Tag Archives: Panini

Os 10 mangás mais esquecíveis já publicados no Brasil

25 abr

Vamos acreditar que é verdade isso que nossos editores de mangás sempre falam nas palestras e dizer que o Burajiru tem um mercado consolidado de mangás. Mesmo se acreditarmos cegamente na afirmação, não dá pra aceitar que todas as editoras nesses 17 anos de publicações desde Dragon Ball só trouxeram os melhores títulos disponíveis na Grande Nação Japonesa porque isso não rolou. A gente sabe que às vezes rola uma venda casada, um “publica esse aqui que você publica esse que você quer” ou mesmo a ideia dos editores de mangás que um negócio pode emplacar de alguma forma.

Como método para conseguir visualizações mais facilmente, reuni 10 dos títulos mais esquecíveis de mangás já lançados por aqui. Dez daqueles mangás que se você der de cara lá na prateleira da Comix você por um segundo vai se perguntar “ué, isso foi publicado por aqui?”. IKIMASU para a lista em ordem alfabética mesmo porque me falta conhecimento de tanta tranqueira para catalogá-los em ordem de esquecimento!

As Estrelas Cantam (Panini – 11 volumes)
Depois do grande sucesso de Fruits Basket pela JBC, a Panini deve ter pensado “nossa, e se a gente trouxer o mais novo sucesso de Natsuki Takaya no Japão?” e fomos presenteados com um dos mangás com capas mais insossas já publicados. Não sei se é a pintura computadorizada, o fundo de papel de carta ou o nada inspirado título em português, mas ninguém lembra que tivemos 11 volumes de As Estrelas Cantam publicados no Burajiru.

Blue Dragon – Secret Trick (JBC – 1 volume)
A JBC é aquelas que quando aposta numa coisa, vai até o fim (menos quando se trata de continuações de seus mangás). Muito antes de publicar até a lista de supermercado desenhada pelo mesmo desenhista de Another, a editora publicou esse mangá alternativo de Blue Dragon depois de publicar a série Ral Grado (que por sua vez só saiu porque tinha o traço do desenhista de Death Note). O destaque é ser o único mangá publicado aqui da autora de Bucky (dependendo da sua idade é capaz de nem saber o que é isso também).

Contos de Amor Para Você (Panini – 2 volumes)
Parece título de romance de banca, mas nada mais é que um mangá shoujo genérico que a Panini trouxe e ajudou a criar o preconceito no brasileiro de que shoujo é ruim. Talvez você nunca tenha visto na banca porque seus olhos podem ter apagado cognitivamente a existência dele na prateleira da banca por motivos de PUTA QUE PARIU, QUE CAPA HORROROSA.

Destino Cativo (Panini – 5 volumes)
Apostando forte na autora de Vampire Knight e do desconhecido MeruPuri, a Panini trouxe esse mangá de arte bonita e logotipo escondido como se fosse uma arte abstrata de uma grade de jardim. Iniciou a tendência dos nomes difíceis de ler que hoje tem como representante o Quem é Sakamoto?.

Mär (JBC – 15 volumes)
Ao contrário da maioria dos mangás dessa lista, o Mär da JBc chama a atenção por ser um título longo. Mas a que devemos a presença de um shonen de lutinha grande ser completamente ignorado pelo público brasileiro? Olha, talvez seja a história completamente sem-sal, o protagonista sem carisma e a publicação numa época que provavelmente tinha muita coisa melhor para se comprar.

Pandora – A namorada do Death Jr. (NewPOP – 1 volume)
A NewPOP merecia um top 10 só dela para mangás esquecíveis, afinal ela precisou publicar muita bomba até convencer os editores japoneses que ela garantiria um Tezuka ou um GTO. A cereja no topo da indiferença com certeza é esse mangá americano feito para uma coadjuvante de videogame que é tão irrelevante para a gente que o título do mangá precisou avisar quem é o macho dela (e hoje em dia ninguém mais nem lembra que houve um jogo chamado Death Jr).

PxP (Panini – 1 volume)
Mais um shoujo genérico da Panini.

Spicy Pink (Panini – 1 volume)
Mais um shoujo genérico da Panini.

Witchblade (Panini – 2 volumes)
Esse foi o título que me deu a ideia para esse post, porque estava com o estagiário na Comix e de repente me perguntei “ué, quando foi que esse negócio saiu? E olha que tenho boa memória”. Não sei se foi a completa irrelevância da história, a falta de atratividade com a personagem ou essa capa que mais parece parte do catálogo da Nova Sampa, mas não lembro mesmo desse mangá.

