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(Nova) homenagem da Turma da Mônica Jovem falha como homenagem e como Turma da Mônica Jovem

Se o mundo editorial fosse uma grande partida de Yu-Gi-Oh, Mauricio de Sousa seria aquele jogador que deixa uma carta armadilha virada pra baixo para momentos oportunos. Essa carta no caso é a amizade do autor com o mangaká Osamu Tezuka, que o transforma num dos poucos seres do mundo que têm autorização de usar os personagens do “Deus” do Mangá.

Segundo Mauricio de Sousa, os dois se conheceram em idos dos anos 80 e o Tezukão demonstrou uma invejinha pelo autor brasileiro fazer histórias sobre paz enquanto o mercado japonês rumava para mangás de violência. Num dos encontros dos dois aqui no Brasil, pouco antes do Tezuka morrer, eles mandaram um “bora marcar” e teriam prometido uma história unindo seus personagens.

Pois bem, essa história nasceu décadas depois nas edições de número 43 e 44 da Turma da Mônica Jovem. Nessa trama sobre preservação amazônica, Mônica e os personagens do Tezuka enfrentam vilões que querem acabar com uma madeireira ecologicamente correta. Eu cheguei a fazer matéria sobre essas edições aqui e aqui, mas o resumo de tudo é que se trata de um lixo completo.

Mauricio de Sousa estava mais preocupado em falar sobre a tal madeireira (que existe de verdade) e tudo ficou parecendo cartilha educativa, por mais que a equipe de roteiro da TMJ seja bem competente num geral. Aliás sempre achei bem inusitado o Mauricio de Sousa comentar que Osamu Tezuka queria uma história para defender a Amazônia quando essa conscientização mundial surgiu apenas na ECO92, evento realizado anos após a morte do Tezukão. Gente vanguardista é outra coisa.

Depois desse desastre em forma de quadrinho inspirado em mangá, os personagens chegaram a fazer mais um crossover, dessa vez com A Princesa e o Cavaleiro. Sem a necessidade de falar bem de madeireira, a história foi muito boa e fez justiça à personagem, então eu fiquei bem animada quando anunciaram mais um crossover, dessa vez com os personagens de Astro Boy.

Na história, o professor traz Astro Boy e Uran para o bairro do Limoeiro com o objetivo de promover uma palestra sobre o que fazemos com aparelhos eletrônicos velhos. O doutor mostra um robô capaz de usar peças antigas e fazer gadgets novos, e isso chama a atenção do Capitão Feio. Parece até uma traminha interessante, mas que se tratam na verdade de um amontoado de fodinhas mal desenvolvidas.

Em vez de contar uma única história com começo-meio-e-fim, o roteiro optou por abrir várias histórias diferentes sem conseguir gerenciar bem nenhuma delas. No meio da trama “principal” ainda vemos um plot da Uran (querendo ser tratada como o Astro) e outro ainda do Capitão Feio tendo memórias de seu passado melancólico (composto apenas por flashes de cenas feitas só para o público falar “o quê!?” e só, sem desenvolvimento mesmo).

Por ter mais histórias que o possível numa história de 120 páginas, todas começam e terminam sem muita coerência. O robô que recicla coisas foi esquecido no churrasco assim como as filhas de Adriana Bombom, e só retorna no final reconstruído para destruir tudo mesmo porque Capitão Feio é vilão. Tanto a didática história do lixo eletrônico quanto o passado do Feio e o drama de Uran dariam edições únicas interessantes, mas somadas fazem tudo ser mais corrido e sem-explicação que a trama de Planet With.

Sem conseguir homenagear o personagem de Osamu Tezuka e muito menos manter o nível das histórias da Turma da Mônica Jovem, essa edição especial da revista é igual a comparação de traço da capa com o interior: de fora parece interessante, por dentro é só qualquer coisa.

14 comentários em “(Nova) homenagem da Turma da Mônica Jovem falha como homenagem e como Turma da Mônica Jovem

  1. Pena. Li o primeiro crossover e achei bem ok, mas infelizmente “esquecível” (Não no sentido literal da palavra pq não se dá pra esquecer um encontro desses rs). Dessas novas edições depois que zeraram (mesmo deixando coisas em aberto) ainda não li nenhuma.

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  2. Acho que ter conhecido Osamu Tezuka é uma das maiores honrarias na vida de Maurício de Souza. Sua amizade com o “Deus do mangá” supera qualquer fracasso editorial que possa surgir depois disso. Até porque Maurício de Sousa já provou que é o “Deus dos quadrinhos brasileiros”. E isso também é incontestável, seja agora, seja amanhã e talvez para sempre.

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  3. Aguardando (sqn) os Crossovers com Ayako e Black Jack (aposto que com esse último eles fariam um Grey’s Anatomy em quadrinhos).

