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JBC anuncia republicação de InuYasha em um ano de incertezas

Assim como cantores sertanejos e praticantes de dancefit, as editoras de mangás encontraram nas lives uma forma de promoverem bate papo com o nicho e ainda prometer alguns títulos para o futuro. Um dia após a NewPOP revelar que trará Aku no Hana ao Brasil, a JBC surpreendeu a todos com o re-anúncio de InuYasha.

Ok, o mangá já havia sido anunciado quatro anos atrás, mas agora eles conseguiram autorização da Shogakukan para a publicação da versão wideban (em 30 volumes) no ano de 2021. Mas… como estará o mercado de mangás ano que vem? Bem, vou falar um negócio que nada tem a ver com qualidade da obra: InuYasha é um mangá muito difícil para o Brasil.

Embora exista um carinho muito grande dos brasileiros pela história do meio-youkai, é inegável que o traço é pouco convidativo para o público mais novo, a história é um pouco mais enrolada que uma novela infantil do SBT e a quantidade de volumes desanima qualquer pessoa que não ganha 5 dígitos mensais.

“Mas Mara, sua hater, e o que justifica o mangá ter sido publicado uma vez?”

Bem, vamos relembrar que InuYasha foi lançado em junho de 2002, em uma época na qual mercado estava um pouco mais propício. Tínhamos animes a rodo na TV aberta e qualquer coisa que não se chamava Dr Slump conseguia vendas razoáveis. Infelizmente, InuYasha veio a ter 56 volumes (112 na nossa versão, já que cada edição correspondia a metade de uma japonesa), o que fez com que o mangá terminasse quase no fim da década. Lá pela reta final, na fase da treta no túmulo do pai do InuYasha, a JBC meteu o louco e começou a lançar quinzenalmente para ver se acabava logo.

Também é seguro dizer que as vendas de InuYasha nunca foram fenomenais. Em diversas palestras os editores já contaram que as vendas de mangás seguem de forma decrescente do primeiro ao último volume, mas InuYasha teve dois volumes (se não me engano o de número 6 e 7) com boas vendas, mas isso foi por coincidir com a rápida exibição na TV Globinho. O mangá só terminou no Brasil por teimosia e insistência por parte da JBC, além do esforço de manter a imagem de editora que nunca cancela mangás (anos depois ela deixaria o orgulho de lado e viria a paralisar eternamente Futari H).

De lá pra cá, o mercado foi se fechando em um nicho pouco preocupado em atrair novos leitores. Para fechar as contas no fim do mês, foi necessário apelar para edições mais luxuosas, com insumos caros exigidos pelos otakus em busca de ~maior fidelidade com o original japonês~. Se quatro anos atrás, quando a economia estava mais ou menos e a JBC colhia bons resultados em versões 2×1, o negócio teve dificuldade em ser publicado, o cenário para InuYasha em 2021 é mais ameaçador que uma nuvem de insetos venenosos do Naraku.

Como já foi dito em outra matéria, o mercado editorial está em uma crise gigantesca por conta da pandemia e as coisas ainda podem piorar. Na live o editor Marcelo Del Greco explicou como está mais difícil conseguir o papel dos mangás, e que as gráficas estão trabalhando com horários menores, além do dólar altíssimo. Tanto que o mangá My Hero Academia Vigilante sairá por 27,90, um valor compreensível nessa crise. Mas e no ano que vem?

Considerando que a pandemia seja totalmente resolvida e que em 2021 o InuYasha possa andar à vontade pelo Brasil sem a necessidade de isolamento social e máscaras customizadas, outros fatores podem transformar uma edição de luxo em um pesadelo na Terra. Não há qualquer perspectiva que o dólar diminua, assim como não há qualquer plano do Real se valorizar, lembre-se que temos um presidente mais burro que o crush da Kagome no presente. Isso sem falar na crise política que só deve se agravar! Imagina o preço para se imprimir e licenciar um mangá como InuYasha em um período desses.

InuYasha deve vir em um formato parecido com o de Fruits Basket, aqueeele lançado por 53 reais, só que com muito mais volumes. Com tudo ficando mais caro, quero apenas que imaginem quanto vai sair essa brincadeira no ano que vem.

Vamos ver como a JBC vai conseguir passar por cima de todos os problemas e trazer novamente InuYasha para os fãs brasileiros. Ao lado da editora temos o lançamento de uma nova série animada do personagem, já jogando contra temos toda a situação sociopolítica do Brasil, a Economia e a questão sanitária. A editora vai encarar uma situação bem mais perigosa que um Naraku.