Desabafo

Osamu Tezuka, o (não-tão-perfeito-assim) deus do mangá

Desde criança, quando me educava na arte dos animes e mangás através de revistas escritas por Marcelo Del Greco e Sérgio Peixoto, uma frase sempre foi repetida à exaustão: “Osamu Tezuka é o deus dos mangás”. Esse mantra é quase um postulado no nosso meio, todo mundo aprende desde jovem e é aceito sem qualquer necessidade de prova. Tezuka ser o deus do mangá é uma verdade absoluta, tal qual o fato do céu ser azul ou dos heróis de tokusatsu sangrarem através de faíscas.

Durante muito tempo, o contato do brasileiro com Osamu Tezuka era através das memórias seletivas de pessoas mais velhas. Eu nunca havia tido contato com qualquer produção do Tezuka, então me restava acreditar naqueles jornalistas de revistas de anime que viram A Princesa e o Cavaleiro em suas infâncias distantes.

O primeiro autêntico Tezuka que vi foi justamente o mangá de A Princesa e o Cavaleiro, publicado pela JBC. E sim, estou fingindo que não vi Kimba, afinal a versão exibida nos anos 90 era mais desfigurada que o quadro de Jesus restaurado pela idosa da Espanha. Minha reação com o mangá foi meio… hm… como vou falar?… não muito positiva. Sentia como se a história nunca achasse o tom, não fazia ideia se fazia uma história de romance ou algo mais capa-e-espada. E era completamente diferente de tudo o que eu lia na época, um pouco mais “inocente”.

Osamu Tezuka merece sim ser considerado um dos maiores nomes do mangá no mundo, sua trajetória (que é narrada por uma biografia muito legal publicada pela Editora Mythos aqui no Brasil) é fascinante e ele foi responsável pela criação de uma dezena de séries fundamentais para o nosso mercado. Astro Boy, A Princesa e o Cavaleiro, Kimba, Dororo, Don Drácula, Hi no Tori, Black Jack, Buda, Adolf… o número de mangás importantes do autor é assombrosa. Porém, mesmo um gênio como ele não consegue ser constante. Nenhum gênio consegue.

Em sua trajetória mangazística, que vai de 1946 até 1989, Osamu Tezuka produziu DEZENAS de mangás. Se a gente acha Hiro Mashima, Eiichiro Oda e Rumiko Takahashi como robozinhos que produzem 20 páginas semanais por décadas, Tezukão foi além de todos eles e tem centenas de milhares de páginas de mangás desenhados e publicados. Levando em conta esse tamanho de produção, seria impossível ele manter o ótimo nível em todos os seus mangás.

Estou escrevendo essa matéria um dia depois de ler Faculdade de Mangá, publicado pela Editora NewPOP. Nesse título de 1950, Osamu Tezuka tentou dar dicas às crianças e jovens cujo sonho era trabalhar com mangás nesse mercado que estava começando. O mangá é uma coletânea de historinhas curtas, e entre elas um professor dá dicas sobre canetas, temáticas e sobre como era o processo de se desenhar mangá. Embora tenha um valor histórico muito interessante, principalmente pelo posfácio escrito pelo autor, o mangá é bem ruinzinho. Como vários outros publicados pelo Tezuka.

Quando lemos um mangá antigo, não podemos vê-lo com os olhos de hoje. É importante entender limitações técnicas, tecnológicas e o contexto histórico do momento. Não se pode ler um Tezuka em 2019 e exigir abordagens e temas que surgiram após décadas de produção e discussão sobre mangás. Inclusive, acho muito positivo que as edições atuais do Tezuka têm um texto dizendo que os mangás são frutos de sua época, então eventuais representações preconceituosas são frutos de seu tempo, e que devem ser lidas com senso crítico atualmente, até para que não se perpetuem.

