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“Caçadores de ISBN” e fake news de papel: o que as editoras falaram no Ressaca Friends

Pela enésima vez foi realizada uma mesa redonda de editores de mangás no Ressaca Friends, que rolou nos últimos dias 21 e 22 de dezembro. Assim como o especial do Roberto Carlos transmitido pela Globo, todos os anos o público otaku fica a mercê de um evento que traz sempre as mesmas pessoas falando as mesmas coisas, sem qualquer modificação. Por sorte, a equipe por trás da Mesa Redonda do Ressaca Friends providenciou algumas mudanças muito interessantes, como limite de tempo para os editores mais falastrões. Se a ideia vingar, logo mais poderemos ter cadeiras de choque e torta na cara.

Assim como no nosso mundinho fora das otakices, um dos temas mais debatidos foi a mídia da desinformação (uma forma muito educada de se referir aos mentirosos e oportunistas). A mediadora Karol do Genkidama aproveitou como gancho a recente treta do YouTuber, aquele que mobilizou sua fanbase para pedir um papel caríssimo em Demon Slayer, e perguntou para os editores de mangás presentes o que achavam disso. Levi Trindade, representando a editora Panini e principal alvo do YouTuber, se mostrou contra informações falsas usadas em supostas ~mobilizações espontâneas~. “Você não vai dar crédito para uma pessoa que fala absurdo na internet”, afirmou o editor que se viu obrigado a fazer uma retratação pública sobre um evento recente.

Levi explicou que durante a palestra na CCXP, aquela em que o mangá das quíntuplas foi erroneamente anunciado como um “shoujo harém”, ele cometeu esse pequeno equívoco. Atribuiu o erro a um problema de saúde e nervosismo, afinal ele não teria o poder de chamar alguém da área de mangás para falar sobre os anúncios então coube a ele mesmo. Ao menos foi bem espirituoso, pois sorteou um boneco do Goku para quem lembrasse qual foi o mangá que ele errou na CCXP.

Assim como o apóstolo João do Novo Testamento, os demais editores também defenderam que apenas a verdade libertará os otakus: “quando alguém usa seguidores como massa de manobra, temos que combater de alguma maneira. O melhor caminho é apresentar as informações oficiais”, declarou Marcelo Del Greco, editor da JBC. Junior Fonseca, o editor da NewPOP, também disse algo nessa linha.

Mas o destaque da noite acabou sendo o papo sobre marketing. O responsável pela Panini declarou que não há marketing que dê conta de anunciar as coisas quando ele compete com os CAÇADORES DE ISBN, que são jornalistas otakus que procuram no registro da Biblioteca Nacional os próximos títulos das editoras. Ele ainda explicou que o dinheiro de marketing é limitado, e existe um valor não muito expressivo para se usar o ano inteiro. Levi Trindade inclusive aproveitou a palestra para confirmar o lançamento de Kingdom Hearts em capa dura após o título ter vazado para o público. Detalhe: a informação desse mangá veio num checklist liberado pela própria Panini.

Sempre falei brincando que os sites otakus que publicam vazamentos de ISBN faziam marketing indireto para a Panini, mas nunca imaginei que a própria editora consideraria isso como terceirização de divulgação de títulos. Vale lembrar que um Biblioteca Brasileira de Mangás, que costuma fazer notícias de ISBN, tem certa de 200 vezes MENOS seguidores que as contas oficiais da Panini. Fica a impressão de que muito pouco é gasto com marketing na Panini. Como bem lembrou a Paloma do site Chimichangas, não existe nem um catálogo dos mangás publicados pela Panini no site oficial! Inclusive a thread dela sobre divulgação dos títulos vale muito a leitura:

Sei que dinheiro de marketing não cai do céu, mas será que o valor usado atualmente é o suficiente? Em vez de gastar com a licença de um shonenzinho genérico será que não seria melhor colocar mais dinheiro no marketing? São dúvidas que ficam e que espero que sejam feitas numa próxima mesa redonda, de preferência com a introdução de uma torta na cara de quem ultrapassar o tempo.

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O vídeo da palestra foi postado pela página do Genkidama e pode ser visto abaixo: