Problematizando

A Irmã Krone, de The Promised Neverland, me incomoda

The Promised Neverland, além de ser uma das promessas da atual temporada, é uma série com uma proposta incrível que mistura Prison Break com Chiquititas. Antes de ver o anime eu já acompanhava boa parte do mangá original que serviu como base, e logo quando eu terminei o primeiro volume ficou uma coisa na minha cabeça: a personagem Irmã Krone me incomodou bastante.

Evitando ao máximo dar spoilers, embora boa parte da otakusfera tenha descoberto a premissa de The Promised Neverland, a Irmã Krone foi convocada pela mãe Isabella com o intuito de evitar que as crianças do orfanato conseguissem realizar o plano. Quando Emma, Norman e Ray estavam já entendendo toda a situação e prontos para colocar a estratégia em prática, a Mamãe trouxe um novo elemento que desestabilizou a segurança das crianças. Entendemos já a função dela na história, mas o maior problema da personagem pra mim, a ponto de me incomodar, é o visual.

A Irmã Krone se veste quase como uma cantineira, tal qual a mãe Isabella, mas seus traços são muito diferentes dos da Mãe do orfanato. Enquanto Isabella é sutil, suave e tem uma aura de pureza mesmo não sendo a pessoa com a melhor das intenções, a Irmã Krone tem traços exagerados, é expansiva e, segundo o desenho do mangá, é quase retratada como um monstro.

A imagem de capa dessa matéria já deixou isso bem claro, mas vale a pena repetir: a Irmã Krone é uma mulher negra, ao contrário da Mamãe que é uma mulher branca. Essa forma de retratar a personagem negra com feições exageradas e lábios extremamente grossos me incomodava pois eu me sentia vendo aquelas caricaturas de personagens negros que rolavam no passado, principalmente nos EUANão sou negra e obviamente não cabe a mim falar se isso é ou não racismo, ainda mais porque tenho conhecimento que a relação que os japoneses têm com afrodescendentes é bem mais distante que relação da América com a etnia, mas a personagem era retratada de uma forma que me incomodava.

O youtuber extremamente-autocrítico Leonardo Kitsune, do canal Video Quest, tem feito vídeos semanais falando sobre as impressões dos episódios de The Promised Neverland (gosto muito das análises dele, por sinal), e ele levantou a bola a respeito de como a Irmã Krone parece um pouco o estereótipo da “MAMMY”.

Para quem não conhece, essa caricatura de mulher negra mostra sempre uma mulher que trabalha como empregada e ama de leite na casa de uma família branca, sendo conhecida por cozinhar bem, lutar por sua família e ter traços exagerados (como lábios grossos em desenhos e alto IMC). Os dois maiores exemplos de “mammy” é a adulta responsável pelo Tom no desenho Tom & Jerry e a nossa Tia Nastácia dessa série de light novels brasileira conhecida como Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Cheguei nesse ponto do texto e já ouço comentários do tipo “Olhaí a blogueira gorda vindo problematizar, sai daqui esquerdista!“, mas eu sinto informar que essa visão sobre o mangá é tão real que isso foi modificado no anime. Quem assiste a The Promised Neverland após ter lido o mangá deve ter percebido que a animação suavizou muito a forma como a Irmã Krone é retratada, embora que ainda tenha sobrado alguma coisa que incomode um pouco. Mas é muito menos que o mangá.

Não tem qualquer declaração a respeito dessa mudança na internet, mas se for chutar algo eu diria que os produtores do anime, que não são bobos e sabem que The Promised Neverland tem potencial para fazer sucesso no ocidente, deu uma maneirada numa imagem que poderia soar ofensiva. Se retratassem a irmã Krone do jeito que é no mangá, possivelmente haveria reclamações no ocidente que afetariam diretamente os intere$$es dos donos da obra, então uma mudança de design foi uma saída para não dar chance de perder dinheiro. É o mesmo tipo de estratégia que rolou na mudança no design da Jynx em Pokémon.

Estou falando que The Promised Neverland é uma aberração e deveria ser censurada em 24 territórios à minha escolha? Claro que não, gosto bastante do mangá e tenho curtido o anime, mas isso não quer dizer que sou obrigada a concordar com todos os elementos que aparecem na trama. Inclusive é muito saudável você não concordar com tudo em uma série, fora que discutir os assuntos controversos é sempre uma boa forma de refletir sobre as coisas.

