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Poc-Con 2019: pelo fim do preconceito e por mais Narutos performando Pussycat Dolls

Aconteceu neste sábado (22) a Poc-Con 2019, a primeira edição do evento que prometia reunir os aficionados por quadrinhos, mangás e cultura geek no espaço do Osaka Naniwa Kai, na Vila Mariana. O lugar, utilizado para eventos mais humildes, ficou rapidamente muito pequeno para a quantidade de pessoas querendo entrar, consumir os produtos e se divertir.

Quem sobrevivesse à enorme fila, que só ia entrando no evento quando as pessoas de dentro saíam, era recebido por uma variedade de grandes expositores e uma trilha sonora que mais parece o setlist de algum DJ bem popular em baladas LGBT. Logo, a Poc-Con é o único evento geek do país em que podemos comprar produtos e ver cosplayers ao som das mais recentes músicas de Ariana Grande ou Anitta.

O maior espaço da Poc-Con foi dedicado para artistas independentes vendendo suas artes. Quadrinhos, fanzines, artes para você emoldurar e colocar no seu quarto, tudo podia ser encontrado em meio a dezenas de artistas talentosíssimos. Seja uma caneca de Pokémon ou um quadro da Bela Adormecida sendo despertada por um beijo lésbico da princesa Frozen, tudo estava lá ao alcance de quem estivesse interessado em comprar.

Já o outro saguão do evento, menor, estava dedicado a empresas e grupos. As editoras NewPOP e Panini marcaram presença com seus produtos, embora parte desses produtos nada tenha a ver com o tema. Enquanto a NewPOP levou todo o seu catálogo de mangás protagonizados por personagens LGBT, a Panini preferiu levear parte de seu catálogo de shonen de lutinha. Havia sim as edições de “O Marido do Meu Irmão”, título dessa temática publicado recentemente pela editora, mas mangás como “O Virgem Depois dos 30” (que nem da Panini é) estava com um pouco mais de destaque. De publicações independentes, conversei com o pessoal do grupo Indievisível que mostrou parte do catálogo para mim. Tudo pareceu bem interessante.

Tudo isso estava muito divertido já, porém o ápice do entretenimento chegou apenas no meio da tarde. Há muito tempo eu desejo uma renovação nos concursos cosplayers, que foram se tornando enfadonhos ao público com o passar dos anos, e a Poc-Con ofereceu uma mudança muito bem vinda à atração. Em vez de colocar os cosplayers desfilando ou performando alguma cena de seus materiais de origem, a ideia do evento LGBT foi transformar tudo em um desafio de lipsync digno de uma temporada de RuPaul’s Drag Race. Ou seja: o cosplayer deveria performar uma música, com coreografia e dublagem. E isso rendeu cenas MARAVILHOSAS.

Uma de minhas apresentações favoritas, injustamente mal-avaliada pelo corpo de jurados, foi a de um Naruto. O jovem ninja, com a roupa da primeira fase do anime, começou a dublar a música When I Grow Up, do extinto grupo farofeiro The Pussycat Dolls. Este hino do cancioneiro popular norte-americano relata os anseios de uma pessoa em se tornar famosa, conhecer o mundo e se reconhecida por todos… EXATAMENTE COMO O NINJA DA VILA DA FOLHA. 

A similaridade de conceitos é tanta que me pergunto como a Viz Media nunca pensou em convocar Nicole Scherzinger para performar as músicas de abertura do anime nos EUA. O mais sensacional da apresentação, além da música bem escolhida, foi que o cosplay foi mudando de roupa durante a dublagem. Primeiramente vestiu a roupa da fase Shippuden e foi seguindo até vestir o manto do Pai do Boruto. Precisamos de mais apresentações cosplay com disputa de lipsync, precisamos também de mais apresentações como a Chun-Li que dançou Pabllo Vittar e encerrou com o Movimento da Sanfoninha da cantora Anitta.

