panini ainda fez uma puta pompa para anunciar 21th Century Boys como se fosse um título ineditão, sendo que nada mais é que o final de um bagulho que tinha perdido a mão já no terceiro time-skip.  Vocês não me enganam mais, nunca mais caio nessa coisa de “o Urasawa tem mangás sem enrolação” depois de 20th Century Boys.

One Piece pós-Time Skip (Panini)

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Vou relembrar o que falei no post de ontem: eu não acompanho nem anime direito porque não curto dublagem japonesa e também não acompanho por scans, então o que estou falando aqui é sobre o que a Panini já lançou. Eu gostava de One Piece e achava a história legal e tudo mais (mesmo que os fãs tenham me apedrejado porque eu falei que One Piece era apenas bom, e não a nona maravilha do mundo). No entanto, depois do time-skip o mangá começou a ficar bem difícil de acompanhar. Na verdade é um problema que eu vinha percebendo desde meados de Water 7: o Oda é uma pessoa muito criativa, e cria coisas muito criativas. O problema é que ninguém bota um freio nesse homem, e ele quer colocar todas as coisas criativas no quadrinho para mostrar o quanto ele é criativo. E isso faz com que a arte de One Piece seja extremamente poluída. Somada ao fato que ele usa poucas retículas, cada quadrinho de One Piece é garantia de três laudas de texto explicando as sandices criadas pelo Oda e mais cidades, figurantes, animais, personagens e tudo mais num grande Onde Está o Wally. Isso porque nem tô falando da anatomia péssima dos personagens femininos (nem é apelativo, é torto mesmo). Fora que a história sempre está ficando cada vez mais épica para nos surpreender com os *DOOOOON* que já nem sentido mais está fazendo. É botar um flashback com algum personagem otário morrendo que todos os leitores já querem canonizar o autor. One Piece está muito complicado, uma pena.

Henshin Mangá #2 (JBC)

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Não sei se foi problema de curadoria falha ou se foi pelo nível dos trabalhos esse ano, mas a antologia dos vencedores do BMA da JBC foi de uma tristeza sem tamanho repleto de histórias bem ruinzinhas nas quais só uma ou outra se salvam. Pior do que ver as histórias claramente ruins foi ver os jurados sempre elogiando e justificando as coisas com as mesmas referências de “se inspirou em Akira Toriyama” . Por sorte pelo menos um dos jurados levou a premiação a sério e teceu críticas decentes aos quadrinhos que eles publicaram.

One-Punch Man (Panini)

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Eu fui enganada pelo hype e não tenho vergonha de assumir. Comprei o primeiro volume de One-Punch Man e achei meio mediano, e deixei de lado. Reli o volume antes de decidi comprar o dois e, naquele dia, achei graça das coisas, aí comprei. Fui comprando os volumes até que me perguntei o motivo de continuar lendo aquilo, afinal eu não tava entendendo o propósito daquilo. Como piada, o negócio parou de funcionar pela repetição. Como ação, o mangá é ruim justamente porque está preso na piada que foi repetida à exaustão. Não digo exatamente que é um mangá ruim, como já falei de outros títulos, apenas acho que não é pra mim que não fico contemplando a arte do desenhista e nem acho graça de um humor repetitivo.

E esses foram os piores do ano pra mim. Como tudo é questão de opinião, é normal que você ache esses títulos maravilhosos ou tenha odiado os que sugeri. Depois de constatar essa obviedade, agora o Mais de Oito Mil entra de recesso e volta só no ano que vem, até mais!

Os melhores mangás que li em 2016

29 dez

Ano passado eu estava completamente sem pauta e precisava dar uma enrolada no Mais de Oito Mil, aí decidi fazer um post de leituras do ano no qual eu podia dividir em duas partes e tudo render mais. Aparentemente vocês curtiram, porque tá todo mundo me cobrando esse balanço anual. Pois bem, aqui está a minha lista com os melhores mangás que eu li este ano!!!! Mas como até suruba funciona com regras, eu decidi limitar por coisas que saíram apenas esse ano ou que estão sendo publicadas esse ano pra não virar zona. IKIMASU para os mangás!!!

Assassination Classroom de novo… (Panini)

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Eu já havia falado de Assassination Classroom ano passado e dessa vez sou obrigada a colocar novamente na lista dos melhores. Mas que mangá fantástico, minna! A forma como o autor constrói a história, o carisma dos personagens, o desenvolvimento da trama, as críticas nas entrelinhas… E agora a história tá entrando na parte de mostrar o passado dos personagens e logo mais será revelada a origem do Koro-sensei. De verdade, se você não começou a ler esse mangá pra ontem você não sabe o que tá perdendo.

Quack (Editora Draco)

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No primeiro Henshin Mangá a JBC descobriu Kaji Pato. um simples desenhista de uma simples história de humor chamada Quack. Ele foi chamado pela editora Draco e publica o melhor mangá brasileiro em publicação no Burajiru (ok, não tem taaaantos concorrentes assim, mas o trabalho é bom, viu!). Digo ainda que nos tankos o autor melhorou a falta de foco que rolou no One Shot e os personagens estão muito mais vivos. Aliás, que traço lindo, melhor que muito autor japa que vocês pagam pau (cofcofhajimeisayamacofcof)! Meu único problema mesmo é com algumas ofensas meio homofóbicas que o Colombo fala pro Baltazar. Felizmente, o autor até publicou um vídeo recentemente falando sobre o tema e mostrou ser muito aberto à conversa e críticas (ao contrário de 90% dos autores brasileiros). Ah, e pros admiradores de papel, a qualidade dos tankos de Quack é MARAVILHOSA.

