Mercado Nacional

A nova política de reimpressões de mangás é absurda

Atendendo a trocentas solicitações de leitores, as principais editoras do nosso mercado de mangá decidiram reimprimir volumes muito pedidos de títulos lançados anos atrás. Infelizmente nem tudo são flores, e podemos dizer que a forma na qual a Panini e a JBC estão reimprimindo seus mangás é tão (ou mais) abusiva com os leitores do que a publicação tradicional. Difícil imaginar isso, né?

Para quem não está sabendo como a coisa tem funcionado, é o seguinte: do lado da Panini, alguns dos mangás mais pedidos estão ganhando reimpressões desde o volume um, como é o caso de Dragon Ball e Naruto. Ou seja, todo mês a editora está lançando reimpressões de vários volumes antigos dessas séries de uma única vez, tudo a preço reajustado. Já a JBC recentemente fez um grande alvoroço para anunciar a reimpressão de Hunter x Hunter desde o começo, com dois volumes sendo lançados a cada mês e com o preço pouco convidativo de 30 reais por edição.

 

Muita gente me mandou mensagem falando que eu precisava falar do preço absurdo que está o mangá. Em vez de reimprimir com o preço antigo, as duas editoras precisaram reajustar tudo e finalmente atingimos a marca de um shonen de lutinha a trinta reais, e sim, esse preço é bem alto. Porém, ao mesmo tempo ele também é compreensível: seria inviável lançar um mangá de 10 anos atrás pelo mesmo preço de 10 anos atrás, porque qualquer coisa naquela época dobrou ou triplicou seu preço. E vamos lembrar que estamos com uma política econômica falida, o dólar a quase seis reais e encarando uma primeira onda eterna de uma pandemia.

Mas Mara, sua chata, você ficava o tempo todo pedindo reimpressão e agora que tem você reclama, só quer ser do contra!“, vai dizer algum leitor mais emocionado. Pois então, a grande questão é que precisávamos de uma política nova de reimpressão, e não apenas reimpressão. Vou explicar.

A Panini está lançando vários volumes de Dragon Ball a 25 reais todos os meses, e quem não comprou no passado e quiser comprar a coleção é mais uma vez refém da péssima gestão de tiragens da Panini: quem me garante que daqui dois meses eu vou encontrar esses volumes para comprar? A mesma coisa a JBC: no mesmo vídeo em que celebram a reimpressão de Hunter x Hunter, o editor Marcelo Del Greco reforçou que “o ideal é comprar no lançamento”, dando a entender que depois do lançamento ninguém vai garantir a disponibilidade.

Se o público de mangá já é normalmente refém das editoras, pois precisa comprar um volume de mangá no momento que sai ou ficará sem, agora quem busca uma reimpressão é novamente refém de uma estratégia de botar vários volumes ao mesmo tempo sem garantir que eles continuarão sendo disponibilizados daqui alguns meses ou anos.

É preciso mudar a forma como as editoras cuidam de reimpressões, isso precisa ser algo frequente, e não um grande evento que acontece apenas de tempos em tempos. Enquanto isso não acontecer, o leitor continuará a mercê das editoras e precisará organizar suas finanças de lazer de acordo com a vontade de uma Panini ou JBC.