Aleatoriedades

Traduções adaptadas que os otakus só perdoam por causa da nostalgia

A cada bimestre, mais ou menos, surge em grupos de mangás do Facebook alguém reclamando que a Panini está usando GÍRIAS MODERNAS para estragar a compreensão do mangá de Dragon Ball Super. Muitos defendem que esse tipo de INTERVENÇÃO na obra original é uma afronta, e que complicaria a leitura desse mesmo mangá daqui 10 ou 15 anos (considerando, claro, que a qualidade atual das editoras resista a esse período de tempo).

Na verdade, o otaku brasileiro é aquele ser engraçado que odeia alterações no original, mas ao mesmo tempo aplaude de pé intervenções feitas nas séries que ele consumiu antes de conhecer como era o original. Pensando nisso, listei algumas mudanças grandes em traduções populares, mas que são facilmente perdoadas porque né… tá no coração.

As Guerreiras Mágicas DE Rayearth – As Guerreiras Mágicas de Rayearth

Talvez você não saiba, caro otaku, mas em japonês não existe aquela música “Lucy Lucy Lucy é fogoo, e Marine é mar e é águaaaa“. A série Magic Knight Rayearth passou por uma adaptação gigantesca no Brasil, e que é bem interessante até. As protagonistas Hikaru, Umi e Fuu foram adaptadas para Lucy, Marine e Anne para manter a mesma brincadeira com os elementos do original. Nomes como Prescea virou Priscila, a vilã Alcion se transformou em Alcione e a série ganhou o título de “As Guerreiras Mágicas de Rayearth”, sendo que Rayearth não é nem o planeta que elas foram nesse isekai dos anos 90, e sim apenas o robô da Lucy.

Tempos depois, a JBC (numa fase mais conservadora) decidiu relançar o mangá aqui no Brasil supostamente da forma mais fiel possível. Tirou todos os nomes abrasileirados para deixar os originais, mas deixou o mangá se chamando “Guerreiras Mágicas de Rayearth” mesmo porque né… pra quê ser fiel em tudo?

Ah, eu sou Toguro (e demais frases) – Yu Yu Hakusho

Não é incomum achar um otaku brasileiro que odeia gírias em mangás recentes e que seja apaixonado pelas alterações feitas em Yu Yu Hakusho. A primeira dublagem do anime parece ter sido feita por um Marcelo Del Greco após tomar três garrafas de café, e coloca uma infinidade de gírias e memes brasileiros na história ambientada no Japão. O grito de torcida do time Toguro no Torneio das Trevas, por exemplo, era uma paródia de uma música que repetia “Ah eu tô maluco”. Quando foi redublado, eles deram uma atualizada nos memes e colocaram referências até ao Popó, que fazia sucesso na época.

A primeira publicação desse mangá da JBC foi ainda mais louca e trouxe um Marcelo Del Greco inspiradíssimo enfiando memes de todas as épocas do mundo, às vezes até pouco se encaixando no contexto. Já na republicação eles foram pelo caminho inverso e fizeram uma tradução 100% fiel que muita gente reclamou, até porque nomes conhecidos de personagens foram trocados para a “grafia certa” (o bêbado Tiyu virou Chuu, por exemplo).

Bulbassauro e Magikarpa – Pokémon

Os mais novos não pegaram isso, mas na primeira temporada de Pokémon o nome de alguns bichos era abrasileirado. Em vez de falar um Bulbasaur ou um Magikarp, a versão brasileira do negócio mandou um “bulbassauro” e “magikarpa” que muitos fãs usam até hoje. Claro, depois da criação da fanbase virou um pecado sequer COGITAR mudar o nome icônico de algum dos Pokémon.

Fly – Fly, o Pequeno Guerreiro

A abertura de Fly, O Pequeno Guerreiro é quase um Evidências das anime song, com fãs nostálgicos e emocionados entoando esse clássico composto pelo sócio da Gota Mágica. Acontece que esse hino dos animes na verdade é uma adaptaçãozona sem limites. O Fly no original se chama “Dai” e a música que todo mundo ama simplesmente NÃO EXISTE no original.

Enigma do Milênio (e outras relíquias) – Yu-Gi-Oh!

