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Panini lança o primeiro kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban do Brasil

8 out

Ao contrário da Nintendo e da falta de notícias do NX que faz com que o próximo console seja apenas uma lenda urbana na internet, temos muitas novidades no nosso mercado nacional de mangás! Após a JBC anunciar o primeiro kanzenban-se-você-ignorar-o-kanzenban-de-dragon-ball-da-conrad da história dos mangás no Brasil, a Panini surpreendeu os fãs ao revelar que Slam Dunk está de volta ao país no formato kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban. IKIMASU acabar com essa confusão.

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Tudo começou quando as redes sociais da Panini divulgaram esta postagem, anunciando Slam Dunk num formato baseado no Kanzenban e contando que maiores informações virão naqueles constrangedores vídeos da editora apresentados por um moço que tenta de toda forma emplacar o nihon para se autoafirmar como especialista em mangás. Por sorte, não precisaremos ver o vídeo porque nossa rainha Beth Kodama-sama usou suas redes sociais pessoais para contar um pouco mais sobre esse “baseado“:

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O que podemos ver nesse print além de que meu Chrome está cagadíssimo e fica juntando letras que têm acento? Bem, Beth Kodama tentou ser o mais didática possível para explicar o que é um kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban: como lançar um bagulho de luxo faria o negócio custar quase 50 golpinhos, eles pegaram apenas o número de páginas do kanzenban, as capas bonitonas, umas páginas coloridas aê e partiram pro abraço lançando num preço bem em conta.

Então esse é o atual estado do mercado que descobriu na palavra “kanzenban” uma forma de parecer que tá rolando novidades: a Panini trouxe um kanzenban-que-não-é-bem-um-kanzenban de um mangá excelente num preço acessível e numa qualidade decente e a JBC prometeu um kanzenban-que-é-o-primeiro-kanzenban-do-brasil-se-você-ignorar-odragon-ball-da-conrad de Cavaleiros num preço e formato a ser anunciado, mas de um mangá que saiu tantas vezes que já já pode pedir segunda música no Fantástico.

O mercado de mangás de luxo no Brasil segue firme e forte, falta só darem um jeito na qualidade dos mangás de banca né?

DENÚNCIA! Está acontecendo uma terrível Guerra Fria entre as editoras

28 set

Você sabe o que foi o período da Guerra Fria? Segundo as aulas de História na época que as matérias não desapareciam com canetadas, é um período de guerra ~silenciosa~ entre Estados Unidos e a União Soviética. Ambos os lados estavam ~secretamente~ preparando uma corrida armamentista para contra atacar caso o outro lado ameaçasse começar uma guerra de verdade.

Caso você seja como qualquer usuário médio da internet e tenha dificuldade de entender parágrafos sobre assuntos complexos, um resumo do tópico histórico pode ser visto no meme da Inês Burajiru disponibilizado a seguir:

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A minha denúncia, no entanto, não se refere a grandes potências mundiais, e sim a editoras de mangás do nosso mercado nacional. Como vocês devem saber, o ano de 2016 foi escasso em anúncios porque as editoras perceberam que não havia espaço físico em banca para tanto tanko sendo lançado. Em especial a editora JBC, que viu em 2016 uma queda vertiginosa no número tanto de anúncios quanto de piadas homofóbicas em palestras (mesmo eles tendo lançado uma piada transfóbica de forma terceirizada no Henshin+). Assim, o mercado nacional de mangás se encontrava em paz, tanto que é até bonito vermos uma postagem assim como a da Panini em seu Facebook, após publicar um fanart de Fairy Tail (que é da JBC):

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Essa postagem, que é quase um We Are The World das editoras de mangá, na verdade é apenas uma sensação aparente, porque TEM UMA GUERRA FRIA ROLANDO NOS BASTIDORES (demorei dois parágrafos para chegar no assunto, mas foda-se). Tudo começou quando espiões especializados perceberam que a JBC estava preparando um grande anúncio. Tentando barrar a estratégia, a maravilhosa Beth Kodama já se posicionou no garrafão para impedir essa jogada da JBC numa postagem cifrada que a equipe de inteligência do Mais de Oito Mil (composta pela Ba-chan) conseguiu encontrar o segredo:

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No entanto, o tal anúncio da Panini não foi feito semana passada porque a editora decidiu deixar para esta semana. Enquanto esperamos essa bomba da Panini, a JBC veio preparando o terreno para um grande anúncio feio da forma mais eficiente de marketing que existe. Divulgação ampla nas redes sociais e apoio da imprensa especializada (pff)? CLARO QUE NÃO, estamos falando da JBC! O método de divulgação foram as boas e velhas DICAS DO FAUSTÃO para os seguidores descobrirem o título:

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Mas a Panini não podia ficar calada com esse movimento, e ~coincidentemente~ usuários desocupados logo encontraram uma imagem muito suspeita num site da editora, insinuando um possível lançamento de Slam Dunk versão kanzenban, conforme podemos ver na imagem abaixo viralizada em muitos grupos de mangás:

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No entanto, os mesmos grupos logo foram avisados que se tratava de um erro, e que o número de volumes 24 na verdade era de um template de outro mangá da editora, e não uma confirmação da versão de colecionador do mangá. Legal que o erro foi o número de volumes, e não a Panini ter usado uma imagem de SCANLATION no template (vejam o que tá escrito embaixo do “jump comics”). Mas isso já foi o bastante para que Cassius Medauar, o editor cuja orelha foi arrancada por Seiya, usasse também suas redes sociais para insinuar novidades envolvendo a coisa mais importante para os otacos hoje em dia. Mangás de qualidade? NÃO! Brindes!!!!

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É quarta-feira ainda e as duas potências editoriais seguem nessa disputa silenciosa sobre o anúncio da semana, uma guerra fria de ocultação de contratos orientais e disputa pela atenção do público otaco. A JBC planejou seu ataque para a sexta-feira, será que a Panini vai soltar sua bomba antes? Depois? Durante? Será que é Slam Dunk kanzenban? Será que a JBC vai confirmar o Hokuto no Ken depois das boatarias? SERÁ JOBS? Será Jojo? Será transparente? Será meio-tanko? Será do mesmo desenhista de Another? Saberemos disso a qualquer momento, quando as duas editoras liberarem suas armas.

Aos otacos, só resta esperar.

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Ok, e pra NewPOP também só resta esperar. Força aí que uma hora vai!

RESULTADO do Grande Debate – Tradução de Mangás

6 jun

Surpreendendo o leitor Houndurr e a minha preguiça que me dizia para ficar na cama quentinha ao invés de digitando esse post imenso, estamos aqui de volta para terminar de uma vez por todas a discussão sobre tradução de mangás. Foram mais de 200 comentários aqui no blog, um recorde. Milhares e milhares de pessoas  leram o post e muitas deram suas opiniões, postaram flames e discutiram sobre a cultura da Grande Nação Japonesa. Minha idéia era deixar o post pra lá, mas como teve tanto comentário, é minha obrigação fazer uma síntese de tudo, falar quem ganhou a discussão, dizer MINHA opinião sobre as traduções de mangá etc.

Então IKIMASU começar a discussão! Durante o post teremos vários dos comentários relevantes que o tópico teve, mostrando a grande inteligência de meus leitores e como eles conseguem articular seus argumentos parciais de uma maneira gentil e civilizada.

Analisando o grosso dos comentários, deu pra ver que a grande maioria é #TeamPanini, por buscar um mangá fiel ao original da Grande Nação Japonesa. Muitos dos leitores gostam de conhecer a cultura mais rica e o mangá é a principal porta para tanto conhecimento.

Pronto, isso é o que os leitores disseram estatisticamente, mas lendo os comentários vemos coisas bem interessantes.

Todos, mesmo os #TeamPanini e os #TeamJBC concordaram em um ponto sobre a JBC: ela inventa demais. A JBC, buscando uma popularização do mangá no Burajiru, começa a colocar frases engraçadinhas e gírias. E todos concordam que o problema está nessas frases. Um mangá japonês não vem com referências a Pânico na TV ou ao Chaves.

E a maior briga nos comentários foi sobre os tão falados honoríficos. Aqueles –chan, -kun, -san foram defendidos por unhas e dentes por muitos, que alegam que aquilo é a representação hierárquica da complicada cultura mais rica e que isso não deveria ser traduzido. Outros acham que é uma baita preguiça não traduzir essas coisas, e que isso seria um otakismo desnecessário. E falam que, mesmo estando tudo explicado no glossário, o mangá deveria ser uma leitura fluida e descompromissada, e não uma grande aula sobre métodos de tratamento da Grande Nação Japonesa.

Depois de trazer esse resultado do debate, que foi a vitória esmagadora da Panini, eu venho colocar a minha opinião, que foi formada com base nos comentários sensatos e alimentada pelos flames da Aline Kachel.

