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Autor de One Piece poderia aprender que menos é mais

31 jan luffy-one-piece-capa

As pessoas têm duas concepções sobre a galera que critica animes e mangás: 1- são pessoas que se acham infalíveis e 2- são pessoas que não mudam de opinião. Acredite, essas duas características não formam um crítico, e sim uma pessoa teimosa. E é com essa introdução que eu gostaria de conversar um pouco sobre meu sentimento atual com One Piece. No final de 2016 escrevi uma matéria sobre minhas piores leituras do ano e coloquei a saga do Oda lá e resumi minhas reclamações, mas acho que é hora de desenvolver um pouco mais o tema. Essa não é a primeira crítica do Mais de Oito Mil sobre One Piece, pois há muitos anos escrevi falando que achava o mangá bom (inclusive fui criticada por váááários leitores porque não disse que One Piece era ~FODÁSTICO~, apenas bom). Acredito agora que meu sentimento sobre o mangá mudou bastante pelo que ando acompanhando da publicação da Panini (que é a base da minha crítica, então não espere comentários sobre fases mais atuais), a ponto de toda vez que chega uma edição de One Piece em casa eu tenho me sentindo muito trouxa por ter assinado o mangá, a leitura segue como uma tortura e o prazer que já tive lendo a série está sumindo. O motivo? Bem, acredito que é porque o Oda é… “criativo demais”.

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Normalmente criticamos mangás e histórias que o autor é pouco criativo, mas nesse caso é o oposto. O excesso de criatividade do Oda é algo que prejudica um pouco One Piece. Inegavelmente o autor é um gênio, afinal ele mantém um título semanal há décadas com vendas colossais num ritmo que já estafou muitos autores. O Oda tem um conhecimento maravilhoso de quadrinização, de construção de história, de criação de personalidades distintas… mas em algum ponto de One Piece ele começou a exagerar muito quando viu que o bagulho tava dando certo.

Se fosse para chutar onde a coisa começou a desandar, eu diria que foi em Skypiea. Até aquele momento, quando o bando chegava em alguma ilha éramos apenas apresentados a poucos personagens, uma trama política leve e assim seguia-se como um shonen tradicional. Quando chegou em Skypiea, que se trata de uma ilha em que as regras não eram as mesmas dos outros lugares, o Oda embarcou numa vibe de sempre fazer os personagens chegarem em lugares cada vez mais bizarros e épicos para impactar o leitor.

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Odeio a forma como a palavra “épica” é usada hoje em dia pelos ~nerds~, mas é exatamente o que o Oda tenta fazer com cada arco. Saíram os vilarejos normais e entraram lugares em que as leis da física não funcionam mais. Tal qual um filme da Marvel, a cada ilha os personagens são apresentados a perigos que podem trazer o mundo a um colapso, mas que são resolvidos e logo avançamos para outra situação que nos faz esquecer da anterior.

O nível de absurdo e o design mais inventivo de personagens também segue crescente a cada arco. Os personagens foram ganhando proporções gigantescas de altura e atributos físicos, e os humanoides foram dando espaço para criaturas de tamanhos variados e de design cada vez mais complicado de distinguir. Antes fossem só os demais personagens, mas a proporção dos protagonistas é difícil de acompanhar: o Franky depois do time-skip nem ao menos cabe em quadrinhos pequenos ao lado dos outros personagens!

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E não só os personagens, porque cada ilha tem muitas ideias que Oda tira da cabeça e faz questão de colocar todas no quadrinho, sem qualquer filtro. E para a gente acompanhar, dá-lhe mais e mais textos expositivos explicando o funcionamento de tecnologias e do passado político de cada arco (muitas vezes com flashbacks que miram no drama e acertam as cenas cafonas de novela mexicana). O tempo para se ler uma edição de One Piece é quase o triplo do que levamos para ler qualquer outro tipo de mangá, pois é preciso ler muito texto e distinguir nos quadrinhos poluídos todas as ideias que o Oda achou que seriam relevantes para a história. Spoiler: muitas vezes não são.

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E mesmo os pontos positivos da história acabam jogando contra o Oda. Sim, é muito legal que tudo seja bem conectado, que um personagem X reaparece 400 capítulos depois numa posição importante, tudo isso revela um bom planejamento. No entanto, o Oda parece ser um acumulador de personagens, porque a cada novo arco são dezenas de pessoas que nos vemos obrigados a conhecer e distinguir porque eles podem ou não aparecer no mangá daqui alguns anos de publicação. Às vezes me pego rezando para acontecer um grande terremoto e matar 2/3 dos personagens (afinal, o que menos acontece nesse mangá é gente MORRENDO).

A sensação que tenho ao ler One Piece é que a Shueisha não tem nenhum editor que tem coragem de chegar no Oda e falar “migo, menos é mais” igual aos jurados do MasterChef quando algum participante queria colocar 27 ingredientes no mesmo prato. Sabe, fica difícil de apreciar o gosto da refeição se damos de cara com dezenas de estímulos. E por mais que venham aqui defender a genialidade do autor, não vai mudar o fato que as edições que a Panini está me mandando estão indo lacradas para a estante sem qualquer vontade minha de embarcar na história.

Os piores mangás que li em 2016

29 dez piores-2016-capa

Pronto, ontem já fiz minha boa ação do ano. Já falei bem de autores estrangeiros, brasileiros, já estimulei o mercado nacional, agora é a hora de vestir aquele chifrinho de diaba (que eu tô guardando pra ficar em casa no próximo carnaval vendo Netflix) e anunciar quais foram as piores leituras de mangá que tive esse ano. Não quero mais falar bem, quero poder criticar todos os mangás que fizeram as viagens de ônibus serem mais sofridas e as filas de espera mais longas. IKIMASU para os piores mangás que li em 2016!

Especial Rurouni Kenshin – Tokuitsuban – Versão do Autor – & Knuckles (JBC)

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Um belo dia, Nobuhiro Watsuki deve ter recebido uma ligação da Shueisha (não foi Skype porque sabemos que ele é avesso a aparecer): – Watsuki, dá uma pausa aê no seu mangá do Frankenstein que ninguém dá bola e escreva uma releitura de Samurai X valendooooo. E assim, munido provavelmente de impaciência, falta de memória e vontade de corrigir trabalhos corridos do passado, Nobuhiro Watsuki fez uma tragédia em forma de mangá de dois volumes. Essa tal versão do autor, lançada na Grande Nação Japonesa para aproveitar o hype do filme live-action, é uma atrocidade com traço ruim  e leitura travada (sério, ler aquilo de uma vez vai te causar sérios problemas psicológicos). Samurai X é um mangá legal (mas com defeitos visíveis), a Sakabatou de Yahiko é aceitável, Busou Renkin é bem mediano e, por fim, a versão do autor de Samurai X que a JBC lançou esse ano não deveria ser usada nem para forrar a gaiola do seu papagaio.

