Desabafo · Dublagem

Dublagem brasileira de Maid Dragon usa expressões em japonês… sem tradução

Há alguns dias rolou o lançamento da nova leva de animes dublados na Crunchyroll. O serviço de streaming lançou FREE e Younjo Senki em seu catálogo com vozes em português e isso rendeu uma matéria super elogiosa por aqui. As adaptações tavam boas, os dubladores foram muito competentes e a Crunchy ainda tirou o escorpião do bolso para gravar em estúdios renomados. Porém, nos últimos dias, a Crunchyroll decidiu atiçar os fãs com prévias de outros animes dublados como Mob Psycho 100 e Maid Dragon e o resultado… bem… é o que posso chamar de OFENSA a uma dublagem.

Enquanto Mob Psycho ficou com uma dublagem bem feita (igual FREE e o anime da loira nazista), Maid Dragon me incomodou PROFUNDAMENTE num único detalhe: eles mantiveram honoríficos na dublagemConfira o teaser por sua conta e risco:

Na língua japonesa, há sufixos que funcionam como honoríficos para mostrar várias formas de tratamento entre pessoas. Colocar um -chan depois do nome pode dar uma noção de intimidade, um -san dá um toque de respeito e por aí vai. Essas expressões foram ficando muito populares entre otakus por causa de textos em revistas informativas e muitos até usavam essas expressões entre si numa demonstração vergonhosa de sua religião otaka.

Infelizmente essa nota de rodapé de matérias sobre cultura acabou indo parar nos mangás que encontramos ou não nas bancas. A Panini, por exemplo, parece ter um tesão em deixar essa japonezice desnecessária em seus mangás, principalmente os ambientados no Japão. 

Isso joga um pouco contra o próprio produto, pois não se trata de algo intraduzível, apenas algo colocado para satisfazer otaku. Um -san pode ser susbstituído por um “senhor/senhora” ou então por falar o sobrenome do outro personagem (já que o sentido é mostrar respeito por outra pessoa). Já o -chan pode ser facilmente adaptado quando se coloca um diminutivo (tipo o Ka-chan de My Hero Academia que na versão legendada da Crunchyroll é chamado de Kazinho).

Eu até acho frescura colocar isso num mangá como a Panini faz, mas relevo porque pelo menos tem um glossário explicando no final da edição. Mas o que dizer de um anime??? Vai entrar um narrador explicando essa característica da língua japonesa? Uma legenda? Ou o espectador vai ser obrigado a interpretar sozinho algo de outra cultura?

Há cerca de uma década, o Cartoon Network começou a investir em animes mais “adultos“, e uma das séries adquiridas foi Love Hina. Afirmo que foi uma das mais infelizes dublagens já feitas no Brasil, porque os personagens falavam entre si com honoríficos sem qualquer explicação. Quer algo pior? O anime foi exibido em TV aberta (pela Rede 21 em São Paulo), na teoria para um público bem amplo. Não podemos esquecer que Maid Dragon TAMBÉM será exibido na TV aberta (só que pela Rede Brasil, se a Igreja Plenitude não comprar o resto dos horários vagos da emissora).

Normalmente a dublagem serve para adaptar aquele produto para uma outra cultura, tornar um produto mais acessível. Já a decisão da dublagem de Maid Dragon em manter esses honoríficos parece ser apenas agradar o público otaku hardcore, e não um público maior. Acho muito estranho isso vir da Crunchyroll, porque eles têm um esforço muito bom para não deixar as legendas “otakas demais”. Normalmente eles até se esforçam em adaptar piadas para a realidade brasileira (um exemplo dá pra ser visto nesse ótimo texto do Fernando Mucioli sobre a adaptação de Pop Team Epic).

Tivemos acesso a apenas um pequeno trecho de um episódio, então não temos como considerar que todos os personagens falam assim ou apenas a empregada dragão. Mesmo se for só ela, se trata de uma decisão muito estranha para uma dublagem. Torcendo para isso ser apenas uma sugestão infeliz que não se repetirá mais e não apenas um keikaku para trazer dublagens only for otakus.

30 comentários em “Dublagem brasileira de Maid Dragon usa expressões em japonês… sem tradução

  1. Aí qd boku no hero vir com um “kazinho” o povo chia…. tem coisas q acho q é melhor n dublar, imagina batman por exemplo como ficaria, “porque… eu sou o homem morcego”. Kra… pelo amor né.

