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Mais de Oito Mil visita o velório da piada do eterno atraso de Hansel & Gretel

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A vida é efêmera. Nascemos e morremos muito facilmente, a ponto de nos perguntarmos quanto vale a vida. E é nos momentos de morte que refletimos sobre tudo o que passamos e ganhamos forças para continuar vivendo sem aquela pessoa que esteve sempre presente em nosso lado. E no último domingo foi o dia em que euzinha fui até o Anime Friends para me despedir dela, da piada do eterno atraso de Hansel & Gretel.

Para quem não sabe, em 2009 a NewPOP havia prometido lançar este mangá nacional escrito por Douglas MCT e desenhado por Ulisses Perez, com lançamento previsto para o Fest Comix daquele ano. Infelizmente, o projeto foi protelado e aí começou a Saga do Adiamento Eterno. Durante muito tempo usamos Hansel & Gretel como o Duke Nukem Forever dos mangás nacionais… com a diferença que nesse tempo até o Duke Nukem foi lançado e nada da adaptação steampunk de João e Maria. Pois bem, trocaram o desenhista, mudaram o projeto e, agora com apenas dois volumes, Hansel & Gretel teve seu lançamento oficial no Anime Friends. E fui lá conferir o enterro de uma piada recorrente.

Vesti um pretinho básico, peguei um buquê de cravos de defunto e fui lá dar minhas condolências para Douglas MCT e a desenhista Rafi de Sousa pela morte da piada, e qual não foi minha surpresa ao ver que ATÉ ELES ESTAVAM COM ROUPA DE LUTO!!! O lançamento estava previsto para as duas da tarde, mas Douglas deu uma pequena atrasadinha (entendemos, deve ser a emoção da perda de uma piada tão querida entre os otakus) e logo se sentou ao lado de Rafi para autografar volumes.

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Douglas MCT me contou um pouco sobre o projeto e como estava animado com o lançamento do mangá nacional. Falou sobre as mudanças na história e deu uma deixa para que uma expansão da trama em novas “temporadas”. Se for algo adiado eternamente e que possa ser usado como piada recorrente, o Mais de Oito Mil apoiará o projeto passionalmente. Já Rafi era bem mais tímida, mas foi bem simpática e parecia muito feliz com o lançamento de seu primeiro quadrinho.

Mas sabemos que você leitor do Mais de Oito Mil não veio aqui para ver uma cobertura a lá Amaury Jr, até porque Junior Fonseca não liberou o prosecco com Mupy para a Imprensa Especializada (pff). Vocês querem é o review, querem que eu leia o mangá e o destrinche como fiz na cobertura inesquecível da Ação Magazine. O que há por dentro desse mangá nacional de capa simples-até-demais?

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Bem, se você queria ver humilhação gratuita, erros primários ou até mesmo um personagem que é uma releitura do Doutor Renato Aragão… sinto dizer que está no post errado. Mesmo com todo o hype gerado por sete anos no forno e com o mercado de quadrinhos brasileiros sofrendo com um amadorismo desde sempre, Hansel & Gretel é um título bem bom. E não apenas bom comparado com os quadrinhos brasileiros, ele é bom no geral mesmo.

A história é aquela coisa: Hansel & Gretel são releituras steampunk de João e Maria que estão em busca de seu pai e se metem numa treta que envolve vários personagens de contos de fadas que não-necessariamente são alemães. Mas em vez de oferecer apenas personagens fanservice e uma jaqueta que não é nunca lavada como em Once Upon a Time, Hansel & Gretel bota todo mundo num autêntico mangá shonen inspirado em séries como Fullmetal Alchemist e com uns zumbis porque né… isso vende.

Claro, o mangá não está livre de defeitos, até porque nenhum dos envolvidos com o Hansel & Gretel me assinou um cheque de publieditorial pra eu falar só bem. As referências que ajudaram na origem dos personagens estão um pouco óbvias demais (Hansel é muito inspirado no Edward Elric e a ideia do humor do Yu claramente é muito o Genma Saotome de Ranma 1/2, e o autor até assume isso nas cenas pós-créditos), mas por sorte alguns personagens conseguem ser bem mais criativos, como o caso da Gretel.

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Eu fiquei um pouco perdidinha lá pelo meião da história quando apresentaram trocentos personagens de uma vez, mas aí o problema pode ser minha falta de memória ocasionada pela falta de dinheiro para comprar o Ômega 3 do Moacyr Franco. E a rotatividade de personagens me pareceu um pouco gratuita (não vou dar spoilers dizendo que um personagem importante morre no meio e… opa).

A edição da NewPOP tá o que se espera da editora: papel offset de gramatura boa, encadernação costurada e muitos extras pra encher bem a linguiça. Só faltou mesmo um guia para mostrar quais personagens foram baseados em quais histórias dos contos de fadas, porque se a pessoa não tem conhecimento enciclopédico (ou se é o Capitão América) ficou sem entender metade das referências.

Finalizando, Hansel & Gretel é um mangá com boa narrativa, boas cenas de ação, um traço muito bom mesmo e um preço mais convidativo que muita tranqueira japonesa que está na banca de jornal. Sem contar que ele pode até ser o fim de uma piada recorrente sobre o lançamento, mas não é o final completo da saga por causa de uma única pergunta: “Quando sai o volume 2, heim NewPOP?”

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Analisando o novo mangá de Card Captor Sakura

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Enquanto as autoridades estão mais preocupadas com o surto de Zika que pode rolar durante a Olimpíada do Rio, estou mais preocupada com uma doença contagiosa que vem assolando a Grande Nação Japonesa há alguns anos. Picadas pelo Requenta Aegypt, as produtoras japonesas pegaram um Nostalgismo fodido e agora estão ressuscitando antigos sucessos dos anos anteriores porque… né… sentem falta de quando os animes não eram de nicho e conseguiam ser facilmente exportados.