Divisão 5 (Editora Draco)

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Esse ano a editora Draco lançou no Anime Friends uma antologia de quadrinhos shonen chamada… hm… Dracomics Shonen (criativo heim). Como é de se esperar de uma antologia, o nível de qualidade flutuou muito, e teve história ali que era tão ruim que preferia ser esmagada pelo encalhe de Futari H da JBC. Só que a história Divisão 5, de Rafael Santos e Wagner Elias, é simplesmente uma coisa GENIAL. É bem desenhada, é bem escrita, consegue apresentar tudo em 20 páginas e deixar o leitor ansioso para ler a continuação. Ah, e não estou falando que é genial no padrão brasileiro, e sim no mundial mesmo. A história é realmente incrível. Se tiver a oportunidade de lê-la, leia. E se algum dos autores estiver lendo essa matéria, pelo amor de kami-sama arranjem alguma editora para publicar isso num tanko!!! A ideia é legal demais para morrer!!!

My Hero Academia (JBC)

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Eu não curto ler scans e nem ver anime legendado porque me incomoda a dublagem japonesa, então o máximo de conhecimento que eu tinha com My Hero Academia era o básico de “é o grande sucesso da jump” pra cá e “tem muitos jogos de palavras intraduzíveis que a JBC vai ferrar” pra lá. Peguei sem nem ter ideia muito da história e me impressionei bastante com o mangá, ele tem um clima bem Shonen Jump (ah vá!) e os personagens são muito torcíveis. E com essa atual febre de tranqueiras de heróis ocidentais por causa do cinema e das séries de TV, a ambientação da história é bem fresca na nossa cabeça. E quanto à adaptação, achei a versão da JBC bem competente mesmo e os fãs bem implicantes. A melhor forma de mostrar isso foi que no segundo volume apareceu uma personagem chamada Trapézio Descendente, os otakinhos surtaram um monte na internet por causa do meme do Bambam até que descobriram que o nome da personagem, se traduzisse, seria Trapézio Descendente mesmo.

Helter Skelter (NewPOP)

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Anunciado ano passado durante o NewPOP day em meio a dezenoves mangás de Madoka e mais outras trocentas light novels, o mangá Helter Skelter é um tipo de mangá que devemos consumir com calma. Tem pouco texto e o traço é bem simples, mas é preciso ir com calma pra não ficar na bad. A autora Kyoko Okazaki conseguiu contar uma história sobre a ditadura da beleza com o tom grotesco que o assunto necessita. Essa foi uma leitura que mexeu muito comigo esse ano. Observação Importante: deixem pra ler o editorial que está no fim depois do mangá, porque ler antes e saber o que houve com a autora após a publicação do mangá vai te deixar ainda mais na bad.

E esses foram os títulos que mais gostei de ler nesse ano. No próximo post, que deve entrar amanhã, vocês poderão saber as piores coisas que tive contato nesse 2016.

Ex-funcionários da Locomotion querem ressuscitar o canal mas phoenix down não deu certo

26 dez

Se hoje você solta rojão pela Rede Brasil exibir animes requentados da Toei e pela PlayTV passar reprise de Yu-Gi-Oh com áudio péssimo, imagina como agiria com um canal especializado em boa parte de animes. Não, não estou falando do falecido Animax (que Kami-Sama o tenha), e sim do canal Locomotion! Há algumas décadas, este canal fez a alegria dos otakus com uma programação repleta de desenhos cults e uns animes que nunca veríamos na televisão. Tinha Evangelion, Cowboy Bebop, Saber Marionette, Ah My Goddess e umas coisas muito undergrounds como If I See You In My Dreams e Let’ Dance With Papa, tudo espalhado numa programação escondida desse canal que só tinha na finada DirecTV.

Histórias à parte, depois do canal ir afundando aos poucos ele foi comprado pela Sony que o transformou no Animax, o primeiro canal 100% dedicado a animes e que o resultado a gente já sabe: flopou muito e foi perdendo sua identidade até se tornar um canal para milennials. Mas onde estavam os antigos funcionários do Locomotion, aqueles que tinham a função de ligar a legenda do Cowboy Bebop e nem isso faziam? Bem, eles se uniram e estão com um projeto nesses crowdfundings da vida.

O projeto Team Loco (que… nome… horrível) atualiza o formato do Locomotion para os tempos atuais, ou seja, não é para fazer um canal de televisão e sim um site de streamming no mesmo estilão do Crunchyroll (já estão melhores que os que querem uma nova Manchete aqui no Burajiru), funcionando em toda a América Latina e Brasil.

Bem, eles pediram a bagatela de um milhão e seiscentos mil dinheiros mexicanos, o que equivalem a 253 mil reais, e o prazo vai acabar em dez dias. IKIMASU conferir como anda esse projeto pautado no nostalgismo de um canal de 20 anos atrás?