21th Century Boys (Panini)

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Ano passado lembro de ter mencionado que eu não tava curtindo muito o desenvolvimento de 20th Century Boys. Pois então, rolou um time-skip e as coisas mudaram esse ano, porque o mangá foi ladeira abaixo em questão de qualidade. Que chato isso de um avanço no tempo estragar com algo que tava legal, né? Aliás, o 21th Century Boys é particularmente ruim, superando as tranqueiras da reta final do 20th Century Boys concluindo a história do jeito mais absurdo possível e enfiando um antagonista que o autor tirou obviamente do cu. Como se não bastasse isso, a Panini ainda fez uma puta pompa para anunciar 21th Century Boys como se fosse um título ineditão, sendo que nada mais é que o final de um bagulho que tinha perdido a mão já no terceiro time-skip.  Vocês não me enganam mais, nunca mais caio nessa coisa de “o Urasawa tem mangás sem enrolação” depois de 20th Century Boys.

One Piece pós-Time Skip (Panini)

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Vou relembrar o que falei no post de ontem: eu não acompanho nem anime direito porque não curto dublagem japonesa e também não acompanho por scans, então o que estou falando aqui é sobre o que a Panini já lançou. Eu gostava de One Piece e achava a história legal e tudo mais (mesmo que os fãs tenham me apedrejado porque eu falei que One Piece era apenas bom, e não a nona maravilha do mundo). No entanto, depois do time-skip o mangá começou a ficar bem difícil de acompanhar. Na verdade é um problema que eu vinha percebendo desde meados de Water 7: o Oda é uma pessoa muito criativa, e cria coisas muito criativas. O problema é que ninguém bota um freio nesse homem, e ele quer colocar todas as coisas criativas no quadrinho para mostrar o quanto ele é criativo. E isso faz com que a arte de One Piece seja extremamente poluída. Somada ao fato que ele usa poucas retículas, cada quadrinho de One Piece é garantia de três laudas de texto explicando as sandices criadas pelo Oda e mais cidades, figurantes, animais, personagens e tudo mais num grande Onde Está o Wally. Isso porque nem tô falando da anatomia péssima dos personagens femininos (nem é apelativo, é torto mesmo). Fora que a história sempre está ficando cada vez mais épica para nos surpreender com os *DOOOOON* que já nem sentido mais está fazendo. É botar um flashback com algum personagem otário morrendo que todos os leitores já querem canonizar o autor. One Piece está muito complicado, uma pena.

Henshin Mangá #2 (JBC)

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Não sei se foi problema de curadoria falha ou se foi pelo nível dos trabalhos esse ano, mas a antologia dos vencedores do BMA da JBC foi de uma tristeza sem tamanho repleto de histórias bem ruinzinhas nas quais só uma ou outra se salvam. Pior do que ver as histórias claramente ruins foi ver os jurados sempre elogiando e justificando as coisas com as mesmas referências de “se inspirou em Akira Toriyama” . Por sorte pelo menos um dos jurados levou a premiação a sério e teceu críticas decentes aos quadrinhos que eles publicaram.

One-Punch Man (Panini)

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Eu fui enganada pelo hype e não tenho vergonha de assumir. Comprei o primeiro volume de One-Punch Man e achei meio mediano, e deixei de lado. Reli o volume antes de decidi comprar o dois e, naquele dia, achei graça das coisas, aí comprei. Fui comprando os volumes até que me perguntei o motivo de continuar lendo aquilo, afinal eu não tava entendendo o propósito daquilo. Como piada, o negócio parou de funcionar pela repetição. Como ação, o mangá é ruim justamente porque está preso na piada que foi repetida à exaustão. Não digo exatamente que é um mangá ruim, como já falei de outros títulos, apenas acho que não é pra mim que não fico contemplando a arte do desenhista e nem acho graça de um humor repetitivo.

E esses foram os piores do ano pra mim. Como tudo é questão de opinião, é normal que você ache esses títulos maravilhosos ou tenha odiado os que sugeri. Depois de constatar essa obviedade, agora o Mais de Oito Mil entra de recesso e volta só no ano que vem, até mais!

Guia 2016 das piores fanbases otakas do Brasil

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O Mais de Oito Mil não tem uma matéria que atrai ódio gratuito dos leitores desde a problematização da objetificação feminina em Nanatsu no Taizai, e sinto muito falta de gente me mandando tomar no cu nos comentários. Tentando conseguir algumas mensagens de fúria, decidi inaugurar um post anual para incomodar o maior número possível de otacos, e assim nasceu o Guia das piores fanbases otakas do Burajiru! Basicamente é um guia listando as fanbases mais insuportáveis do ano vigente. IKIMASU ver quem tá bem e quem tá em queda esse ano?

#10 – Saudosistas de TV Globinho

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Se você usa a rede social Facebook, em algum momento já deve ter dado de cara com um saudosista de TV Globinho. Os saudosistas são pessoas que normalmente estão presas nas memórias da década anterior. Como estamos nos anos de 2010, os nostalgistas dos anos 90 já perderam espaço para uma galera que lembra da TV Globinho como o principal estandarte do anime no Burajiru, mesmo sendo uma fase horrível em que a emissora passava apenas tranqueiras do Fox Kids, Dragon Ball Z cortado e um Digimon com ELA na abertura:

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Alguém avisa pros otacos saudosistas que essa época não era boa? Obrigada.

#09 – Evangelion

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Estamos em 2016 e ainda temos gente pagando pau pra Evangelion. Eu perdoo por exemplo o Silvio Santos ser fã da série, mas ainda temos gente que se shippa com a Rei. [Decidi cortar uma parte do texto depois do comentário da leitora @miyamoris_ que achei bem pertinente]

#08 – Love Live

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Além de ser uma comédia que não tem graça e ter músicas que te farão preferir ter o ouvido perfurado por uma kunai, Love Live também é responsável por ter uma das mais insuportáveis fanbases do ano, mesmo sem muitas novidades envolvendo a série. Mas isso não importa, e sim que o público composto por homens que acham super de boa dormir com travesseiros enormes representando as personagens idealizadas desse projeto absurdo. [Vale a pena ler o comentário da leitora @miyamoris_ sobre um outro lado dessa fanbase que acabei não colocando aqui]

#07 – One Piece

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Mantendo uma chatice que perdura por algumas décadas, os fãs de One Piece são aquelas pessoas que não aceitam críticas no mangá favorito deles. Você pode falar que o Oda faz uma poluição visual tão grande que leva 8 minutos para entender cada quadro, mas aí eles falarão que é um jogo de estimulação cerebral feito pelo Oda. E ai de você se falar que uma saga é chata, porque aí você vai ouvir textões dizendo que nada em One Piece é inútil e que tudo será conectado no final.