Esse aqui é pro pessoal que pensa que tradução nostálgica é apenas dos anos 90. Yu-Gi-Oh chegou com seus cabelos aerodinâmicos por aqui durante os anos 2000, e contou com uma das piores traduções já feitas na história dos animes do Brasil, e olha que nem estou falando daquele caso maravilhoso do tradutor que confundiu “moth” (mariposa) com “mouth” (boca).

Yu-Gi-Oh é a série que viu um termo como “millenium puzzle“, que seria algo do tipo “quebra-cabeça milenar” e escolheu adaptar para… enigma do milênio. Não sei vocês, mas a expressão “do milênio” pra mim nunca fez o sentido esperado na obra base, e o nome dos outros ~artefatos do milênio~ pareciam ainda mais cafonas que no original. 

Venha Cobra (e outros golpes) – Os Cavaleiros do Zodíaco

Claro, esse é o caso mais emblemático de todos. Os Cavs, quando chegaram no Brasil em 1994, vieram com uma tradução quase dadaísta, reflexo de uma adaptação de um anime japonês com dublagem em espanhol e alguns roteiros em inglês. Personagens mudando de nome a cada capítulo e golpes que foram livres adaptações do que eram no original (e outras invenções bizarras tipo o “venha cobra” da Shina).

Quando foi redublado com a ajuda da fanbase e de pessoas especializadas, formou-se quase uma assembleia para decidir o que seria consertado e quais erros seriam mantidos por serem muito icônicos. Sim, QUAIS ERROS SERIAM MANTIDOS.

Independente de concordar ou discordar dessas adaptações, é sempre curioso ver com o otaku moderno tem opiniões diferentes de acordo com o que aparece mais distantemente em sua memória. Lembra de mais algum caso de mudança que é perdoada apenas por nostalgia? Comente aí!

27 comentários em “Traduções adaptadas que os otakus só perdoam por causa da nostalgia

  1. Eu lembro do Super Campeões que passou na Manchete. No original é Captain Tsubasa. Tsubasa Ozora virou Oliver Tsubasa. Taro Misaki virou Carlos Misaki. E Genzo Wakabayashi virou Benji Wakabayashi. Já no Super Campeões da Rede TV se iniciou com os nomes abrasileirados, depois voltou pros nomes originais. Mais ou menos, já que Kojiro Hyuuga virou Kojiro “Ruéga”. E o Oliver Tsubasa passou a se chamar Oliver Tsubasa Ozora.

    Estranhamente o mesmo otaku que sente nostalgia de um tempo que não viveu é o mesmo que reclama de um “Kazinho” que a legenda da Crunchyroll colocou em My Hero Academia. Esse otaku ignora que muitas dessas adaptações servem para aproximar o público leigo do anime a ser exibido, ou do mangá a ser comercializado. Lembrando que os animes que mais fizeram sucesso no país são os que mais sofreram adaptação, seja na tradução, seja na dublagem.

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  2. Acho que o otaku brasileiro só reclama por que a internet permite que ele saiba mais sobre o original e que descubra as mudanças e adaptações feitas.
    Por exemplo o novo anime do Pokémon – Sol e Lua:
    Muitos reclamam das adaptações dos nomes dos personagens mas ninguém reclama dos nomes dos pokemons, que são TODOS empréstimos do inglês.
    Aí as críticas às adaptações acabam sendo muito seletivas, cada um no seu próprio mundinho “isso pode” e “isso não pode”.

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  3. Eu sou super a favor dessas abrasileiradas, contanto que elas façam sentido!! OPM fez isso muito bem, que é o mais recente desenho que eu assisti com essa adaptação, porem em Desencanto, eu ja achei muito ruim, pq a maioria dos “memes” foram usados em momentos que não faziam sentido algum e que dava a impressão que ele estava apenas dizendo “Olha como somos engraçados e modernos, sabemos os memes que vcs usam em redes sociais!”

