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Por onde andam os anúncios da JBC? Um beijo, anúncios da JBC!

11 mar

Quem acompanha grupos de otakus em redes sociais está acostumado a boataria sem fundamentos espalhada por perfis com fotinhos de personagens de anime, e um dos papos que a gente mais escuta é que a JBC está falindo. O motivo para as pessoas imaginarem isso é bem simples, pois nos últimos meses a editora mudou a periodicidade de seus títulos e reduziu drasticamente a quantidade de coisa que tem colocado nas bancas. Claro que isso não quer dizer nada, mas temos observado que uma coisa está bem feia na JBC: a perspectiva de novos títulos.

Ontem, completamente de surpresa, Cassius Medauar surgiu no Henshin Online para falar de algo que não era a indefinição de Akira e Inuyasha: uma NOVIDADE JBC. Seria um anúncio de novo título? Uma nova republicação? Um CD Book de Cavaleiros dublado por Marcelo Del Greco? Infelizmente, o anúncio era só um databook de Ghost in the Shell feito pela Grande Nação Japonesa para aproveitar o hype do filme.

Vamos ser bem sinceros: quem se importa com databooks no Burajiru? A gente compra pra botar na estante e não ler. O texto pode estar em sânscrito que ninguém vai notar. E a decepção que foi esse anúncio fez surgir uma pergunta em mim: quando foi a última vez que a JBC anunciou algo? Fiz esse mega-elaborado infográfico com TODOS os anúncios da JBC de março de 2017 até abril do ano passado:

Percebam que, tirando republicações e material caça-níquel, o último mangá mesmo foi Blame cinco meses atrás. E antes dele foi My Hero Academia nada menos que seis meses antes. Em todo evento, a JBC sempre avisa que vai primeiro lançar os títulos que prometeu e ainda não lançou. O problema é que os anúncios feitos além de terem quase um ano de idade já não são exatamente os títulos maaaais empolgantes (quem aí tá vibrando por Sakura Wars e Samurai 7?).

Claro que ninguém aqui espera algo parecido com a Panini, que anuncia um mangá AAA da Shonen Jump cada vez que Beth Kodama dá um abraço em seus gatos (eu até já critiquei isso um tempo atrás), mas a JBC está num ponto não muito legal para quem espera novos mangás.

A mesa redonda das Editoras de Mangá que virou uma Ceia de Natal

18 dez

Ao andar pelas ruas à noite, você deve ter reparado numa intermitente alternância de luzinhas. Por mais que pareçam cenas de um episódio proibido de Pokémon, nada mais são que o prelúdio do grande feriado de Natal que está por vir. Sabe? Aquela época linda em que toda a família se reúne para a maior troca de patadas e indiretas de todo o ano! Pera, mas outra coisa também se encaixa nessa mesmíssima descrição: a tradicional mesa redonda dos editores de mangás, que dessa vez rolou no Ressaca Friends 2016 com a presença ilustre de todas as celebridades editoriais. IKIMASU conferir o papel de cada um nessa grande celebração natalina?

BETH KODAMA interpretando A Tia Rica

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A representante da Panini na mesa redonda das editoras encarnou praticamente aquela tia que tem muito dinheiro para se preocupar com assuntos mundanos e sempre faz comentários que acabam demonstrando que ela não tem tantos problemas financeiros quanto os outros. Em um dado momento, ao comentar que ano que vem os impostos devem aumentar, ela disse que não sabe se as outras editoras estão preparadas pra esse evento.

Ao falar sobre a publicidade de One-Punch Man no metrô de São Paulo e na televisão, ela falou sobre as cifras que a Panini Itália aprovou que fosse gasto com o marketing do negócio e fui me afundando na cadeira com aquelas dezenas de milhares de reais sendo falados com a mesma naturalidade que eu digo ter 18 reais na minha carteira. Via-se claramente que por trás da figura imponente de Beth-sama há o stand de uma multinacional poderosíssima.

Em um dos pontos mais polêmicos da ceia, que foi quando o mediador Graveheart perguntou sobre os produtos de luxo, Bethinha se mostrou gente como a gente dizendo embora esteja rolando uma gourmetização do mercado, a Panini vai continuar investido no que faz de melhor: tankos em papel jornal, tankos em offset e títulos que saem dois meses depois do anunciado no checklist (ok, isso eu que incluí).

