Aleatoriedades

Satoru Gojou é o Paulo Freire de Jujutsu Kaisen

Paulo Freire é um nome polêmico no Brasil. Embora seu livro Pedagogia do Oprimido seja a obra brasileira mais citada em estudos de educação no mundo inteiro, o professor se tornou uma espécie de Piccolo Daimaoh em seu próprio país: um mal a ser exterminado. Por sorte muitos carregam seu legado, indo desde militantes políticos até mesmo o professor Satoru Gojou de Jujutsu Kaisen.

Jujutsu Kaisen é um dos principais animes dessa temporada e está sendo transmitido pela Crunchyroll no Brasil, com episódios novos sempre às sextas-feiras. A série conta a história de um garoto, Yuji Itadori, que engole um dedo amaldiçoado e divide o corpo com um demonião com um poder de destruição semelhante ao de um Ministro do Meio Ambiente.

No sexto episódio do anime, “Depois da Chuva“, uma cena chama a atenção por trazer um tema sério abordado no meio de uma cena com limitações orçamentárias. No diálogo vemos Satoru explicando para Kiyotaka Ijichi o motivo de ter se tornado um professor nesse mundo doido de shonen de lutinha, e a resposta é surpreende de forma positiva. O Kakashi de Jujutsu Kaisen revela que decidiu se tornar um professor por querer uma revolução.

Eu tenho um sonho. O alto escalão do Jujutsu é um ninho de cobras. Idiotas conservadores, tradicionalistas idiotas, arrogantes idiotas, (…) quero resetar esse mundo de merda dos Jujutsu“, explica Gojou.

O professor continua, dizendo que ele poderia simplesmente assassinar todos os governantes, mas aí as pessoas só seriam trocadas e ele não teria apoio dos demais. “Não haveria revolução“, sentenciou. Foi por isso que ele decidiu apostar no ensino: “Eu escolhi a educação. Desenvolver camaradas fortes e inteligentes“, complementando o seu plano de usar o legado educacional para criar uma geração que conteste o poder vigente.

Com esse trecho de poucos segundos já podemos afirmar que Satoru Gojou é o mais próximo de um Paulo Freire que já apareceu em um shonen de lutinha, e um dia seus métodos de ensino pouco ortodoxos serão relembrados por jovens e, finalmente, a revolução almejada pelo Kakashi de visão limitada se realizará.

Piadinhas e generalizações à parte, a comparação com Paulo Freire não é tão indevida assim. Satoru Gojou segue a linha de outros professores de séries recentes, como Assassination Classroom, e mostra que o pedagogo brasileiro não é o mais citado no mundo à toa: seu discurso é ainda muito pertinente e alinhado com histórias do mundo inteiro. Quer dizer, menos no Brasil, porque aqui o que as pessoas menos querem é alunos pensando em tirar conservadores idiotas do poder.

Agradecimentos a Dhyan Monducci pela comparação que fez originalmente no Twitter