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  4. Devo confessar que sou um dos apaixonados pela dublagem de Yu Yu Hakusho, mas de certa forma, mesmo o anime se passando no Japão, o Yusuke é um personagem muito debochado… então combina algumas frases da versão brasileira com ele.
    No entanto, é contraditório mesmo o “conservadorismo” que os otaquinhos tem com as obras atuais, e essa nostalgia com as dublagens antigas. Também vi alguns otacos reclamarem da dublagem de Dragon Ball Super pelo excesso de gírias “lacradoras”, ou o fato de Bills ser uma “bicha loka” na nossa versão, sendo que na versão japonesa ele também é, de certa forma, afeminado, apenas mais contido.

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  5. @João Ainda em CT 2002, mixaram o nome do Shun Nitta em um virando Shinda (?) e Shingo Aoi que virou Shingo Oau (?), que fazia sentido nenhum as adaptações. Fora a irritante voz da dubladora da personagem Yayoi Aoba, que devem ter pego uma qualquer ali no estudio pra fazer.

    Aproveitando sobre dublagem, quero desabafar: a dublagem do CT 2018 é uma merda, piorada por nao ter nenhuma voz das duas dublagens anteriores. Sucatearam até CT.

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  6. Do mangá DBS reclamo mesmo, mas n pq tem giria, mas pq elas só aparecem agora. No DB original a panini fez algo perto da dublagem e até trouxe coisas do original japa, como a Chi-Chi falando mais caipira. Só q ae chega no DBS e n segue esse padrão, pior ainda é q as gírias n aparecem nas 2s 1°s edições e a partir da 3° o Goku fala como se fosse criado em SP. Ae é foda, se tivesse isso desde o DB eu tinha cagado pra isso, mas n tem uma padronização.

    Quanto as demais ae eu acho horrendo esses erros mantidos em Cdz, depois q vc pesquisa o negocio fica meio feio.

    Quanto a Yu Yu eu curti a ultima versão da JBC. Gosto da dublagem tbm, mas tenho ciência q ela foi daquele jeito por problemas de adaptação da época, acho até um role meio errado quando usam essa dublagem de yu yu de muleta pra certas liberdades adaptativas, pois isso foi de uma época q n se tinha muita informação.

    Adaptações, piadas mais regionais podem sim ser feitas, só acho q n pode exagerar (abraço dublagem de DBS) ou ferir o contexto da cena original. E lógico isso tem de ter um padrão na obra e suas continuações.

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  7. O caso mais emblemático pra mim é o de Cavaleiros porque as pessoas endeusam a dublagem da Manchete, eu não consigo conceber preferir uma dublagem toda errada apenas porque “viu primeiro”, sinal que a história mesmo do anime foda-se.

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  8. O titulo “Guerreiras Mágicas de Rayearth” é um DESASTRE, fico pra morrer com a falta de coerencia. Mas é só me lembrar que o original se chama “Rayearth, o cavaleiro mágico” que eu saio correndo pra versão brasileira por ela passar melhor essa visão de mahou shoujo; mas aí me lembro que ela não faz sentido algum […]

    Daí fico nesse loop

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  9. Ainda sobre Yu-Gi-Oh!, a tradução realmente foi um quesito problemático, tanto na Parisi Vídeo (com a saída do Fernando Janson, que foi o responsável por traduzir Millenium Puzzle como Enigma do Milênio, talvez devido a questão da labial dos personagens, que não comportaria “Quebra-cabeça do Milênio”, o que não significa que a tradução correta não foi utilizada em algumas ocasiões aleatórias), quanto na Centauro (Yu-Gi-Oh! e Yu-Gi-Oh! GX, graças ou por culpa da Elaine Pagano) ou ainda na Lexx (Yu-Gi-Oh! 5D’s e Yu-Gi-Oh! Vínculos Além do Tempo), Delart (Yu-Gi-Oh! Pirâmide de Luz) e Sigma (Yu-Gi-Oh! O Lado Negro das Dimensões).
    Eu já até não me animo muito com o que vai sair em Yu-Gi-Oh! ARC-V e Yu-Gi-Oh! VRAINS pela Atma Entretenimentos.

