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(Review) One Piece World Seeker – achei que seria uma roubada, mas gostei

Eu estava muito apreensiva para fazer esse review. Posso dizer que gosto de One Piece e que amo a série Unlimited criada pela Ganbarion, a mesma desenvolvedora desse lançamento, mas One Piece World Seeker tem uma proposta diferente: esqueça as ilhas limitadas por barreiras invisíveis e inimigos repetitivos que precisavam ser derrotados para conseguir itens, estamos em 2019 e agora o que faz sucesso é MUNDO ABERTO. Também ajudou na minha apreensão o fato do jogo ter tirado notas medíocres na imprensa especializada em games, então já cheguei no jogo com a maior má vontade do mundo. Após mais de 30 horas me aventurando pela Ilha da Prisão, posso afirmar que… me surpreendi com esse jogo.

O que é One Piece World Seeker?

World Seeker é um jogo mundo aberto com tudo o que jogos abertos têm de bom (e de chato). Você controla Monkey D Luffy, o aspirante a Rei dos Piratas, que vai parar numa ilha enorme e se vê metido em uma treta local que envolve política (representada pelos novos personagens Jeanne e Isaac), piratas e, claro, a Marinha. Tal qual o Brasil da atualidade, os moradores da Ilha da Prisão estão divididos em dois espectros diferentes, os antimarinha e os pró-marinha, e fazendo missões secundárias para cada grupo pode ajudar a aumentar sua moral (ou “karma”, como o jogo chama) com cada um dos lados.

A história se passa depois do arco de Whole Cake, então se você não está em dia com o anime/mangá é possível que tenha alguns spoilers “menores”, como descobrir o parentesco do Germa 66 com um certo personagem importante da série, ou então a presença de uma figura do passado do Luffy que tem uns poderes bem conhecidos por parte do público. Pelo menos não são coisas que vão destruir seu barato de acompanhar a série.

Boa parte dos diálogos é meio estática e com poucas falas dubladas.
Ao contrário da animação de abertura, a cidade é um pouco… vazia.
Tudo o que você consegue enxergar, tá pra ir.

Ao contrário dos outros jogos feitos pela Ganbarion (que vão desde o excelente One Piece Unlimited Cruise até o pavoroso One Piece Unlimited Red), dessa vez você só controla o Luffy. Os outros membros do bando até fazem participações na história, auxiliando personagens em missões secundárias, mas você não contará com a ajuda prática de nenhum deles na hora de controlar. Isso pode ter sido feito para focar o controle apenas no Luffy, e funcionou no geral (por mais que eu tenha saudade de jogar com a Robin ou o Chopper). Embora o personagem tem um controle meio truncado em alguns momentos, é muito gostoso controlar o personagem. Você pode usar o Gomu Gomu no Rocket como se fossem as teias do Homem-Aranha de PS4 e atravessar o cenário, ou usar os vários tipos de golpes com haki para exterminar os piratas.

Uma das novidades desse jogo é o fator stealth, usado por 10 de 10 jogos de mundo aberto. Luffy pode derrubar inimigos se chegar silenciosamente por trás, ou evitar conflitos atravessando áreas dentro de um barril. Infelizmente essa ideia não deu muito certo no jogo, e tem dois motivos pra isso. O primeiro é que os inimigos têm uma visão de águia digna de um Usopp: se você tentar atravessar a Cidade de Aço voando pelos prédios, logo será abatido por um soldado a quilômetros de distância (e acredite, eles NUNCA erram um tiro, e isso frustra um pouco). O segundo motivo é o mais grave: jogabilidade stealth não combina com a personalidade do Luffy. Me responda, caro leitor de One Piece, você acha que Luffy invadiria um lugar furtivamente ou falando “SAI DA FRENTEEEE” metendo o soco em todo mundo? Por sorte, essa segunda opção funciona muito bem.

Tem habilidade pra caralho nesse jogo, e tudo baseado no anime e no mangá.
Tá vendo aquele ponto vermelho láááá no fundo? É um soldado que te enxergou com uma visão além do alcance.
Que bonito vocês aqui, mas já pensaram em IR ME AJUDAR NESSA COISA????

Tirando isso, tudo o que você acha nos jogos de mundo aberto tem aqui. Tem NPCs monotemáticos? Tem! Tem missões que você precisa ir do ponto A ao ponto B, pra chegar lá e precisar ir ao ponto C e depois voltar ao A? Tem também. Tem missões secundárias arrombadíssimas, tipo você ter de seguir uma pessoa sem ela perceber (com o stealth meio ruim do game), ou então as enfadonhas missões com limite de tempo? TEM! Mas se você considerar isso como ponto negativo, vai ter que considerar como ponto negativo do teu Assassin’s Creed ou do teu Red Dead Redeption. 

