Tag Archives: TV Globinho

Meu Passado Otaku – Seria Bambuluá o grande seriado tokusatsu brasileiro?

13 dez bambulua-capa

Muitas pessoas acham que a invasão da Grande Nação Japonesa no Burajiru ocorreu em 1994 quando a Manchete introduziu um anime velho pra caralho que vem sendo requentado até hoje. Ledo engano, Leda Nagle. Os animes surgiram já nos anos 60/70 por aqui e faziam muito sucesso. No entanto, nos anos 80, quem atraia a atenção da mídia eram os seriados tokusatsu, aqueles lá de heróis mascarados, produção capenga e muitas explosões em uma pedreira. Changeman, Jaspion e o ninja Jiraya mudaram para sempre o conceito de heróis, e seu legado continuou nos anos 90 com o americaníssimo Power Rangers. Isso quer dizer que o nosso país ficou de fora da tentativa de emplacar um seriado tokusatsu? Claro que não! Em meados dos anos 2000, a Rede Globo penhorou todas as fantasias a TV Colosso para conseguir levantar dinheiro para seu projeto mais ambicioso: UM TOKUSATSU NACIONAL. Vamos relembrar hoje o icônico BAMBULUÁ.

No meio de 2000, a Globo separou um terreninho no Projac e prometeu para Angélica que ela iria ganhar um programa grandioso. Cansada de ser humilhada diariamente com a exibição dela cantando e dançando a abertura de Digimon Adventures, a loira topou na hora o projeto. Iniciou-se então a construção de uma cidade cenográfica dos sonhos chamada Bambuluá, um local em que alternariam histórias de aventuras e desenhos animados ruins importados da Fox Kids exibidos numa emissora fictícia chamada TV Globinho.

Para a parte da ficção, a Globo convidou os autores Julio Fischer e Claudia Souto para criarem aquele que seria o primeiro seriado tokusatsu do Burajiru, fortemente inspirado em Power Rangers. E quem duvida que esses dois tinham um pezinho na Cultura Mais Rica é só ver o currículo deles: Julio atualmente escreve a novela Sol Nascente e Claudia fazia parte da equipe por trás da novela Morde & Assopra que misturava dinossauros com o Japão. Nascia então Bambuluá, o tokusatsu que não tem fotos em qualidade boa na Internet:

bambulua-foto-geral

Bambuluá era exibida no meio da programação matutina em quadros de uns 10 minutos, sendo posteriormente compilados numa reprise torturante aos sábados de manhã. A trama não fica devendo aos mais clássicos tokusatsus da Grande Nação Japonesa e conta a história da apresentadora Angélica (interpretando ela mesma) que foi fazer um show de seu último CD na cidade de Bambuluá e que mal desconfiava que isso era um truque orquestrado pelo Senhor Dubem (que nome criativo). O mago revela que o show de seu último e decadente CD era apenas um pretexto para atrair Angélica para a cidade, pois eles estavam prestes a enfrentar uma crise agravada não pelo impeachment da autoridade, e sim pela tentativa de invasão do dominador da cidade de Magush, o maléfico Senhor Dumal (que… nome… criativo).

Angélica logo pensa que precisará usar um vestidinho verde e reencarnar a Fada Bela, mas o Senhor Dubem conta que ela está lá apenas para auxiliar os Cavaleiros do Futuro. Este é um grupo de crianças que vestem roupas coloridas com microfones de YouTubers, e seus poderem envolvem arremessar feixes de luz que eram o que o orçamento da Globo conseguia fazer depois de gastar uma fortuna para tirar Dragon Ball Z da Band. Cada uma tinha um poder especial baseado nos sete elementos: Sol, Luz, Vento, Eletricidade, Água, Magnetismo e Internet (sério).

“Mas Mara, sua blogueira implicante, você reclama até dos maravilhosos tokusatsu atuais! Aposto que os efeitos de Bambuluá não eram tão ruins assim!”

