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Mais de Oito Mil Interview – Entrevistando o pessoal do JBox

12 set

Olá minna! Eu estou muito animada com os entrevistados de hoje. Vou dar uma dica para ver se vocês adivinham! Um gosta muito de Final Fantasy VII e o outro gostaria que a abertura de DNA² estivesse em Inuyasha. Ainda não descobriram? Eles cuidam do melhor site informativo da interwebs do Burajiru, na minha humilde opinião (falando de humildade que nem o Netoin). Mais dica? A entrevista aconteceu no flat de um deles, que tem uma vista para o mar e dezoito criadas louras de olhos azuis e corpinho violão. Querem mais dic… o que foi, produção? Ah, já tá escrito no começo da entrevista quem são os entrevistados?

Então IKIMASU para o papo com o Tio Cloud e o Larc Yasha do famoso site Jbox.

Mara- Vamos começar com a pergunta mais fácil, valendo cinco mil reais em barras de ouro que valem mais que dinheiro: como surgiu o Jbox e por que vocês quiseram entrar na imprensa especializada (pfff)?

Tio Cloud- O JBox surgiu em 2002 com o nome Japan X (eita criatividade ¬¬) e na época 99,9% dos sites sobre animação japonesa não se preocupavam em passar informações pro público, focando-se sempre em disponibilizar algo que estava engatinhando na época: downloads de episódios de animes. No máximo botavam notícias control c + control v do Animepró e somente. Muitos desses sites inclusive se recusavam a trocar links conosco, pois o Japan X era considerado inferior por não possuir downloads – logo não teria muitas visitas – pois se focava apenas em matérias sobre produções exibidas no Brasil. O site foi crescendo e depois mudamos de nome para OrbitaX (Comentário da Mara: HAHAHAHAHA que nome ridículo) (não ria, pois depois eu vendi o domínio pra um canadense e faturei horrores =P), que fechou em pouco tempo quando fomos perdendo o gosto por escrever. Depois o Larc foi tocando o barco sozinho com um blog que na época despertou a ira de uma certa empresa de eventos por falar verdades. Esse blog e o conteúdo que tínhamos armazenado (matérias) deram origem ao JBox que está no ar até hoje. Infelizmente o foco nas matérias foi caindo por simples falta de tempo para escrever e isso foi dando lugar às noticias – conteúdo rápido e que exige menos pesquisa, já que algumas matérias (acreditem) demoravam semanas pra ficarem prontas.

Larc- Então… O Cloud respondeu tudo sozinho (que falta de graã… ¬¬). Só não mencionou que eu puxava o saco dele achando que ele escrevia muito bem (HAHAHAHA) e comecei a colaborar com o Japan X e dessa nossa interação diária no MSN nasceu uma amizade. O estilo do site me despertou a atenção pelo jeito despojado, leve e de bom humor – parecido com o de uma revista chamada Japan Fury. Como não tinha p*rra nenhuma pra fazer, ficava catando animes na internet pra ver e fazer matérias com um teor cáustico diferente das revistas que entupiam as bancas naquela época. Sempre pensei que o nosso jeito de escrever era um diferencial atraente pro negócio. Pra que ler na internet matérias insossas do mesmo jeito que tinha nas bancas? Hoje nossas rotinas são mais “adultas” (temos que trabalhar pra pagar as contas!) e o pique e inspiração pra escrever (ou mesmo ver animes) é outro…

Mara- Vocês se diferenciaram por usar humor nas notícias, além de suas próprias opiniões. Já excluindo o Mais de Oito Mil, muitos outros sites tentaram copiar o estilo de vocês?

