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Editora JBC chega aos 25 anos com um pé no futuro (e algumas dúvidas minhas)

Não aguento mais começar textos falando isso, mas graças à exposição Isto é Mangá” a Japan House tem realizado um ciclo de palestras com profissionais dessas nossas otakices. Após uma mesa redonda com editores de mangá, com pessoas se desdobrando para resolver problemas de uns 10 anos atrás, um bate papo sobre empresas que trabalham com animes e um debate sobre quadrinhos digitais, a JBC aproveitou a empreitada e realizou lá mesmo a edição anual de seu Henshin+, uma grande celebração para comemorar os 25 anos da editora e uma oportunidade de apresentar grandes lançamentos.

Após anunciar grandes títulos como Hokuto no Ken e Platinum End em edições anteriores do Henshin+, dessa vez a editora inovou e reverteu toda a expectativa dos fãs: Marcelo Del Greco, editor, revelou a publicação de um spin-off de The Seven Deadly Sins, o mangá do Isekai do Slime e, por fim, o inesperado (e meio desconhecido) mangá Coyote. Tirando o último, todos já estavam com posts prontos pelo site Biblioteca Brasileira de Mangás logo após o anúncio.

Houve também revelação de um novo título publicado simultaneamente com o Japão (Sakura Card Captor – Clear Card), capa dura e preço de 60 reais para o mangá do Jaspion e, por fim, a criação de dois novos selos. O primeiro, JB Studio, cuidará de material próprio e estreará com um livro licenciado da Turma da Mônica sobre lendas japonesas, já o Start colocará a JBC como intermediária no processo de criadores de quadrinhos nacionais no meio do processo de publicar digitalmente. A estreia será com os mangás Terra Windy e The Flower Pot. Ainda sobre mangás brasileiros, a editora fará um pequeno teste com impressão sob demanda com o novo Henshin Mangá, ou seja, a cada pessoa que pedir um volume, uma gráfica imprimirá um (1) volume de mangá e mandará para a pessoa. A estratégia poderá ser usada no futuro para imprimir volumes de mangás que estejam esgotados.

Terminados esses parágrafos de relato do que aconteceu no evento, chegou a hora de pensarmos um pouco. Uma empresa chegar aos 25 anos é um negócio não muito fácil no Brasil, ainda mais em um meio que sofreu tantas mudanças nessas décadas. A editora merece aplausos não só por ter ajudado a introduzir os mangás no Brasil, mas também por tentar (mesmo que por motivos de força maior) a inovar e tentar explorar novos mares. A JBC é a maior editora no quesito digital, e essa dianteira pode ser muito útil mais pra frente. Porém, algumas informações dadas foram meio agridoce.

Por exemplo, Del Greco abriu um parênteses para explicar a situação de Overlord, que teve sua primeira light novel e desde então os fãs estão esperando uma continuação: no contrato com a editora japonesa, eles acertaram somente uma novel e alguns volumes do mangá. Ou seja, para sair mais volumes da novel, que é o material original, a editora precisa publicar os mangás antes. Fica a dúvida se a editora japonesa tentou empurrar a novel para garantir os mangás ou o contrário, se a JBC queria focar nos mangás e eles falaram “ah não, tem que levar a novel”. E como fica quem comprou a light novel achando que seria publicada continuamente, e não esporadicamente?

Na verdade, fiquei é com muitas dúvidas sobre essa palestra. Será que os anúncios de um spin-off de Nanatsu e o mangá do Slime eram realmente o que motivaram aquelas pessoas a acompanhar a palestra num domingo? Embora os selos novos sejam muito interessantes para estimular a produção de material que não é um revival oitentista para meia dúzia interessada em Jaspion capa dura, isso quer dizer que a JBC será um intermediário a mais além dos trocentos já apontados na palestra anterior? Impressão sob demanda não vai deixar o material bem mais caro para o público? Respostas não tenho, provavelmente teremos alguma durante uma indireta ao Mais de Oito Mil em palestra futura. Mas seguimos acompanhando.

6 comentários em “Editora JBC chega aos 25 anos com um pé no futuro (e algumas dúvidas minhas)

  1. Eu acho q vai ter gente disposta a pagar uns 50% mais no ondemand pra completar coleção… É como qndo vc é obrigado a comprar um manga pela loja da panini e tem q pagar quase o dobro por causa do frete….
    Enfim, ainda assim acredito que vai ser uma melhor opção do que a barbárie do mercado livre…. 🤷

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  2. Queria Slime no Brasil, mas preferia a novel. Já vi que pela JBC não vai rolar. O negócio agora é torcer pra NewPop pegar meu Konosuba antes que JBC ou Panini se metam a besta.

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  3. @Lucas

    Pagar o dobro por causa do frete da loja da Panini? Sabe de nada, a Panini vem criando ótimas promoções, tipo “frete meio-grátis”! (zoeiras a parte, antes ela era muito boa, chegava a dar 50%off + frete grátis… infelizmente não durou muito)

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  4. Não engulo essa dificuldade em reimpressão no Brasil. Deve ter algo muito obscuro no contrato. Não faz o menor sentido e nem seria do interesse da editora original que os primeiros volumes de uma obra se esgotasse.

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  5. Impressão sob demanda retrata bem a popularidade dos mangás por aqui. Ao menos a JBTeta tenta sobreviver a isto tudo, mas esse mercado tá cada dia mais caquético e gerido por gente nefasta em todos os meios. Até mesmo dentro da própria JBTeta.

    E continuo observando essa construção ruir e seus asseclas seguidores se agarrarem a esperança e chorar. Assim como os Panineiros e Newpopeiros.

    Vocês merecem o mercado que tem.

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  6. Criação de novos selos da JBC…
    O Ink Comics só veio em minha mente, ver o quanto isso deu certo…

    Sobre essas negociatas da JBC eu siceramente acho q ela pega qualquer coisa e se render a JBC vai atrás de negociar o resto. Tipo rola com os mangás q nunca tiveram continuação. Então se n tem previsão da proxima light novel, provavel q n vendeu.

    Meu medo é q a pouco tempo atrás o Del Greco falou q Hokuto no Ken ia ser mensal até o volume 6, q creio é onde termina a 1° fase do mangá, ae se essa porra n vender pode rola da JBC n publica a 2°. A preocupação aumenta visto q Del Greco já fez algo parecido com Ikkitosen lá na nova sampa.

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