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Fanfiqueiro de Pokémon pensa em desistir de livro e apostar no YouTube

24 out youtube-ash-capa

Aqui jaz o sonho de incentivar a leitura de jovens e crianças brasileiras através de uma fanfic de Pokémon passada num futuro distópico cheia de morte, palavrões e violência. Como vocês devem ter acompanhado por todos os posts do Plantão da Fanfic Pokémon, o autor de Ash vs Red queria fazer sua história virar realidade, então foi atrás da Nintendo para clamar por direitos autorais. Pois é, pelo visto a coisa não deu tão certo assim.

Segundo um email que o próprio divulgou em suas redes sociais (mas que excluiu depois por ter visto o sincericídio), a pessoa que o ajudava na parte editorial e de ir atrás do licenciamento falou que o preço para trabalhar com a marca de Pokémon é altíssimo, e o livro precisaria ficar meses entre os best-sellers para compensar o investimento e olhe lá. Tal informação abalou o autor da fanfic, afinal ele nunca havia pensado que a licença era cara.

Como este é um momento triste, tomei a liberdade de colocar o icônico GIF do Seiya chorando. Por favor imaginem ao fundo a música triste da série.

gif-seiya-chorando

Mas não tema, pois quando Arceus fecha uma porta, a Equipe Rocket logo abre uma janela. Além do plano de lançar um jogo usando uma propriedade intelectual que não lhe pertence (e sabemos como a Nintendo ama essas homenagens), o autor da Fanfic decidiu transformar o seu épico pós-moderno em um canal no YouTube.

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Sim, agora poderemos ver o Ash ditador de um futuro distópico mendigando curtidas e comemorando a cada 100 seguidores. A informação foi divulgada nas redes sociais meio que pra medir a recepção do público. A reação, como era de se esperar, foi super positiva. Tanto que já tá rolando até vídeo com prévia com dubladores etc.

Parabéns ao autor pela decisão de manter a história no YouTube, afinal sabemos que não há qualquer caso de vídeo caindo por infringir direitos autorais tanto da Nintendo quanto da produtora do anime.

Acompanhei o palco dos YouTubers no AF e sobrevivi para contar como foi

11 jul af-youtuber-capa

De repente, dezenas de staffs de camiseta amarela correram até a ponta de um galpão e se deram as mãos como se formassem o cordão humano de trio elétrico. Só que não estamos no carnaval de Salvador durante uma iminente aparição de Claudia Leitte, e sim no Anime Friends. E aqueles staffs estavam ali com um objetivo: impedir que uma manada de jovens incontroláveis assediasse Cocielo, um dos YouTubers mais conhecidos do Brasil.

Uma variedade muito grande de pessoas teve de ser segurada pelos seguranças improvisados, e os fãs ali eram desde rapazes disputando o melhor espaço para tirar uma selfie com a celebridade passando o fundo até mesmo a grupos de garotinhas que, se tivessem nascido em outra década, estariam acampadas na fila de um show do RBD. Cocielo  logo passou vestindo uma roupa tão excessivamente colorida que nunca poderia ser reproduzida por um kit de 64 lápis de cor da Faber Castel, e foi para uma gaiola de vidro que servia de camarim para as celebridades da internet e de zoológico para seus fãs e seguidores.

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O palco dos YouTubers no Anime Friends

Há algum tempo o Anime Friends, assim como outros eventos de ~cultura pop~, começou a convidar YouTubers como atrações e o resultado parece ter agradado financeiramente em tempos de público otaku mais ausente (principal difusora dos animes, a TV aberta não vê um fenômeno na animação há quase dez anos). A aposta foi tanta que, nesse ano, o evento da Yamato disponibilizou uma estrutura enorme para ter um palco exclusivo para YouTubers. Embora a atração seja separada do resto do evento, os YouTubers são uma crítica recorrente dos otakus, ao lado das reclamações sobre preço de figures e da ausência de Jojo nas bancas do Brasil.

