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Berserk #13? Shonen de lutinha a 22 reais? Tudo foi revelado na Mesa Redonda das editoras no AF2018

Assim como instituições públicas, as editoras de mangás também têm aquele momento de prestação de contas para o público. E isso acontece duas vezes ao ano, na já tradicional e polêmica Mesa Redonda dos Editores de Mangás, realizada agora nos eventos da Maru Division como o Ressaca Friends e o Anime Friends. Neste domingão (08) rolou o mais novo evento, e a otakada estava ansiosa por respostas sobre recentes polêmicas.

Se você acompanha o Mais de Oito Mil, deve ter percebido que o conceito da Panini despencou horrores nos últimos tempos, graças a mangás esgotados poucos meses após o lançamento e a novidade dos shonens custando 22 reais. Durante o sábado rolaram as palestras das editoras, e a da Panini convenientemente atrasou o bastante para não ter momento de perguntas da platéia. Seria isso? Ficaríamos sem saber o que estava incomodando o coração e o bolso do jovem otaku incapaz de pagar 70 reais num pacote simples com três títulos? Claro que não!

Por motivos de força maior, o Graveheart do Genkidama (e o principal mediador da mesa redonda nos últimos anos) precisou se ausentar e uma nova pessoa foi chamada para esse debate. Isso mesmo, o Mais de Oito Mil. Muito prestígio esse humilde site comandar um bate papo sobre bastidores editoriais, mesmo que ele atraia 1/6 do público de um painel de dublador como Wendel Bezerra.

Mandei meu representante careca para o palco e fiquei twittando tranquilamente da platéia, atenta a todas as respostas que obriguei ele a ir atrás. Infelizmente o evento teve três baixas bem grandes: faltou Cassius Medauar da JBC (que foi pra Europa), Beth Kodama da Panini (que se livrou dessa roubada) e principalmente faltou o respeito ao tempo aceitável para se responder as perguntas.

A mesa redonda foi uma grande conversa de comadres: Levi Trindade da Panini e Marcelo Del Greco da JBC competiram para ver quem falava mais, Paulo Roberto da Devir dava declarações mais comedidas e Junior Fonseca da NewPOP estava afetado pelo Sleep Powder de algum Pokémon na área e ficou mudo boa parte do tempo. Será que, tal qual Yukito, ele esteja prestes a perder suas forças pela falta da força do Mago Clow? Fica a dúvida. Mas vamos direto para o que importa: meu representante conseguiu perguntar o que mais queríamos saber. Sim, as perguntas do título da matéria! Vamos a elas!

Sobre mangás esgotados e reimpressões, a Panini explicou que era uma zona a antiga distribuição. Agora que eles romperam o namoro, a ex está mandando as coisas que ficaram na casa dela e a Panini tem se surpreendido ao receber coisas que deveriam estar esgotadas, mas estão lá lacradinhas e bonitinhas. Algumas delas inclusive foram para o estande da editora, por isso pessoas conseguiram comprar o volume 19 de Berserk (outro esgotado). Levi explicou que vão analisar tudo e aí pensarão em republicações. Resumo: nem mesmo a editora tem ideia do que está faltando ou não até o momento.

Mas e a treta recente? Essa facada em nossos bolsos que foi o formato shonen com papel bonitinho de 22 reais? Bem… ele explicou que o motivo desse novo padrão para os mangás da editora, que vem a ser sete reais mais caro que o antigo padrão, foi um pedido… do público.

Isso mesmo. A galera sommelier de papel pediu tanto, mas taaaanto por mangás com uma qualidade melhor, que a Panini ouviu todo mundo e transformou em padrão essa linha com papel melhor. E é claro que o papel é mais caro. Questionado sobre a estranheza de títulos de “luxo” (como Vagabond ou Lobo Solitário) serem mais baratos que a linha padrão, Levi explicou que o papel deles também tá ficando bem caro e isso deve ser ajustado num futuro.

Ou seja, todos os mangás da linha padrão que saírem a partir de agora terão esse preço. Alguma coisa nessa história não parece tão coerente? Pois é. Eu particularmente achei estranho eles mudarem o padrão de uma vez sem nem fazer testes antes, mas basicamente eles estão colocando a culpa no preço nos constantes pedidos da internet para que se melhorasse o papel dos mangás. Acho triste, pois mangá shonen deveria ser porta de entrada para mangás e ser vendido sempre mais barato. 22 reais não é acessível de forma alguma, e nem ao menos sabemos que o grosso do público se importa mesmo com papel igual sommelier de papel.

Vamos aguardar novas features dos mangás da Panini no futuro feitas só para agradar essa galerinha vocal na internet. Será que teremos o mangá com a lombada milimetricamente impressa para coleções de perfeccionistas? Mangás lançados em sacos anti-umidade?