Dito isso, o Tezuka tem mangás que acho fascinantes. Um dos primeiros títulos dele que li com tesão mesmo foi Dororo. A história, o carisma dos personagens, a criatividade nas tramas daqueles quatro volumes… Nem mesmo o final pavoroso (que o Tezuka confessou ter feito porque tinha cansado do mangá) estragou a qualidade. Também destaco mangás ótimos como Don Drácula (ri de verdade em muitos momentos), Adolf (história tensíssima… mas poderia ser menor) e Buda (fascinante). No entanto, já li muita coisa mediana do Tezuka, e muita porcaria também.

Durante muito tempo, guardava opiniões sobre o Tezuka pra mim mesmo. Tinha medo da minha carteirinha de otaka ser confiscada se eu viesse a contar que A Princesa e o Cavaleiro é tosco, que Metrópolis parece uma suruba desorganizada, Astro Boy é besta e que nem ao menos consegui terminar Crime & Castigo porque foi uma das piores coisas que eu li na vida. A gente é criado para acreditar que Osamu Tezuka é um deus, uma pessoa sobre-humana, mas esquecemos de o enxergar como alguém com falhas.

Tezuka errou bastante em sua carreira. Alguns mangás parecem feitos com desleixo, de qualquer jeito. Outros nem ao menos conseguiram um final satisfatório por ele não saber o que fazer. Como pessoa ele também agiu de forma não muito legal com autores de mangás de sua época, e aparentava ter um ego meio grande. Não posso deixar de culpá-lo também por ter permitido, através de seus descendentes, que Mauricio de Sousa fizesse um mangá com seus personagens fazendo propaganda de uma madeireira na Amazônia. Quase imperdoável.

É impossível uma pessoa ser genial 100% do tempo em trabalhos criativos. Machado de Assis é um escritor fundamental, mas já fez suas porcarias. No campo dos mangás, por exemplo, acho que não é pecado falar que Eiichiro Oda é um gênio no que faz (mangás para jovens). E, mesmo assim, todos estamos de acordo que One Piece não mantém a qualidade sempre, tem muito arco ali que a gente leu mais por obrigação que por gosto (alô, Ilha dos Homens Peixes).

Acho que essa coisa do Tezuka deveria ser um pouco desmistificada. Acho legal respeitá-lo como um grande autor de mangás, mas devíamos parar de exaltar qualquer coisa que tenha seu nome na capa. A NewPOP mesmo, em vez de trazer mangás ruins do autor poderia tentar trazer outros clássicos da mesma época para que tenhamos uma visão mais ampla daquele momento histórico para o mangá. Pra quê trazer um Faculdade de Mangá ou um Crime & Castigo, que provavelmente saíram aqui só pelo nome do autor, em vez de um Go Nagai ou um Shotaro Ishinomori?

29 comentários em “Osamu Tezuka, o (não-tão-perfeito-assim) deus do mangá

  1. Post muito interessante.

    Pessoalmente não li obras do Tezuka o suficiente pra ter uma opinião formada sobre o autor e a carreira dele, mas os três que li (Black Jack, Dororo e MW) eu gostei muito.
    Isso não quer dizer que sejam perfeitos, longe disso. Apesar de eu amar Black Jack, por exemplo, me incomoda como ele desenvolveu a personagem Kisaragi Megumi/Kei, que é uma mulher que supostamente virou homem, mas que decidiu viver como homem e desistir do romance com o próprio Black Jack simplesmente por causa de um câncer nos ovários que levou a remoção dos mesmos. Achei transfóbico (não é assim que pessoas trans deveriam ser representadas), misógino (mulheres não deixam de ser mulheres por perderem seus ovários) e até homofóbico (porque Black Jack teria que desistir “dele” agora que “ele” era homem). Mas é claro que eu reconheço que muito disso vem da época em que foi escrito, que Tezuka era um homem japonês nos anos 70 quando escreveu, que a cultura no Japão é muito diferente da nossa, e tudo isso vem da visão de mundo que ele tinha na época. São coisas que pra mim, como pessoa lendo o mangá em 2017 (ano em que li) realmente não caíram bem, mas que consigo entender que é por questão de diferença de visões tanto culturais quanto da época.

