Mercado Nacional

Onomatopeias nos mangás brasileiros: respeito à ARTE, economia ou preguiça?

Muitas das convenções que temos atualmente nos mangás foram instituídas pela Editora Conrad no final do ano 2000, quando ela começou a publicar mangás aqui no Brasil. Entre vários itens dessa ABNT editorial nipônica, um deles se refere à forma como as editoras de mangás traduzem as onomatopeias (aqueles barulhinhos que são representados visualmente em qualquer história em quadrinhos). Várias outras leis criadas pela Conrad já foram revogadas atualmente, mas as legendinhas em onomatopeias continuam no nosso mercado… mas por quê?

Quando a Conrad chegou, tudo era mato e tínhamos crianças brincando de pega-pega em cima de páginas japonesas da Shonen Jump. As regras para a Conrad publicar mangás aqui no Brasil foram basicamente tomadas por motivos de economia: inventaram o meio-tanko porque um tanko inteiro seria caro demais para o público, deixaram leitura oriental porque seria estranho espelhar, a capa espelhada servia para o cara da banca não deixar a revista ao contrário e, finalmente, as onomatopeias ficariam intactas, apenas com uma legendinha traduzindo cada uma, porque parecia um trabalho bem exaustivo ter de retocar e redesenhar cada uma delas.

Com o tempo, muitas dessas decisões econômicas foram retrabalhadas e ganharam um novo branding: o que era para ser uma economia para a editora passou a ser uma “FIDELIDADE AO ORIGINAL“. Como não esquecer da vez em que a Conrad diminuiu a qualidade do papel de seus mangás (no meio da publicação!) alegando se aproximar do papel usado pelos mangás japoneses? Os otakus, que chamavam colegas com sufixos -chan, explodiram de felicidade, claro.

Mesmo vinte anos depois (acredita que já temos tudo isso de mercado?), uma das poucas coisas que continuam intactas são as onomatopeias com legendinhas, principalmente pois criou-se a ideia de que aquilo é a ARTE do autor, e não podia ser mexida. Isso criou umas situações bizarras, tipo em Inuyashiki que a Panini deixou textos japoneses no quadrinho porque né… não pode mexer na ARTE do autor (que nada mais era que uma fonte de computador feita provavelmente pela editora, e não pelo cara que desenhou).

Recentemente a Panini publicou a décima segunda edição de Dr Slump, e em uma das cenas a robozinha Arale está enfrentando um inimigo. Um dos golpes da personagem é o “canhão ncha“, em que a menina grita seu bordão “ncha” e ele sai desenhado de sua boca como um grande kame-hame-ha.

Nessa luta, no entanto, o bordão não é suficiente para enfrentar o inimigo, então ela começa a gritar outras frases como “bom dia” e o adversário usa a mesma estratégia. A graça dessa cena está em ver a representação gráfica daquelas frases comuns como se fossem superpoderes, mas aí a edição brasileira fez isso:

(aliás, peguei essa imagem na página O Mercado de Mangás que Deu Certo, recomendado inclusive)

A Panini apenas colocou uma legendinha embaixo do texto japonês, algo que você nem percebe quando está lendo rápido (vamos falar a verdade aqui, quase ninguém presta atenção nessas legendas não é mesmo?). Mas esse foi apenas um caso mais tenso de um expediente bem comum em todas as editoras brasileiras. Você pode até alegar que está respeitando a arte do Toriyama ao manter o texto que ele desenhou como poderzinho, mas isso perde um pouco da intenção que o autor tinha ao criar essa cena. E tentar manter a mesma intenção do autor é um dos pontos principais de uma tradução. Sabe o pior? TODAS as editoras brasileiras fazem da mesma forma.

Beleza, já estou vendo gente espumando de raiva com essa constatação de que o método brasileiro de tradução de onomatopeias pode não ser tããão bom assim, mas como é no resto do mundo? Sinto informar que… elas são traduzidas em boa parte das editoras. Talvez na maioria?