No fim, quem ganhou a mesa redonda foi a editora Devir. Prometeu republicar seus títulos da linha Tsuru (os mais caros) e foi a única pessoa interessada quando uma pessoa da platéia sugeriu um mangá. “O que as pessoas quiserem comprar, vamos oferecer”, praticamente.

Só precisa tomar cuidado, pois às vezes as vozes que se ouve não são compatíveis com o tamanho de quem compra seu produto.

27 comentários em “Berserk #13? Shonen de lutinha a 22 reais? Tudo foi revelado na Mesa Redonda das editoras no AF2018

  1. É gente, Panini caiu horrores mesmo nos últimos tempos. Alguém precisa fazer uma faxina na linha Planet Manga, porque NINGUÉM merece um trabalho AMADOR feito por esses caras. E pensar que 6 anos atrás o público dizia que a Panini era a melhor editora de mangás…
    Sobre a Devir, espero mesmo que eles reimprimam os títulos da linha Tsuru sempre que possível, eu por exemplo sofri horrores pra encontrar O Homem Que Passeia, pois já não tava encontrando mais em loja virtual alguma! Tenho que pegar o Nonnonba logo…
    E a JBC… bem, a Mara disse que o Del Greco foi um dos que mais falou, mas bizarramente a matéria não disse quase nada sobre ele. Vai ver que ele não disse muita coisa relevante (se bem que JBC publicar Novel e continuação de obra por ela não é algo que se vê todo dia…)
    NewPOP também não teve destaque algum, mas já que o Júnior deve ter tomado sonífero antes de ir pra Mesa Redonda, eu perdoo a ausência do rapaz

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  2. sobre a panini caindo no conceito: eu tô é com medo por jojo. ñ moro em sp, não tenho condições no momento de viajar + pagar hotel + comprar ingresso e ainda por cima comprar o mangá de jojo por 30 REAIS.

    então quem mora por aí + esteve no evento + tinha dinheiro pra comprar o mangá, levou. certeza que daqui a pouco esgota e não vou ter nem chance de encomendar.

    tô achando que sendo assim, era melhor outra editora comprar os direitos, né? mas nas palavras de inês brasil: vamo fazê o quê?

    E repito o que eu disse no tweet sobre a devir: eu quero preço de mangá mais acessível. quero ver se eles vão atender esse pedido.

    e aos grandes sommeliers de papel: DEIXA OS AMIGUINHO POBRE TER VEZ, PORRA!!!! CARAI!!!

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  3. Adoro este mercado.

    Espero o anúncio de mais titulos relevantes para 2020 e mais mangás descongelados por preços bacanudos.

    Já preparei 5 cartelas de bingos, para garantir.

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  4. Sou “sommelier de papel” e quando encho o saco falando que papel jornal não deveria ser mais usado não significa que eu queira pagar 22 reais em algo sem orelha ou páginas coloridas, a jbc lançou vários titulos ano passado em offwhite custando 16,90, acho que se fosse para mudar o padrão apenas o papel e o preço ficasse em uns 17 ou 18 reais seria ótimo, mas cobrar o mesmo preço da até então linha considerada “luxo” e com o mesmo acabamento do papel jornal (essas edições terão algum acabamento especial ou a mudança foi só no papel mesmo??) não é benefico ao leitor, e ficar culpando quem pediu o fim do papel jornal também não é justo pois eu, assim como a maioria que pedia o fim do papel jornal certamente não ficou tão feliz com essa jogada da panini…

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  5. De cara aqui porque o Levi Trindade foi na palestra e não a Beth, serião! :O
    O Levi as vezes responde questionamentos da galera sobre os títulos pela net, já vi comentário dele no guia do quadrinhos inclusive.
    Sobre a pergunta sobre números de mangá que simplesmente evaporam, achei a resposta apenas regular. Quer dizer que se a editora deixou, sei lá, uns mil mangás com a distribuidora e a distribuidora dá mancada não tem o que se fazer? Um amigo tá caçando a edição 19 de Assassination Classrom a meses e não acha o negócio em lugar algum. Vejam, não é nem número antigo, é recente até.
    Sobre preços novos e tal, o mercado tá tentando ficar de pé de novo, mas só o tempo vai dizer se isso vai vingar ou não.
    E senti falta de comentários da JBC e Newpop, se bem que pelo que falaram tudo que tinha que ser dito foi dito nas palestras de cada editora, não ali na mesa redonda.
    Esse negócio da JBC e Panini lançando novels será a nova tendência?