Depois de uma Sailor Moon com problemas estéticos, um Dragon Ball forçadíssimo e novas sagas ocasionais dos Cavs, a franquia que usou a carta Monstro que Renasce foi Sakura Card Captor (ou Card Captor Sakura para os moradores da Grande Nação Japonesa e para os otacos frescos). A série da caçadora de cartas está de volta ao país da cultura mais rica, e óbvio que vou fazer uma análise especial da história desse retorno.

IKIMASU conferir essa cobertura (de leitura oriental, como nos mangás) feita com base na edição que minha prima Pira Taria enviou lá do outro lado do mundo!

O mangá começa com uma cena de página inteira dizendo que o final da história da Sakura não era o fim do começo, e sim o começo do fim. Passei essa página no meu tradutor de intenções autorais e o que deu foi isso:

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Depois de acordar, ganhar grandes quadros mostrando seu novo visual mais velho e de anunciar ao público que agora é uma aluna do primeiro ginasial, Sakura foi até a cozinha e encontrou seu primeiro obstáculo: uma cena totalmente familiar para o público amar com nostalgia.

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Em meio a um tradicional passeio com cerejeiras caindo (lembre-se, nesse mangá é sempre primavera), Sakura reencontra seu crush que a abandonou após o término do mangá e de um filme terrivelmente mal dublado:

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Claro que a paz não iria durar muito, porque logo eles encontrariam uma criatura ameaçadora que não tem luz própria e apenas caminha pelas sombras buscando seguir os passos de pessoas com vida interessant…

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Ah não, era só a Tomoyo mesmo.

Aliás, vale notar que Shoran (sim, eu o chamo assim, algum problema?) carrega consigo um brinquedo extremamente fofo…

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…e que aparentemente está possuído pelo espírito assassino presente dentro da faca do boneco do Fofão. Reparem na cara desse demônio!

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Outro MUST HAVE dos mangás requentados é aquela cena em que a protagonista conta como quem não quer nada para um amigo distante (no caso o Eriol) sobre o que aconteceu com os personagens que não terão tempo de aparecer nesse mangá:

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Como vê, tudo está perfeito na vida da pequena Sakura: ela está radiante, tem flores de mangá shoujo ao seu redor e está acompanhada desse maravilhoso ursinh…

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Eis que Sakura pega no sono, e adivinha quem aparece em seus sonho!!!

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NÃO FOI O URSO MALIGNO, FOI OUTRA COISA!!!

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Bem, teremos muito tempo para pensar quem é o misterioso personagem, até porque acabamos de perceber que nunca mais iremos dormir por causa dos pesadelos causados pelo urso demoníaco do amor de Shoran.

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Analisando Especial: A segunda parte de Digimon Tri tá puxadíssima

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Nossa, nem parece que já se passaram vários meses desde que o público otaco foi ao delírio com um OVA capitalista feito pela nossa amada Toei Animation para comemorar o aniversário de Digimon e a falta de dinheiro em caixa para contratar animadores pra Dragon Ball Super e Sailor Moon Crystal. IKIMASU então ver o que rolou nos novos 4 episódios desse anime que não faz muito sentido existir? Claro que sim!

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Após uma pequena introdução com texto pseudo-filosófico, somos apresentados a uma figura maligna em tons escuros que obviamente é o vilão dessa série. E se você se perguntava “quem poderia estar por trás das malvadezas desse negócio?”, bem… a resposta pode não te empolgar muito…

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SIIIIM, a Toei ressuscitou o Imperador Digimon, vilão da flopadíssima segunda temporada do anime. Tão flopada que os personagens dela morreram nos primeiros frames de Digimon Tri e os outros personagens se importaram em belos ZERO POR CENTO.

Bem, durante o desenvolvimento da história de Digimon Tri, alguém na Toei falou “gente, isso aqui é uma série curta com personagens jovens, precisamos seguir os clichês dos animes do gênero”. Todo mundo concordou e decidiram fazer…

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Como todo bom filler em termas, o episódio só serviu para colocar os personagens em yukatas, participando de festivais sem nenhum figurante e para rolarem umas conversas nos ofurôs. Na verdade, o mais surpreendente foi ver que rolou aquele clichêzão das pessoas invadindo o banheiro do sexo oposto e rolando uns corpos à mostra. E o que isso tem de surpreendente? É porque os corpos exibidos FORAM OS DOS HOMENS!!!

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Realmente deve ser uma situação desconfortável ser exibido assim num anime. Continuando, o episódio também mostrou os adultos não querendo colocar as crianças nas lutas contra Digimons infectados, por isso eles deram para o exército uma arma que retarda monstros digitais. Até imagino a composição desse negócio…

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No sexto episódio, Digimon Tri continua seguindo a cartilha dos animes escolares usando temas requentados:

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SIIIM, o clássico Festival Escolar é o novo arco de Digimon Tri. Mimi e a nova personagem Mei decidiram fazer uma espécie de Maid Café, mas com cheerleaders. E, enquanto isso, o Digimon do final do episódio passado reaparece destruindo tudo. Mimi e Mei estavam perto e têm umas ideias bem bosta:

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MIMI DERRUBANDO A MÍDIA GOLPISTA COM GOLPES DE ESPINHOS EM VEZ DE ABAIXO ASSINADO NO AVAAZ!!!!

Já do lado de fora do cerco policial, os digiescolhidos se perguntam quem é que estaria por trás de tudo isso, sem notar uma pessoa que de cabelos azuis, óculos e uma capa andando ao lado:

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Por ter aparecido na televisão ao lado do digimon, Mimi começou a sofrer bullying pelo núcleo Meninas Malvadas da escola, e entra num sofrimento inexplicável porque né… o anime é com pessoas maiores e a Toei sente necessidade de colocar profundidade.