Claro que você leitor pensou nisso, e por isso fiz questão de providenciar GIFs animados das cenas de ação, todas filmadas em fundo verde e sem ninguém socando ninguém porque é a Globo produzindo:

bambulua-gif

bambulua-2-gif

Vocês podem falar que a Globo quis fazer um programa sem violência, mas na verdade ela estava bebendo inspiração do tradicional RPG japonês Dragon Quest em que vemos heróis e vilões atacando em planos diferentes. Que homenagenzona, né não? No entanto, nem eu consigo inventar qualquer explicação possível para explicar a qualidade da CG do Senhor Dumal, este que é quase a vida passada de Dollyinho atuando como vilão de tokusatsu:

bambulua-senhor-dumal

Ok, temos uma cidade lúdica em apuros, um grupo de crianças que lutam, um porco em CG de Saturn… e onde entra a Angélica? Simples, caro leitor, ela não serve para absolutamente nada na história. Ela é apenas uma figura importante na trama que não tem importância alguma além de ser mais famosa que todo o resto do elenco. Para ela não ficar tão avulsa assim na trama, eles colocaram ela para fazer par romântico com o robô maléfico Bruck, que logo é convertido para as forças do bem e se veste igual a um jedi:

bambulua-angelica-e-bruck

Porém, a Globo não contava com a repercussão nula da história e com a falta de talento de 97% do elenco. A saída então foi tirar do cu um arco de envelhecimento dos protagonistas os mandando treinar dentro do Cristal (que funciona como a Sala do Tempo do Dragon Ball Z) e assim começar uma nova fase em Bambuluá Shippuden com todo o elenco infantil trocado por adolescentes que falharam nos testes de Malhação. Se ficou bom?

bambulua-cavaleiros-pos-time-skip

Essa imagem do arco final com a Angélica trancafiada numa estrela frutuante em 2D e o Cavaleiro do Futuro verde suando na virilha por causa da temperatura do traje já indica que Bambuluá Shippuden era uma roubada sem tamanho. Eles botaram até o pipoqueiro e a professorinha da cidade numa roupa de guerreiro medieval pra batalhar numa pedreira no arco final:

bambulua-pedreira

Após o apressado arco final, a Globo aposentou a cidade de Bambuluá e transformou a TV Globinho na principal atração das manhãs, rendendo até hoje uma geração de milenials que não superaram a saída de Super Pig ou de horríveis temporadas de Digimon da televisão brasileira. E assim morreu o primeiro tokusatsu nacional, que é tão esquecido pela própria Globo que nem ao menos achamos fotos e informações no Memória Globo. Que tristeza.

Guia 2016 das piores fanbases otakas do Brasil

12 set fanbase-2016-capa

O Mais de Oito Mil não tem uma matéria que atrai ódio gratuito dos leitores desde a problematização da objetificação feminina em Nanatsu no Taizai, e sinto muito falta de gente me mandando tomar no cu nos comentários. Tentando conseguir algumas mensagens de fúria, decidi inaugurar um post anual para incomodar o maior número possível de otacos, e assim nasceu o Guia das piores fanbases otakas do Burajiru! Basicamente é um guia listando as fanbases mais insuportáveis do ano vigente. IKIMASU ver quem tá bem e quem tá em queda esse ano?

#10 – Saudosistas de TV Globinho

tv-globinho-fanbase

Se você usa a rede social Facebook, em algum momento já deve ter dado de cara com um saudosista de TV Globinho. Os saudosistas são pessoas que normalmente estão presas nas memórias da década anterior. Como estamos nos anos de 2010, os nostalgistas dos anos 90 já perderam espaço para uma galera que lembra da TV Globinho como o principal estandarte do anime no Burajiru, mesmo sendo uma fase horrível em que a emissora passava apenas tranqueiras do Fox Kids, Dragon Ball Z cortado e um Digimon com ELA na abertura:

gif-angelica-digimon-2

Alguém avisa pros otacos saudosistas que essa época não era boa? Obrigada.

#09 – Evangelion

evangelion-fanbase

Estamos em 2016 e ainda temos gente pagando pau pra Evangelion. Eu perdoo por exemplo o Silvio Santos ser fã da série, mas ainda temos gente que se shippa com a Rei. [Decidi cortar uma parte do texto depois do comentário da leitora @miyamoris_ que achei bem pertinente]

#08 – Love Live

love-live-fanbase

Além de ser uma comédia que não tem graça e ter músicas que te farão preferir ter o ouvido perfurado por uma kunai, Love Live também é responsável por ter uma das mais insuportáveis fanbases do ano, mesmo sem muitas novidades envolvendo a série. Mas isso não importa, e sim que o público composto por homens que acham super de boa dormir com travesseiros enormes representando as personagens idealizadas desse projeto absurdo. [Vale a pena ler o comentário da leitora @miyamoris_ sobre um outro lado dessa fanbase que acabei não colocando aqui]

#07 – One Piece

one-piece-fanbase

Mantendo uma chatice que perdura por algumas décadas, os fãs de One Piece são aquelas pessoas que não aceitam críticas no mangá favorito deles. Você pode falar que o Oda faz uma poluição visual tão grande que leva 8 minutos para entender cada quadro, mas aí eles falarão que é um jogo de estimulação cerebral feito pelo Oda. E ai de você se falar que uma saga é chata, porque aí você vai ouvir textões dizendo que nada em One Piece é inútil e que tudo será conectado no final.