A Poc-Con foi um lugar de libertação para o público ali presente, além de palco para manifestações críticas bem humoradas. Em uma das apresentações de cosplay, uma Bela Adormecida rasgava a foto do príncipe que ninguém lembra o nome e revelava uma foto de Elza como sua crush. Ao final da apresentação, do nada, uma cosplayer caracterizada da rainha de gelo invadiu o palco e beijou a Bela Adormecida. “Damares curtiu isso“, comentou a apresentadora, fazendo referência ao mais recente delírio da ministra.

Normalmente deixado de lado por grandes eventos (por onde anda a sala yaoi? um bjo sala yaoi!), o público LGBT conseguiu mostrar sua força em um evento que prometia ser pequeno, mas se revelou maior que muitos. Fica a torcida para o pessoal da Poc-Con não só retornar no ano que vem, como também encontrar um lugar que permita a visita de mais pessoas.

(Foto de capa: Poc-Con)

18 comentários em “Poc-Con 2019: pelo fim do preconceito e por mais Narutos performando Pussycat Dolls

  1. Dá uma alegria tão grande ver eventos como esse e o Perifa – Con dando certo, uma galera que nem de longe tem o reconhecimento que merece finalmente tendo espaço. E fica cada vez mais claro como os eventos no geral, e aparentemente o “mercado nerd”, continuam ignorando uma parcela considerável de público que está interessado em consumir.

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  2. É tanto preconceito que em nenhum momento vi alguém ser contra ou barrar esse evento de maneira explícita. Só vendo o pessoal militante LGBTXYMaionese sendp marionete de narrativa e das grandes corporações querendo seu pink money.

    Deveriam criar uma sátira chamada Dance Monas, Dance em referência a Dance Monkeys, Dance.

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  3. Adoro como nesse tipo de post sempre aparece alguém falando que não tem preconceito algum, e imediatamente segue com aquelas pérolas que prova o contrário.

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  4. @Bullet Hell vem com a velha tática da alcatéia de acusa quem não concorda com eles do que eles são. Por isso a tag #SaiHétero fez sucesso um tempinho aí. Se fosse diferente teria mimimi.

    Preparando o balde pra colher as lágrimas dos comentários.

    Curtido por 2 pessoas

  5. “pelo fim do preconceito e por mais Narutos performando Pussycat Dolls”

    Tá parecendo os carinhas que ficam bradando: “menos marx mais mises”.
    Discurso diferente, mas a tosquice é a mesma 😂😂😂😂

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  6. Que façam uma segunda edição ainda esse ano, num local maior a título de teste. Queria muito ter ido…

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  7. Vim correndo pra ver o comentário de choradeira do carinha do macaco que vive num mundo utópico onde preconceito não existe.
    Não me decepcionei

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  8. Onde disse que preconceito não existe? As marionetes não cansam de me surpreender sendo preconceituosas contra o preconceito que essas dizem sofrer, sendo que não é o que elas pintam. Um mumdo em que só elas sofrem preconceito em que elas são o centro do universo.

    Agora ficarei somente colhendo lágrimas de visões de mundo afetadas com o que não conseguem compreender e destilam seu ódio do bem.

    Curtido por 2 pessoas

  9. EU NÃO ACREDITO QUE EU PERDI BATALHA DE LIP SYNC + COSPLAY
    ruim demais não morar perto desses rolês, quero ir no próximo

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  10. O evento foi um sucesso incrível e a gente aqui da Indie gostaria de agradecer a visitinha que fizeram no nosso estande! Eu particularmente fiquei radiante hahahahaha!
    Espero que gostem do nosso material e que possamos nos cruzar em mais eventos por aí!
    Muito obrigada ♡

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  11. Vou deixar aqui uma lágrima colorida pro Apo, que parece se interessar mais do que ele gostaria pela pauta LGBTQ+

    Belo evento, pena que longe. Espero que se espalhe pelo país.
    Aqui onde moro tem muita poc otaca, provavelmente influenciadas pelo beijo gay de Naruto /s.

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  12. Me parece ter sido um bom evento. Me parece ter sido mais animado do que os “eventos” de Goiânia que andam em baixa.

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