Uma das críticas é que os YouTubers nada têm a ver com a cultura japonesa, o que não deixa de ser verdade. Na verdade, o buraco é um pouco mais embaixo, pois não se é capaz de encontrar nem ao menos material relevante em boa parte dos que se apresentam. É preciso muito esforço para identificar algum conteúdo no palco das webcelebridades. Embora rolem apresentações como as do Tauz, um rapper que compõe e canta músicas sobre séries de anime e filmes famosos (com uma plateia acompanhando a letra em voz alta), grande parte das palestras com nada mais é que uma reunião do que há de mais boçal na internet brasileira.

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Batendo o olho rapidamente no cast da falta de conteúdo você percebe um certo padrão: os tais ~formadores de opinião~ do público jovem brasileiro são brancos, homens, na faixa dos 18 anos, classe média e têm a estranha mania de fazer careta nas fotos de divulgação na esperança de se autoafirmarem como informais. Sem qualquer informação prévia, arrisquei ficar um pouco na apresentação do tal T3ddy e foi difícil sobreviver ao vazamento de chorume.

Assim como boa parte dos YouTubers que colaram no palco, T3ddy contou com a presença de um apresentador do Anime Friends que tentava, em vão, impedir as divagações do convidado. Toda hora o YouTuber se desconcentrava com gritos e faixas da plateia, e não conseguia terminar coerentemente qualquer frase.Tentando fazer aquela atração ser minimamente relevante, o apresentador perguntou ao YouTuber o que ele achava dos pequenos seguidores. “São bem legais, mas aí eu tenho que me preocupar em não falar palavrão ou coisas pesadas” disse T3ddy alguns segundos antes de fazer uma piada de duplo sentido com o verbo “dar” com um fã menor de idade que havia o presenteado com um chapéu de palha de One Piece.

E em outro momento de completa falta de relevância, a platéia pediu para que T3ddy dançasse um funk e o pedido foi atendido quase instantaneamente quando a introdução de Bumbum Granada começou a tocar. O rapaz começou a fazer passos emulando mulheres em danças sensuais para o delírio do público que vibrava com seus movimentos, sua malemolência e suas caretas forçadas (que serviam para indicar que ele estava apenas “na zoeira”).

Como não consumo o conteúdo de YouTubers, fui procurar o canal do rapaz assim que cheguei em casa porque, né… se é pra criticar o ideal é fazer isso com propriedade. Dei de cara com o seu vídeo mais recente, no qual ele joga um date-sim de computador cujo objetivo é levar uma mulher para a cama. Nem preciso falar na quantidade de comentários ofensivos e da objetificação feminina porque isso parece parte do starter pack dos YouTubers brasileiros, assim como a já comentada necessidade de fazer careta para arrancar um sorriso do público que poderia ser diagnosticado como acéfalo.

Você acha isso engraçado?

Você acha isso engraçado?

O que faz com que essas pessoas se aventurem pelo YouTube? A resposta não é muito diferente do que leva uma Geisy Arruda ou uma mulher fruta às notinhas no Ego: fama, reconhecimento e, obviamente, dinheiro. Ter sua centena de views garantidos nos vídeos tem gerado uma boa receita para YouTubers, que chegam a aproveitar a fama para ganhar em merchandising, como garotos propagandas de comerciais cafonas de um urso acompanhando a passagem da tocha olímpica e em seus próprios empreendimentos.

A poucos metros do palco do YouTubers no Anime Friends estava o estande da loja oficial do Cocielo, aquele que comentei no começo do texto e que é um dos que conseguiram um espaço na televisão tradicional: ele faz parte do quadro Bate ou Regaça do Pânico na Band, mais um quadro de humor adolescente vindo dos cinquentões do Pânico. Seus produtos são uma extensão do tipo de conteúdo que faz: é chulo, desrespeitoso e fazem adolescentes se sentirem engraçados e inusitados com coisas bem imbecis. Observe o banner da loja e os dizeres das roupas:

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Você está se contorcendo de vontade de rir dessa camiseta muito engraçada, não é?