    Quanto a esse lance de “abrasileirarem” diálogos, teve bons exemplos em Yu-Gi-Oh! GX (“Smaden Smuck” virou “Zé do Truque”, e “sotaque texano” virou “sotaque nordestino”) e um péssimo exemplo em Yu-Gi-Oh! 5D’s (um personagem citou “Ah Le Lek Lek Lek” num diálogo pra mostrar empolgação, algo inexistente em outras versões, e fizeram isso aqui só porque a música estava em evidência na época em que o episódio foi dublado).

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  10. Guerreiras Mágicas de Rayerath: 1- O nome nunca foi ”AS guerreiras mágicas de rayearth” (aliás, não sei quem colocou o ”as”, pois em todos os produtos oficiais foi sempre somente ‘guerreiras mágicas de rayearth’) 2- O nome japonesa da personagem é Alcione e colocaram no Brasil ‘Alción’. 3-Rayearth refere-se tanto ao gênio da Hikaru, quanto a união dos três gênios. O nome da união do 3 gênios é ‘coalescência rayearth’. Então guerreiras mágicas de rayearth está de acordo.

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  11. A música do Fly tem uma coisa meio bizarra, que eles usaram a introduçãozinha com cornetas tocando (que é a introdução da música tema do Dragon Quest, em todos os jogos), só que como a música é completamente diferente, eles fizeram um corte muito bruto, é estranho.

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  12. Excelente matéria. Eu não sabia das várias traduções bastante adaptadas de Fly e de Yugi-Oh. O Interessante destas adaptações é que elas não passam indiferentes no meio Otaku, pois na maioria das vezes geram reações de amor/aprovação ou rejeição/raiva.

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  13. Só causa polêmica depende da tradução e do interesse do produto pelo meio. Tem fandom que nem faz questão, tem uns que aceitam adaptação de termos.

    Quanto ao Yu Yu Hakusho tem o fato de ter sido lançado numa época sem internet nas quais fosse permitido a difusão do conteúdo original. Por isso que nenhuma série pós essa época ganhou tanta popularidade, porque vivíamos num mundo onde qualquer informação extra de uma série era uma raridade e um conteúdo obscuro.

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  14. @Isaac, o nome original não vem ao caso. Esses nomes são os oficiais americanos (a Itália também usa o nome em inglês).

    Muitos Pokémon em japonês tem nomes horríveis, sem graça e idiotas. Zapdos chama-se, literalmente, Thunder. -_-

    Nesse caso, a própria The Pokémon Company International define os nomes com a TPC. Então são todos originais.

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  15. O maior caso mangazístico de engano consagrado pela tradução que conheço é o do imortal “Lobo Solitário”. Quem conhece sabe que Itto Ogami, o Lobo do título, passa quase a história toda carregando seu filho a tiracolo, o que condiz com o título original, “Kozure Ökami” (“lobo acompanhado de seu filhote”). A versão brasileira pegou carona na norte-americana, “Lone Wolf and Cub” (que pode tanto ser “Lobo Solitário e Filhote” quanto “Lobo e Filhote Solitários”) e ficou com um título que é a antítese da trama do gibi. Mas o nome, que é inegavelmente forte, pegou e está tão associado à essa história que ninguém teve coragem de mudar em nenhuma das editoras por qual ele passou.

    Do lado “comic”, temos o “Jaqueta Amarela” da Marvel, uma das várias identidades de Hank Pym, o primeiro Homem-Formiga e ex-marido da Vespa. É uma tradução literal do original “Yellowjacket”, nome de uma espécie de vespa dos Estados Unidos. Um dos tradutores , o Jotapê, até pensou em mudar pra algo tipo “Zangão”, mas o nome tava tão ligado ao personagem que ele acabou deixando.

    E também tem o “Ricardito”, parceiro mirim do Arqueiro Verde (e que hoje responde por Arsenal ou Arqueiro Vermelho). O original é “Speedy” (“rapidinho” ou “ligeirinho”), que não daria um bom nome por aqui. Também foi mantido intocado por todas as editoras que trabalharam com a DC. Meu palpite é que o primeiro tradutor a mexer com o personagem devia ter um filho ou neto chamado Ricardo e tava sem grana pra comprar um presente bonzinho pra ele. Então ele chegou pro moleque e disse: “Ricardito, vou te dar um presentão! Vou fazer de você um herói e você vai aparecer todo mês aqui no gibi!” E o resto é História!

