Tag Archives: Guilherme Briggas

Grande Debate – Tradução de Mangás

30 maio

Oi minna! Estão prontos para mais uma seção do blog que eu invento e não levo pra frente que nem a Experiência Mais de Oito Mil? Bem, o Grande Debate funciona da seguinte maneira: eu vou expor um tema polêmico do mundo da cultura mais rica, aí coloco o reloginho na tela e vocês comentam como se não houvesse amanhã nos comentários sobre a questão. Aí eu invento depois alguma maneira de mostrar como foi esse debate em outro post.

Depois de explicado, é hora de soltar a vinheta!

Tô tão orgulhosa dessa vinheta… bem, vamos pro tema de hoje, que é TRADUÇÃO.

Um dos posts mais visitados do Mais de Oito Mil foi o da minha briga com o Guilherme Briggs por causa da história da tradução de Fairy Tail. Se você não lembra, vou refrescar a sua memória.

A Editora JBC lançou o mangá Fairy Tail e convidou o talentosíssimo dublador Guilherme Briggs para traduzir essa grande obra do cânone da Grande Nação Japonesa do inglês. Muitos reclamaram da tradução ter sido feita do inglês ao invés do japonês, mas para isso eu tô cagando. O meu problema foi que o dublador, naquele jeito irreverente e divertido que cativa as multidões, inseriu nos diálogos algumas piadas próprias que não estavam no original, além de colocar gírias bem regionais no mangá. E quando os fãs foram reclamar, ele foi bem pragmático: “As pessoas deveriam se abrir para aprenderem novas gírias. Nada como um recurso discursivo que você joga o seu problema na pessoa que te acusa, né minna?

O problema do talentosíssimo dublador, que acha que fazer a voz do Sílvio Santos em todos os personagens é igual a fazer comédia, é que ele está mexendo na obra original do autor. Não que o Hiro Mashima tenha feito uma grande obra e que mereça ser respeitada, mas ele é o autor e não colocou os personagens falando gírias ou referências.

Quando entrevistei o Marcelo Del Greco, além de assumir a culpa pela pintura das zebras, ele falou bastante sobre adaptação de quadrinhos da Grande Nação Japonesa. Ele disse que os fãs reclamaram de Fairy Tail porque não teve anime antes, porque Ranma ½ teve um anime cheio dessas irreverências e ninguém reclamou que elas estavam no mangá. Em um ponto ele está certo, pois nunca vi uma pessoa reclamando das gírias e piadinhas do mangá de Yu Yu Hakusho (talvez porque só um ou outro tenha reclamado). E olha que se você torcesse o mangá como um pano de limpeza sairiam escorrendo citações às pegadinhas do João Kleber e bordões do Zorra Total.

A Editora JBC acabou conseguindo uma “marca” de tradução, que segue uma linha um pouco mais solta. Os honoríficos (aquelas coisas de –san, -kun, -chan) quase não são usados, até porque o Burajiru não costuma usar isso em sua fala normal, e os personagens falam com uma coloquialidade que seria a menina dos olhos de ouro dos livros do MEC (alguns “você” viraram “cê”).

No outro extremo, encontramos a editora Panini. A editora que entope mensalmente nossas bancas com mangás tem uns costumes um pouco diferentes de traduções, como, por exemplo, o uso de todos os honoríficos (aqueles negócios que expliquei no parágrafo anterior. Se você se esqueceu o que é isso, bata sua cabeça oito vezes na parede enquanto grita “Eu preciso de um cérebro maior”) e de um nível de adaptação quase ZERO no mangá, ou seja, eles colocam todas as referências japonesas e depois colocam uma notinha no final do mangá explicando aquilo.

Para exemplificar o estilo de tradução e adaptação das duas editoras, pegarei um mangá que não foi lançado no Burajiru (Omamori Himari, que não faço a menor idéia do que se trata) e mostrar uma mesma página duas vezes, uma com a tradução da JBC e outra com da Panini.

***

Cada um dos estilos tem seus pontos positivos. O estilo JBC tenta fazer os mangás falarem português, eliminando coisas que são desnecessárias para a nossa leitura e adaptando as coisas para deixar engraçado para quem tem uma cultura bem menos rica. Já o estilo da Panini segue fielmente o estilo japonês e é uma excelente maneira de se conhecer a cultura da Grande Nação Japonesa.

E sobre os contras? Os personagens na JBC fazem mais citações a Chaves e ao Pânico na TV que eu faço da Luisa Marilac, e isso pode parecer estranho pois sabemos que os personagens do mangá não assistem esses programas lá (mas a Marilac é conhecida no mundo inteiro, principalmente na EuroPÁ). E a Panini é tão fiel, mas tão fiel que acaba restringindo um pouco o mangá a um público bem fechado, que não estranha as referências e honoríficos. Lembro uma vez de emprestar o mangá pra uma amiga não-iniciada e ela me perguntar se –kun era o sobrenome dos personagens. Eu me pergunto, isso é realmente necessário? Não se pode só colocar o nome e/ou sobrenome?

