Tag Archives: Panini

Otakus de masculinidade frágil se incomodam com gay na capa de One-Punch Man

20 jan capa-one-punch-06

A gente já parte do pressuposto que acompanhar comentários de sites de notícias é dar de cara com uma enxurrada incalculável de chorume (menos vocês leitores do Mais de Oito Mil que são comentaristas lindos e sagazes), mas a cada acontecimento é sempre uma surpresa, não é mesmo? Ontem à noite, a Panini divulgou em suas redes sociais a capa aberta do mais novo volume de One-Punch Man, e a reação foi NEGATIVA. O que será que aconteceu para os otakus reclamarem tanto desse mangá tão aclamado quanto a Susana Vieira? Será reclamação com tradução? O papel ficou transparente como o Naruto Gold? Nada disso, a reclamação é porque o personagem em destaque constrangeu os leitores. IKIMASU dar uma analisada no suposto ~constrangimento~:

one-punch-06

Na parte da frente da capa, vemos Saitama lado a lado com o personagem Puri Puri, um musculoso com barba para fazer e cabelos rebeldes, usando uma roupa de presidiário colada ao corpo. Na parte de trás do volume, Puri Puri está de collant fazendo um ousado exercício inferior em que ergue uma bola de ferro com a perna. O collant ainda exibe que Puri Puri transcendeu o tanquinho 6-pack e que é um monstro com 10 gominhos na barriga, além de marcar bem a região do pênis.

A página Os Consumidores do Mercado de Mangás que Deu Certo fez uma postagem muito interessante recolhendo alguns depoimentos de leitores otakus que ficaram um pouquinho incomodados com o Puri Puri na capa do mangá:

one-punch-06-criticas

Embora tenha muita gente tentando explicar as razões de não terem curtido o Puri Puri na capa de One-Punch Man sem deixar muito na cara que é preconceito, alguma coisa não faz sentido. Falaram, por exemplo, que na capa ele está numa pose ridícula (lembrando que estamos falando de One-Punch Man e 90% dos personagens têm como característica principal serem ridiculos). A família tradicional burajiru-jin também reclamou que a mala do Puri Puri está muito evidente, mas nunca vi ninguém deixando de comprar um mangá que tinha uma mulher gostosa de roupa justa na capa.

O fato é que um homem musculoso com collant e praticando exercícios de perna (lembre-se que macho que é macho sempre pula o dia de perna para ficar naquela proporção digna de um Kurumada) incomoda muito a parcela de leitores de masculinidade frágil. Porque, na mente dessas pessoas, ser visto no ônibus lendo um mangá com um personagem gay ridículo de roupa justa na capa é sinônimo de ser taxado como gay.

Imagino o quão difícil deve ser pra essa galera otaka que precisa ficar controlando o tipo de capa de suas leituras favoritas com medo de ter um gay na edição e surgir uma vontade louca de pegar numa piroca.

Panini inova e faz o primeiro des-anúncio de mangá

6 jan one-piece-green-capa

Quem diria que logo na primeira semana do ano já teríamos uma pauta, não é mesmo? Enquanto a JBC está de folga e Cassius Medauar repensa as estratégias da editora durante longas filas de parques temáticos em Orlando, a Panini sai na vanguarda e faz o primeiro des-anúncio de mangá. IKIMASU entender!

No começo da semana a Panini soltou mais um Planet Time, que a essa altura do campeonato você já deve saber que é o Henshin Online da editora multinacional protagonizado por um oriental hiperativo que nos constrange um pouco com sua empolgação e sua tendência a soltar frases em japonês sem qualquer necessidade. Enfim, no tal vídeo rolou o anúncio do mais novo DataBook de One Piece, o One Piece Green.