    Tenho curiosidade de ler mais obras do Tezuka, inclusive Don Drácula e A Princesa e o Cavaleiro (gosto muito de ver heroínas em papéis supostamente masculinos – vide como amo Rosa de Versalhes, Revolutionary Girl Utena e Mulan), mas pelo visto devo diminuir meu hype pra esse último, heh.

    Enfim, divaguei demais. Gostei muito do post, acho muito válida essa ideia de desendeusar tanto o Tezuka. Nenhum autor de mangás é perfeito, e um que produziu TANTAS obras assim certamente não seria. Mas claro, muito respeito a ele por seu papel na história dos mangás.

    Quanto a trazer um Go Nagai pro Brasil, já passou da hora de vir Devilman né.

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  2. Já vou me preparando para as pedradas, mas a grande verdade é que endeusar alguém pelo que faz é de uma bobagem sem tamanho, não existe um “fulano que é melhor do que todos”, sempre haverá alguém que o superará e assim por diante. É igual a um certo jogador de futebol do passado que até hoje é tratado a pão de ló, mas que na verdade só foi assim porque não tinha ninguém para competir pau a pau na hora e faltou para os outros uma coisa que ele tinha de sobra: puxa saco fazendo marketing. Sim, meus amigos, não existiria um ser perfeito se não houvessem marketeiros que lambam o chão por onde ele passa. Sempre foi e sempre será assim. Agora com licença, tenho de me esconder em meu bunker.

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  3. É o mesmo sentimento que tenho com o Maurício de Sousa, com a diferença que ele tem menos “erros” narrativos (porque os erros de caráter tá cheio) por ter uma equipe que escreve por ele. Mas galera o endeusa demais

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  4. É tão difícil assim trazer Hi no Tori pro Brasil? Li a versão americana, mas não consigo confiar muito em traduções para o inglês.

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  5. Tipo o Maurício aqui no BR, mas pelo menos no caso do Tezuka todas as “obras boas” são realmente escritas por ele.

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  6. Po muito bom o texto.
    Na real n li praticamente nada do Tezuka, mas sei a importância q o mesmo tem pro mundo dos mangás e n ignoro isso. Mas realmente n pode botar o cara num pedestal como se n ouvesse falhas.

    Das obras dele q tive o minimo de contato foi astro boy. E cara achei aquilo um porre, em entrevistas o proprio Tezuka falava q Astroboy se tornou um monstro sem controle, meio q mostrando q a obra n o agradava tanto, mas ainda sim é cutuada como um clássico absoluto. Tbm fiquei meio bolado de saber q ele tretou com Shotaro Ishinomori por simples e puro ego, onde em uma coluna de uma revista ele simplesmente desdenhava de um mangá do Ishinomori a ponto de questionar o talento do mesmo (essa informação inclusive tá em um dos volumes de Pluto, onde uma das pessoas do mercado mangás comenta sobre Tezuka e fala desse fato, assim como alguns outros n muito agradáveis).

    Acho q a galera precisa avaliar melhor quando vai falar dessas coisa, meio q alguns implicam numa obrigação do otaku de gostar do cara e se ele n gostar ele tá errado. Logicamente a importância do Tezuka é imensa, mas como vc mesmo abordou, isso n torna ele perfeito e a prova de críticas.

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  7. Eu devo ser uma das poucas pessoas do mundo que não gosta dos livros do Machado de Assis…
    Os contos menores, como a Cartomante, Uns Braços, são ótimos, mas os grandões como O Alienista acho uma bosta.

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  8. O Tezuka nunca foi “deus”, o cara era humano, então tinha as suas falhas.
    Ainda não li muito de suas obras, só o marco histórico de várias.

    Porém gosto muito de Black Jack

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  9. Falou pouco mas falou bosta.

    Sério mesmo que você no texto fala: saiu coisa pra caralho do tezuka durante a carreira dele, e usa como exemplos APENAS o que saiu no brasil pela newpop principalmente?