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Sim, caros leitores do Mais de Oito Mil, o projeto não conseguiu nem 5% dos dinheiros necessários. O valor é tão baixo que nem dá pra conseguir aqueles objetivos alternativos de menos dinheiro:

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Com 5% eles devem conseguir o suficiente para alugar o salão de festa do condomínio e fazer uma pequena reunião com duas picanhas e uma frasqueira com Mupy. Uma pena, porque é meio raro alguém tentar um projeto de anime pensando já nas novidades tecnológicas.

Por sorte, nós brasileiros estamos à frente da América Latina, porque ao menos temos o maravilhoso canal Locomax. Procure na sua operadora imaginária.

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Os indicados do 4º Troféu Imprensa Especializada (pff)

26 dez

Mais esperado que o lançamento de Pride – O Supercampeão! Mais imparcial que apresentador de programa online de editora! Mais superestimado que os trabalhos do Naoki Urasawa! 2016 está chegando ao fim e já está na hora do quarto Troféu Imprensa Especializada (pff), a premiação anual realizada pelo Mais de Oito Mil para decidirmos quem são os melhores do ano nas mais variadas categorias!

(Se puderem, leiam o texto todo porque deu um trabalho do Makai de escrever)

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Normalmente a premiação acontece no aniversário do Mais de Oito Mil, no começo de dezembro. No entanto, isso fez com que ano passado o Kira dos Mangás ficasse de fora por ter se revelado nos últimos dias de 2015. Dessa forma, o Troféu Imprensa Especializada (pff) vai considerar também o mês e dezembro do ano passado para que o Kira possa concorrer também. Mas não será fácil, porque ô ano maravilhoso para as pautas desse blog. IKIMASU para a apresentação das 16 categorias deste ano e seus indicados!

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Que ano para barracos maravilhosos, minna! Para começar, em várias oportunidades vimos os otakinhos surtando com as problematizações feitas pelo Mais de Oito Mil e por outros sites (como foi o caso do estupro de Berserk). Os otakus também protagonizaram um levante contra o Jbox por terem vazado o Hokuto no Ken da JBC. E, por fim, essa mesma galerinha xingou muito no Twitter com as reviravoltas do anime de Pokémon, que teve o Ash perdendo a final da liga com seu Greninja e o reboot da série na nova temporada.

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Olha quanta beleza reunida numa mesma categoria. Depois de vencer ano passado, o Capitão Onigiri está de volta para tentar seduzir seu público com o olhar penetrante e seus vídeos de análise de qualidade dos mangás lançados. Leonardo Kitsune mantém a tradição de ter sido indicado todos os quatro anos da premiação (embora só tenha ganhado o primeiro) e dessa vez revela uma nova face de beleza com um visual esculpido pela felicidade de ser pai e pela qualidade de vida. Por fim, estreando na categoria, Yushuu é redator do Crunchyroll (aquele site de streamming que também publica notícias e você nem tava sabendo) e faz questão de abrilhantar os eventos de São Paulo com sua presença carioca. Infelizmente, o vencedor não terá sua nude publicada no Mais de Oito Mil.

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A cultura oriental não ficou restrita apenas às timelines, a televisão brasileira continuou investindo pesado em divulgar e enaltecer a galerinha do lado de lá do globo. Para começar, a Rede Globo investiu numa novela que mistura Itália e Japão num mesmo produto ofensivo para duas culturas distintas. E o que falar de Raul Gil, que se transformou no embaixador da cultura coreana em seu programa? E longe de mim de indicar um favorito, mas a festa de lançamento de Cavaleiros e Dragon Ball no programa do Evê Sobral foi um evento DELICIOSO e completamente randômico.

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Quem precisa de WCC e YCC quando os melhores cosplayers não participam dessas competições? Luis Mello foi atrevido por se fantasiar de japonês legítimo para a novela Sol Nascente, Ana Furtado se esforçou ao máximo para chamar mais atenção que Fátima Bernardes e apresentou o Encontro vestida de Saori Kido. Por fim, Marcelo Del Greco cortou a orelha de Cassius e garantiu a armadura de pégaso para anunciar o kanzenban de Cavs no Henshin Online.

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Editoras continuam fazendo editorices, mas apenas uma vai levar o troféu. Será que o maior mico seja a divulgação de títulos por dicas da JBC, que normalmente mais irritam o público? Ou será que o maior mico foi da Editora Abril que pegou o mangá ocidental já adaptado de Star Wars e espelhou para ficar em leitura oriental, mas com as onomatopeias todas erradas??? Concorrendo também está a Nova Sampa por ter prometido o lançamento de Pride – O Supercampeão para salvar o mercado editorial brasileiro e até agora não deu as caras?

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GENTE, AGORA É SÉRIO. É a competição de melhor blog de humor e eu NUNCA GANHEI NA MINHA PRÓPRIA PREMIAÇÃO. VOTEM EM MIM, CARALHO. Ah, tão concorrendo também a página Ash vs Red pelo humor involuntário e o incrível Anime Games SP e suas matérias sobre games que viraram animes e animes que viraram games.