Wanted (Panini – 1 volume)
Muito antes da Panini conseguir emplacar o volume único com as histórias de Eiichiro Oda, o Wanted shoujo já foi publicado aqui da mesma autora de Vampire Knight e entra novamente na categoria dos shoujos genéricos que a Panini deve ter comprado de um pacotão baratinho do Japão (afinal, pra quê comprar um shoujo bom quando você pode ter um estoque de volumes únicos medianos?).

Conheça a teoria da conspiração dos vazamentos da Panini essa semana

30 mar

Todos nós adoramos uma teoria da conspiração, principalmente as absurdas. O homem nunca pisou na lua, o avião da Malaysia Airlines foi para outra dimensão e até mesmo Wesley Safadão morreu e foi substituído por um primo, a gente adora essas teorias surreais que tentam explicar coisas que temos dificuldades para absorver. Bem, essa semana um famoso blog da Imprensa Especializada (pff) usou sua conta no Twitter para contar sua mais nova teoria bem viajada envolvendo o mercado nacional:

//platform.twitter.com/widgets.js

//platform.twitter.com/widgets.js

//platform.twitter.com/widgets.js

Opa, fui eu mesma que disse isso. Enfim, explicando para quem não entendeu: o editor do site Biblioteca Brasileira de Mangás faz todo dia um ritual de entrar no registro da Biblioteca Nacional (ISBN) procurando novos mangás que as editoras colocaram lá para descobrir coisas antes de anúncios. Daí essa semana eles descobriram que a Panini registrou lá o mangá Owari no Seraph.

Acontece que NO MESMO DIA do vazamento a Panini lançou um vídeo com chroma key e tudo falando “nossa, já que vazou toma aqui nosso novo anúncio Owari no Seraph aaaaaa”. Até aí tudo bem, preferimos que a Panini confirme os vazamentos em vez de fazer como C.E.R.T.A.S E.D.I.T.O.R.A.S que negam tudo até a morte.

PORÉM… aconteceu algo que faz minha mente conspiratória acreditar ainda mais na minha teoria absurda. Isso porque no dia seguinte o mesmo site Biblioteca Brasileira de Mangás aparentemente descobriu MAIS UM TÍTULO VAZADO da Panini através do checklist de abril de uma loja. Se trata de Hal, um mangá sobre um autor de uma fanfic distópica que teve a participação de Io Sakisaka (autora de Aoharaido que -OLHA SÓ QUE COINCIDÊNCIA- acabou esse mês). Mais detalhes do mangá vocês acham lá no site BBM.

Por que o vazamento de um dia ganhou vídeo especial com o Tadashi anunciando Owari no Seraph com toda pompa para abril e o tal do Hal que foi vazado pelo mesmo site e deve sair no mesmo mês não ganhou nem uma notinha no TV Fama? Será que o vazamento de Owari no Seraph foi um keikaku da editora? Ou será que isso tudo foi apenas uma coincidência? Seria o dono da Panini um reptiliano illuminati?

A única coisa que podemos falar sobre o caso é: se foi um vazamento proposital, temos que tirar o chapéu para a editora porque todos nós caímos feito psyducks em uma divulgação de material feita de forma inédita. 

Sakamoto pode ser infalível, mas a capa brasileira do mangá não é

12 fev

Tudo bem? Nesse domingo entrou no ar na página da Panini um post agendado pelo Social Media da editora, a capa completa de Sakamoto Desu Ga (ou “Quem é Sakamoto? Eu sou Sakamoto, você sabe” na versão brasileira). Ao contrário da aprovação imediata dos leitores de tudo que a Panini publica, essa capa teve uma certa rejeição por… bem… não cumprir o Protocolo de Kyoto e ser POLUIDÍSSIMA:

capa-brasileira-sakamoto

E a editora pensou “nossa, e se a gente fizesse uma capa igual à japonesa com o texto na vertical e uma outra parte em baixo?” e os japoneses aprovaram essa bagaça.

Ainda que eu não possa falar muito sobre design por entender tando da área quanto manjo de regras de críquete, mas qualquer mangá que faça sua cabeça dar algumas viradas para ler todo o texto não é algo tão aceitável assim, né?

“Mas Mara, sua gorda implicante e hater da Panini, isso deve ser imposição do Japão, a Panini nunca lançaria uma capa tão feia assim!”