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  2. ACHO que mantiveram o -san por causa do nome do anime. E é curioso ver a galera ELOGIANDO que mantiveram os honoríficos nas respostas ao tuíte. e-e”

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  3. Primeiro tem mangá de lutinha por 22 conto e agora honorífico na dublagem brasileira, que derrota pro fã de desenho japonês. Um exemplo caótico que eu posso citar aqui é o do Kami-sama em Dragon Ball, eu não fazia ideia de que ele era um senhor Deus eu sempre pensei que ele era uma Camisamá

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  4. não to falando nada com certeza, mas pelas dublagens já liberadas pela CR, da a entender que a tradução usada é a mesma das legendas, a qual “Made Dragon” mantem os honoríficos…

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  5. Visto que tem os casos “Kami-sama” e “Zeno-sama” em Dragon Ball, pode ser que isso acabe passando batido mesmo eu concordando com a argumentação da Mara. Além do que, esse Kobayashi-san No Maid-Dragon realmente tem um potencial para atrair um público novo além do nicho otaku? Porque para mim não parece que leigos vão se interessar por isso aí, embora esses honoríficos ridículos (para uma versão brasileira) acabem até pesando contra.

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  6. Olha ai!!! Reclamou q n tinha do q reclama na dublagem da Crunch e eles te dão esse presentão.
    Mas pensa no lado bom, n tá q nem nos 1°s episódios de Dragon Ball Super onde mandara um Lorde Bills-sama e depois esse costume sumiu, costume q n existia nos filmes onde essa saga foi baseada.
    E no caso do Kami-Sama em Dragon Ball, originalmemte isso é uma piada em q o Goku acha q o nome do cara é Kami-Sama, a propria dublagem daqui da umas escorregadas nisso chamando ele de Deus em uns momentos.

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  7. eu honestamente nao dou a minima, nao me incomoda nem um pouco e se tirassem tambem nao faria diferença
    mas esse “kazinho” é de cair o cu da bunda sinceramente

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  8. Mara deveria fazer uma matéria críticando a netflix ,por mandar um monte de anime pra campinas ao invés de se preocupar com honoríficos de maid dragon .Poxa mara

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  9. O que tem agradar quem entende e gosta de honoríficos?! O que tem agradar as minorias de vez em quando?! Não basta as minorias como gays sofrerem boicote? Agora nós, os otakus hardcore, também?! Onde esse mundo foi parar, meu deus!!! Não há problema nenhum isso existir. O mundo não gira ao seu redor, Senhora escritora desde poste!!!

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  10. É o que eu sempre digo: essa falta de profissionalismo em querer agradar “fãs” e os “pagantes” da forma errada.

    “Vamos fazer, né chan, senão, não tem audiência, né?

    Pobreza.

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  11. No jogo persona 4 a dublagem em ingles tem honoríficos, ficou muito bizonho.
    Nesse preview do do maid dragon não ficou tão ruim assim, mas preferiria mil vezes “senhorita kobayashi” do que isso. Tá, demora mais pra falar “senhorita” do que “san” mas isso não é razão suficiente.
    No caso de “Kami-sama” eu pensaria que poderia ser algo de não querer chamar um cara de “Deus”, mas tem um cara chamado “Satã” então acho que os tradutores não tavam nem ai.

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  12. Aparentemente, isto foi uma exigência da própria Crunchyroll. A dublagem mexicana de Maid Dragon aparentemente também manteve os honoríficos por conta disto.

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  13. @Japadk A dublagem em inglês de Ajin também teve alguns. O espírito ou seja lá o que for da Izumi Shimomura é chamado de “Kuro-chan”, enquanto na dublagem brasileira ele é chamado de “sombrinha”.

    Quanto ao Kami-sama, na verdade, o pessoal se esquece que a tradução dos diálogos da dublagem brasileira de Dragon Ball Z foi simplesmente um copy-paste com algumas correções de erros aqui e acolá da versão mexicana. Chamar o personagem de “kami-sama” foi uma escolha da dublagem mexicana que acabou sendo incorporada na brasileira.
    Felizmente escolhas bizarras da dublagem deles como chamar a Chichi de “Milk” ou dar voz de robô para o Cell acabaram sendo corrigidas aqui, mas Kami-sama acabou ficando.