#06 – Yokai Watch

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Uma nova fanbase está surgindo no Burajiru e já começa a irritar profundamente. Formada basicamente por pessoas que querem curtir um anime de monstrinhos colecionáveis, mas que são diferentões para curtir algo popular como Pokémon, a fanbase de Yokai Watch é quase uma religião com pessoas dedicadas a te converter à sua crença. Mesmo que isso envolva jogar games que não venderam muito e assistir a um anime que está escondido na programação de um canal da Disney.

#05 – Cavaleiros do Zodíaco

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Preciso mesmo explicar?

#04 – Dragon Ball

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Esta fanbase estava apagadinha nos últimos tempos até que acabou o dinheiro da reforma da casa de praia do Akira Toriyama e ele decidiu autorizar a produção da continuação oficial da saga com Dragon Ball Super. Agora temos uma fanbase insuportável que vibra a cada semana com o desenrolar rocambólico de um anime que almeja usar todas as cores da paleta de pantone para criar novas transformações e vender novos bonequinhos, mesmo que com a desculpa de um roteiro furado e sem qualquer carisma.

#03 – Jojo

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Jojo tem décadas de existência, vários jogos legais clássicos e tal, mas a fanbase brasileira de Jojo nasceu quando ouviu pela primeira vez o mantra SONOCHINOSADAMEEEE. Desde então, animação tosca é chamada de “estilosa”, roteiro cheio de furos é chamado de “empolgante” e qualquer palestra com editora não é reconhecida pela organização nacional dos otacos se não houver alguém delusional que pergunta as chances de vir esse mangá datadíssimo e longo para o Burajiru.

#02 – Panini

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Muito acima dos apreciadores de papéis, dos defensores dos honoríficos e do fã-clube do Cassius Medauar (que é praticamente a Inês Brasil dos otacos no quesito memes), a fanbase da Panini é composta por pessoas insuportáveis e com uma visão relativa das coisas. A Panini lança com melhores preços? Sim. Ela tem uma qualidade superior? Também. Ela tem títulos que agradam mais pessoas? Sim. Para a fanbase, no entanto, isso já é o suficiente para idolatratem qualquer coisa publicada pela multinacional. Se inventarem de lançar Jojo naquele formato horrível de Super Onze, espelhado, com onomatopéias francesas escritas à mão pelo Bruno Zago e com o logotipo escrito em Comic Sans mesmo assim teremos gente defendendo a Panini como se fosse o time do coração.

#01 – Pokémon

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Se tem uma fanbase que nos irritou profundamente nesse ano de 2016 foi a fanbase de Pokémon. Os fãs desse negócio já irritam normalmente em qualquer época por adorarem o competitivo dos jogos (que nada mais é que um monte de frescura que a Nintendo tira do cu para agradar pessoas que curtem ficar horas chocando ovos em busca do IV perfeito), porém agora em 2016 rolou o lançamento de Pokémon Go e a fanbase foi ressuscitada. Agora todo lugar que você olha tem pessoas querendo ser modernas postando que o grande sonho da vida delas é ser treinador Pokémon, mesmo que isso signifique capturar dezenas de vezes o mesmo bicho para evoluí-lo num jogo beta. E correndo por fora ainda tem as viúvas antigas que não aceitam gostar de algo infantil, e ficam torcendo para que a franquia tenha algo mais “seinen” (como, sei lá, uma fanfic com o Ash num futuro distópico e que com certeza será aprovada pela Nintendo).

Problematizando a transfobia em One Piece

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Assim como Naruto nas bancas brasileiras, a seção Problematizando aqui do Mais de Oito Mil já garantiu um espaço para voltar sempre. A repercussão do primeiro post sobre a objetificação das mulheres em Nanatsu no Taizai foi muito maior do que eu imaginava! Foram milhares e milhares de leitores que refletiram sobre as coisas que escrevi (ou que simplesmente prefeririam ignorar qualquer argumento coerente e me chamar de petista mal-comida pra baixo). Mas mantenho a seção viva, até porque o que não falta é mangá com coisa a se problematizar. Inclusive o queridinho da Shueisha, o gigantesco One Piece.

One Piece é uma obra de personagens estereotipados com muitos “mas”. Quer exemplo? As personagens femininas têm seus atributos avantajados para agradar ao público jovem punheteiro da Grande Nação Japonesa, MAS elas são construídas com uma boa profundidade e o Oda já deixou bem claro que as mulheres são tão importantes quanto os homens. Outro exemplo: assim como vários personagens, os homossexuais em One Piece são extremamente caricaturizados de forma quase ofensiva e sempre afetadíssima, MAS também ganham profundidade e se colocam num mesmo grau de importância dos protagonistas (vide o maravilhoso Bon Clay que sempre tá lá sambando na cara dos personagens com sua indefectível saia bufante e penteado atrevidamente exótico). Mas, afinal, há um problema com isso? Bem…

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Uma coisa que existe no mundo e poucos percebem é que não sabemos como entender a dor alheia. Por mais que eu me esforce, nunca saberei entender o peso de algo racista pelo motivo que não sou uma pessoa negra. E com isso eu acabei quase caindo numa cilada e achando que One Piece era o topo da representatividade da sigla LGBT nos mangás shonen porque… né, o Bon Clay é maravilhoso e a Emporio Ivankov é uma transexual fodona. No entanto, me surpreendi ao ver que meu ponto de vista estava errado.

Curiosa para saber como era a aceitação dos personagens não-heteros entre os leitores da série, acabei caindo numa discussão no Reddit perguntando a opinião do pessoal LGBT sobre os personagens de One Piece. Quase toda a totalidade de gays, lésbicas, bis etc se mostrou favorável à eles, principalmente ao Bon Clay. Mesmo apontando os estereótipos e as caricaturas (aquelas pernas cabeludas formam uma imagem de zombaria… Além de falta de Veet), o Bon Clay chamou a atenção por ser apenas um personagem bom, carismático e forte que por algum motivo é gay (ou seja, sua orientação não é tão importante num primeiro momento). E quando eu achava que os personagens não eram problemáticos, pessoas trans surgiram lá na discussão e desmistificaram a ideia que a Iva é alguém tão inclusiva assim.

