Analisando “Não Mexa Com Minha Filha”, o hentaizão da Astral Comics

29 ago

Quando abre um site da nossa Imprensa Especializada (pff) você encontra desde notinha traduzida do Anime News Network até review de mangás dos três reis magos da editoração que são Panini, JBC e NewPOP. Poucos se aventuram em coisas diferentes, à exploração arqueológica de outros conteúdos, a se expor a situações inusitadas. Por sorte existe o Mais de Oito Mil para falar desde da nova novela da Globo que é sobre japoneses até passar pela experiência de comprar o novo hentai da editora Astral Comics na banca, sendo julgadíssima pela moça do caixa.

Pois é, caros leitores, a editora Alto Comics tem uma linha de mangás safados nas bancas e recentemente lançou o primeiro volume de “Não Mexa Com a Minha Filha”, e agora você verá se o negócio presta. IKIMASU ver essa matéria que não é (18+) e por isso não vai ferir as normas de conduta do WordPress?

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Se “Não Mexa Com Minha Filha” fosse publicado pela Panini ou JBC, com certeza teria o nome original (Uchi no Musume ni Te o Dasu Na) pra punhetar a exaltação da cultura mais rica, mas não é o caso. A editora Astral Comics fez uma edição bem nas coxas, com preço de título de luxo da concorrência mas qualidade bem parecida com aqueles mangás da Disney que a Abril lança. Curiosamente, não tem transparência e muito menos tinta soltando no dedo.

Agora que conquistei os sommelieres de papel, aqueles que postam em grupos de mangá que compram um título apenas porque a qualidade de impressão é ~fodástica~, já posso falar sobre a história desse mangá que não é muito recomendado de se ler num ônibus ou metrô (tive que parar a leitura algumas vezes porque crianças estavam olhando).

“Não Mexa com Minha Filha” conta a história de Atena, uma dona de casa que mantém em segredo uma história de seu passado, ela era a heroína “Oitava Maravilha” e que defendeu o mundo de um vilão poderosíssimo chamado Blowjob. Sim, MELHOR NOME DE VILÃO. Acontece que uma nova Oitava Maravilha surgiu no mundo para enfrentar o vilão que retornou, e daí Atena descobre que a nova Oitava Maravilha é sua filha Clara. Com medo que sua filha sofra na mão de bandidos que utilizam tentáculos (esse é um hentai japonês, claro que tem tentáculos), Atena tenta secretamente ajudar a filha e a organização secreta N.U.D.E.

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Obviamente eu peguei esse mangá para fazer uma matéria esculhambando ele, afinal não tem como julgar decentemente esse tipo de mangá com história absurda e um traço tão instável quanto Luluzinha Teen. Para a infelicidade da linha editorial do Mais de Oito Mil, eu achei o mangá bem legal. Tirando os exageros pornográficos, os ângulos assustadores e os nudes desnecessários (mas comuns ao gênero), a história é muito divertida e faz uma grande homenagem aos quadrinhos americanos e seus clichês, talvez de uma forma tão competente quanto Boku no Hero Academia.

“Mas Mara, sua blogueira hipócrita, outro dia você tava reclamando da objetificação feminina em Nanatsu e agora tá falando bem de um hentai???”

Acredite ou não, esse mangá hentai consegue ser muito menos ofensivo que o Nanatsu no Taizai, e o principal motivo é que aqui não temos o autor tentando transformar o assédio sexual em algo normal ou alívio cômico. Em “Não Mexa Com Minha Filha”, os personagens que tentam abusar sexualmente de alguma personagem são os vilões, ou seja, a própria história já mostra isso como o lado errado. Não é como em Nanatsu que o protagonista faz as coisas. Ok, quadrinho hentai costuma objetificar as mulheres e toda a indústria pornográfica está baseada nisso, mas este mangá tem uns avanços legais que precisam ser comentados.

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Para começar, qual foi o último mangá (de qualquer gênero) que você leu cuja protagonista era uma dona de casa mãe solteira de uma adolescente? Quantos mangás você leu com uma senhora que tem seu próprio negócio e que luta contra o crime? E vale lembrar que esse mangá não tem cenas de sexo, apenas situações eróticas. Em uma das cenas mais visuais desse volume, a Atena depois de um dia puxado de trabalho decide apenas pegar um consolo e se masturbar. Os ângulos obviamente mostram a coisa com excesso de sexualidade, mas se masturbar não é uma coisa super normal e saudável? Não é meio legal encontrar uma protagonista que mostra que mulheres podem sim obter prazer sozinhas?

