Mercado Nacional

Os autores de mangá mais rodados do Brasil

Com o cancelamento de todos os eventos de anime e mangá por causa da Covid-19, os responsáveis pelas editoras brasileiras arranjaram formas de realizar suas tradicionais palestras. Seguindo o caminho traçado por Marília Mendonça e Gusttavo Lima, as editoras de mangás vêm realizando lives nas redes sociais para manter o público informado sobre atrasos e prometendo anúncios que ninguém mais tem condições de comprar.

Recentemente o Bruno Zago da editora Pipoca & Nanquim participou de uma live para o Instagram do Fora do Plástico e deu umas pistas insinuando que o mangá Adolf, de Osamu Tezuka e já lançado no Brasil eras atrás pela Conrad, poderia fazer parte do catálogo.

Como pode aparecer alguém dizendo que estou insinuando coisa onde não tem, faço questão de colocar outros influenciadores do meio otaku com a mesma percepção:

Se rolar mesmo essa possibilidade de Osamu Tezuka ter um mangá publicado pela Pipoca & Nanquim, isso fará o mangaká ser o mais rodado do mercado nacional, com seu nome espalhado por quase todas as principais editoras.

Aproveitei então esse momento para fazer uma listinha sobre alguns dos autores que flertam com várias editoras:

Osamu Tezuka (JBC, Conrad, Panini, NewPOP Editora, Veneta, Maurício de Sousa Produções, Mythos e talvez Pipoca & Nanquim)

Se tem um autor de mangá soltinho no nosso mercado editorial, esse autor é Osamu Tezuka. Ele conseguiu a proeza de ter seu nome envolvido em títulos de sete editoras (oito, se rolar mesmo o Adolf pela Pipoca & Nanquim).

Tezukão começou sua carreira no Brasil com o A Princesa e o Cavaleiro da JBC, depois deu um pulinho na Conrad com sua biografia, Adolf e Buda. Depois de um tempo sumido a NewPOP conseguiu os direitos de publicar vários títulos do autor, como Dororo, Kimba e Don Drácula. No meio dessa bagunça toda a Veneta publicou Ayako, a Mythos lançou um livro de arte/biografia e a Maurício de Sousa Produções promoveu um feat. entre os personagens do Tezuka com a Turma da Mônica Jovem.

Mas talvez a mais mutreteira tenha sido a Panini, que conseguiu o respaldo do nome Tezuka sem nunca ter publicado um mangá do autor: Tezuka aparece como criador do mangá de Astro Boy e como inspiração para Pluto de Naoki Urasawa, mas ele não teve nenhum título real publicado pela editora italiana.

Hirohiko Araki (Panini, Pipoca & Nanquim, Editora Dealer)

Conhecido pelos jovens por causa do anime de Jojo’s Bizarre Adventure, Hirohiko Araki é um autor de inúmeros mang… ok, na verdade ele é basicamente conhecido por Jojo’s mesmo. A Panini publica aos pouquinhos o mangá das várias gerações dos Joestars, mas não podemos esquecer que a Pipoca & Nanquim publicou o mangá em que o personagem Rohan visita o museu do Louvre.

Mas muito antes disso, a editora Dealer anunciou no final dos anos 80 a publicação no Brasil do mangá Baoh, do mesmo autor. Vale a pena ler a matéria sobre o assunto lá na Biblioteca Brasileira de Mangás. Não é possível descobrir se o título chegou a ser lançado, mas vamos considerar que ele foi licenciado sim. 

Ou “licenciado”. Se me entendem…

Inio Asano (L&PM, JBC e Panini)

Inio Asano é, ao lado do isolamento social, um dos maiores promotores da tristeza absoluta nos otakus do Brasil. Vários de seus títulos muito tristes foram lançados em editoras diferentes.

A primeira a embarcar no trem do baixo astral foi a L&PM, que publicou o mangá Solanin em um formato pocket. Anos depois a JBC trouxe o indecifrável Nijigahara Holohgraph e a Panini veio com o Cidade da Luz em papel jornalzão mesmo.

Quando a gente achou que a próxima a trazer algo seria a NewPOP, a JBC surgiu com Boa Noite Punpun (sem vírgula).

Takehiko Inoue (Conrad, Nova Sampa, Panini)

Um dos grandes gênios dos mangás é Takehiko Inoue, mas demorou muito para ele ser respeitado no país. A Conrad trouxe Slam Dunk e Vagabond, mas o segundo infelizmente teve sua publicação cancelada para que a editora pudesse relançar tudo apenas em formato luxo. E, claro, esse luxo todo foi também cancelado.

Anos depois a Nova Sampa conseguiu seduzir o autor dos samurais e continuou a edição de luxo de Vagabond, vendendo tanto quanto paleta mexicana em 2020. Por fim, a Panini usou seu dinheiro infinito para relançar Slam Dunk e publicar Vagabond até onde havia material inédito no Japão.

Jiro Taniguchi (Conrad, Devir, Pipoca & Nanquim e Panini)

Autor de mangás que transitam na tênue linha entre o chato e o conceitual, Jiro Taniguchi teve obras espalhadas por três editoras: a Conrad lançou o mangá Gourmet e a Pipoca & Nanquim entrou no mercado de mangás com Os Guardiões do Louvre sem explicar muito bem qual é a ordem de leitura de um mangá.

Mas quem se jogou de cabeça nos mangás do autor foi a Devir, que até o momento já lançou O Gourmet Solitário (que é o mangá Gourmet da Conrad com um nome mais edgy) e O Homem que Passeia.

[Atualização 22/96 14h] O Sr Biblioteca Brasileira de Mangás lembrou de mais uma editora do Jiro Taniguchi, a Panini. Ela publicou O Livro do Vento e o mangá Seton, que foi parar no mesmo freezer de um que vamos citar no próximo tópico.

Menção Honrosa: Yuu Watase (Conrad, Panini e quase a Animangá)

Se eu consegui enfiar o Hirohiko Araki nessa lista, seria injusto eu não colocar Yuu Watase e seu conhecido pé-frio editorial. Simplesmente TODOS os seus mangás lançados no Brasil estão envoltos por uma nuvem de mau agouro, trazendo inúmeros prejuízos aos envolvidos.

Seu primeiro mangá foi Fushigi Yugi, lançado pela Conrad numa época que qualquer mangá não-nomeado-Dr-Slump vendia, e segundo editores da época foi bem difícil chegar até o fim. A editora até chegou a repetir capa do mangá por puro descuido! Mas a editora não se deu por vencida e ainda trouxe O Namorado Perfeito, que tem a proeza de ter seu último volume desaparecido.

Mas o brasileiro gosta de arriscar e seu O Mito de Arata foi lançado pela Panini, e o sucesso foi tanto que o título foi colocado no freezer, sem qualquer previsão de retornar.

E não podemos esquecer que Fushigi Yugi QUASE foi lançado pela editora Animangá durante o suposto êxito de Ranma 1/2: a editora fez enquetes sobre qual deveria ser seu próximo mangá e chegou a anunciar Fushigi Yugi, mas o título acabou nunca chegando.

Haja azar heim?