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Antes de começar o papo, aviso que o post tem spoilers de coisas irrelevantes que não vão estragar a sua leitura de One Piece. E também alerto que estamos julgando One Piece apenas pelos primeiros 60 volumes, que é o que foi publicado no Burajiru pela Panini. IKIMASU problematizar.

A Iva é uma personagem fortíssima em One Piece, pareando-se com outras pessoas muito poderosas no mundo dos piratas. Seu poder, além de ter o visual chupinhadíssimo de Rocky Horror Show e se safar sem levar uma intimação judicial, é conseguir manipular hormônios. Ouseje, é capaz de mexer em seus próprios hormônios e nos alheios e preparar mudanças de gêneros com uma rapidez maior que a do Togashi ao encerrar o arco final de Yu Yu Hakusho. Além disso, ela consegue fazer o corpo das pessoas combaterem toxinas mortais e outras regalias desnecessárias como o poder de inflar seu cabeção apenas para o Oda abusar de páginas duplas.

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Mas como uma personagem tão maravilhosa pode ir de um exemplo de representatividade a alguém que aparece nas problematizações do Mais de Oito Mil? Bem, perceba essa cena que aparece logo na apresentação da personagem:

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Para você que não entendeu (talvez porque o traço do Oda é meio poluído mesmo), tem esse homem que quer vingança. Eis que Iva usa seus poderes e transforma o homem numa mulher contra a vontade dele. “mas Mara, eu não vi nada de grave nessa cena” é o que alguns leitores estão pensando, então vou usar um outro exemplo. Numa situação que não vou explicar os detalhes por motivos de spoilers, o mulherengo Sanji acaba indo parar no reino da Iva que é uma ilha apenas com pessoas LGBT. Daí que todas elas saem correndo desesperadamente atrás de Sanji querendo pega-lo, botar um vestido nele etc. Você pode argumentar que é só humor, mas um lado muito perverso está por trás disso.

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Lembra da discussão no Reddit que falei ali em cima? Bem, a moça argumentou que embora Iva seja uma personagem forte e positiva na série, ela não ajuda em nada a ajudar a combater os preconceitos e as dúvidas que a maioria das pessoas tem a respeito das trans. Ela ate contou que quando contou para seu amigo a respeito da própria mudança de sexo, o colega otaku falou “ah, então você vai ser que nem a Emporio Ivankov”. Além de ser retratada como uma caricatura até mais bizarra que as outras caricaturas da série, a Iva ainda alimenta essa ideia que as pessoas têm de que as pessoas LGBT são desesperadas para converter os outros para seu mundo, como se não houvesse respeito pela orientação e identidade das pessoas. Não se esqueçam que não há nada mais frágil que a masculinidade, pois parece que ela pode ser destruída por quase tudo aparentemente.

Isso quer dizer que a Iva deveria surgir em One Piece fazendo panfletagem sobre transexuais e dar uma aula no meio do mangá? Claro que não (embora ela tenha um discurso bem legal sobre gêneros em sua primeira aparição), mas se deve ter muito cuidado para não perpetuar algumas idéias erradas não-intencionalmente, escrever sobre minorias oprimidas exige cuidados sim.

E podemos estender a falta de cuidados ao retratar as pessoas trans até mesmo na tradução feita pela Panini. Ao contrário do inglês e do japonês, o português usa gêneros nas palavras, e a Panini ainda tratou a Iva como “o travesti” ou “o travecão” em vários momentos:

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“Mas Mara, sua blogueira que não está seguindo a língua culta, eu encontrei esse post aqui de 2008 do UOL falando que o correto segundo o dicionário é O TRAVESTI”Então, não sei se você sabe, mas a nossa língua é beeem preconceituosa. A própria definição de “travesti” apresentada nessa matéria é bem escrotinha: “Homossexual que se veste e que se conduz como se fosse do sexo oposto”. Assim como você gosta de ser chamado pelo seu nome correto, pela sua arroba do Twitter ou pelo apelido que usa num fórum de animes falido, todo mundo deveria ter o direito de ser chamado da forma que acha melhor, e as travestis preferem o artigo feminino.

Claro, essas falas mostradas ali em cima são de vilões, então entende-se que não há a necessidade de respeitarem o artigo feminino porque tá aí na função de ofender mesmo, mas por outro lado em momento algum há algum personagem “do bem” falando da forma que as travestis preferem ser tratadas. E nem vou avisar que travesti não tem nada a ver com transexual porque não tenho conhecimento da língua japonesa pra falar se o termo estava no original ou se foi colocado na tradução brasileira. De qualquer forma, o responsável foi bem irresponsável no uso da palavra.

Isso tudo quer dizer que eu acho que One Piece deva ser censurado pela Shueisha e o Oda ser queimado em Marine Ford? Claro que não, mas não mata ninguém você ter um senso crítico para se abrir a problemas que você não enxerga porque é algo longe da sua realidade. O Oda tem um espaço incrível e sabe fazer personagens ótimos, além de ser bem intencionado, então apenas espero que ele não cometa esses erros em volumes futuros.

Pequenas Picaretagens, Grandes Negócios – Fã imprime mangás em português de forma caseira e vende pela net

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E aí, minna, tudo bem? Nesses trocentos anos de vida tokuanimangástica já vi muita coisa relacionada a pirataria: grupo de fãs dizendo que tinham os direitos de lançar DVD de Evangelion no Burajiru, empresa de grande porte que sustentava uma lojinha de DVDs usando vídeos de fansubs e até mesmo uma máfia dos sites de legendagem que enchiam o cu de dinheiro e que atacavam qualquer pessoa que fosse contra, mas confesso que essa novidade que vou contar neste post é algo que supera até a escola Mineirinhooo de picaretageeem: agora temos mangás físicos pirateados!!!!!!!

Confiram com carinho esse anúncio que me mandaram por inbox:

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Quando olhei, a primeira coisa que pensei é que alguém havia hackeado o sistema da Panini e roubado os arquivos digitais do novo lançamento, ou então que alguém distraiu a editora Beth Kodama com deliciosos Melona (não julgo, eu também seria seduzida por um sorvete desses) e que conseguiram usurpar provas de gráfica de One Punch-Man antes de chegar nas bancas. Mas não: o gênio pegou os mangás de scans, imprimiu numa gráfica e agora está vendendo ao mesmo preço que os mangás das editoras, só que com uma suposta qualidade melhor. IKIMASU ver a tal qualidade melhor?