Eu decidi começar esse debate pois eu mesma não sabia qual era a minha posição sobre tradução de mangás. Depois de entrevistar o Marcelo Del Greco, eu achei até certo uma adaptação para facilitar o mangá para o público do Burajiru, mas não fui tão a favor das gracinhas que foram incluídas, como as pobres zebrinhas. E compro coisas da Panini, e o excesso de otakices me incomoda um pouco. Em Tokyo Mew Mew precisa mesmo de “nya” quando os gatos brasileiros falam “miau”? Então, a discussão fica entre os liberais da JBC e os conservadores da Panini.

E a minha solução para o caso é bem simples:

Eu sou #TeamConrad.

“Mas Mara, sua gorda trapaceira, essa opção nem tava na conta!”

E daí? Na vida e no Exame Hunter aprendemos que o melhor caminho nem sempre são os pré-definidos, e que precisamos ser criativos. E essa semana coincidiu com meu namorado me emprestando o Slam Dunk (que fiquei com vontade de ler depois de ler a matéria no Chuva de Nanquim).

Slam Dunk mostra uma escola japonesa, certo? Mas, lendo o mangá, eu não achei nenhum –chan, -kun ou qualquer outra otakice do gênero. Os personagens, quando têm um grau de proximidade digno de um –chan ou –kun, se chamam apenas pelo primeiro nome. E quando não são íntimos, se chamam pelo sobrenome. Não precisei de um grande sistema hierárquico pra entender isso. O Hanamichi Sakuragi é meio revoltado, então ele fala um português mais solto que os outros personagens, sem a necessidade de incluir frases do Chaves. E os apelidos são coerentes ao português.

“Ah Mara, sua gorda basqueteira, mas é porque é um shonen de porrada e esporte! Quero ver colocar essas coisas num mangá que mostra toda a poesia da cultura mais rica, como num shoujo.”

Um shoujo tipo Paradise Kiss, que também não tem –chan, -kun, -san…?

E citaram como exemplo um mangá da Panini chamado Sunadokei que os personagens falam sotaque caipira, e pra mostrar isso eles terminam as frases falando –ken. Não li o mangá, mas achei uma coisa meio idiota. Ou a Panini poderia ter escolhido uma outra palavra, ou então simplesmente omitir isso, não?

“Ah Mara, sua galinha caipira gorda, mas a autora queria que eles fossem caipiras e isso tem que estar no mangá.”

E no mangá japonês o Goku também não tinha um sotaque caipira? Não passaram isso nem pra nossa dublagem e nem pra nossa tradução do mangá, e tá tudo Entei até hoje sem ninguém reclamar.

Temos um purismo com os mangás da Grande Nação Japonesa que não temos com materiais de outras culturas. É como se valorizássemos de mais a cultura mais rica e desvalorizássemos a nossa própria cultura. Em gibis da Disney ou de SuperHeróis não vemos esse purismo que tem nos mangás. E ninguém considera que são fontes para se aprender cultura, como falam do mangá.

A função do mangá é divertir e contar uma boa história, e não complicar a vida do leitor com informações que, às vezes, nem são tão necessárias assim para se entender o que tá rolando. E como bem lembraram nos comentários, essa é a opinião dos otakus… e a opinião de quem lê mangá apenas porque se diverte pois viu o anime na TV? Não deve ser respeitada só porque não é conhecedor da Grande Nação Japonesa?

Isso tudo foi o que deu pra tirar do Grande Debate Mais de Oito Mil sobre tradução de mangás. O que valeu a pena nisso foi que eu consegui muitas visitas finalmente pudemos discutir sobre esse tema polêmico e, quem sabe, mostrar para as editoras o que realmente queremos. Porque eu sei que tem gente de editora que dá uma passadinha nesse blog…

Agradeço de novo a participação de vocês e nos vemos num futuro próximo num novo debate ou nos posts normais deste blog.

“Porrãm Mara, sua groda ambiciosa, você quer mais visitas para o seu blog, por isso vai fazer novos debates, né?”

Eu só tenho uma coisa a dizer disso:

FAZ TUDO PARTE DO MEU KEIKAKU!!!

***

Se você quer ler o post original do debate com todos os comentários, clique aqui.

Se quer ler o post do Quiabo Gyabbo comentando isso, clique aqui.

Se quer ler a entrevista com Marcelo Del Greco, clique aqui.

Se você ficou interessada em rir dos otakus que verão o show do FRESNO no Anime Friends, clique aqui.

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