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E, enquanto isso, os digiescolhidos ganharam um reforço de peso e de poucos frames de animação:

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E continuando com o desenvolvimento à lá Maria do Bairro em que todos os personagens precisam sofrer muito, Joe chegou ao episódio 7 sem participar de nada, apenas porque precisa decorar fórmulas químicas e ler Machado de Assis:

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Incomodado por ser deixado de lado, Gomamon foge de casa e… isso mesmo… começa a sofrer:

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E enquanto isso, a tal da Mei já está bem integrada ao padrão atual dos animes da Grande Nação Japonesa:

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Percebendo que os digiescolhidos estavam perdendo espaço para dos dramas de Joe e seus conflitos vestibulísticos, Matt e Tai decidem tretar pra descobrir por que a digievolução do Omegamon se desfez no episódio 4. Imagina só quando eles descobrirem que nem a Toei faz ideia do motivo…

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O festival continua e os digimons participaram de um concurso para melhor alvo para fanáticos por furry, e quem levou o prêmio foi o digimon da Mei, o Meucumon. Vale comentar que ele ganhou porque os jurados acharam que os digimons participantes eram crianças de cosplay, algo que parece ser tão coerente quanto o não-envelhecimento do Ash em Pokémon:

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Após esses momentos enrolativos, a Toei precisava arranjar uma desculpa rápida para o vilão atacar pois já estamos na metade do último capítulo dessa parte, então os personagens adultos misteriosamente perdem toda e qualquer inteligência e começam a agir feito imbecis apenas porque é conveniente para o roteiro:

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Pronto, as forças do mal estão atacando e todos os digiescolhidos voltam a ter função na trama!

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Infelizmente, o estúdio da Toei não comportou todo o elenco na distorção, então só uns digimons vão atrás. Pelo menos tivemos a revelação de quem é o vilão para os personagens:

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Maravilhoso que citam o nome do Ken e tanto TK quanto a Kari, QUE ERAM PROTAGONISTAS DO DIGIMON 02 JUNTO DELE, estão com uma puta cara de “quem é esse cara?”. Melhor ainda é ver que rolam umas digievoluções inéditas pra pagar pau das megaevoluções de Pokémon e os personagens estão tão perdidos quanto nós nessa sandice da Toei:

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Aí descobrimos que Meucumon é quem estava infectando os digimons, e ficamos sabendo disso porque ele digivolve pra um gato macabro e MATA o Leomon em uma cena no finalzinho do episódio apenas para os otários sentirem vontade de ver o fim dessa merda em setembro.

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Puxadíssimo, heim Toei??

Cobertura da cobertura do Expo Geek pelo programa da Fátima

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E aí, minna, como vocês tão? Pularam muito nesse fim de semana de pré-carnaval? Não se esqueçam que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu duas vezes e não pode mais ser ressuscitado pelas esferas do dragão! Mas para quem é avesso a multidões, pessoas mal vestidas e gritaria desproporcional dos blocos de carnaval, a cidade do Rio de Janeiro teve o Expo Geek, um evento com… multidões, pessoas mal vestidas e gritaria desproporcional.

Como Dudunaweb, o Snowden da blogosfera tokuanimangática, não ofereceu um sofá cama para esta blogueira viajar ao Rio de Janeiro, serei obrigada a fazer uma cobertura baseada na cobertura feita pelo programa da Fátima Bernardes, em mais um capítulo dessa vergonha alheia televisionada que é a humilhação de otakus e cosplayers ao vivo pela apresentadora que come uma lasanha congelada com garbo e elegância. IKIMASU ver o que rolou no programa.

Obviamente vocês otakus não assistem ao Encontro pelo claro motivo de não terem qualquer familiaridade com essa palavra, então eu explico: o Encontro com Fátima Bernardes é um programa multitask, ou seja, ela leva uma quatro pautas completamente destoantes e coloca todo mundo no mesmo sofá, e fica pulando de uma pra outra na esperança da audiência subir. Hoje, por exemplo, rolou matéria com otaku, com k-pop, com vazamento de vídeos de sexo por Whatsapp, com dicas de maquiagem para bloco de carnaval e notícias sobre as chuvas no Rio Grande do Sul.

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Aliás, minha veia jornalística está louca para descobrir quem é esse delicioso Capitão América que foi ao programa e está convidadíssimo para vir brincar de Vingadores aqui em casa. Enfim, o programa levou Rodrigo Andreoli ex-CQC para visitar a Expo Geek, evento que aconteceu nesse final de semana no Rio de Janeiro e que teve as primeiras palestras fillers de editoras de mangás, com anúncios requentados e que não se encaixam na cronologia das coberturas do Mais de Oito Mil.

E, afinal, o que é um evento geek? Muitos podem dizer que é um local onde há uma reunião de pessoas que apreciam a cultura geek, seja nos videogames, nos quadrinhos ou no cinema. Mas essa resposta está bem errada, porque esses anos de muito Anime Friends e Mupy de maçã nos confirmaram que um verdadeiro evento geek é…

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…um lugar em que um repórter de programa feminino conversa com alguém vestido com o sobretudo da Akatsuki enquanto é gravemente atacado por duas versões furries de Star Wars, tudo isso sob o olhar atento de uma otaca de cabelo pintado. É isso que vem quando você paga aquele alto valor do ingresso que já inclui a meia entrada pra todo mundo porque a mutretagem é algo sem limites.

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Como é de praxe, o repórter tentou perguntar aos convidados o que é ser geek, o que é anime, e a melhor resposta foi a de uma menina de cosplay. Pena que a toda golpista Rede Globo decidiu desmoralizar a explicação dela sobre o que é anime

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…ILUSTRANDO A MATÉRIA COM TRECHOS DO TOSQUÍSSIMO ANIME DE MALHAÇÃO (que fiz cobertura aqui, obrigada pelos cliques).

De volta ao palco, ficamos acompanhando Fátima Bernardes tratar do assunto “ser geek” com a naturalizade de quem nos convence que o presunto da Seara tem menos sódio do que a da concorrência. Os cosplayers começaram a explicar por que se fantasiam, e o Capitão América nos encantou com seu carisma e seu sorriso composto por 32 dentes muito bem tratados.