Embora julgar esse cara como um completo mau caráter seja uma estratégia muito comum aqui no Tribunal da Internet, acho que devíamos nos perguntar se ele é inocente antes, né? Às vezes é apenas um pobre imbecil que não tem o menor conhecimento do que significa direitos autorais, não é mesmo? Acontece nas melhores famílias, tipo as de um famoso político que comanda um canal de televisão especializado em exibir animes que ele baixou na Net.

Bem… pensei nessa hipótese do desconhecimento dos direitos, até ver ISSO:

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QUE MALEMOLÊNCIA ARGUMENTATIVA, MINNA!!!! Tive que me segurar para não sublinhar todas as frases maravilhosas que ele usou, indo desde a ameaça por ter pai e mãe advogados (logo devem estar acima da lei, da ordem e dos direitos autorais) até a revelação de que tudo isso é apenas um truque para chamar a atenção das editoras, que não responderam suas sugestões de títulos nem ao menos com uma resposta automática.

Mas, como eu disse, pode ser apenas que ele não sabe que existem editoras brasileiras que têm os direitos sobre determinadas obras, o que impossibilita que ele publique na sua gráfica particular. No entanto, essa hipótese também desaparece quando vemos ISSO:

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O que foi esse Ewerton revivendo o meme do quadro de namoro do Melhor do Brasil dizendo “hoje não, Faro” para a Beth Kodama e para os empresários da Panini que são os donos dos direitos de One Punch-Man?????? E para termos certeza que tudo isso não é uma interpretação equivocada deste verdadeiro Robin Hood dos mangos, confira ISSO:

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PUTA QUE PARIU, ELE TEM UM KEIKAKU!!! ELE TEM UM KEIKAKU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (mil exclamações de Atena)

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Aguardo os próximos capítulos dessa incrível cruzada de Ewerton Gonçalo contra as editoras que não ouviram suas sugestões de títulos, e agora serão punidas com mangás de qualidade (afinal, pagar pelos direitos, pela tradução e todas as coisas é para os fracos). Será que no jikai do próximo episódio veremos a sombra do Processinho-Kun?

O que o DVD de Ultraman e One Piece têm em comum?

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Hoje em dia temos que tomar cuidado com tudo o que falamos, certo? Uma vez, por exemplo, citei que uma certa emissora provavelmente não tinha os direitos autorais para exibir uma certa produção japonesa (talvez porque às vezes chegava a aparecer o menu do DVD na tela). Como resultado, recebi um gentil email do dono da emissora meses depois pedindo que a matéria fosse tirada do ar. Pois bem, recentemente uma empresa aí lançou um box de DVD com a série Ultraman, e algumas pessoas me mandaram mensagem pelo Facebook falando “olhalá, Mara, o lançamento é piratão!!!”.

Obviamente eu não posso sair por aí fazendo uma matéria acusando a empresa de fazer algo assim. Ainda mais uma empresa que lançou diversos produtos nostálgicos nos últimos tempos, como um box de Caverna do Dragão (curiosamente as legendas são iguais às encontradas na Internet e o áudio não tem a abertura dublada, que foi exibida pela primeira vez no Burajiru anos depois quando passou no Gloob) e várias outras séries japonesas consideradas clássicas. Por mais que exista material para acusar a empresa, principalmente porque os direitos do personagem estão em disputa judicial entre duas empresas há tempos, acho que o melhor que podemos fazer é expor o comentário de alguém que comprou, não é mesmo?

Com vocês, o relato do comprador Marcelo Del Greco:

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Com essas informações, já posso responder a pergunta do título da matéria: o DVD de Ultraman e One Piece têm em comum… um lançamento bem ruinzinho aqui no Burajiru

Será o fim de Fairy Tail?

30 mar

Em cumprimento ao decreto de número 246951-000, fica aqui avisado que o Mais de Oito Mil (MdOM) vai fazer como todos os outros sites da imprensa especializada (pff) e criar um post muito relevante sobre o último capítulo do anime de Fairy Tail. Tal qual todos os outros blogs que estão cumprindo este decreto, o título da postagem do MdOM trará um texto ambíguo, para que o leitor fique em dúvida sobre a possibilidade ou não do fim deste anime. Com esta postagem, reitero aos leitores o meu compromisso de manter-lhes bem informados, não importando a completa falta de relevância da notícia. Obrigada. (Mara, autora do Mais de Oito Mil).

Oi, minna, tudo bem? Só se você odiar Fairy Tail, porque todos os amantes do Natsu, da Aya Hirano Lucy e dos outros personagens divertidos desse anime inusitado acordaram com o coração em luto. Isso, o anime chegou ao fim, mas uma tela final encheu os fãs de expectativa:

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Será que volta? Será que não volta? Vamos descobrir em breve. O mangá é publicado no Brasil pela Editora JBC.

#OnePiece15years – As 5 melhores pautas de One Piece

4 ago

Oi pessoal. Aqui é o kareshi da Mara dando uma forcinha porque ela está adoentada. Ela me deu instruções para fazer esse post, então aproveitem. A ideia para o post veio dessa imagem do grupo de fansub Piece Project:

A Mara pediu pra eu fazer um ranking das pautas mais legais que One Piece teve no blog, porque assim ela poderia reaproveitar pauta antiga. Eu usei a busca do blog e encontrei quatro pautas interessantes para comemorarmos o aniversário dessa série que eu gosto bastante.

#5 – Incêndio na Toei

Um post sem graça que a Mara fez quando estava sem pauta, provavelmente. Leia por sua conta e risco clicando aqui. (Ela vai me matar quando ver o post)

#4 – Glossários da Panini

Nesse post ela reclamou do tamanho do glossário da Panini. Eu concordo um pouco com ela, o tamanho do glossário de One Piece está exagerado. Às vezes eu sinto como se estivesse lendo um mangá com o Ruben Edwald Filho explicando as coisas pra mim do meu lado. Leia o post aqui.

#3 – Escalando o elenco do filme

Véi, até hoje eu rio de quem ela escalou para o Going Merry. Esse eu acho que vale a pena, kkkk. Clique aqui.

#2 – Discussão sobre Shonen

A Mara fez uma discussão sobre se mangás shonen são só para meninos e ficou bem legal. Você pode clicar aqui e ver o post.

