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O Grande Guia dos Tipos de Leitores de Mangás do Brasil

20 fev

Muitas pessoas pensam que o Mais de Oito Mil é apenas um local para ficar chochando o mercado otaku do Burajiru, mas a função deste site é servir quase como um espírito do tempo que mostra o verdadeiro otaco da atualidade. Como parte dessa grande missão que Kami-Sama me designou, fiz uma grande investigação para descobrir quem são os leitores de mangás do Burajiru agora em 2017. IKIMASU ver em quais tipos vocês se encaixam?

O Incentivador do Mercado Nacional

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Tipo de leitor que existe desde o começo da implantação dos mangás no Brasil. Como o mercado era pequeno, havia um pensamento de que os leitores deviam comprar qualquer tranqueira lançada apenas para incentivar o mercado. Hoje em dia, mesmo com o mercado ~consolidado~, ainda temos gente endinheirada ou sem senso crítico que quer apenas ajudar para que venha mais coisa.

O Lombadeiro

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Mais preocupado com estética que com o conteúdo, o Lombadeiro passa horas na banca de jornal procurando o mangá mais alinhado segundo as condições naturais de temperatura e pressão já imaginando como ele ficará na estante. Não tem taanta vontade assim de ler, mas sente um prazer quase sexual de postar foto de estante de mangá com tudo uniforme.

O Sommelier de Papel

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Leitor especialista que emergiu em 2014 durante a crise do papel das editoras. Com poucos cliques no Google tornou-se um entendido no mundo editorial, capaz de perceber qual a gramatura do papel apenas olhando o quanto da página anterior aparece na transparência. Compartilha alguns fetiches com o Lombadeiro, como o fato de comprar saquinhos plásticos para proteger o papel e deixar sua estante com cara do estoque da Comix.

O Acionista de Editora

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Para os Acionistas de Editora não importa o formato, o preço, o mangá ou mesmo se a história é interessante, tendo o selo de alguma editora já é o bastante para comprar um título e se horrorizar com os da editora “rival”. Atualmente os Acionistas que mais se destacam são os Panini Lovers e os JBCzeiros, que podem ser facilmente identificados em grupos de mangás com comentários do tipo “Anúncio da Panini em formato XXX? É cofre!” ou “Cassius Mitauar”. Cuidado: eles surtam se você os classifica como fanboys de editoras.

O Casual

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O leitor casual não participa de grupos, não liga muito para o formato e apenas se preocupa com a qualidade da história e com o preço. Considera mangá apenas como um entretenimento, e faz uma leitura bem descontraída do material (normalmente nem lendo as legendas das onomatopeias).

O Entusiasta de Brindes

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Acostumado a comprar a revista Recreio na infância e os chocolates Kinder Ovo, o Entusiasta de Brindes é bem mais preocupado com os extras que com o mangá em si. Chega a comprar volumes de mangás que nem ao menos acompanha para ter aqueles brindes exclusivos como adesivos e marca páginas. E se o mangá foi lançado nas bancas com dois brindes diferentes, compra duas vezes porque sim.

O Cotejador

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Por ter feito alguns semestres de japonês na Aliança, o Cotejador se julga o entendido da bilinguaridade e faz questão de comparar a tradução das editoras com o original, apontando ~erros absurdos~. Há também o Cotejador poser que compara apenas com scanlations do idioma que conhece.

O Não-Fã (atualmente em extinção)

O Não-Fã é o leitor que via o anime na TV e comprava os quadrinhos. Se confunde com otakices desnecessárias dos mangás, como a utilização de honoríficos -chan -kun -san, não segue editora alguma no Facebook e precisa ser conquistado fora do nicho que as editoras atuam. Poderia ser a solução para vendas baixas, mas nenhuma editora está muito interessada em transformar um leitor ocasional num leitor habitual de mangás.

Quanto custariam hoje os primeiros mangás publicados no Brasil?