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Realmente, ser cosplay é algo que anima muito as pessoas. Para confirmar, vamos contar quantas pessoas estavam animadas de estarem numa segunda feira pela manhã no Projac vendo uma matéria sobre cosplayers e geeks?

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Contando com a minha cara de bunda em casa, temos exatamente 12 pessoas visivelmente felizes com o tema. E como ser otacu, geek e oriental é tudo a mesma coisa nesse grande balaio generalizador que é a televisão do Burajiru, eles aproveitaram para levar um exemplar de keipopero que roubou a atenção da apresentadora e conseguiu a antipatia dos cosplayers, pois perceberam que se tornaram apenas figurantes naquele momento.

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E essa foi a participação otaca e geek no programa da Fátima Bernardes. Deu pra ver que a cultura mais rica continua sendo maravilhosamente bem representada por pautas sazonais no Encontro e no Esquenta. Pelo menos valeu a pena ver o meu husbando, o jornalista Cauê Fabiano do G1 que está cada dia mais lindo.

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(Pode ser um gráfico tanto do IPCA quanto da nossa vergonha alheia televisionada que foi essa cobertura do Expo Geek)

Os piores mangás que li em 2015

28 dez

“Mas Mara, sua blogueira gorda de tanto comer chocotone com sorvete de maracujá, você prometeu que esse post entraria no ar anteontem! O que você estava fazendo que não cumpriu sua promessa?”

Talvez eu tenha ficado entretida assistindo à segunda temporada de Arrow na Netflix. E, convenhamos, não dá para pensar em escrever matérias quando temos ISSO passando na televisão:

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QUE HOMEM. Enfim, chegamos à segunda parte da matéria sobre as leituras mangazísticas do ano, lembrando que falo apenas das coisas publicadas no Burajiru. Se no post passado eu falei de quatro títulos que me surpreenderam positivamente, agora chegou a vez de falar de SEIS porcarias que as editoras imprimiram e botaram na banca. Vamos lá para mais um tradicional post do Mais de Oito Mil falando mal das coisas de forma parcial e cheia de picuinha?

6º- Feridas do mesmo desenhista de Another (JBC)

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Pensa numa história envolvendo dois adolescentes que têm uma história de dor, sofrimento e questões psicológicas que eles preferem tratar se retraindo em vez de indo numa terapia. Pois é, Feridas além de ter dois protagonistas chatos para cacete ainda apresenta uma história tosca, soluções improváveis e uma trama que se arrasta por um tanko de 200 páginas. Talvez faria sucesso se fosse publicado no auge do Emocore.

5º- Kill La Kill (Ink Comics)

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A estreia de Marcelo Del Greco no governo do selo Ink Comics foi tão bom quanto o governo de Dilma Rousseff nesse segundo mandato. Além de ter sido publicado naquela época que reclamávamos que o papel jornal estava soltando tinta e era meio transparente (bons tempos, porque hoje temos um offset que não solta tinta e tem mais transparência que a Lei de Acesso à Informação), Kill La Kill claramente é um mangá que não deveria ter existido. Sabe, o anime tava legal, não precisava tentar transformar a animação frenética num desenho estático e sem carisma.

4º- Ataque dos Titãs (Panini)

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Ataque dos Titãs tem uma história legal e empolgante. E por que está na lista de piores leituras? Porque o Hajime Isayama consegue ter um traço que mistura o pior dos fanzines do Burajiru com a falta de anatomia de Rob Liefeld e Masami Kurumada. De que adiante ter uma história legal se eu não consigo entender o que tá rolando? Ou então distinguir os personagens?

3º- Chobits (JBC)

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A primeira vez que li Chobits, lá pelos idos de 2002, eu não tinha gostado porque tinha achado babaca o draminha (e tava achando confusa a história) e porque o universo tinha sido usado por Alexandre Lancaster para fazer uma série de fanfics deliciosamente ruins. Dei uma nova chance com a republicação da JBC, e consegui odiar o mangá por motivos completamente inéditos. Chobits além de ter uma história rasa e boba, é tão ofensivo e machista que eu sentia vontade de fazer textão problematizando a cada página. Ele só não ficou numa posição maior aqui no ranking porque em questão de mangá machista nada ganha de…

2º The Seven Deadly Sins – Nanatsu no Taizai (JBC)

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De que adianta ter um traço muito bonito, personagens carismáticos, uma história interessante e seguir toda a cartilha dos shonens porradeiros se você estraga seu mangá com assedio às personagens femininas? Eu juro que tentei acompanhar isso, mas dropei The Seven Deadly Sins por não suportar mais as passadas de mão do Meliodas na Elizabeth (que não são nem engraçadas, não que isso justificasse) ou então nos closes ginecológicos de todas as personagens femininas, parecendo que o autor trabalhou antes como diretor de imagem do quadro da banheira do Domingo Legal. Em tempo: as passadas de mão do Meliodas NÃO são engraçadas e são sim caracterizadas como assédio. E isso é crime, tá?

1º Sailor Moon (JBC)

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Crime, aliás, também deveria ser alguém publicar na internet que o mangá de Sailor Moon é algo bom. Esqueça o anime e as personagens legais, Naoko Takeuchi ocupa páginas e mais páginas de offset com pirotecnia, golpes com nomes tirados do cu a todo momento e dramas perturbadores como o da protagonista que sente ciúmes da própria filha, quase uma Helena de Em Família só que com um texto ainda pior que o da novela. Se quiser fazer um favor para sua nostalgia dos anos 90/2000: prefira o anime ou o mangá da Sailor V.

