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Segura o -chan! Os animes que enfiaram honoríficos na dublagem

A Sato Company, que ficou um tempo sem postar material de My Hero Academia em suas redes sociais, agora está igual bêbado fazendo stories em balada: toda hora é um anúncio de dublador diferente, a gente nem dá conta. Um dos mais recentes foi a confirmação de Lipe Volpato como dublador do Midoriya, o protagonista da história.

Porém, as pessoas prestaram mais atenção em outra coisinha: nesse vídeo é confirmado que, na tradução do filme, o estúdio optou por chamar o Bakugou de “Kachan” em vez de “Kazinho”, como acontece na legenda da Crunchyroll.

Esse caso é antigo e já virou até matéria aqui no Mais de Oito Mil (clique aqui para entender a treta), mas agora que foi confirmado que temos um desnecessário honorífico japonês numa dublagem brasileira, decidi lembrar outros exemplos de estúdios de dublagem que mantiveram esses termos sem qualquer tipo de tradução na dublagem em português. Vamos lá?

Dragon Ball

Embora a versão brasileira de Dragon Ball seja considerada primorosa pela interpretação dos atores, somada à mesma nostalgia que faria até mesmo uma dublagem de Miami ser lembrada com carinho, a tradução é bem confusa a respeito de sufixos japoneses. Enquanto alguns nomes foram totalmente adaptados (“Mestre Kame” em vez de “Kame Sennin”), alguns outros foram esquecidos no churrasco (“Kami-Sama” ficou “Kami-Sama” mesmo). O sufixo de planeta “-sei” também foi mantido, formando redundâncias como “Planeta Nameku-Sei”.

Essas traduções, no entanto, não confundiram o público por um motivo: o total desconhecimento das palavras japonesas fez com que todo mundo acreditasse que fosse parte do nome mesmo. Ou seja, Kami-sama não tem “-sama” por ser uma representação de pessoa superior e tal… é porque o sobrenome dele deve ser “Sama”. Não seria difícil, por exemplo, alguém imaginar que Zenoh-sama é parente do Kami-Sama, por associação. Houve até uma chiadeira quando a Conrad traduziu “Kami-Sama” como “Deus” no mangá de Dragon Ball… e olha que não é uma tradução errada. 

El Hazard

Mesmo quando eu era uma jovenzinha sem senso crítico que assistia a qualquer coisa de olho grande exibida no Band Kids, eu já não curtia muito El Hazard. Porém, o ócio é um argumento muito forte para vermos até o que não nos atrai muito, não é mesmo? No primeiro capítulo da série citada, o protagonista insuportável Makoto Mizuhara estava sendo abordado pela colega igualmente mala que lhe chamou de “Makoto-chan” (pronunciando como /xan/, obviamente). O rapaz ficou muito incomodado.

Apenas muitos anos depois, já entrando em contato com revistas de anime e mangá, fui entender aquela cena: o rapaz só não queria ser chamado de forma carinhosa. Um “Makotozinho” caberia muito melhor aí…

Love Hina

Love Hina foi lançado no Brasil em um outro contexto: já tínhamos animes aos montes na televisão, mangás nas bancas e tudo mais. Love Hina foi exibido tanto pelo Cartoon Network quanto pelo Canal21/Rede21/PlayTv/G4Brasil (nunca sei o certo, marquem como quiser), e trouxe uma das dublagens mais arrombadas já exibidas na televisão brasileira. Além de uma escalação meio duvidosa e as interpretações sem vida, os personagens se chamavam pelos honoríficos a partir de um determinado ponto da série, como se o tradutor do nada estivesse fazendo uma greve e deixando pedaços do texto sem traduzir.

A gente entende que o mangá pode ter um “Shinobu-chan” e um “Urashima-kun”, até porque existe um espaço embaixo do quadrinho para a editora colocar um texto explicando o significado dos honoríficos, mas isso não existe em dublagem. Ou seja, quem acompanhou o negócio apenas pela televisão, e que não tinha a menor obrigação de ser iniciado na arte dos honoríficos, em algum momento se perguntou o que estava acontecendo.

