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FuriFura, o incrível caso do mangá com 3 nomes diferentes na capa

Lançar mangá no Brasil é uma arte que envolve simultaneamente muita análise de mercado e também muito achismo. Um dos pontos principais de um mangá, e que é pouco debatido por aqui, é o título escolhido para o negócio. Se por um lado o ideal é deixar o negócio acessível a mais gente, por outro um título pode rejeitar até mesmo quem gosta do mangá original.

Na época do lançamento de Shingeki no Kyoujin no Brasil, até cheguei a fazer uma matéria aqui sobre como os otakus ficaram furiosos que a Panini havia decidido lançar o título com o nome “Ataque dos Titãs”. Muitos queriam o nome original ou até mesmo o americano “Attack on Titan”, e até alegaram que o público que via o anime nem ia conseguir reconhecer o mangá nas bancas (claro, ver o Eren e um Titã Colossal numa capa de revista é muito difícil de perceber que se trata de Shingeki).

Não existe um padrão para títulos de mangás. Alguns são lançados no Brasil com nome traduzido (como é o caso de Yuuna da Pensão Assombrada, lançamento da Panini) e outros colocam títulos em inglês quando o original em japonês é mais conhecido por aqui (quem é Blood Blockade Battlefront na fila do Mupy? O povo conhece como Kekkai Sensen), e algumas vezes enfiam um negócio japonês mesmo e dane-se quem não sabe o significado de Koroshiya-san.

E aí chegamos no mais recente lançamento da Panini. A editora, que se especializou em lançar shoujos genéricos para depois reclamar que o público não comprava, anunciou recentemente “Omoi, Omoware, Furi, Furare“. Para um leigo pode até parecer um haiku, mas é o nome de um mangá da mesma autora de Aoharaido e que será publicado esse mês no Brasil. A questão é que… esse título não é assim a coisa mais convidativa do mundo. Mesmo no Japão!

Por lá, é muito comum que mangás (principalmente os de nome comprido) ganhem “apelidos carinhosos” mais curtos. Kareshi Kanojo no Jijyou virou “Karekano”, Fruits Basket virou “Furuba” e “Omoi, Omoware, Furi, Furare” ganhou o apelido de… “Furi Fura“. Em alguns casos, como Karekano, o apelido ficou mais famoso que o próprio nome do mangá, tanto que quando a Panini lançou por aqui ele chegou como…

“Karekano – As Razões dele, Os motivos dela”.

Reconheço que é uma forma legal de lançar o mangá por aqui… Tem o nome que é mais conhecido no mundo, um nomezinho em português e beleza. A Panini não precisou colocar “Kareshi Kanojo no Jijyou” porque essa frase significa absolutamente nada pra gente no Brasil.

E aí voltamos para o novo shoujo, pois a Panini decidiu que na capa teria em destaque o apelido “Furi Fura“…

…mais um nome brasileiro adaptado do título original, “Amores e Desenganos“,…

….e mais o “Omoi, Omoware, Furi, Furare“, totalizando incríveis TRÊS NOMES DIFERENTES NUMA MESMA CAPA!

Curiosamente, uma decisão editorial diferente foi usada para um outro mangá que também será lançado nesse mês de abril. Yonjo Senki é bastante conhecido por aqui pelo título japonês, só que para a capa escolheram um título brasileiro “Crônicas da Guerra” junto de uma redução do nome americano do negócio, “Tanya the Evil“.

Claro que sempre pode aparecer algum comentarista “anônimo” aqui no site, que na verdade tem alguma relação com alguma editora, falando “mas Mara, pare de pegar no pé da Panini, isso tudo é imposição dos japoneses” etc. Concordo, sabemos como japonês adora meter o bedelho editorial nas capas alheias (tipo o Otomo proibindo a JBC de traduzir textos em chinês na capa de Akira), mas se o título de Furi Fura foi “imposição japonesa”, por que eu preciso engolir isso de boa? O que raios eles entendem do nosso mercado e do nosso público? Só por ter sido uma ideia dos japoneses quer dizer que sou obrigada a concordar com tudo e dizer que é a melhor coisa para o projeto? Eu acho que não.

Sem contar que em nenhuma outra edição internacional desse mangá rolou isso:

Independente de quem é a culpa (e nunca vamos descobrir de quem é), mangá com três títulos diferentes me parece uma mistura bizarra de aberração editorial com poluição visual desnecessária.