#06 – Yokai Watch

yokai-watch-fanbase

Uma nova fanbase está surgindo no Burajiru e já começa a irritar profundamente. Formada basicamente por pessoas que querem curtir um anime de monstrinhos colecionáveis, mas que são diferentões para curtir algo popular como Pokémon, a fanbase de Yokai Watch é quase uma religião com pessoas dedicadas a te converter à sua crença. Mesmo que isso envolva jogar games que não venderam muito e assistir a um anime que está escondido na programação de um canal da Disney.

#05 – Cavaleiros do Zodíaco

cavaleiros-fanbase

Preciso mesmo explicar?

#04 – Dragon Ball

dragon-ball-fanbase

Esta fanbase estava apagadinha nos últimos tempos até que acabou o dinheiro da reforma da casa de praia do Akira Toriyama e ele decidiu autorizar a produção da continuação oficial da saga com Dragon Ball Super. Agora temos uma fanbase insuportável que vibra a cada semana com o desenrolar rocambólico de um anime que almeja usar todas as cores da paleta de pantone para criar novas transformações e vender novos bonequinhos, mesmo que com a desculpa de um roteiro furado e sem qualquer carisma.

#03 – Jojo

jojo-fanbase

Jojo tem décadas de existência, vários jogos legais clássicos e tal, mas a fanbase brasileira de Jojo nasceu quando ouviu pela primeira vez o mantra SONOCHINOSADAMEEEE. Desde então, animação tosca é chamada de “estilosa”, roteiro cheio de furos é chamado de “empolgante” e qualquer palestra com editora não é reconhecida pela organização nacional dos otacos se não houver alguém delusional que pergunta as chances de vir esse mangá datadíssimo e longo para o Burajiru.

#02 – Panini

panini-fanbase

Muito acima dos apreciadores de papéis, dos defensores dos honoríficos e do fã-clube do Cassius Medauar (que é praticamente a Inês Brasil dos otacos no quesito memes), a fanbase da Panini é composta por pessoas insuportáveis e com uma visão relativa das coisas. A Panini lança com melhores preços? Sim. Ela tem uma qualidade superior? Também. Ela tem títulos que agradam mais pessoas? Sim. Para a fanbase, no entanto, isso já é o suficiente para idolatratem qualquer coisa publicada pela multinacional. Se inventarem de lançar Jojo naquele formato horrível de Super Onze, espelhado, com onomatopéias francesas escritas à mão pelo Bruno Zago e com o logotipo escrito em Comic Sans mesmo assim teremos gente defendendo a Panini como se fosse o time do coração.

#01 – Pokémon

pokemon-fanbase

Se tem uma fanbase que nos irritou profundamente nesse ano de 2016 foi a fanbase de Pokémon. Os fãs desse negócio já irritam normalmente em qualquer época por adorarem o competitivo dos jogos (que nada mais é que um monte de frescura que a Nintendo tira do cu para agradar pessoas que curtem ficar horas chocando ovos em busca do IV perfeito), porém agora em 2016 rolou o lançamento de Pokémon Go e a fanbase foi ressuscitada. Agora todo lugar que você olha tem pessoas querendo ser modernas postando que o grande sonho da vida delas é ser treinador Pokémon, mesmo que isso signifique capturar dezenas de vezes o mesmo bicho para evoluí-lo num jogo beta. E correndo por fora ainda tem as viúvas antigas que não aceitam gostar de algo infantil, e ficam torcendo para que a franquia tenha algo mais “seinen” (como, sei lá, uma fanfic com o Ash num futuro distópico e que com certeza será aprovada pela Nintendo).

Finalmente a Globo confirmou a exibição de Digimon Tri!!!

