Mercado Nacional

A maravilhosa estratégia da Panini de promover mangás… que estão esgotados

Muita gente acha que o maior defeito das editoras de mangás no Brasil é a distribuição capenga, o papel transparente ou então como o mercado é praticamente shonencêntrico, mas na verdade o principal ponto que todas as editoras deveriam trabalhar melhor é o marketing. Sem a ajuda do marketing, as editoras praticamente despejam títulos nas bancas e esperam que o público alvo seja atraído para a prateleira através da magia de uma entidade superior (provavelmente Osamu Tezuka).

Com o passar do tempo as coisas foram mudando, felizmente. A JBC começou a usar as redes sociais de um jeito mais inteligente que para promover dicas de futuros mangás, e até criou o Henshin Online, que vem a ser um programa que acaba servindo como uma newsletter do que a editora tem feito. Não é o ideal, mas está melhorando. A Panini também embarcou nos vídeos online e criou o Planet Time para ajudar na divulgação de seus títulos… mas o resultado não está sendo legal não.

Além de falarem sobre os lançamentos do mês com a naturalidade de quem apresenta um seminário de ciências na quinta série, a equipe do Planet Time às vezes cria vídeos de sugestões para leitores. Isso na teoria é ótimo, porque aumenta o interesse por títulos com dezenas de volumes já lançados para o público que chegou agora nesses gibizinhos que lemos de trás pra frente, mas a ideia do Planet Time tem um graaaande defeito: os tais volumes não são facilmente encontrados.

Em outubro do ano passado, por exemplo, eles fizeram um vídeo ótimo sobre mangás que podemos dar de presente para as pessoas. Um dos títulos, no entanto, foi Akame Ga Kill que… bem… o primeiro volume pode ser encontrado cinco vezes mais caro que o preço de capa em algumas lojas mais oportunistas já que se trata de um volume mais raro.

Já no vídeo publicado agora no comecinho de 2018, eles sugeriram indicações de mangás para ler este ano. Um dos títulos é justamente One Piece, que começou a ser publicado em 2012 e que o primeiro volume pode ser encontrado por aí custando uns duzentinhos. Pelo menos eles não recomendaram um Berserk, mangá que está em publicação e que alguns volumes do meio da coleção simplesmente evaporaram.

Com essa sensacional estratégia de marketing que promove produtos que o consumidor não consegue comprar, fica parecendo que a Panini é um grande monstro de várias cabeças que não se comunicam direito entre si. Áreas como marketing não está tão conectadas com o que rola na parte editorial e acaba saindo uns micos desses.

Mas pelo menos não deixa de ser uma evolução ao que tínhamos antes em marketing de mangás. Por sorte ficaram pra trás coisas como criar expectativa para uma notícia bem bosta

18 comentários em “A maravilhosa estratégia da Panini de promover mangás… que estão esgotados

  1. A Panini é tão sádica que ela paneja submeter todos os seus leitores ao comercio paralelo de mangás esgotados nos sebinhos só para ficar cheia de comentários de republicação nas redes sociais.

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  2. Piadas à parte, eu realmente que é aí que o formato digital vai se consagrar. Se eles publicarem mangás antigos, que eles ainda tem a licença, desde o número 1 em formato digital, sanaria boa parte do problema.

    Lógico, pra isso acontecer os japoneses precisam parar de ser pau no cu e liberar a licença pra formatos diferentes, as editoras brasileiras atualizarem seu catálogo com a publicação física (eu não quero ler Fairy Tail só até o #04, quero ler até o fim), e nem me arrisco a falar da diferença de preço entre físico e digital.

    Apesar de tudo, sou um otimista do formato digital de mangás.

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  3. Mas aí não deveria disponibilizar já o material antes de fazer qualquer vídeo com recomendações?

    Isso me lembrou aqueles vídeos da Henshin que só servem pra alimentar o nicho, até porque o grande público do Youube está mais interessado em coisas como Felipe Neto e afins.

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  4. Marketing é tudo hoje em dia. Lembro que em 2012 a Abril, depois do baque de ter perdido a publicação da Marvel e da DC, e sabendo que nem só de Disney vive o homem, digo o garoto, botou nas bancas três séries infanto-juvenis de autores brasileiros –“U.F.F.O.”, “Garoto Vivo” e “Gemini 8”. Tudo bem, maravilha, as séries eram ótimas, mas eles acharam que as revistas iam pular das prateleiras e se promover sozinhas: não anunciaram com cartazes nas bancas, não publicaram anúncios nas revistas “de adultos” pra avisar os pais, não distribuíram exemplares gratuitos nas escolas (coisa que já tinham feito no passado), não anunciaram nos intervalos dos programas infantis e das emissoras a cabo… Resultado: todas acabaram na quarta edição (o “período de teste” padrão do mercado editorial brasileiro).

    Mesma coisa pro canal Animax, da Sony (que havia comprado o saudoso Locomotion, que aparentemente não andava bem das pernas): além de não satisfazer as exigências mínimas da otacada (ter opção de áudio original com legendas, pra ouvir as atrizes guinchando e os atores gritando), não passar desenhos de longa metragem e só disponibilizar o canal nos pacotes mais caros, não investia nem o mínimo em propaganda: não o anunciava nos outros canais do grupo, não oferecia “degustação” dele aos clientes dos outros pacotes, tinha uma “home-page” xexelenta e um contato com o consumidor pior ainda. E, com isso, em três anos, transformou o canal em “Sony Spin” e tirou os animês da grade. E ainda saíram dizendo que “o público não quer ver desenhos japoneses”. É, né, se você nem avisa que eles existem, como é que vão querer?

    Curtido por 3 pessoas

  5. Fizeram um video de 11 minutos pra nao falar nada, os cara me indicam One piece, como se ngm conhecesse

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  6. Esse post me fez lembrar que eu gastei 500 reais pra conseguir a coleção completa de Claymore, tudo porque os 10 primeiros volumes estavam com um valor bem gordo. Valeu a pena por ser meu mangá favorito até hoje mas né. Os oportunistas estão ao monte por ai.

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  7. Nessa linha de pensamento, os mangás do Astro Boy original e do cyborg 009 nunca lançados aqui, sairiam por R$ 750,00 então?

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  8. Deveria ter roubado o primeiro mangá de One Piece da biblioteca da escola enquanto ainda tinha tempo…

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  9. YAHAHAHAHHAHA!!!! A as editoras, meu jornaleiro com um whats zap já consegue ser melhor q o marketing da panini todo. Sinceramente eu n perco meu tempo vendo essas coisas, mas realmente é foda pra quem tá começando a ler manga e se depara com umas merdas dessa. Pior q esse putos recomendam One Piece, mas a panini relançar o 1 como tem gente q vira e mexe pede n pagina deles lá no facebook eles n fazem. As editoras brasileiras são uma puta piada de mau gosto.

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  10. Acho que nunca vou entender essa estratégia maravilhosa de evidenciar um produto que a editora NÃO TEM. Depois, se chove reclamações por conta disso, o público que é chato e só critica, mas não “aproveita”. Tsc, tsc.

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  11. Ainda bem que comprei 2 volumes 1 de One Piece assim que lançou, quando ficar ainda mais caro, aí eu vendo um deles, kkkk.

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