Maid Dragon

Esse aqui, meus amigos, é caso de internação. Durante muito tempo em minha carreira otaka achei que nada poderia superar o desleixo de Love Hina, mas Maid Dragon levou tudo a um novo patamar. Como se fosse uma novela étnica de Gloria Perez, os personagens desse anime dizem naturalmente expressões japonesas que seriam facilmente traduzidas para o português.

Honoríficos então, quase todos os personagens desse anime dublado pela Crunchyroll usam, cada um pronunciando de uma mesma forma. Se a ideia era fazer uma dublagem que agradassem os otakus fãs de legenda, o tiro saiu pela culatra… até porque fã de legenda só ficaria satisfeito se viesse a frase em japonês escrita em romanji e em cima uma tradução.

Lembra de mais algum exemplo? Deixe aí nos comentários para melhorar o engajamento dessa publicação.

10 comentários em “Segura o -chan! Os animes que enfiaram honoríficos na dublagem

  1. Na dublagem do terceiro filme de Inuyasha (que ficou na Netflix por alguns minutos), a mãe do dito cujo era chamada de Izayoi-sama. Como esse “sama” era pronunciado variava bastante

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  2. “A dança é fácil. Não tem bicho papão. Vem lá da Ásia, vem das bandas do Japão”.

    Ah, parece que Recovery of an MMO Junkie/Net-juu no Susume, outra dublagem da Crunchyroll-san, também tem honoríficos-kun.

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  3. Um cara chamando o outro de Kazinho
    Alguém realmente acha que não ia ter marmanjo reclamando, que isso é coisa da ditadura gayzista, que faz parte da nova ordem mundial enfiar goela abaixo relações homoafetivas e que tudo isso começou quando a travesti Pabllo Vittar, mancomunada com o PT, rede Globo e o criador do kit gay + mamadeira de piroka, para influenciar nossas crianças, inocentes, a serem adeptos a essa ideologia?
    hihihihihihi
    pois eu não duvido, ignorante como anda o povo ultimamente.

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  4. [RINDO] — Eu gostei desse blog (sendo sincero mesmo). Tanto é que estou acompanhando as postagens :D
    E eu entendo a parte “zueira”… Mas calma né, não precisa de tanta revolta nesse “Coração-Chan” :V kkkkkk Acredito eu, que assim como disseram ai nos comentários em Boku no Hero Academia, Kachan não é um honorifico e sim, realmente um apelido, pois honorifico seria algo como Katsuki-Chan(KATSUKICHAN) ou Bakugo-Chan(BAKUGOCHAN) ¯\_(ツ)_/¯ eu até concordo em partes, pois tem alguns momentos que podem ser traduzidos, mas depende muito do contexto, tanto da conversa em que os personagens estão, quanto do sentido da frase original… Até porque o japonês não tem um tradução literal, sabe? O que geralmente é feito (acredito eu), são traduções adaptadas (de certa forma) recontextualizadas, o que pode em alguns casos gerar realmente uma “polêmica” como foi no caso de Neon Genesis Evangelion… Mas enfim; cada caso é um caso e não vou escrever muito XD
    Ah! e só mais uma coisa no caso de Maid Dragon, os honoríficos eu entendi como parte da “piada” no anime :V não como uma tradução mal feita… Sendo ou não pra mim não fez diferencia alguma…

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  5. Sobre os comentários anteriores: Kachan seria uma abreviação de Katsuki-chan. Ambos seriam formas carinhosas de se referir ao Bakugou, mas que não fazem sentido pra quem não tá familiarizado com os honoríficos. Acho que o pessoal que se opõe ao uso deles (não estou incluso, pra mim tanto faz) preferiria ver o apelido ser adaptado pra Kazinho, Kaká ou algo do tipo.

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  6. Só não esquecendo nunca q estamos no Brasil onde o q importa é churrasco, cerveja e futebol (não necessariamente nessa ordem) jà é muito ter um anime dublado… E no cinema!

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  7. Shingetsutan Tsukihime (traduzido porcamente como “Lenda Lunar Tsukihime”, sendo que “Tsukihime” poderia ser traduzido, e a tradução é justamente “Princesa Lunar”, embora não consegui achar uma tradução clara para “Shingetsutan”), mesmo dublado pela Álamo, também deixou passar um honorífico “senpai” no primeiro episódio.
    Ao menos, isso não se repetiu nos episódios seguintes.

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