    Porra, se o cara tem tanta coisa na carreira e vc não pega sequer 1/10 da obra do cara. Mas o mais incrível é essa parte:

    “exigir abordagens e temas que surgiram após décadas de produção e discussão sobre mangás.”

    Ahhhh, esse é onde quem manja pega quem não manja, mas como sou mais esclarecido, vamos dar nomes.

    Um avião cai em algum lugar e os sobreviventes acabam sofrendo eventos estranhos. Parece Lost né, errado: Dust 8.

    Adolescente consegue poderes sobrenaturais e despiroca com seus poderes e quer mudar o mundo. Parece Death Note né, errado: Euphrate no Ki

    Quadrinho falando sobre a vida de um serial killer real, histórias do pós-segunda guerra, biografia de um pesquisador amador sobre geologia? Parece um monte de coisa feita hoje em dia, mas é Hi no Yama.

    Coletânea de oneshots dos mais diversos temas, seja sci-fi, sobrenatural ou romance. Parece até ser uma temporada de black mirror, mas é Kuuki no Soko

    Metamorfose como tema principal, de diversas formas e estilos, mas é tezuka, Metamorphose.

    Mulher ambiciosa, bissexual, sádica, psicótica que fará tudo por si só. Parece até uma personagem de novela das 22/23, mas é Ningen Konchuuki.

    Quer mais black mirror by tezuka? pega dois volumes aqui: The Crater

    E meu favorito (até agora), que tal uma história sobre racismo, criminalidade, ficção científica, e a uma das maiores obras com um vilão como protagonista entrando em espiral depois de eventos que moldam sua vida pra fazer o mal até onde ele carrega outros nesse poço sem fim? Vá ler Alabaster.

    E esse que é o ponto, a ignorância de não saber quem o Tezuka realmente é, do que ele trabalhou e do que ele fez, isso não se aprende lendo wikipedia, ou 3, 4 mangás que estão no brasil, o cara trabalhou pra caralho, fez praticamente de TUDO que você pode imaginar. E eu me surpreendo até hoje quando pego algum que não conheço e vejo: caralho, ele fez x 30 anos atrás, caralho ele fez y 40 anos atrás.

    Tezuka não é deus do mangá por que é pioneiro, ele é deus do mangá, pq ele praticamente estendeu sua mão em praticamente todos os generos que você pode imaginar, fez romance, comédia, sci-fi, sobrenatural, horror, meta, uma cacetada de coisa que autor nenhum (shotaro chega perto) teve o alcance que ele teve. E claro, nem o próprio tezuka acredita que ele é infalível, ele mesmo criticava seus próprios mangás no fim, o meu favorito, alabaster, ele odiava.

    No seu próprio parágrafo final você mostra sua ignorância, não pela sua conclusão, e sim por achar que o que tem disponível no mercado pinta a imagem de quem foi tezuka e o que ele fez. E nem vou começar a falar do shotaro ishinomori, e suas obras extremamente nihilistas com sofrimento total, e ainda mais ver gente pedindo go nagai pra depois se decepcionar com a quantidade de mangás sem final que o mesmo fez e faz até hoje.

    e é só isso, pegue esses títulos, leia e procure mais titulos pra ler, pois tem coisa pra caralho pra conhecer do tezukeira

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  10. Tezuka e o Deus do Mangá porque iniciou muita coisa que ganhou corpo anos depois, acho besteira tacar pedra nele. Afinal sua opinião e tão pessoal quanto quem o eleva a decima potência como autor. Por ele ter criado algo que depois virou inspiração pra algum gênero leva algum crédito. Qualquer coisa que você lê passa pela sua visão de mundo e por sua época.

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  11. Só pq Tezuka é considerado Deus do Mangá, não significa que as obras dele são perfeita, o gosto vai de cada um, ele é considerado pelos seus feitos e por ter revolucionado o quadrinho no Japão. É a mesma coisa dos quatro ases da animação japonesa (Gundam, Macross, Evangelion, Patrulha Estrelar) pode não agradar qualquer um, mas o que eles inovaram a animação japonesa. Dá pra entender o pq? Nem Tolkien agradou todos.