#1 – Análise de One Piece

Só faltou ela receber ameaça de morte por causa desse post. Ela fez uma análise de One Piece depois de ler as minhas edições e falou umas verdades. Eu acho One Piece muito legal mas a Mara apontou umas coisas interessantes. Clique aqui para ler.

Amanhã a Mara já deve estar melhor, até mais!

Mais de Oito Mil Interview – Entrevistando o pessoal do JBox

12 set

Olá minna! Eu estou muito animada com os entrevistados de hoje. Vou dar uma dica para ver se vocês adivinham! Um gosta muito de Final Fantasy VII e o outro gostaria que a abertura de DNA² estivesse em Inuyasha. Ainda não descobriram? Eles cuidam do melhor site informativo da interwebs do Burajiru, na minha humilde opinião (falando de humildade que nem o Netoin). Mais dica? A entrevista aconteceu no flat de um deles, que tem uma vista para o mar e dezoito criadas louras de olhos azuis e corpinho violão. Querem mais dic… o que foi, produção? Ah, já tá escrito no começo da entrevista quem são os entrevistados?

Então IKIMASU para o papo com o Tio Cloud e o Larc Yasha do famoso site Jbox.

Mara- Vamos começar com a pergunta mais fácil, valendo cinco mil reais em barras de ouro que valem mais que dinheiro: como surgiu o Jbox e por que vocês quiseram entrar na imprensa especializada (pfff)?

Tio Cloud- O JBox surgiu em 2002 com o nome Japan X (eita criatividade ¬¬) e na época 99,9% dos sites sobre animação japonesa não se preocupavam em passar informações pro público, focando-se sempre em disponibilizar algo que estava engatinhando na época: downloads de episódios de animes. No máximo botavam notícias control c + control v do Animepró e somente. Muitos desses sites inclusive se recusavam a trocar links conosco, pois o Japan X era considerado inferior por não possuir downloads – logo não teria muitas visitas – pois se focava apenas em matérias sobre produções exibidas no Brasil. O site foi crescendo e depois mudamos de nome para OrbitaX (Comentário da Mara: HAHAHAHAHA que nome ridículo) (não ria, pois depois eu vendi o domínio pra um canadense e faturei horrores =P), que fechou em pouco tempo quando fomos perdendo o gosto por escrever. Depois o Larc foi tocando o barco sozinho com um blog que na época despertou a ira de uma certa empresa de eventos por falar verdades. Esse blog e o conteúdo que tínhamos armazenado (matérias) deram origem ao JBox que está no ar até hoje. Infelizmente o foco nas matérias foi caindo por simples falta de tempo para escrever e isso foi dando lugar às noticias – conteúdo rápido e que exige menos pesquisa, já que algumas matérias (acreditem) demoravam semanas pra ficarem prontas.

Larc- Então… O Cloud respondeu tudo sozinho (que falta de graã… ¬¬). Só não mencionou que eu puxava o saco dele achando que ele escrevia muito bem (HAHAHAHA) e comecei a colaborar com o Japan X e dessa nossa interação diária no MSN nasceu uma amizade. O estilo do site me despertou a atenção pelo jeito despojado, leve e de bom humor – parecido com o de uma revista chamada Japan Fury. Como não tinha p*rra nenhuma pra fazer, ficava catando animes na internet pra ver e fazer matérias com um teor cáustico diferente das revistas que entupiam as bancas naquela época. Sempre pensei que o nosso jeito de escrever era um diferencial atraente pro negócio. Pra que ler na internet matérias insossas do mesmo jeito que tinha nas bancas? Hoje nossas rotinas são mais “adultas” (temos que trabalhar pra pagar as contas!) e o pique e inspiração pra escrever (ou mesmo ver animes) é outro…

Mara- Vocês se diferenciaram por usar humor nas notícias, além de suas próprias opiniões. Já excluindo o Mais de Oito Mil, muitos outros sites tentaram copiar o estilo de vocês?

Tio Cloud- No princípio o site era muito, mas muuuuito anárquico. Adorávamos (e adoramos!) falar mal da Patrulha, do papel dos mangás daquela editora e da feiúra da Rumiko Takahashi, o problema é que tinha gente que tomava as dores desse pessoal – chegamos a receber muitas ameaças de processo, inclusive por parte de um funcionário da Patrulha. Fora que nosso jeito descontraído fazia com que o site não tivesse muita credibilidade para muitos – algo que acho totalmente sem sentido, mas viviam dizendo isso. Mas não ficamos “mais sérios” porque decidimos, foi acontecendo aos poucos. E hoje o JBox ainda dá pitacos em uma coisa ou outra, mas não chama uma leitora de gorda feia e sem amigos (ei! @_@) como já fizemos inúmeras vezes – ela merecia. Acho que ninguém, além de você, seguiu esse caminho de “escrachar para conscientizar”.

Larc- Acerca desse nosso humor, me lembro de um fuzuê que fãs de tokusatsu fizeram porque maculamos os sagrados Goggle Five por eles usarem armas tronchas (um bambolê, uma fita de cetim, a bola do Kiko…) na hora da batalha e os monstros terem retardo mental. Aliás, nossas matérias de tokusatsus sempre pisam no calo de algum nerd tetudo que se esqueceu que muitas coisas que curtiram na infância se tornaram datadas. Se o Jbox tivesse uma sede própria, acho que essa galera viria com enxadas e tochas pra nos matar (ou fazer assistir uma maratona do Machineman sem parar, o que é equivalente =P).  O engraçado é que, se por um lado a galera das antigas se sentia chocada por apontarmos os defeitos especiais dessas produções, a galera mais nova (leia: geração Pokémon) ficava com curiosidade de assistir pra constatar se o troço era ruim mesmo. Involuntariamente, acabamos “apresentando” o tokusatsu pra muita gente – que acabou gostando do negócio.

Mara- Já peço desculpas pelo nervosismo, é que sou uma grande fã do trabalho de vocês. Se pudesse eu compraria até camisetas e action figures do Tio Cloud e do Larc, e isso serve para a próxima pergunta: vocês ganham algum dinheiro com o Jbox?

Tio Cloud- Como você é falsa ¬¬. Bom, não ganhamos nem um centavo e acredito que ninguém que escreva sobre animes na Internet ganhe – a não ser que você venda DVD pirata no seu site. Infelizmente, além das editoras de mangás, praticamente não existem empresas que trabalhe regularmente com produtos orientais no Brasil, ou seja, se não há mercado não há patrocínio. E se levarmos em consideração que as editoras não acreditam no potencial de sites informativos – tanto que lançam coisas e não colocam nem nos sites das próprias – esperar ganhar algo com isso é utopia. Seguimos o lema “fazemos porque gostamos”. Aliás, o site só está no ar porque temos uma parceria com o Portal Sonic que nos cede a hospedagem, caso contrário é bem provável que já teríamos fechado as portas há muito tempo.