JUNIOR FONSECA interpretando O Adolescente Que Não Queria Estar Ali

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O papel de adolescente que não queria estar ali é muito fácil de ser interpretado por Junior Fonseca, o editor de mangás da NewPOP que estacionou na aparência dos 20 anos de idade há pelo menos três décadas. E como era de se esperar do papel, ele teve que ouvir durante muito tempo os mais experientes falando como resolviam problemas com suas empresas grandes e médias, enquanto ele se esforçava pra fazer as coisas por conta própria. Basicamente ficou ali no meio do fogo cruzado torcendo para ter uma chance de falar sobre gaems (como seus comics de jogos) ou sobre como o NewPOP Day vem aí com muitas novidades se nenhum carregamento de papel preso no porto atrapalhar seu cronograma.

CASSIUS MEDAUAR interpretando O Tio

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Cassius, o representante da JBC, chegou à mesa redonda com um saco vermelho cheio de presentes caríssimos, como o kanzenban dos Cavs e Ghost in the Shell, mas aí surpreendeu as crianças do palco ao contar que era tudo cenográfico apenas e que ele não iria distribuir os mimos. Contou sobre como a JBC tem decidido anunciar menos coisas para não abarrotar as bancas (e por algum motivo todos os presentes nessa ceia cogitaram a chance ser uma alfinetada de leve a algum outro presente na mesa, que por acaso também prometeu um anúncio).

Cassius também aproveitou para retomar todos os pontos que vimos nos últimos Henshin Online, como foi o caso da qualidade dos mangás, da versão francesa de Akira, adaptação etc. Aliás, ao reclamar sobre como Naoko Takeuchi é uma autora chata pra caralho para aprovar seus mangás, Beth revelou estar no mesmo barco por cuidar do título para a Panini México e então um lindo arco-íris de empatia surgiu entre os dois.

Mas o clima logo passou quando um otaku do público perguntou por que a Panini conseguia fazer coisas com qualidade por um preço e a JBC cobrava mais por uma qualidade parecida. Rolou uma resposta elaborada, mas resumidamente foi algo como “meu filho, a JBC não é uma multinacional pfv“.

DOUGLAS DE SOUZA interpretando Papai Noel

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Após todos nos otacos não nos comportarmos direito durante o ano, o editor da Nova Sampa não deu as caras e nem trouxe Pride – O Supercampeão para salvar o mercado de mangás. Mais sorte ano que vem na próxima mesa redonda.

Análise – Quem se salva no Henshin Mangá #02?

27 set

Preocupada com a falta de investimento em quadrinho nacional após o naufrágio da Ação Magazine, a JBC tem promovido anualmente o BMA, um concurso para escolher uma história em estilo mangá. Segundo os meus leitores, estou sendo paga pela JBC para falar bem dela e mal da Panini, então nada mais óbvio que eu aproveitar o lançamento dessa antologia para falar muito bem dos maravilhosos mangás nacionais publicados na antologia deste ano, certo? Então IKIMASU ver o que tem de bom e o que não serve nem pra forrar a gaiola do periquito!

Para começar, eu não lembro de ver uma coletânea que representasse tão bem o mercado nacional. Isso porque o mangá traz uma reimaginação do Brasil e toda a sua cultura? Claro que não, e sim porque temos um apanhado de histórias que o traço é aceitável, mas que a maioria da história não consegue nem ao menos te fazer virar a página. Ano passado também tinham umas histórias ruins de doer, mas a qualidade de “Quack”, “Crishno, o Escolhido” e “Starmind” salvavam todo o negócio. Mas vamos dar nomes aos bois, né não?

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A primeira história se chama “Maria” (de Fabiano Ferreira) e conta a história de uma guerreira furry que enfrenta diabólicas releituras folclóricas brasileiras em umas lutas que são meio paradinhas. O que deu pra reparar é que o autor pensou em uma ideia interessante, mas ficou travado na duração curta do capítulo e entregou algo parecido com um coito interrompido. Talvez faça muito sucesso nos encontros furry que andam rolando no litoral.