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  6. A verdade é q o mercado está morrendo… podem dar os números q quiserem, mas o preço mais elevado e o desespero em obras “seguras”, como relançamentos escrotos e JASPION (!!!) prova q o “novo” não está vendendo mais… já passou o novo boom desse mercado, houve um em 2001/2003, vivemos outro em 2013/2015 e agora vai descer novamente…

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  7. Eu sempre pedi melhora no papel de títulos curtos e mais maduros/de nicho. Shounenzão genérico infinito tem de vir no papel mais barato possível mesmo, não a 22 reais. Foi mais uma cagada da Panini mesmo.

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  8. E essa história aí de títulos sumirem na distribuição é pura lorota. Pluto veio depois da mudança e já sumiu. Foi mais uma cagada da Panini que eles não querem admitir.

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  9. Panini filha da puta. Sabia q iam usar essa desculpa do publico pedir papel melhor, o q vai contra ao q se dizia nos AFs passado sobre a tal “crise do papel”, desculpa q se seguiu por 3 anos seguidos.
    Pior de tudo q de novo as editoras fazem essa coisa feia de botar a culpa no consumidor. N SEUS FILHAS DA PUTAS, A CULPA É DE VCS, N NOSSA!!!
    Os caras n tem um planejamento, raramente ouvem o publico (quando ouvem fazem cagada), n fazem pesquisa de mercado, erram no time de trazer certos titulos e no fim a culpa é nossa, pelo amor de Kami-Sama.
    Pelo q to vendo o mercado de manga deve tá em baixa (coisa q a um tempo a trás as editoras negavam) e as editoras ao Invés de tentar renovar o seu público tão é tentando se garantir nos leitores q já tem, sendo q esses meus amigos vão abandonar o barco em um momento.
    Q vergonha isso cara.

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  10. Por conta dessas respostas aí é que larguei mangá em 2016 e passei a ler scan. Tem que ser rico ou ler pouco nesse mercado atual.

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  11. Quanto ao “você pede, a gente atende” da Devir, tenho minhas dúvidas. Ao menos no departamento dos RPGs, isso nunca aconteceu: o pessoal pedia incessantemente a publicação de suplementos com estatísticas de criaturas –monstros, alienígenas e quetais– para o sistema GURPS e, mais tarde, dos livros que encerravam o Mundo das Trevas (que incluía os famosos Vampiro, Lobisomem e Mago) e nunca foi atendido. Os GURPSianos tiveram que se virar com a meia dúzia de bichos que havia no “GURPS Fantasy” (e com as não oficiais da revista “Dragão”) e a Devir passou pro “Novo Mundo das Trevas” rebutado sem ter publicado o fim do Antigo.

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  12. Eu estava doida para colecionar Dragon Ball Super (que aliás já acompanho nos scans da vida), mas a 21,90, e ainda com essas desculpas ridículas da editora, estou perdendo a vontade até…

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  13. Jasque: Lá nos States o GURPS continua na ativa, vendendo bem, ainda que ninguém seja páreo pro Dungeons and Dragons (D&D). Por aqui, a Devir até lançou a quarta edição lá por volta de 2009/10, mas ficou só nisso. Nenhum suplemento ou sequer um esforçozinho de promoção. Toda a energia da editora foi para o D&D, o sistema D20 (que usava o sistema do D&D para ambientes que não fossem de fantasia) e o Novo Mundo das Trevas, que foi lançado sem a despedida correta do antigo.

    Sobre as palestras: será que, além dessas mesas-redondas, que parecem servir só pras editoras fazerem propaganda, não podia haver também umas palestras sobre técnicas de escrita, leitura crítica, história da arte, tradução, interpenetração cultural Oriente/Ocidente, tendências futuras de mangás e animês?

    Do jeito que esses eventos estão, só me interessaria ir num desses pra ir jogar videogames antigos. E pra ver aquelas peças esculhambadas que o pessoal costuma encenar depois dos concursos de fantasias.

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  14. Essas mesas redondas são totalmente inúteis: só servem pra enxugar gelo sobre um mercado de mangás que nunca se desenvolveu e está pior que dez anos atrás pra adquirir os mangás. Só alimenta a imprensa Sônia Abrão de intrigas e fofoquinhas de Twitter que fazem aqui. Falar sobre investimento nacional, formação de novos talentos? Nem pensar.

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  15. Será que um dos motivos principais do aumento excessivo é o caso da Saraiva e Amazon, que acabam vendendo os produtos por metade do preço algum tempo depois do lançamento? Daí acham que grande parte dos consumidores adquire os mangás assim e acabam aumentando, sem pensar em quem mora longe ou que só pode adquirir em lojas físicas.

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  16. Acho engraçado o pessoal comentar com um português lamentável que prefere ler scan porcamente traduzida do inglês em um português igualmente precário.

    O mercado é ruim porque os leitores são retardados e moram com os pais.

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