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Otakus de masculinidade frágil se incomodam com gay na capa de One-Punch Man

20 jan

A gente já parte do pressuposto que acompanhar comentários de sites de notícias é dar de cara com uma enxurrada incalculável de chorume (menos vocês leitores do Mais de Oito Mil que são comentaristas lindos e sagazes), mas a cada acontecimento é sempre uma surpresa, não é mesmo? Ontem à noite, a Panini divulgou em suas redes sociais a capa aberta do mais novo volume de One-Punch Man, e a reação foi NEGATIVA. O que será que aconteceu para os otakus reclamarem tanto desse mangá tão aclamado quanto a Susana Vieira? Será reclamação com tradução? O papel ficou transparente como o Naruto Gold? Nada disso, a reclamação é porque o personagem em destaque constrangeu os leitores. IKIMASU dar uma analisada no suposto ~constrangimento~:

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Na parte da frente da capa, vemos Saitama lado a lado com o personagem Puri Puri, um musculoso com barba para fazer e cabelos rebeldes, usando uma roupa de presidiário colada ao corpo. Na parte de trás do volume, Puri Puri está de collant fazendo um ousado exercício inferior em que ergue uma bola de ferro com a perna. O collant ainda exibe que Puri Puri transcendeu o tanquinho 6-pack e que é um monstro com 10 gominhos na barriga, além de marcar bem a região do pênis.

A página Os Consumidores do Mercado de Mangás que Deu Certo fez uma postagem muito interessante recolhendo alguns depoimentos de leitores otakus que ficaram um pouquinho incomodados com o Puri Puri na capa do mangá:

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Embora tenha muita gente tentando explicar as razões de não terem curtido o Puri Puri na capa de One-Punch Man sem deixar muito na cara que é preconceito, alguma coisa não faz sentido. Falaram, por exemplo, que na capa ele está numa pose ridícula (lembrando que estamos falando de One-Punch Man e 90% dos personagens têm como característica principal serem ridiculos). A família tradicional burajiru-jin também reclamou que a mala do Puri Puri está muito evidente, mas nunca vi ninguém deixando de comprar um mangá que tinha uma mulher gostosa de roupa justa na capa.

O fato é que um homem musculoso com collant e praticando exercícios de perna (lembre-se que macho que é macho sempre pula o dia de perna para ficar naquela proporção digna de um Kurumada) incomoda muito a parcela de leitores de masculinidade frágil. Porque, na mente dessas pessoas, ser visto no ônibus lendo um mangá com um personagem gay ridículo de roupa justa na capa é sinônimo de ser taxado como gay.

Imagino o quão difícil deve ser pra essa galera otaka que precisa ficar controlando o tipo de capa de suas leituras favoritas com medo de ter um gay na edição e surgir uma vontade louca de pegar numa piroca.

Os piores mangás que li em 2016

29 dez

Pronto, ontem já fiz minha boa ação do ano. Já falei bem de autores estrangeiros, brasileiros, já estimulei o mercado nacional, agora é a hora de vestir aquele chifrinho de diaba (que eu tô guardando pra ficar em casa no próximo carnaval vendo Netflix) e anunciar quais foram as piores leituras de mangá que tive esse ano. Não quero mais falar bem, quero poder criticar todos os mangás que fizeram as viagens de ônibus serem mais sofridas e as filas de espera mais longas. IKIMASU para os piores mangás que li em 2016!

Especial Rurouni Kenshin – Tokuitsuban – Versão do Autor – & Knuckles (JBC)

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Um belo dia, Nobuhiro Watsuki deve ter recebido uma ligação da Shueisha (não foi Skype porque sabemos que ele é avesso a aparecer): – Watsuki, dá uma pausa aê no seu mangá do Frankenstein que ninguém dá bola e escreva uma releitura de Samurai X valendooooo. E assim, munido provavelmente de impaciência, falta de memória e vontade de corrigir trabalhos corridos do passado, Nobuhiro Watsuki fez uma tragédia em forma de mangá de dois volumes. Essa tal versão do autor, lançada na Grande Nação Japonesa para aproveitar o hype do filme live-action, é uma atrocidade com traço ruim  e leitura travada (sério, ler aquilo de uma vez vai te causar sérios problemas psicológicos). Samurai X é um mangá legal (mas com defeitos visíveis), a Sakabatou de Yahiko é aceitável, Busou Renkin é bem mediano e, por fim, a versão do autor de Samurai X que a JBC lançou esse ano não deveria ser usada nem para forrar a gaiola do seu papagaio.