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O tempo passa, o tempo voa, e os requentamentos em mangás e animes continuam numa boa. Inclusive, se você pegou a referência contida nesse parágrafo, você está velho e apto a julgar qual foi a série que merece ser reconhecida como a requentada do ano. Tem Digimon Tri que segue ladeira abaixo com seus episódios sazonais, os Cavaleiros do Zodíaco que foram descongelados para a Rede Brasil e para a JBC e, por fim, o novo mangá de Sakura Card Captor mostrando que fã de CLAMP também não sabe superar as coisas.

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Toda área do entretenimento precisa de celebridades próximas e acessíveis para tietarmos. Como não é fácil encontrarmos autores de mangás andando na Paulista ou na fila do self-service, escolhemos exaltar os editores de mangás. Competindo este ano estão Cassius Medauar representando a JBC, Beth Kodama representando a Panini, Junior Fonseca representando a NewPOP e Douglas de Souza como a pessoa por trás da Nova Sampa. Sim, está faltando a foto do Douglas na imagem mas, até aí, a Nova Sampa também prometeu Pride – O Supercampeão para esse ano e não vi até agora.

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O prêmio de transparência é para premiarmos aqueles momentos em que deixamos de lado as aparências e mostramos a real. O primeiro foi no dia do Henshin+ que um convidado fez comentários transfóbicos, repercutindo negativamente no Twitter. Poucos minutos depois, Cassius Medauar pegou o microfone e declarou que a JBC repudiava aqueles comentários (palmas para o editor sem orelha). A JBC também foi indicada por deixar bem óbvio para o público que a Kodansha é a enroladona do rolê e fica atrasando o Akira. Por fim, o papel de Naruto Gold está concorrendo porque é bem transparente também.

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Não basta ser fã, tem que participar. O problema é que alguns participam demais. Concorrem como fanbase irritante os pokéfãs (que se multiplicaram por causa de Pokémon Go), os adoradores da Panini que exaltam até se postarem vídeo varrendo a redação e, por fim, a ascendente fanbase de Yokai Watch.

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Nossos guerreiros do mercado editorial são gente como a gente e não se seguram sem dar aquela indiretinha. Nesta categoria temos o Twitter da Panini que sempre dá aquela alfinetada na qualidade da concorrência, o textão da NewPOP avisando que ia sair  das bancas e dando um coice básico no monopólio de distribuição e, por fim, Beth Kodama que sempre que pode está lá para colocar umas críticas nas entrelinhas.

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Sempre tem algum espertinho tentando tirar proveito do trabalho dos outros e sair por cima, não é mesmo? Em dezembro do ano passado o Kira dos Mangás começou a vender mangás impressos em uma gráfica particular por um preço bem pequeno, um fanfiqueiro decidiu publicar um livro de Pokémon alegando que teria os direitos autorais e, por fim, Masami Kurumada usou em seu site uma ilustração que fãs tinham scaneado e… oi?

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Quase uma extensão da categoria anterior! O Kira dos Mangás pirateou títulos para mostrar às editoras de mangá como se fazia trabalho de qualidade e por um preço justo. Já o fanfiqueiro queria mostrar à Nintendo que Pokémon era uma marca relevante no Burajiru e ainda incentivar a leitura dos jovens numa história distópica e cheia de palavrões e mortes porque… né… história madura tem palavrões e mortes. E, para terminar, todo mundo tentou te convencer que apoiando a Rede Brasil e seus animes requentados poderia ser uma porta para a chegada de uma nova era em que os animes voltariam a esse veículo tão importante quanto a televisão aberta.

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Quem disse que otaku é sedentário deve ter caído da Ponyta nesse ano de 2016, pois muitos esportes para esse nicho afloraram por todo o Brasil. A Corrida Naruto surgiu em competições em vários municípios do Brasil, uma sauna gay realizou o primeiro torneio de Keijo Masculino com homens guerreando com suas bundas e, para acabar, Yuri on Ice promoveu a ascensão da patinação do Carrefour a uma modalidade esportiva

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Eles foram esquecidos esse ano mas foram lembrados numa categoria exclusiva! Primeiro foi a C&A ~esquecendo~ de fazer uma camiseta do Shun em sua coleção dos Cavaleiros do Zodíaco, aí teve a Kodansha se esquecendo de responder os emails da JBC e atrasando Akira por mais um ano e, obviamente, a Editora Abril que esqueceu de publicar um capítulo de Kingdom Hearts no último tanko lançado e ninguém sabe quando vai ver isso impresso.

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E, para terminar, esse ano de 2016 foi quando os criadores descobriram que uma barba distópica serve para deixar qualquer personagem apto para um público mais maduro e exigente. Por isso todos os personagens da fanfic Ash vs Red ganharam barba, Goku e Vegeta fizeram uma rápida aparição em Dragon Ball Super com pelos na cara e Kratos do novo God of War tá usando uma barba para atrair o público fã de lenhadores.

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Agora que conhece os indicados, PARTICIPE DA FESTA DA DEMOCRACIA E VOTE!!!