Bem, agora o momento Capitão Planeta, em que o poder é de vocês. Espero que todos os quatro leitores desse blog discutam nos comentários a seguinte pergunta:

“Vocês são #TeamJBC ou #TeamPanini? Ou nenhuma das duas? Afinal, como vocês gostariam que fossem as traduções de mangás no Burajiru?”

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Luto Oficial de Mais de Oito Mil Dias – A Morte da Álamo

12 maio

Minna, vocês devem ter percebido em suas conversas de MSN que todos estão usando um avatar negro de luto… o que foi? Não tem NINGUÉM de luto no seu MSN? Bem, o que importa é que algo muito importante para os fãs de anime do Burajiru vai acabar esse mês, e não estou falando da reputação do SR Moacyr. Sim, minna, depois de décadas de serviços e desserviços prestados, os estúdios da Álamo vão fechar.

Não é boato e nem especulação, a fonte é mais confiável que Times New Roman. Vejam o que deu no twitter do dublador do personagem mais querido dos animes:

Então a Álamo vai fechar suas portas, depois de 40 anos de bons serviços. Não sou daquelas que vai em enterro pra ficar falando bem do morto, como se ele virasse santo após ir dessa pra uma melhor. A Álamo teve vários bons serviços mas também tinha seus problemas, e os fãs de anime sabem disso. Muitos dubladores se recusavam a dublar lá, ocasionando trocas de vozes, e muitas vezes a tradução parecia que tinha sido feita pelos estagiários dos sites informativos que pegam notícia do Anime News Network.

Mas, mesmo com todos esses problemas, temos que lembrar com carinho da Álamo, que pode ter morrido pela incapacidade administrativa de seus donos ou pela concorrência agressiva que estúdios pequenos e incapazes que dizem que produzem o mesmo por um preço muito abaixo do mercado. Resta então fazer a homenagem final à Álamo, porque…

…lá foram gravadas frases memoráveis

 …frases líricas que surgiam no meio de nossas tardes com nossas mães na sala

…um estúdio que sempre respeitou as vozes originais dos personagens…

…que só dublava animes de extrema qualidade

…e que sempre tinham traduções 100% fiéis às originais.

Um lugar com gente bonita trabalhando…

gente bonita

…e mais gente bonita

raaaawr.

Mas também um estúdio em que trabalhavam pessoas super profissionais que não usam os fãs como massa de manobra

…e que foi o estúdio paulista que aceitou esta GRANDE ESTRELA DA DUBLAGEM INTERNACIONAL para gravar uma ponta nos Cavaleiros do Zodíaco.

Descanse em paz!

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Mais de Oito Mil Interview – Descobrindo quem pintou as zebras com Marcelo Del Greco, o Editor da JBC!

3 maio

Finalmente alguém tomou vergonha na cara de fazer uma imagem decente para a seção de entrevistas… O que foi? Já começou?

Oi minna! Aqui quem está falando é a Mara e estou muito emocionada com a entrevista que teremos hoje. Mostrando mais uma vez que só sei copiar as pautas de entrevistas do Jbox, hoje traremos um bate papo muito divertido com Marcelo Del Greco. Se você não tem idade para saber, ele escrevia para a revista Herói e hoje é o Editor de mangás da JBC, aqueeeela editora que publicou Fairy Tail. E você acha que fiquei com o rabo preso de perguntar tudo o que eu queria? Será que finalmente vamos descobrir quem pintou as zebras?

Então preencha a coluna do meio e IKIMASU ver o papo com Marcelo Del Greco!!!

 

Mara: Primeiro queria agradecer à entrevista, Marcelo Del Greco, e dar os parabéns pelos 10 anos de mangás da Editora JBC. A minha primeira pergunta é essa: qual é a função de um editor de mangás? Pergunto isso porque precisamos saber em quem botar a culpa quando vemos algo errado.

MDG: Obrigado pelos parabéns e eu que agradeço a oportunidade. Sempre gosto de ter esse tipo de oportunidade de explicar e esclarecer como a produção de mangás na JBC é feita. Inclusive, mantenho aqui o convite para você vir conhecer a editora. Quanto à função de editor, ele basicamente edita o texto. Ok, antes que você diga “ah, vá!”, vou explicar um pouco melhor (Comentário da Mara: Ah v… maldito Marcelo, mal pude ver seus movimentos!). No caso dos mangás, o editor é responsável por dar fluência ao texto, saber qual linguagem usar para cada título – e em cada mangá, para cada personagem –, adaptar para o português o que ainda for necessário para que o texto fique compreensível em nossa língua e por aí vai. Além disso, ele também é o responsável por juntar todas as informações captadas pelos demais departamentos da JBC – o que inclui pesquisas em eventos, cartas, e-mails, etc… – para saber o que os nossos leitores querem ler e fazer a seleção final dos mangás que serão pedidos. E, para o bem ou para o mal, ele seria a quem você poderia culpar.