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  12. Além do mais pelo que eu fiquei sabendo Tezuka foi entitulado Deus do mangá no Japão o pais de origem dessas publicações tamanha sua importância no meio. Independente de quanto é relevante suas obras hoje em dia, ele começou algo. Isso dá um crédito enorme. Faltou tato nessa postagem isso vindo de alguém que tá na panelinha do meio.

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  13. Sei não viu…até gostei do texto no geral, e oncordo que não dá pra endeusar ninguém , mesmo que sempre tem uns assim, e nem tudo que ele fez foi tão brilhante, mas me pareceu que em certos momentos vc fez pouco das obras e ideias que ele fez/teve, e a extrema importância que ele teve pro mangá moderno formar sua identidade atual. Então não concordo totalmente não.

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  14. Fiquei surpreso com o artigo; o título é muito mais controverso do que o texto em si, que faz os devidos elogios ao Tezuka e só aponta que, apesar de extremamente importante para os mangás serem o que são hoje, ele não foi perfeito. O que deveria ser uma conclusão óbvia, já que NINGUÉM é perfeito.

    Como outras pessoas já comentaram aqui, as falhas do Tezuka não tornam ele menos merecedor do título de deus do mangá porque, independente da qualidade das obras dele, elas tiveram repercussão avassaladora no mundo e trouxeram visibilidade a outros autores.

    Mas acho seu artigo uma provocação interessante pra motivar os leitores a não endeusarem ninguém; saber que seus ídolos têm defeitos e que sempre existe a possibilidade de aparecer alguém melhor que eles, e que nem por isso você precisa deixar de gostar deles. No fim do dia, seu ídolo não precisa ser o maior e melhor; se for alguém que faz algo que te agrega algo positivo, já está ótimo.

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  15. O problema está em que o pessoal confunde as coisas, o tezuka não é o Deus do mangá só pelas obras , e elas não são incontestáveis, Ele é “o deus” ou o “o pai” do mangá porque foi pelo seu estilo que foi definido o que temos hoje de mangá. Depois do tezuka os artistas faziam seus mangás baseando no seu modelo de desenho e aprimorando as narrativas. Ele praticamente ” inventou ” um estilo único que foi seguido por todos depois.

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  16. Na minha opinião Tezuka não é deus dos mangás por causa que todas suas obras são boas mas devido a importância de algumas delas. Escreveu o primeiro Mangá moderno, o primeiro Mangá que virou anime e talvez o mais importante mangá que foi símbolo da luta contra a censura de mangás no Japão.

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  17. Um cara com pseudônimo feminino com um texto que reinventa a roda, com todos os clichés possíveis, que quer falar do ego de um criador de estilo e ainda alfinetar o Machado de Assis. É muita pretensão de “brogueirinha”, não acha? Não estou aqui para puxar o saco do sr. Tezuka, mas para lembrar que, se quer criticá-lo, é preciso antes ter um histórico de conhecimento dele, e as únicas pessoas com cacife para isso em nosso país são o (citado em seu texto) Maurício de Souza e a Sônia Maria Bibe Luyten. Por favor, limite-se a falar do que é de sua geração e pare de fingir ser didático, tive que colar o seu texto no Google Tradutor e ouvir a voz ditando, tamanha a verborragia repetitiva e desprovida de argumentação, tentando transformar opinião pessoal em polêmica de massa para adolescente otaku. Espero poder voltar a esse blog um dia e encontrar boas críticas e resenhas, acabei parando aqui por conta de uma página de facebook. Abraços e sucesso.

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  18. “as únicas pessoas com cacife para isso em nosso país são o (citado em seu texto) Maurício de Souza e a Sônia Maria Bibe Luyten”

    Nossa, pode crer, a Sônia Bibe Luyten é maravilhosa, grande pesquisadora e conhecedora da história dos mangás e ainda por cima extremamente simpática! Anime Friends, vocês deviam convidar ela pra levar um pouco de cultura pros otakus brasileiros com uma palestra sobre a história do mangá (embora eu tenha dúvidas se ela aceitaria ir).

