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Defesa do Consumidor Otaku – Editoras estão errando as lombadas dos mangás

7 abr

Outro dia estava no meio da minha aula da faculdade assistindo à Totalmente Demais no celular quando a porta da sala bateu. Um grupo de sete pessoas falou “professora, podemos dar um recadinho aí na frente? Coisa rápida”. Após a permissão da autoridade máxima da aula, o porta-voz do grupo começou:

– Sabemos que aqui nessa sala de aula está a Mara do Mais de Oito Mil, então queremos fazer um pedido para que faça um post reclamando do absurdo que a JBC cometeu na quinta edição de Orange.

Não fiquei surpresa porque eu sempre recebo mensagens sugerindo matérias com erros em mangás, afinal os otakus consideram aqui praticamente uma extensão do quadro do Celso Russomano adaptado para as otakices, com a diferença é que não sou sócia de uma televisão que envia emails ameaçadores a pequenos blogs quando eles questionam a procedência da exibição de animes cujos direitos são de outras emissoras.

E as reclamações envolvem todas as editoras. Como, por exemplo, o erro IMPERDOÁVEL que a Panini fez na capa de Berserk 9, em que a numeração da lombada veio numa altura diferente das demais e o nome do autor numa fonte menor. Realmente um absurdo:

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(a foto tá ruim porque roubei da internet, não coleciono esse mangá e muito menos Bleach que apareceu do lado)

Ainda pior que isso, a JBC ainda TEVE A PACHORRA de trocar a ordem do nome e do sobrenome da autora de Orange, deixando como no original japonês ao contrário do que foi feito nos volumes anteriores:

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(essa foto é da minha coleção mesmo)

E para não falar que sou injusta, vamos também enfiar a Conrad no balaio porque até hoje vejo diariamente na minha estante essa cagadíssima ilustração na lombada de Dragon Ball Edição Definitiva:

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Esses são apenas pequenos e desalinhados exemplos de um problema colossal para nós otakus. Estamos pouco nos fodendo para o conteúdo do mangá, o importante mesmo é que as editoras se preocupem em deixar as lombadas milimetricamente alinhadas para que nossas coleções fiquem lindas e sem afetar o nosso TOC.

Enquanto algumas editoras propõe recall para esse tipo de erro e outras ignoram, o correto seria apenas que elas prestassem mais atenção para que isso nunca acontecesse. E daí que eles precisam fazer cálculos e mais cálculos para saber como que a lombada vai ficar de acordo com a gramatura do papel, o mínimo que eles precisam fazer é oferecer um serviço de qualidade para que fique impecável em nossa estante. O que devemos fazer é inflar um Psyduck gigante e sair andando pela Liberdade dizendo que não queremos pagar esse pato.

Isso acontece porque nossas editoras são amadoras e aqui é um país de terceiro mundo. Se fosse nos EUA ou no Japão, nunca aconteceriam problemas assim numa lombada porque eles respeitam os leitores e não cometem erros primários como esses das editoras do Burajiru!

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#SomosTodosLombadas

Quanto custariam hoje os primeiros mangás publicados no Brasil?

22 mar

Não sei vocês, mas é um sofrimento muito grande chegar na banca e ver meus suados dinheirinhos indo embora quando compro aquela republicação requentada de um mangá meio tanko cuja edição original hoje se esfarela na minha mão. Olho aqueles preços acima dos 15 reais e penso “esse mundo está perdido, os mangás estão o olho da cara… bom mesmo era quando a JBC publicava coisas a 2,90, a Conrad a 3,90 e o brasileiro era feliz“. Embora numericamente seja uma crítica correta, será mesmo que aqueles 2,90 eram mais baratos que os preços atuais?

ISSO MESMO, MINNA. É HORA DE RESSUSCITAR A SEÇÃO MAIS PEDIDA POR TODOS OS LEITORES DESTE BLOG!!!!

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Que saudade eu tava desse Vegeta investigador. Assim como a moral dos cosplayers nos programas matutinos, a nossa moeda atual foi sofrendo desvalorização com o tempo, então o que era 2,90 lá em 2001 não significa o mesmo atualmente (vamos lembrar que o salário mínimo começou valendo uns 60 reais). Para fazer o cálculo de transformar o valor do passado em quanto custaria hoje, vou usar como base o conversor de moeda do Acervo do Estadão.

Embora o método não seja válido para conversões oficiais, ele dá uma boa ideia de valores ao comparar o preço antigo ao valor do Estadão na época e fazer a conversão para os valores atuais. E como mangá também é algo impresso, tá tudo na mesma categoria então podemos assumir que os valores são semelhantes. Ah, também vou explicar que todos os valores de mangás meio-tanko serão multiplicados por DOIS, assim fica o equivalente a um tanko inteiro que é a forma como os mangás são publicados hoje no Burajiru.

IKIMASU então fazer umas contas e ver se os mangás estão mesmo caros hoje em dia?

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Começamos com o Pokémon Quadrinhos publicado pela Conrad em 1999 aproveitando o anime e já começamos levando um tiro. Você acredita que esse mangá de 52 páginas custa OITO REAIS? E se fizermos as contas para transformar em um tanko equivalente ao original do Dengeki Pikachu, o valor vai para TRINTA E DOIS REAIS POR UM TANKO. Nossa economia era maravilhosa nos anos 90, não acham? Sorte que a internet discada impedia os otakus de xingarem muito no Twitter (que seria inventado sete anos depois).