Mara: Sabemos que você foi parar na JBC depois de todo seu trabalho na imprensa especializada na época da revista Herói. Como vocês faziam para arranjar pauta numa época em que não tinha o Anime News Network pra copiar notinhas?

MDG: Na verdade, arranjar pauta naquela época era muito mais fácil do que hoje. Como até então praticamente nunca tinha existido uma revista como a Herói, nós tínhamos, além de Cavaleiros do Zodíaco e Power Rangers, todas as séries japas – incluo aqui tanto animes e mangás quanto tokusatsus – para fazer matérias. Isso sem contar filmes, séries, quadrinhos e desenhos americanos e afins. É curioso que, até então, praticamente não havia registro de que muitos desses programas haviam passado aqui no Brasil. Então o que não faltava era pauta, difícil mesmo era arrumar imagens para as matérias. A maioria era feita com material que eu e os demais colaboradores já tínhamos guardado, coisas de colecionadores como livros, revistas importadas e tals. Mesmo material de Cavaleiros era osso de achar. Passei muitas tardes sentado no chão de livrarias e sebos na Liberdade caçando qualquer imagem. Depois da Herói, já na JBC, dei continuidade a esse trabalho na Henshin. Com ela pudemos pela primeira vez entrevistar astros japoneses de seriados, autores de mangás, diretores de animes. Isso foi algo que ninguém tinha feito antes. 

Mara: Tá, Cavaleiros do Zodíaco tem um espaço reservado no seu coração, todo mundo sabe disso. Mas, agora depois de mais velho e experiente, você ainda gosta disso MESMO?

MDG: Mas claro que sim! Cavaleiros já alcançou status de clássico, ele está além de qualquer crítica. Claro que qualquer um sabe que a história tem várias (Comentário da Mara: VÁRIAS), digamos, escorregadas. Mas até isso é divertido em Cavaleiros, tipo como o Cássius chegou na Casa de Leão sem ter enfrentado nenhum Cavaleiro de Ouro… ou mesmo a Marin e a Shina, que conheciam um atalho ainda melhor do que o do Cássius para chegar na sala do Grande Mestre…

Mara: Era mais difícil licenciar mangá quando vocês eram uma editora sem histórico ou agora que a Panini pega tudo de todo mundo?

MDG: A dificuldade é a mesma. Para convencer uma editora japonesa a licenciar determinado título não basta só você oferecer uma mala de dinheiro (Comentário da Mara: Mas isso já dá uma ajudada legal, né?). Eles querem saber como a série vai ser trabalhada ao longo de toda a sua publicação. Então é algo que envolve vários detalhes. É preciso montar um grande projeto. E para que ele seja aprovado leva-se um bom tempo, em geral até dois anos de negociações dependendo da editora. Foi assim que conseguimos mangás como Fairy Tail, Lost Canvas, Evangelion, Code Geass, Rosário + Vampire, Death Note… Fora os que ainda não anunciamos ainda para este ano.

Mara: Lógico que eu não deixaria de fazer algumas perguntas sobre Fairy Tail. Qual foi a repercussão das críticas feitas pelos fãs à tradução do primeiro volume?

MDG: Geralmente, quando um mangá muito famoso é lançado oficialmente no Brasil, algumas críticas podem acontecer por conta da chamada memória afetiva das pessoas. Ou seja, se alguém teve contato com alguma outra tradução, geralmente usada em algum scanlation ou feita por algum fansubber, acaba tomando aquela tradução como a que deveria ser seguida (Comentário da Mara: Fã é mesmo um saco, né Marcelão? Até hoje tem gente me mandando mensagem pedindo pra divulgar que cortaram o “Aye” do Happy quando isso nem tinha no original.). Mas é importante lembrar que esse conteúdo baixado na internet não é oficial e por isso mesmo nem poderíamos segui-lo. Nós sempre ouvimos os leitores e toda a crítica. Desde que tenham propriedade e coerência (Comentário da Mara: E Otaku tem coerência desde quando?), são muito bem-vindas. Além disso, estamos sempre abertos a receber novos tradutores. Se tiver alguém interessado pode entrar em contato com a gente para vir fazer um teste e, quem sabe, fazer parte de nossa equipe.