O melhor do Burajiru é o burajirujin – Fanfic do Yuri on Ice no Carrefour

19 dez

Estava eu de boa na timelaine do Twitter vendo as mesmas reclamações existenciais, pessoas attention whore e imagens de reação de Pokémon Sun & Moon quando apareceu na minha frente um link para uma fanfic de Yuri on Ice. Para você que não sabe do que se trata, Yuri On Ice é uma história de vitória e superação envolvendo patinação artística no gelo e uma relação amorosa entre homens que faz a galera da internet perder as estribeiras nos shipping.

Eu não gostei muito do anime quando vi o primeiro episódio, mas uma coisa me chamou a atenção na fanfic de Yuri on Ice (além do fato de ela não querer autorização oficial da Yuri on Ice Company para torná-la canônica): ela se passa aqui no Brasil!!! E como não temos histórico de patinação no gelo por motivos que aqui é um país tropical abençoado por Kami-sama e com 40°C no verão, a autora Arisusagi substituiu por algo muito mais próximo de nossa realidade, e isso foi o bastante para que eu criasse essa nova seção do Mais de Oito Mil, a que mostra que o melhor do Burajiru é o burajirujin.

Por quê? Porque ela tirou patinação artística e trocou tudo pelos FUNCIONÁRIOS DE PATINS DO CARREFOUR!!!

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SIMPLESMENTE GENIAL, ARISUSAGI! Usando toda a pedância adquirida em faculdade de humanas, posso dizer que você soube sintetizar o espírito do tempo e localizar perfeitamente uma história da cultura oriental em um fenômeno espacial brasileiro, com toques de pastiche e linguagem acessível.

Se você tiver mais de 16 anos e quiser conferir a história, basta clicar aqui e ler essa fanfic genial. Tem o selo de aprovação Mais de Oito Mil!

A Fanfic Distópica está de volta com novos vilões: os advogados da Pokémon Company

18 dez

Com muita tristeza, o autor da Fanfic Distópica de Pokémon encerrou a temporada anterior de sua história decidindo parar de postar em seu site até que a Pokémon Company aprovasse sua ideia e lhe vendesse os direitos para trabalhar oficialmente com Pokémon, mesmo tendo lançado uma demo sem autorização ou então preparar um livro sobre uma mitologia que tirou do cu para publicação na Play Store da Google. No entanto, a segunda temporada da fanfic que mais amamos já começou sem nem precisar de recesso de fim de ano!

Isso quer dizer que ele conseguiu os direitos de publicação com a Pokémon Company? CLARO QUE NÃO, NÉ??? O post sobre o assunto foi simplesmente deletado e fingiu-se que nada foi dito. Na verdade, tudo não passou de uma introdução a uma nova fanfic que estava sendo criada paralela à trama distópica do Ash barbado.

IKIMASU conferir as novidades:

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Em um singelo post em sua página pessoal no Facebook, o fanfiqueiro distópico dise que não veria problema em lançar o livro de graça porque não quer transformar sua grandiosa história violenta e pós-apocalíptica em um livro infantilizado para agradar os advogados da Pokémon Company. Peraí… de onde saiu esse papo de infantilizar as coisas? E que raio de história com advogados é essa? Calma aê que tem mais:

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Neste aparente post de desabafo, o autor distópico visivelmente está incomodado com a pressão do advogados da Pokémon Company, que devem estar o pressionando cada vez mais para que modifique sua história. Não sei se o mais incrível é toda essa narrativa pública ou se é imaginar que a Pokémon Company tem um exército de advogados especializados em sugerir entrechos para romances. Mas vamos continuar porque a coisa só melhora:

Em seus novos posts, o fanfiqueiro disse que o jogo será diferente e terá Ash voltando a Kanto após a derrota em Kalos. Isso é estranho, afinal na própria fanfic de 500 páginas já escritas tudo começava depois da vitória do Ash em Kalos, como é que as coisas mudaram? Bem, o fanfiqueiro foi influenciado pelos novos vilões desta meta-fanfic, OS ADEVOGADOS:

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Pera, eu tava até conseguindo acompanhar essas reviravoltas, mas essas regras inventadas pelos supostos advogados da Pokémon Company são mais confusas de entender que a numeração dos Kingdom Hearts! Uma pessoa com formação em direito consegue mesmo criar esses lapsos no contínuo espaço-tempo?

Bem, pelo visto sim sim, pois a maior novidade é que o fanfiqueiro CONSEGUIRÁ O LICENCIAMENTO com esses advogados especializados em tramas distópicas. No entanto, a coisa não será tão simples. Confira abaixo esse print maravilhoso de um post publicado e apagado minutos depois:

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MAS QUE REVIRAVOLTA MARAVILHOSA. Agora Ash vs Red não será mais Ash vs Red, mas ainda terá Ash enfrentando Red. Contudo, não será mais pós-apocalíptico. Será baseado numa nova aventura que vai desconsiderar Alola porque os supostos advogados permitem que corte um pedaço do canon. E, por fim, será uma obra nostálgica para atrair os fãs do anime, mas não será tão nostálgica assim porque o Ash vai crescer.

Não consigo decidir o que tá melhor nessa história, se é toda a narrativa construída publicamente nas redes sociais para incluir os supostos advogados da Pokémon Company como os vilões que modificam histórias pós-apocalípticas ou se é ver essa fanfic de How To Get Away With Murder cheia de advogados que dominam todas as áreas do saber que se tornou o licenciamento impossível dessa história absurda. Tem alguém aí se esforçando demais para deixar uma história verossímil, heim?