Os melhores mangás que li em 2015

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Natal é tempo de paz. Natal é tempo de amor. Natal é tempo de Dudunaweb ficar causando no Twitter tentando arranjar um kareshi para mim. E por causa desses clichês espalhados pelo mundo pela cultura menos pacífica e amorosa do mundo, a capitalista, estou aqui para fazer um post do Mais de Oito Mil evocando o respeito e a honestidade de nossa querida e não-cristã Grande Nação Japonesa. Passo o ano inteiro metendo o pau (no sentido figurado) em vários mangás, mas nunca falei o que eu li e que realmente gostei. Estão preparados? Pois aqui estão os quatro melhores mangás que li este ano e que foram publicados no Burajiru, tudo sem comentários ácidos e sem trolladas gratuitas à transparência da JBC. IKIMASU aos quatro títulos?

(Por que 4? Porque eu tirei 20th Century Boys da lista pelo simples motivo que essa reta final tá um belíssimo cocô)

4º Don Drácula (Newpop)

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Vou falar uma verdade que talvez você não goste: Osamu Tezuka é o Deus Supremo do Mangá sim, mas ele também já fez muita porcaria nessa carreira. Tem uns mangás que a gente olha e acha ruim, mas não pode criticar porque tem o selo Tezuka. Não é o caso de Don Drácula. Há muito tempo fiz um review do anime aqui no Mais de Oito Mil quando vários blogueiros da imprensa especializada (pff) fizeram um dia especial do autor, e confesso que não tinha curtido não. Já com o mangá foi bem diferente, em vários momentos me peguei rindo muito das piadas que o autor fazia. Fisicamente ele também está ótimo, porque qualidade a Newpop sabe fazer (só queria que ela tirasse aquelas porras de spoilers no começo dos volumes).

3º Sailor V (JBC)

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Eu quase não comprei o mangá de Sailor V porque estava já muito traumatizada com a baixíssima qualidade de Sailor Moon. Mas um dia eu tava esperando de trouxa um tomodachi que nunca chega na hora e pensei “por que comprá-lo, por que não comprá-lo” e comprei-o-o sem o menor interesse. E não é que esse mangá me surpreendeu? Cheguei até a ter uma certa simpatia pela xenófoba Naoko Takeuchi, autora dessa bagaça surrel. Sailor V parece uma grande paródia dos grandes heróis e do próprio mangá de Sailor Moon (embora parte do mangá tenha sido publicado antes do grande sucesso da autora), e a Sailor V é finíssima e deliciosa, melhor personagem. Dá até uma tristeza ver que ela foi eclipsadíssima pelos draminhas Malhação da Usagi no mangá principal.

2º Beelzebub (Panini)

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Se tem duas coisas que eu não entendi até hoje foram o final do anime de Evangelion e o motivo de Beelzebub ser ignoradíssimo por todas as pessoas que compram mangá no Burajiru. Sério, considero uma alegria bimestral chegar na banca e encontrar um volume novo com as aventuras do Oga e do Beel. Beelzebub é muito engraçado, tem personagens muito carismáticos (embora eu nunca decore o nome deles porque troquei minha boa memória por um rim novo) e o autor faz umas lutas muito legais. E a versão brasileira ganha pontos porque tem bem menos daquele preciosismo de tradução que os outros mangás da Panini têm, é uma coisa bem mais coloquial (algo como o que deveríamos ver em Yu Yu Hakusho se eles não forçassem tanto as piadas na tradução brasileira). Mas nem tudo são chocotones com sorvete de maracujá, porque o autor tá há uns volumes enrolando pra começar algum arco longo e tá dando uma cansadinha, continuo esperançosa que vai continuar bem até o final.

1º Assassination Classroom (Panini)

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Quem é Naruto, One Piece ou Dragon Ball na fila do self service dos shonens da Shueisha quando Assassination Classroom está por perto? Por trás de uma premissa interessante e um traço não tão bom assim se esconde um protagonista que é impossível torcer contra (Koro-sensei é daquele tipo de personagem que não tem como odiar, é como o Sakuragi do Slam Dunk) e uma história que subverte totalmente tudo o que a Shonen Jump defendeu até hoje num mangá para meninos. Eu ainda vejo o mangá de uma forma ainda mais bonita, porque ele incentiva as pessoas a arriscarem uma profissão que anda muito desvalorizada, que é a de professor.

Essa foi a nossa matéria apenas falando bem dos títulos. Uma merda, né? Sorte que amanhã vamos ter mais uma no Mais de Oito Mil, dessa vez para falar tudo o que eu achei de mais lixoso nas minhas leituras do ano. Aí poderei tirar esse espírito natalino e vestir o espírito de porco característico desse blog!

Analisando Especial: Digimon Tri não é assim a última bolacha do digimundo

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Esse final de semana foi muito alegre pra todo mundo que acha que era verdadeiramente feliz em 2000, pois a Toei estreou Digimon Tri. Ninguém entendeu até agora se é uma série, um OVA, um filme para cinema, uma novela da Televisa ou até mesmo um delírio coletivo, mas todo mundo está de braços estendidos e rezando para o deus Kamisamamon igualzinho a Angélica nesse GIF maravilhoso:

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Mas será que Digimon Tri é bom mesmo? Será que a nossa imprensa especializada (pff) soube separar bem a nostalgia e analisar friamente a qualidade desse novo anime que é o quarto requentado da Toei apenas esse ano? IKIMASU conferir na nossa análise apurada dos quatro episódios (imagina o meu sofrimento de ver isso só pra escrever a matéria)!