Ninguém deu muita bola pra isso, até porque a gente só compra DataBook pra ter na estante e nunca ler a caralhada de texto e informação que tem lá dentro, e apenas sites como a Biblioteca Brasileira de Mangás se atreveram a anunciar o bagulho:

one-piece-green-01

No entanto, o rebosteio começou depois. Aparentemente NÃO ERA para a Panini anunciar esse título agora, então o que a editora fez? Simplesmente tirou o Planet Time do ar, reeditou o vídeo e cortou a parte que falava sobre o anúncio de One Piece Green. Confiram o que a Biblioteca Brasileira de Mangás noticiou o ocorrido:

one-piece-green-02

Resumindo: tal qual um senhor com incontinência urinária, a Panini já perdeu completamente o controle e nem sabe mais o que anunciou ou o que não anunciou. Agora o truque é fingir que nunca aconteceu nada e bola pra frente pois tem outros 7367364 anúncios já feitos. Não é todo o dia que vemos um des-anúncio nas nossas editoras de mangás, com certeza é um momento para favoritar no kokoro.

Editoras, vamos parar com esse rolê errado de anunciar muitos mangás?

4 dez muitos-mangas-parem-pfv-capa

Esse final de semana aconteceu um famoso evento de ~cultura nerd~ que se autointitula tão épico quanto as obras de Homero (o nome da CCXP não será mencionado porque eles não me deram credencial de imprensa, ok?) e tanto a Panini quanto a JBC estiveram lá com seus painéis de revelações para o público. Enquanto o da Panini teve a presença de Frank Miller e Beth Kodama anunciando nada menos que SETE TÍTULOS diferentes, a JBC foi na contramão e fez um painel sobre vários nadas, anunciando apenas a morte do Ink Comics. Para a galera da Internet, ficou bem claro que a Panini PISOU na JBC e saiu como a ~campeã da feira~, mas na verdade quem se fodeu fomos todos nós mesmo.

Lá pelos idos de 2010, quando a JBC estava completando 10 anos de atividade, rolou um boato que eles iriam comemorar fazendo 10 anúncios de mangá. Na época, o editor Marcelão del Greco chegou a falar que esse número de anúncios era absurdo, e assim foi. Ano passado nos 15 anos de JBC, em contrapartida, o inverso aconteceu e a editora anunciou mais de 30 TÍTULOS NO MESMO ANO, lançando quase tudo no tempo previsto. Mesmo se tratando de títulos curtos (afinal, a JBC não é uma editora enorme), ainda assim são 30 títulos. E, de certa forma, isso acabou criando uma guerra fria entre as editoras de mangá, e ambas partiram para a briga de anúncios de títulos porque, né, o pessoal vibrava a cada tranqueira anunciada.

batalha-jbc-panini-capa

Nessa disputa que praticamente é uma competição de tamanho de pinto do mercado editoral de mangás, quem saiu perdendo foi a gente. A quantidade de títulos anunciados não estava de acordo com a carteira do público e a situação econômica no país. E a quantidade de anúncios chegou num nível que havia coisa saindo mais de um ano após divulgada pela primeira vez (como foi o caso de Rust Blaster da Panini, isso que nem tamos contando coisas como Akira que o problema são os japoneses).

Quem mais se empolgou com essa coisa de anúncio de mangá foi a Panini, que tem cheat de dinheiro infinito e pode negociar muitos títulos. A cada aparição pública de Beth Kodama, tínhamos a certeza que a editora faria algum anúncio de one-shot ou título muito esperado. Até mesmo 21th Century Boys entrou no balaio como se fosse um lançamento, e não uma óbvia continuação de 20th Century Boys. E a quantidade de coisa anunciada chegou a não acompanhavar o calendário de lançamentos da editora, o saquê tava transbordando já do copinho. No meio do ano, por exemplo, a Panini anunciou títulos como Nisekoi, Dr Slump, Sakamoto Desu Ga e me pergunta quando é que eles vão sair? Só Kami-Sama sabe! Ao mesmo tempo, a JBC precisou repensar seus lançamentos (alguns títulos viraram bimestrais) e simplesmente parou de anunciar títulos em eventos. Mesmo assim, ainda está atrasadíssima no cronograma (por onde andam Dragon’s Dogma e Sakura Wars? Um beijo, Dragon’s Dogma e Sakura Wars!).