22 mar

Não sei vocês, mas é um sofrimento muito grande chegar na banca e ver meus suados dinheirinhos indo embora quando compro aquela republicação requentada de um mangá meio tanko cuja edição original hoje se esfarela na minha mão. Olho aqueles preços acima dos 15 reais e penso “esse mundo está perdido, os mangás estão o olho da cara… bom mesmo era quando a JBC publicava coisas a 2,90, a Conrad a 3,90 e o brasileiro era feliz“. Embora numericamente seja uma crítica correta, será mesmo que aqueles 2,90 eram mais baratos que os preços atuais?

ISSO MESMO, MINNA. É HORA DE RESSUSCITAR A SEÇÃO MAIS PEDIDA POR TODOS OS LEITORES DESTE BLOG!!!!

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Que saudade eu tava desse Vegeta investigador. Assim como a moral dos cosplayers nos programas matutinos, a nossa moeda atual foi sofrendo desvalorização com o tempo, então o que era 2,90 lá em 2001 não significa o mesmo atualmente (vamos lembrar que o salário mínimo começou valendo uns 60 reais). Para fazer o cálculo de transformar o valor do passado em quanto custaria hoje, vou usar como base o conversor de moeda do Acervo do Estadão.

Embora o método não seja válido para conversões oficiais, ele dá uma boa ideia de valores ao comparar o preço antigo ao valor do Estadão na época e fazer a conversão para os valores atuais. E como mangá também é algo impresso, tá tudo na mesma categoria então podemos assumir que os valores são semelhantes. Ah, também vou explicar que todos os valores de mangás meio-tanko serão multiplicados por DOIS, assim fica o equivalente a um tanko inteiro que é a forma como os mangás são publicados hoje no Burajiru.

IKIMASU então fazer umas contas e ver se os mangás estão mesmo caros hoje em dia?

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Começamos com o Pokémon Quadrinhos publicado pela Conrad em 1999 aproveitando o anime e já começamos levando um tiro. Você acredita que esse mangá de 52 páginas custa OITO REAIS? E se fizermos as contas para transformar em um tanko equivalente ao original do Dengeki Pikachu, o valor vai para TRINTA E DOIS REAIS POR UM TANKO. Nossa economia era maravilhosa nos anos 90, não acham? Sorte que a internet discada impedia os otakus de xingarem muito no Twitter (que seria inventado sete anos depois).

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MEU KAMI-SAMA DO CÉU, como assim duas edições meio-tanko de Dragon Ball da Conrad custariam atualmente mais de vinte reais? Agora faz até bastante sentido por que a Conrad teve a ideia de dividir os mangás em dois para aliviar os brasileiros. E pior: na época era quadrinho barato, porque os da Marvel e DC custavam quase o preço de uma casa própria!

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A JBC entrou no mercado em 2001 lançando quatro mangás de uma vez: Sakura Card Captor, Samurai X, Guerreiras Mágicas de Rayearth e Video Girl Ai, todos com formato menor que o da Conrad e papel jornal (Rayearth era um pouco maior e um pouco mais caro pra ficar parecido com o original). Quem diria que aqueles 2,90 hoje em dia renderiam um tanko de quinze reais?

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E quando a Conrad decidiu lançar Evangelion, ela fez um formato bacanudo, papel legal e páginas coloridas nas edições ímpares. Pena que o luxo foi agregado ao valor, porque se fosse uma versão tanko o Evangelion custaria salgados VINTE E UM REAIS hoje em dia.

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A surpresa foi quando a Panini decidiu entrar no mercado de mangás lançando o sonífero e ultrashippado Gundam Wing num formato minúsculo que contribuiu para o aumento do grau de miopia em parte dos otakus de 2002. E o que dizer do valor? Bem, está compatível com os mangás de hoje, mas tinha uma qualidade sofrível…

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O valor mais justo continuou sendo aplicado nos lançamentos seguintes da Panini, Éden e Peach Girl (ambos canceladíssimos pela editora, e o primeiro foi ressuscitado por Cassius Medauar na JBC). Mesmo assim… meio carinho um mangá de quase quinze conto em sentido ocidental né não?