(Agradeço aos prints dos meus leitores sagazes)

A mesa redonda das Editoras de Mangá que virou uma Ceia de Natal

18 dez

Ao andar pelas ruas à noite, você deve ter reparado numa intermitente alternância de luzinhas. Por mais que pareçam cenas de um episódio proibido de Pokémon, nada mais são que o prelúdio do grande feriado de Natal que está por vir. Sabe? Aquela época linda em que toda a família se reúne para a maior troca de patadas e indiretas de todo o ano! Pera, mas outra coisa também se encaixa nessa mesmíssima descrição: a tradicional mesa redonda dos editores de mangás, que dessa vez rolou no Ressaca Friends 2016 com a presença ilustre de todas as celebridades editoriais. IKIMASU conferir o papel de cada um nessa grande celebração natalina?

BETH KODAMA interpretando A Tia Rica

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A representante da Panini na mesa redonda das editoras encarnou praticamente aquela tia que tem muito dinheiro para se preocupar com assuntos mundanos e sempre faz comentários que acabam demonstrando que ela não tem tantos problemas financeiros quanto os outros. Em um dado momento, ao comentar que ano que vem os impostos devem aumentar, ela disse que não sabe se as outras editoras estão preparadas pra esse evento.

Ao falar sobre a publicidade de One-Punch Man no metrô de São Paulo e na televisão, ela falou sobre as cifras que a Panini Itália aprovou que fosse gasto com o marketing do negócio e fui me afundando na cadeira com aquelas dezenas de milhares de reais sendo falados com a mesma naturalidade que eu digo ter 18 reais na minha carteira. Via-se claramente que por trás da figura imponente de Beth-sama há o stand de uma multinacional poderosíssima.

Em um dos pontos mais polêmicos da ceia, que foi quando o mediador Graveheart perguntou sobre os produtos de luxo, Bethinha se mostrou gente como a gente dizendo embora esteja rolando uma gourmetização do mercado, a Panini vai continuar investido no que faz de melhor: tankos em papel jornal, tankos em offset e títulos que saem dois meses depois do anunciado no checklist (ok, isso eu que incluí).

JUNIOR FONSECA interpretando O Adolescente Que Não Queria Estar Ali

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O papel de adolescente que não queria estar ali é muito fácil de ser interpretado por Junior Fonseca, o editor de mangás da NewPOP que estacionou na aparência dos 20 anos de idade há pelo menos três décadas. E como era de se esperar do papel, ele teve que ouvir durante muito tempo os mais experientes falando como resolviam problemas com suas empresas grandes e médias, enquanto ele se esforçava pra fazer as coisas por conta própria. Basicamente ficou ali no meio do fogo cruzado torcendo para ter uma chance de falar sobre gaems (como seus comics de jogos) ou sobre como o NewPOP Day vem aí com muitas novidades se nenhum carregamento de papel preso no porto atrapalhar seu cronograma.

CASSIUS MEDAUAR interpretando O Tio

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Cassius, o representante da JBC, chegou à mesa redonda com um saco vermelho cheio de presentes caríssimos, como o kanzenban dos Cavs e Ghost in the Shell, mas aí surpreendeu as crianças do palco ao contar que era tudo cenográfico apenas e que ele não iria distribuir os mimos. Contou sobre como a JBC tem decidido anunciar menos coisas para não abarrotar as bancas (e por algum motivo todos os presentes nessa ceia cogitaram a chance ser uma alfinetada de leve a algum outro presente na mesa, que por acaso também prometeu um anúncio).

Cassius também aproveitou para retomar todos os pontos que vimos nos últimos Henshin Online, como foi o caso da qualidade dos mangás, da versão francesa de Akira, adaptação etc. Aliás, ao reclamar sobre como Naoko Takeuchi é uma autora chata pra caralho para aprovar seus mangás, Beth revelou estar no mesmo barco por cuidar do título para a Panini México e então um lindo arco-íris de empatia surgiu entre os dois.

Mas o clima logo passou quando um otaku do público perguntou por que a Panini conseguia fazer coisas com qualidade por um preço e a JBC cobrava mais por uma qualidade parecida. Rolou uma resposta elaborada, mas resumidamente foi algo como “meu filho, a JBC não é uma multinacional pfv“.

DOUGLAS DE SOUZA interpretando Papai Noel

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Após todos nos otacos não nos comportarmos direito durante o ano, o editor da Nova Sampa não deu as caras e nem trouxe Pride – O Supercampeão para salvar o mercado de mangás. Mais sorte ano que vem na próxima mesa redonda.

