Aleatoriedades

Cheguei em Wano e tenho algumas coisinhas para falar sobre One Piece

2020 é um ano muito feliz para quem é fã de One Piece. O mangá está revelando coisas sobre o Gold Roger, a Panini está quase colada com o Japão, o anime vai chegar na Netflix para a alegria dos otakus que ignoram que o anime já estava há séculos completo na Crunchyroll e o Oda garante que estamos cada vez mais perto do final. Embora toda festa feita pela fanbase do autor, quem acompanha minhas críticas sobre One Piece nesse site ou nas redes sociais sabe que tenho uma relação conturbada com o mangá.

Enquanto muitas pessoas bradam que o negócio “só fica legal mesmo a partir do capítulo XXX”, eu fui daquelas pessoas que se encantou com a saga de Luffy já no Romance Dawn. Porém, rompi meus laços com a série na época do Novo Mundo, por ter achado INSUPORTÁVEL o arco da ilha dos Homens-Peixe. Muito tempo depois, falei “preciso passar por isso” e sobrevivi ao arco dos peixinhos… para depois encalhar de novo no ENORME E DESNECESSARIAMENTE INSUPORTÁVEL arco de Dressrosa. Porém, terminada a batalha final contra Doflamingo em que o vilão transformou a ilha numa partida de Fortnite com anel fechando, consegui avançar por Zou, Whole Cake e cheguei em Wano. E sinto que preciso falar algo…

Pra começar, devo dizer que novamente estou no modo “eu adoro One Piece”. Enquanto Dressrosa pra mim foi a celebração de tudo o que mais odeio no mangá (e que já expliquei anos atrás nesta matéria), o mangá se tornou muito mais atraente pra mim depois que o Oda passou a ser um pouco mais contido. Para quem não manja do que está rolando, em Dressrosa os personagens são obrigados a se separar por um tempinho, então em alguns arcos a gente acompanha uma versão reduzida do bando do Chapéu de Palha. Não sei se isso foi o toque de algum editor novo ou repercussão do público, mas isso fez com que as coisas ganhassem um tom menos megalomaníaco e o autor conseguisse explorar melhor os personagens que estavam lá.

Sobre o arco atual, em que temos o reencontro de todos os personagens após um tempinho separados por forças de roteiro, posso dizer que ele promete uma história grandiosa, mas sem se perder na grandiosidade. O Oda introduz muitos novos personagens (às vezes até demais), a história se desenvolve em muitos lugares simultaneamente e por aí vai, mas ainda tem sido uma experiência mais agradável de acompanhar. Inclusive toda a crítica social que já tem naturalmente em One Piece aparece de novo, afinal o país de Wano é fortemente inspirado no Japão antes da abertura dos portos.

Essa matéria não traz nada de novo para quem já acompanha o mangá e está vibrando com cada novo capítulo, mas senti que devia comentar isso por aqui. Em várias outras matérias critiquei pontos de One Piece, a série tem aparecido nas minhas listas de melhores e piores leituras do ano então era justo com quem acompanha o site trazer a opinião atual, já que cheguei no capítulo mais recente do Japão. E pensar que a força para continuar o mangá veio de eu ter gostado do jogo lançado ano passado

Se você está curioso com essa proximidade com o final de One Piece, tente dar uma chance para a série. Não deixe que os 900 episódios e os quase 1000 capítulos te desanimem. Vá lendo aos poucos e também não precisa se forçar se foi algo que não te atraiu e pronto. Não tem qualquer problema você deixar de ler uma série que todo mundo elogia. Claro que a melhor forma de acompanhar ainda é o mangá, mas há formas de “pular” algumas etapas: a Crunchyroll tem alguns especiais que resumem (de forma mal-feita, mas resumem) arcos inteiros da série. Garanto que a experiência de acompanhar um dos maiores shonen de todos os tempos junto com o Japão vai valer a pena no fim.