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Uma das coisas que me perguntei desde o começo foi “como assim Digimon Tri é uma continuação de Digimon Adventures, considerando que a série teve uma sequência com o elenco mais velho chamada Digimon 02?”. Minha maior dúvida foi saber que fim levaram os digiescolhidos da segunda temporada, e a resposta veio já nos primeiros segundos:

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Aos poucos somos apresentados aos digiescolhidos da primeira temporada, que agora estão com uma cara mais triste para que o público acredite que eles agora são pessoas com profundidade psicológica e são protagonistas de um anime adulto sobre bichinhos fofinhos que lutam:

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Os personagens não têm mais tempo de andar juntinho igual na época do Digimundo, então cada um seguiu seu caminho: Tai joga futebol, Matt tem uma banda para expressar sua interioridade, Joe tá preocupado com o vestibular e Mimi se encontra em outro país agradecendo por não estudar numa escola que será reorganizada pelo Geraldo Alckmin:

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Surge então um digimon no mundo real pronto para destruir tudo. Ele foi baixado por internet discada, então o arquivo está meio corrompido e ele só conseguiu aparecer no final do episódio depois de uma chatíssima apresentação de todos os personagens:

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Sim, já estamos no segundo episódio. Se você não dormiu durante os diálogos forçados e a animação parada, agora verá a verdadeira ação. Tai mostra que não é mais aquele inconsequente que faz as coisas sem pensar indo atrás do digimon munido apenas com seu uniforme de futebol e sua bicicleta. Por sorte ele encontrou ajuda:

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Ok, parei de pegar no pé do roteiro sem pé nem cabeça. Enquanto Greymon luta contra o inimigo destruindo o aeroporto de Haneda, Tai começa a sentir um peso na consciência pelas mortes que rolaram e ele não pôde evitar:

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Uma organização formada por figurantes vestidos de roupa social vai atrás de cada uma das crianças e as leva até o aeroporto para que lutem contra o digimon maléfico. É nessa hora que a Toei mostra o novo visual das digievoluções que ocupam 1/4 da duração do episódio com uma animação pouco inspirada e repetitiva que empolga só quem curte o Canal Nostalgia:

Pelo menos a música serve pra dançar:

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Sim, esse negócio é tão arrastado que o nosso resumo já está no terceiro episódio. Como gastaram a verba com a ação do episódio anterior, temos mais um paradão agora. Todos estão na escola e Tai começa a se remoer por não ter evitado os feridos:

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Enquanto isso, todos os digiescolhidos se reúnem pra levantar pistas sobre o que está acontecendo. Obviamente ninguém se preocupa com os personagens da segunda temporada porque, né…

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E o Tai? Bem, ele tá sofrendo ainda:

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A Toei precisava de uma desculpa muito boa para colocar o Tai com o icônico par de óculos de aviador, então Izzy inventou um radar que permite o protagonista encontrar perturbações no mundo digital, desde foco de aparição de novos digimons até o buraco negro sobre a cidade de São Paulo que faz o sinal do 4G da Tim ser tão ruim:

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A turma vai até uma roda gigante para conseguir ver melhor toda a cidade com os óculos de aviador, e Matt tem uma conversa séria com o sorumbático Tai:

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Ah, sim! Claro que a Toei ia inventar novos personagens:

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Alphamon aparece e começa a destruir tudo. Explicação para o público não ficar confuso? Não trabalhamos:

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Para deter a ameaça, os digimons vão para um nível mais elevado, se fundem e fazem muitas outras coisas poderosas sem que alguém explique por que eles não fizeram isso desde o começo quando o outro digimon destruiu um celular V3 e fez o Tai sofrer mais que o Shinji para entrar no robô:

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Alphamon foge, todo mundo fica feliz e conhece a nona digiescolhida. Quem também fugiu foi o diretor de arte do episódio, porque o desenho dos personagens ficou nível Sailor Moon Crystal, mas com um filtro de instagram pra dar uma disfarçada:

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E esse foi o primeiro especial de Digimon Tri, aquele que tá todo mundo elogiando como se fosse um filme do Studio Ghibli mas mais ficou parecendo aqueles filmes sem nexo de Dragon Ball Z. Mas não vou ficar indo contra a nostalgia dos outros, vou sair do post no passinho da Angélica:

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Analisando Mangás Maravilhosos: Sailor V é tudo o que Sailor Moon deveria ser

9 nov sailor-v-manga-capa

Depois que escrevi a minha matéria criticando o mangá da Sailor Moon, ainda hoje recebo emails das viúvas da série ameaçando enfiar um cetro lunar no meu cu por ter criticado um shoujo tão perfeito como Sailor Moon. Miga, se Sailor Moon é shoujo perfeito com seu traço inconstante, personagens subaproveitados e uma narrativa de ação que faz Cavaleiros do Zodíaco parecer um mangá do Tezuka, não quero nem saber quais são os shoujos ruins. Eu já tinha decidido que não seria feita de trouxa e que nunca mais compraria um mangá que tivesse o dedo da Naoko… mas aí um dia ELE apareceu.

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“Mas Mara, sua blogueira gorda e parcial, você vai falar bem de um mangá da JBC? Você não é paga pela Panini pra falar mal da concorrência?”

Desculpa, mas minha parcialidade me faz elogiar coisas boas, e o mangá Sailor V é um dos melhores títulos de humor que já li nos últimos anos! O motivo é muito simples: ele está muito mais perto do mangá de Sailor Moon que o próprio mangá de Sailor Moon.

Vamos para a sinopse, pois esse é o padrão das resenhas de mangás da Imprensa Especializada (pfff): era uma vez uma adolescente loira e atrapalhada de 14 anos que encontra um gato misterioso na rua que lhe dá poderes, aí ela adota uma identidade secreta e passa a combater os monstros do dia na cidade usando uma roupa de marinheira e sendo protegida por um misterioso guerreiro mascarado por quem tem um crush. Percebeu alguma coisa? SIM, É EXATAMENTE A SINOPSE DE SAILOR MOON. Mas no lugar da insossa Usagi do mangá, a gente tem a maravilhosa e gente-como-a-gente Minako Aino.

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Temos uma lista grande para odiar a Usagi do mangá: ela é monotemática (ai ai Mamoru), ela resolve os problemas da mesma forma sempre (ai ai Cristal de Prata) e derrota os inimigos gritando golpes cujos nomes mais parecem nomes de banda de heavymetal. Já a Minako é completamente diferente: ela se apaixona por um cara diferente todo capítulo, resolve os problemas na base da sorte e usa o non-sense para derrotar os inimigos. E que inimigos maravilhoso, pois quem é o Negaverso na fila do prisma lunar quando temos vilões de nomes tão eloquentes como Danburite, Miau-Miau e Chup-Chup?