21th Century Boys (Panini)

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Ano passado lembro de ter mencionado que eu não tava curtindo muito o desenvolvimento de 20th Century Boys. Pois então, rolou um time-skip e as coisas mudaram esse ano, porque o mangá foi ladeira abaixo em questão de qualidade. Que chato isso de um avanço no tempo estragar com algo que tava legal, né? Aliás, o 21th Century Boys é particularmente ruim, superando as tranqueiras da reta final do 20th Century Boys concluindo a história do jeito mais absurdo possível e enfiando um antagonista que o autor tirou obviamente do cu. Como se não bastasse isso, a Panini ainda fez uma puta pompa para anunciar 21th Century Boys como se fosse um título ineditão, sendo que nada mais é que o final de um bagulho que tinha perdido a mão já no terceiro time-skip.  Vocês não me enganam mais, nunca mais caio nessa coisa de “o Urasawa tem mangás sem enrolação” depois de 20th Century Boys.

One Piece pós-Time Skip (Panini)

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Vou relembrar o que falei no post de ontem: eu não acompanho nem anime direito porque não curto dublagem japonesa e também não acompanho por scans, então o que estou falando aqui é sobre o que a Panini já lançou. Eu gostava de One Piece e achava a história legal e tudo mais (mesmo que os fãs tenham me apedrejado porque eu falei que One Piece era apenas bom, e não a nona maravilha do mundo). No entanto, depois do time-skip o mangá começou a ficar bem difícil de acompanhar. Na verdade é um problema que eu vinha percebendo desde meados de Water 7: o Oda é uma pessoa muito criativa, e cria coisas muito criativas. O problema é que ninguém bota um freio nesse homem, e ele quer colocar todas as coisas criativas no quadrinho para mostrar o quanto ele é criativo. E isso faz com que a arte de One Piece seja extremamente poluída. Somada ao fato que ele usa poucas retículas, cada quadrinho de One Piece é garantia de três laudas de texto explicando as sandices criadas pelo Oda e mais cidades, figurantes, animais, personagens e tudo mais num grande Onde Está o Wally. Isso porque nem tô falando da anatomia péssima dos personagens femininos (nem é apelativo, é torto mesmo). Fora que a história sempre está ficando cada vez mais épica para nos surpreender com os *DOOOOON* que já nem sentido mais está fazendo. É botar um flashback com algum personagem otário morrendo que todos os leitores já querem canonizar o autor. One Piece está muito complicado, uma pena.

Henshin Mangá #2 (JBC)

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Não sei se foi problema de curadoria falha ou se foi pelo nível dos trabalhos esse ano, mas a antologia dos vencedores do BMA da JBC foi de uma tristeza sem tamanho repleto de histórias bem ruinzinhas nas quais só uma ou outra se salvam. Pior do que ver as histórias claramente ruins foi ver os jurados sempre elogiando e justificando as coisas com as mesmas referências de “se inspirou em Akira Toriyama” . Por sorte pelo menos um dos jurados levou a premiação a sério e teceu críticas decentes aos quadrinhos que eles publicaram.

One-Punch Man (Panini)

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Eu fui enganada pelo hype e não tenho vergonha de assumir. Comprei o primeiro volume de One-Punch Man e achei meio mediano, e deixei de lado. Reli o volume antes de decidi comprar o dois e, naquele dia, achei graça das coisas, aí comprei. Fui comprando os volumes até que me perguntei o motivo de continuar lendo aquilo, afinal eu não tava entendendo o propósito daquilo. Como piada, o negócio parou de funcionar pela repetição. Como ação, o mangá é ruim justamente porque está preso na piada que foi repetida à exaustão. Não digo exatamente que é um mangá ruim, como já falei de outros títulos, apenas acho que não é pra mim que não fico contemplando a arte do desenhista e nem acho graça de um humor repetitivo.