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Segundo temos “As Loucas Aventuras de Jay Comet” (de João Eddie), sobre uma garota chamada Jay Comet (ah vá!) que é uma patrulheira espacial que faz mais referências que os filmes da Marvel juntos e que tenta desesperadamente arrancar uma risada do leitor enquanto resolve tretas com povos de outro planeta. Eu não vi uma linha de roteiro, apenas um checklist de referências e memes que deixou a leitura tão engraçada quanto olhar o meu saldo bancário no final do mês. Se é pra ler algo que tenta me divertir fazendo mil referências, eu prefiro pegar um volume de Turma da Mônica Jovem escrita pelo Cassaro pois pelo menos é mais barato. Espero um mangá sem referências do autor pra poder julgar melhor a habilidade dele, porque essa tentativa aqui não se salvou nem com o traço legalzinho.

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Tá difícil seguir? Tá sim! O mangá da imagem acima é “Träumen” (de ORO8ORO) e a proposta é tão fácil de entender quanto o pseudônimo do autor. Sério, eu nem estava muito cansada e tive que ler duas vezes para ao menos tentar fazer um resuminho. Entendi que é um cara que derrotou um monstro e agora foge eternamente do pessoal, mas eu JURO que não entendi o final até agora. Posso ter falado meio mal, mas às vezes pode ser o novo Evangelion e eu não tô sabendo.

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Quando eu já estava achando que o sindicato dos autores de quadrinhos nacionais havia feito um pacto para que ninguém enviasse obras para a JBC, apareceu “Chuva de Meteoros” (de Rafael Brindo) e pude ver que ainda havia esperança. É uma história simples de um grande incidente que poderia ter acontecido se não fosse aquela criança intrometida e aquele cachorro, mas o autor soube fazer uma historinha bem divertida.

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E, para fechar a edição, a verdadeira boa história do rolê é essa da imagem acima. “Escarra Brasa” (da dupla Rafa Santos e Wagner Araújo) é uma história realmente muito boa em nível profissional mesmo, mesmo com o traço que é mais inconstante que a periodicidade da NewPOP. É como se fosse um Samurai X do cangaço, só que com um pouco de bruxaria e um protagonista que não tá muito contente com a mudança de personalidade que ele teve. Se tem alguma história que merece virar série, essa é “Escarra Brasa”.

E como nem só de histórias medianas se faz uma antologia nacional, a JBC manteve a tradição do primeiro volume e apresentou o primeiro reality show de mangás do país. Eu explico: depois das histórias, os jurados falam sua opinião e podemos imaginar todo mundo numa bancada falando como se estivessem na bancada do The X Factor. Esse ano tivemos um corpo de jurados muito variado composto por cinco homens, e em geral rolou apenas as avaliações rasas de sempre. Histórias ruins eram elogiadas, toda história de humor era descrita como “se inspirou em Toriyama” (esse povo precisa de uma bagagem de quadrinhos maior, heim) e tivemos uma pequena amostra de que o mercado nacional não vai pra frente porque ninguém tem coragem de criticar as coisas. Quer dizer… QUASE NINGUÉM. Arnaldo Oka assumiu a posição de jurado amargo e falou todas as verdades possíveis aos autores dos mangás. Eis minha crítica favorita feita por ele sobre o “As Loucas Aventuras de Jay Comet”:

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Inclusive eu até peguei muito leve com as histórias, se comparar com as críticas certeiras do Oka-sama!!!

“Impressões finais”

A JBC embarcou na onda da Panini e ofereceu um mangá que a tinta “carimba” a página ao lado, dando um efeito próximo ao das odiadas transparências. Parabéns pela impressão final!

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Mara na Minha Casa – Os bastidores da visita à Editora JBC

19 set

Enquanto a Imprensa Especializada (pff) cada vez mais fica limitada a seus quartos cheios de travesseiros moes e pôsteres antigos da revista Ultra Jovem, o site Quiabo Gyabbo foi fazer uma visita à editora JBC. Graças à minha amizade com a redatora Karol do Gyabbo e sem a editora desconfiar, me infiltrei na caravana e invadi a redação da JBC. A matéria do Gyabbo já está no ar e pode ser vista aqui, mas minha função é divulgar e enaltecer os bastidores dessa visita, contando para vocês tudo o que rolou naquele prédio comercial. IKIMASU conferir?