Mara: O Guilherme Briggs falou que a culpa das gírias não foi dele, e sim da editora. Afinal, quem pintou as zebras? E o que você tem a dizer sobre adaptação de mangás, no geral, para o português?

MDG: Bom, oficialmente quem pintou as zebras foi Deus… assim como Ele fez com as onças, os tigres… (@_@!) Mas no caso de Fairy Tail, fui eu (Comentário da Mara: TÃ TÃ TÃÃÃÃÃÃÃÃ… Ah, isso foi a música do Dramatic Chipmunk.). Mas, veja bem, na JBC trabalhamos em equipe e até chegar ao texto final um mangá passa por várias mãos. Começa pelo tradutor, vai para o nosso Tradutor-Chefe – no caso o Oka, que fala japonês fluente e que tem um grande conhecimento sobre animes e mangás –, vai para o editor, passa por revisão, batemos todas as emendas, fazemos uma revisão final para, então, finalmente o mangá ser liberado para ser impresso. E em qualquer uma dessas etapas pode haver alguma modificação. Voltando ao caso das zebras, quando fazemos qualquer adaptação para o português sempre procuramos deixar o texto solto e compreensível na nossa língua e isso inclui o uso de uma linguagem mais próxima do nosso cotidiano (Comentário da Mara: Lembrando que a expressão das Zebras está uns 20 anos longe do nosso cotidiano.), com algumas eventuais gírias – desde que empregadas no lugar apropriado e que não mudem o sentido da expressão na língua original. No caso das zebras, a piadinha não foge do contexto e deixa, em português, a fala mais divertida – afinal, Fairy Tail antes de mais nada é uma comédia. Tenho uma teoria de que se Fairy Tail tivesse sido dublado primeiro não haveria reclamação. Não vou nem pegar o exemplo de Yu Yu Hakusho, que foi o primeiro anime a fazer uma adaptação mais diferenciada na hora que entrou em estúdio para ser dublado. Vou usar Ranma ½ como referência (Comentário da Mara: Minna, esse danadinho do Del Greco só tá usando o exemplo do Ranma ½ porque eu contei que me divertia com esse mangá.). Eu coloquei muito mais gírias nessa adaptação do que em Fairy Tail. Na verdade fui muito além, tem frases do Chaves, tem referências ao Pica-Pau e até o Ranma cantarola Sorriso Contagiante e ninguém nunca reclamou. Porém, Ranma foi dublado primeiro e depois veio o mangá (desconsiderando as edições lançadas pela Animangá). Se tivéssemos lançado o mangá antes da dublagem tenho certeza de que iriam reclamar. O que quero dizer que há dois pesos e duas medidas para criticar um determinado trabalho. Eu realmente busco levar para os mangás uma fluência de leitura que pareça com um texto feito para dublagem, para que o leitor possa imaginar os personagens com suas vozes e tudo mais quando estiver lendo – e isso mesmo para os mangás que não tiveram uma versão brasileira ainda. Veja, por exemplo, as dublagens do Pica-Pau ou dos desenhos da Pixar: todos tem uma adaptação brilhante para a nossa língua e sabem usar gírias perfeitamente. Veja o Chaves (Comentário da Mara: Olha, nem mexo com fã brasileiro de Chaves porque eles são os mais chatos que existem no mundo.), alguém acha que o Barbiroto em algum momento foi conhecido no México? Mesmo por conta de toda a pirataria que há na internet, temos de fazer algo que nos diferencie dela e essa adaptação é uma delas. Quanto ao Briggs, ele ainda tem um outro diferencial que é o fato de ele ser ator (Comentário da Mara: …e dublador, cantor, escritor, desenhista, dançarino, juiz de futebol, jurado de show de calouros, apresentador de stand up comedy…). Ele dá um bom ritmo ao texto e sabe usar bem a linguagem coloquial (Comentário da Mara: O filme do Yu-Gi-Oh traduzido e dirigido por ele manda lembranças!). Li muita besteira sobre ele tanto no caso de Tenjho Tenge quanto no de Fairy Tail e posso garantir que o Briggs é um cara supergente fina e um profissional exemplar (Comentário da Mara: Ô loco meu!). Se ele é amigo meu ou não pouco importa, desde que seja capaz de fazer o trabalho direito, cumprir os prazos… E veja você, tem gente por aí que vive criticando a nós e ao Briggs que chegou a ser convidada para vir trabalhar aqui e não topou. Claro que a pessoa teve os motivos dela, mas o fato é que ela não veio.

Mara: Na primeira edição há uma menção a Cavaleiros do Zodíaco em uma piadinha de um figurante. A Kodansha, que é a editora dona de Fairy Tail, tá sabendo que tem uma referência a um mangá da Shueisha/Akita Shoten?

