Vergonha Alheia Televisionada

Made in Japão, o programa japonês que a Record entregou para Sabrina Sato

Temos a imagem de que o japonês é um povo pacífico, reflexivo e reservado, mas esse estereótipo é quebrado no momento em que você liga a televisão e se depara com game shows que exploram e humilham participantes para o deleite do público. Esses programas japoneses eram conhecidos no Brasil apenas através de vídeos em baixa definição no YouTube, então foi uma surpresa bem grande a RecordTV ter comprado os direitos do game show para adaptar como um programa de Sabrina Sato, o Made in Japão.

Com um nome confuso (talvez porque “Made in Japan” já é um nome registrado de uma antiga revista da JBC), no Made in Japão acompanhamos as disputas entre 10 subcelebridades brasileiras, com nomes como a mãe de Ludmilla, a ex-garota da banheira do Gugu, o Cabeção da Malhação e o ex-namorado da Sabrina Sato (sim, até a apresentadora é humilhada de certa forma pelo formato). Eles se enfrentarão em desafios envolvendo meleca, roupas ridículas (na estreia eles se vestiram de ratos e lutadores de sumô) e confrontos físicos, tudo para levar no final 500 mil reais.

Mas para ganhar esse valor, que equivale a 18 dólares segundo a cotação atual, o famoso também terá que se dar bem em convivência. Como a Record é terrivelmente viciada em confinar celebridades por qualquer motivo, todos os participantes também habitarão juntos uma casa japonesa com dormitório no formato de capsula, tudo na companhia de uma atriz interpretando uma dona de pousada japonesa megera. Logo no programa de estreia ela ordenou aos gritos que todos tirassem os sapatos dentro de casa, e após ser obedecida ela perguntou se algum dos participantes sabia o motivo da tradição. “Os japoneses fazem isso para deixar a energia ruim pra fora?“, perguntou o gêmeo-modelo Flávio antes de ouvir que na verdade os japoneses fazem isso para não sujar a casa mesmo.

Mas Sabrina Sato não está sozinha nessa empreitada, pois ela conta com muita ajuda no palco. Além dos japaquitos, os assistentes de palco vestidos de ninja, ela importou os dois apresentadores japoneses do formato. Se comunicando basicamente de gritos e gesticulações exageradas, Yoshi e o juiz Mister Fu (chamados sem honorífico, para o desespero dos otakus puristas) deram aquele clima de programa japonês numa emissora localizada na Barra Funda. Eles não falam uma palavra de português, mas até aí Sabrina não fala nada de japonês e se arrisca apenas a contar de um a três.

Confesso que achava que o programa seria potencialmente ofensivo, até por ser um formato bem tradicional e antigo do Japão, carregando consigo uma visão um pouco exagerada e estereotipada do oriente. Porém, como se trata de um game show produzido com o aval da emissora japonesa e contando com a presença do apresentador original, nem tem muito o que reclamar. Esse é o Japão que eles querem passar. No entanto, me incomoda ainda como o programa reforça a imagem de JAPÃO EXÓTICO, mas aí é uma discussão bem mais complicada.

Vale lembrar que Sabrina Sato já teve um histórico com os animes no Brasil: quando a apresentadora fazia sucesso no Pânico na TV, ela foi convidada em algumas edições do evento Animecon para apresentar o concurso cosplay. E, pasmem, ela se saía muito bem na função, mesmo com o forrrrte sotaque interiorano e a insistência no meme “é verrrrdade”.