Aleatoriedades

Bravestorm é um maravilhoso TCC de cinema que virou um filme sem querer

Junya Okabe era um jovem estudante de cinema que tinha um grande sonho: criar filmes de ação com efeitos especiais igual ele via os EUA produzirem com muito sucesso. Munido apenas de uma quitinete, um chroma key e uma ideia na cabeça, ele criou cenas de ação para mostrar o que aprendeu nas aulas de efeitos especiais na faculdade de cinema. Como conseguiu um 9 com louvor de seus orientadores, inventou uma história qualquer e lançou esse filme com o título de Bravestorm nos cinemas japoneses em novembro de 2017.

Infelizmente esse parágrafo anterior é apenas uma fanfic da minha cabeça na tentativa de explicar o filme Bravestorm, que é o último do Festival de Ação Japonês promovido pela Sato Company em alguns cinemas do Brasil. Após trazer o filme de Bungo Stray Dogs (tem matéria aqui) e a adaptação em live-action de Tokyo Ghoul (escrevi dele aqui também), a empresa teve a coragem de trazer ao Brasil esse filme que mistura em seu roteiro (de forma tão orgânica quanto Dragon Ball Z: A Batalha dos Dois Mundo) a história dois tokusatsu pré-históricos: Silver Mask e Super Robot Red Baron.

Tentem adivinhar qual é o Red Baron do filme e qual é o da série tokusatsu de décadas atrás

A história é maravilhosa em muitas camadas cômicas: Ken Kurenai é um boxeador do submundo que vê seu amigo sendo morto por um robô trazido por alienígenas. Do nada aparece um carro com uma galerinha vinda de 2050 que diz que Ken precisa pilotar o robô gigante Red Baron para impedir que essa raça exterminar os humanos através da fumaça emitida pelo escapamento de um outro robô gigante.

Junya Okabe (que na verdade é um veterano na indústria) foi o responsável pelos efeitos especiais, diretor e escritor desse negócio, mostrando que não havia ninguém acima dele pra falar “amigo, para”. Olhando apenas para a história, o negócio faz sentido algum: o tal amigo que morreu no começo do filme foi esquecido, o motivo que levou o Ken a pilotar o robô (uma promessa feita quando moleque ao irmão cientista) é zoadíssima e às vezes os personagens surpreendem com umas habilidades tiradas do éter. No fim do filme uma das aliadas revela ter poder de teletransporte, o que resolveria 50% dos conflitos do filme se ela tivesse “lembrado” dessa habilidade antes.

“Preciso de vida”

E se você está disposto a acompanhar o filme pela ação e efeitos especiais… o negócio fica devendo. As lutas com robôs gigantes variam entre o chato e o feio. Em algumas cenas, o CG parece retirado de pérolas da Vídeo Brinquedo, em outras parece só um efeito especial caprichado em novela da Record.  A ação física é feita pelo personagem inspirado no Silver Kamen, que nada mais é que um Genji de Overwatch com uma skin inédita caçando o esconderijo do vilão (que misteriosamente não foi feito em computação gráfica como todo o resto do filme, parecendo uma reciclagem de antigas roupas de tokusatsu esquecidas no porão da Toei):

Além de feio, vilão do filme traz mensagem no melhor estilo ET Bilu no final.

Talvez prevendo que esse filme só seria assistível se o víssemos como um Sharknado de Tokusatsu (ou seja, uma paródia exagerada), a Sato Company ainda providenciou uma dublagem cômica, feita provavelmente em Miami. Ao contrário de Tokyo Ghoul, que estava bem normal, nessa os atores não se empenharam em acompanhar os personagens, e as cenas ~sérias~ ficavam ainda mais engraçadas. Parabéns para a Sato por trazer diversão ao filme, mesmo que de forma involuntária.

Se fosse um TCC, feito por pessoas amadoras querendo apenas uma aprovação no curso para colocar Ensino Superior Completo no currículo, seria um filme bom. Se fosse uma grande paródia aos tokusatsu e tivesse a intenção de fazer rir propositalmente, seria um filme legalzinho. Como filme que tenta se levar a sério, é apenas bem ruinzinho.

SERVIÇO: BRAVESTORM (Dublado)

O filme será exibido em SESSÕES ÚNICAS em 28 cinemas em 33 cidades brasileiras, como parte do Festival de Ação Japonês, promovido pela Sato Company.

Exibições:

Espaço Itaú de Cinema: 22 de setembro – 17h30

Cine Roxy: 22 de setembro – 20h

Cinépolis: 26 de setembro – 19h30

Cineflix: 28 de setembro – 19h30

Mais informações em http://www.sato.tv.br/festivaldeacaojapones

(Agradecimentos à Sato pelo convite para ver o filme numa cabine de imprensa… se bem que não sei se tenho que considerar isso um convite ou uma ameaça)

8 comentários em “Bravestorm é um maravilhoso TCC de cinema que virou um filme sem querer

  1. “Ameaça”, sei kkkkkk
    Faltou revisar esse texto aliás, tem uns errinhos chatos de português aí /grammar nazi

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  2. Eu juro não entendo como essa galera quer ver filme padrão Hollywood num cinema que gasta no máximo 8 milhões de dólares em um filme como esse, o filme tá é bem feito com a grana que tinha, e não sei se você sabe mas uma dica: o Japão não é hollywood

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  3. Será que a Sato exibe depois no canal deles no You Tube?

    Pra um seriado bem zoado com monstros e robôs gigantes que não se leva a sério nunca, aconselho o desenho “Megas XLR”, da Cartoon Network, que costuma passar no canal a cabo de desenhos velhões Tooncast.

    (E, pra algo mais experimental, tem o “Titã Sim-biônico”, do mesmo canal, criado por Genndy Tartakovski, de “O Laboratório de Dexter”, “Samurai Jack”, “As Meninas Superpoderosas”, “Guerra nas Estrelas: Guerras Clônicas” (o desenho normal, não o de computação gráfica) e “Hotel Transilvânia”.)

    Curtido por 1 pessoa

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