E esses foram os piores do ano pra mim. Como tudo é questão de opinião, é normal que você ache esses títulos maravilhosos ou tenha odiado os que sugeri. Depois de constatar essa obviedade, agora o Mais de Oito Mil entra de recesso e volta só no ano que vem, até mais!

Opinião Impopular da Semana: Mob Psycho 100 é melhor que One-Punch Man

29 jul

Trago novidades para você leitor do Mais de Oito Mil, começarei hoje uma nova seção no site. A “Opinião Impopular da Semana” é um espaço no qual, como o próprio nome já diz, falo alguma opinião que é um pouco diferenciada do que a maioria da Imprensa Especializada (pff) ou dos otacos em grupos de discussão dizem. E nada melhor que começar falando uma verdade em negrito que vai doer um pouco: One-Punch Man não é tão legal assim.

Às vezes, alguma série alcança um hype misterioso e todo mundo começa a falar como se ela fosse a maior maravilha do mundo. Ela pode até ser boa, como é o caso de One-Punch Man, mas os elogios a tornam algo muito superior ao que é de verdade. A série do herói careca eu li (até o momento) dois volumes e vi um pouco do anime, e ficava sempre me perguntando o que é que aquilo tinha de mais. Eu achava engraçadinha, achava bem animado, mas cadê a grande revolução animada? Cadê as dores de barriga de tanto gargalhar que as pessoas tanto diziam?

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Depois que li o primeiro volume, cheguei até a rascunhar um post aqui no Mais de Oito Mil pra falar que achei o mangá bem qualquer coisa, mas acabei depois que o reli num dia melhor e fui pra segunda edição curtindo mais. One-Punch Man é divertidinho, mas só. Não havia entendido o apelo do tal do One, o autor do negócio… até que conheci Mob Psycho 100.

Para você que depende de posts de primeiras impressões para guardar o nome dos animes e não sabe qual é essa série porque só o Gyabbo falou a respeito, Mob Psycho 100 é um mangá escrito e desenhado pelo mesmo One do One-Punch Man e conta a história de um moleque chamado Mob que tem poderes psíquicos e é explorado por um charlatão que é a favor da flexibilização das leis trabalhistas para pagar menos ao funcionário. Juntos eles resolvem vários problemas espirituais como qualquer outro mangá do gênero, com a diferença que o traço feio do One deixa tudo muito maravilhoso. E aí entram yokais, uma seita religiosa, um clube de telepatia, o grupo de marombeiros amigos do Bambam e até mesmo questões psicológicas sobre a somatização dos problemas da vida.

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Eu fui pesquisar algumas opiniões sobre Mob Psycho 100 e fiquei meio surpresa que muita gente não gostou. Na matéria do Gyabbo que eu citei ali em cima, por exemplo, a crítica comenta que nem considera a história de comédia porque não tem muita graça. Discordo bastante, até porque na verdade o humor de Mob Psycho 100 é até mais acessível que a outra série do autor. Se for pensar, One-Punch Man é quase uma paródia dos heróis, e para o humor de paródia ser entendido pelo receptor é preciso um certo conhecimento tanto de heróis quanto de clichês de mangás (que são ironizados dentro da história). Já no caso de Mob Psycho 100, há apenas um humor puro mesmo, mais escrachado que torna as coisas mais acessíveis. Mob Psycho 100 sabe dosar muito bem a ação, o non-sense e o humor bem pastelão que exige pouco do cérebro mas faz um bem danado quando estamos dando risada.

Posso até estar enganada porque vi bem pouco das duas séries, mas posso afirmar que estou animada com Mob Psycho 100 muito mais que One-Punch Man e por isso vou defendê-la.

***

(Se quiser conferir pra ter certeza que estou certa, o anime de One-Punch Man está disponível no Daisuki e o mangá é publicado pela Panini com todas as frescuras que vocês otacos curtem. Mob Psycho 100 tem apenas o anime por aqui na Crunchyroll e está no terceiro episódio)

Panini descobre que pode fazer publicidade de mangás e público se surpreende

20 maio

O mercado de mangás passa por uma grande crise, minna, e as editoras não sabem como resolver. Antigamente era fácil, qualquer canal exibia um desenho de olho grande, aí as editoras pensavam “nossa, vou lançar isso em mangá” e beleza. Funcionou em alguns casos que teve bom timing, em outros o negócio veio com um atraso.

