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Os piores mangás que li em 2016

29 dez piores-2016-capa

Pronto, ontem já fiz minha boa ação do ano. Já falei bem de autores estrangeiros, brasileiros, já estimulei o mercado nacional, agora é a hora de vestir aquele chifrinho de diaba (que eu tô guardando pra ficar em casa no próximo carnaval vendo Netflix) e anunciar quais foram as piores leituras de mangá que tive esse ano. Não quero mais falar bem, quero poder criticar todos os mangás que fizeram as viagens de ônibus serem mais sofridas e as filas de espera mais longas. IKIMASU para os piores mangás que li em 2016!

Especial Rurouni Kenshin – Tokuitsuban – Versão do Autor – & Knuckles (JBC)

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Um belo dia, Nobuhiro Watsuki deve ter recebido uma ligação da Shueisha (não foi Skype porque sabemos que ele é avesso a aparecer): – Watsuki, dá uma pausa aê no seu mangá do Frankenstein que ninguém dá bola e escreva uma releitura de Samurai X valendooooo. E assim, munido provavelmente de impaciência, falta de memória e vontade de corrigir trabalhos corridos do passado, Nobuhiro Watsuki fez uma tragédia em forma de mangá de dois volumes. Essa tal versão do autor, lançada na Grande Nação Japonesa para aproveitar o hype do filme live-action, é uma atrocidade com traço ruim  e leitura travada (sério, ler aquilo de uma vez vai te causar sérios problemas psicológicos). Samurai X é um mangá legal (mas com defeitos visíveis), a Sakabatou de Yahiko é aceitável, Busou Renkin é bem mediano e, por fim, a versão do autor de Samurai X que a JBC lançou esse ano não deveria ser usada nem para forrar a gaiola do seu papagaio.

21th Century Boys (Panini)

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Ano passado lembro de ter mencionado que eu não tava curtindo muito o desenvolvimento de 20th Century Boys. Pois então, rolou um time-skip e as coisas mudaram esse ano, porque o mangá foi ladeira abaixo em questão de qualidade. Que chato isso de um avanço no tempo estragar com algo que tava legal, né? Aliás, o 21th Century Boys é particularmente ruim, superando as tranqueiras da reta final do 20th Century Boys concluindo a história do jeito mais absurdo possível e enfiando um antagonista que o autor tirou obviamente do cu. Como se não bastasse isso, a Panini ainda fez uma puta pompa para anunciar 21th Century Boys como se fosse um título ineditão, sendo que nada mais é que o final de um bagulho que tinha perdido a mão já no terceiro time-skip.  Vocês não me enganam mais, nunca mais caio nessa coisa de “o Urasawa tem mangás sem enrolação” depois de 20th Century Boys.

One Piece pós-Time Skip (Panini)

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Vou relembrar o que falei no post de ontem: eu não acompanho nem anime direito porque não curto dublagem japonesa e também não acompanho por scans, então o que estou falando aqui é sobre o que a Panini já lançou. Eu gostava de One Piece e achava a história legal e tudo mais (mesmo que os fãs tenham me apedrejado porque eu falei que One Piece era apenas bom, e não a nona maravilha do mundo). No entanto, depois do time-skip o mangá começou a ficar bem difícil de acompanhar. Na verdade é um problema que eu vinha percebendo desde meados de Water 7: o Oda é uma pessoa muito criativa, e cria coisas muito criativas. O problema é que ninguém bota um freio nesse homem, e ele quer colocar todas as coisas criativas no quadrinho para mostrar o quanto ele é criativo. E isso faz com que a arte de One Piece seja extremamente poluída. Somada ao fato que ele usa poucas retículas, cada quadrinho de One Piece é garantia de três laudas de texto explicando as sandices criadas pelo Oda e mais cidades, figurantes, animais, personagens e tudo mais num grande Onde Está o Wally. Isso porque nem tô falando da anatomia péssima dos personagens femininos (nem é apelativo, é torto mesmo). Fora que a história sempre está ficando cada vez mais épica para nos surpreender com os *DOOOOON* que já nem sentido mais está fazendo. É botar um flashback com algum personagem otário morrendo que todos os leitores já querem canonizar o autor. One Piece está muito complicado, uma pena.

Henshin Mangá #2 (JBC)

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Não sei se foi problema de curadoria falha ou se foi pelo nível dos trabalhos esse ano, mas a antologia dos vencedores do BMA da JBC foi de uma tristeza sem tamanho repleto de histórias bem ruinzinhas nas quais só uma ou outra se salvam. Pior do que ver as histórias claramente ruins foi ver os jurados sempre elogiando e justificando as coisas com as mesmas referências de “se inspirou em Akira Toriyama” . Por sorte pelo menos um dos jurados levou a premiação a sério e teceu críticas decentes aos quadrinhos que eles publicaram.

One-Punch Man (Panini)

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Eu fui enganada pelo hype e não tenho vergonha de assumir. Comprei o primeiro volume de One-Punch Man e achei meio mediano, e deixei de lado. Reli o volume antes de decidi comprar o dois e, naquele dia, achei graça das coisas, aí comprei. Fui comprando os volumes até que me perguntei o motivo de continuar lendo aquilo, afinal eu não tava entendendo o propósito daquilo. Como piada, o negócio parou de funcionar pela repetição. Como ação, o mangá é ruim justamente porque está preso na piada que foi repetida à exaustão. Não digo exatamente que é um mangá ruim, como já falei de outros títulos, apenas acho que não é pra mim que não fico contemplando a arte do desenhista e nem acho graça de um humor repetitivo.

E esses foram os piores do ano pra mim. Como tudo é questão de opinião, é normal que você ache esses títulos maravilhosos ou tenha odiado os que sugeri. Depois de constatar essa obviedade, agora o Mais de Oito Mil entra de recesso e volta só no ano que vem, até mais!