Oras, isso é verdade, é uma hipótese que essa poluição na capa seja imposição japonesa. Uma pena que não temos capas de Sakamoto de outros países para ver como elas são.

capa-sakamoto-eua

capa-sakamoto-franca

<3 Obrigada aos leitores que me enviaram essas capas

Autor de One Piece poderia aprender que menos é mais

31 jan

As pessoas têm duas concepções sobre a galera que critica animes e mangás: 1- são pessoas que se acham infalíveis e 2- são pessoas que não mudam de opinião. Acredite, essas duas características não formam um crítico, e sim uma pessoa teimosa. E é com essa introdução que eu gostaria de conversar um pouco sobre meu sentimento atual com One Piece. No final de 2016 escrevi uma matéria sobre minhas piores leituras do ano e coloquei a saga do Oda lá e resumi minhas reclamações, mas acho que é hora de desenvolver um pouco mais o tema. Essa não é a primeira crítica do Mais de Oito Mil sobre One Piece, pois há muitos anos escrevi falando que achava o mangá bom (inclusive fui criticada por váááários leitores porque não disse que One Piece era ~FODÁSTICO~, apenas bom). Acredito agora que meu sentimento sobre o mangá mudou bastante pelo que ando acompanhando da publicação da Panini (que é a base da minha crítica, então não espere comentários sobre fases mais atuais), a ponto de toda vez que chega uma edição de One Piece em casa eu tenho me sentindo muito trouxa por ter assinado o mangá, a leitura segue como uma tortura e o prazer que já tive lendo a série está sumindo. O motivo? Bem, acredito que é porque o Oda é… “criativo demais”.

marine-ford-one-piece

Normalmente criticamos mangás e histórias que o autor é pouco criativo, mas nesse caso é o oposto. O excesso de criatividade do Oda é algo que prejudica um pouco One Piece. Inegavelmente o autor é um gênio, afinal ele mantém um título semanal há décadas com vendas colossais num ritmo que já estafou muitos autores. O Oda tem um conhecimento maravilhoso de quadrinização, de construção de história, de criação de personalidades distintas… mas em algum ponto de One Piece ele começou a exagerar muito quando viu que o bagulho tava dando certo.

Se fosse para chutar onde a coisa começou a desandar, eu diria que foi em Skypiea. Até aquele momento, quando o bando chegava em alguma ilha éramos apenas apresentados a poucos personagens, uma trama política leve e assim seguia-se como um shonen tradicional. Quando chegou em Skypiea, que se trata de uma ilha em que as regras não eram as mesmas dos outros lugares, o Oda embarcou numa vibe de sempre fazer os personagens chegarem em lugares cada vez mais bizarros e épicos para impactar o leitor.

pacifistas-one-piece

Odeio a forma como a palavra “épica” é usada hoje em dia pelos ~nerds~, mas é exatamente o que o Oda tenta fazer com cada arco. Saíram os vilarejos normais e entraram lugares em que as leis da física não funcionam mais. Tal qual um filme da Marvel, a cada ilha os personagens são apresentados a perigos que podem trazer o mundo a um colapso, mas que são resolvidos e logo avançamos para outra situação que nos faz esquecer da anterior.

O nível de absurdo e o design mais inventivo de personagens também segue crescente a cada arco. Os personagens foram ganhando proporções gigantescas de altura e atributos físicos, e os humanoides foram dando espaço para criaturas de tamanhos variados e de design cada vez mais complicado de distinguir. Antes fossem só os demais personagens, mas a proporção dos protagonistas é difícil de acompanhar: o Franky depois do time-skip nem ao menos cabe em quadrinhos pequenos ao lado dos outros personagens!

gigantes-one-piece

E não só os personagens, porque cada ilha tem muitas ideias que Oda tira da cabeça e faz questão de colocar todas no quadrinho, sem qualquer filtro. E para a gente acompanhar, dá-lhe mais e mais textos expositivos explicando o funcionamento de tecnologias e do passado político de cada arco (muitas vezes com flashbacks que miram no drama e acertam as cenas cafonas de novela mexicana). O tempo para se ler uma edição de One Piece é quase o triplo do que levamos para ler qualquer outro tipo de mangá, pois é preciso ler muito texto e distinguir nos quadrinhos poluídos todas as ideias que o Oda achou que seriam relevantes para a história. Spoiler: muitas vezes não são.

sabaondy-one-piece

E mesmo os pontos positivos da história acabam jogando contra o Oda. Sim, é muito legal que tudo seja bem conectado, que um personagem X reaparece 400 capítulos depois numa posição importante, tudo isso revela um bom planejamento. No entanto, o Oda parece ser um acumulador de personagens, porque a cada novo arco são dezenas de pessoas que nos vemos obrigados a conhecer e distinguir porque eles podem ou não aparecer no mangá daqui alguns anos de publicação. Às vezes me pego rezando para acontecer um grande terremoto e matar 2/3 dos personagens (afinal, o que menos acontece nesse mangá é gente MORRENDO).