Tio Cloud- No princípio o site era muito, mas muuuuito anárquico. Adorávamos (e adoramos!) falar mal da Patrulha, do papel dos mangás daquela editora e da feiúra da Rumiko Takahashi, o problema é que tinha gente que tomava as dores desse pessoal – chegamos a receber muitas ameaças de processo, inclusive por parte de um funcionário da Patrulha. Fora que nosso jeito descontraído fazia com que o site não tivesse muita credibilidade para muitos – algo que acho totalmente sem sentido, mas viviam dizendo isso. Mas não ficamos “mais sérios” porque decidimos, foi acontecendo aos poucos. E hoje o JBox ainda dá pitacos em uma coisa ou outra, mas não chama uma leitora de gorda feia e sem amigos (ei! @_@) como já fizemos inúmeras vezes – ela merecia. Acho que ninguém, além de você, seguiu esse caminho de “escrachar para conscientizar”.

Larc- Acerca desse nosso humor, me lembro de um fuzuê que fãs de tokusatsu fizeram porque maculamos os sagrados Goggle Five por eles usarem armas tronchas (um bambolê, uma fita de cetim, a bola do Kiko…) na hora da batalha e os monstros terem retardo mental. Aliás, nossas matérias de tokusatsus sempre pisam no calo de algum nerd tetudo que se esqueceu que muitas coisas que curtiram na infância se tornaram datadas. Se o Jbox tivesse uma sede própria, acho que essa galera viria com enxadas e tochas pra nos matar (ou fazer assistir uma maratona do Machineman sem parar, o que é equivalente =P).  O engraçado é que, se por um lado a galera das antigas se sentia chocada por apontarmos os defeitos especiais dessas produções, a galera mais nova (leia: geração Pokémon) ficava com curiosidade de assistir pra constatar se o troço era ruim mesmo. Involuntariamente, acabamos “apresentando” o tokusatsu pra muita gente – que acabou gostando do negócio.

Mara- Já peço desculpas pelo nervosismo, é que sou uma grande fã do trabalho de vocês. Se pudesse eu compraria até camisetas e action figures do Tio Cloud e do Larc, e isso serve para a próxima pergunta: vocês ganham algum dinheiro com o Jbox?

Tio Cloud- Como você é falsa ¬¬. Bom, não ganhamos nem um centavo e acredito que ninguém que escreva sobre animes na Internet ganhe – a não ser que você venda DVD pirata no seu site. Infelizmente, além das editoras de mangás, praticamente não existem empresas que trabalhe regularmente com produtos orientais no Brasil, ou seja, se não há mercado não há patrocínio. E se levarmos em consideração que as editoras não acreditam no potencial de sites informativos – tanto que lançam coisas e não colocam nem nos sites das próprias – esperar ganhar algo com isso é utopia. Seguimos o lema “fazemos porque gostamos”. Aliás, o site só está no ar porque temos uma parceria com o Portal Sonic que nos cede a hospedagem, caso contrário é bem provável que já teríamos fechado as portas há muito tempo.

Larc- Tem gente que acha que vivemos do JBox. O pequeno Jiba, nosso primeiro colaborador e escravo, tentou viver do Jbox e adquiriu raquitismo. Só pra não dizer que não temos “receita”, aqueles anúncios do Submarino rendem uma comissãozinha que a cada 6 meses dá pra rachar e comprar um Trident de hortelã =). Portanto, cliquem nesses anúncios pra comprarmos um MC Lanche Feliz =(.

Mara- Vocês sempre têm notícias em primeira mão da Rede TV, e já chegaram a comentar que possuem diálogo com a emissora da Daniela Albuquerque. Vocês fizeram algo de útil com os animes na Rede TV ou a ajuda de vocês foi tão valiosa quando a do CavZodíaco na Band?