No entanto, não temos mais animes na televisão (tirando Chef Sensei e o Domingão do Faustão). Um reflexo disso é que, tirando o recente caso de Pokémon, o último barraco que tivemos de mudança de dubladores numa série foi na época antes do hiato do Mais de Oito Mil, quando eu não praticava ainda o jornalismo respeitável de hoje. Sem animes na televisão, como que as editoras podem ter aquela publicidade gratuita de seus produtos?

No entanto, as coisas mudaram essa semana. A Panini decidiu ousar e fez uma grande divulgação de One-Punch Man pela cidade de São Paulo, em pontos de ônibus e no metrô (ela sabe que seu público alvo é fodido demais para andar de carro). O resultado deu mais o que falar nas redes do que notícia de retorno de Hunter x Hunter, pois os otakus compartilharam com orgulho as imagens de algo que eles nunca haviam visto antes.

Fotos surgiram num grupo de Facebook de mangás e se espalharam rapidamente pela Internet, a ponto até mesmo de Bethinha Kodama divulgar em seu Facebook (sim, pois meu jornalismo respeitável envolve stalkear editores). IKIMASU ver um print de sua rede social?

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(Percebam o número de compartilhamentos e que pessoas usaram o emoji de “uau” mostrando surpresa. Repare também na foto de avatar de Bethinha que pode ser tanto viral da republicação de X-1999 quanto do mangá da Xuxa Jovem)

Agora só fiquei com uma dúvida: devo dar os parabéns pela Panini por ter descoberto que é possível fazer publicidade de mangás ou devo lamentar que nosso mercado tem mais de 15 anos e só agora as editoras estão pensando em grandes ações assim?

Os Bastidores do Lançamento de One-Punch Man

20 mar

Todos os anos, a rede Globo gasta milhões de reais com os direitos de transmissão do Carnaval paulista e carioca, assim uma das festas culturais mais importantes do país acaba virando apenas Fátima Bernardes e Chico Pinheiro falando merda sobre assuntos que eles não dominam. Ao mesmo tempo, só que por um custo de um Guaracamp e uma coxinha mordida, a RedeTV faz a melhor cobertura carnavalesca, botando Nelson Rubens para comandar um grupo de ex-bbbs gostosas mostrando os bastidores do carnaval. E por que estou contando essa história no Mais de Oito Mil em vez do meu novo site televisivo, o Coisas de TV? Bem, porque faz parte do assunto…

Hoje rolou o lançamento de One-Punch Man numa badalada livraria de São Paulo com a presença de toda a imprensa especializada (pff). Teve distribuição se pôsteres, palestra de Beth Kodama, Bruno Zago e Levi Trindade, lotação de otakus, cheiro de salgadinho vencido, anúncio de mangás, alfinetadas na concorrência e muita coisa clichê de eventos do gênero. Provavelmente você já leu sobre tudo isso no Jbox, Chuva de Nanquim, Gyabbo e até mesmo naquele site lá que me censurou uma vez, então o que eu poderia acrescentar de novo? Falar das indiretas à concorrência? Mas isso já está batido! Comentar que o maior receio de Beth Kodama é com a Dilma? Isso seria sensacionalismo barato. E se eu fizesse o meme do trote de Beth com a Beth Kodama?

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Até ficou legalzinho, mas minha terapeuta diz que eu preciso sair da zona de conforto, então a melhor saída é redetvlizar e mostrar o que ninguém mais mostra, os bastidores deste grande evento da Panini! Tirei algumas fotos com meu tablet da Galinha Pintadinha e mostrarei para vocês leitores que ou não puderam estar presentes ou (melhor) preferiram não ir nesse encontro que transbordou em lotação e virgindade. IKIMASU!!!

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Estão vendo essa grande aglomeração de pessoas que mais parece cena de filme de apocalipse zumbi? Então, é o que damos de cara quando chegamos na palestra após 5 minutos do começo. O local já estava todo tomado por essas criaturas cheias de mochilas e que fazem qualquer coisa por um poster, um marcador de página ou um prato de yakisoba.