Por motivos de acumulação que deixariam Marie Kondo de cabelos em pé, tenho alguns volumes de mangás de algumas partes do mundo aqui em casa, e o que pude perceber é que em boa parte dos títulos há um trabalho editorial de redesenhar onomatopeias. Vou mostrar alguns exemplos. A editora VIZ, uma das maiores dos Estados Unidos, tem o hábito de redesenhar e traduzir todas as onomatopeias, pois considera que o texto delas é importante para a história. E há um esforço de manter o mesmo impacto das versões originais. Confira como é em The Promised Neverland e de Tegami Bachi:

Na Espanha e na Argentina costumam fazer da mesma forma. Normalmente eles pegam as onomatopeias japonesas e “retrabalham” elas para se tornarem ideogramas que nós lemos. Às vezes fica bom, às vezes fica bem… estranho? Aqui temos exemplos da edição espanhola de Mirmo Zibang e da argentina de Sakura Card Captor:

A Itália, que tem um mercado gigante comandado basicamente pela Panini, traduz as onomatopeias da mesma forma, retrabalhando o desenho original do autor em caracteres que a gente entende. Aqui temos um exemplo de Assassination Classroom deles:

Se eu fosse tendenciosa, provavelmente encerraria essa matéria aqui para falar que eu estou certa e todas as editoras brasileiras erradas, mas não é o caso (pelo menos a respeito do aspecto de ser tendenciosa). Isso porque encontrei sim exemplos que funcionam como no nosso mercado, e vou mostrar. A editora Kodansha nos EUA é MUITO daquelas que tenta fazer o negócio igual ao japonês, tanto que abusa de sufixos (às vezes até sem explicar pro leitor o que significam). Confira uns exemplos do mangá de Ace Attorney e o de Clear Card:

E na Argentina também temos exemplos como os nossos. A edição deles de Assassination Classroom, ao contrário da italiana que mostrei, tem as onomatopeias japonesas com uma pequena tradução do lado:

Um detalhe curioso é que a edição de Assassination Classroom da Panini argentina foi produzida… PELA PANINI BRASILEIRA, que usa esse mesmo recurso que estou criticando. Enfim.

Aqui vale um pouco de opinião pessoal. EU, a Mara, particularmente acho uma saída preguiçosa colocar uma legenda ao lado da onomatopeia. Entendo o fator “devemos respeitar a vontade do autor”, mas não podemos esquecer que parte da vontade do autor é que o leitor leia aquilo sem maiores dificuldades. Antes de deixar o mais próximo do original, devemos se preocupar em adaptar esse tipo de quadrinho para uma outra cultura, até para que mais pessoas possam ler aquilo sem maiores problemas. Há a necessidade de se complicar tanto uma leitura?

Eu acho a edição brasileira de One Piece uma bagunça generalizada ainda maior que o original. Enquanto os japoneses precisam se preocupar apenas em ler a caralhada de texto do Oda e entender onde estão os personagens em cada quadrinho, o público brasileiro ainda tem de entender termos deixados em japonês pela tradução (e em algumas vezes nem no glossário se encontra o equivalente em português) e as mil onomatopeias com legendas que poluem ainda mais a página:

Curiosamente, quem já trabalhou nesse letreiramento do One Piece da Panini é um cara chamado Arion Wu. Ele não faz só mangás, mas também cuida de letreirar quadrinhos de outras nacionalidades para outras editoras, como a Pipoca & Nanquim. Há algum tempo eles gravaram um vídeo muito legal conversando com Arion, que contou como é seu trabalho e tudo o que fez para adaptar A Arte de Charlie Chan Hock Chye, em que ele passou todos os textos (das mais variadas fontes) para o português. É assombroso o resultado de tão impecável. Parece até que o autor escreveu tudo em português no original.

Se é possível fazer no Charlie Chan, é possível fazer nos mangás. Se é feito em vários países do mundo, não é algo que ~o japão não autoriza ser feito~. Nesse caso, por que nossas editoras optam pelo mais fácil, que é legendar as onomatopeias? É respeito à arte? É economia? Ou é preguiça? Fica a pergunta.

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[Edit 1] O leitor Luka me mandou mensagem me lembrando que a Darkside faz de uma outra forma: ela optou por colocar também legenda nas poucas onomatopeias do mangá do Junji Ito, mas escolheu deixá-las bem grandes. Não gostei do resultado, mas vale a nota:

30 comentários em “Onomatopeias nos mangás brasileiros: respeito à ARTE, economia ou preguiça?

  1. É preguiça sim rs leva muito mais tempo vc apagar cuidadosamente uma onomatopeia e redesenhar com a mesma fonte de antes do que só simplesmente colocar numa fonte menor ao lado a tradução.

    inclusive odeio isso nos mangás br, quem é que lê essas legendas pequenininhas das onomatopeias???? eu não. interrompe a minha leitura, ao invés de ajudar.

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  2. Pra falar a verdade, nunca me importei com onomatopeias. Inclusive, uma vez vi o autor Shin’ichi Sakamoto falando que preferia não colocar para que o leitor criasse o som, a partir da cena mostrada.

