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Otacos criticam COM RAZÃO a capa de My Hero Academia da JBC

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A Internet serve para muitas coisas. Se por um lado podemos ter a informação ao alcance de nossos dedos, do outro ela também dá espaço para que qualquer pessoa critique coisas sem qualquer propriedade, praticamente uma legião de especialistas em nada. E isso não se aplica somente à política ou no esporte, no mundo otaku também temos muitos especialistas em papel, design, tradução e até em cores especiais. Por causa disso, é sempre divertido abrir post de anúncio de capas brasileiras das editoras no Facebook porque vemos um monte de merda sendo escrita pra criticar a decisão da empresa. Quer dizer, só quando é coisa da NewPOP ou JBC, porque a Panini pode publicar um logotipo em Comic Sans que ainda vai ter gente defendendo.

Dito isso, ontem à noite tivemos a divulgação da capa de My Hero Academia (Boku No Hero Academia para você que não consegue ler títulos ocidentais) da JBC e todo mundo estava muito ansioso para ver como seria o logotipo e a capa brasileira. E fiquei surpresa porque, ao contrário do que eu imaginava, os otacos não estavam falando besteira nos comentários. Eles criticaram, e muito, a capa da JBC e sou obrigada a dizer que eles tinham muita razão. IKIMASU ver essas críticas? Afinal, não é todo dia que vemos otacos falando coisas coerentes.

Para começar, um leitor criticou com razão esse logotipo escondido da JBC.

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Está certíssimo! Afinal, o logo está tampado pelo cabelo aerodinâmico do All Might. Deveriam seguir a capa japonesa e ponto.

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Já outro leitor lembrou que se a Panini que fizesse a capa, não teríamos um logotipo zoado.

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Mais um leitor correto. Infelizmente, não podemos imaginar como seria uma capa de My Hero Academia feita pela Panini do Brasil.

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Este otaku oculto pela minha técnica de Paintbrush achou uma puta falta de palhaçada ter logotipo japonês, brasileiro, mexicano… que o certo deveria ser um em japonês e outro em inglês.

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Está certo? Está certo sim, afinal os logotipos americanos são sempre muito bons.

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Mas teve críticas sobre pequenos detalhes que fazem a diferença? Claro que teve! Este aqui percebeu que a JBC relaxou muito na numeração:

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Ele está certo? Sim, está! A numeração que a JBC colocou é muito gibizinho da Inbonha! Os japoneses devem ter dormido na hora de aprovar essa capa:

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Por fim, este perfil decidiu criticar algo que acho meio injusto:

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Mancada cobrar da JBC por um título que eles fizeram um puta alarde para anunciar e que não têm a menor previsão de sair por aqui, né não?

Yo-kai Watch será meio-tanko e os otaquinhos já surtaram um monte

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Um dos sites favoritos da Imprensa Especializada (pff) é o Liga HQ por causa dos spoilers de lançamentos que dão. Isso porque eles colocam mangás em pré-venda lá e algumas vezes conseguem vazar coisas que as editoras ainda não anunciaram. Pois bem, a loja colocou no ar a pré-venda de Yo-Kai Watch, a nova promessa da Panini, e uma coisa chamou a atenção da otakada. IKIMASU ver?

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Claro que a princípio as pessoas devem ter comentado “A PANINI EH MARAVILHOSA ELA LANÇA MANGAS MUITO MAIS BARATOS EM QUALIDADE SUPREMA E MARCAPAGINAS CHUPA JBC”, até que alguém deve ter se tocado que o preço estava baixo demais até mesmo para a Panini que pode segurar uns prejuzinhos com altas vendas. Aí tudo ficou claro: o mangá de Yo-Kai Watch no Burajiru será lançado em formato MEIO-TANKO, ou seja, metade de um volume normal que vemos nas bancas.

Obviamente isso foi um grande choque de realidade para os otaquinhos, que se sentiram abandonados pela Panini e começaram a cantar essa maravilhosa canção em seus Twitters e posts indignados em grupos de Facebook:

(Talvez eu tenha forçado o comentário só porque queria postar esse vídeo em algum momento)

Todo esse furdúncio rolou porque, desde o final do mandato de Negima, os brasileiros NÃO ACEITAM o meio-tanko. Entre as críticas dos otaquinhos está que o mangá não está a metade do preço de um tanko normal, que a qualidade dos meio-tankos é ruim, que isso vai deixar a coleção feia e que ninguém vai comprar. Todo o chororô me fez pensara um pouco sobre essa demonização dos meio-tankos no Burajiru.