Por ter ido correndo ao evento, obviamente cheguei mais suada que os personagens de Velho Chico, aí fiquei um tempo ao lado de dois kareshis:

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Sim, meus kareshis são o DVD do show do Adam Levine e um ar condicionado portátil que equilibrou minha temperatura corporal a valores aceitos na CNTP. Recuperada, voltei à palestra e acompanhei com vergonha os urros quase sexuais dos otakus toda vez que Beth anunciava um título de nome estranho. No fim, eles anunciaram essas capas aí embaixo e o lançamento exclusivo de uma linha de bolas de vôlei aproveitando a olimpíada no Burajiru. Só não digo que a editora deu uma bola dentro porque, como aprendi em Haikyuu, pontuação no vôlei não é quando se enfia uma bola dentro.

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Mas e o que acontece no after? O que rola depois que o Jbox e o Gyabbo encerram suas coberturas? É justamente isso que quero mostrar. O público sai do evento como se a área do palco fosse um Xbox 360 prestes a explodir por superaquecimento, restando apenas a imprensa especializada (pff) e uma parte do público com um mesmo objetivo em comum: alugar o editor responsável, no caso Beth Kodama.

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Ela se vê cercada de criaturas sem vida social cujo único prazer no final de semana é incomodar um editor pedindo fotos, Jojo no Burajiru ou apenas pra ver se ela pode liberar o banner do cenário.

Após tudo isso, a imprensa especializada (pff) realiza uma reunião da panelinha e sai para comemorar a cobertura bem feita indo para o bar mais próximo. Para fins jornalísticos, me infiltrei no grupo de blogueiros na intenção de descobrir o que bebem, do que se alimentam e se em locais normais eles se comportam de maneira menos vexatória.

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Observe como eles estão tão à vontade no bar escolhido que nem perceberam o meu tablet azul registrando tudo em fotos com baixíssima definição. Pois é, pelo visto a imprensa especializada (pff) são pessoas como todos nós, que vão para o bar após um dia de trabalho e querem apenas beber uma cerveja pra falar mal dos outros, certo?

ERRADO!!!

Porque com a exceção de Judeu Ateu (nosso muso colírio de 2015 eleito por voto indireto) e Lucas mascote do Jbox que tomaram uma cerveja, todo o resto da Imprensa Especializada (pff) saciou a sede com bebidas encontradas em reuniões de virgens (como em festa de criança ou encontro de jogadores de card games). Observem a quantidade de embalagens de coca-cola e de garrafas de água encontradas nessa foto tirada com minha habilidade ninja:

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Assim terminou minha aventura e segui meu caminho até um bar com meus tomodachis que bebem coisas alcoólicas e falam sobre piroca. Voltamos aqui no dia 9 de abril para a cobertura de mais um evento, o esperado Henshin +!

Aliás, o que aconteceu afinal com a Beth enquanto toda a imprensa curtia uma bebida cheia de gás?

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Mais de Oito Mil entrevista Beth Kodama, editora da Panini

17 jan

E aí, minna! Continuando nossa série de entrevistas com o balanço geral desse ano de 2015, chegou a vez de conversar com Beth Kodama, editora da Panini que sempre é a cara da editora nas palestras de eventos. O encontro com Beth foi lá na Itália, na sede mundial da Panini, onde tomamos dry martinis e conversamos sobre o panorama editorial aqui no Burajiru. Além de, claro, tentar pedir que ela me descolasse umas figurinhas do álbum das novelas da Globo porque fiquei sem completar o negócio. IKIMASU conferir o papo? Ele começa assim que passar essa imagem horrível que uso desde o primeiro ano do Mais de Oito Mil:

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Mais de Oito Mil: Em várias palestras e entrevistas já falaram que os japoneses valorizam muito a confiança e o comprometimento das editoras brasileiras na hora de liberarem os títulos. A Panini já cancelou e paralisou muitos mangás (como Kekkaishi e O Mito de Arata), como ainda assim ela consegue mangás famosões? Rola escambo com figurinhas da Copa?