MDG: Você guarda segredo?… Eu também ˆ_ˆ v (Comentário da Mara: Nessa pergunta, o entrevistado tirou 20 no dado e pôde se esquivar com maestria da pergunta.)

Mara: Atualmente temos vários volumes de mangás que estão esgotados e rendem uma puta grana em sebos. Vocês planejam reimprimir as primeiras edições de Sakura Card Captors e Love Hina ou apenas esperam que o preço dos volumes aumente para que vocês possam vender um estoque secreto a fim de cobrir eventuais gastos ou prejuízos da editora?

MDG: Na verdade essa estratégia faz parte de um plano bem maior que visa a conquista do mundo através de mangás supostamente esgotados e vendidos a peso de ouro no Mercado Livre.

Mara: A JBC ter pego Cavaleiros do Zodíaco e Evangelion da Conrad deve ter sido uma baita alegria. Esse sentimento foi parecido com a alegria da Newpop quando pegou Gravitation ou da Panini pegando o Air Gear do Oh! Great, que teve o outro mangá publicado pela JBC?

MDG: Acho errado dizer que a JBC pegou Cavaleiros e Evangelion da Conrad. O Lost Canvas e o Evangelion foram oferecidos para as editoras interessadas e cada uma enviou a sua proposta. Felizmente conseguimos ganhar esses dois grandes títulos (Comentário da Mara: A entrevista foi feita antes do anúncio de Gate 7 do Clamp na Newpop. CERTEZA que após ler a notícia, alguém da JBC deve ter jogado uma taça de vinho num quadro, numa cena bem teatral e dramática para expressar a raiva.).

Mara: O meio-tankobon é imposição dos japoneses mesmo ou apenas um truque para a editora ter mais volume em banca?

MDG: O meio tankobon foi uma maneira que encontramos para introduzir o mangá no Brasil. Por ser mais barato que o tankobon, ele era e é mais acessível (Comentário da Mara: Acessível? Cê viu o preço do meio-tanko hoje em dia???). Hoje as editoras japonesas preferem que todos os mangás sejam lançados em formato tankobon, mas, por uma questão de estratégia de mercado, lançamos alguns títulos em meio tankobon desde que seja permitido pelos japoneses. É uma maneira de ajudar o leitor a comprar mais mangás dentro do mês.

Mara: Sei que cada caso é um caso, cada contrato é um contrato, e que os lucros de um mangá podem ajudar em outros. Mas quero saber, você pode me dizer se teve algum título que teve um retorno bem abaixo do esperado?

MDG: Na verdade, não. Claro que há uma diferença entre as vendas dos mangás mais famosos em relação aos mais desconhecidos. Mas nenhum chegou a ponto de ter ficado abaixo do esperado (Comentário da Mara: Nem Yu-Gi-Oh???? Aí sim fomos surpreendidos novamente.). Pelo contrário, há alguns títulos menos conhecidos que venderam muito melhor do que o esperado.

Mara: Dizem que Love Junkies fez um puta sucesso no Brasil. Vocês colocaram o nome da autora no Macumba Online quando ela decidiu encerrar o mangá?

MDG: De jeito nenhum. Acho que ela acabou na hora certa. A história já não tinha mais para onde ir e se continuasse iria estragar. Claro que até hoje choro de saudades da Shinako e de seus grandes… olhos. *_*! (Comentário da Mara: E eu choro lágrimas negras da sociedade ao ler declarações como esta.)

Mara: A JBC também traduz animes a pedido de empresas. Vocês trabalham de graça que nem alguns fãs ou vocês cobram seus serviços e fazem um trabalho profissional?

MDG: Absolutamente profissional.

Mara: Falando ainda sobre fãs, suponhamos que a JBC traga algum mangá que tenha um grande fã-clube no Brasil. Vocês entram em contato com esses fãs para alguma ajuda?

MDG: Geralmente, eles é que entram em contato com a gente e sempre ouvimos a todos, mas o trabalho é todo feito internamente. Além disso, toda a equipe de mangás da JBC também é composta por fãs, então temos um conhecimento bem considerável sobre nossos produtos.

(Comentário da Mara: Por favor, que saia Sailor Moon pela JBC pra eu rir de certos fã-clubes por oito dias e oito noites!)

Mara: Que fim levou o mangá de Train Man/Densha Otoko que vocês prometeram há anos?