sakamoto-capa

A impressão que eu tenho é que, mesmo sem querer, a JBC colocou uma carta armadilha virada pra baixo no campo, que é a necessidade de rolar sempre anúncio criada na cabeça do público otaku. Não importa mais quando vai sair, queremos apenas que revelem nomes para ganharem notinhas na imprensa especializada (pff) e repercussão nas redes sociais. E quem caiu nessa carta armadilha é justamente a Panini, que não para de anunciar mangás que não fazemos a menoooor ideia de quando vão sair. Só do Akira Toriyama, por exemplo, temos Dr Slump, Jaco e mais a colaboração com o Masakazu Katsura pra sair em algum momento de 2017.

De verdade, se as editoras (não só a Panini como a JBC, a Nova Sampa, a Newpop etc) não se segurarem um pouco essa vontade desesperada de conquistar aplausos do público, capaz de no Ressaca Friends termos pela primeira vez anúncios de mangás que serão publicados só em 2018.

Problematizando o ensino atual através de Assassination Classroom

14 nov assassinationcapa

Essa é a terceira vez que faço um post problematizando algum aspecto de alguma série e só de ler essa palavra aposto que muitos leitores já começaram a digitar no campo dos comentários que sou uma ~feminazi que quer que o mundo mais chato e que quer a censura~, quando na verdade até mesmo uma capivara consegue entender que a problematização quer apenas que pensemos sobre algum assunto, e não que o persigamos com tochas e ancinhos como se fosse no tempo da caça às bruxas. Dito isso, vamos falar sobre esse mangá que é publicado pela Panini aqui no Brasil, o Assassination Classroom (sem spoilers, tá? Pode ler à vontade).

assassination-classroom-panini

A história do mangá é mais fácil do que a Nintendo mandar derrubar romhacks de Pokémon: existe um monstro amarelo parecido com um polvo que destruiu parte da lua e que anunciou o mesmo destino para a Terra. Aí ele aproveita e diz que será professor da turma 3-E da Escola Kunugigaoka e agora seus alunos têm a difícil tarefa de matar esse docente com poder de velocidade que alcança Mach 20. Pronto, só isso.

Por trás de um nome enganador e de uma proposta apenas bacaninha, Assassination Classroom esconde embaixo de seus tentáculos uma discussão maravilhosa sobre ensino. A Escola Kunugigaoka funciona através de uma metodologia de ensino criada pelo diretor Asano em que todos os alunos são ranqueados em suas avaliações, e os melhores alunos ficam na turma A, os de notas menores na turma B e assim indo até chegar a Turma E. A questão é que, para incentivar que os alunos estudem um monte, é institucionalizado que ocorra uma humilhação pública à turma E, com todo o tipo de bullying possível (falta só obrigar os alunos a lerem o mangá de Toriko). A turma dos exilados é distante inclusive geograficamente, pois as regras dizem que eles precisam assistir às aulas em um prédio caindo aos pedaços no topo de uma montanha, a uns 20 minutos de caminhada do prédio principal da escola.

assassination-anime-alunos

Embora mostrado como uma grande caricatura, o método educacional do diretor Asano tem muitas características que vemos no ensino atual. Quando eu era mais nova e estava no Ensino Médio (numa época que nem era chamado de “Ensino Médio”), minha escola pública decidiu dividir os alunos pelas salas usando a mesma proposta de Assassination Classroom: a turma A ficava com os mais inteligentes no ranqueamento do ano anterior e a turma I tinha só a nata dos alunos com piores notas. Preciso nem falar a alegria dos professores em darem aulas para as turmas de letras mais baixas, né?