Página no Facebook te ensina como NÃO vazar títulos de mangás

15 dez

Enquanto tem vezes que Panini e NewPOP cagam um pouco para as redes sociais, a JBC é empolgada ATÉ DEMAIS com o rolê. Tanto que um dos artifícios que eles mais usam sazonalmente para revelar novos títulos são as chatíssimas gincanas envolvendo dicas que o público precisa decifrar do que se trata. Bem, nem precisamos falar o quão babaca pode ser isso, e que da última vez deu no anúncio do Kanzenban de Cavaleiros e o público ficou tão nervoso que Del Greco e Medauar precisaram ser escoltados da JBC por Cavaleiros de Aço. Pois bem, falei isso tudo porque uma página no Facebook supostamente descobriu dois mangás que estão sendo negociados por editoras de mangás no Burajiru, e aí eles tinham duas opções:

(a) Revelar logo quais eram os mangás e fazer o post bombar nas redes sociais
(b) “E se a gente fizesse um monte de dica que nem a JBC faz e que dá sempre errado?”

E a alternativa escolhida foi:

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CLAAAAARO que foi a alternativa de imitar o desastre que é a divulgação por dicas. Depois de algumas charadinhas que não fazem sentido algum, eles revelaram que o primeiro título vazado é…

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Deixa eu ver se a otaka aqui entendeu! Rolou um circo enorme para anunciar mangás supostamente vazados que supostamente estão em negociação e uma das revelações foi um título revelado meses atrás pelo Jbox? Então tá, né? Pelo menos eles podem compensar e vazar algo inédito ainda e…

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PERAÍ??? Um pessoal de uma editora que não sabemos quem é ficou incomodado com o vazamento do título que não foi vazado e, por respeito, ele não será vazado e ficamos por isso mesmo? Ou seja, depois de todo o circo, os leitores ficaram apenas com o Hokutão que já tinha vazado antes e a página ganhou repercussão fazendo absolutamente nada.

Como anunciar as coisas de uma vez e aguentar as consequências de um furo de reportagem são coisas do passado, sorte que eu já providenciei um vazamento para vocês leitores, com dicas que vão servir para qualquer futuro anúncio das editoras:

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Meu Passado Otaku – Seria Bambuluá o grande seriado tokusatsu brasileiro?

13 dez

Muitas pessoas acham que a invasão da Grande Nação Japonesa no Burajiru ocorreu em 1994 quando a Manchete introduziu um anime velho pra caralho que vem sendo requentado até hoje. Ledo engano, Leda Nagle. Os animes surgiram já nos anos 60/70 por aqui e faziam muito sucesso. No entanto, nos anos 80, quem atraia a atenção da mídia eram os seriados tokusatsu, aqueles lá de heróis mascarados, produção capenga e muitas explosões em uma pedreira. Changeman, Jaspion e o ninja Jiraya mudaram para sempre o conceito de heróis, e seu legado continuou nos anos 90 com o americaníssimo Power Rangers. Isso quer dizer que o nosso país ficou de fora da tentativa de emplacar um seriado tokusatsu? Claro que não! Em meados dos anos 2000, a Rede Globo penhorou todas as fantasias a TV Colosso para conseguir levantar dinheiro para seu projeto mais ambicioso: UM TOKUSATSU NACIONAL. Vamos relembrar hoje o icônico BAMBULUÁ.

No meio de 2000, a Globo separou um terreninho no Projac e prometeu para Angélica que ela iria ganhar um programa grandioso. Cansada de ser humilhada diariamente com a exibição dela cantando e dançando a abertura de Digimon Adventures, a loira topou na hora o projeto. Iniciou-se então a construção de uma cidade cenográfica dos sonhos chamada Bambuluá, um local em que alternariam histórias de aventuras e desenhos animados ruins importados da Fox Kids exibidos numa emissora fictícia chamada TV Globinho.

Para a parte da ficção, a Globo convidou os autores Julio Fischer e Claudia Souto para criarem aquele que seria o primeiro seriado tokusatsu do Burajiru, fortemente inspirado em Power Rangers. E quem duvida que esses dois tinham um pezinho na Cultura Mais Rica é só ver o currículo deles: Julio atualmente escreve a novela Sol Nascente e Claudia fazia parte da equipe por trás da novela Morde & Assopra que misturava dinossauros com o Japão. Nascia então Bambuluá, o tokusatsu que não tem fotos em qualidade boa na Internet:

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Bambuluá era exibida no meio da programação matutina em quadros de uns 10 minutos, sendo posteriormente compilados numa reprise torturante aos sábados de manhã. A trama não fica devendo aos mais clássicos tokusatsus da Grande Nação Japonesa e conta a história da apresentadora Angélica (interpretando ela mesma) que foi fazer um show de seu último CD na cidade de Bambuluá e que mal desconfiava que isso era um truque orquestrado pelo Senhor Dubem (que nome criativo). O mago revela que o show de seu último e decadente CD era apenas um pretexto para atrair Angélica para a cidade, pois eles estavam prestes a enfrentar uma crise agravada não pelo impeachment da autoridade, e sim pela tentativa de invasão do dominador da cidade de Magush, o maléfico Senhor Dumal (que… nome… criativo).

Angélica logo pensa que precisará usar um vestidinho verde e reencarnar a Fada Bela, mas o Senhor Dubem conta que ela está lá apenas para auxiliar os Cavaleiros do Futuro. Este é um grupo de crianças que vestem roupas coloridas com microfones de YouTubers, e seus poderem envolvem arremessar feixes de luz que eram o que o orçamento da Globo conseguia fazer depois de gastar uma fortuna para tirar Dragon Ball Z da Band. Cada uma tinha um poder especial baseado nos sete elementos: Sol, Luz, Vento, Eletricidade, Água, Magnetismo e Internet (sério).