Vamos esquecer agora os meio tanko e partir pro tanko?

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O primeiro tanko brasileiro foi lançado pela JBC, que cobrou exatamente o valor de dois meio tanko. Convertendo para nossa desvalorizada moeda de hoje, vemos que o preço era uma pequena faca perfurando nosso coração enquanto um Mokona faz um cameo no fundo.

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Vamos para um dos primeiros tankos da Conrad (não foi o primeiro, mas é o que eu curto mais então XIU). A qualidade da edição e do papel se comparam ao que temos nos mangás de hoje, e coincidentemente o preço está quase igual também. Se Slam Dunk vier a ser republicado no Burajiru, capaz de sair até mais caro…

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Já um dos primeiros tankos da Panini tem um preço bem próximo dos atuais. E a minha edição comprada na época também está impecável até hoje, ou seja, se você quiser sofrer lendo a saga do Arima o negócio não vai soltar página na tua mão.

E como seria um mangá de luxo?

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Resumindo: nunca foi fácil ser otaku no Burajiru. E pelas contas, podemos até dizer que os mangás de hoje estão até um pouquinho mais baratos do que eram há dez anos. E se compararmos com os publicados no final dos anos 90, a gente tá é saindo no lucro.

No entanto, analisando os valores podemos ver que mangá sempre foi diversão para pessoas com melhores condições de valores aquisitivos. Mas aí já é outro problema.

Grande Debate – Tradução de Mangás

30 maio

Oi minna! Estão prontos para mais uma seção do blog que eu invento e não levo pra frente que nem a Experiência Mais de Oito Mil? Bem, o Grande Debate funciona da seguinte maneira: eu vou expor um tema polêmico do mundo da cultura mais rica, aí coloco o reloginho na tela e vocês comentam como se não houvesse amanhã nos comentários sobre a questão. Aí eu invento depois alguma maneira de mostrar como foi esse debate em outro post.

Depois de explicado, é hora de soltar a vinheta!

Tô tão orgulhosa dessa vinheta… bem, vamos pro tema de hoje, que é TRADUÇÃO.

Um dos posts mais visitados do Mais de Oito Mil foi o da minha briga com o Guilherme Briggs por causa da história da tradução de Fairy Tail. Se você não lembra, vou refrescar a sua memória.

A Editora JBC lançou o mangá Fairy Tail e convidou o talentosíssimo dublador Guilherme Briggs para traduzir essa grande obra do cânone da Grande Nação Japonesa do inglês. Muitos reclamaram da tradução ter sido feita do inglês ao invés do japonês, mas para isso eu tô cagando. O meu problema foi que o dublador, naquele jeito irreverente e divertido que cativa as multidões, inseriu nos diálogos algumas piadas próprias que não estavam no original, além de colocar gírias bem regionais no mangá. E quando os fãs foram reclamar, ele foi bem pragmático: “As pessoas deveriam se abrir para aprenderem novas gírias. Nada como um recurso discursivo que você joga o seu problema na pessoa que te acusa, né minna?

O problema do talentosíssimo dublador, que acha que fazer a voz do Sílvio Santos em todos os personagens é igual a fazer comédia, é que ele está mexendo na obra original do autor. Não que o Hiro Mashima tenha feito uma grande obra e que mereça ser respeitada, mas ele é o autor e não colocou os personagens falando gírias ou referências.

Quando entrevistei o Marcelo Del Greco, além de assumir a culpa pela pintura das zebras, ele falou bastante sobre adaptação de quadrinhos da Grande Nação Japonesa. Ele disse que os fãs reclamaram de Fairy Tail porque não teve anime antes, porque Ranma ½ teve um anime cheio dessas irreverências e ninguém reclamou que elas estavam no mangá. Em um ponto ele está certo, pois nunca vi uma pessoa reclamando das gírias e piadinhas do mangá de Yu Yu Hakusho (talvez porque só um ou outro tenha reclamado). E olha que se você torcesse o mangá como um pano de limpeza sairiam escorrendo citações às pegadinhas do João Kleber e bordões do Zorra Total.

