Dica de Leitura

T-Hunters, um mangá nacional com pinta de shonen de lutinha

Às vezes apareço aqui no Mais de Oito Mil para falar sobre premiações de brasileiros no Silent Manga Awards ou para comentar histórias publicadas no concurso anual (que atualmente é quase bissexto) da JBC. Nos textos sempre ressalto como devemos estimular as publicações nacionais, mas ao mesmo tempo eu sentia que não fazia o bastante aqui no site. Dito isso, fiz o contrário da esquerda brasileira e exerci um pouco de autocrítica: decidi criar uma seção nova aqui no Mais de Oito Mil chamada “dica de leitura“, em que posso compartilhar algum quadrinho brasileiro que venha a aparecer em minha vida e que valha a pena recomendar.

(Se bem que o nome é bem amplo e posso usar para outras coisas futuramente, mas vamos começar com um quadrinho nacional.)

Em meados do primeiro semestre, o Israel Guedes me mandou uma mensagem por DM querendo saber meu endereço, pois ele gostaria de mandar um volume impresso de um quadrinho. Por estar numa fase de muito trabalho, acabei deixando o volume na minha pilha da vergonha (coisas que deixo para ler quando tiver um tempinho). Ele com certeza me odeia bastante por eu ter demorado um monte pra ler, mas aqui estou para fazer umas impressões sobre o T-Hunters, uma obra que almeja ser um shonen.

A história se passa em um futuro alternativo, alguns anos após uma ocidentalização. Nela, conhecemos Ken’Ichi Akamatsu, um adolescente de 14 anos (e que aparenta bem mais por motivos de: protagonista de shonen) que acabou de ter uma perda em sua família e se mete no meio de uma briga entre duas organizações secretas: os T-Hunters e os caçadores de recompensa. Simples, mas preciso.

T-Hunters tem muitas boas ideias (eu adorei a “participação” da irmã dele), mas às vezes algumas dessas ideias são apresentadas rápido demais. O primeiro capítulo, por exemplo, cumpre todo o protocolo de apresentar personagens, motivações e ter um pouco de ação, mas tem alguns momentos em que me exigiram um pouco de atenção para absorver aquelas informações novas. O autor até demonstra, num texto após o segundo capítulo, um receio de ser didático demais como outros mangás, mas acaba explicando demais certas mecânicas da história que não necessariamente aparecem no mesmo capítulo.

Ele tem um ritmo de um bom mangá shonen, mas talvez não tanto o primeiro capítulo, que precisa apresentar os personagens e o universo com diálogos. Nada que atrapalhe, mas se o autor enxugasse um pouco o conteúdo, diluindo algumas informações deste mundo em capítulos posteriores, possivelmente a leitura ficaria num ritmo mais uniforme. Porém, a partir do segundo capítulo, ele conta a história de um jeito bem mais natural, e a leitura segue sem problemas.

Até esse momento da resenha parece que eu estou só detonando, mas vi bem mais pontos positivos do que negativos. Um ponto bom é como ele trabalha bem com personagens opostos, e isso ajuda muito a história a andar. O traço é muito competente, e Israel tem uma habilidade muito boa em cenas de ação. Já li muito quadrinho nacional em que as cenas de luta são meio meh, mas este autor consegue desenhar coreografias e acrobacias muito bem. Fiquei positivamente surpresa na cena do carro desgovernado como ele usou tão poucas páginas para uma narrativa de ação atraente. 

Ficou curioso para ler T-Hunters? No tweet abaixo, da conta oficial da série, você encontra links para poder ler de graça. Pois é, melhor e mais barato que uns shonen de lutinha que achamos por aí em outras editoras. E volto a qualquer momento com mais alguma indicação.

5 comentários em “T-Hunters, um mangá nacional com pinta de shonen de lutinha

  1. Legal que, quando esse careca que chora no banho resolve indicar, a edição física já está esgotada!

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  2. hoje em dia eu mesmo acho o começo meio fraquinho e faria muita coisa diferente.

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  3. Muito massa a ideia de recomendar nacionais. Parabéns! E obrigado pela resenha! T-Hunters foi publicado por nós no final do ano passado e a primeira tiragem já esgotou… Com o aumento das gráficas, ainda não conseguimos reimprimir sem aumentar vertiginosamente o preço, então estamos estudando novas gráficas pra reimprimir… Mas a reimpressão sairá com certeza!

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