MDG: Então, é engraçado porque nós nunca dissemos que lançaríamos o Train Man em mangá (Comentário da Mara: Produção! Quem escreveu essa pergunta???). Alguém pegou a informação pela metade e deu como notícia, mas isso foi tomado como verdade e nos cobram até hoje. Nossa filosofia é só anunciar os mangás que já estão efetivamente com contratos assinados e com data de banca definida (Comentário da Mara: Conrad se revira de desgosto no túmulo neste instante). Antes disso nunca anunciamos nada. E, no caso do Train Man, temos os direitos do livro que deu origem ao mangá e por ser um produto de livraria seu processo de produção é outro. Ainda não existe data para seu lançamento, mas esperamos conseguir lançá-lo o quanto antes.

Mara: Você coordenou a tradução de Dragon Ball Kai. Sabendo que existe o meme “mais de oito mil”, por que vocês mudaram a frase clássica? Não queriam fazer propaganda do meu blog?

MDG: Foi isso mesmo. Depois que você tirou sarro (ou morreu de inveja) da minha camiseta do Inu-Yasha eu decidi me vingar e mudei a frase do Vegeta por sua causa… Ou seja, a culpa é toda sua… hehehe… Bom, claro que não foi por causa disso (Comentário da Mara: Será?). Sempre que pegamos uma série para traduzir para a dublagem, principalmente quando ela já teve uma versão brasileira anterior, sempre procuramos apenas corrigir os possíveis erros de tradução e manter expressões, golpes e frases consagradas. Posso dizer que foi uma dureza resgatar as falas do Kuririn de quando o Raditz chega na casa do Mestre Kame e as piadas do Sr.Kaioh no começo do treino do Goku. Resgatei também o Gohan chamando o Piccolo de Sr.Piccolo, que nem tem no original. E na hora que eu estava editando o episódio do “mais de 8 mil”, acabei editando a frase automaticamente porque ela é muito mal construída (Comentário da Mara: COMO OUSA OFENDER A SINTAXE DE UMA FRASE TÃO BRILHANTE??????). Só fui me dar conta quando eu estava lendo um fórum e vi um cara dizendo que ia ser muito sem graça o Vegeta falar a frase sem sua voz original. Quando eu me dei conta até liguei na BKS para alterar a fala, mas já era tarde demais. O episódio já tinha sido dublado e entregue. Pelo menos não mudei 8 para 9, como já aconteceu por aí, né?! Seria bem pior… ˆ_ˆ! Mas para compensar eu fiz não uma, mas duas homenagens a você em Dragon Ball Kai = )

Mara: Agradeço ao tempo que você gastou nessa entrevista. Gostaria de deixar uma mensagem de sabedoria para os leitores do Mais de Oito Mil? Ou pode ser uma dica de um futuro lançamento, tá valendo.

MDG: Eu que agradeço a oportunidade e estou sempre a disposição. Quanto a mensagem, pensei em dizer algo edificante como “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, mas deixarei aqui a sábia frase de Tio Patinhas em Ducktales “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”. Valeu!! ˆ_ˆ v (Comentário da Mara: essa frase foi uma indireta pra mim, produção? É isso mesmo?)

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Uma solução maneiríssima

20 abr

Só tem uma coisa que eu gosto mais que ver loja de sapato: ver uma empresa lançando um negócio porco. Afinal, o erro dos outros é a minha pauta, né minna?

Bem, vocês devem se lembrar daquela zona que foi o extravio de uma versão do novo Mortal Kombat semanas antes do lançamento lá em Manaus. Se não lembra, é só dar uma clicada aqui (Valeu Patty K!).

Então, depois de relembrar disso, vamos ver o que deu no site Uol Jogos: Hm, então a empresa se prontifica a lançar o jogo em português e lança algo com mais erros que um mangá da Savana? Bem, pelo menos eles vão lançar um patch (“remendo” na língua do Império do Capitalismo) para corrigir os erros gramaticais.

Um dos erros mais engraçados é a mudança de gêneros:

Então o Jax é mulherzinha? Por isso os meninos só escolhiam o Sub-Zero.

E no meio de tantos erros, a bem sucedida equipe do Uol Jogos achou mais algo a se reclamar da tradução: as expressões e gírias que não tem muito a ver com o que falamos na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.

Confira: E sabem o que é pior? É que olhe a posição da Warner quanto essas reclamações:

“A Warner informou por meio da assessoria de imprensa que está ciente dos erros e que lançará futuramente, em data ainda a ser definida, um patch para download que corrigirá os erros das legendas.”

Então, ciente de todas as reclamações a respeito da gramática, da ortografia e das gírias que desagradaram aos fãs, a Warner vai fazer um patch para corrigir isso? Dou os parabéns para a empresa, embora o correto seja não ter cometido o erro desde o começo. Mas já que cometeram, tudo bem, até porque português nem é a praia deles.

Aliás, já que é assim, eu quero saber

…cadê o patch para corrigir a tradução do meu Fairy Tail?