Jogando um arco de One Piece

Beleza, falei de aspectos técnicos, mas isso não é o mais importante quando falamos de jogos. O importante é a sensação que o jogo passa, e posso falar que em One Piece World Seeker eu me senti como se estivesse em um arco de One Piece. Toda a história é contada usando todos os clichês que acompanhamos nas histórias criadas pelo Oda, das cenas com diálogos emocionantes até uma construção de cenas de ação muito legais.

Nos capítulos finais da história, por exemplo, eu tava 100% “estou no anime de One Piece”. Luffy precisa resolver alguns problemas em vários pontos do mapa, e alguns personagens que ele conheceu e ajudou na história aparecem para auxiliá-lo… até alguns inimigos fazem isso. Depois passei pelo clichê máximo do shonen de porrada: para chegar no inimigo final, precisei subir uma montanha e enfrentar vários capangas no caminho. Isso porque nem falei um momento ótimo enfrentando um inimigo que estava me atrasando, aí outro personagem apareceu e falou “Luffy, deixa comigo que eu seguro ele, vá para seu objetivo”. Meu filho, isso aqui é puro anime.

Tem referência a Evangelion? Tem sim!
Essa foto ficaria muito mais legal se não tivesse aparecido minha notificação de troféu.
As personagens femininas continuam tão sexualizadas e com anatomia estranha quanto na série,
Os membros do bando às vezes estão no meio do caminho para pedir alguma missão secundária.

E o clima de One Piece é o maior atrativo desse jogo. Ele tem seus defeitos técnicos, causados pela inexperiência da Ganbarion com jogos desse gênero e o orçamento inferior a um título da Rockstar, mas não tem como um fã de One Piece não relevar isso ao se sentir o próprio Luffy num arco da série. Nas 30 horas que passei por esse jogo, fui de “que saco, preciso testar esse negócio” para “olha, não é que curti esse jogo?”.

Se eu falasse com a Mara de 15 dias atrás que teríamos um review positivo desse jogo aqui no Mais de Oito Mil, ela provavelmente não acreditaria, mas é real. Se você gosta de One Piece, acha o preço justo e está disposto a relevar alguns pequenos problemas de jogabilidade truncada em prol da sensação de “ser o Luffy”, esse jogo é recomendado.

A Ilha da Prisão tem variedade de cidades e muito mato pra você se pendurar.
Kizaru é a gente no capitalismo.
Você vai passar boa parte do tempo esperando encher o indicador de baús.
Trocar a roupa do Luffy é bem legal, todos os visuais são inspirados em roupas de arcos ou de filmes.

One Piece World Seeker está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC. O áudio está em japonês com os dubladores originais do anime, e a legenda está em português (muito bem adaptada, por sinal). A cópia desse jogo foi gentilmente cedida pela Bandai Namco, e não preciso nem falar que isso não afeta em nada o julgamento do jogo, né? 

7 comentários em “(Review) One Piece World Seeker – achei que seria uma roubada, mas gostei

  1. Aaa eu juro que jogaria só pela troca de roupa. Eu me sinto envergonhado de dizer isso mas curto muito design dos outfit e os da whole cake island são uns dos meu favoritos!
    Eu não tenho a oportunidade de jogar agora, quem sabe se sair aí um download ilegal pra PC pra encher minha máquina de malwares. Agradeço a produção de conteúdo. Parabéns pela review.

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  2. Você diz que não ganhou nada, mas puxa saco da tradução horrível. Eu, hein

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  3. Eu esperei esse jogo pra caramba, mas depois q vi as reviews e uns gameplays desisti da compra. Sua review passa o q eu fiquei de impressão dele, mas n vejo isso valer os 250 conto q a Bandai Namco quer empurra.
    O jogo tem um grande numero de falhas , mas n torna ele ruim, pois ha pontos positovos. Vejo q a critica “especializada” pegou pesado com ele por acha q agora todo jogo de anime tem de está num patamar de DBFZ, e quem já é cavalo velho nessa de jogo de anime sabe q n é assim a funciona.

    Bem curti a revirew e devo da uma chance quando ele vir em promoçao a uns 60 reais ou menos, preço q acho valido já q o jogo aparenta faltar uma pá de coisas.

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  4. Queria jogar com outros personagens no jogo,tenho uma esperança que venha via dlc mas acho que as chances são baixas!

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  5. Gostei da review, me fez ficar cm bastante vontade de jogar! Eu estava mt incerta com esse jogo, mas como sou fã da série, chances de eu gostar mesmo (principalmente de ficar trocando as roupinhas do luffy <3)
    Mas vou esperar um tempo até sair alguma promoção, não tenho dinheiro disponível pra comprar joguin no lançamento xD

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  6. É deprimente como a cidade é vázia. A mecânica de se locomover parece… quebrada, deveria ser algo satisfatório e rápido, mas é bugada e o personagem é “pesado”, é até injustiça comparar com o Spiderman, mas Sekiro, que por exemplo é limitado, faz um trabalho melhor com o Grappling Hook.

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