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MEU KAMI-SAMA DO CÉU, como assim duas edições meio-tanko de Dragon Ball da Conrad custariam atualmente mais de vinte reais? Agora faz até bastante sentido por que a Conrad teve a ideia de dividir os mangás em dois para aliviar os brasileiros. E pior: na época era quadrinho barato, porque os da Marvel e DC custavam quase o preço de uma casa própria!

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A JBC entrou no mercado em 2001 lançando quatro mangás de uma vez: Sakura Card Captor, Samurai X, Guerreiras Mágicas de Rayearth e Video Girl Ai, todos com formato menor que o da Conrad e papel jornal (Rayearth era um pouco maior e um pouco mais caro pra ficar parecido com o original). Quem diria que aqueles 2,90 hoje em dia renderiam um tanko de quinze reais?

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E quando a Conrad decidiu lançar Evangelion, ela fez um formato bacanudo, papel legal e páginas coloridas nas edições ímpares. Pena que o luxo foi agregado ao valor, porque se fosse uma versão tanko o Evangelion custaria salgados VINTE E UM REAIS hoje em dia.

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A surpresa foi quando a Panini decidiu entrar no mercado de mangás lançando o sonífero e ultrashippado Gundam Wing num formato minúsculo que contribuiu para o aumento do grau de miopia em parte dos otakus de 2002. E o que dizer do valor? Bem, está compatível com os mangás de hoje, mas tinha uma qualidade sofrível…

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O valor mais justo continuou sendo aplicado nos lançamentos seguintes da Panini, Éden e Peach Girl (ambos canceladíssimos pela editora, e o primeiro foi ressuscitado por Cassius Medauar na JBC). Mesmo assim… meio carinho um mangá de quase quinze conto em sentido ocidental né não?

Vamos esquecer agora os meio tanko e partir pro tanko?

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O primeiro tanko brasileiro foi lançado pela JBC, que cobrou exatamente o valor de dois meio tanko. Convertendo para nossa desvalorizada moeda de hoje, vemos que o preço era uma pequena faca perfurando nosso coração enquanto um Mokona faz um cameo no fundo.

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Vamos para um dos primeiros tankos da Conrad (não foi o primeiro, mas é o que eu curto mais então XIU). A qualidade da edição e do papel se comparam ao que temos nos mangás de hoje, e coincidentemente o preço está quase igual também. Se Slam Dunk vier a ser republicado no Burajiru, capaz de sair até mais caro…

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Já um dos primeiros tankos da Panini tem um preço bem próximo dos atuais. E a minha edição comprada na época também está impecável até hoje, ou seja, se você quiser sofrer lendo a saga do Arima o negócio não vai soltar página na tua mão.

E como seria um mangá de luxo?

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Resumindo: nunca foi fácil ser otaku no Burajiru. E pelas contas, podemos até dizer que os mangás de hoje estão até um pouquinho mais baratos do que eram há dez anos. E se compararmos com os publicados no final dos anos 90, a gente tá é saindo no lucro.

No entanto, analisando os valores podemos ver que mangá sempre foi diversão para pessoas com melhores condições de valores aquisitivos. Mas aí já é outro problema.

Panini – Uma Empresa que Conhece seu Produto

9 mar

Lembram do meu post desabafo? Se não lembram, cliquem aqui.

No post eu reclamei que as empresas precisam conhecer bem os seus produtos. Eu disse que não adianta ficar dependendo de fãs, eles mesmos que precisam correr atrás e fazer um trabalho bem feito.

“Mara, sua gorda desmemoriada, você não falou essas coisas.”

Bem, o que importa é a intenção.

Depois de ver empresas que não conhecem seus produtos, fiquei muito contente com o que eu vi no Subete Animes:

A jovem Panini Panina Manina comprou sua edição do mangá que o Álcool do Carnaval não permite que eu me recorde o nome e achou a impressão em preto e branco das páginas que originalmente eram coloridas muito ruim.

Se ela fosse mandar para a JBC um email desses, ela seria ignorada e ainda teria o Briggs chamado para traduzir o mangá a partir daquela data.

Se fosse a Newpop, fariam a edição seguinte atrasar mais que menstruação de piriguete de bairro.

Se fosse a Savana, seria respondido com um email cheio de erros de ortografia.

Se fosse a Online, eles trocariam todas as onomatopéias por gemidos.

Mas como é a Panini, só podemos esperar um email de resposta que mostra perfeitamente como os funcionários da maior editora de mangás do Burajiru conhecem bem o seu produto e tratam bem o leitor.

Confiram o email de resposta:

Moça que responde emails, passe no RH para retirar seu prêmio de funcionária do mês

***

(Já me curtiram no FACEBOOK?)

Release Wars – O Estagiário Contra-Ataca

17 maio

(Dica do leitor “Tô Certo”)

Depois do Animepró anunciar uma edição da Luluzinha com um ano de antecedência, agora é a vez da Panini anunciar o mangá de Naruto com 10 meses de antecedência.


Estagiários, vou ensinar a divertida brincadeira de NÃO REAPROVEITAREM TODO O TEXTO DE UM RELEASE DE UM MANGÁ QUE JÁ ATRASOU!!!

Grata.

(PS: Amei a parte do release dizendo “ Para o leitor completou a coleção anterior, esta será uma ótima oportunidade de começar novamente.”)

(PS2: Eu vi que a Panini já mudou o texto. Acho que cabeças rolaram)