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Os melhores mangás que li em 2015

25 dez melhores-2015

Natal é tempo de paz. Natal é tempo de amor. Natal é tempo de Dudunaweb ficar causando no Twitter tentando arranjar um kareshi para mim. E por causa desses clichês espalhados pelo mundo pela cultura menos pacífica e amorosa do mundo, a capitalista, estou aqui para fazer um post do Mais de Oito Mil evocando o respeito e a honestidade de nossa querida e não-cristã Grande Nação Japonesa. Passo o ano inteiro metendo o pau (no sentido figurado) em vários mangás, mas nunca falei o que eu li e que realmente gostei. Estão preparados? Pois aqui estão os quatro melhores mangás que li este ano e que foram publicados no Burajiru, tudo sem comentários ácidos e sem trolladas gratuitas à transparência da JBC. IKIMASU aos quatro títulos?

(Por que 4? Porque eu tirei 20th Century Boys da lista pelo simples motivo que essa reta final tá um belíssimo cocô)

4º Don Drácula (Newpop)

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Vou falar uma verdade que talvez você não goste: Osamu Tezuka é o Deus Supremo do Mangá sim, mas ele também já fez muita porcaria nessa carreira. Tem uns mangás que a gente olha e acha ruim, mas não pode criticar porque tem o selo Tezuka. Não é o caso de Don Drácula. Há muito tempo fiz um review do anime aqui no Mais de Oito Mil quando vários blogueiros da imprensa especializada (pff) fizeram um dia especial do autor, e confesso que não tinha curtido não. Já com o mangá foi bem diferente, em vários momentos me peguei rindo muito das piadas que o autor fazia. Fisicamente ele também está ótimo, porque qualidade a Newpop sabe fazer (só queria que ela tirasse aquelas porras de spoilers no começo dos volumes).

3º Sailor V (JBC)

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Eu quase não comprei o mangá de Sailor V porque estava já muito traumatizada com a baixíssima qualidade de Sailor Moon. Mas um dia eu tava esperando de trouxa um tomodachi que nunca chega na hora e pensei “por que comprá-lo, por que não comprá-lo” e comprei-o-o sem o menor interesse. E não é que esse mangá me surpreendeu? Cheguei até a ter uma certa simpatia pela xenófoba Naoko Takeuchi, autora dessa bagaça surrel. Sailor V parece uma grande paródia dos grandes heróis e do próprio mangá de Sailor Moon (embora parte do mangá tenha sido publicado antes do grande sucesso da autora), e a Sailor V é finíssima e deliciosa, melhor personagem. Dá até uma tristeza ver que ela foi eclipsadíssima pelos draminhas Malhação da Usagi no mangá principal.

2º Beelzebub (Panini)

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Se tem duas coisas que eu não entendi até hoje foram o final do anime de Evangelion e o motivo de Beelzebub ser ignoradíssimo por todas as pessoas que compram mangá no Burajiru. Sério, considero uma alegria bimestral chegar na banca e encontrar um volume novo com as aventuras do Oga e do Beel. Beelzebub é muito engraçado, tem personagens muito carismáticos (embora eu nunca decore o nome deles porque troquei minha boa memória por um rim novo) e o autor faz umas lutas muito legais. E a versão brasileira ganha pontos porque tem bem menos daquele preciosismo de tradução que os outros mangás da Panini têm, é uma coisa bem mais coloquial (algo como o que deveríamos ver em Yu Yu Hakusho se eles não forçassem tanto as piadas na tradução brasileira). Mas nem tudo são chocotones com sorvete de maracujá, porque o autor tá há uns volumes enrolando pra começar algum arco longo e tá dando uma cansadinha, continuo esperançosa que vai continuar bem até o final.