A Editora JBC acabou conseguindo uma “marca” de tradução, que segue uma linha um pouco mais solta. Os honoríficos (aquelas coisas de –san, -kun, -chan) quase não são usados, até porque o Burajiru não costuma usar isso em sua fala normal, e os personagens falam com uma coloquialidade que seria a menina dos olhos de ouro dos livros do MEC (alguns “você” viraram “cê”).

No outro extremo, encontramos a editora Panini. A editora que entope mensalmente nossas bancas com mangás tem uns costumes um pouco diferentes de traduções, como, por exemplo, o uso de todos os honoríficos (aqueles negócios que expliquei no parágrafo anterior. Se você se esqueceu o que é isso, bata sua cabeça oito vezes na parede enquanto grita “Eu preciso de um cérebro maior”) e de um nível de adaptação quase ZERO no mangá, ou seja, eles colocam todas as referências japonesas e depois colocam uma notinha no final do mangá explicando aquilo.

Para exemplificar o estilo de tradução e adaptação das duas editoras, pegarei um mangá que não foi lançado no Burajiru (Omamori Himari, que não faço a menor idéia do que se trata) e mostrar uma mesma página duas vezes, uma com a tradução da JBC e outra com da Panini.

***

Cada um dos estilos tem seus pontos positivos. O estilo JBC tenta fazer os mangás falarem português, eliminando coisas que são desnecessárias para a nossa leitura e adaptando as coisas para deixar engraçado para quem tem uma cultura bem menos rica. Já o estilo da Panini segue fielmente o estilo japonês e é uma excelente maneira de se conhecer a cultura da Grande Nação Japonesa.

E sobre os contras? Os personagens na JBC fazem mais citações a Chaves e ao Pânico na TV que eu faço da Luisa Marilac, e isso pode parecer estranho pois sabemos que os personagens do mangá não assistem esses programas lá (mas a Marilac é conhecida no mundo inteiro, principalmente na EuroPÁ). E a Panini é tão fiel, mas tão fiel que acaba restringindo um pouco o mangá a um público bem fechado, que não estranha as referências e honoríficos. Lembro uma vez de emprestar o mangá pra uma amiga não-iniciada e ela me perguntar se –kun era o sobrenome dos personagens. Eu me pergunto, isso é realmente necessário? Não se pode só colocar o nome e/ou sobrenome?

Bem, agora o momento Capitão Planeta, em que o poder é de vocês. Espero que todos os quatro leitores desse blog discutam nos comentários a seguinte pergunta:

“Vocês são #TeamJBC ou #TeamPanini? Ou nenhuma das duas? Afinal, como vocês gostariam que fossem as traduções de mangás no Burajiru?”

***

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Dois pesos, duas medidas [4]

8 abr

boas e más estratégias no mercado de mangás do Brasil. Como não temos muitos leitores, qualquer artifício para atraí-los é uma boa. Qualquer?

Vamos aos exemplos:

ESTRATÉGIA BOA

Newpop lançando mangá de Alice no País das Maravilhas para coincidir com o lançamento do filme do Tim Burton


ESTRATÉGIA QUE FORÇA A AMIZADE

Mauricio de Sousa mandando a Mônica Jovem para o País das Maravilhas com um traço extremamente duvidoso para coincidir com o lançamento do filme do Tim Burton


Remelexo no Esqueleto

10 dez

Nós otakus, admiradores da Grande Nação Japonesa, temos que ligar nosso lado nacionalista e valorizar quando o nosso querido Burajiru toma a frente numa tendência mundial.

Confiram a manchete que saiu no site da Made in Japan:

Me desculpe a Grande Nação Japonesa, mas o Burajiru saiu na frente nessa. Somos especialistas em ensinar valores morais e religiosos através de instrumentos populares.

Burajiru 1 x 0 Grande Nação Japonesa