Mercado Nacional

JBC inova e lança sistema”faça sua própria periodicidade” para combater crise

Pegando o Kyon da Biblioteca Brasileira de Mangás de calças curtas, sem qualquer aviso a JBC lançou na tarde desta terça-feira o mais recente Henshin Online, o programa semanal para falar das novidades da editora. Mesmo em período de colapso editorial, essa tem sido principal forma de comunicação com o público, revelando aumentos e futuros lançamentos. Além de comemorar os seis anos da série de vídeos, a dupla formada pelo editor Marcelinho Del Greco e o cara do marketing Edi Carlos Rodrigues anunciou uma mudança meio…. hm…. estranha para o público comprador de mangás. Darei a esse estilo o nome de “periodicidade self-service“.

Funciona dessa forma: como a distribuição para bancas foi muito prejudicada por causa da quebra da Editora Abril (que era “dona” das duas maiores empresas de distribuição. Sim, há muito malabarismo para não chamar isso de monopólio), a JBC não estava conseguindo escoar sua produção de mangás. Assim, eles analisaram muito e tiveram a ideia de MANDAR TUDO DE UMA VEZ PARA OUTROS PONTOS DE VENDA.

(Achei válido reaproveitar essa imagem de outro post)

Desesperados em se livrar de títulos em andamento que estão perto do fim, a nova estratégia da JBC é justamente mandar vários volumes de uma única vez pras livrarias e lojas especializadas, provavelmente já fazendo aquela economia esperta de transporte e de quebra abrindo espaço no planejamento para os novos lançamentos. Dessa forma, as três últimas edições de Fullmetal Alchemist serão lançadas AO MESMO TEMPO, assim como as duas próximas de Platinum End, My Hero Academia e as de Magi. Ao invés de chegar no local de compra e ver a edição do mês, você verá VÁRIAS de uma única vez.

Segundo Marcelinho e Edi, isso dá maior liberdade para o público. Você, caro comprador de mangá, pode chegar e comprar um volume, dois volumes ou até tudo de uma vez, se não for pesar no orçamento. Ou até deixar pra depois, se tiver acabado seu dinheiro por ter comprado qualquer mangá da Panini.

Com essa nova forma de distribuição, comprar mangá não é mais como um restaurante a la carte que você escolhe um prato para almoçar, agora você tem a sua disposição vários volumes de Fullmetal Alchemist ao mesmo tempo para encher seu prato e sair mais caro lá na hora da balança! O restaurante self-service já disponibilizou tudo, você que gerencie sua refeição! Se não conseguir pagar por tudo ou comer tudo de uma vez, paciência. Torça para ainda ter quando voltar depois.

Quem acompanha o site sabe que eu já compreendi muita coisa da JBC nos últimos tempos. Quando ela falou sobre aumentos de preço eu entendi o lado da editora, afinal a crise editorial e do país afetam diretamente o preço dos mangás, mas será que essa saída não é “prejudicial” a uma parcela do público? Por mais que eu entenda os motivos que levaram a editora a esse modelo self-service de disponibilizar tudo de uma vez, ao mesmo tempo não entendo.

(sim, lá vem aquele momento que me mostro uma pessoa amarga e pessimista)

Quem garante ao público que os mangás realmente ficarão lá por mais tempo? Umas semanas atrás fui procurar em várias livrarias e lojas especializadas a mais recente edição de My Hero Academia (depois que eu falei “mais tarde eu compro” ao vê-la quando saiu) e era como se a edição tivesse evaporado, precisei comprar na Amazon. Quem garante que eles não vão se deteriorar por causa da exposição aos compradores? Porque lembro que evito comprar em livraria física devido ao estado deplorável que ficavam as edições. E outra dúvida: quais serão os pontos de venda além das lojas especializadas? As livrarias que estão todas falindo e fechando?

Precisamos de saídas criativas para a crise, mas não sei o resultado de uma megaexposição ao produto. Pode dar muito certo e estimular o público a um novo modelo de consumo. Ou pode dar apenas muito errado. Só sei que, como pessoa que compra outros mangás de outras editoras, não me agrada a ideia de comprar além do que estava planejado para aquele mês, até porque é um risco deixar pra depois e não saber se o volume (ou a livraria) estará lá no mês seguinte.

Não tenho como saber se essa periodicidade feita pelo próprio comprador será eficiente porque, infelizmente, não tenho bola de cristal. Ao contrário do Gabriel Sau, que não só previu essa novidade como lançou esse vídeo logo depois da JBC:

O que vocês acham?

9 comentários em “JBC inova e lança sistema”faça sua própria periodicidade” para combater crise

  1. Eu gosto e ao mesmo tempo não gosto.

    Meu orçamento me permite comprar em torno de uns 10 volumes por mês, não sei bem ao certo se eu vou conseguir manter esses volumes, eu já tenho alguma dificuldade com alguns títulos que eu passo meses sem comprar…

    Acho que vai acabar se tornando como eu comprei praticamente todos meus mangás da finada Nova Sampa… eu comprei tudo quando acabou pq eles lançavam volumes demais ao mesmo tempo e é isso.

