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Venda de mangás na Amazon revela perfil de público: “adulto e fã de descontos”

No mês de dezembro de 2019 estávamos tão ocupados em encher a barriga com peru e chester que uma notícia acabou passando em branco por parte da imprensa especializada em mangás no Brasil. Nem mesmo o Biblioteca Brasileira de Mangás chegou a noticiar! A Amazon divulgou uma lista com os 20 quadrinhos mais vendidos no ano de 2019, e só fiquei sabendo graças ao mais recente vídeo do canal e editora Pipoca & Nanquim. Como o assunto muito nos interessa, acho que vale a pena conversar um pouco.

A lista chegou a ser publicada no site Universo HQ em dezembro e mostra os quadrinhos vendidos no ano de 2019, lembrando que não são apenas os lançamentos e sim todos os títulos na loja. Reproduzo a lista a seguir:

01- Watchmen (Panini)
02- Akira – Volume 3 (JBC)
03- Akira – Volume 4 (JBC)
04- Maus (Quadrinhos na Cia.)
05- Superman – Entre a Foice e o Martelo (Panini)
06- Sandman – Prelúdio (Panini)
07- Boa Noite Punpun – Volume 1 (JBC)
08- Os Mitos de Cthulhu (Pipoca & Nanquim)
09- Black Hammer – Volume 3 – Era da Destruição – Parte 1 (Intrínseca)
10- O Preço da Desonra – Kubidai Hikiukenin (Pipoca & Nanquim)
11- Akira – Volume 2 (JBC)
12- Sandman – Edição Definitiva – Volume 5 (Panini)
13- Senhor Milagre – Volume 1 (Panini)
14- Druuna – Volume 1 (Pipoca & Nanquim)
15- Senhor Milagre – Volume 2 (Panini)
16- Black Hammer – Volume 2 – O Evento (Intrínseca)
17- Boa Noite Punpun – Volume 3 (JBC)
18- Druuna – Volume 2 (Pipoca & Nanquim)
19- Druuna – Volume 3 (Pipoca & Nanquim)
20- Solitário (Pipoca & Nanquim)

É muito interessante dar uma analisada nesses números porque dismistifica muita coisa sobre o mercado de mangás. Para começar, 6 das 20 posições são ocupadas por mangás, sendo que apenas 3 séries aparecem. Embora a Panini seja a mais presente na lista com seus quadrinhos americanos, ao lado da Pipoca & Nanquim, a JBC é a rainha da lista de mangás mais vendidos com a venda de três volumes de Akira e dois volumes de Boa Noite Punpun. Todos os mangás na lista também tem outra coisa em comum, além de serem de demografia para leitores mais velhos: seu valor. O preço de capa de todos esses títulos é superior a 40 reais e todos são considerados formatos que nunca seriam lançados em banca.

Analisando esses mangás, (e os quadrinhos de outras nacionalidades também, por que não?) dá pra ter uma ideia de quem é o público que mais dá dinheiro para a Amazon na categoria quadrinhos. Podemos dizer que são adultos, ou pelo menos pessoas que se interessam em histórias “mais adultas”, e pessoas dispostas a pagar mais em um quadrinho… mas não tanto assim.

Vale lembrar que a Amazon é conhecida por generosos descontos, principalmente em mangás caros como Akira, e também realiza pré-compras em que a pessoa pode pagar até menos do que originalmente ofertado. Não se esqueçamos também que agora os assinantes Prime também têm a facilidade do frete grátis (e a possibilidade de usar um serviço de streaming que tem a pior busca do mundo). Durante o ano também vimos muitas promoções bem em conta de Akira, inclusive o volume que comprei veio em um desses “descontos imperdíveis”. Ou seja, não é tão errado assim colocar a Amazon como local de compra favorito para quem quer pagar menos do que o preço de capa.

Como a Amazon está avançando aos poucos no mercado brasileiro, e é conhecida por oferecer um excelente serviço para as editoras e por pagar antecipadamente sem dar calote, não é de se espantar que as editoras cada vez mais lancem produtos que atendam a essa faixa de público adulto e com dinheiro (ou nem tanto). É só ver como tem aumentado o catálogo de obras de luxo em mangás, tanto pela JBC quanto pela Panini, NewPOP e Pipoca & Nanquim.

Aliás, o vídeo da editora Pipoca & Nanquim também é bem útil para algumas considerações também:

Na lista de dez mais vendidos da Pipoca & Nanquim estão TODOS os mangás publicados pela editora no ano de 2019, ou seja, O Virgem de 30 Anos, O Preço da Desonra e O Último Voo das Borboletas (inclusive, parabéns à editora por traduzir os nomes de seus mangás e não manter títulos que não fazem sentido só para agradar otaku). Ao comentar sobre o sucesso de O Preço da Desonra neste vídeo que coloquei acima, os editores relembraram que só de pré-venda foram 3 mil cópias vendidas, fora a tiragem que foi alta (6 mil exemplares, segundo essa matéria do Biblioteca Brasileira de Mangás).

Esse número é importante por um motivo simples: as editoras brasileiras nunca divulgam suas vendas, e como a editora Pipoca & Nanquim tem uma parceria muito forte com a Amazon, podemos imaginar que pelo menos esses 3 mil exemplares foram vendidos lá. Como O Preço da Desonra foi o décimo lugar, podemos então analisar (com muuuuita imprecisão) que os títulos acima venderam mais do que 3-5mil exemplares e abaixo da décima posição foi menos que isso. Como falei, é apenas um chute muito estimado.

Com números tão expressivos assim, é questão de tempo até as editoras de mangás começarem a lançar cada vez mais títulos que satisfaça o público que consumiu o mangá de samurai da Pipoca & Nanquim, o quadrinho depressivo da JBC e o clássico idolatrado principalmente por pessoas que não gostam de mangá.

Gente, quem botou essa imagem aqui na matéria?