Por ser uma narrativa mais episódica, o mangá de Sailor V se aproxima muito mais do que é o anime de Sailor Moon, que no fundo é a parte realmente boa das guerreiras lunares. E embora a Minako seja um protótipo do que viria a ser a Usagi no anime, ela tem muito mais personalidade. A ponto de nos perguntarmos por que a Toei até agora não fez um anime de Sailor V (se bem que, julgando Sailor Moon Crystal, é melhor até que não faça).

Raramente eu posto uma crítica falando tão bem de algo, mas não tinha como não elogiar esse mangá maravilhoso. Tem só 2 volumes, é risada garantida e o papel nem tá transparente como Orange!

Análise: Dragon Ball Z – A Ressurreição da Fanfic Ruim

18 jun KUKKATSU-CAPA

(Pode ler que não tem spoiler)

E aí, minna! Para a matéria de hoje eu saí do conforto do meu quarto quentinho com meu travesseiro em tamanho real do Gendo Ikari pra ir às ruas acompanhar a estreia do novo filme de Dragon Ball Z aqui no Burajiru. Como ninguém estava comovido nas ruas, afinal nostalgia por Dragon Ball não é o mesmo que Copa, fui logo assistir à bagaça pra dar minhas opiniões sobre o longa. Vamos lembrar que essa é a primeira vez que DBZ será criticado no Mais de Oito Mil, então muitos de vocês imaginam que será uma análise de uma fã daquelas que tentava imitar a Videl nos exercícios de voo quando era mais nova, né?

ERRAAAADO! Pra começar, já aviso que o filme é uma bomba com o padrão Toei de qualidade. Sério, vocês esperavam algo de bom de uma empresa que fez Sailor Moon Crystal e Cavaleiros do Zodíaco Ômega? A história do filme é aquela coisa simples que só serve como justificativa para juntar um punhado de personagens para lutas rapidinhas: um general do exército do Freeza chamado Sorbet veio à terra e ressuscitou seu líder supremo (afinal, pra quê ser o atual dominante do universo quando você pode ressuscitar teu chefe que te humilha?). Freeza volta à vida e então pensa “eu vou aproveitar minha nova chance e ir caçar uns planetas aí bem longe da Terra” “preciso voltar à Terra e me vingar da pessoa que fez picadinho de mim”.

Tradução: Eis todos os personagens que ganharam 30 segundos de cena de ação solo

Tradução: Eis todos os personagens que ganharam 30 segundos de cena de ação solo

Mas como Freeza vai derrotar Goku? Obviamente com uma saída que os roteiristas tiraram do cu: o vilão pensa “eu nunca treinei na vida porque sou foda, vai ver a saída é a meritocracia”, aí ele passa seis meses treinando antes de vir para a Terra com todos os funcionários que sobreviveram à explosão de Nameku-sei e ao filme do irmão do Coola. Cabe aos Guerreiros Z enfrentarem essa nova (e tediosa) ameaça. Cabe mesmo?

Como o próprio cartaz do filme já entrega (ou seja, não é spoiler), está faltando um pouquinho de gente nesse filme. Tudo bem, eu não tô pedindo que Yamcha e Chaos ganhem tempo em cena, mas a Terra conta com guerreiros fortes como Goten, Trunks e Majin Buu… e eles ficaram de fora. Usaram uma desculpa de “não trouxemos os meninos porque vai saber né” e pronto, é como se não existissem. Sem contar o pecado mortal de não colocar o Mister Satan no longa, né. Enfim, o grupo dos heróis que luta contra Freeza é composto por Piccolo, Gohan com roupa de ginástica, Mestre Kame (que teve um inexplicável upgrade de força), Tenshinhan, Kuririn e Jaco. Peraí… quem é esse cara? Sim, além de incluir no filme Bills e Whis (que vieram do filme anterior), a Toei enfiou o personagem principal do mais recente mangá do Toriyama, “Jaco the Galactic Patrolman”. Legal é que quem não acompanhou esse mangá fica perdido quando citam coisas da história e até uma irmã mais velha da Bulma, a Tights (rly, Toriyama?).

Qual a necessidade disso?

Qual a necessidade disso?

O problema do filme é que a galera não tem mais o que contar e ficam fazendo mágica pra surpreender a gente. Inventam evolução nova (e cafona) do Freeza, inventam um novo estágio do Super Saiyajin que supera qualquer outro estágio do Super Saiyajin (e que por sua vez superava qualquer outro estágio…). Na verdade, o problema é bem mais embaixo e está na forma como o Toriyama terminou a série. No final de Dragon Ball Z, Goku está tão forte e tem aliados tão poderosos que, para se fazer uma história, precisa de um antagonista tão incrível quanto ele. Mas a própria “mitologia da série” já torna tudo isso inverossímil, afinal ele derrotou o cara mais poderoso do universo, o robô mais poderoso criado pelo homem e a personificação da maldade. Provavelmente o Toriyama fez isso sem querer, mas o final de Dragon Ball só torna possível dois tipos de história subsequentes:

1- Colocar um vilão mais forte (a opção mais desafiadora, pois não vamos acreditar que exista alguém assim ainda. O Bills no filme passado já foi uma forçação de barra)
2- Colocar alguma limitação nos poderes do Goku e fazê-lo enfrentar pessoas mais fracas (que é o que aconteceu no nosso ~amado~ Dragon Ball GT)

A impressão que tive vendo o filme é que ele mais parece uma fanfic. Os personagens não estão agindo da forma que agiam na série (ou mesmo no último filme), a inclusão de novos poderes sem qualquer justificativa nos deixa com cara de WTF e um pequeno detalhe no final do filme dá a entender que o roteirista nem ao menos se deu ao trabalho de ler a série. E quer saber a pior parte? Dragon Ball Super vai seguir essa linha. Veja por sua conta e risco.