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Vamos lembrar que o formato surgiu no começo dos anos 2000 e era aplicado em todos os mangás com um simples objetivo: deixar o negócio barato. Por muito tempo, os quadrinhos japoneses eram os mais baratos da banca (tirando os gibis da Monica), afinal na época a Abril estava comendo o pão que o Dabura amassou com versões de luxo na faixa de sete reais dos quadrinhos de heróis. Mangá era um quadrinho acessível e isso ajudou no seu sucesso. Depois que a JBC inaugurou o formato tanko com o finado X, o colecionismo dos otaquinhos começou a apitar mais forte e eles queriam cada vez algo mais de nicho, com o máximo de fidelidade com o mercado da Grande Nação Japonesa.

Curiosamente, essa desculpa de “queremos as coisas igualzinhas às do Japão”  é uma desculpa usada apenas quando é conveniente, afinal muitos mangás do Burajiru foram lançados em formatos que não têm nada a ver com os originais e ninguém reclamou disso. O JBC Big, por exemplo, foi criticado pelo preço, mas não por ser a junção de dois volumes japas. Ou seja, pra deixar mais caro e mais de colecionador pode, para popularizar não rola.

O grupo dos otacos tem agido cada vez mais como um nicho que não quer que sua gíria se espalhe. Desde a preferência pelos ~intraduzíveis~ honoríficos até volumes com offset 500g e orelhas cortadas à mão, o que importa é que o quadrinho que eles gostam seja menos acessível a pessoas. Afinal, ainda se mantém o medo da coisa virar uma modinha.

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Isso sem contar que está faltando falar a maior verdade desse rolê, que vou escrever em caps lock e botar em negrito e itálico: YO-KAI WATCH NÃO FOI FEITO PARA VOCÊ QUE POSTA FOTO DE LOMBADA TORTA EM GRUPO DO FACEBOOK, FOI FEITO PARA CRIANÇA E É PRA ELAS QUE A EDITORA TEM QUE PENSAR EM VENDER. Você pode até comprar, nada te proíbe, mas não muda o fato que a estratégia da Panini é pegar um público que tá pouco se fodendo para colecionismos, honoríficos e que tem um orçamento ainda mais limitado que você.

Concluindo o assunto, gostaria que acabasse essa demonização do meio-tanko. Em alguns casos ele pode ser útil (Yo-Kai Watch, por exemplo, ganha dois volumes inéditos por ano e saiu até o 8, meio-tanko vai servir pra render mais), fora que o preço mais acessível pode trazer mais pessoas para os mangás, aumentando a chances de virem mais títulos.

Engraçado que o pessoal reclama que nenhuma editora lança JoJo porque não tem público de mangá pra comportar esse evento, mas ao mesmo tempo é contra qualquer iniciativa que traga novos leitores.

***

[ADENDO] Um leitor fez um comentário pertinente relembrando minhas críticas ao formato de Super Onze da JBC nesse post de 2013. Achei que valia a pena dizer que, assim como o próprio mercado mudou, minha opinião sobre o assunto também. Não sou teimosa a ponto de dizer que discordo de algo que eu mesma disse, e a falta de sucesso do Super Onze pode ter sido também porque o anime tinha passado faz tempo. Vamos ver agora que o mangá vai casar com a exibição de Yo-Kai Watch.

Especial – Vergonha Alheia com otakus no Encontro com Fátima

6 nov

Se já é difícil arranjar pauta diária para um blog como este, imagina a dificuldade de encontrar assunto para o programa da Fátima. Tudo quanto é programa feminino já falou sobre bullying, excesso de peso e exemplos do que não se deve vestir, mas a Fátima Bernardes é a única que inovou e JUNTOU as três pautas em uma só ao falar sobre cultura otaku.

Como ninguém estava vendo o programa da Fátima, tirando os TROCENTOS leitores que me mandaram mensagens desesperadas no Twitter cobrando uma análise deste programa, estou aqui para fazer este sacrifício de analisar mais um pilar de constrangimento da televisão brasileira.

Então pare de reclamar com a sua mãe por ela ter desbotado sua camiseta de anime feita na Compacta Print e IKIMASU para a abertura do Encontro com Fátima:


O programa foi tão sugestivo que o primeiro tema foi “como reagir a um assalto”. Essa resposta os otakus sabem muito bem, porque nunca reagiram ao preço do ingresso dos eventos de anime.