(Inclusive uma leitura bem recomendada é uma matéria da Voyager sobre os estereótipos negros na mídia, tá aqui o link)

[Atualização] Esse tweet que recebi é bem pertinente também para a discussão:

34 comentários em “A Irmã Krone, de The Promised Neverland, me incomoda

  1. Boa matéria, gostei de ter apontado que a crítica se pauta mais no visual e tambem sobre a “suavizacao” dele na animação. Muitos ignoram o quão problemático a forma com que ela é desenhada focando-se apenas na excelente personagem que ela é, é geralmente são os que mais perpetuam o racismo na sua forma mais… (escancaradamente) velada.

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  2. Já havia sentido esse incômodo e ele acabou sendo confirmado no Vídeo Quest da semana passada e agora na sua postagem. A irmã Krone, embora eu goste da personagem, de fato, reúne uma série de esteriótipos antiquados. E não estou falando do tipo de cabelo ou do formato do nariz e da boca, pois acho que são características comuns a indivíduos negros. O problema é a junção disso com uma representação quase bestializada, seja nas caretas muito exageradas (e feias), seja nas habilidade físicas quase sobre-humanas, seja nas proporções corporais… Ela é retratada, sim, de uma forma bem diferente dos outros seres humanos que apareceram no mangá até agora. Mas estou acompanhando pelo anime e espero que ela, a despeito de sua representação, pelo menos, se mantenha uma personagem interessante e com utilidade dentro da série.

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  3. TÁ CERTA A INDIGNAÇÃO

    claro que a história é contada majoritariamente pelo ponto de vista das crianças, então faria sentido elas verem a krone como um “monstro” (tipo na cena do pique-pega). MAAAASSSS, não posso passar pano e dizer que não achei a personagem uma caricatura racista, mesmo na versão do anime.

    “ai mas é o japão a cultura deles é diferente nhénhénhé” tá, e é pra gente fazer o quê? engolir o que a gente vê de errado, ou no MÍNIMO levantar um debate a respeito?

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  4. pelo menos isso é exceção.Tem vários animes com mulheres negras lindas e atraentes e sem estereótipo,mesmo animes antigos da década 80(onde isso seria mais “normal”)há exemplos como a Claudia de Macross/Robotech ou a Nadia

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  5. Gostei muito da matéria Mara. A análise foi sucinta e muito de encontro com todas os meus pensamentos sobre. Sucesso e paciência neste 2019 :)

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  6. A minha percepção é que por mais que o mangá exagere demais nos traços bizarros, me parece que o anime está dando um tratamento pior à personagem. O rosto foi suavizado, mas ela parece mais burra, mais escandalosa e mais desequilibrada. Tem uma conversa com a Isabela menciona como ela é máscula e monstra, e isso não é mencionado no mangá, porque já é mostrado. A Krone fala muito alto e muito encenado os planos dela pra ela mesma e ela tem mais dificuldade pra não parentar se abalar com as alfinetadas da Isabela.

    Ao meu ver, no mangá a Krone era uma personagem que podia estar acima dos esteriótipos que a personagem traz; mas no anime, ela me parece uni dimensional.

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  7. Mas sobre o assunto, a verdade é que um japonês quase não vê um negro, não existem negros andando por lá, os filmes americanos têm POUQUÍSSIMOS negros, isso fortalece muito a existência de caricaturas que vêm desde o Tezuka nos mangás (que por sua vez veio da Disney, pra variar). Não é diferente das caricaturas brasileiras de portugueses, indígenas, etc. Por outro lado, acho que falta reconhecer que houve um esforço do autor em desenhar várias raças, o Don e o Phil têm um quê árabe ou talvez indiano. Não acho que seja uma questão racista (que parte do princípio de que você se considera raças superiores e outras inferiores), mas uma questão de ignorância, falta de contato. Um autor que, num país onde ser o mais branco possível é o ápice da beleza, incluiu uma dezena de personagens de todos os tons de pele em várias posições do enredos é algo a se elogiar. Podemos, claro, criticar os deslizes dele, mas vamos reconhecer o esforço de trazer uma pluralidade de tons.

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  8. Talvez seja falta de empatia, mas não vejo problemas com essa representação. Pra mim é apenas uma representação caricata sem maldade alguma. Exagerada? Talvez. De mau gosto? Tão mau gosto quanto as “Fresh Prince’s like” que representava os “branquelos” como um bando de bocós.

    Aliás, a matéria citada usa o Morgan Freeman em “O Todo Poderoso” como exemplo de racismo… Sério? Quer dizer, se colocasse Anthony Hopkins é que seria bom?

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  9. Como eu sempre digo, fomentar a discussão certa, mesmo que incomodando outrem é o caminho.

    Agora, pra mim nesse caso específico, “intere$$es dos donos da obra” é o real motivo da “suavização da personagem” na animação.