Outra faceta interessante do método de ensino de Asano é que ele considera os alunos uma grande bacia na qual você pode enfiar cada vez mais conhecimento. Tanto que, em certos momentos da série, Asano incentiva que seus alunos aprendam conteúdo do Ensino Médio para que sejam superiores aos outros. Esse método, que já foi definido por Paulo Freire da mesma forma, é basicamente o que vemos nas salas de aula do Brasil e até mesmo nos ~inovadores~ cursinhos: chega o professor, solta todo o conteúdo e cada um que se vire para acumular aquele tanto de conhecimento que logo vai desaparecer por falta de utilidade na vida após o vestibular ou concurso público. Escola virou praticamente uma gincana de absorção de conteúdo.

asano-koro-sensei

De um lado temos Koro-sensei num treino ninja, do outro o diretor Asano

Mas se o autor de Assassination Classroom coloca este método de ensino como o “errado“, qual é o “certo“? Bem, é o praticado pelo monstro Koro-sensei. Lecionando para uma turma que ninguém bota muita fé, Koro-sensei se especializou em ensinar de forma quase particular, conhecendo bem as habilidades e talentos de cada aluno e preparando uma metodologia única para cada um (claro que sua velocidade Mach 20 ajuda nisso). Sem contar que ele considera que qualquer atividade lúdica ou tarefa (como seu próprio assassinato) sempre pode ser usado para os meios educativos. Com Koro-sensei, tudo tem um propósito na vida da pessoa que ela poderá usar no futuro no que decidir fazer.

O nosso atual método é baseado em conceitos do século XIX (veja uma escola do começo do século passado na foto abaixo e perceba que ainda é igual ao modelo de hoje) e já nem acompanha as mudanças bruscas na sociedade. O celular, por exemplo, é proibido em muitas escolas quando, na verdade, poderia ser usado como uma forma de melhorar o aprendizado. O mesmo pode se dizer a respeito da utilização da mídia como forma de ensino, inclusive para se ensinar os alunos a terem uma análise crítica do mesmo. O que se tem como unanimidade é que o ensino como está atualmente não funciona, e que devemos buscar uma forma de ensinar de uma forma diferente. E, por coincidência Koro-sensei se assemelha muito à tentativa de se buscar uma nova forma de ensino que ocorre há anos no meio acadêmico, em que há um tratamento horizontal na sala de aula, com o professor aprendendo com as experiências dos alunos e vice versa.

escola-seculo-20

Um Koro-sensei do começo do século XX

Isso quer dizer que a educação pode ser resolvida se mudarmos completamente a educação para o que se estuda nesses novos cursos ou então se aproximar do que o Koro-Sensei faz em Assassination Classroom, certo? Bem, não é assim. Embora o mangá mostre qualidades impressionantes no método de ensino de Koro-Sensei, não podemos esquecer que ele faz isso apenas porque é um monstro com velocidade Mach 20. Mais fora da realidade ainda é imaginar que os professores devem ter MAIS TRABALHO para que a educação vá pra frente, enquanto não se investe o necessário na educação (não só esse Governo como o anterior, e o anterior, e o anterior…) e se mantém uma mentalidade de dois séculos atrás.

Uma das coisas mais interessantes de Assassination Classroom é que a série faz algo que quase nunca vemos nos mangás ou na própria mídia: uma valorização da profissão professor. Porque, né… a Shonen Jump está aí há décadas publicando mangás das mais diversas profissões, esportes ou guerreiros que têm talentos próprios e que vão salvar o mundo… mas quantos professores protagonistas vemos nos quadrinhos? Por que só vemos mangás de médicos, advogados, engenheiros, escritores etc e não dessa profissão importante? Querendo ou não, representação na mídia ajuda sim a incentivar novas gerações a decidirem por determinados esportes e profissões (lembre como Captain Tsubasa proliferou o futebol no Japão).

classroom-assassination

O mote da Shonen Jump é a amizade, mas nos mangás os protagonistas sempre resolvem as situações basicamente sozinhos. Precisou vir um mangá de comédia com um pouco de ação para mostrar que embora seja importante se valorizar o talento pessoal que todos temos, apenas com o trabalho em equipe e esforço mútuo é capaz de se mudar alguma coisa na sociedade. E, para que tudo isso aconteça, é fundamental a orientação de um professor. Seja esse professor um monstro amarelo superveloz ou apenas um professor ensinando num colégio caindo aos pedaços por falta de investimento.