Beth Kodama: Depende muito do título, da editora original, do licenciante, do “histórico”, dos números de vendas, do “cash”, etc. São negócios como quaisquer outros, ou seja, depende de muitos fatores. E a gente nem paralisou tantos títulos assim. Além disso, a Panini detém uns 80% do mercado de quadrinhos no Brasil. E não é só quadrinhos e figurinhas. Cara, a gente publica até revista do Papa. Vamos concordar que é um bom “currículo” e uma boa “fatia do bolo, né? Além disso, a gente não publica só mainstream e nem todos os famosões vêm pra gente… o que é uma pena, diga-se de passagem.

MdOM: O Mais de Oito Mil não tem orçamento para te subornar por um nome, mas poderia dizer se há algum título em publicação que corre o risco de ir pro freezer por vender pouco? (Pfv não seja Beelzebub e nem Assassination Classroom)

BK: Não precisa subornar, não. Porque, por enquanto, nada mais vai pro freezer… até onde eu sei.

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MdOM: Temos uma pergunta enviada pela campanha “Mais Jojo’s no Brasil”: em trocentas palestras perguntam sobre o título e a resposta nunca é animadora. Na sua visão como pessoa do meio, você consegue enxergar um dia alguma editora lançando Jojo’s Bizarre Adventure ou isso é um sonho ainda irreal para o tamanho do nosso mercado?

BK: Eu comprei uns volumes bonitões da VIZ e averiguei o que se passa com Jojo em outros países. Está em análise. Pra todo produto e pra todo mercado existe um risco. O problema é que Jojo tem um risco muito alto… no momento. Um dia, poderemos publicar o que quisermos, no formato que quisermos e pelo preço justo… mas esse dia não é hoje.

MdOM: Em todas as palestras que fui nesse último ano parece unanimidade entre os editores de mangás que nosso mercado está ótimo e amadurecido, e que se pode lançar vários títulos de vários gêneros (algo que era impossível no passado). Se o mercado está tão bom assim, por que títulos longos passaram a entrar na lista negra das editoras?

BK: Não na nossa lista. Temos MUITOS títulos longos. Na real, temos poucos títulos com menos de 10 volumes. De boa, a gente traz o que o público pede e o que a projeção de mercado indicar que vai vender bem.

MdOM: A Panini sempre teve uma tradução mais preciosista, usando honoríficos japoneses e tudo mais. Mesmo com explicações nos glossários, esse tipo de tradução não acaba afastando um pouco o público leigo que poderia se interessar pela história mas se assusta com o excesso de termos orientais?

BK: Depende da história. Nem toda publicação nossa tem honoríficos. E, não, não acho que isso afasta público leigo.

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MdOM: Recentemente a Panini anunciou que vai lançar Vagabond no Brasil, depois que o contrato com a Nova Sampa não foi pra frente. A negociação começou quando a outra editora estava sem contrato ou rolou um lance meio teste de fidelidade com o Inoue sendo seduzido pela Panini enquanto estava com a outra?

BK: Não, nós jogamos limpo. Só quando um contrato acaba que ele pode ser negociado com outra editora.

MdOM: No final de 2015, um certo blog aí de muita qualidade denunciou um cidadão que estava vendendo impressões piratas de One Punch-Man (que é da Panini) e outros mangás. Um dia depois da matéria, ele deu uma arregada, inventou uma desculpa aê e abandonou o barco pirata. A Panini chegou a ficar preocupada com o rapaz e acionou um exército de advogados ninjas? E a editora tem algum plano para coibir esse tipo de prática?

BK: Acredito que sim, o departamento jurídico deve ter averiguado o caso, mas não sei exatamente no que deu no fim das contas. Não sei se a editora deve se posicionar. O mais triste foi ver fãs apoiando a pirataria… mal sabem eles que estão lesando o autor que tanto gostam e dificultando cada vez mais as possibilidades de trazer material licenciado ao Brasil.

MdOM: Obrigada pela entrevista, Beth. Quer deixar um recado ou uma receita de bolo para os leitores do Mais de Oito Mil?

BK: De nada, foi um prazer. Olha, não cozinho mal, mas sempre que dou uma dica gourmet ou posto uma foto de uma receita que deu muito certo, o primeiro comentário é “aí vem Shokugeki”. Então, deixa pra lá.