30 nov digimon-tri-globo

Alô pessoal que acha que tempos bons eram no começo dos anos 2000 quando a internet era discada e vivíamos a era do meio tanko e das decisões editoriais inquestionáveis! Desde a estreia de Digimon Tri tivemos muita gente se masturbou com o roteiro tosco e os fanservices da Toei, mas uma boa parcela do público queria ver o desenho dubladão e passando na Globo.

Seus problemas acabaram, pois o indefectível Duduweb, a nossa Keila Jimenez do Crunchyroll, conseguiu em primeira mão o vídeo de abertura de Digimon Tri dublado. E daí que você leitor deve achar que estou postando isso apenas porque ele é meu amigo, quer mais garantia que a Globo vai exibir o anime no Burajiru? IKIMASU ver!

A Angélica tá meio transparente, talvez seja um viral para mostrar que a JBC vai republicar o mangá no Burajiru. Tanto faz qual seja a opção, o que importa é que os Digimons são demaaaaais!

gif-digimon-mico-angelica02

Na falta de fãs imbecis da outra série lá, temos os fãs de Sailor Moon para nos divertir

15 out

Se a estupidez dos otakus brasileiros conseguisse ser medida com um scouter, o aparelho já teria quebrado anos. Mas se ele ainda estivesse inteiro por algum milagre da engenharia, seria quebrado com o desfile de incompetência e idiotice que só os fãs de Sailor Moon podem nos proporcionar.

Tudo começou quando alguém do Orkut, no intervalo entre criar boatos de lançamentos de mangás e de colocar fotos no álbum “Tudo junto e misturado”, decidiu criar uma campanha no último dia das crianças. A campanha seria para trazer Sailor Moon de volta à televisão brasileira com a ajuda do site SOS Sailor Moon. Usando os mais de quinze anos de experiência do grupo, todos os contatos com pessoas importantes e com os licenciadores da série, o meio que escolherem para trazer a série de volta foi:

Colocar uma Hashtag nos TTs.

COLOCAR. UMA. HASHTAGH. NOS. TTS.

E no meio de toda essa campanha, foram falar com pessoas influentes pedindo ajuda para divulgar as hashtag. E é aí que tivemos nosso barraco protagonizado por Sandrinha Monte e fãs de Sailor Moon. Vai vendo:

Eu me divirto com esses otakus que acham que a vida é tipo a relação deles com suas mães, que só fazendo birra a véia já faz as coisas.

E eu também nunca entendi muito o propósito desses fãs que querem que volte tal anime para a televisão. Eles já não assistiram quando passou uma vez? Eles já não baixaram na internet? Eles deveriam se preocupar em pedir para lançarem DVDs, mas acho que não conseguem nem marcar uma data para um segundo volume de Sailor Moon S, não é mesmo, minna?

Ao contrário da idade mental de doze anos que essas pessoas têm pode indicar, eles já não têm mais tempo de ficar em casa numa boa vendo desenho na televisão.

“Ai Mara, se não quer ajudar pelo menos não atrapalha, sua gorda cheia de varises”

Desculpa se minha injeção de verdade pode destruir o sonho de vocês de ter uma série que tem mais de 20 anos ser lançada como novidade na televisão. No episódio que aparece a Sailor Mercury, as vilãs usam DISQUETES para sugar a energia das meninas. Alguma criança hoje sabe o que é disquete? E sim, estou falando de criança, porque esse é o público de Sailor Moon, ao contrário do que diz a sua memória afetiva.

Sabem o que deveria ser feito com Sailor Moon? Um remake. Thundercats é velho pra caralho e tá aí de volta todo lindo para as gerações mais nova, enquanto a Toei prefere trabalhar com a função de  descongelar do microondas fazendo coisas PORCAS como Dragon Ball Kai.

É muito idiota vocês postarem uma notícia dizendo que toda tentativa é válida, mas não é. Se a tentativa não dá certo ela é, assim como o mangá de Saber Marionette J, um FRACASSO. E ponto final. E também é muito bonito e poético usar uma frase de Fernando Pessoa como ethos para o seu discurso, mas eu tenho uma outra frase do homem que serve exatamente para toda essa palhaçada:

“Vão para o diabo sem mim, ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que haveremos de ir juntos?” (Fernando Pessoa ao saber que estavam usando o seu nome numa campanha de Sailor Moon)

***

(Me siga no Twitter!)

(Já me curtiram no FACEBOOK?)