Panini lança o primeiro kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban do Brasil

8 out slam-dunk-capa

Ao contrário da Nintendo e da falta de notícias do NX que faz com que o próximo console seja apenas uma lenda urbana na internet, temos muitas novidades no nosso mercado nacional de mangás! Após a JBC anunciar o primeiro kanzenban-se-você-ignorar-o-kanzenban-de-dragon-ball-da-conrad da história dos mangás no Brasil, a Panini surpreendeu os fãs ao revelar que Slam Dunk está de volta ao país no formato kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban. IKIMASU acabar com essa confusão.

kanzenban-slam-dunk-01

Tudo começou quando as redes sociais da Panini divulgaram esta postagem, anunciando Slam Dunk num formato baseado no Kanzenban e contando que maiores informações virão naqueles constrangedores vídeos da editora apresentados por um moço que tenta de toda forma emplacar o nihon para se autoafirmar como especialista em mangás. Por sorte, não precisaremos ver o vídeo porque nossa rainha Beth Kodama-sama usou suas redes sociais pessoais para contar um pouco mais sobre esse “baseado“:

kanzenban-slam-dunk-02

O que podemos ver nesse print além de que meu Chrome está cagadíssimo e fica juntando letras que têm acento? Bem, Beth Kodama tentou ser o mais didática possível para explicar o que é um kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban: como lançar um bagulho de luxo faria o negócio custar quase 50 golpinhos, eles pegaram apenas o número de páginas do kanzenban, as capas bonitonas, umas páginas coloridas aê e partiram pro abraço lançando num preço bem em conta.

Então esse é o atual estado do mercado que descobriu na palavra “kanzenban” uma forma de parecer que tá rolando novidades: a Panini trouxe um kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban de um mangá excelente num preço acessível e numa qualidade decente e a JBC prometeu um kanzenban-que-é-o-primeiro-kanzenban-do-brasil-se-você-ignorar-odragon-ball-da-conrad de Cavaleiros num preço e formato a ser anunciado, mas de um mangá que saiu tantas vezes que já já pode pedir segunda música no Fantástico.

O mercado de mangás de luxo no Brasil segue firme e forte, falta só darem um jeito na qualidade dos mangás de banca né?

DENÚNCIA! Está acontecendo uma terrível Guerra Fria entre as editoras

28 set guerrafria-capa

Você sabe o que foi o período da Guerra Fria? Segundo as aulas de História na época que as matérias não desapareciam com canetadas, é um período de guerra ~silenciosa~ entre Estados Unidos e a União Soviética. Ambos os lados estavam ~secretamente~ preparando uma corrida armamentista para contra atacar caso o outro lado ameaçasse começar uma guerra de verdade.

Caso você seja como qualquer usuário médio da internet e tenha dificuldade de entender parágrafos sobre assuntos complexos, um resumo do tópico histórico pode ser visto no meme da Inês Burajiru disponibilizado a seguir:

ines-burajiru

A minha denúncia, no entanto, não se refere a grandes potências mundiais, e sim a editoras de mangás do nosso mercado nacional. Como vocês devem saber, o ano de 2016 foi escasso em anúncios porque as editoras perceberam que não havia espaço físico em banca para tanto tanko sendo lançado. Em especial a editora JBC, que viu em 2016 uma queda vertiginosa no número tanto de anúncios quanto de piadas homofóbicas em palestras (mesmo eles tendo lançado uma piada transfóbica de forma terceirizada no Henshin+). Assim, o mercado nacional de mangás se encontrava em paz, tanto que é até bonito vermos uma postagem assim como a da Panini em seu Facebook, após publicar um fanart de Fairy Tail (que é da JBC):