    Como eu reitero, debater e discutir de forma séria os assuntos sérios é o caminho, mas como já disseram alguns aqui, vários “produtores/criadores” japoneses não tem/desconhecem/ não fazem a menor questão de evitar certos “estereótipos”.

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  10. Ela tem traços diferentes da Isabella porque ela simplesmente é uma personagem diferente, com personalidade diferente e com um propósito diferente dentro da história.

    Se a primeira coisa que você imagina quando vê um negro sendo retratado de forma vilanesca, caricata e/ou exagerada é que é porque ele é negro e não branco (fazendo um paralelo desonesto entre ela e a Isabelle), o problema é inteiramente seu e não da obra.

    Existe uma coisa chamada contexto social. Fazer uma caricatura de um negro nos EUA segregado dos anos 40 era uma coisa, fazer no Japão de hoje é outra completamente diferente. Até mesmo porque existem vários outros personagens negros e de pele escura no mangá.

    Eu, como negro e também como uma pessoa que não tem em mente esteriotipos ra.ciais americanos dos anos 40 quando tô consumindo meu entretenimento, não me incomodei nenhum pouco com a irmã Krone. Ao contrário, me diverti com a personagem dela e achei o arco dela umas das melhores coisas da primeira parte do mangá.

    Isso quer dizer que você é um va.gab.undo, esq.uer.dista que quer censurar meus desenhos através de esq.uerda.mentos? Não. Só quer dizer que você quer ganhar views provocando em cima de um assunto delicado e polêmico enquanto finge se importar com problemas sociais. Aliás, é pra isso que toda a série “problematizando” no seu blog serve, né.

    A problematização é um tipo de crítica preguiçosa em que ao invés de se fazer um esforço ao se analisar a obra de maneira racional, ponderada, justa, imparcial, o autor faz o oposto e critica baseado nos seus sentimentos e no que mais o deixou pessoalmente incomodado.

    PS. Eu duvido que a Krone tenha sido suavizada no anime e aposto muito mais que a A-1 simplesmente não teve budget pra animar todas as feições faciais louconas dela de maneira satisfatória.

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  11. Eu postei com pontinhos entre algumas palavras porque da primeira vez que tentei postar deu erro e imaginei que tenha uma blacklist de palavras banidas.

    Foda.se.o.sistema

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  12. Enquanto isso, My Hero Academia: Two Heroes chegara ao Brasil pela Sato Company. “Academia de Heróis: Dois Heróis” e a traducao do filme, que sera dublado (uhul!) e legendado (eeeeee)

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  13. P.Q.P…
    Sério que você tá problematizando isso?
    “Não sou negra…” Então como um negro quase noite eu te peço, para de escrever bosta.
    Ela tem esse visual justamente pra dar o ar diferente e psicótico dela.
    Para com o mimimi

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  14. Pra inicio de tudo, por ser uma questão de racismo, acho valido ressaltar que sou negra.

    Concordo que o jeito que a retrataram era realmente monstruoso, e bastante desconfortável, diferentemente da Isabella. Mas talvez isso seja por conta da personalidade da própria, que é mais enlouquecida e menos suave que a da Mamãe, mas retratar logo ela assim, tbm chega a ser “suspeito”.

    Porém, se realmente fosse uma questão de cor, não teriamos personagens negros tão legais na obra, como o Don -esse aqui é amigo de longa data dos protagonistas-, O Sandy, O Pepe, O Zack e O Phil (esse em questão até ficou na 4° posição de personagem favorito de Yakusoku em um ranking dos fãs japoneses -infelizmente não sei dizer de que ano foi esse ranking então talvez esteja desatualizado-, acompanhando o trio principal)

    Tendo isso em mente, eu agora penso que talvez o motivo dela ser tão diferente da Isabella, seja pra criar um conflito mais interessante com polares opostos, e não pra simplesmente retratar a Negra como a “mostro”. Mas mesmo assim acho que o Autor extrapolou um pouco na hora de mostrar a personalidade da Krone, o que faz ela ser interpretada como ofensiva aos negros por causa dessa caracterização exagerada.

    Então, como já tinha dito no inicio, não sei o pensar direito sobre ela. Mas pelo menos tenho uma ideia do que os japoneses acham dela, já que se manteve em um top 10 de um ranking (o mesmo que o Phil) mesmo que naquele momento ela nem aparecesse mais na trama.