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Convite Constrangedor da Semana

4 abr

Depois de tentar mostrar o vídeo de um nerd lindo cantando a música do Mortal Kombat e ver que ninguém curtiu meu gosto para homens e nem minha sugestão, volto ao propósito do blog de mostrar tudo o que é ruim no nosso universo.

Você sabe o que é Kolors? NEM EU! É um grupo de dança que se apresenta em eventos. Legal como levar uma kunai no meio da testa, não é mesmo minna?

Bem, e esse grupo se apresentou lá no Anime Party, aquele evento decadente da Yamato, e para chamar os otakus para o evento, fizeram o convite mais sensacional do mundo.

Então aumente sua caixa de som e IKIMASU sentir esse constrangimento descendo lentamente pela sua faringe:

Não vejo tanta tentativa de fazer graça desde o vídeo do Guilherme Briggs anunciando a palestra do Anime Dreams

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Declaração de Amor e Ódio

29 mar

A leitora @rinaharo veio até meu twitter dizendo que no banheiro feminino da faculdade dela havia uma menção ao meu blog. Agradeço à leitora, que deve ter pagado o mico de fotografar uma porta de banheiro em sua faculdade. Sei que é uma atitude horrível, mas não via menção minha em banheiro de estudantes desde que me difamavam nas portas de banheiro do Ensino Médio.

Então, IKIMASU ver o que vandalizaram no banheiro feminino da Usp?

Eu até iria dizer que o próprio escreveu isso no banheiro, mas a leitora me falou que é ao lado de onde ensinam a língua da Grande Nação Japonesa.

E até as zebras sabem que essa é uma língua que o Briggas não tem proximidade.

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Guilherme Briggs ataca novamente?

30 dez

Fala o que quer…

Escuta o que não quer…

Sou rancorosa mesmo, tem problema?

***

[Dica do Leitor Fausto]

@maisdeoitomil

Vitória nossa no caso Fairy Tail?

10 dez

Aye! Tudo bem minna?

Você que é um otaku antenado e que segue as tendências da moda já deve ter lido sobre o barraco do caso Fairy Tail da JBC que nosso blog fez questão de espalhar por toda a Vila da Folha por todo o Burajiru. Se não ficou sabendo, é só clicar aqui para saber como começou e aqui para ver a briga que deu entre eu e o tradutor Guilherme Briggas.

Resumindo pra quem não quer encher de abas o seu navegador: a JBC traduziu o bagulho do inglês, chamou o grande dublador Guilherme Briggas para traduzir e ele entupiu o mangá com gírias indecifráveis que tornaram o mangá um estudo sociológico sobre a importância da diversidade giriática dos quadrinhos.

Lembrando disso tudo, eu recebo um email da JBC (era só newsletter, mas decidi ler). Aí veja o que mandaram:

Sugoi, o mangá fez sucesso e vai continuar na banca. Só que tem coisa que não faz muito sentido nisso.

Se o mangá fez sucesso, não seria mais LÓGICO já apressar pra botar a segunda e a terceira edição nas bancas? O negócio saiu em Outubro, e até agora não tivemos outra edição. E a JBC não lança um mangá sem ter uma boa frente já pronta, não é mesmo? Ela mesmo já disse que se leva uns 3 meses pra traduzir, montar e mandar pra gráfica, já imaginamos que Fairy Tail tinha muitas edições prontas.

MAS E SE

…a JBC visse que os fãs reclamaram MUITO da tradução logo depois do lançamento e que muitos inclusive falaram que não iriam comprar o mangá por esse motivo? Ela insistiria no Briggs ou… ATRASARIAM O MANGÁ EM TRÊS MESES PARA LANÇÁ-LO COM UM NOVO TRADUTOR?

Essa desculpa de sucesso não colou, JBC, então nos resta esperar até Janeiro para ver a segunda edição de Fairy Tail nas bancas do Burajiru. E eu digo uma coisa: se o mangá tiver com outro tradutor, faço QUESTÃO de vir aqui no blog elogiar o trabalho da JBC e ainda mandar um tweet de “Há, se fudeu!” pro Briggas.

Por isso, não percam o próximo e ÚLTIMO episódio de “FAIRY FAIL”, em Janeiro aqui no Mais de Oito Mil.

NÃO SAIAM DAÍ!

***

(@maisdeoitomil)

Vitória dos Otakus no caso Fairy Tail!

27 out

Minna, eu tinha prometido a mim mesma e a meu namorado que não ia tocar mais no assunto de Fairy Fail, principalmente depois que o pobre dublador Guilherme Briggas não recebeu muito bem a nossa campanha para livrá-lo do árduo trabalho de traduzir Fairy Fail e ter sua tradução deturpada pela editora viciada em gírias. Para você que acompanhou o barraco aqui e aqui, lembre-se que nada daquilo é culpa do Briggas.