Fomos recebidos na saída do elevador por Marcelo Del Greco, editor responsável em nos recepcionar e ao mesmo tempo evitar que descobríssemos os planos secretos da empresa JBC. Todo sorrisos, Marcelão nos levou para uma sala oculta. “Aqui é onde gravamos o Henshin Online” disse enquanto entrávamos lá esperando encontrar um ambiente lúdico e estimulante. Ledo engano.

Karol logo percebeu que estávamos presos numa sala totalmente escura, com isolamento acústico e apenas um banheiro. Ela é mulher forte, mas até a rainha do Gyabbo viu suas forças se envaírem e sentou no nosso cativeiro para chorar:

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De repente, em meio à sentença de ficar dias presos com apenas um banheiro e uma televisão transmitindo 24h os Henshin Online, Marcelo Del Greco retornou à sala com uma cadeira. Ele apenas tinha ido buscar o móvel para que pudéssemos bater um papo mais descontraído. O medo daquele cativeiro omitiu de nossas mentes perguntas mais cabeludas, mas a visita à JBC permitiu conhecer muito dos bastidores da produção de um mangá.

Marcelo (tão falante quanto nas palestras) é do tipo que conversa sobre tudo, contando histórias da época que os mangás eram impressos em papiros e revelando seus sonhos mais internos como o de virar YouTuberLogo percebemos que Del Greco era apenas uma isca, nos distraindo no cativeiro enquanto Cassius e seus asseclas faziam um pente fino na redação. Qualquer vestígio de novos lançamentos ou de funcionários insatisfeitos deve ter sido trancafiado num armário do grande complexo que são os andares da JBC naquele prédio. “Estamos prontos” disse Edi Carlos, responsável pelo marketing, em código para que Marcelo Del Greco entendesse que estávamos liberados para conhecer a editora.

Euzinha e a equipe do Gyabbo fomos caminhando até chegar à redação, onde fomos recebidos por todas as pessoas da empresa em suas respectivas funções. Graças à minha astúcia e habilidade chuunin, consegui disfarçadamente tirar fotografias dos editores em suas mesas sem que eles percebessem:

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Cassius Medauar, a cara da editora no Henshin Online, nos convidou para um tour conhecendo cada estação na produção dos títulos. Conhecemos desde o funcionário responsável por tratar a arte dos mangás (afinal, em alguns casos eles precisam escanear o original pois a editora japonesa não tem o arquivo digital original) até mesmo a parte do marketing. A equipe do Gyabbo conseguiu até um papo exclusivo com, segundo os otacos do Facebook, o funcionário mais importante da indústria de mangás atualmente: o moço que faz os marca páginas. Por trás de um sorriso honesto por ter seu trabalho admirado, via-se no fundo de seus olhos o temor diante das ameaças de morte por parte dos otacos que não ganham marcadores exclusivos em todas as edições.

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Em um dado momento, vi uma pilha de páginas de mangás que foram usados pela tradução e que agora servem como guia para montar os diálogos na diagramação. Infelizmente, Cassius Medauar e seus olhos de águia percebeu minha transgressão jornalística e me fuzilou com o olhar. Talvez por estar fotografando um segredo de estado que ele não conseguiu esconder? Talvez por impedir que ele dominasse mais um ginásio de Pokémon Go? Nunca saberemos. Perto da hora de ir embora, Edi Carlos sugeriu que tirássemos uma foto em grupo. Tive receio, afinal minha imagem poderia ser usada para alertar ninjas contratados pela editora, mas topei a contragosto.

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Essa foi minha visita à JBC. Ao contrário do Gugu que te visita com um sininho para encontrar itens ou um tanque para brincar de “Afunda ou Boia” com meio-tankos antigos, minha invasão à editora serviu para conhecer onde a ~magia é feita~ e para passar minutos de pânico numa sala com a equipe do Gyabbo sem saber se voltaríamos a ver a luz do dia.

Aliás, não arranjamos nenhuma exclusiva, não flagramos nenhum mangá oculto e muito menos encontramos um poster motivacional do Cassius nas paredes, mas a matéria do Gyabbo ficou bem completinha e você pode assisti-la clicando aqui. E para provar que todo esse meu relato é verdadeiro, basta conferir o olhar de desconforto de Karol em boa parte do vídeo:

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Quem será que visitarei agora? A Panini? A NewPOP? A gráfica caseira do Kira dos Mangás? Fiquem ligadinhos nas novidades!