Analisando Mangás Que Todo Mundo Curte e Não Faço Ideia do Porquê: Sailor Moon (Editora JBC)

22 abr review-manga-sailor

Desde que a Conrad achava que colocar nas bancas 30 páginas porcamente editadas de Pokémon era considerado “lançar mangá no Burajiru”, os otakus brasileiros sempre imploraram para o lançamento de Sailor Moon por aqui. E as editoras de mangás deviam travar uma guerra fria nos bastidores para conseguir os títulos: a Conrad oferecendo meio tankos com lombadas multicoloridas, a JBC prometendo referências de Chaves na tradução e a Panini com uma maleta cheia de dinheiro conquistada através de códigos parecidos com os de enriquecimento fácil no The Sims. Mesmo assim, Naoko sempre fez a Amy e falava “no no no” (ou “iie iie iie”, porque ela é da Grande Nação Japonesa).

E por que eu estou enchendo esse texto com um nariz de cera maior que o do Usopp? Porque finalmente uma editora saiu vencedora no duelo e foi a JBC. Sob a edição do editor que não tem uma orelha e divulgação maciça de publicidade (algo raro até hoje), o mangá de Sailor Moon foi lançado em 2014 e terminou mês passado. Antes que a JBC coloque os spinoffs nas bancas, chegou a hora mais esperada do mundo na imprensa especializada (pff): VAI ROLAR ANÁLISE DO MANGÁ DE SAILOR MOON AQUI NO MAIS DE OITO MIL!!!!111umum

“Mas Mara, sua gorda que usa avatar de anime com mais de 20 anos nas costas, eu conheço seu blog há anos e sei que você vai implicar gratuitamente com Sailor Moon da mesma forma que implica com Cavaleiros!”

Se você pensou isso, queria te avisar que está ERRADO. Mesmo odiando Cavaleiros do Zodíaco, eu reconheço algumas coisas boas, como a premissa e a cartilha de clichês seguida pelo Kurumada. Os desenhos são ruins, os personagens são todos iguais e a história é apreciada apenas por pessoas com problemas cognitivos, mas tem seus méritos. Já o mangá de Sailor Moon eu estou procurando ainda algum mérito para enaltecer.

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Se busca encontrar algo parecido com o anime no mangá, é melhor tirar seu pégaso da chuva gerada por palavras aleatórias em inglês. A Naoko erra em tantos níveis que fica difícil achar por onde começar, mas vou tentar. O que esperamos de um mangá shoujo? Ou melhor, o que encontramos de bom em um Sakura Card Captors, por exemplo? Temos uma personagem carismática, ação, aventura e uma dose de romance. Todas essas características nós encontramos no anime de Sailor Moon, mas estão em falta no mangá.

Coloque uma coisa na cabeça: a Usagi do mangá não é carismática. Ela é CHATA! Ela é apenas uma personagem vazia, sem ambição e completamente submissa ao macho alfa da trama, o Mamoru. Ela é a heroína da história não porque ela tem virtude, e sim porque ela tá lá e pronto. Qualquer outra personagem de Sailor Moon tem mais carisma para ser a protagonista, e olha que estou incluindo até os corvos da Rei e os figurantes amigos do Mamoru da faculdade.

O mangá de Sailor Moon até tem ação, mas a nossa dificuldade é encontrar essa ação. Isso porque a Naoko desenha tão mal que nem ao menos encontramos as personagens no meio das páginas do mangá. Cenários, linhas de ação e personagens estão tão misturados que fico sem saber se é um mangá ou uma edição do Jardim Secreto para adultos estressados. Isso sem falar que a ideia de ação da Naoko se resume a colocar as personagens tirando poderes do cu e gritando nomes extensos de golpes (todos criados usando a técnica de se colocar várias palavras em inglês num saquinho e ir tirando aleatoriamente até formar um golpe estiloso).

sailor-moon-manga-critica-listaMas o maior problema é que a Naoko pegou uma fórmula e repetiu em TODO FUCKING ARCO. Tá, qualquer autor de shonen faz isso, mas só Naoko consegue repetir 5 vezes a mesma estratégia durante apenas 12 volumes. É sempre:

Aparecem sailors > aparecem as inimigas que querem o Cristal por sei lá o quê > essas sailors são amigas ou inimigas? > Sailor Moon e as outras matam todas as sidekicks do vilão > vilão derrota Sailor Moon > Sailor Moon tira um novo poder da buceta e derrota o vilão > todos comemoram

Outra coisa que eu não entendo é por que existem outras personagens, se nenhuma é minimamente desenvolvida. No anime todas têm personalidade e histórias próprias, então dá para gostar mais de uma que da outra, mas no mangá todas servem apenas para gastar páginas com transformações e golpes com nomes estranhos que serão usados apenas uma vez. O único capítulo que fugiu a essa regra foi aquele que a Minako estava se sentindo mal por ser a única que não tinha ganhado uma nova transformação e decidiu atacar sozinha.

MANGA-ZONA-SM

Minha sensação ao terminar de ler esta bosta foi que fui feita de trouxa. Comprei o mangá esperando algo minimamente parecido quando eu via o anime na TV, e acabei comprando um produto muito inferior. Para quem vier falar que isso é nostalgia, gostaria de fazer uma pergunta sincera: você gostou MESMO dessa história corrida, mal desenvolvida, mal desenhada, cansativa e sem carisma ou apenas não quer pagar de estranho por não ter gostado de um mangá que todo mundo diz que gosta?

Nada contra a edição da JBC, mas eu que não vou ser feita de trouxa de novo e comprar o Short Stories e Sailor V… Nesse caso, vou apenas aceitar que o mangá de Sailor Moon era apenas uma justificativa para a Toei poder encher o cu de dinheiro fazendo um anime que, ao contrário do original, prestava.

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