guerra-fria-mangas-01

Essa postagem, que é quase um We Are The World das editoras de mangá, na verdade é apenas uma sensação aparente, porque TEM UMA GUERRA FRIA ROLANDO NOS BASTIDORES (demorei dois parágrafos para chegar no assunto, mas foda-se). Tudo começou quando espiões especializados perceberam que a JBC estava preparando um grande anúncio. Tentando barrar a estratégia, a maravilhosa Beth Kodama já se posicionou no garrafão para impedir essa jogada da JBC numa postagem cifrada que a equipe de inteligência do Mais de Oito Mil (composta pela Ba-chan) conseguiu encontrar o segredo:

guerra-fria-mangas-02

No entanto, o tal anúncio da Panini não foi feito semana passada porque a editora decidiu deixar para esta semana. Enquanto esperamos essa bomba da Panini, a JBC veio preparando o terreno para um grande anúncio feio da forma mais eficiente de marketing que existe. Divulgação ampla nas redes sociais e apoio da imprensa especializada (pff)? CLARO QUE NÃO, estamos falando da JBC! O método de divulgação foram as boas e velhas DICAS DO FAUSTÃO para os seguidores descobrirem o título:

guerra-fria-mangas-06

Mas a Panini não podia ficar calada com esse movimento, e ~coincidentemente~ usuários desocupados logo encontraram uma imagem muito suspeita num site da editora, insinuando um possível lançamento de Slam Dunk versão kanzenban, conforme podemos ver na imagem abaixo viralizada em muitos grupos de mangás:

guerra-fria-mangas-05

No entanto, os mesmos grupos logo foram avisados que se tratava de um erro, e que o número de volumes 24 na verdade era de um template de outro mangá da editora, e não uma confirmação da versão de colecionador do mangá. Legal que o erro foi o número de volumes, e não a Panini ter usado uma imagem de SCANLATION no template (vejam o que tá escrito embaixo do “jump comics”). Mas isso já foi o bastante para que Cassius Medauar, o editor cuja orelha foi arrancada por Seiya, usasse também suas redes sociais para insinuar novidades envolvendo a coisa mais importante para os otacos hoje em dia. Mangás de qualidade? NÃO! Brindes!!!!

guerra-fria-mangas-03

É quarta-feira ainda e as duas potências editoriais seguem nessa disputa silenciosa sobre o anúncio da semana, uma guerra fria de ocultação de contratos orientais e disputa pela atenção do público otaco. A JBC planejou seu ataque para a sexta-feira, será que a Panini vai soltar sua bomba antes? Depois? Durante? Será que é Slam Dunk kanzenban? Será que a JBC vai confirmar o Hokuto no Ken depois das boatarias? SERÁ JOBS? Será Jojo? Será transparente? Será meio-tanko? Será do mesmo desenhista de Another? Saberemos disso a qualquer momento, quando as duas editoras liberarem suas armas.

Aos otacos, só resta esperar.

guerra-fria-mangas-04

Ok, e pra NewPOP também só resta esperar. Força aí que uma hora vai!

Bomba! Otacos mexicanos tratam Panini de lá COMO UMA EDITORA NORMAL!!!

10 ago academia-mexico-capa

Que o pessoal do Burajiru é infantil isso não resta dúvidas, afinal estamos no país que vaia outras nações em partidas da Olimpíada do Rio e que cria rivalidade até com signo e time de Pokémon Go. Com as editoras de mangá não é diferente, e existe uma competição entre JBC e Panini que existe apenas na cabeça desse pessoal. Na verdade, “competição” é até a palavra errada pra esse rolê, porque o que os otacos do Burajiru fazem é endeusar a Panini e satanizar a JBC. Se você duvida, basta ver qualquer post delas no Facebook: se a Panini posta algo, os otacos oferecem dinheiro em oferenda à editora e no caso da JBC chovem críticas até sobre a qualidade de mangás que não foram impressos ainda.

capas-mexicanas-boku-no-hero-sidonia

Em uma atitude masoquista e que prejudica minha saúde mental, acompanho discussões sobre mangás em várias redes sociais pra ver o que o pessoal comenta e tal e, numa delas, alguém publicou um post da Panini México com capas dos próximos lançamentos deles, como My Hero Academia e Knights of Sidonia. O mais engraçado disso é ver o pessoal metendo o pau em coisas como o logotipo e a própria capa em si, sem saber que os mangás mexicanos são feitos pela Panini brasileira que todo mundo idolatra.