Ei, JBC, tá faltando um negocinho aqui no volume 5 de Blade, não?

17 set

[Escrever um nariz de cera bem grande para introduzir a matéria]

[Escrever um parágrafo contando que Cassius Medauar se esqueceu de escrever um texto no editorial do volume 5 de Blade – A Lâmina do Imortal]

[Linkar o post do O Mercado de Mangás Que Deu Certo]

[Usar o bordão IKIMASU]

escreve-aqui-blade

[Parágrafo com uma piada com punchline pra terminar o texto – FAVOR NÃO ESQUECER ISSO DE FORMA ALGUMA OU VAI SER UM MICO TREMENDO]

Mesa Redonda da mesa redonda dos editores de mangás no Anime Friends 2016

17 jul

Bem tomodachis do Mais de Oito Mil, hoje à tarde rolou a grande mesa redonda dos editores de mangá do Burajiru lá no Anime Friends. E o que é essa mesa redonda? Bem, um encontro semestral mais esperado pelos leitores e mais irritante para a Imprensa Especializada (pff) porque todo mundo sempre quer ser amiguinho um do outro e precisamos ficar pescando os coices e indiretas. Pois bem, aproveitando que estamos em época de Olimpíada, de espírito esportivo e do iminente lançamento de Pride – O Supercampeão, IKIMASU comentar essa palestra como se fosse uma mesa redonda composta por euzinha apenas!

Confira a escalação dos times:

TIME-NEWPOP

TIME-JBC

TIME-PANINI

TIME-NOVASAMPA

Nenhuma grande surpresa na escalação, embora tenham rolado uns boatos de que Bruno Zago, o editor reserva da Panini, entraria em campo no lugar da tradicional Beth Kodama. Sem qualquer surpresa também foi a resposta genérica que todos os jogadores deram quando o juiz Graveheart (do Genkidama) pediu para que fizessem um balanço dos primeiros seis meses de cada editora. O gol de sincericídio, no entanto, foi de Douglas da Nova Sampa:

douglas-mesa-redonda

Como lutas de todo mundo contra todo mundo só existe no plano das ideias e em campeonatos de Smash Bros, obviamente pequenas panelinhas conflituosas foram surgindo durante a palestra. Enquanto Junior Fonseca disputava com Douglas qual editora teve a melhor pausa estratégica, Beth e Cassius seguiam com uma discussão sobre mangás que tinham séries na Netflix que foi praticamente uma competição de tamanho de pinto versão streaming:

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Outro ponto bem legal por parte do juiz da partida foi perguntar aos editores qual título das outras editoras eles gostariam de trabalhar. Era o momento para ver os olhos se inflamarem de sangue quando Cassius falasse que adoraria ter levado One-Punch Man para a JBC, mas ele surpreendentemente citou One Piece. Junior Fonseca declarou que gostaria de editar Dragon Ball e Beth disse ter uma vontadinha de cuidar de Death Note pela Panini. Já Douglas (que algumas vezes foi esquecido no meio da discussão) novamente deu um chute de um canto ao outro do campo com sua resposta cheia daquela inocência moleque que tanto gostamos:

douglas-mesa-redonda-02

Lá pelo segundo tempo, os editores começaram a conversar sobre adaptações e traduções, e chegaram a um consenso que é impossível agradar ao público normal e ao otaquinho médio que tem conhecimento avançado em scanlation. Para evitar confusões, Beth disse que a vontade do autor é suprema e que deve respeitar as escolhas e decisões lá de cima SEMPRE:

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Final do segundo tempo, quase na prorrogação (afinal a partida atrasou por causa de um famoso YouTuber) e começaram então as perguntas do público. Pois é… lá vamos nós para aquele momento em que junta uma aglomeração de otacos numa fila querendo perguntar das chances das editoras publicarem esse ou aquele títul…

GRAVE-PALESTRA

Ok, agora me surpreendi pois o Graveheart foi o primeiro mediador que BANIU com eficiência esse tipo de pergunta ameaçando com cartão vermelho. Agora falta só os otacos fazerem questionamentos relevantes, mas aí não é com o juiz… Inclusive, ele fez questão de abrir espaço para as editoras soltarem mais anúncios, mas ninguém falou nada.