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  2. Então, no final das contas me parece que o mercado brasileiro está convergindo pra algo próximo do que é o mercado britânico (que é o que eu tenho mais proximidade agora, obviamente).

    Algumas poucas redes de livrarias – aqui praticamente só tem a Waterstones de livraria que vende mangá, que afinal é (e sempre será) um produto de nicho -; uma presença forte em lojas especializadas (que, afinal, terão mais cuidado com os produtos e têm mais paciência para manter um estoque razoável de mangás); e a maior parte dos mangás sendo vendidos e comprados via Internet (com a Amazon dominando o mercado, obviamente).

    Enxergo vantagens e desvantagens, mas no geral eu vejo como algo positivo pro consumidor. Talvez porque eu sou alguém que não entende o fetiche de ir numa loja física comprar seu mangá se você pode receber no conforto de sua casa, talvez porque eu vivi durante anos num dos buracos que a distribuição lixo da Abril não chegava direito então comprar online era minha melhor opção.

    Mas sobre o lançamento em vários volumes, sinceramente não vejo problemas reais. Sobre o risco do mangá não estar mais disponível, convenhamos que ele já existia mesmo quando a distribuição nacional supostamente funcionava. Esse é um problema que a gente já conversou, das editoras não estarem imprimindo mangás o suficiente pra suprir a demanda. Inclusive o quão menos pulverizada a distribuição, teoricamente mais fácil pras editoras saberem o que (re)imprimir e para onde.
    Sobre o risco de deteriorização dos mangás, me surpreende que no Brasil ainda se venda mangá sem proteção plástica. É algo que estende muito o “tempo de prateleira”, especialmente nas regiões mais úmidas do país. E as lojas especializadas e/ou livrarias *deveriam* ter um cuidado maior com o produto, francamente.
    E sobre os pontos de venda, as editoras deveriam (se não já o fazem) ter uma parceria direta com Amazon e outras lojas online. Manda o estoque pra lá e a Amazon que se vire pra distribuir. Também poderiam fazer parcerias com distribuidoras menores e/ou Correios para que todo mangá possa ser assinado mensalmente. Porque convenhamos que distribuição em banca nunca funcionou direito fora das grandes capitais (sim, estou rancoroso).

    Enfim, concluindo, eu acho (olhando de longe) que é um movimento positivo. A lenta morte de bancas, revistarias e livrarias é uma tragédia anunciada, porque elas cumpriam um papel específico que foi necessário durante um período em que a logística era principalmente analógica. Hoje em dia a coisa é diferente, e eu espero que essa tentativa da JBC de se adaptar aos novos tempos dê frutos.

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  3. Se a JBC conseguir manter os volumes disponíveis (incluindo aí reposições e reimpressões dos esgotados), não vejo problemas. Até ajuda o pessoal que costuma comprar vários mangás de uma vez para conseguir descontos e frete grátis.

    Do contrário, os “mercenários livres” agradecem.

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  4. Bem sobre o lance de ter volumes a disposição a JBC garantiu q teria reposição, mas ainda sim fica aquela duvida.
    Achei uma ideia interessante, mas assim como a Mara tenho minhas duvidas se isso vai ser benéfico mesmo, eu mesmo n tenho como compra tudo de uma vez assim.
    Mas independente de como vai ser o resultado é bom ver q alguem tá tentado encontrar maneiras de contorna a crise ao invés de só aumentar o preço (apesar de q a JBC tbm fez).

    Curtido por 2 pessoas

  5. Se não houver muitos problemas de ficar faltando volumes no estoque, vejo isso mais como vantagem do que desvantagem, para ser sincera. Afinal, vai ter essa opção de poder garantir vários volumes de uma vez pra quem puder. Mas se ficar esgotando com muita frequencia vai ser complicado….
    E agora, off-topic, mas esse banner novo hein hauahahauahsjs

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  6. Quem liga? Mercado de Mangás e nicho. Quem compra esse troço ate leva vantagem e so passar no cartao dos pais e pronto.

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  7. A JBC virou o Bozonaru agora? Tá ligando so pros rico? E as minoria que tem água, luz, aluguel e comida pros gato da rua como despesa? O consumidor desses manga “é quem”? A Panini? Pq eu msm n tenho grana pra comprar manga todo mês e.e

    Curtido por 1 pessoa

  8. Acho uma boa.

    Esse ano eu encontrei os volumes 27 e 28 de Evangelion meio-tanko da JBC na Livraria Leitura.

    Os mangás não vão evaporar de uma vez (bom, pelo menos não em Belo Horizonte).

    Mas ainda me irrita as desculpas esfarrapadas para volumes esgotados. Por que isso não acontece no mercado americano, por exemplo (cito o americano porque no passado a JBC traduziu mangás do inglês)?

    E pelo que vi, mangá ensacado conserva a qualidade. Mangá aberto, pro pessoal folhear, já vi cabelo, resíduo de comida e coisa pior no meio do volume.

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