    Um adendo, em alguns títulos, como os mangás do Urasawa, a VIZ não traduz, apresentando um glossário no final de cada volume.

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  3. Só uma observação: de acordo com o editorial de Dragon Ball 83, da Conrad, a publicação não espelhada foi imposição dos japoneses, e não porque não ia dar mais trabalho. Eles escreveram inclusive que consideraram isso como um aumento do risco da empreitada.

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  4. Sempre que eu vejo essa legendas nas Onomatopeias eu imagino uma pessoa na internet rindo com “Risos” ao invés das risadas tradicionais

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  5. Eu sempre achei onomatopeia tosco pra cacete (esse woooo no Neverland me deu uma vergonha hsuahusha) então prefiro que deixem no original que fica mais facil de ignorar

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  6. Acho que é a união do útil (preguiça ou economia, por ser menos trabalhoso) ao agradável (otaco-kun ficando contente com a editora-san por deixar seu mangá-chan o mais próximo do original-sama). Particularmente, não vejo problemas em só “legendar” as onomatopeias. Mas esses exemplos de Inuyashiki e Dr. Slump acabaram ficando bem ruins, chega até a ficar poluído…
    Aliás, parando para pensar, dá para realmente considerar esses dois exemplos como simples onomatopeias, já que não representam apenas um barulho, mas frases inteiras fora do balão?

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  7. Eu não acho a decisão atual das editoras ruins, porque as onomatopeias japonesas muitas vezes representam uns sons que não tem nada a ver com a nossa identidade e linguagem, então eu prefiro simplesmente ignorar esse sons nada a ver, como alguém acima citou ( um exemplo, uma explosão japonesa eles escrevem Bakun, enquanto pra nós, uma representação mais sonora disso seria um kabum ou simplesmente Buuuummm). A Turma da Mônica sempre esteve certa afinal, tsc tsc tsc.

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  8. Acho no puro e mais absoluto achismo que é uma questão econômica, Brasil não tem as tiragens e mercado que Espanha, Itália, França, Coreia, China e EUA têm. É mais fácil diluir o valor de se pagar gente para fazer isso (e o tempo que isso leva) quando o público é grande. Tanto que na maioria dos casos em que isso é feito em mercados menores na verdade se trata de uso desse trabalho feito em outro país. Portugal mesmo vive reclamando que os mangás têm onomatopeias francesas, no Brasil tivemos a mesma coisa com onomatopeias inglesas, Argentina pega isso da Espanha e por aí vai. É algo comum que acontece com as multinacionais, a reutilização do material já limpo de outra unidade, como a Panini e a Ivrea, ou as empresas que fazem revenda de obras como a Viz e a falecida TokyoPOP. Inclusive, voltando ao ponto monetário, vamos notar que a Panini começou com essa coisa nervosa de deixar tudo com legenda com a chegada da crise, porque até então eles reconstruiam tudo e eram os melhores nesse quesito (na época o resto vivia nas caixinhas brancas dos infernos). Se for mesmo monetário, fica a questão, você está disposto a pagar mais por isso? Pessoalmente, não, nesta altura do campeonato a coisa tá tão apertada que eu aceito até roteiro de tradução anexado ao volume original se isso significar um super descontão, rs.

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  9. Pessoalmente, acho ruim quando a onomatopeia é muito grande (duas páginas, as vezes) e tenho que procurar a tradução pelas beiradas, mas de resto, não vejo muito problema. De resto, se você acha que acaba com a fluidez da leitura, talvez você esteja lendo rápido demais sem nem conseguir apreciar cada quadrinho (Não vi problema nenhum com o exemplo da Arale, a tradução estava bem posicionada e de um tamanho bom).

    Outra, deve ser MUITO diferente criar uma tipografia semelhante ao hiragana utilizados nos mangás e transpô-la para o nosso alfabeto latino.

    PS: O Pride e Inuyashiki são casos a parte e devem ser tratados como as aberrações que são!!!

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  10. Pra mim é indiferente porque mangá aqui foi um momento do mercado nacional é hoje nem é a sombra disso.

    E como o a postagem mostra, o troço varia de acordo com a publicação e editora, seria interessante ter alguém pra analisar e fazer algo palatável ao público nesses caso, mas aqui é feito tudo no piloto automático.

