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Editoras, vamos parar com esse rolê errado de anunciar muitos mangás?

4 dez

Esse final de semana aconteceu um famoso evento de ~cultura nerd~ que se autointitula tão épico quanto as obras de Homero (o nome da CCXP não será mencionado porque eles não me deram credencial de imprensa, ok?) e tanto a Panini quanto a JBC estiveram lá com seus painéis de revelações para o público. Enquanto o da Panini teve a presença de Frank Miller e Beth Kodama anunciando nada menos que SETE TÍTULOS diferentes, a JBC foi na contramão e fez um painel sobre vários nadas, anunciando apenas a morte do Ink Comics. Para a galera da Internet, ficou bem claro que a Panini PISOU na JBC e saiu como a ~campeã da feira~, mas na verdade quem se fodeu fomos todos nós mesmo.

Lá pelos idos de 2010, quando a JBC estava completando 10 anos de atividade, rolou um boato que eles iriam comemorar fazendo 10 anúncios de mangá. Na época, o editor Marcelão del Greco chegou a falar que esse número de anúncios era absurdo, e assim foi. Ano passado nos 15 anos de JBC, em contrapartida, o inverso aconteceu e a editora anunciou mais de 30 TÍTULOS NO MESMO ANO, lançando quase tudo no tempo previsto. Mesmo se tratando de títulos curtos (afinal, a JBC não é uma editora enorme), ainda assim são 30 títulos. E, de certa forma, isso acabou criando uma guerra fria entre as editoras de mangá, e ambas partiram para a briga de anúncios de títulos porque, né, o pessoal vibrava a cada tranqueira anunciada.

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Nessa disputa que praticamente é uma competição de tamanho de pinto do mercado editoral de mangás, quem saiu perdendo foi a gente. A quantidade de títulos anunciados não estava de acordo com a carteira do público e a situação econômica no país. E a quantidade de anúncios chegou num nível que havia coisa saindo mais de um ano após divulgada pela primeira vez (como foi o caso de Rust Blaster da Panini, isso que nem tamos contando coisas como Akira que o problema são os japoneses).

Quem mais se empolgou com essa coisa de anúncio de mangá foi a Panini, que tem cheat de dinheiro infinito e pode negociar muitos títulos. A cada aparição pública de Beth Kodama, tínhamos a certeza que a editora faria algum anúncio de one-shot ou título muito esperado. Até mesmo 21th Century Boys entrou no balaio como se fosse um lançamento, e não uma óbvia continuação de 20th Century Boys. E a quantidade de coisa anunciada chegou a não acompanhavar o calendário de lançamentos da editora, o saquê tava transbordando já do copinho. No meio do ano, por exemplo, a Panini anunciou títulos como Nisekoi, Dr Slump, Sakamoto Desu Ga e me pergunta quando é que eles vão sair? Só Kami-Sama sabe! Ao mesmo tempo, a JBC precisou repensar seus lançamentos (alguns títulos viraram bimestrais) e simplesmente parou de anunciar títulos em eventos. Mesmo assim, ainda está atrasadíssima no cronograma (por onde andam Dragon’s Dogma e Sakura Wars? Um beijo, Dragon’s Dogma e Sakura Wars!).

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A impressão que eu tenho é que, mesmo sem querer, a JBC colocou uma carta armadilha virada pra baixo no campo, que é a necessidade de rolar sempre anúncio criada na cabeça do público otaku. Não importa mais quando vai sair, queremos apenas que revelem nomes para ganharem notinhas na imprensa especializada (pff) e repercussão nas redes sociais. E quem caiu nessa carta armadilha é justamente a Panini, que não para de anunciar mangás que não fazemos a menoooor ideia de quando vão sair. Só do Akira Toriyama, por exemplo, temos Dr Slump, Jaco e mais a colaboração com o Masakazu Katsura pra sair em algum momento de 2017.

De verdade, se as editoras (não só a Panini como a JBC, a Nova Sampa, a Newpop etc) não se segurarem um pouco essa vontade desesperada de conquistar aplausos do público, capaz de no Ressaca Friends termos pela primeira vez anúncios de mangás que serão publicados só em 2018.