Sim, é um boné escrito “PUTO” e uma camiseta com o texto “Tá me olhando porque quer me dar!”, um tipo de humor digno de loja de camisetas de estâncias turísticas cheias de piadas de tio do pavê, mas vendido com uma ~carinha adolescente~.

Isso quer dizer que a matéria está demonizando a Yamato por chamar esse tipo de atração para o Anime Friends? Não. Vamos lembrar que se trata de uma empresa, não uma difusora de cultura, então fazer algo que atraia dinheiro não é algo questionável. Nem ao menos o argumento de “isso não tem nada de anime” é válido porque desde sempre eventos do gênero contaram com salas temáticas de Star Wars, Chaves e até mesmo uma área medieval com armaduras e que servia porco no rolete. Também não rola dizer que as atrações tradicionais estão morrendo, porque enquanto Tauz estava com uma platéia gigante no palco dos YouTubers, um dublador famoso que me bloqueou no Twitter juntou um público quatro vezes maior num palco bem ao lado ao mesmo tempo. Mas qual a reclamação da matéria, então?

O meu problema são os YouTubers que transformam seus vídeos em grandes odes a eles mesmos, alimentando o próprio ego e disseminando suas burrices para pessoas mais novas. Passamos de uma fase com YouTubers mais articulados como PC Siqueira para um bando de criança que só consegue se expressar através de cortes rápidos de edição e repetição de memes do Kleber Bambam na academia. Deixamos de apoiar pessoas que se esforçam para fazer conteúdo interessante para endinheirar uns paquidermes que mal conseguem terminar uma frase de forma coerente.

Na verdade, o grande medo é imaginar que as próximas gerações estão sim sendo moldadas por pessoas todas de uma mesma classe social, de uma mesma aparência, de uma mesma mentalidade limitada e, principalmente, pelo mesmo tipo de humor que acha engraçado usar palavras como “puto” numa peça de roupa.

***

(E como o Mais de Oito Mil é um blog de tranqueiras japonesas, acho justo citar pelo menos um punhado de YouTubers otacos que, ao menos, não fazem seus canais serem uma autopunhetação de suas imagens e têm algum conteúdo. Posso falar, por exemplo, do velho-mas-ainda-eficiente Video Quest, do canal do Capitão Onigiri, do Canal da Haru e do podcast Mangá AoQuadrado que não é vídeo mas vale a pena conferir mesmo assim)

Veja o que você perdeu por não ter ido ao Anime Friends

11 jul

Oi minna! Em mais um post esclarecedor, quero falar com você dona de casa que não foi ao Anime Friends nesse final de semana. Nós perdemos três dias de muita diversão e entretenimento, segundo o release.

Quer se sentir como se fôssemos ao evento? Então logo embaixo vocês vão ver quatro vídeos que vão mostrar O QUE VOCÊ PERDEU lá do Anime Friends.

Ore para o deus do Streaming e IKIMASU ver o que você perdeu:

Se você não foi no Anime Friends, você perdeu muitas brincadeiras super divertidas e valendo prêmios, como um balancinho ou revistas da Bloch Editora.

Se você não foi no Anime Friends, você perdeu um monte de mulher de roupa colante achando que são as Destiny Child. Só gente Survivor para assistir a isso.

Se você não foi no Anime Friends, perdeu uma incrível luta num ringue.

Se você não foi no Anime Friends, você perdeu emocionantes duelos de Beyblade.

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Resumindo, se você quer perder sua dignidade, seu caráter, seu dinheiro, sua paciência e seu ânimo, basta voltar ao Anime Friends na semana que vem.

E não se preocupe se você perder algo mais. O Anime Friends já perdeu o ANIME faz tempo e ninguém liga.

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Roteiro by James Cameron

7 jan

Otakada de plantão, vejam a notícia da Made in Japan:

Legal, né? James Cameron fará um filme sobre um fato histórico da Grande Nação Japonesa! E o bom é que ele é super criativo em seus roteiros! O que será que podemos esperar desse novo filme do diretor?

Imagem meramente ilustrativa