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  16. Jambu: Imagine alguém falando “Bulbasóórr”, com sotaque?

    Por outro lado, tem cada coisa troncha não rmtraduzida nos canais a cabo pra pirrainha que meu moleque vê (Discovery Kids, Nick Jr., Disney Jr….). Coisas como os nomes dos cachorros da Patrulha Canina ou um desenho chamado “Top Wing”, com uns bichos que vivem numa ilha chamada “Big Swirl”. Nem os dubladores conseguem falar esse nome direito, e eu quase sempre escuro eles falarem algo como “Big Squirtle” (olha o Pokemon de novo)!

    (Aliás, a Patrulha Canina tem um cachorro chamado “Rubble”, que a garotada só consegue pronunciar “Rambou”. Eu caio na risada imaginando um boneco de cachorrinho equipado com metralhadora e lança-granadas…)

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  17. “O Fly no original se chama “Dai” e a música que todo mundo ama simplesmente NÃO EXISTE no original.”
    Todo mundo ama, vírgula! Eu sempre achei aquela música paia até porque até uma anta percebe que a música não casa em nada com as cenas de ação instensa da primeira parte da abertura! Agora escutem com a abertura original, a espetacular “Yuusha yo Isoge”… Caraca, uma das aberturas de anime MAIS FODAS que eu já vi em toda a minha vida!!! Pega todo o espírito do anime e também dos jogos e joga na sua cara!!! Demais!!!

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  18. Na versão dublada de Yu Yu Hakusho, a Shizuru, irmã do Kuwabara, virou “Shizuka” por alguma razão que nunca descobri. E o codinome do Hagiri (Sniper), aliado do Sensui, era pronunciado errado por todos os dubladores. Em vez de falar “snaiper”, todo mundo falava “sniper” mesmo.

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  19. Paulo, sua história da pronúncia errada me lembrou uma parecida. Aliás, duas, que imagino se são por causa do mesmo tradutor.

    Uma vem do desenho norte-americano “Reboot”: nele, os habitantes de Mainframe, a cidade do computador, são chamados “sprites” (cuja pronúncia, como a do refrigerante homônimo, é “spráites”). Mas o elenco da dublagem –carioca– unanimemente falava “sprêites”. (Uma segunda dublagem, desta vez paulista, os chamava pelo nome certo.)

    O segundo caso é o do seriado japonês “Spielvan” (que a Manchete já chamou de “Jaspion II”): o protagonista e sua assistente (depois assistentes) tinham umas pistolas chamadas “laser slice” (“corte laser”); O “slice” tem pronúncia “sláice”, mas todos diziam “slêice”.

    Cheguei a pensar que, no “Reboot”, não queriam falar “sprite” corretamente pra não fazer propaganda de graça do refrIgerante, feito fizeram com o Brahma/Bráfma no “Shurato” e com a Antártica/Antártida e o recorde/”récorde” nos nossos noticiários. Mas, vendo o caso do Spielvan, passei a achar que o problema foi um tradutor bem-intencionado.

    Creio que o mesmo profissional traduziu as duas obras, e estava preocupado com a pronúncia de palavras estrangeiras que talvez alguém da produção ou do marketing tenha pedido pra manter. Então, ele as escreveu aportuguesadas, “spraite” e “slaice”, só que sem a indicação de que era um aportuguesamento. Os dubladores pensaram que eram palavras em inglês… e nasceram os “sprêites” e a “laser slêice”!

    (Desculpem se sou ruim de síntese. Com um pouco mais de tempo e dois filhos a menos, certamente poderia escrever algo melhor!)

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  20. O Nelson Machado (vulgo Quico de verdade, o Carlos Villagran é só a carcaça kkkkkk) cutuca esse vespeiro sempre quando pode. Já disse mais de uma vez como foi uma experiência deprimente quando os fãs enfiaram alguns dos erros bizarros dos anos 80 na dublagem dos DVDs (que, por sinal, esses mesmos fãs não gostaram porque a distribuidora esqueceu de pedir pras Esferas do Dragão reviver uns dubladores e rejuvenescer outros…).

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