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  14. @SaintARMOR
    Naquele episódio em que Goku e Piccolo vão tirar carteira de motorista, o Goku chama a Chichi de Milk. Se não me engano, um cara disse que há a versão em que o Goku a chama de Chichi mesmo.

    Sobre o Kazinho: Eu estou acostumado com esse nome, já que vejo My Hero Academia no Crunchroll, mas eu imagino o pessoal, que está acostumado com Ka-chan, se irritando e pensando: “Cara, mas que droga é essa!”

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  15. Outra possibilidade pelo qual mantiveram os honoríficos pode ter sido porque, como alguns dubladores já disseram em diversas entrevistas, dublar anime pode ser muito complicado uma vez que algo que um personagem fale muito rápido no original, tenha uma tradução enorme e vise-versa. Mesmo adaptando pode perder o sentido muitas vezes, dai talvez pra agilizarem as falas tenho mantido esses honoríficos tipo “san” ao invés de “senhorita”.
    Eu estava observando como isso também acontece com animações ocidentais. Assisti vários episódios Teen Titans GO na Netflix e sempre alternava entre a dublagem brasileira e a americana pra ver as diferenças e, cara, tem MUITA coisa que se perde na dublagem brasileira. Às vezes até tentam adaptar, mas as falas do original são rápidas demais e isso prejudica muito a dinâmica da nossa versão dublada, fora obviamente as piadas de trocadilho que só fazem sentido mesmo em inglês. Eu imagino que num anime de comédia slice of life como maid dragon isso também aconteça e, como imaginaram que era um produto pra uma plataforma específica com público específico, decidiram manter pra facilitar também.

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  16. @SSomeone (@Just_SSomeone) Mas se assim fosse, toda dublagem de anime teria honoríficos. Tem muito mais cara de ter sido exigência da própria Crunchyroll mesmo.

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  17. Qual o critério da CR Brasileira para os animes exibidos na TV? São os que o pessoal mais assiste no site ou os que passam por uma avaliação antes como maior potencial de popularidade? Acredito que seja a primeira opção, mas convenhamos: entre uma produção com maior audiência dentro de um nicho e algo que poderia ter mais popularidade e até potencial de exploração comercial com algum “Merchandising” em cima é um abismo tremendo.

    Normal que existam alguns termos não traduzíveis em nosso idioma, mas a Crunchinha tem é que tomar cuidado pra não por algo Japonês demais, ou esse barco feito a remendos vai afundar.

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  18. Sério, essa postagem não é só cheia frescura como também mostra a ignorância, a falta de conhecimento de quem escreveu.
    Primeiro que honoríficos NÃO SÃO 100% traduziveis, isso tá muito ligado a cultura japonesa, por exemplo “-chan” apenas indica uma forma carinhosa de
    se referir a pessoa não é um diminutivo, por isso “Kazinho” não é um exemplo muito válido por não ser uma tradução correta, se não quer honoríficos a melhor opção seria apenas remover-los e deixar os nomes dos personagens normais, ninguém chama o colega com diminutivo no nome, pelo amor de deus.
    Se os honoríficos são desnecessários na dublagem ou não pouco importa, são parte da cultura japonesa, os personagens, vivem no Japão, logo apresença deles é perfeitamente plausível e justificavel.

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  19. Isso me lembrou um episódio das Aventuras do Jackie Chan, quando o Finn (o capanga ruivo da mão negra) chamava o Tarakudo de Tarakudo-san as vezes e eu ficava bem perdido do porque ele botava esse san no final.

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  20. Não vejo tanto problema assim…

    Claro que não queremos que um episódio se transforme em um dicionário gigante de expressões ou palavras, entretanto isso faz parte do desafio de tradução/adaptação de um conteúdo de uma língua para outra.

    Eu diria que manter os “san” e “chan” na dublagens ajudam a dar uma caracterizam do mesmo, claro que não podemos excluir ninguém porém devemos lembrar que não serão possível criar uma adaptação 100% perfeita que agradará a todos.

    Meu irmão uma vez me citou o exemplo de “Cop” uma palavra muito curta e rápida de se falar, e por sorte a dublagem usa o “tira” que consegue se encaixar no tempo da fala e na sicronização, entretanto com o “san” e “chan” é outra coisa, pois “senhor”, “senhora”, “senhorita”, “inho” e “inha” são palavras que demoram mais para serem pronunciadas e podem não sicronizar bem, manter a expressão original não é tão ruim (ao meu ver), isso ajuda a não cortar ainda mais o conteúdo da adaptação.