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  11. Em Portugal elas também são traduzidas e dá para notar em Neverland por exemplo (talvez a única coisa boa do trabalho da Devir em Neverland)

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  12. 2019 e alguém querer a completa tradução das onomatopeias como o caso horroroso de Neverland, ao meu ver é equivalente a alguém querer ser piloto de avião e não querer saber o mínimo de inglês por amor a pátria amada Brasil.
    Claro, casos como o de Inuyashiki são tão horríveis quanto os de Neverland.

    No fim, o melhor meio é optar por um glossário e legendar apenas as relevantes. Além disso, é um tanto irônico caso haja algum leitor que curta mangás por alguns anos ainda não ter tomado a liberdade até de aprender sequer os sons de alguns katakanas e higaranas, reclamar de “preguiça” alheia.

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  13. O negócio das onomatopeias é que, aqui na Terra de Santa Cruz, (esse foi o segundo nome que Cabral nos deu), só tem otaku (cu) fluente em japonês, então não precisa ficar traduzindo nada, porque todo mundo daqui sabe ler.

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  14. Bom um adendo… Nos exemplos que você citou; “Inuyashiki” e “Dr Slump” sinto informar que não são onomatopeias, são frases… おはようございます、お願いします!お願い onomatopeias são a representação de sons e não frases, e outra coisa ideogramas nós não usamos no português… Chamamos de ideogramas os kanjis e outros símbolos que representam não só uma palavra mas um ideia, algo abstrato…
    acredito que está havendo alguns equívocos ai, mas deixando de lado isso; ler onomatopeias é fácil… Não precisa ser fluente em japonês, se tens complexo com elas ou até mesmo com o idioma japonês, ai é outra história; se não tem paciência não lê, ué ‘-‘ acredito que muitos querem aprender japonês pra ler mangás e assistir animes sem legendas e traduções, enfim… Tente se aprofundar um pouco mais sobre os assuntos antes de publicar, criticar e acabar cometendo erros…

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  15. Eu cago pras onomatopeias, raramente leio o significado. O mais curioso em relação ao Toriyama em que em grande parte de Dragon Ball ele usa onomatopeias em romanji, ou seja os barulhos tá tudo na nossa letra.

    E outra lembrando quando as scans vinham do EUA, as editoras largavam as onomatopeias de lá, a 1° edição de Naruto da panini é tudo com onomatopeias em letras alfabéticas pq os scans vinham do EUA, o que prova a preguiça do negocio ae. E lembro que ainda tinha sessão de carta da galera reclamando disso, logo o otaku mala tbm quer ver esse treco todo em japonês.

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  16. Pois é, chamassem um pessoal que é influenciado por mangás e podia ser uma onomatopeias legais, mas não querem gastar, lá nos anos 60 e 70, o Minami Keizi queria publicar um mangá d do Tetsuya Chiba, não querendo espelhar, ele teve a ideia de mandar redesenhar as páginas, segundo ele, o próprio autor teria dito que isso era feito em Taiwan, mas com divergências na direção da Edrel, ele saiu o projeto foi cancelado, chegar a anunciar nos gibis, o título era Yuka o Yobu Umi, mesmo fundando outra editora com o Carlos da Cunha, a M&C (Minami & Cunha), o Keizi não retomou o projeto, ele revelou esse projeto em entrevista ao Gonçalo Júnior numa edição da Herói Mangá.

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  17. Na minha opinião todo texto, incluindo a arte (como em placas) e onomatopeias, deveriam ser traduzidos. Acho horrível ter duas onomatopeias uma em japonês, que não faço a menor ideia do que diz, e outra filhotinha ao lado dela em português, além de poluir os quadros ainda causa o efeito contrário de fazer com que o leitor ignore a onomatopeia completamente.

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  18. Só pra acrescentar, estou achando incrível que existam pessoas comentando que é dever do leitor aprender onomatopeias em japonês ou o próprio idioma para ler quadrinhos japoneses publicados no Brasil. Se eu quisesse ler tudo em japonês iria atrás da edição original.

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  19. Sinceramente da trabalho sim refazer as anomatopeias. E fica mais bonito o japonês mesmo. E deixa a tradução pequena perto. Não me incomoda em nada.

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  20. Nah, ler a tradução da onomatopeia no cantinho é uma saída melhor do que refazer toda a arte só por causa disso.

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  21. eu tenho a coleção americana de world trigger aqui e a primeira coisa que eu notei são as onomatopeias redesenhadas, e como o mangá é um shonen de pancadaria mas com o elemento “tático” fica muito legal já que tem muito tiro, porrada e movimento acontecendo e fica bem dinâmico e entendível e os barulhos que o autor quer passar são todos absorvidos, beeeeeem melhor que letras miúdas no cantinho da página que como você disse eu quase nunca presto atenção, gostaria que as editoras brasileiras pegassem o exemplo da Viz e dessas outras aí pelo mundo.