Mas esse não é o assunto, minna! A bola da vez é que nossa campanha toda deu certo! “Legal, Mara, conseguimos fazer o mangá ser traduzido do japonês?”… bem… não. “Mas conseguimos tirar o Briggas da tradução, né?”… também não. “Que bosta conseguimos então?”. Algo MUITO melhor que tudo isso.

Feche o seu petition online e IKIMASU ver o que deu na Henshin:

A JBC quer saber minha opinião? QUE MARAVILHOSO! O Briggas ainda tá na tradução pra satisfazer os fãs de dublagem, e para satisfazer os otakus do Burajiru a editora deixou a nosso cargo a tradução de um termo que o Briggas não soube traduzir de extrema importância para o desenvolvimento de Fairy Fail. Afinal, não existe pessoas mais sensatas e ponderadas no mundo que os otakus do Burajiru.

Minna, fico muito contente que NÓS vamos decidir sobre esse tão importante termo, e não o editor do mangá que é pago para fazer esse serviço. Isso mostra o quanto somos importantes para a indústria, né?

Os maldosos vão falar que é tudo uma estratégia sórdida da editora para desviar a nossa atenção e nos fazer achar que estamos ajudando numa tradução ao concederem que escolhamos a adaptação para algo insignificante. Esses mesmos maldosos vão ficar falando que, já que o termo será escolhido por nós, é um truque para a editora não receber reclamação, pois se a gente que decidiu não vai ser a gente que vai reclamar. Como eu disse, tudo papinho de maldosos.

Porque eu acredito piamente na boa vontade da JBC

…e na do Papai Noel.

***

@maisdeoitomil

Saiba tudo sobre a brigga do Fairy Tail

20 out

Oi minna que me acessa desde sempre! Oi pessoal novo que descobriu meu blog por causa dos acontecimentos de ontem! Eu sou a Mara, e vou começar mais um episódio sobre os problemas na tradução de Fairy Tail, que vocês podem relembrar clicando aqui.

Recebi mensagens grosseiras de pessoas contra mim (ou seriam apenas a favor do Briggs?) e algumas até me acusaram de só aceitar comentários de elogios. Na verdade eu aceito todos os comentários porque sou uma pessoa que teve seu caráter formado pelas Diretas Já. Então nesse ritmo de eleição, decidi ser caridosa e deixar que o próprio Guilherme Briggs se defenda das acusações maldosas que fiz.

Guarde a sua tochas que você pretendia usar para queimar a casa do dublador e IKIMASU ver o direito de resposta do Guilherme Briggs… antes que esse dublador tão aberto a críticas delete a mensagem do Twitter:

Minna, eu me declaro CULPADA. Eu peço desculpas (só não vou ajoelhar) para o dublador Guilherme Briggas por ter falado as inverdades sobre a tradução dele. Ele falou que as gírias não são dele, e sim da Editora JBC. Então…

A CULPA É DA JBC!!!

A JBC que é culpada de colocar essas gírias sem pé nem cabeça coincidentemente nos mangás traduzidos pelo Guilherme Briggas, ou seja, Tenjo Tenge e Fairy Tail. Tudo não passa então de uma estratégia sórdida da Editora para DIFAMAR esse grande dublador que tanto contribuiu para o universo tokuanimangático do Burajiru! Mas eu sou esperta e glamurosa e percebi toda a conspiração e paranóia do capítulo de hoje!

IKIMASU ver mais declarações de Guilherme Briggas:

Tá certíssimo, Guilherme! Temos que deixar de lado essa coisa doentia e sombria de falar mal dos outros e nos unirmos contra a entidade do mal conhecida como Editora JBC! Porque essa editora fica difamando o dublador, dando a entender que ele é um maníaco por gírias em mangás. O que você tem a dizer sobre isso, Briggas-sama?

Certíssimo de novo, Briggas! Mangá não é entretenimento, mangá é coisa séria! E as pessoas deveriam ver o mangá como uma maneira de conhecer as gírias de todas as regiões do Burajiru: da praia de Copacabana ao morro da Cidade de Deus! Se você não gostou é porque você não entendeu, né mesmo?

Mas tendo em vista toda essa artimanha arquitetada pela Editora JBC, o que você sugere que façamos, Briggas? Queremos te defender desses malévolos que colocam gírias e traduções sem sentido em algo creditado a você!

Vocês ouviram, né minna? É hora de mostrar toda a força otaku nesse momento crítico! Todo mundo clicando aqui e mandando uma mensagem para a Editora JBC. Quero todo mundo aderindo à campanha:

Aguardo a movimentação do RH da Editora JBC.

Porque se alguém não quer vestir a camisa da empresa, tem quem queira!

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(@maisdeoitomil)