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  4. O marco para a conscientização ambiental, mundialmente falando, foi a Conferência de Estocolmo, em 1972. ;)

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  5. Bem não li a revista dita na crítica ainda, mas…gosto das revistas do Maurício de Sousa, turma da Mônica e Mônica jovem, falar que a turma fala só de paz é exagero, só vejo mais ela falando de magia, o que na opinião estão extra exagerando, poderiam falar mais do amor ao próximo…e de Jesus Cristo, nosso senhor… pois está tudo no mundo real se dirigindo o que diz a Bíblia, desculpe para quem não lê a Bíblia.
    Desde já deixo aqui minha opinião

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  6. sinceramente,sinto falta das antigas tmjs,só vou comprar as revistas do Emerson!O resto nem quero saber

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  7. Oxi welington souza, falar de temas religiosos num ambiente como esses num é muito legal não.
    Assim como vc eu também leio a Biblia e como nós sabemos não podemos jogar perolas aos porcos……

    (Oinc)

    Este é um ambiente laico onde não discutimos fé, religião ou politica de ninguem, respeitamos sua opinião no entanto, apenas uma publicaçao especifica para fims cristãos se encaixaria com a sua opinião e no universo otaku só encontramos obras q deturbam ou flagelam uma opinião cristã.

    Mas deixo em evidencia a sua dica para algum tema de manga ou historia que possa existir nesse universo otaku que tanto nos fascina:

    O AMOR AO PRÓXIMO.

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  8. Mauricio-san(sic) devia ter aproveitado a sessão de mesa branca para pegar umas ideias para os roteiros, em vez de criar aquele freetalk do primeiro crossover, porque, olha, tá difícil…

    Ah, falando em primeiro crossover, aproveitei para reler os posts e, caramba, a Mara tava bem inspirada no dia! Fiquei um tempão rindo, imaginando a onça jogando canastra com o madeireiro xD

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  9. Eu comprava pois achava da hora as capas e a arte especial que fica, ficava não sei já que não coleciono mais, na contracapa em arte digital e mais elaborada. Depois fui desanimando já que o traço “mangá” era ruinzinho e sem falar em histórias únicas em um único volume mensal.

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  10. eu ainda nem cheguei a ler a nova TMJ (pretendo), mas pelo visto ela ainda é a mesma coisa da old TMJ kkkkkkk apenas com uma arte “nova”

    acontece também que, querendo ou não, o público maior da revista é crianças. Claro que o nome é turma da mônica JOVEM (a.k.a adolescentes), mas conheço muito adolescente que se acha “cool” demais pra gostar de/ler TMJ, enquanto muitas crianças (que tão loucas pra virarem adolescentes logo rs) amam. Então eu entendo ter algumas edições meio didáticas, tipo o primeiro crossover com o Tezuka.

    Agora, essa aí com um monte de história misturada e mal feita, não tem desculpa kkkkkkkkk acho que o escritor tava empolgadaço que deram permissão pra ele usar os personagens do Maurício e do Tezuka que ele acabou se embananando todo e querendo usar todas as ideias que ele tinha de uma vez só. e, bom, só tinham 120 páginas pra ter uma resolução de tudo né.

    Na real, sempre achei que TMJ tinha edições maravilhosas, com história super bem feita e divertida (e/ou com um tema importantíssimo), mas também tinha umas edições “meh” ou só ruins mesmo. Essa deve ser uma delas.

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  11. Já que esse é um blog de humor, vamos lá…

    [humor_mode-ON]
    Mara é uma otaca velha, tem 30 anos (de aposentadoria) e gosta de criticar (raramente elogia) o que vê por aí.
    O nome da publicação é Turma da Mônica JOVEM. J-O-V-E-M. Muitas crianças e adolescentes não conhecem a grande obra do Mestre Tezuka, muito menos a rica cultura da Grande Nação Japonesa.
    Aí, quando tem um crossover educativo, vem a otaca velha falar mal, fazendo uma análise artístico-crítico-literária-ético-social da história XD. Errou, errou feio, errou rude!
    Crianças e pré-adolescentes (o verdadeiro público dessa edição) conseguem se divertir com a história (e também com outras piores…) e de quebra conhecem personagens e realidades diferentes.
    Mara, sua velha… Vai ler gekigá!
    [/humor_mode-OFF]

    Acho que Turma da Mônica Jovem é caça-níquel… Enfim. Pra eu ter interesse na revista, só mesmo quando tem alguma edição especial e/ou com crossovers (mangás, talvez uma Marvel e DC da vida)
    As Graphics MSP parecem mais interessantes.

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  12. É… não dá. E olha que eu GOSTEI do primeiro crossover da Turma da Mônica Jovem com os personagens do Tezuka, mas acho que devia ter parado ali.

    Estou curioso pra ver o crossover com a Liga da Justiça em dezembro, mas fora isso, só volto a ler essa revista quando o Emerson Abreu retomar a Super Saga do Fim do Mundo lá.

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