16 comentários em “FuriFura, o incrível caso do mangá com 3 nomes diferentes na capa

  1. A mim parece que estão com preguiça de lidar com chilique de otaquinho por causa de título e decidiram jogar os três de uma vez só. Quer original? Tem! Quer traduzido? Tem! Quer o apelido? TAMBEM TEM! NÃO TEM DO Q RECLAMAR NÉ AGORA COMPREM ESSA MERDA

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  2. Eu acho que o título do mangá sempre deve ser traduzido. Acho meio capacho a gente usar o título em inglês quando nem todo o mundo sabe inglês aqui. E só com mangá que isso rola, não? O título em inglês deveria ficar menorzinho do lado e só se ele aparecer na capa do original em japonês, como no caso de The Promised Neverland, Lovely Complex e My Hero Academia. Senão, usa o japonês, mesmo.

    Eu acho que Kare Kano ficou bom do jeito que ficou. Depende da fama do nome abreviado. Se lançassem Watashi ga Motenai no wa Dou Kangaetemo Omaera ga Warui aqui, eu acho que deveriam deixar como título em destaque WataMote e o nome traduzido embaixo: “A culpa é de vocês que eu não sou popular!” ou qualquer coisa assim.

    Já no caso de Furi Fura, sinceramente, não vejo muita gente chamando o mangá assim. Eu deixaria como “Amar e ser amado, abandonar e ser abandonado” e “Omoi Omoware Furi Furare” pequenininho. Youjo Senki acho que ficaria engraçado como “Crônicas de Guerra de uma Garotinha”, então poderia deixar como “A Saga de Tanya, a Implacável” ou algo assim e o título em japonês embaixo.

    É assim que eu acho que deveria ser, num mundo ideal.

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  3. Cara nunca me desceu muito bem essa desculpa do “é imposição dos Japoneses”. Blz, n vou ser babaca e dizer q eles n se metem, pq devem se meter sim, mas n acredito q seja pra todas as obras.
    Ter interferência em um mangá de grande sucesso ou de grande importância (tipo Akira) é entendivel, mas agora pra certos mangás q ninguem conhece e deve vender só o necessário lá na japa é meio foda (n q esse seja o caso de Furi Fura). Sem duvida deve rola um momento q pra n ouvir reclamação de otaku por serviço merda tem editora q deve já usa essa desculpa de muleta.

    Sobre a escolha da Panini: É só mais uma cagada de muitas q a panini vem fazendo. Na verdade comparado ao q já fez, essa ae é bobagem.

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  4. Tsc! Não acredito que esqueceram o famoso aviso de rodapé “da mesma autora de Aoharaido – A Primavera de Nossas Vidas” que deixaria a capa ainda mais poluída…
    Você já foi melhor, Panini.

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  5. Orelha do Cássius
    Deixa essa pra JBC, ela que faz mais isso (não que me incomode)

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  6. Da primeira vez que vi a capa de Furi Fura (pra mim era um ilustre desconhecido) eu só reparei no apelido e no nome em português. Foi vendo o Twitter da Mara que percebi que o nome completo do mangá tava embaixo. Ficou bizarro, sinceramente. De qualquer forma, minha cota de mangás pra comprar já está cheia, não vou com a cara da autora desse, não gostei de Aoharaido então deixarei passar.
    Aliás, pensando aqui agora, será que tacaram os 3 nomes porque podem anunciar anime a qualquer momento?

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  7. Gente que compra Choro Mangá já é dificil mesmo. Pode até colocar que e do autor de tal obra de Choro que alcancar o publico que deveria nao vai acontecer.

    O que deveria ter e o Titulo Nacional grande e entre parenteses o titulo original. Simples e pratico o mercado de filmes em DVD e os antigos VHS nao tinham isso, ah esqueci estamos falando de manga ainda mais de Choro Manga.

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  8. Acho o título principal do mangá sempre tem q ser traduzido e adaptado para o português ou usar o nome internacional em inglês (que é um idioma q mesmo as pessoas q não sabem inglês tem contato quase diário), exceto as raras exceções em q o título japonês é melhor e de fácil entendimento…

    Exemplos bons disso são A Voz do Silêncio e Your name, ambos os títulos atraem pessoas q não conheciam a obra anteriormente… Se tivessem vindo para o Brasil com os títulos Koe no Katachi e Kimi no Na wa, eles ficariam restritos às pessoas q já conheciam a obra..

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  9. O que eu sei é que Furi Fura é o pior apelido de mangá que eu já vi na minha vida (e não sei se será superado)

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  10. No campo dos nomes grande demais para uma capa ainda ganha “Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya – Next Dimension – A Saga de Hades”.

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  11. Aquele terceiro título não pegou bem (o em japonês), se apenas tivesse o Furi Fura e o amores e desenganos ficaria legal, não entendi mesmo porque acharam uma boa idéia colocar o título japonês

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