Tio Cloud- Na época em que a Elisa Ayub (a mulher que saracoteou e convenceu as esposas dos donos a investir em Pokémon) era a gerente de aquisições do canal tínhamos um diálogo aberto com eles. Inclusive quando o Tv Kids estava em alta queriam um desenho no mesmo estilo de Pokémon e obviamente indicamos Digimon – só que eles foram lá e compraram o 4 ao invés do primeiro… Na mesma época ofereceram One Piece e vieram pedir nossa opinião, mas tinham receio pegar algo da segunda temporada pra frente, pois Pokémon já tinha virado uma bagunça. No mais, montamos grades, fizemos algumas coisinhas. Só que, infelizmente, nem a própria Elisa tinha muito poder em cima do que podia ser feito, pois existia uma gana por números e poucos recursos pra alcançá-los (Comentário da Keila Lima: Quero deixar um beijo para a produção, que trabalha muito, com pouco recurso, doze horas por dia…) Assim não tem santo que ajude… Depois ela foi pra Band e o bloco virou o que está no ar hoje, sem investimentos – a última estréia, Yu-Gi-Oh!GX vai fazer um ano no ar mês que vem. A realidade é que, mesmo muita gente oferecendo produtos bacanas (a Toei que o diga…), eles não têm dinheiro pra comprar. Se nem os salários estão conseguindo manter em dia (mas o helicópteros dos donos são indispensáveis), imagina comprar desenho animado. Simples assim.

Larc- No final do ano passado nos perguntaram se o longa Ghost in the Shell seria algo legal pra passar num TV KIDS especial de Natal. Olha o nível de informação deles… Dissemos que não e indicamos várias outras opções, como produções do Miyazaki. No final não compraram nada…

Mara- Vocês, por trabalharem nesse meio há anos, devem ter acompanhado a trajetória do anime no Brasil. Para vocês, o que é que falta para os animes engrenarem de vez assim como o mercado de mangás? Mais um revival de Cavaleiros do Zodíaco e Sailor Moon?

Tio Cloud- Apesar do choramingo de muitos quando um Naruto vira “modinha” é isso que falta pro mercado de animes no Brasil sair desse estado de coma: “modinhas”. Cavaleiros, Pokémon e Dragon Ball Z foram manias que desencadearam a vinda de outros títulos e investimentos no gênero. O problema é que, com o “politicamente correto” tomando conta da televisão brasileira (no que diz respeito à programação infantil, pois no resto está cada vez pior), as animações japonesas passaram a ser mal vistas pelos executivos de tv e empresários. E com os canais diminuindo cada vez mais seus horários pra programação infanto juvenil, o anime tende a se tornar cada vez mais um nicho. Uma pena, já que esse tipo de produto é feito para a massa. Reviver produções que deram certo pode ser interessante pros nostálgicos, mas é sonhar demais achar que isso irá aquecer o “mercado”.

Larc- Sinceramente, acho que não dá mais pra engrenar anime algum no Brasil. A Toei, por exemplo, insiste em trabalhar com One Piece da 4Kids. E essa série (uma das poucas com potencial pra emplacar se exibido de forma decente) retalhada é impraticável para conquistar o público. Talvez se as produtoras viessem pro Brasil e se preocupassem em entender como funciona nosso mercado, como é nossa audiência, eles pudessem evitar gafes como exibir aquela versão americana troncha de Dragon Ball KAI. O mercado parece não ter “confiança” nos animes mais. Ou você vê produtos dos Super Onze nas lojas?

Mara- Vocês têm um bom relacionamento com os outros grandes sites de notícias da imprensa especializada? Ou alguma vez algum site fuleiro foi até o seu servidor pedir que vocês excluíssem suas menções a notícias “deles” que, na verdade, foram traduzidas de sites americanos e não creditadas? Interpretem como quiser.

Tio Cloud- Temos um bom relacionamento com todo mundo da “impresa especializada”, principalmente os que são humildes e sabem que anime e manga é apenas diversão. Mas já tivemos problemas sim com um certo site e começou ao darem um Control c + Control v em uma nota sobre a estréia de Desert Punk na MTV e, quando fomos reclamar, nos mandaram ir cuidar da nossa vida – com essas mesmas palavras. Cuidamos tanto que nos tornamos espelho (quase que literalmente) pra eles. Também já quiseram nos fazer dar crédito por informações retiradas de site de impresa de canais pagos – as quais qualquer um que finja ser jornalista (como nós) tem acesso – com direito a piquetes e campanhas pela net. Coisas assim, mas nada que nos tire do sério. Mas hoje acredito não há mais problemas, ao menos por nossa parte. Não temos tempo (nem idade) pra ficar dando birra.  Hoje em dia acredito que os blogs brasileiros de animes (não vou citar nenhum, pois são taaaantos) é que estão se destacando nesse quesito de conteúdo informativo, e às vezes leio coisas que digo “puxa, como queria publicar algo assim no JBox”.