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  22. Eu prefiro quando editam. Estou lendo Nonnonba, e por mais simples que elas sejam, aumentam a imersão. A função da onomatopeia é se assemelhar ao som que ela representa. Notinhas não são onomatopeias.

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  23. Caramba, que coisa ridícula uns comentários aqui falando que a preguiça é dos brasileiros, que eles não querem aprender japonês para ler uma versão BRASILEIRA do mangá! Que gente sem noção! É ÓBVIO que é melhor ter a onomatopeia traduzida, se o autor colocou isso lá daquele jeito é porque ele achou importante pro ritmo do quadrinho, e se a mesma não se encontra no idioma correspondente prejudica sim a leitura, em um certo nível (e sim, aquela tradução pequenininha é praticamente inútil e tira a fluidez da coisa). Até entendo dessa prática não ser aplicada aqui, pelos mesmos motivos que a Roses explicou mais acima, mas vir otaku noiado falando que o leitor é que tem que se adaptar ao mercado, e não a EDITORA, é o fim da picada!

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  24. Sabe o legal do reverso? As HQ’s americanas que chegam no Japão oficialmente, todas as amostras que achei, nenhuma tinha onomatopeias americanas traduzidas para o japonês. Inclusive abusam de inglês. Afinal, faz parte da identidade de uma mídia.

    Só ocidental mesmo para querer uma mídia de outra cultura completamente diferente se pareça como se fosse algo escrito aqui e tudo mastigadinho. Não me surpreenderei se um dia inventarem que é melhor mudar a ordem de leitura do mangá, pois do jeito original não faz sentido para nossa cultura.

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  25. eu pessoalmente acho um desafio maior ler (na maioria dos casos decifrar) as onomatopeias em letras latinas que ler as legendinhas que não parece hieróglifos mesmo sendo pequenos

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  26. mas pior que isso é quando Brasileiro tenta por onomatopeias em JAPONÊS num mangá BRASILEIRO

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  27. É questão financeira, sim. Sigo isso baseado rm outra experiência: quando a Abril assumiu os quadrinhos da Marvel e da DC, nos anos 80, eles usaram a equipe que já trabalhava no estúdio Disney deles pra corrigir os títulos, as onomatopeias*, placas de lojas e pichações (que com freqüência homenageavam os autores e artistas americanos, e aqui eram trocadas para os nomes da própria equipe brasileira). E pra recolorir o material adaptado.

    Mas veio a crise do fim da década, e a editora acabou terceirizando essas atividades pra estúdios como o Artecômix e o Criarte, e logo, pra cortar custos com pessoal, acabaram com as adaptações de onomatopeias*. E veio uma onda de “SPLASHs”, “ROARs”, “BOOMs” e “SMACKs”.

    Em meados da década de 90, a crise apertou mais e demitiram mais gente, passando a usar as cópias digitais vindas direto pro computador e reduzindo as adaptações ao mínimo. Nem os títulos escaparam, sendo “adaptados” por meio de quadros brancos ou pretos plantados sem cerimônia em cima do título original. Só melhorou um pouvo quando os títulos originais deixaram de ser desenhados nas páginas e aplicados como uma camada independente, podendo ser editados ou substituídos. E é essa a norma que perdura até hoje.

    (*) Dez anos depois do acordo ortográfico, continuo achando esquisito escrevet “onomatopeia”, “europeia”, “prosopopeia” e outras sem o acento agudo que tinham, por causa das últimas quatro letras. Mas, no campo econômico, não deixa de ser adequado a gente seguir levando uma “europeia” da União Europeia.

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  28. 1) Queria apontar meus próprios erros de digitação (malditos teclados virtuais!): no 1° parágrafo, é “DIGO isso baseado EM outra…”; no 3°, é “…Só melhorou um POUCO…”; e no 4° é “…achando esquisito ESCREVER…”

    2) Ah, sim, lembrei de um exemplo curioso de adaptação de onomatopeia: no mangá do Batman, por Kia Asamiya, publicado aqui pela editora Mythos, eles optaram por cobrir os efeitos sonoros originais com outros efeitos, em fontes digitais. Curiosamente, os responsáveis optaram pela versão em português, deixando as páginas repletas de “BUUUUMs”, “UÓUÓUÓUÓs”, “CRÁSs” e por aí vai…

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