Mas esse é um post para falar sobre as incoerências dos otaquinhos brasileiros? Pior que não, eu aproveitei o post no Facebook da Panini México para ver como os otacos de lá reagem às publicações da editora nas redes sociais e… olha só que surpreendente… lá eles tratam a Panini Mexicana COMO UMA EDITORA NORMAL.

IKIMASU ver prints surpreendentes? Pra começar, os comentários supercampeões de curtidas, praticamente um Onegaidesu da cobrança:

panini-mexico-01

Alguma vez você conseguiu imaginar a Panini numa situação que precisa falar “calma aê, migo, a gente vai tentar agradar todo mundo“? Pois é, nem eu. Enquanto aqui temos pessoas oferecendo a virgindade pra editora, lá agem como em qualquer canto do mundo: pedindo qualquer outro título que não estão na lista de publicados. Risos inclusive para a pessoa que pediu To Love-Ru, mostrando que o mau gosto é algo que une toda a nação otaca mundial.

panini-mexico-02

Se meu espanhol construído por letras da Shakira e pela abertura de Maria do Bairro estiver correto, tem leitor no México preocupado com os trocentos mangás sendo vendidos!!! E pensar que os otacos daqui surtam quando uma editora não faz uma média de 5 anúncios por evento.

panini-mexico-03

Que curiosa essa realidade alternativa em que os otacos vibram com Knights of Sidonia, amam publicação de All You Need is Kill e ainda pedem CLAMP. Uma lágrima cairia dos olhos de Cassius Medauar, editor da JBC, se ele não estivesse ocupado deixando de gravar o Henshin Online para virar líder de ginásio de um hidrante.

panini-mexico-04

E, para fechar com chave de oro, LÁ EXISTEM CRÍTICAS À QUALIDADE FÍSICA DE IMPRESSÃO DOS MANGÁS. Está confirmado, minna, lá no México a Panini é uma editora de mangás como qualquer outra, com elogios e críticas!!!

Fest Comix 2016 – O que rolou na palestra da Panini e da JBC… em mangá (!!!)

19 jun fest-comix-manga

Ontem após o Fest Comix, quando eu estava infiltrada na van que levava pessoas da Imprensa Especializada (pff), ouvi blogueiros comentando que os blogs de animes estavam mortos. E ponto. Ninguém mais os lia. Os sites podem até tentar conseguir alguma relevância traduzindo notinhas do Anime News Network, mas todos nós sucumbimos diante dos YouTubers, dos sites de download e dos scanlators. Isso é muito triste, minna, pois eu gosto muito de escrever no blog e principalmente amo humilhar otacos. Sem otaco pra me ler, o que será de mim?

Por isso, a cobertura das palestras da Panini e da JBC será de uma forma diferente, pra tentar atrair esse novo público consumidor de pirataria online para o meu humilde blog de conteúdo original. Assim, IKIMASU conferir o que rolou nas palestras usando SCANS TRADUZIDAS para representar o que rolou!

(leitura oriental da direita pra esquerda, afinal aqui respeitamos a Grande Nação Japonesa)

manga-fest-comix-01

manga-fest-comix-02

manga-fest-comix-03

manga-fest-comix-04

A Panini anunciou coletânea do Oda, databook de Naruto, um tal de Bestiarius e Nisekoi para meados do fim do ano ou 2017. Também anunciou que Slam Dunk terá um puta atraso porque o Inoue mandou e os ameaçou com uma katana. Já a JBC anunciou que Fullmetal Alchemist teve a capa aprovada e que finalmente mandaram os arquivos do primeiro volume de Ghost in the Shell, então sai esse ano mesmo.

A próxima palestra será na Anime Friends, e dessa vez quem sabe a gente tenha páginas coloridas, capa em acabamento fosco e um marca páginas genérico para fazer a alegria dos otacos?