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  15. Curti essa parte: “Estou falando que The Promised Neverland é uma aberração e deveria ser censurada em 24 territórios à minha escolha? Claro que não, gosto bastante do mangá e tenho curtido o anime, mas isso não quer dizer que sou obrigada a concordar com todos os elementos que aparecem na trama. Inclusive é muito saudável você não concordar com tudo em uma série, fora que discutir os assuntos controversos é sempre uma boa forma de refletir sobre as coisas.”

    Até fiz um post sobre as problematizações nos animes: https://jmaruseru.blogspot.com/2018/02/problematizacoes-nos-animes-sera-que.html

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  16. Caramba, nunca tinha ouvido falar nessa série…

    Infelizmente, é comum ver negros serem estereotipados na Ásia. Na Coreia do Sul, já houve várias polêmicas internacionais pela prática de blackface, que ainda é vista como engraçada lá.

    Mas é legal ver que pelo menos na adaptação pra anime dessa obra deram uma suavizada na caracterização da personagem – diga-se de passagem, ela tá inclusive bem bonita nas imagens do anime usadas nessa postagem. A do mangá realmente parece muito caricata (se bem que eu gosto de personagens doidos, então já amei ela por esses scans sem nem saber o que ela faz da vida).

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  17. O Cômico é q branco pode ser retratado das formas mais exageradas possíveis e ninguém vai ligar para isso… aí que começa a divisão.

    Se a pessoa não percebe o quanto isso é ridículo, sinto informar q o racista é a pessoa que problematizar isso.

    A sociedade NUNCA vai evoluir enquanto não entender que o individuo é o único responsável por ser ruim. Se vc se acha ‘racista’ por conta do desenho, o problema é você ser um lixo humano e não conseguir pensar por si mesmo e achar que qualquer imbecil como você pode ser influenciado.

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  18. Posso discutir horas sobre racismo, começando com império mouro. No final todo mundo chega na mesma conclusão.

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  19. Ridículo isso, muito ridículo e desnecessário… vocês estão criando problema onde não há. Parem de querer meter um preconceito em tudo só pra lacrar com essa merda.

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  20. Muito bem ! Vamos fazer um personagem negro, mas ele tem que ter características de branco tá, porque se não, vai ser preconceito

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  21. Por mais pertinentes que sejam alguns questionamentos abordados nessas “problematizações”, eu fico me perguntando se o autor dessas discussões leva em conta o país e a cultura de onde estão saindo essas obras e do quanto é inútil ficar divagando sobre essas problematizações em um espaço minúsculo como esse blog, não é possível. Se quer discutir direito, problematize mas ajude a entender porque isso acontece ao invés de ficar só apontando “isso aqui tá errado”, que nem alguns comentaristas como a Rose estão complementando, isso aqui já tá um verdadeiro porre.

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  22. Digo e repito: você, Mara, é uma das melhores pessoas da internet. Vendo o anime, não tinha percebido a questão da Krone ser bem próxima da Mammy, mas é sempre válido levantar isso.

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  23. “Não sou negra e obviamente não cabe a mim falar se isso é ou não racismo”

    Imagina viver preso a uma mentalidade dessas, onde se não consegue defender o que acredita sem ter vergonha ou medo de ofender alguém.
    Mas é pra fingir, né? Kkkkkkkkkk, lacrou Mara

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  24. Vendo a tropa dos babacas fazendo alto malabarismos argumentativos pra defender a obra querida, atacar a blogueira Mara e de quebrar “num pode falar de racismo em entretenimento porque estraga a diversão”

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  25. Lá vem o ataque dos perpetuamente incomodados, que agora vão querer caçar racismo em desenho japonês. Já está tão suavizado no anime, mas por que ainda insistem em reclamar?

    Não estou dizendo que a gente tem que gostar de tudo que vê numa franquia. Mas orra, gente, cês parecem que não sabem que nem tudo é pra gente gostar mesmo? Que tem coisas que são propositalmente feitas para incomodar?

    Que estereótipos existem e sempre vão existir e que eles são justamente os que dão algum senso de reconhecimento e familiaridade aos personagens sem ter que passar 10 volumes de monólogos internos do mesmo?

    Gente, na boa, já estão procurando pelo em ovo demais. Se liguem, vão procurar o que fazer, ao invés de ficar trazendo guerrinha cultural dos mimimistas para os animes também. Tem tanta coisa legal que pode ser discutida, até desse próprio tema, de outras formas e em outros aspectos…

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  26. Muito boa a matéria, esse foi um dos motivos que me fez não continuar assistindo o anime na crunchyroll. Vi o primeiro episódio e desisti.

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  27. e tao dificil de entender, que o mundo que eles vivem no manga, e totalmente diferente da vida real e ”foi parado no tempo”? o resto e encontrar polemica onde nao tem… ”policamente correto”.

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