A sensação que tenho ao ler One Piece é que a Shueisha não tem nenhum editor que tem coragem de chegar no Oda e falar “migo, menos é mais” igual aos jurados do MasterChef quando algum participante queria colocar 27 ingredientes no mesmo prato. Sabe, fica difícil de apreciar o gosto da refeição se damos de cara com dezenas de estímulos. E por mais que venham aqui defender a genialidade do autor, não vai mudar o fato que as edições que a Panini está me mandando estão indo lacradas para a estante sem qualquer vontade minha de embarcar na história.

Otakus de masculinidade frágil se incomodam com gay na capa de One-Punch Man

20 jan

A gente já parte do pressuposto que acompanhar comentários de sites de notícias é dar de cara com uma enxurrada incalculável de chorume (menos vocês leitores do Mais de Oito Mil que são comentaristas lindos e sagazes), mas a cada acontecimento é sempre uma surpresa, não é mesmo? Ontem à noite, a Panini divulgou em suas redes sociais a capa aberta do mais novo volume de One-Punch Man, e a reação foi NEGATIVA. O que será que aconteceu para os otakus reclamarem tanto desse mangá tão aclamado quanto a Susana Vieira? Será reclamação com tradução? O papel ficou transparente como o Naruto Gold? Nada disso, a reclamação é porque o personagem em destaque constrangeu os leitores. IKIMASU dar uma analisada no suposto ~constrangimento~:

one-punch-06

Na parte da frente da capa, vemos Saitama lado a lado com o personagem Puri Puri, um musculoso com barba para fazer e cabelos rebeldes, usando uma roupa de presidiário colada ao corpo. Na parte de trás do volume, Puri Puri está de collant fazendo um ousado exercício inferior em que ergue uma bola de ferro com a perna. O collant ainda exibe que Puri Puri transcendeu o tanquinho 6-pack e que é um monstro com 10 gominhos na barriga, além de marcar bem a região do pênis.

A página Os Consumidores do Mercado de Mangás que Deu Certo fez uma postagem muito interessante recolhendo alguns depoimentos de leitores otakus que ficaram um pouquinho incomodados com o Puri Puri na capa do mangá:

one-punch-06-criticas

Embora tenha muita gente tentando explicar as razões de não terem curtido o Puri Puri na capa de One-Punch Man sem deixar muito na cara que é preconceito, alguma coisa não faz sentido. Falaram, por exemplo, que na capa ele está numa pose ridícula (lembrando que estamos falando de One-Punch Man e 90% dos personagens têm como característica principal serem ridiculos). A família tradicional burajiru-jin também reclamou que a mala do Puri Puri está muito evidente, mas nunca vi ninguém deixando de comprar um mangá que tinha uma mulher gostosa de roupa justa na capa.

O fato é que um homem musculoso com collant e praticando exercícios de perna (lembre-se que macho que é macho sempre pula o dia de perna para ficar naquela proporção digna de um Kurumada) incomoda muito a parcela de leitores de masculinidade frágil. Porque, na mente dessas pessoas, ser visto no ônibus lendo um mangá com um personagem gay ridículo de roupa justa na capa é sinônimo de ser taxado como gay.

Imagino o quão difícil deve ser pra essa galera otaka que precisa ficar controlando o tipo de capa de suas leituras favoritas com medo de ter um gay na edição e surgir uma vontade louca de pegar numa piroca.

Panini inova e faz o primeiro des-anúncio de mangá

6 jan

Quem diria que logo na primeira semana do ano já teríamos uma pauta, não é mesmo? Enquanto a JBC está de folga e Cassius Medauar repensa as estratégias da editora durante longas filas de parques temáticos em Orlando, a Panini sai na vanguarda e faz o primeiro des-anúncio de mangá. IKIMASU entender!

No começo da semana a Panini soltou mais um Planet Time, que a essa altura do campeonato você já deve saber que é o Henshin Online da editora multinacional protagonizado por um oriental hiperativo que nos constrange um pouco com sua empolgação e sua tendência a soltar frases em japonês sem qualquer necessidade. Enfim, no tal vídeo rolou o anúncio do mais novo DataBook de One Piece, o One Piece Green.