Não sei se recomendo “Não Mexa Com Minha Filha”. Alguns podem achar a história clichê, o preço caro (16,90), o traço inconstante e apenas mais um quadrinho que expõe as personagens a situações constrangedoras para o fascínio do público masculino heterossexual. No entanto, vi um certo valor no papel na narrativa descompromissada, divertida e principalmente na protagonista que, mesmo sexualizada para o leitor alvo, consegue se empoderar na própria história.

11 Respostas to “Analisando “Não Mexa Com Minha Filha”, o hentaizão da Astral Comics”

  1. Yã Cintra 29/08/2016 às 11:45 #

    olha só que surpresa, vi na banca e já revirei os olhos achando que seria qualquer porcaria de material masturbatório, legal saber que tem pontos positivos assim, não irei comprar mais bom saber disso.

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  2. Agronopolos 29/08/2016 às 11:46 #

    Já na primeira materia eu já estava com vontade de ler, agora EU QUERO
    Passa o link para ajudar vc

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  3. luizsazon 29/08/2016 às 12:39 #

    ”Não é como em Nanatsu que o protagonista faz as coisas. Ok, quadrinho hentai costuma objetificar as mulheres e toda a indústria pornográfica está baseada nisso”

    WTF !!

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  4. Heitor, o Atrasado 29/08/2016 às 12:44 #

    Não sei, essas analogias (Ahahahaha!! Hã? Hã? Hã? Entendeu?) com esses acrônimos e esse nome de vilão podem me afastar.

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  5. Vlad Schüler (@vladschuler) 29/08/2016 às 14:22 #

    1) Porque diabos essas imagens estão em japonês? A Astral desistiu inclusive de traduzir mangá de putaria, já que ninguém liga pra história mesmo? Ou a Mara só leu por scan por ter vergonha de comprar esse tipo de coisa em banca hein?

    2) E falando nisso, a Newpop lançou um hentai de verdade, com cenas de sexo (censuradas, pois hentai né), chamado “Cosplay Kanojo”, lá pelo final de 2014/início de 2015, que eu adoraria ver você esculhambando, Mara #fikdik

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  6. The Fool 29/08/2016 às 16:39 #

    Legal a resenha, mas tipo, quantos volumes é esse mangá? Tem mais, não?

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  7. Rodrigo impão! 29/08/2016 às 18:05 #

    Ia fazer um comentário relevante, mas lembrei que a gorda da Mara não dá o ar de sua graça nos comentários…

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  8. Erick Dias de Oliveira 29/08/2016 às 19:11 #

    @The Fool
    São 3 volumes.

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  9. The Fool 30/08/2016 às 15:06 #

    @ Erick: Valeu, então a Mara deveria resenhar o mangá até o final e tal!
    Ou como comentaram, pegar aqueles hentais da Newpop (apesar que eu li e achei algumas histórias mais ou menos.).
    Ou mesmo de outros hentais da Alto Astral…xD

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  10. Como Pikachuas 31/08/2016 às 08:22 #

    Acho que vou mandar o link do Mais de Oito Mil pro Mauro Tavares incluí-lo no top 13 dele d'”Os piores sites de quadrinhos de todos os tempos” (https://supercaixadegibis.wordpress.com/2015/11/04/os-13-piores-sites-sobre-quadrinhos-de-todos-os-tempos/), com a justificativa de que, de novo, aqui encontramos aquela conversa de doutrinação ideológica feminista de objetificação da mulher, violência, bibibi, bobobó, enfim, todo aquele papo escroto de acadêmico de humanas tentando se enfiar numa seara que não lhe diz respeito. Mais estranho ainda é esse papo vir de um homem (“Mara” é homem), o que o configura, portanto, como um FEMINISTO, um dos piores tipos masculinos dos últimos tempos, execrado até pelas feministas, em suas diversas vertentes.

    Em tempo: não conheço Mauro Tavares e só descobri essa página dele há uns poucos meses, justamente nessa postagem, que achei excelente.

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  11. Apo 03/09/2016 às 15:12 #

    Bom dona Mara esse lance de ser menos ofensivo que Nanatsu é estranho pra um gênero em que explora claramente a mulher de todas as formas possíveis. A história pode até ser um ponto positivo, mas querer dizer que não há objetificação como lá deixou seu argumento confuso.

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