1º Assassination Classroom (Panini)

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Quem é Naruto, One Piece ou Dragon Ball na fila do self service dos shonens da Shueisha quando Assassination Classroom está por perto? Por trás de uma premissa interessante e um traço não tão bom assim se esconde um protagonista que é impossível torcer contra (Koro-sensei é daquele tipo de personagem que não tem como odiar, é como o Sakuragi do Slam Dunk) e uma história que subverte totalmente tudo o que a Shonen Jump defendeu até hoje num mangá para meninos. Eu ainda vejo o mangá de uma forma ainda mais bonita, porque ele incentiva as pessoas a arriscarem uma profissão que anda muito desvalorizada, que é a de professor.

Essa foi a nossa matéria apenas falando bem dos títulos. Uma merda, né? Sorte que amanhã vamos ter mais uma no Mais de Oito Mil, dessa vez para falar tudo o que eu achei de mais lixoso nas minhas leituras do ano. Aí poderei tirar esse espírito natalino e vestir o espírito de porco característico desse blog!

Analisando Mangás Maravilhosos: Sailor V é tudo o que Sailor Moon deveria ser

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Depois que escrevi a minha matéria criticando o mangá da Sailor Moon, ainda hoje recebo emails das viúvas da série ameaçando enfiar um cetro lunar no meu cu por ter criticado um shoujo tão perfeito como Sailor Moon. Miga, se Sailor Moon é shoujo perfeito com seu traço inconstante, personagens subaproveitados e uma narrativa de ação que faz Cavaleiros do Zodíaco parecer um mangá do Tezuka, não quero nem saber quais são os shoujos ruins. Eu já tinha decidido que não seria feita de trouxa e que nunca mais compraria um mangá que tivesse o dedo da Naoko… mas aí um dia ELE apareceu.

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“Mas Mara, sua blogueira gorda e parcial, você vai falar bem de um mangá da JBC? Você não é paga pela Panini pra falar mal da concorrência?”

Desculpa, mas minha parcialidade me faz elogiar coisas boas, e o mangá Sailor V é um dos melhores títulos de humor que já li nos últimos anos! O motivo é muito simples: ele está muito mais perto do mangá de Sailor Moon que o próprio mangá de Sailor Moon.

Vamos para a sinopse, pois esse é o padrão das resenhas de mangás da Imprensa Especializada (pfff): era uma vez uma adolescente loira e atrapalhada de 14 anos que encontra um gato misterioso na rua que lhe dá poderes, aí ela adota uma identidade secreta e passa a combater os monstros do dia na cidade usando uma roupa de marinheira e sendo protegida por um misterioso guerreiro mascarado por quem tem um crush. Percebeu alguma coisa? SIM, É EXATAMENTE A SINOPSE DE SAILOR MOON. Mas no lugar da insossa Usagi do mangá, a gente tem a maravilhosa e gente-como-a-gente Minako Aino.

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Temos uma lista grande para odiar a Usagi do mangá: ela é monotemática (ai ai Mamoru), ela resolve os problemas da mesma forma sempre (ai ai Cristal de Prata) e derrota os inimigos gritando golpes cujos nomes mais parecem nomes de banda de heavymetal. Já a Minako é completamente diferente: ela se apaixona por um cara diferente todo capítulo, resolve os problemas na base da sorte e usa o non-sense para derrotar os inimigos. E que inimigos maravilhoso, pois quem é o Negaverso na fila do prisma lunar quando temos vilões de nomes tão eloquentes como Danburite, Miau-Miau e Chup-Chup?

Por ser uma narrativa mais episódica, o mangá de Sailor V se aproxima muito mais do que é o anime de Sailor Moon, que no fundo é a parte realmente boa das guerreiras lunares. E embora a Minako seja um protótipo do que viria a ser a Usagi no anime, ela tem muito mais personalidade. A ponto de nos perguntarmos por que a Toei até agora não fez um anime de Sailor V (se bem que, julgando Sailor Moon Crystal, é melhor até que não faça).

Raramente eu posto uma crítica falando tão bem de algo, mas não tinha como não elogiar esse mangá maravilhoso. Tem só 2 volumes, é risada garantida e o papel nem tá transparente como Orange!