Ninguém deu muita bola pra isso, até porque a gente só compra DataBook pra ter na estante e nunca ler a caralhada de texto e informação que tem lá dentro, e apenas sites como a Biblioteca Brasileira de Mangás se atreveram a anunciar o bagulho:

one-piece-green-01

No entanto, o rebosteio começou depois. Aparentemente NÃO ERA para a Panini anunciar esse título agora, então o que a editora fez? Simplesmente tirou o Planet Time do ar, reeditou o vídeo e cortou a parte que falava sobre o anúncio de One Piece Green. Confiram o que a Biblioteca Brasileira de Mangás noticiou o ocorrido:

one-piece-green-02

Resumindo: tal qual um senhor com incontinência urinária, a Panini já perdeu completamente o controle e nem sabe mais o que anunciou ou o que não anunciou. Agora o truque é fingir que nunca aconteceu nada e bola pra frente pois tem outros 7367364 anúncios já feitos. Não é todo o dia que vemos um des-anúncio nas nossas editoras de mangás, com certeza é um momento para favoritar no kokoro.

Editoras, vamos parar com esse rolê errado de anunciar muitos mangás?

4 dez

Esse final de semana aconteceu um famoso evento de ~cultura nerd~ que se autointitula tão épico quanto as obras de Homero (o nome da CCXP não será mencionado porque eles não me deram credencial de imprensa, ok?) e tanto a Panini quanto a JBC estiveram lá com seus painéis de revelações para o público. Enquanto o da Panini teve a presença de Frank Miller e Beth Kodama anunciando nada menos que SETE TÍTULOS diferentes, a JBC foi na contramão e fez um painel sobre vários nadas, anunciando apenas a morte do Ink Comics. Para a galera da Internet, ficou bem claro que a Panini PISOU na JBC e saiu como a ~campeã da feira~, mas na verdade quem se fodeu fomos todos nós mesmo.

Lá pelos idos de 2010, quando a JBC estava completando 10 anos de atividade, rolou um boato que eles iriam comemorar fazendo 10 anúncios de mangá. Na época, o editor Marcelão del Greco chegou a falar que esse número de anúncios era absurdo, e assim foi. Ano passado nos 15 anos de JBC, em contrapartida, o inverso aconteceu e a editora anunciou mais de 30 TÍTULOS NO MESMO ANO, lançando quase tudo no tempo previsto. Mesmo se tratando de títulos curtos (afinal, a JBC não é uma editora enorme), ainda assim são 30 títulos. E, de certa forma, isso acabou criando uma guerra fria entre as editoras de mangá, e ambas partiram para a briga de anúncios de títulos porque, né, o pessoal vibrava a cada tranqueira anunciada.

batalha-jbc-panini-capa

Nessa disputa que praticamente é uma competição de tamanho de pinto do mercado editoral de mangás, quem saiu perdendo foi a gente. A quantidade de títulos anunciados não estava de acordo com a carteira do público e a situação econômica no país. E a quantidade de anúncios chegou num nível que havia coisa saindo mais de um ano após divulgada pela primeira vez (como foi o caso de Rust Blaster da Panini, isso que nem tamos contando coisas como Akira que o problema são os japoneses).

Quem mais se empolgou com essa coisa de anúncio de mangá foi a Panini, que tem cheat de dinheiro infinito e pode negociar muitos títulos. A cada aparição pública de Beth Kodama, tínhamos a certeza que a editora faria algum anúncio de one-shot ou título muito esperado. Até mesmo 21th Century Boys entrou no balaio como se fosse um lançamento, e não uma óbvia continuação de 20th Century Boys. E a quantidade de coisa anunciada chegou a não acompanhavar o calendário de lançamentos da editora, o saquê tava transbordando já do copinho. No meio do ano, por exemplo, a Panini anunciou títulos como Nisekoi, Dr Slump, Sakamoto Desu Ga e me pergunta quando é que eles vão sair? Só Kami-Sama sabe! Ao mesmo tempo, a JBC precisou repensar seus lançamentos (alguns títulos viraram bimestrais) e simplesmente parou de anunciar títulos em eventos. Mesmo assim, ainda está atrasadíssima no cronograma (por onde andam Dragon’s Dogma e Sakura Wars? Um beijo, Dragon’s Dogma e Sakura Wars!).

sakamoto-capa

A impressão que eu tenho é que, mesmo sem querer, a JBC colocou uma carta armadilha virada pra baixo no campo, que é a necessidade de rolar sempre anúncio criada na cabeça do público otaku. Não importa mais quando vai sair, queremos apenas que revelem nomes para ganharem notinhas na imprensa especializada (pff) e repercussão nas redes sociais. E quem caiu nessa carta armadilha é justamente a Panini, que não para de anunciar mangás que não fazemos a menoooor ideia de quando vão sair. Só do Akira Toriyama, por exemplo, temos Dr Slump, Jaco e mais a colaboração com o Masakazu Katsura pra sair em algum momento de 2017.