Larc- Tem gente que acha que vivemos do JBox. O pequeno Jiba, nosso primeiro colaborador e escravo, tentou viver do Jbox e adquiriu raquitismo. Só pra não dizer que não temos “receita”, aqueles anúncios do Submarino rendem uma comissãozinha que a cada 6 meses dá pra rachar e comprar um Trident de hortelã =). Portanto, cliquem nesses anúncios pra comprarmos um MC Lanche Feliz =(.

Mara- Vocês sempre têm notícias em primeira mão da Rede TV, e já chegaram a comentar que possuem diálogo com a emissora da Daniela Albuquerque. Vocês fizeram algo de útil com os animes na Rede TV ou a ajuda de vocês foi tão valiosa quando a do CavZodíaco na Band?

Tio Cloud- Na época em que a Elisa Ayub (a mulher que saracoteou e convenceu as esposas dos donos a investir em Pokémon) era a gerente de aquisições do canal tínhamos um diálogo aberto com eles. Inclusive quando o Tv Kids estava em alta queriam um desenho no mesmo estilo de Pokémon e obviamente indicamos Digimon – só que eles foram lá e compraram o 4 ao invés do primeiro… Na mesma época ofereceram One Piece e vieram pedir nossa opinião, mas tinham receio pegar algo da segunda temporada pra frente, pois Pokémon já tinha virado uma bagunça. No mais, montamos grades, fizemos algumas coisinhas. Só que, infelizmente, nem a própria Elisa tinha muito poder em cima do que podia ser feito, pois existia uma gana por números e poucos recursos pra alcançá-los (Comentário da Keila Lima: Quero deixar um beijo para a produção, que trabalha muito, com pouco recurso, doze horas por dia…) Assim não tem santo que ajude… Depois ela foi pra Band e o bloco virou o que está no ar hoje, sem investimentos – a última estréia, Yu-Gi-Oh!GX vai fazer um ano no ar mês que vem. A realidade é que, mesmo muita gente oferecendo produtos bacanas (a Toei que o diga…), eles não têm dinheiro pra comprar. Se nem os salários estão conseguindo manter em dia (mas o helicópteros dos donos são indispensáveis), imagina comprar desenho animado. Simples assim.

Larc- No final do ano passado nos perguntaram se o longa Ghost in the Shell seria algo legal pra passar num TV KIDS especial de Natal. Olha o nível de informação deles… Dissemos que não e indicamos várias outras opções, como produções do Miyazaki. No final não compraram nada…

Mara- Vocês, por trabalharem nesse meio há anos, devem ter acompanhado a trajetória do anime no Brasil. Para vocês, o que é que falta para os animes engrenarem de vez assim como o mercado de mangás? Mais um revival de Cavaleiros do Zodíaco e Sailor Moon?

Tio Cloud- Apesar do choramingo de muitos quando um Naruto vira “modinha” é isso que falta pro mercado de animes no Brasil sair desse estado de coma: “modinhas”. Cavaleiros, Pokémon e Dragon Ball Z foram manias que desencadearam a vinda de outros títulos e investimentos no gênero. O problema é que, com o “politicamente correto” tomando conta da televisão brasileira (no que diz respeito à programação infantil, pois no resto está cada vez pior), as animações japonesas passaram a ser mal vistas pelos executivos de tv e empresários. E com os canais diminuindo cada vez mais seus horários pra programação infanto juvenil, o anime tende a se tornar cada vez mais um nicho. Uma pena, já que esse tipo de produto é feito para a massa. Reviver produções que deram certo pode ser interessante pros nostálgicos, mas é sonhar demais achar que isso irá aquecer o “mercado”.

Larc- Sinceramente, acho que não dá mais pra engrenar anime algum no Brasil. A Toei, por exemplo, insiste em trabalhar com One Piece da 4Kids. E essa série (uma das poucas com potencial pra emplacar se exibido de forma decente) retalhada é impraticável para conquistar o público. Talvez se as produtoras viessem pro Brasil e se preocupassem em entender como funciona nosso mercado, como é nossa audiência, eles pudessem evitar gafes como exibir aquela versão americana troncha de Dragon Ball KAI. O mercado parece não ter “confiança” nos animes mais. Ou você vê produtos dos Super Onze nas lojas?

Mara- Vocês têm um bom relacionamento com os outros grandes sites de notícias da imprensa especializada? Ou alguma vez algum site fuleiro foi até o seu servidor pedir que vocês excluíssem suas menções a notícias “deles” que, na verdade, foram traduzidas de sites americanos e não creditadas? Interpretem como quiser.

Tio Cloud- Temos um bom relacionamento com todo mundo da “impresa especializada”, principalmente os que são humildes e sabem que anime e manga é apenas diversão. Mas já tivemos problemas sim com um certo site e começou ao darem um Control c + Control v em uma nota sobre a estréia de Desert Punk na MTV e, quando fomos reclamar, nos mandaram ir cuidar da nossa vida – com essas mesmas palavras. Cuidamos tanto que nos tornamos espelho (quase que literalmente) pra eles. Também já quiseram nos fazer dar crédito por informações retiradas de site de impresa de canais pagos – as quais qualquer um que finja ser jornalista (como nós) tem acesso – com direito a piquetes e campanhas pela net. Coisas assim, mas nada que nos tire do sério. Mas hoje acredito não há mais problemas, ao menos por nossa parte. Não temos tempo (nem idade) pra ficar dando birra.  Hoje em dia acredito que os blogs brasileiros de animes (não vou citar nenhum, pois são taaaantos) é que estão se destacando nesse quesito de conteúdo informativo, e às vezes leio coisas que digo “puxa, como queria publicar algo assim no JBox”.

Larc- Existe imprensa especializada de animes no Brasil? Imprensa que precisa correr atrás das empresas para anunciar as coisas cujo público alvo é a audiência do site? Já tomamos chamada por “não termos divulgado” certas notícias. Cadê o pessoal da comunicação e marketing pra formatar o material pra ser divulgado? Tudo tem um limite.

Mara- A maior diferença entre uma sub-celebridade da mídia e uma sub-celebridade otaku é que essa última não aceita piada. Por usarem do humor nas notícias, vocês já feriram o ego de alguém?