    Mesmo que se mantenha esses “honoríficos”, não acredito que eles influenciam tanto, o mais importante é a adaptação de costumes e comidas da cultura japonesa que outras pessoas podem não ter o conhecimento e podem deixar as pessoas “boiando”…

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  21. Concordo que sufixos de tratamento é difícil no inicio
    Mas senti incomodo com as vozes, varias vezes (nesse vídeo mesmo) vi boca sem voz, as entonações estranhas em relação ao original.
    Kobayashi está sendo dublada por um robô ? Ela tá sem emoção nenhuma
    Sério que a Tohru, a dragoa, tem mais idade e tem vozinha de criança da idade da Sakura Card Captor? Mas ao menos a voz de Fanfir está decente mesmo.

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  22. Não conheço o desenho, mas acho que aquele “Ka-chan” não corresponde necessariamente a um diminutivo, sendo mais um apelido de infância, que aqui poderia ser um “Kaká” ou “Kazão”.

    O problema com os intraduzíveis honoríficos é que você precisa de um curso de cultura japonesa e de uma vivência que os glossários da Panini não conseguem transmitir. Por exemplo, o que eu “arranhei” depois de anos de leitura:

    -Um homem/rapaz não chama uma mulher/garota amiga sua de “chan”, a menos que seja namorado ou muuuito íntimo dela; caso contrário, fica só no “san”;

    -Esse mesmo rapaz vai chamar de “kun” não qualquer amigo, mas quem ele considerar um igual; os outros ficam no “san” ou só no sobrenome;

    -Garotas só vão chamar de “chan” as do seu próprio círculo íntimo, mas com uma permissividade maior que os rapazes;

    -Um rapaz pode chamar outro de “chan” apenas se forem amigos de infância e se se tratavam desse jeito na época (como o citado “Ka-chan”, o “Kei-chan” do “Gantz” ou o “A-chan” do “Sakamoto”);

    -O uso indiscriminado de “kun” e “chan” é reservado a garotas manhosas, e infelizmente existem delas às pencas nos mangás;

    Isso é o que consigo distingüir do emaranhado de situações que vejo nas histórias, e é possível que eu esteja errado em algumas. E já leio esses gibis de longa data! Imaginem o que um novato vai captar!

    Deixar o honorífico porque o tradutor acha que vai errar na transmissão do relacionamento entre os personagens é uma saída preguiçosa. Melhor é tentar adivinhar tal grau de intimidade e passar isso pra nossa tradição, como disse a Mara.

    O “san” poderia ser o sobrenome ou até o nome, se for uma garota amiga. O “kun” pode ser o próprio nome de um rapaz ou um apelido. O “chan” poderia ser também o nome de uma garota ou um “Gata” ou “Meu amor” se for dito por um namorado. Ou um apelido para o caso do amigo de infância.

    Até poderia pintar um de vez em quando, mas só pra nomes curtíssimos. A “Ai-chan” da “Video Girl” até que ficou legal, mas o “Nanahara-kun” de ” Battle Toyale” ou o “Shishigawara-san” de “Bleach” foram dose!

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  23. Droga, eu quis dizer “Battle ROYALE”!

    E algo de que me lembrei só agora: tem ainda as “japonesices” sem propósito algum, como em “Assassination Classroom” chamarem o professor monstro de “Koro-sensei”. “Sensel” por quê? Só dá a impressão de que ele é professor de judô, caratê, ou kung-fu.

    A JBC, por sua vez até explica os termos em japonês que usa… na primeira vez em que aparecem. Depois os distraídos que se virem pra lembrar a edição em que o raio da palavra apareceu primeiro. É o caso do “Hyakunin-giri” (não sei se é assim mesmo, tô no intervalo do trabalho e longe de casa), apelido do protagonista Manji em “Blade”. Não lembro mais o que significa, minhas revistas da Conrad tão numa caixa de mudança e “você, esquecido, que compre um dicionário de japonês!”

    (Por sinal, detesto tanto as “japonesices” dos otakus quanto as “inglesices” dos “descolados/informáticos/internéticos” e as “francesices” e “alemanices” dos filósofos.)

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