De verdade, se as editoras (não só a Panini como a JBC, a Nova Sampa, a Newpop etc) não se segurarem um pouco essa vontade desesperada de conquistar aplausos do público, capaz de no Ressaca Friends termos pela primeira vez anúncios de mangás que serão publicados só em 2018.

Problematizando o ensino atual através de Assassination Classroom

14 nov

Essa é a terceira vez que faço um post problematizando algum aspecto de alguma série e só de ler essa palavra aposto que muitos leitores já começaram a digitar no campo dos comentários que sou uma ~feminazi que quer que o mundo mais chato e que quer a censura~, quando na verdade até mesmo uma capivara consegue entender que a problematização quer apenas que pensemos sobre algum assunto, e não que o persigamos com tochas e ancinhos como se fosse no tempo da caça às bruxas. Dito isso, vamos falar sobre esse mangá que é publicado pela Panini aqui no Brasil, o Assassination Classroom (sem spoilers, tá? Pode ler à vontade).

assassination-classroom-panini

A história do mangá é mais fácil do que a Nintendo mandar derrubar romhacks de Pokémon: existe um monstro amarelo parecido com um polvo que destruiu parte da lua e que anunciou o mesmo destino para a Terra. Aí ele aproveita e diz que será professor da turma 3-E da Escola Kunugigaoka e agora seus alunos têm a difícil tarefa de matar esse docente com poder de velocidade que alcança Mach 20. Pronto, só isso.

Por trás de um nome enganador e de uma proposta apenas bacaninha, Assassination Classroom esconde embaixo de seus tentáculos uma discussão maravilhosa sobre ensino. A Escola Kunugigaoka funciona através de uma metodologia de ensino criada pelo diretor Asano em que todos os alunos são ranqueados em suas avaliações, e os melhores alunos ficam na turma A, os de notas menores na turma B e assim indo até chegar a Turma E. A questão é que, para incentivar que os alunos estudem um monte, é institucionalizado que ocorra uma humilhação pública à turma E, com todo o tipo de bullying possível (falta só obrigar os alunos a lerem o mangá de Toriko). A turma dos exilados é distante inclusive geograficamente, pois as regras dizem que eles precisam assistir às aulas em um prédio caindo aos pedaços no topo de uma montanha, a uns 20 minutos de caminhada do prédio principal da escola.

assassination-anime-alunos

Embora mostrado como uma grande caricatura, o método educacional do diretor Asano tem muitas características que vemos no ensino atual. Quando eu era mais nova e estava no Ensino Médio (numa época que nem era chamado de “Ensino Médio”), minha escola pública decidiu dividir os alunos pelas salas usando a mesma proposta de Assassination Classroom: a turma A ficava com os mais inteligentes no ranqueamento do ano anterior e a turma I tinha só a nata dos alunos com piores notas. Preciso nem falar a alegria dos professores em darem aulas para as turmas de letras mais baixas, né?

Outra faceta interessante do método de ensino de Asano é que ele considera os alunos uma grande bacia na qual você pode enfiar cada vez mais conhecimento. Tanto que, em certos momentos da série, Asano incentiva que seus alunos aprendam conteúdo do Ensino Médio para que sejam superiores aos outros. Esse método, que já foi definido por Paulo Freire da mesma forma, é basicamente o que vemos nas salas de aula do Brasil e até mesmo nos ~inovadores~ cursinhos: chega o professor, solta todo o conteúdo e cada um que se vire para acumular aquele tanto de conhecimento que logo vai desaparecer por falta de utilidade na vida após o vestibular ou concurso público. Escola virou praticamente uma gincana de absorção de conteúdo.

asano-koro-sensei

De um lado temos Koro-sensei num treino ninja, do outro o diretor Asano

Mas se o autor de Assassination Classroom coloca este método de ensino como o “errado“, qual é o “certo“? Bem, é o praticado pelo monstro Koro-sensei. Lecionando para uma turma que ninguém bota muita fé, Koro-sensei se especializou em ensinar de forma quase particular, conhecendo bem as habilidades e talentos de cada aluno e preparando uma metodologia única para cada um (claro que sua velocidade Mach 20 ajuda nisso). Sem contar que ele considera que qualquer atividade lúdica ou tarefa (como seu próprio assassinato) sempre pode ser usado para os meios educativos. Com Koro-sensei, tudo tem um propósito na vida da pessoa que ela poderá usar no futuro no que decidir fazer.