PUTA QUE PARIU, a Fatinha chama a reportagem e a primeira pessoa a aparecer é o maluquinho que canta fino deste outro postCANTANDO A MESMA MÚSICA. Ou é uma grande coincidência ou então os otakus estão se transformando num nicho no qual é difícil conseguir alguma revelação na categoria vergonha alheia. Porque até o japonês com o boné temático do Jewels de celular Android está visivelmente incomodado.


A reportagem continua e toda hora são sempre os mesmos otakus em situações diferentes. Tá tipo matéria da Caras, mas sem o glamour e o faqueiro encartado.

E a música de fundo é uma das primeiras aberturas de Pokémon. CADÊ os fãs de Pokémon comentando nas redes sociais que isso deve ser um inception da Globo, que pretende exibir a versão original do desenho, sem os dedos dos americanos capitalistas. Sai o Ash e entra o Satoshi-kun.


Como levar a sério um programa apresentado por Fátima Bernardes quando ao fundo aparece a diva Haruhi Suzumiya? Aliás, me perguntaram como esses cosplayers toparam participar desta bomba de programa. É assim… Nunca chamam otaku pra sair, aí é convidado para o ENCONTRO com Fátima e topa achando que vai sair catando uma mulher.


Olha só quem apareceu, Ricardo Cruz. Provavelmente representando a cota Jam Project das pautas, mesmo sendo um membro café-com-leite. Ele só não é a pauta mais desenterrada do programa porque a Fatinha convidou…


UMA ATRIZ DO NÚCLEO JAPONÊS DE MORDE E ASSOPRA!

Para quem não lembra, ou para quem não leu a minha análise primorosa (leia aqui), a novela Morde e Assopra é aquela que ia falar sobre o Japão, aí os nossos otakus foram encher o saco do autor da novela porque acharam que ele ia manchar a imagem deles, aí o cara apareceu e falou “Mas o que é otaku?” e sambou enka na cara desses otakinhos.

A mulher do Bonner perguntou se a personagem da atriz tinha inspiração nos otakus. Acho que sim, porque isso explica por que o autor dizimou o núcleo japonês por falta de afinidade. Olha a torta de climão.


Desculpa, minna, só queria compartilhar esse print da Fátima com cara de cu.

A atriz revelou que baseou a sua personagem Hoshi em um mangá muito famoso no Burajiru, chamado Love Hina. Sinto informar que ela se preparou para o programa errado, porque esse harém do Akamatsu poderia prepará-la somente para o Vai dar Namoro do Rodrigo Faro ou para aquela série horrorosa Louco por Elas.


Em mais uma matéria, a mãe dos trigêmeos agora mostra como são os eventos. Curti esta menina cuspindo tiros de alegria dizendo que nos encontros de anime ninguém julga ninguém. Desculpa te frustrar, tomodachi ensanguentada, mas se ninguém julga ninguém, por que sua amiga está te olhando com ESTA CARA?


Uso chapéu do Chopper mas estou te julgando


Fátima começou a falar com uma mãe que acompanha os filhos para os eventos, e estava tudo muito chato (não que fosse uma surpresa o adjetivo “chato” aparecer junto do tema “Encontro com Fátima Bernardes”), mas o câmera devia ser o mesmo do Bem Estar que passou antes e ele começou a focar nesse Chopper fazendo exercício de pilates no palco.


Aí a Fátima explicou para a menina que “azaração” é “paquera”. Olha, quando uma senhora como Fátima Bernardes consegue traduzir para um jovem a sua pergunta, é hora de parar de vestir all-star e partir pro bingo. E melhor que esse diálogo foi eu só ter notado que tem uma Jasmine na platéia quando eu estava editando a imagem.


Entrou um VT super legal do Ricardo Cruz cantando com o Jam Projeczzzzzzzzz…

Desculpa, minna, mas eu acho que jornalista e cantor são coisas muito diferentes, e a única que consegue fazer isso com qualidade ímpar em todas as funções é a Sandrinha Annenberg.


Aí o assunto ficou chato a Fátima cortou todo mundo e mandou entrar a próxima pauta, que seria um blog que ensina a fazer panos para colocar em pratos quentes. Peraí, “blog” e “panos quentes”? Parabéns para a blogosfera especializada (pff), que conseguiu ser tema de uma reportagem logo após uma matéria sobre otakus! Estamos todos felizes com o reconhecimento!