João Kleber analisa os novos anúncios da Panini

6 dez

Hoje terminou um certo evento que prometia ser épico como a Odisseia, mas que apenas ofereceu preços inflacionados, filas quilométricas e uma limitação de credenciais para a imprensa especializada (SIM, EU SOU RANCOROSA), e nesse evento estiveram presentes as duas maiores editoras de mangos do Burajiru. A JBC usou todo o dinheiro economizado na gramatura de offset para fazer um stand lindíssimo enquanto a Panini foi mais discreta (pelo menos eu acho, ninguém falou um piu sobre o stand dela).

A não ser que você faça parte do elenco de Jojo, não tem motivo para se interessar em stands, então vamos dar uma analisada nos anúncios de mangás feitos no evento. A JBC já desperdiçou em todos os Henshin Online os futuros lançamentos da editora, então na palestra eles não anunciaram nada. Já a Panini… Kami-Sama segure tua mão, pois ela anunciou duas bombas. Para falar sobre isso, convidamos João Kleber para comentar e dar um veredicto sobre os novos títulos da Panini. IKIMASU!

Caso Vagabond

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No Burajiru já tivemos títulos de muito sucesso, alguns medianos e outros que atingiram o patamar Kekkaishi de fracasso de vendas. Mas Vagabond é um caso diferente, porque ele supostamente vendia bem, mas teve seu cancelamento anunciado porque a Conrad tinha umas estratégias campeãs de lançamento. Primeiro a própria editora cancelou o formato meio-tanko para valorizar o tanko de luxo, e depois ela entrou em crise e cancelou o mangá pela segunda vez mesmo.

Depois entrou a Nova Sampa e Marcelo Del Greco no esquema e eles decidiram relançar o mangá de onde a Conrad parou séculos antes. Não preciso nem falar que o negócio vendeu menos volumes que ingressos para o show de Claudia Leitte, e o leite nesse caso ficou bem azedo. Até que a Nova Sampa fez um textão no facebook dizendo que estava cancelando de novo Vagabond… e soltou um spoiler que o Inoue (o Takehiko, não o Joe que dá beijo na boquinha) já havia assinado com outra editora.

Ontem tivemos a confirmação que a tal outra Editora é a Panini. Ou seja, enquanto a Nova Sampa estava lá de boa imprimindo um monte de Vagabond que atualmente são usados para forrar a gaiola dos papagaios da editora, a Panini estava por debaixo dos panos seduzindo o autor do mangá e já arquitetando uma traição. Ou seja, repetindo uma piada que já tinha feito numa outra matéria, o que João Kleber acha sobre a atitude de Takehiko Inoue sobre seu eterno mangá de samurai?

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Caso One Punch-Man

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O outro mangá anunciado pela Panini foi o sucesso One Punch-Man, afinal a editora tem um pacto de lançar sempre o que tá bombando nos animes ou que está em vias de ganhar uma animação de sucesso (já a JBC fica com a sobra tipo Gangsta transparente e Yu-Gi-Oh 8 anos depois da febre). Para você que chegou hoje no mundo dos otacos e não sabe o que é One Punch-Man, é um mangá sobre um homem muito sexy de cabeça raspada (afinal, homens de cabeça raspada são muito sexies) que queria ser um super-herói desde criança por influência da mídia, aí treinou tanto que hoje em dia derrota qualquer pessoa com um único fansub. Ou algo assim, estou meio confusa com o roteiro.

O mais engraçado é que One Punch-Man sempre foi muito citado em palestras e em eventos de anime… só que PELA JBC. Perdi as contas (talvez por ser de humanas) de quantas vezes Cassius Medauar, o editor do dragão, declarou que morria de vontade de publicar o mangá do careca, mas que o título não estava disponível para licenciamento.

Foi então que, de posse dessa informação, Beth Kodama organizou uma retaliação após a vergonha que ela sentiu ao anunciar Akame ga Kill no Anime Friends e logo depois ser AOMILHADA por Cassius Medauar e o seu anúncio transparente de Orange. Aí ela usou o truque do dinheiro infinito da editora e foi atrás do mangá favorito da concorrência.

João Kleber, o que você tem a dizer sobre One Punch-Man que preferiu ir pra Panini em vez de passar tórridas noites de amor transparente com Cassius Medauar?

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Até o próximo evento (que me autorizem a entrada).