Larc- Existe imprensa especializada de animes no Brasil? Imprensa que precisa correr atrás das empresas para anunciar as coisas cujo público alvo é a audiência do site? Já tomamos chamada por “não termos divulgado” certas notícias. Cadê o pessoal da comunicação e marketing pra formatar o material pra ser divulgado? Tudo tem um limite.

Mara- A maior diferença entre uma sub-celebridade da mídia e uma sub-celebridade otaku é que essa última não aceita piada. Por usarem do humor nas notícias, vocês já feriram o ego de alguém?

Tio Cloud- Somos bonzinhos e amiguinhos de todos, mas existe um certo dublador que acha que tem que fazer o Silvio Santos em seus trabalhos  que sei que não gosta da gente – nem me pergunte o motivo (Comentário da Mara: Minha mãe dizia que se uma pessoa tem problema com várias pessoas, geralmente o problema é com ela). Mas acho que não me vem mais ninguém à mente.

Larc- Tem fã de tokusatsu que acha que trabalhamos pro Satã Goss. Sabemos também que há pessoas que nunca vimos na vida que gratuitamente falam mal da gente nos “bastidores” do mercado porque falamos que a armadura do Sharivan é de isopor (e não é mesmo?). Como o Cloud disse, tem até certos dubladores que não vão com nossa cara por motivos que não temos a menor noção! Fora as ameaças de processo por falar o que pensamos e que nos eventos vendem DVDs pirat… Ops! De divulgação =). Além claro, da rixa enigmática que certos blogs possuem contra nosso trabalho. Se a notícia saiu no Jbox e é de interesse geral da “nação otaku”, tem gente que nem divulga. Puta profissionalismo esse não acha? O mal do brasileiro – otaku ou não – é não aceitar críticas e se acomodar com sua condição de mediocridade na vida. E quando se apontam falhas, há pessoas que acham que estamos incitando a opinião dos outros a ser negativa. Existem otakus pensantes e não pensantes: os pensantes vão conferir o negócio e avaliar com seus próprios parâmetros e conceitos se algo é bom ou ruim. Já a outra categoria absorve as opiniões alheias e replicam idéias ignorantes sem sequer ter pegado ou visto um produto. Mas uma coisa é certa: se muitos concordam com a crítica, porque não buscar uma alternativa para melhorar? Eu encaro minha vida assim…

Mara- Vamos terminar essa entrevista. Além de darem uma palavrinha para os leitores do Mais de Oito Mil, vocês dariam que dica para quem quer começar um site de notícias? Pode ser dica errada também, para afastar uma eventual concorrência.

Larc- Ter um site de notícias é relativamente fácil: copiem tudo do Anime News Network. Dos gringos não precisa dar a fonte (hihihi) e dos brasileiros, seria educado para que depois não venham com “tire o conteúdo copiado, pois a notícia que está no site da Turner ou da HBO foi vista por nós primeiro”. Hahahaha…

Tio Cloud- A dica de ouro o Larc já deu. Pra finalizar gostaria de agradecer tanto a você pela oportunidade (não publique que pagamos, ok? Fica em off…), quanto aos nossos fiéis leitores que nos acompanham pela paciência. E aproveitando, também precisamos agradecer aos nossos grandes colaboradores Allena, Gustavo Martins, Jibinha, Leo, Le, Kuroi e Laura que compartilham informações através do nosso site, seja com matérias, reviews e outras coisitas. Palmas pra eles (porque dinheiro que é bom, não podemos dar XD).

(Fonte das imagens: Google)

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