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  19. Eu concordo com o Emerson. Acredito que está existindo atualmente uma onda de querer tirar e menosprezar os títulos e rebaixar as pessoas que deram alguma contribuição relevante a arte e ao mundo com argumentos irrelevantes. Sinto que isso é para “igualar” os autores relevantes a nós para acariciar os egos e para consolar a baixa estima de quem tenta se sobressair mas é medíocre. Nesse texto ė esquecido toda contribuição de Tezuka, toda sua história com meras críticas pessoais. E me espanta a comparação com outro grande nome da nossa literatura, Machado de Assis! É algo aterrador vindo de pessoas influenciadas por ideologias fracas onde os fracassados precisam colocar os grandes nomes da história juntos na mediocridade delas. O texto desse post ė tão vazio e inútil que nada nele consegue realmente destruir o título dado a Tezuka. Nada novo foi falado, tudo é questão de gosto e chega a conclusão óbvia da importância do artista e sua grande contribuição ao mangá moderno. Mas isso é reflexo do nosso governo, que tenta distorcer a história sem conhecimento real e tenta tirar títulos de pessoas e dar prêmio e títulos a pessoas não merecedoras. Ė vergonhoso. Precisamos de um país com mais respeito aos antecessores.

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  20. Bom… O venerável Osamu Tezuka não é o considerado o Deus Do Mangá à toa… Ele não apenas inseriu nas HQs japonesas apenas o desenho estilizado, os olhos grandes e a narrativa cinematogTráfica, inserindo, por exemplo, as famosas speed lines.. Ele foi o responsável por TRANSFORMAR os Quadrinhos em seu país. Antes de Tezuka, eles eram vistos como um subproduto, algo a ser descartado;depois de Tezuka, eles passaram a ser vistos como obras de arte. Tezuka fez pela HQ japonesa, o mesmo que fizeram HERGÊ, pela HQ belga, e WILL EISNER e STAN LEE E JACK KIRBY, pela HQ estadunidense. É, claro que, mesmo com todo o talento e genialidade, Tezuka e os demais artistas supracitados também escorregaram. Afinal de contas, ninguém pode ser 100 % genial o tempo todo…
    Faculdade de Mangá pode até ser ruinzinho, como a autora da matéria faz questão de frisar… Mas, do ponto de vista histórico, consegue ser 1000 VEZES MELHOR DO QUE AS TRANQUEIRAS ATUAIS QUE AS EDITORAS BRASILEIRAS INSISTEM EM PUBLICAR. E, se tratando de Osamu Tezuka, Faculdade de Mangá é praticamente uma Master Class! Só reclamo que as editoras brasileiras não publicam material de outros artistas importantes,que fizeram e fazem a história das Histórias em Quadrinhos no Japão, como Go Nagai, Shotaro Ishinomori, Reiji Matsumoto, Ken Ishikawa, Mitsuteru Yokoyama, Chikako Urano, Monkey Punch, Jiro Kwata e Fujiko F. Fujio, entre outros.

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  21. Eu tinha essa visão de que Osamu Tezuka era um deus até ler o primeiro mangá dele, que foi Metrópolis. Não é ruim, mas… eu esperava algo mais “divino”, sacas? Demorei um pouco para me acostumar com o traço e o ritmo das estórias dele, até que finalmente caiu a ficha de que eram obras de seu tempo. Algumas conseguem ter apelo até hoje, mas não todas. Eu hoje o considero uma boa referência pelo esforço e a quantidade de obras publicadas num contexto de reestruturação do Japão pós-guerra, e só por isso consigo ler suas obras. Sem esse olhar histórico eu já teria desistido de ler Osamu Tezuka.

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  22. Na maioria das vezes eu acho que a Mara gosta só de contrariar o senso comum mesmo

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