E essa foi a palestra de todas as editoras. O clima amigável perdurou o tempo todo e o nível da discussão foi bem elevado, explicando bem o que rolou nesse primeiro semestre editorialmente e informando o público. Uma pena, porque euzinha do Mais de Oito Mil fiquei lá horas antes pra guardar lugar na esperança de sair grito, porrada e arremesso de volumes encalhados de Vagabond da Nova Sampa. Quem sabe na próxima?

Mais de Oito Mil entrevista Cassius Medauar, gerente de conteúdo da JBC

28 jan

O mês de janeiro já está chegando ao fim e já tem muito mercado vendendo ovos de páscoa (APENAS PAREM), mas continuo com a série de entrevistas com os representantes das editoras do Burajiru a respeito do que rolou em 2015. Depois de entrevistar o Junior Fonseca da NewPOP e da Beth Kodama da Panini, chegou a vez de conversar com Cassius Medauar, o homem sem orelha por trás dos mangás da JBC. Para conversar com esse veterano do mercado (pois ele estava lá quando a Conrad publicou Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco), encontrei-me com Cassius no Museu da Imigração e conversamos sobre o mercado editorial brasileiro enquanto andávamos no agradável passeio de Maria Fumaça, obviamente comendo uns belisquetes e tomando tubaína. Quer saber o que aconteceu nessa conversa? IKIMASU para a entrevista logo após essa montagem horrível do Vegeta entrevistador!!!

maraentrevista

Mais de Oito Mil: Uma das novidades da JBC nesse ano que passou foi o relançamento do Marcelo Del Greco através do selo Ink Comics, o que nos leva à primeira pergunta: primeiro falaram que o Ink publicaria títulos diferenciados e de outras nacionalidades, mas aí veio até um mangá da Shueisha como To Love-Ru. Na palestra do Ressaca Friends, o MDG contou que o selo ia se moldando com o tempo e com os lançamentos. Afinal, o que é o selo Ink Comics?

Cassius Medauar: Bom, o Selo Ink foi criado sim para publicarmos títulos diferentes, nacionais ou de outras nacionalidades, e isso vai ocorrer aos poucos. No meio do caminho houve a volta do Marcelo Del Greco e, como o projeto acertado com ele foi o de lançar uma linha de mangás diferente do usual da JBC, foi apenas natural acomodar essa linha dentro do Ink, selo novo já existente exatamente para coisas assim. To Love Ru é uma aposta, não é um título que lançaríamos em nossa linha principal, por exemplo. Talvez, no futuro, com os planos que temos pro ink dando certo, as duas linhas de mangás japoneses podem ser unificadas. Vamos ver.

MdOM: Uma das vantagens ditas sobre o formato big é que ele é bimestral e alivia um pouco o bolso. Só que o formato é a junção de dois volumes, então pro bolso do consumidor não é a mesma coisa de lançar dois tankos mensais de 20 reais?

CM: Bom, na verdade essa afirmação vale para todos os títulos bimestrais de todas as editoras. E a afirmação continua verdadeira, afinal, se eles fossem mensais, seriam 2 volumes juntos por mês, certo? A questão é exatamente que são títulos que não lançaríamos em tanko normal por acharmos arriscado demais. Só essa explicação separada do todo da coleção “Big” acabará passando mesmo a ideia errada. Esse formato foi pensado para lançarmos coisas difíceis de serem lançadas em um tanko normal, seja pelo número de volumes, seja por já ter sido cancelado por outra editora, etc. Além disso, pelo fato de ser para livrarias, independentemente da periodicidade, os títulos continuam lá, disponíveis, e com isso o leitor pode comprar quando quiser, e isso é outro fator que ajuda a “aliviar o bolso” do leitor. Ele consegue comprar ao longo de um bom tempo.

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MdOM: Quando a JBC anunciou Super Onze naquele formatinho vocês falaram que estavam experimentando um projeto editorial diferente. Como não tivemos mais nenhum mangá infantil, nenhum 1/3 de tanko e mais nenhum título de futebol depois desse, devemos interpretar que foi aquém do esperado?

CM: Sim, foi aquém do esperado. E não que tenha sido ruim. O resultado foi médio, por isso estamos estudando a possibilidades de continuidade e/ou mudanças naquele formato. Mas uma coisa bacana foi que levou um tempão para convencermos os japoneses, mas, depois que saiu, eles gostaram muito do resultado, e ficamos bem contentes com isso.