O nosso atual método é baseado em conceitos do século XIX (veja uma escola do começo do século passado na foto abaixo e perceba que ainda é igual ao modelo de hoje) e já nem acompanha as mudanças bruscas na sociedade. O celular, por exemplo, é proibido em muitas escolas quando, na verdade, poderia ser usado como uma forma de melhorar o aprendizado. O mesmo pode se dizer a respeito da utilização da mídia como forma de ensino, inclusive para se ensinar os alunos a terem uma análise crítica do mesmo. O que se tem como unanimidade é que o ensino como está atualmente não funciona, e que devemos buscar uma forma de ensinar de uma forma diferente. E, por coincidência Koro-sensei se assemelha muito à tentativa de se buscar uma nova forma de ensino que ocorre há anos no meio acadêmico, em que há um tratamento horizontal na sala de aula, com o professor aprendendo com as experiências dos alunos e vice versa.

escola-seculo-20

Um Koro-sensei do começo do século XX

Isso quer dizer que a educação pode ser resolvida se mudarmos completamente a educação para o que se estuda nesses novos cursos ou então se aproximar do que o Koro-Sensei faz em Assassination Classroom, certo? Bem, não é assim. Embora o mangá mostre qualidades impressionantes no método de ensino de Koro-Sensei, não podemos esquecer que ele faz isso apenas porque é um monstro com velocidade Mach 20. Mais fora da realidade ainda é imaginar que os professores devem ter MAIS TRABALHO para que a educação vá pra frente, enquanto não se investe o necessário na educação (não só esse Governo como o anterior, e o anterior, e o anterior…) e se mantém uma mentalidade de dois séculos atrás.

Uma das coisas mais interessantes de Assassination Classroom é que a série faz algo que quase nunca vemos nos mangás ou na própria mídia: uma valorização da profissão professor. Porque, né… a Shonen Jump está aí há décadas publicando mangás das mais diversas profissões, esportes ou guerreiros que têm talentos próprios e que vão salvar o mundo… mas quantos professores protagonistas vemos nos quadrinhos? Por que só vemos mangás de médicos, advogados, engenheiros, escritores etc e não dessa profissão importante? Querendo ou não, representação na mídia ajuda sim a incentivar novas gerações a decidirem por determinados esportes e profissões (lembre como Captain Tsubasa proliferou o futebol no Japão).

classroom-assassination

O mote da Shonen Jump é a amizade, mas nos mangás os protagonistas sempre resolvem as situações basicamente sozinhos. Precisou vir um mangá de comédia com um pouco de ação para mostrar que embora seja importante se valorizar o talento pessoal que todos temos, apenas com o trabalho em equipe e esforço mútuo é capaz de se mudar alguma coisa na sociedade. E, para que tudo isso aconteça, é fundamental a orientação de um professor. Seja esse professor um monstro amarelo superveloz ou apenas um professor ensinando num colégio caindo aos pedaços por falta de investimento.

Panini lança o primeiro kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban do Brasil

8 out

Ao contrário da Nintendo e da falta de notícias do NX que faz com que o próximo console seja apenas uma lenda urbana na internet, temos muitas novidades no nosso mercado nacional de mangás! Após a JBC anunciar o primeiro kanzenban-se-você-ignorar-o-kanzenban-de-dragon-ball-da-conrad da história dos mangás no Brasil, a Panini surpreendeu os fãs ao revelar que Slam Dunk está de volta ao país no formato kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban. IKIMASU acabar com essa confusão.

kanzenban-slam-dunk-01

Tudo começou quando as redes sociais da Panini divulgaram esta postagem, anunciando Slam Dunk num formato baseado no Kanzenban e contando que maiores informações virão naqueles constrangedores vídeos da editora apresentados por um moço que tenta de toda forma emplacar o nihon para se autoafirmar como especialista em mangás. Por sorte, não precisaremos ver o vídeo porque nossa rainha Beth Kodama-sama usou suas redes sociais pessoais para contar um pouco mais sobre esse “baseado“:

kanzenban-slam-dunk-02

O que podemos ver nesse print além de que meu Chrome está cagadíssimo e fica juntando letras que têm acento? Bem, Beth Kodama tentou ser o mais didática possível para explicar o que é um kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban: como lançar um bagulho de luxo faria o negócio custar quase 50 golpinhos, eles pegaram apenas o número de páginas do kanzenban, as capas bonitonas, umas páginas coloridas aê e partiram pro abraço lançando num preço bem em conta.

Então esse é o atual estado do mercado que descobriu na palavra “kanzenban” uma forma de parecer que tá rolando novidades: a Panini trouxe um kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban de um mangá excelente num preço acessível e numa qualidade decente e a JBC prometeu um kanzenban-que-é-o-primeiro-kanzenban-do-brasil-se-você-ignorar-odragon-ball-da-conrad de Cavaleiros num preço e formato a ser anunciado, mas de um mangá que saiu tantas vezes que já já pode pedir segunda música no Fantástico.