(Game!) Identifique os seguidores da Panini e da JBC

10 jun ore-monogatari-anohana-capa

O Mais de Oito Mil esteve meio parado nos últimos tempos, né? Por diversos fatores que incluíram: frio, falta de vontade e Final Fantasy IX, eu preferi ficar mais afastada dos otacos pelo bem da minha sanidade mental. Mas estou aqui agora pra fazer um apanhado de duas novidades muito parecidas.

Agora há pouco a Panini anunciou a capa nacional de Ore Monogatari (que ganhou o subtítulo “Minha História” porque… né… aprendemos com o Ataque dos Titãs que deixar o nome em português e o subtítulo em japonês é uma afronta à Grande Nação Japonesa). O mangá chegará custando 13,90, será lançado com o papel jornal de sempre e bimestral. Enquanto isso, há umas semanas a JBC anunciou o mangá de AnoHana (que também ganhou um subtítulo em português), em papel jornal de sempre e custando um real mais caro que o normal da Panini e também bimestral.

ore-monogatari-anohana

Como estamos falando de Panini e JBC, obviamente os otakus reagiram de formas diferentes nas respectivas páginas do Facebook e decidi aproveitar isso para fazer um game com vocês. Aqui abaixo estão comentários nas páginas do Facebook baseados em dois produtos que não saíram ainda e que nenhum leitor teve acesso fisicamente para conferir as coisas, será que você consegue adivinhar qual mangá corresponde a cada comentário?

Pegue sua caneta, prepare-se para marcar na tela do seu smartphone e IKIMASU jogar!

game-jbcoupanini-03

(  ) Ore Monogatari  (  ) AnoHana

game-jbcoupanini-02

(  ) Ore Monogatari  (  ) AnoHana

game-jbcoupanini-05

(  ) Ore Monogatari  (  ) AnoHana

game-jbcoupanini-01

(  ) Ore Monogatari  (  ) AnoHana

game-jbcoupanini-04

(  ) Ore Monogatari  (  ) AnoHana

Guerra Civil Otaku: JBC ou Panini?

24 abr GUERRA-CIVIL-EDITORAS

Vivemos numa maravilhosa sociedade que reduz todos os lados possíveis em apenas dois polos opostos e os defende como uma torcida organizada de futebol com argumentos na forma de memes no Facebook. E claro que esse tipo de redução chegou aos otakus, e isso foi mais que comprovado nessa última sexta feira quando a JBC anunciou Boku no Hero Academia e a Panini viu Slam Dunk ser “vazado”. Mesmo com uma ausência igual de informações, o público começou a criticar Boku no Hero só porque seria da JBC e a idolatrar Slam Dunk só por ser da Panini.

Em busca de resolver de uma vez por todas qual a melhor editora de mangás do Burajiru (e para ganhar muitas visitas), fiz esse gigantesco infográfico com os mais avançados recursos visuais para que possamos comparar as duas editoras e encerrar de vez com essa briga que vocês fazem em grupos sobre mangás no Facebook.

IKIMASU para o infográfico que vai decidir qual a melhor editora, se é a Panini ou a JBC???

paninivsjbc

O que podemos concluir desse infográfico é bem simples: entre JBC e Panini, a melhor editora é a incrível TANTO FAZ.

As duas são empresas com qualidades e defeitos, e duvido muito que na sua carteirinha de otaku tenha uma cláusula que te faça comprar mangá de apenas uma editoraDa próxima vez que anunciarem um título, espere pelo menos algumas informações ou que saia na banca antes de ficar criticando. A JBC fez muita merda recentemente? Sim, fez. Mas a Panini também. A Panini já cagou muito no passado? Sim, e a JBC já teve fases muito boas. Ficar hateando qualquer coisa que tenha o nome da JBC ou idolatrando qualquer coisa da Panini só é válido em dois casos:

1- se você é acionista de uma das duas empresas e está ganhando dinheiro com a vitória ou derrota de uma delas
2- se você é um idiota que não superou a quinta-serie de idade mental