“Mas Mara, sua blogueira implicante, você reclama até dos maravilhosos tokusatsu atuais! Aposto que os efeitos de Bambuluá não eram tão ruins assim!”

Claro que você leitor pensou nisso, e por isso fiz questão de providenciar GIFs animados das cenas de ação, todas filmadas em fundo verde e sem ninguém socando ninguém porque é a Globo produzindo:

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Vocês podem falar que a Globo quis fazer um programa sem violência, mas na verdade ela estava bebendo inspiração do tradicional RPG japonês Dragon Quest em que vemos heróis e vilões atacando em planos diferentes. Que homenagenzona, né não? No entanto, nem eu consigo inventar qualquer explicação possível para explicar a qualidade da CG do Senhor Dumal, este que é quase a vida passada de Dollyinho atuando como vilão de tokusatsu:

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Ok, temos uma cidade lúdica em apuros, um grupo de crianças que lutam, um porco em CG de Saturn… e onde entra a Angélica? Simples, caro leitor, ela não serve para absolutamente nada na história. Ela é apenas uma figura importante na trama que não tem importância alguma além de ser mais famosa que todo o resto do elenco. Para ela não ficar tão avulsa assim na trama, eles colocaram ela para fazer par romântico com o robô maléfico Bruck, que logo é convertido para as forças do bem e se veste igual a um jedi:

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Porém, a Globo não contava com a repercussão nula da história e com a falta de talento de 97% do elenco. A saída então foi tirar do cu um arco de envelhecimento dos protagonistas os mandando treinar dentro do Cristal (que funciona como a Sala do Tempo do Dragon Ball Z) e assim começar uma nova fase em Bambuluá Shippuden com todo o elenco infantil trocado por adolescentes que falharam nos testes de Malhação. Se ficou bom?

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Essa imagem do arco final com a Angélica trancafiada numa estrela frutuante em 2D e o Cavaleiro do Futuro verde suando na virilha por causa da temperatura do traje já indica que Bambuluá Shippuden era uma roubada sem tamanho. Eles botaram até o pipoqueiro e a professorinha da cidade numa roupa de guerreiro medieval pra batalhar numa pedreira no arco final:

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Após o apressado arco final, a Globo aposentou a cidade de Bambuluá e transformou a TV Globinho na principal atração das manhãs, rendendo até hoje uma geração de milenials que não superaram a saída de Super Pig ou de horríveis temporadas de Digimon da televisão brasileira. E assim morreu o primeiro tokusatsu nacional, que é tão esquecido pela própria Globo que nem ao menos achamos fotos e informações no Memória Globo. Que tristeza.

Seja editor de mangás da NewPOP por um dia (ou quase isso)

12 dez

Muitos se enganam achando que o trabalho de editor de mangás no Burajiru se resume a responder perguntas de quando vão lançar Akira, co-apresentar um Disk MTV dos animes num canal UHF ou então contracenar com um oriental hiperativo em vídeos que sua empresa multinacional te convoca para participar. Na verdade, o principal trabalho de um editor de mangás no Burajiru é… (preparem-se para a surpresa)… EDITAR MANGÁS. E olhando por esse lado apenas, a NewPOP acabou de enlouquecer e dar a oportunidade para que você assuma as funções de editor de mangás por alguns momentos. Duvida? IKIMASU ver o que eles postaram hoje nas redes sociais:

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Explicando para você que já bloqueia a visão quando vê post de Facebook por não aguentar mais discutir política ou participar de corrente tipo Orkut: a Editora NewPOP está dando aos leitores o poder de escolha sobre qual será o próximo mangá de Madoka Magica que será lançado. Legal isso, não é? E não é só isso. Ao clicar no link você automaticamente vira o próprio Junior Fonseca, mas sem o corpo que nunca envelhece (sério, eu acho que ele tá igual fisicamente desde que eu era uma otaka de 13 anos). E como editor da NewPOP, você se vê diante de uma mesa em que precisa decidir sobre esses três títulos super-variados e que devem vender feito água para a fanbase desse anime mediano:

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Mas não pense que seu trabalho de editor de mangá vai se resumir apenas a escolher um simples spin-off de Madoka para ser anunciado no próximo NewPOP Day (não esquece de me convidar, Fonseca!). Nããão, cabe a você ainda votar em quais obras você gostaria que a NewPOP trouxesse ao Brasil no futuro. E, ao contrário da votação que elegeu Inuyasha na JBC, aqui a editora confirma que não tem contrato nem nada e que vai atrás do licenciamento só depois:

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O quão maravilhoso é ver uma lista de dez produtos editoriais para escolher e se dar conta que se tratam de MAIS DE DEZ MATERIAIS SOBRE MADOKA??? Afinal, não existe forma virtual mais realista de se realizar o trabalho de editor de mangás da NewPOP se não tiver uma caralhada de Madoka para trabalhar.

Aguardando que mais editoras repitam essa ideia da NewPOP e nos deixem ser editores de mangás por um dia. Já imaginou você perder seus finais de semana editando mangá ou então ecrevendo textos no editorial?