Tio Cloud- Somos bonzinhos e amiguinhos de todos, mas existe um certo dublador que acha que tem que fazer o Silvio Santos em seus trabalhos  que sei que não gosta da gente – nem me pergunte o motivo (Comentário da Mara: Minha mãe dizia que se uma pessoa tem problema com várias pessoas, geralmente o problema é com ela). Mas acho que não me vem mais ninguém à mente.

Larc- Tem fã de tokusatsu que acha que trabalhamos pro Satã Goss. Sabemos também que há pessoas que nunca vimos na vida que gratuitamente falam mal da gente nos “bastidores” do mercado porque falamos que a armadura do Sharivan é de isopor (e não é mesmo?). Como o Cloud disse, tem até certos dubladores que não vão com nossa cara por motivos que não temos a menor noção! Fora as ameaças de processo por falar o que pensamos e que nos eventos vendem DVDs pirat… Ops! De divulgação =). Além claro, da rixa enigmática que certos blogs possuem contra nosso trabalho. Se a notícia saiu no Jbox e é de interesse geral da “nação otaku”, tem gente que nem divulga. Puta profissionalismo esse não acha? O mal do brasileiro – otaku ou não – é não aceitar críticas e se acomodar com sua condição de mediocridade na vida. E quando se apontam falhas, há pessoas que acham que estamos incitando a opinião dos outros a ser negativa. Existem otakus pensantes e não pensantes: os pensantes vão conferir o negócio e avaliar com seus próprios parâmetros e conceitos se algo é bom ou ruim. Já a outra categoria absorve as opiniões alheias e replicam idéias ignorantes sem sequer ter pegado ou visto um produto. Mas uma coisa é certa: se muitos concordam com a crítica, porque não buscar uma alternativa para melhorar? Eu encaro minha vida assim…

Mara- Vamos terminar essa entrevista. Além de darem uma palavrinha para os leitores do Mais de Oito Mil, vocês dariam que dica para quem quer começar um site de notícias? Pode ser dica errada também, para afastar uma eventual concorrência.

Larc- Ter um site de notícias é relativamente fácil: copiem tudo do Anime News Network. Dos gringos não precisa dar a fonte (hihihi) e dos brasileiros, seria educado para que depois não venham com “tire o conteúdo copiado, pois a notícia que está no site da Turner ou da HBO foi vista por nós primeiro”. Hahahaha…

Tio Cloud- A dica de ouro o Larc já deu. Pra finalizar gostaria de agradecer tanto a você pela oportunidade (não publique que pagamos, ok? Fica em off…), quanto aos nossos fiéis leitores que nos acompanham pela paciência. E aproveitando, também precisamos agradecer aos nossos grandes colaboradores Allena, Gustavo Martins, Jibinha, Leo, Le, Kuroi e Laura que compartilham informações através do nosso site, seja com matérias, reviews e outras coisitas. Palmas pra eles (porque dinheiro que é bom, não podemos dar XD).

(Fonte das imagens: Google)

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Top 5 de Vergonha Alheia do Anime Friends 2011

2 maio

Oi minna! Enquanto você fica aí curtindo o verão da Europa, nós do Burajiru somos obrigados a aproveitar o inverno com um dos eventos mais tradicionais entre a fauna otaku: o Anime Friends. Acontecendo anualmente durante todos os anos desde 2003, o Anime Friends surgiu como uma alternativa inovadora ao já desgastado Animecon e trouxe inovações como a presença de artistas internacionais como Akira Kushida e Hironobu Kageyama.

Hoje, oito anos depois do primeiro evento, as inovações viraram arroz e feijão e o evento ganhou um status de circo, só que o único palhaço é a pessoa que vai. Tentando buscar esse público que pode ter abandonado o evento (talvez por ter se cansado da qüinquagésima visita do Kageyama no Burajiru), o site oficial jogou no ar as atrações desse ano. E eu digo… é uma coisa mais vergonhosa que a outra. A pauta ficou tão rica que eu consegui fazer um top das cinco atrações mais vergonhosas do evento… e olha que o site promete atualizar com mais coisas!

Então vamos parar de mandar pra mim a pauta das armaduras dos Cavaleiros do Zodíaco em tamanho real e IKIMASU ver o top daquelas recalcadas das atrações desta grande festa:

5º Lugar: Bandas

Além dos parentes, dos “fãs” e de pessoas que sadisticamente gostam de ouvir versões cover ruins de cantores profissionais, QUEM assiste os shows amadores do Anime Friends?

4º Lugar: Palestras de gosto duvidoso

Além de usar uma montagem para divulgar as palestras, o Anime Friends, o evento que se diz amigo de todos e das empresas da área, vai promover bate-papos com pessoas que legendam e traduzem animes e mangás e que distribuem gratuitamente pela internet.

É uma puta hipocrisia assumir que ninguém acompanha as coisas através de métodos escusos de download de conteúdo seguro por direitos autorais, mas escancarar as coisas assim também… só a Yamato.

3º Lugar: Ingressos

Eu não vejo um absurdo tão grande desde que os fãs começaram a achar sentido profundo e filosófico em Asarotte no Omocha. Que preços irreais são esses, minna? Você paga 30 reais pra ficar numa aglomeração?

O que eu acho mais interessante é que, como um evento supostamente cultural, o Anime Friends deveria oferecer meia entrada para estudantes. Ou não?

2º Lugar: Lerê-Lerê

E o segundo lugar  é o tipo de funcionário que vemos nos eventos. Embora eles deixem bem claro que o negócio não é remunerado no campo de seleção de mão de obra, você acha justo isso?

Você pagaria 30 reais por UM ÚNICO dia de evento sendo que nem os staffs recebem dinheiro para trabalhar? Você confiaria sua segurança num evento desses? E, detalhe, a imagem que eles usam para ilustrar os staffs são os Lemmings, aqueles bichinhos sem cérebro que você manda e eles obedecem.

1º Lugar: Teatro Cosplay

Chegamos no Top da Balada! Existindo apenas para saciar o ego de cosplayers que gostam de aparecer, os Teatros Cosplay só existem para vermos adaptações mal feitas e com gosto de humor semelhante ao Zorra Total. Se você ainda não se convenceu da Vergonha Alheia embutida nisso, confira o vídeo de Preview da apresentação desse ano:

Zoar otaku não pode, mas zoar Restart, Crepúsculos etc…

O ingresso é um olho da cara, mas a Vergonha Alheia vem de graça.

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