MdOM: Em 2015 a JBC investiu bastante no Henshin Online e acabou sendo a editora que melhor manteve um diálogo com o público, porque além de anunciar as novidades também respondia às críticas (como foi o caso do papel de Gangsta). Você acha esse tipo de transparência positivo para a editora?

CM: Não só o Henshin Online, mas as redes sociais em geral, participação em eventos, resposta de e-mails. O contato direto com o leitor virou algo natural hoje em dia por causa da Internet, e,com isso, não só é importante que as empresas tenham canais para explicar possíveis problemas, mas também para contar o que está acontecendo com seus títulos preferidos, os bastidores, as pessoas são ávidas por informação.

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MdOM: A pergunta que não quer calar (até porque não tem boca): o que aconteceu com o rosto do policial no 14º volume de Yu Yu Hakusho? [OBS: Aqui o caso]

CM: É o de sempre. Erros acontecem. As pessoas não lembram que do lado de cá também temos pessoas trabalhando nos mangás e que erros acontecem, e isso em todas as áreas, nas editoras, jornais, revistas, livros. Tem o exemplo clássico de um dos volumes da Guerra dos Tronos, da Editora Leya, que saiu sem um capítulo inteiro. Pode ter certeza de que quem fica mais chateado quando algo sai errado em um mangá somos nós mesmos.

MdOM: Os editores de mangás nunca revelam os planos futuros das editoras por motivos óbvios, afinal a concorrência pode passar na frente e levar o tal mangá. A única exceção foi você, que sempre demonstrou querer One Punch-Man na época que o mangá não estava disponível para licenciamento ainda. Quando ficou sabendo que o título sairia pela Panini, rolou aquela dorzinha interna de traição e mágoa por você querer trabalhar com esse mangá num eventual lançamento pela JBC?

CM: Sempre rola uma tristeza quando não conseguimos pegar um mangá que gostaríamos, mas claro que estou acostumado com isso, pois sempre vai rolar concorrência com os títulos maiores e não vamos mesmo conseguir todos. Acho que eu não teria o direito de ficar magoado ou algo assim, afinal, não conseguimos um título aqui, mas logo ganhamos a concorrência de outro e beleza. Vou dar um exemplo extremo, mas, por exemplo, não consigo nem descrever o que senti quando soube que ia poder editar Akira e Ghost in The Shell. De verdade, fico feliz de trabalhar na JBC e poder editar tantas coisas legais.

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MdOM: A JBC parece ter uma “mania” de não se interessar muito por sequências de mangás, mesmo que sejam continuações diretas de títulos publicados pela editora. Alguma esperança para os que sonham ver Gunnnm Last Order, Genshiken Nidaime, Shaman King Flowers e UQ Holder (continuação espiritual de Negima) por aqui?

CM: Bom, desculpe que, quando você fez a pergunta, não tínhamos anunciado UQ Holder ainda. Bom, na verdade não temos nada contra continuações. Apenas tudo depende muito de timming, qualidade do material, número de volumes e mais um monte de detalhes.

MdOM: Pra terminar, uma dúvida muito sincera que eu tenho. As editoras brasileiras conseguem ter informações de bastidores das emissoras japas? Por exemplo, por terem os direitos de Hunter x Hunter e Nana vocês podem mandar um email pra editora perguntando “ow, cê tem alguma ideia quando os autores tão pensando em continuar essas bagaças?”?

CM: Não tenho como falar pelas outras editoras, mas por aqui, na JBC, sim, conseguimos, mas isso varia bastante de editora pra editora, autor pra autor. Temos liberdade para perguntar esse tipo de coisas, mas nem sempre eles querem/podem responder, e as vezes eles nem sabem também.

MdOM: Obrigada pela entrevista, Cassius. Deixe um recado para os leitores do Mais de Oito Mil (prometo que eles não vão arrancar a sua orelha como aconteceu com o seu homônimo)!

CM: Hahahaha, Blz. Pessoal, podem esperar que, mais uma vez, este ano teremos muitas novidades e surpresas para vocês. Aqui, na JBC, acreditamos que é importante investir no mercado testando novos formatos, criando concursos, abrindo canais novos de comunicação e o que mais vier. Obrigado pelo espaço.