O mercado de mangás de luxo no Brasil segue firme e forte, falta só darem um jeito na qualidade dos mangás de banca né?

DENÚNCIA! Está acontecendo uma terrível Guerra Fria entre as editoras

28 set

Você sabe o que foi o período da Guerra Fria? Segundo as aulas de História na época que as matérias não desapareciam com canetadas, é um período de guerra ~silenciosa~ entre Estados Unidos e a União Soviética. Ambos os lados estavam ~secretamente~ preparando uma corrida armamentista para contra atacar caso o outro lado ameaçasse começar uma guerra de verdade.

Caso você seja como qualquer usuário médio da internet e tenha dificuldade de entender parágrafos sobre assuntos complexos, um resumo do tópico histórico pode ser visto no meme da Inês Burajiru disponibilizado a seguir:

ines-burajiru

A minha denúncia, no entanto, não se refere a grandes potências mundiais, e sim a editoras de mangás do nosso mercado nacional. Como vocês devem saber, o ano de 2016 foi escasso em anúncios porque as editoras perceberam que não havia espaço físico em banca para tanto tanko sendo lançado. Em especial a editora JBC, que viu em 2016 uma queda vertiginosa no número tanto de anúncios quanto de piadas homofóbicas em palestras (mesmo eles tendo lançado uma piada transfóbica de forma terceirizada no Henshin+). Assim, o mercado nacional de mangás se encontrava em paz, tanto que é até bonito vermos uma postagem assim como a da Panini em seu Facebook, após publicar um fanart de Fairy Tail (que é da JBC):

guerra-fria-mangas-01

Essa postagem, que é quase um We Are The World das editoras de mangá, na verdade é apenas uma sensação aparente, porque TEM UMA GUERRA FRIA ROLANDO NOS BASTIDORES (demorei dois parágrafos para chegar no assunto, mas foda-se). Tudo começou quando espiões especializados perceberam que a JBC estava preparando um grande anúncio. Tentando barrar a estratégia, a maravilhosa Beth Kodama já se posicionou no garrafão para impedir essa jogada da JBC numa postagem cifrada que a equipe de inteligência do Mais de Oito Mil (composta pela Ba-chan) conseguiu encontrar o segredo:

guerra-fria-mangas-02

No entanto, o tal anúncio da Panini não foi feito semana passada porque a editora decidiu deixar para esta semana. Enquanto esperamos essa bomba da Panini, a JBC veio preparando o terreno para um grande anúncio feio da forma mais eficiente de marketing que existe. Divulgação ampla nas redes sociais e apoio da imprensa especializada (pff)? CLARO QUE NÃO, estamos falando da JBC! O método de divulgação foram as boas e velhas DICAS DO FAUSTÃO para os seguidores descobrirem o título:

guerra-fria-mangas-06

Mas a Panini não podia ficar calada com esse movimento, e ~coincidentemente~ usuários desocupados logo encontraram uma imagem muito suspeita num site da editora, insinuando um possível lançamento de Slam Dunk versão kanzenban, conforme podemos ver na imagem abaixo viralizada em muitos grupos de mangás:

guerra-fria-mangas-05

No entanto, os mesmos grupos logo foram avisados que se tratava de um erro, e que o número de volumes 24 na verdade era de um template de outro mangá da editora, e não uma confirmação da versão de colecionador do mangá. Legal que o erro foi o número de volumes, e não a Panini ter usado uma imagem de SCANLATION no template (vejam o que tá escrito embaixo do “jump comics”). Mas isso já foi o bastante para que Cassius Medauar, o editor cuja orelha foi arrancada por Seiya, usasse também suas redes sociais para insinuar novidades envolvendo a coisa mais importante para os otacos hoje em dia. Mangás de qualidade? NÃO! Brindes!!!!

guerra-fria-mangas-03

É quarta-feira ainda e as duas potências editoriais seguem nessa disputa silenciosa sobre o anúncio da semana, uma guerra fria de ocultação de contratos orientais e disputa pela atenção do público otaco. A JBC planejou seu ataque para a sexta-feira, será que a Panini vai soltar sua bomba antes? Depois? Durante? Será que é Slam Dunk kanzenban? Será que a JBC vai confirmar o Hokuto no Ken depois das boatarias? SERÁ JOBS? Será Jojo? Será transparente? Será meio-tanko? Será do mesmo desenhista de Another? Saberemos disso a qualquer momento, quando as duas editoras liberarem suas armas.

Aos otacos, só resta esperar.

guerra-fria-mangas-04

Ok, e pra NewPOP também só resta esperar. Força aí que uma hora vai!